X.x.x.x.x 13 - Surprise

Hogsmeade, 28 de Novembro

Eu esperava outra cena, é claro, mas estávamos no Três Vassouras. Eu conseguia ver todos: William, Katherine, Patrick e Dean.

- Veja, Benjamin está pondo as moedas na mesa. - Indicou Minerva, e pude perceber que Edward já estava se dirigindo em direção à mesa, apressado.

Eu lembrava bem dessa parte: O Wylde mais novo parava de andar e olhava irritado para o irmão. Edward sorriu e sentou ao lado de William Sayred, novamente como se fossem amigos. Meu conceito estava mudando sobre Edward, mas não deixava de ser suspeita sua atuação.

- Fingindo, Allexandra. Não esqueça. - Lembrou minerva, segurando minha mão. Assenti vagamente, olhando para Benjamin. Parecia tão triste quanto eu lembrava.

"Não tão bem agora, Ed. Vou voltar para Hogwarts." Anunciou friamente e saiu, dando mais uma olhada no gato de orelha marcada.

Tive uma espécie de calafrio quando terminei de ver o rabo do gato sair pela porta, e voltei minha atenção ao grupinho na mesa. Minerva dava pequenas batidinhas em minha mão para... Me acalmar? Eu nem estava nervosa...

"Como estamos, Edward?" Perguntou William, tomando sua cerveja amanteigada sem olhar para Edward. O Grifinório deu um sorriso.

"Muito bem, Will." Ele riu, sem achar graça "McGonagall está desconfiada, mas não contou para ninguém. Acho."

William parou com a caneca no ar, olhando incrédulo para ele. Os sextanistas (só William e Edward eram setimanistas) também pararam de tomar suas bebidas e fitaram Edward.

"O que quer dizer?" Perguntou Dean, fazendo uma careta.

"Acho que ela contou para uma aluna." Explicou ele, parecendo um pouco preocupado. Uni as sobrancelhas, confusa. Minerva continuou calada.

"Que aluna? Como sabe?" Tornou Sayred, olhando para os lados, agitado.

"Hm..." Edward pareceu nervoso e começou a passar as mãos nos cabelos "Não é certeza, mas McGonagall anda com uma sextanista para todo o lado... Repito, Will, não sei se ela contou."

Patrick levantou a sobrancelha, curioso.

"Nós a conhecemos, Edward? Você está com o pé atrás no plano?" Questionou ele, com satisfação. Parecia querer a saída de Edward do grupo.

O setimanista sorriu, sarcástico.

"Não seja burro, Rostller. Estou muito mais envolvido do que você. Acaso esqueceu que quem envia as cartas, com risco de ser expulso, sou eu?" Ele deu uma pausa, voltando-se para Will "Não tenho certeza, mas acho que uma Corvina está tendo aulas de animagia para agir de espiã."

Arregalei os olhos, surpresa. Como assim ele havia contado?

"Pode ser engano, Will, não faça nada." Edward apressou-se em explicar. Sayred suspirou, pesaroso.

"Parece que esse é um mal dos Wylde, pessoal. Quando uma garota aparece, não sabem o que fazer. Você, sendo Grifinório, seria a melhor maneira de executar o plano. Benjamin deu a ideia, escreveu a primeira das cartas, nos mostrou e agora, quando o plano está indo tão bem, vocês querem abandoná-lo." William se levantou, andando para a saída "Deve ser a mesma corvina que Benjamin gosta."

Edward murmurou, chateado, quando os outros saíram.

"Ah, Ben... Por quê? Por que logo ela?"

Eu não conseguia sentir minhas pernas. O ar escapou de meus pulmões. Meus olhos ardiam.

- Você está bem? - Era Minerva, preocupada.

- Sim.

Levantei o rosto, procurando minha mochila para sair antes que ela me visse chorar novamente. Estava em cima da mesa. Franzi os lábios, fazendo uma espécie de cumprimento com a cabeça e peguei minhas coisas, tentando não correr até minha sala comunal.

- Espere...! - A voz de McGonagall morreu enquanto eu batia a porta do gabinete de Dumbledore.

Desci a escada da gárgula aos pulos, mordendo os lábios com força. Comecei a limpar olhos com a manga das vestes e não vi quando esbarrei em alguém extremamente alto.

- Desculpe. - Murmurei, notando que era Albus - Oh, perdão, Professor.

