X.x.x.x.x 11 - Birthday Gift
No dia seguinte à minha estada na enfermaria, eu já havia tido alta de Madame Pomfrey (que por sinal só não me matou por ter piorado a lesão do braço porque... Bem, não sei). Agora eu caminhava alegremente para meu quarto na Sala Comunal da Corvinal, porque só retomaria as aulas na parte da tarde. Hoje era dia de Aritmancia, História da Magia e Transfigurações, no último horário.
Eu não sabia o por quê, mas tinha a sensação de que estava esquecendo de algo muito importante. Realmente importante. Mas não lembrava o que era.
- Um buraco tem 3 metros de profundidade. Quantos metros de pronfundidade tem um meio buraco? - A cabeça da águia perguntou quando cheguei na porta de entrada.
- Nenhum, pois não existe meio buraco. - Respondi alegremente, sorrindo quando a porta me foi aberta.
Só haviam poucos alunos fazendo suas atividades, e então segui para meu quarto de monitora, querendo trocar de roupa. As minhas continuavam sujas, porque ninguém me levou limpas enquanto estive na enfermaria. Fiquei até pensando nisso quando saí de lá, confusa pelo descaso que me trataram. Fiquei perdida por horas na Floresta Proibida, no frio, e ninguém ofereceu consolo. Nossa, que coisa horrível.
Por falar nisso, ninguém falou comigo hoje, nem Madame Pomfrey conversou comigo direito quando me deu alta. Achei estranho, já que, quando comi muitos Sapos de Chocolate, Madame Pomfrey verificou meu estado até meu último segundo na Ala Hospitalar. Eu não entendia esse comportamento.
Franzi a testa enquanto buscava uma muda de roupa, pensando a respeito. Não cheguei a nenhuma conclusão enquanto me arrumava e seguia para o Salão Principal, levando minha mochila com livros, penas e todo o meu material escolar. Almocei, seguindo para a Biblioteca. Queria pegar outro exemplar de Transfiguração Humana.
Cheguei na Biblioteca e Madame Pince me olhou com frieza enquanto eu devorava o último pedaço de um bolinho de amora. Sem comida perto dos livros. Suspirei, mastigando o bolinho que deixava meu rosto com um formato estranho. Peguei dois livros grossos e me sentei em um banco, começando a ler. Minha transformação estava excelente, segundo o livro, e eu sorri satisfeita. Ouvi a confusão dos alunos atrasados e percebi que eu era uma dessas. Fechei os livros com uma força desnecessária e corri para a aula de Aritmância, esbarrando em vários alunos sem querer.
O dia seguiu normal, e eu fiquei decepcionada de ter perdido minha varinha.
X.x.x
Durante minha ida para a aula de Transfigurações, vi alguns alunos do sexto ano da Sonserina passando para irem, provavelmente, à aula de Poções, e Benjamin estava no meio deles. Tentei me esconder atrás de alguns alunos de minha própria casa, mas já era tarde demais e ele me viu. Acenou, desculpando-se com uma menina (estreitei os olhos ao notar, ligeiramente incomodada), e veio em minha direção, sorrindo. Suspirei, sorrindo afetadamente. Eu não tinha cara de conversa.
- Olá, Allexandra! - Cumprimentou-me, se oferecendo para carregar minha mochila. Neguei, dizendo que estava bem. - Seu braço, Allexandra, me deixe levar.
Olhei para ele, achando graça do esforço.
- Que bobagem, Benjamin, Madame Pomfrey cuidou dele, estou ótima! - Garanti, fazendo uma espécie de pose para mostrar que estava bem. Pareci um menino mostrando os músculos, como se malhasse horrores. Ele riu, procurando algo nos bolsos.
- Ah, te procurei o dia todo... - Procurou em todos os bolsos e eu fiquei surpresa que pudesse ter tantos assim - ...Para te entregar... - Ele sorriu quando pareceu encontrar - ... Isso!
E tirou minha varinha de ébano do bolso direito, me entregando.
- Minha varinha! Você encontrou! - Peguei da mão dele um pouco sem educação, mas o abracei fortemente, antes de perceber a besteira - Oh, desculpe.
Me afastei, olhando em volta, tímida de repente. Ele riu, desconcertado, passando a mão nos cabelos negros.
- Mas como...? - Comecei, feliz por ter recuperado minha varinha - Pensei que teria que comprar uma nova... - Passei a varinha no rosto, como se estivesse a abraçando.
- Eu voltei onde você caiu, na hora do almoço, e tentei usar Accio, mas não funcionou direito. Então tive que procurar pessoalmente. Estava um pouco longe de onde você estava, enterrada na neve. Foi uma sorte ter encontrado.
Benjamin me contou sorrindo orgulhoso de si mesmo. Eu me aproximei e beijei sua bochecha, tomando cuidado para ele não fazer nenhum movimento repentino e acabarmos nos... Hã... Beijando.
- Oh, aí está você, Swan. - Ouvi a voz conhecida de minha professora de Transfigurações, e seus passos rápidos até mim.
