4 – Uma missão diferente


Naruto, o novo Hokage, era muito habilidoso e inteligente, mas tinha um jeito muito peculiar de lidar com algumas situações.

Essa era uma dessas ocasiões.

Ino e Sai estavam parados em seu escritório, confusos. Que missão era aquela mesmo?

_ Como é!? _ pronunciou-se a kunoichi com cara de espanto. _ Dá pra explicar melhor, Naruto. _ Ino exigiu.

Naruto passou a mão atrás da cabeça, num gesto característico:

_ Sei que parece uma coisa muito confusa mas, foi a melhor solução que eu encontrei. Um Senhor Feudal vai dar uma ajuda financeira para que as vilas se recuperem mais rápido. Mas... A única exigência dele é que os clãs sejam reestabelecidos o quanto antes. Vocês sabem, ele é bem tradicional. _ Naruto suspirou e prossegui. _ Todos os clãs de Konoha estão se reerguendo... Existem até Uchihas agora! _ exclamou animado, mas como ninguém partilhou da sua euforia continuou _ Bem... O clã Yamanaka é o único que ainda não tem descendência... Calma! Calma! _ apressou-se a dizer ao ver a expressão de Ino. _ Eu também não sou assim tão louco.

Ino deu um longo suspiro. Aquilo estava parecendo muito louco.

_ Continuando, esse Senhor Feudal, um dos mais ricos do País do Fogo, nos fará uma visita semana que vem. Tudo o que vocês têm que fazer é se casarem e fazerem o Senhor Feudal pensar que a descendência dos clãs está segura. Não precisam fazer filhos de verdade. _ Naruto riu. Mas como nem Sai nem Ino acharam graça ele prosseguiu, contrariado. _ Depois que o Senhor Feudal forem embora vocês pedem a anulação do casamento.

_ Por que eu, Naruto? _ perguntou Sai, falando pela primeira vez. Ele era um capitão ANBU agora.

Ino ficou aborrecida, ele se achava bom demais para ela?

_ Porque você é calculista o suficiente para separar as situações e porque... bem... para evitar escândalos na hora da anulação. _ Naruto ficou sério agora. _ A guerra foi devastadora, mas precisamos seguir em frente e estarmos preparados para tudo. Precisamos do dinheiro. O Senhor Feudal, Hagura Sakakibara, é muito tradicional e machista. Mas é esperto, deve ter alguém trabalhando para ele para colher informações então ninguém além de nós três pode saber a verdade. Para todo mundo vocês se apaixonaram durante uma missão, decidiram casar logo e devem fazer de tudo para ninguém desconfiar... Sabem... como recém-casados... _ Naruto estava ficando enrolado, aquela situação era difícil até para ele.

_ Já entendemos, Naruto. Temos que fazer todo o teatrinho, beijos em público, dormir no mesmo quarto, blá-blá-blá. Quanto tempo vai durar isso, heim? _ Ino perguntou irritada, era só o que faltava. Pelo menos ele sugeriu que eles apenas fingissem, caso contrário... Não queria nem pensar.

Naruto sorriu, feliz de ter sido poupado dos detalhes.

_ O Hagura Sakakibara deve visitar as outras vilas então deve ficar pouco tempo. Mas a missão de vocês começa agora. Para todos os efeitos, vocês vieram aqui hoje pedir um afastamento de 15 dias para prepararem o casamento e... aproveitarem a lua de mel, que eu generosamente concedi. Quando saírem daqui, vocês devem fazer o anúncio.

Sai e Ino estavam ainda um pouco atordoados então Naruto prosseguiu, sério:

_ Sugiro que vocês deem um passeio e tentem parecer mais... apaixonados. Vocês sabem... Fazer o teatrinho. Essa missão é muito importante mesmo... Se o Senhor Feudal desconfiar que tentamos enganá-lo vamos perder mais que patrocínio.

Quando Ino e Sai saíram do escritório do Hokage, não pareciam, nem de longe, um casal apaixonado.

_ Olha, eu sei que o Naruto disse para gente começar agora mas... é... eu tenho que falar com uma pessoa antes... Então a gente se vê de noite? Na praça?

