X.x.x.x.x 12 - Pensieve
A sala de Dumbledore continuava a mesma de antes, com o acréscimo de uma foto de Minerva na mesa. Sim, eu percebi a moldura dourada e a foto de McGonagall, sorridente.
- Escute, - Pediu Minerva, pegando minha mochila e o presente que havia me dado - Não aja como aconteceu com Edward. Não teremos a mesma bondade de mandar você simplesmente para a Floresta Proibida. Não podemos.
Olhei para os frascos em minha mão, inquieta. Minerva realmente era uma mãe para mim, mesmo que fosse só minha professora. Se preocupava comigo e isso era louvável.
- Está bem. - Falei, lendo os rótulos dos frascos.
"Hogsmeade, 15 de Maio"; "Casa, 22 de Julho"; "Hogwarts, 08 de Outubro"; "Hogwarts, 29 de Novembro" e "Hogsmeade, 28 de Novembro". Eu achei que os dois últimos frascos diziam isso, porque na verdade não estava conseguindo ler direito.
- Veremos juntas, está bem? - Falou Minerva, me puxando para outro abraço.
Eu assenti, pegando a lembrança mais antiga. Me aproximei da Penseira, abrindo o frasco. Depositei o fio prateado sobre a água e ele pareceu dançar. Uma sequência de flashes apareceram e, ainda apreensiva, mergulhei a cabeça.
Hogsmeade, 15 de Maio
Eu caí, ligeiramente tonta, no chão de pedra de uma rua em Hogsmeade. Sacudi a cabeça, tentando me encontrar. McGonagall apareceu do meu lado, em pé. Me ajudou a levantar, um tantinho ansiosa.
- Certo, o que tenho que ver? - Perguntei, olhando para os lados, sem saber exatamente o que devia fazer.
- Edward, bem ali. - Ela apontou o menino de cabelos negros escondido em um beco - Albus acabou de passar por aqui, veja, lá... - Indicou o mago que já estava longe, saboreando algum doce que não notei qual era - E Benjamin, bem ali, recolhendo um papel.
Apontou para o menino de cabelos um pouco longos atrás de nós.
- Benjamin? - Repeti, surpresa. Me afastei dela e fui para perto de Benjamin, confusa. O que ele estava fazendo ali?
- Sim, mas espere... - Minerva se interrompeu quando eu exclamei surpresa por Edward ter me atravessado - Desculpe, esqueci que ele ia chegar perto de Benjamin.
Eu recuei alguns passos, assombrada. Não doeu, é claro, mas ele me surpreendeu. Eu não sabia como funcionavam as lembranças na prática em uma Penseira.
- Estou bem, mas... - Me aproximei dos irmãos novamente.
Benjamin não havia percebido a aproximação de Edward, e quando o fez, tomou um tremendo susto. Tratou de esconder o que estivesse lendo, impedindo o irmão mais velho de ler.
"Ora, meu irmão, o que está escondendo aí?" Perguntou Edward, travesso, avançando para cima de Ben, tentando lhe arrancar o papel.
"Não lhe interessa, Edward. Vá procurar outro para aborrecer." E deu as costas para o irmão, seguindo para a Dedosdemel.
Edward fez uma careta de desagrado, e tomou a direção contrária, resmungando sobre o mau humor do Sonserino.
A lembrança se tornou enevoada e de repente eu já havia voltado para o escritório de Dumbledore. Minerva estava com a mão em meu ombro, recolhendo a lembrança com a varinha que nem me dei conta quando ela tomou o frasco correspondente à essa e o guardou. Eu continuava confusa, mas rapidamente abri e despejei a lembrança seguinte.
~ Casa, 22 de Julho ~
Minha queda nem foi tão ruim quanto a primeira. Cambaleei, mas continuei em pé. Minerva segurou minha mão e me guiou rapidamente quando Edward entrou correndo na casa.
- Onde estamos, Professora? - Perguntei, não reconhecendo o local.
Era uma casa grande, bonita até. Decorada com muitos enfeites e fotos de família. Um casal sorridente aparecia em uma delas, rodeado por três crianças de cabelos negros e olhos azuis. Uma menina, que reconheci como Ruby, a irmã mais velha dos irmãos (lembrei de seu rosto: ela era corvina, como eu. Já havia se formado há um ano), Edward e Benjamin.
- Estamos na casa da família Wylde, a casa de Edward e Benjamin. Oh, vamos, temos que subir as escadas. - E puxou minha mão em direção ao andar de cima. Edward subia os degraus de dois em dois e tivemos que nos apressar.
"Ben!" Chamou ele, alto, o procurando em alguns quartos "Descobri que a Allexandra vai estar..."
Opa! Allexandra? Eu? Antes que eu pudesse formular mais frases mentalmente, ele parou, olhando dentro de um quarto com a porta encostada. Consegui ler "Benjamin" em uma placa colada.
- Mas o que...? - Comecei, vendo Edward olhar malicioso para os lados, entrando no quarto.