- Professora? - Fiquei surpresa, e me afastei de Benjamin, como se tivesse feito algo errado. Apontei minha varinha para cima e pensei Avis. Pássaros conjurados começaram a voar em cima de nós, puxando meu cabelo. Eu ri quando um desses bicou minha orelha.
- Hm... - McGonagall examinou meus pássaros e abriu um sorriso satisfeito - Bonitos. Parabéns.
Eu corei, pegando um deles com a mão.
- Vamos, Allexandra, está atrasada. - Informou ela, se aproximando de mim e colocando uma mão em minhas costas, me guiando para a sala. Pode ter me parecido uma impressão errada, mas achei ter visto Minerva piscar para ele.
- Até, Benjamin. - Cumprimentei, tímida. Deixei que Minerva me levasse. Quando estávamos quase entrando na sala, sussurrei - Obrigada por me tirar de lá.
Ela não respondeu, apenas sorriu maliciosa (maliciosa? O quê?) e abriu a porta para mim.
A sala estava estranhamente decorada de azul e branco, e meus colegas estavam de frente para mim; seus rostos todos mostrando uma culpa mal disfarçada.
- O que...? - Comecei, notando o grupo de alunos da Grifinória sorridentes. Annabele estava no meio. Sorria e dava pulinhos alegres.
Minerva ficou ao meu lado e tirou um embrulho roxo das costas. Me abraçou fortemente e me entregou.
- Feliz aniversário de 17 anos! - Eu arregalei os olhos, muitíssimo surpresa. Meus colegas fizeram uma fila em minha frente, me abraçando e me entregando lembranças.
Era isso que eu estava esquecendo! Hoje era dia 1 de Dezembro! Por Merlin!
- Aaaaaaally! - Annabele foi a primeira, me entregando um pacote amarelo pequeno. Ela me abraçou, rindo em minha orelha - Feliz aniversário!
Corei, encabulada com as demonstrações de afeto. Recebi vários presentes e a aula foi divertida: McGonagall nos ensinou a transfigurar pequenos objetos em animais igualmente pequenos, pegando como exemplo meus óculos, e o transformando em uma borboleta colorida. Aplaudimos, sorridentes, e tentamos fazer. Usamos nossos livros. Consegui transfigurar o meu em um pássaro azul e vermelho, e ele saiu voando pela sala alegremente, ainda que um pouco atrapalhado.
Nosso horário acabou e vários colegas voltaram a me abraçar, desejando-me um feliz aniversário. Eu agradeci, sorridente, e arrumei minhas coisas vagarosamente.
- Allexandra? - Minerva me chamou quando eu me levantei da cadeira. Eu era a última aluna na sala. Me virei para ela, seguindo em sua direção.
Minerva estava sentada em sua escrivaninha, corrigindo alguns trabalhos do... Li "4º ano". Eu estava com seu presente em minhas mãos.
- Oh, imaginei que quisesse que eu abrisse em meu quarto, mas se quiser... - Comecei a desembrulhar, notando uma caixa vermelha. Eu a abri, notando tritões de gengibre. Arregalei os olhos, surpresa. Dei a volta na mesa e abracei Minerva fortemente, alegre. Ela riu, tentando se desvencilhar de meu abraço, provavelmente sem ar. Eu fiquei sem graça, pegando um deles e oferecendo para minha professora. Minerva sorriu e negou educadamente. Eu fechei a caixa, alegando que os comeria depois.
- Hm, Allexandra? Há mais uma coisa que gostaria de lhe dar. Ou melhor, lhe mostrar. - McGonagall se levantou e pegou minha mão, nos levando até seu escritório.
Foi até sua estante e retirou um livro, mas, ao invés de me dar o livro, o abriu e retirou frascos com conteúdo prateado.
- São... Lembranças? - Perguntei surpresa, vendo McGonagall se aproximar com... 5 frascos?
- São. - Confirmou, pegando novamente minha mão, depositando os frascos com cuidado em minha mão aberta - São as lembranças de Edward Wylde.
Olhei para minha mão cheia, sem fala.
- Ele não é...? - Comecei a raciocinar, mas logo uma idéia passou por minha cabeça - Se quer que eu veja, então... Tem algo mais. Algo mais que mostrar que Edward não é o culpado.
Ela cobriu minha mão com a dela, fechando com cuidado os frascos. Levantei a cabeça, para olhá-la, e Minerva assentiu tristemente.
- Estarei aqui, Ally. - Minerva disse, me abraçando carinhosamente.
- Estaremos. - Corrrigiu uma voz grave, conhecida. Me virei. Dumbledore estava na porta do escritório, nos olhando como se pedisse permissão para entrar, com a mão estendida para nós.
Minerva me segurou pelos ombros, me puxando para perto dele. Segurou sua mão e fomos em direção ao escritório de Dumbledore. Para a Penseira. Para a verdade.
X.x.x.x.x
N/A: :3 Bem, créditos da charada no começo da fic para meu pai bruxo corvino, que já respondeu uma dessa quando estudou em Hogwarts :D
Ah, no próximo teremos essas lembranças e iremos descobrir quem enviou as cartas, então... Reviews.