Ele me olhou preocupado, e eu recomecei a andar, saindo de mansinho. Agora precisava chegar o mais rápido possível em meu dormitório, antes que me desmanchasse de vez.

- Preciso ir, tenho uma atividade para fazer. Até mais. - Me desculpei, já longe.

Era mentira. Nenhum trabalho pendente. Eu só... Precisava ficar sozinha. Eu deveria.

X.x.x Fim de Fevereiro (2 meses e meio depois) x.x.x

- Coma alguma coisa, Ally. Você não come direito há meses. - Annabele estava sentada ao meu lado, fitando-me com intensidade. Seus olhos negros pareciam estranhamente agitados, mas não tive presença de espírito para perguntar o que estava acontecendo.

- Não quero. Não estou com fome, já lhe falei. - Empurrei o prato que ela me ofereceu, apoiando o queixo nas mãos, em cima da mesa.

Comecei a lembrar das memórias de Benjamin e soltei um suspiro triste. Olhei através das mesas e o vi rindo de alguma piada. Nossos olhares se cruzaram e o sorriso que estava em seus lábios sumiu de repente. Annabele cutucou meu braço, cortando nosso contato visual, sussurrando.

- Allexandra, há algo que você gostaria de me contar? - Perguntou, desconfiada.

Soltei outro suspiro, levantando da mesa. Arrumei minha mochila e peguei uma maçã da cesta. Era manhã de sexta-feira, e meu primeiro horário era com McGonagall. Excelente.

- Tenho que ir. Vou assistir aula de Transfigurações junto com os Lufanos. Até o almoço, mon cherè.

Dei uma mordida na maçã vermelha, caminhando em direção à sala de McGonagall. Ela vinha entendendo meu lado e evitava conversar sobre o assunto, o que vinha sendo ótimo. Eu estava tentando esquecer essa decepção e tudo de ruim que ela trazia, mas era difícil. Muito mais difícil do que eu havia imaginado.

Benjamin, embora eu tenha o colocado em minha vida há pouco tempo (éramos colegas, mas acho que até mesmo amigos), ele havia se tornado importante. Como podia? Eu nem conversava até pouquíssimo tempo atrás com ele, e agora sentia um vazio enorme por nem sequer ouvir um simpático "Olá" em sua voz. Que absurdo. Parecia exagero de minha parte, ficar tão ressentida por ele ter começado a história das cartas, mas eu não pude evitar sentir-me traída. E eu, que nem tinha sido o alvo da brincadeira, imagine.

Ao menos esses problemas trouxeram algo bom: voltei a falar com Edward, normalmente. Tive a felicidade de descobrir que minha "paixão" por ele não passava de devaneios infundados, e finalmente pude enxergar com clareza nosso verdadeiro relacionamento. Amizade. Era só isso que tínhamos, e já estava de bom tamanho.

O principal problema era Benjamin.

Ele começou com as cartas. Parecia terrivelmente errado pensar assim, mas como negar, tendo tantas provas claras dos fatos? Eu não queria acreditar nisso, mas não podia continuar sendo tão irracional por estar sentindo uma coisa "colorida", agitada e absurdamente doce dentro de mim. Por incrível que pareça, era maior e muito mais problemático do que meus devaneios com Edward. Como era possível?

Meus passos até a sala de McGonagall estavam lentos, enquanto eu discutia comigo mesma minhas opções para o caso. Tirei um pedaço de pergaminho do bolso e comecei a ler as alternativas enumeradas:

1. Esquecer o absurdo das cartas e tentar retomar o convívio com ele. (Eu não podia negar que ele era uma companhia agradável, e nem iria);

2. Continuar a ignorá-lo até terminarmos Hogwarts. Eu conseguiria meu emprego no Ministério e ele... Bem, não sei (Isso não parecia sequer plausível);

3. Apaixonar-me ainda mais por aqueles olhos azuis e seu cabelo incrivelmente negro... Oh, quem escreveu isso em minha folha?! Oh, meu Deus, essa é minha letra...

Fiz uma careta de desagrado, parando de andar, dobrando o pergaminho no meio. Ameacei rasgá-lo, mas mordi o lábio inferior, pensando melhor. Que mal haveria em citar apenas algumas belas características...? Não! Sem chance alguma! Recomece a andar, Allexandra! Agora!

E então percebi que já estava correndo em direção à sala. McGonagall havia acabado de entrar e eu apressei ainda mais o passo. Sentei ao lado de Bryan Hambler, um lufano negro muito simpático e engraçado. Bonito também. Annabele iria adorar falar com ele...