"Ben?" Eu e McGonagall entramos também, e Edward parecia uma criança presa no supermercado. Começou a vasculhar as gavetas, risonho, à procura de algo "Achei!" Ele riu, tirando um pergaminho surrado, provavelmente por ter sido manuseado muitas vezes "Vejamos... Ohoho..." E começou a ler o papel em voz alta.
'Querida Minerva,
Seu riso é a coisa mais fantástica que já ouvi; seus olhos são perfeitos; Você é a mulher mais bela que eu já... Oh, eu não... Espere... Ah, Minerva, vê? Mal consigo falar de meus sentimentos sem me enrolar... Você é fantástica e eu precisaria de muitas outras palavras para descrever minha admiração por você. Meu amor por você. Amor.
Seu... Colega de trabalho, e talvez algo mais...
Albus Dumble-'
O papel foi arrancado da mão de Edward com rapidez por Benjamin, que foi quem me atravessou dessa vez.
"Edward! O que está fazendo aqui?!" Ele dobrou o pergaminho com força e o meteu nos bolsos, olhando furiosamente para o irmão. Fiquei suspresa de ver um olhar desses em Benjamin, que nunca pareceu agressivo "Não há coisa alguma sua aqui! Vá embora!"
E empurrou o irmão porta afora, parecendo transtornado. Edward arregalou os olhos, tão surpreso quanto eu.
Então voltei novamente para o escritório do diretor. Minerva agarrava minha mão como se eu fosse correr a qualquer minuto.
Eu simplesmente não entendia o que passava naquelas lembranças e estava tão confusa de Benjamin ter em mãos uma carta de Dumbledore (a mesma que percebi estar em suas mãos na primeira lembrança) que nem notei quando Minerva recolheu essa memória e colocou a próxima. Só mergulhei a cabeça na Penseira, começando a juntar as peças. Infelizmente.
~ Hogwarts, 08 de Outubro ~
Voltamos aos corredores de Hogwarts, e Minerva parecia mais agitada do que o costume, me mantendo perto o tempo inteiro, enquanto eu observava o Wylde mais velho andar rapidamente atrás de William Sayred.
"Hey, Will!" Chamou ele, amistoso. Ergui uma sobrancelha, confusa "Eu soube o que estão planejando uma..." Ele conseguiu chegar perto dele, e assim percebi que Benjamin arregalava os olhos, advertindo Edward sobre algo. O mais velho abaixou o tom de voz como se contasse um segredo "Eu soube que estão planejando uma brincadeirinha com McGonagall, não?"
Wiiliam levantou as sobrancelhas, olhando com frieza para Benjamin.
"Oh, não..." Edward apressou-se a negar o que quer que William estava pensando "Ben não me contou, eu apenas ouvi uma conversa sem querer, mas... Então... Posso participar? Estou esperando uma oportunidade para fazê-la rir, ou então, nos expulsar." Ele riu, como se tivesse contado a melhor piada do século. Franzi o cenho.
- Allexandra, - Chamou-me Minerva, tirando de meus devaneios - Não é o que parece. Edward só está tentando proteger Benjamin.
Eu olhei desconfiada para a lembrança de Edward, percebendo toda a agitação dele. Se estava só fingindo, fez um excelente papel.
"Está bem." Concordou William, de má vontade "Você, como Grifinório, será encarregado de enviar as cartas dessa vez, porque tivemos muitos problemas nas vezes anteriores. E não conte para ninguém, entendeu?"
Edward abriu um sorriso largo, contrastando com a expressão aborrecida de Benjamin.
"Ah, meu maninho..." Assim que Sayred saiu, Edward pôs o braço ao redor dos ombros de Benjamin, que fazia uma careta de desagrado "Por que começou isso?"
Benjamin revirou os olhos, tirando o braço de Edward de seus ombros. Começou a caminhar na direção das masmorras, para sua sala comunal.
"Alle..." Ele se interrompeu, repentinamente nervoso "Edward, vá cuidar da sua vida." Disse, mas vi seu rosto preocupado ao passar por mim.
"Sim, como sempre, Allexandra." Edward suspirou, tomando outra direção.
Pisquei uma ou duas vezes para tentar assimilar as coisas. Já estava na sala novamente. Então Benjamin...? Ele quem começou tudo isso? Benjamin?
- Minha querida, você está bem? - Perguntou McGonagall, ao fundo de minha mente, porque eu estava tão absorta nas possibilidades.
Benjamin?
Recapitulei a conversa de domingo, quando entreouvi a "discussão" de Dumbledore e McGonagall, quando ele disse que não teve culpa de alguns alunos surrupiarem a carta de seu bolso. Então, pela primeira cena, Benjamin foi quem pegou a carta?
- Professora! - Alguém entrou correndo no gabinete, parecendo desesperado. Não me virei para ver quem era - Está havendo uma briga entre Grifinórios! Na Sala Comunal!
Minerva bufou, batendo em meus ombros.
- Espere aqui, está bem? Irei checar, e quando voltar, passaremos para a próxima memória.
E saiu apressada.
Sentei em uma cadeira, olhando para os frascos em minha mão. Haviam mais dois, cujos rótulos estavam tão desgastados e sujos que eu não saberia dizer qual data era qual. Comecei com Hogwarts, 29 (ou 28?) de Novembro. Abri o frasco, incapaz de esperar Minerva voltar para vermos. Derramei o conteúdo na penseira e mergulhei a cabeça, esperando alguma coisa que fizesse sentido.