- Bom dia. - Saudou Minerva, em nossa frente, parecendo extremamente radiante - Estamos bem próximos de fazer nossas últimas provas e, para relaxar um pouco, decidi fazer algo diferente. Algo... Interessante.

Ergui a sobrancelha, desconfiada. Eu nunca a tinha visto fazer isso, muito menos ouvir falar numa coisa dessas. E Minerva estava simplesmente estonteante. Olhava para a janela, e mantinha um sorriso largo no rosto.

- Com licença, Professora. - Ergui a mão, curiosa - O que faremos hoje?

Ela olhou para mim por cima dos óculos, numa tentativa de parecer severa, mas o sorriso insistente em seus lábios a desmentia. McGonagall se apoiou na mesa, e me respondeu, pegando a varinha.

- Iremos praticar transfiguração humana. Formem duplas e abram seus livros na página 367. - Respondeu Minerva, e eu peguei meu livro, folheando até encontrar a página solicitada.

Levantei os olhos, sorrindo largamente. Eu já sabia tudo isso. Eu era uma animaga. Minerva sorria para mim e apontou a varinha para meu rosto e um segundo depois eu tinha orelhas de coelho. A turma inteira riu e apontei minha varinha para mim mesma e transfigurei as orelhas de volta ao normal. Minerva ria discretamente, balançando levemente a cabeça. Sentou-se na cadeira em sua mesa, parecendo falar consigo mesma. Virei-me para Bryan e começamos a praticar.

A aula foi bem divertida, e Minerva teve poucos problemas com algumas transformações, mas consertou-as rapidamente. Infelizmente, acabou tão rápido quanto nosso dinheiro na Zonko's. Guardamos nossos materiais e quando o sinal tocou, já estávamos saindo da sala. Parei por um momento, pensando que seria melhor chamá-la e perguntar o que eu devia fazer a respeito de Benjamin, mas nem foi necessário, porque quando me virei ela fazia um gesto com a mão, me chamando. Continuava sentada em sua cadeira.

- Algum problema? - Perguntei, um pouco nervosa, mas Minerva continuava sorrindo.

Andei até sua mesa rapidamente, notando que sua gaveta estava aberta, com algum conteúdo colorido lá dentro. Antes que pudesse perguntar qualquer outra coisa, vi que voltava a sorrir, contente, mantendo as mãos juntas em uma posição nada comum e bastante sugestiva. Suas mãos carinhosamente colocadas sobre sua barriga, como se a estivesse segurando amorosamente...

- Professora! - Ofeguei, arregalando os olhos, surpresa. Minerva soltou uma risada, tirando o conteúdo colorido de dentro da gaveta. Era um macaquinho de criança, vermelho, com sapatinhos azuis - Grávida!

Ela assentiu, e eu dei a volta na mesa, indo abraçá-la.

- Tem nome? Posso? - Sorri, alegre, querendo tocar sua barriga. Ela riu, pegando minha mão, colocando sobre as camadas de roupa. Não parecia diferente, mas eu sabia que estava. Minerva sorrindo tão contente assim.

- Não escolhemos e Albus sugere cada nome... - McGonagall riu de novo e eu a acompanhei - Mas não temos nenhum. O que sugere, Allexandra?

Olhei para seu rosto por um segundo, pondo a mão no queixo, pensativa.

- Sempre gostei de Violet, o que acha? - Contei e ela me abraçou de novo, parecendo um pouco emocionada demais - O que foi? Falei algo errado?

- Não, é que... - Eu a ouvi fungar em meu ombro e comecei a ficar preocupada - Eu só queria lhe agradecer. Você permitiu que ficássemos juntos. Você fez com que isso acontecesse.

Nos soltamos e eu franzi o cenho, confusa. Eu os uni? Quando? Como? Minerva percebeu minha confusão e se explicou, bondosamente.

- Benjamin explicou para mim por que fez aquilo. Foi por sua causa. - E de repente ela se calou, parecendo arrependida de ter contado. Olhei para McGonagall, cética. Benjamin o quê?

- Hm... Allexandra? - Ouvi alguém me chamar e virei, confirmando minhas suspeitas.

Benjamin.

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N/A: Hey! Cá estou, absurdamente atrasada, eu sei. Bloqueio, sabe? Uma coisa terrível. *-* MMADness! s2