~ Hogwarts, 29 ou 28 de Novembro ~
Notei que estava no escritório de McGonagall e, olhando ao redor, percebi o rastro de cabelos cacheados na porta. Reconheci a cena: a discussão de Albus e Minerva, seguido por declarações de amor... Então era dia 29 mesmo, dois dias atrás, no domingo.
Virei-me novamente, dando de cara com Dumbledore dançando com McGonagall, depois de ela ter se declarado. Não pude evitar sorrir.
"Vamos ficar aqui. Vamos ficar aqui para sempre. Só você e eu." Eu olhei para trás, vendo a Allexandra-lembrança contrair os lábios, tentando não chorar. Eu ri, me aproximando da porta.
Voltei a olhar para Minerva, que agora ria, beijando a bochecha do diretor. Riu mais quando ele fez a mesma coisa, e lembrei que provavelmente seria por causa da barba.
Notei que minha "chará" já havia saído, então eu descobriria o que havia acontecido depois que saí. Meus lábios formaram um sorriso malicioso, constatando que essa lembrança realmente não era de Edward, e sim de Minerva. Cruzei os braços, ainda sorrindo, vendo o que aprontariam.
Dumbledore segurou seu rosto, olhando com muita ternura para ela, que, consegui perceber ficando melhor posicionada, sorria largamente, pondo as mãos no peito dele. Ele a beijou e eu cobri o rosto com as mãos, mas abri um pouco os dedos para poder enxergá-los.
"Sabe quanto tempo eu esperei por isso?" Sussurrou Dumbledore, carinhoso, sorrindo.
Minerva sorriu, antes de começar a beijá-lo novamente. Arregalei os olhos, surpresa com a intensidade do beijo dela, principalmente pelo fato de Minerva ter prensado Dumbledore na parede e eles estarem... Ai, meu Deus, estavam se agarrando! E eu estava assistindo!
Albus trocou a posição, e ele era quem estava prensando Minerva agora. Estiquei o pescoço e vi que ela estava desabotoando a túnica dele, completamente feroz. Abri a boca em um O perfeito enquanto via a recatada Professora McGonagall passando as pernas ao redor da cintura do diretor, e ele estar... Semicerrei os olhos, completamente estupefata, ao notar que ele estava beijando o pescoço dela, enquanto provavelmente estava tirando o zíper do vestido dela... Que deslizou pelos ombros e Minerva pareceu sorrir e sussurrar algo, na orelha dele, muito maliciosa. Oh, Merlin!
- Agora, chega.
Olhei para o lado e percebi Minerva me encarando assustada. Suas narinas estavam infladas e sua boca sumia, como sempre fazia quando estava nervosa de alguma maneira. Encostou no meu braço e começamos a rodopiar. Antes de ser retirada da memória, olhei por cima do ombro dela e vi a Minerva-lembrança com os cabelos soltos, ombros nus e...
De repente eu já estava na sala do diretor.
- MERLIN, ALLEXANDRA! O QUE HOUVE?! - Gritou Minerva, desvairada, recolhendo a lembrança da Penseira com as mãos trêmulas.
Mantive os olhos arregalados, surpresa. Não consegui proferir uma palavra sequer.
- COMO CONSEGUIU ESSA LEMBRANÇA?!
- Eu... - Gaguejei, completamente dispersa - Estava junto com as outras...
Minerva arregalou os olhos também, e pareceu prender a respiração. Sua boca agora era só uma linha, de tanto que apertava os lábios. Afundou em uma cadeira, cobrindo o rosto.
- Ah, por Merlin, que besteira! - Lamentou-se ela, parecendo terrivelmente arrependida do erro - Perdoe-me!
E agora, finalmente, minha tendência humilhante de rir nas horas erradas se fez presente e eu tive que cobrir a boca, mordendo também os lábios. Meu humor e estado de espírito habituais pareceram voltar.
- Não tem problema, professora... - Fechei a boca antes que o ataque de riso saísse, e tentei me recompor.
Infelizmente, na minha cabeça a cena de quando Minerva começou a sussurrar na orelha de Dumbledore, maliciosamente, voltou. Não consegui deter e acabei caindo no chão, cobrindo o rosto, rindo até perder o fôlego. Imaginei que só não recebi um Crucio porque meu riso, nessa hora, pareceu um choro. Escutei McGonagall choramingar, e eu não consegui parar de rir/chorar.
- Vamos, Allexandra. - Chamou ela, se recompondo, mas corada - Ainda falta a última lembrança, a mais recente.
Me levantei, lagrimando, e me fiquei ao lado dela, pondo a última lembrança na Penseira. Mergulhei a cabeça, já sabendo o que esperar.
X.x.x.x.x
N/A: Eu não pude conter, gente, essa última lembrança. Sério. E, só para constar, Allexandra não estava rindo dos dois, era somente o fato engraçado de Minerva ter se mostrado tão... Empolgada, haha.