_ Você sabe que não deve falar com ninguém sobre isso. Na praça não. Ou na minha casa ou na sua. Não podemos correr o risco de ninguém nos ouvir.

Ino cerrou os dentes. Quem era esse cara para ficar dando ordens à ela?

_ Olha aqui, Sai, não venha me dizer o que fazer que eu não sou idiota. _ O olhar de descrença só a fez enfurecer ainda mais. _ Na minha casa, às sete.

E ela se afastou sem dar tempo de ele protestar. Sujeitinho metido a besta. E ela que pensara que podia tirar de letra essa missão maluca. Depois que ela e Gaara haviam se separado, Ino sempre havia evitado um envolvimento emocional muito intenso. Ela e o shinobi com quem estava indo se encontrar saíam há algumas semanas. Teria que dispensá-lo. Uma pena, ele era tão fofo.

Sai chegou pontualmente. Eles estavam na varanda conversando. Conversando, não. Trocando informações. Como Naruto se referira a ele mesmo? Frio o suficiente? Estava mais para bloco de gelo. O sujeito não ria, não se exaltava, não esboçava curiosidade e nem... nada. Sentimento nenhum. Ino já estava ficando entediada.

_ Ok. Acho que já sabemos o necessário para a missão. _ Sai declarou, impassível.

_ Nosso teatrinho?

_ É uma missão muito importante...

_ Tá, já sei. Já sei. Eu sou uma kunoichi sabia? Mas você já sabe o suficiente mesmo? _ Ino começou, sempre provocativa. _ E se algum amigo seu perguntar onde eu gosto mais de ser tocada. Você vai responder o quê, Sai-kun? _ Ela tentava suprimir um riso de deboche.

_ Eles não perguntariam isso.

_ E se alguma amiga minha perguntar o que você prefere na cama eu devo responder o quê? _ Ino não se deixou constranger.

_ Diga o que quiser, Ino-chan. _ devolveu ele.

Esse cara. Ino já achava que Naruto não podia ter arranjado alguém pior.

_ Onde é seu quarto?

_ Hãn? _ ela pareceu confusa. _ Segundo quarto do andar de cima. Por quê?

_ Vamos casar dentro de uma semana. Tem uma vizinha sua muito curiosa nos observando desde que eu cheguei. Precisamos ser convincentes.

Ino mal teve tempo de assimilar as palavras dele e Sai já estava ao seu lado, prensando-a contra a parede e beijando-a ardorosamente, enquanto suas mãos vagavam pelo seu corpo. Ei! Não era só para fingir!? Ela pensou confusa. Num minuto estavam na varanda, no outro estavam no quarto dela. Mal adentraram o cômodo, Sai se separou dela, deitando-se na cama. Que folgado!

Para um bloco de gelo ele era quente demais! Ino pensou, antes de se deitar. Se ele achava que poderia constrangê-la estava muito enganado. Aquele era o quarto dela e a cama dela.

_ Por que você não deita no chão? _ ela perguntou com hostilidade.

_ Porque eu gosto de conforto. Se te incomoda, durma você.

_ Mas é muito engraçado! Essa cama é minha!

_ Em uma semana será minha também.

_ Cretino! _ Ino deu de ombros deitando-se na cama e virando as costas para Sai, que permaneceu imóvel.

Ino acordou bastante cedo, mas, mesmo assim, Sai já não estava mais na cama. Deveria ter saído durante a noite. Ótimo. Teria, pelo menos, mais um dia de liberdade. Levantou sorrindo e se dirigiu ao banheiro para tomar banho. Entrou despreocupada no banheiro, assustando-se ao ver o corpo pálido e esguio de Sai, nu, tomando banho.

_ Você não vai entrar, Ino-chan? _ perguntou, indiferente, sem nem sequer tentar se cobrir.

A garota não queria se deixar intimidar mas... Sai era muito abusado.

_ Não. Gosto de espaço, Sai-kun. Espero que não demore. _ Ino saiu batendo a porta.

Que garoto mais folgado! Estava agindo como se fosse o dono da casa. Bem, para todos os efeitos, como ele dissera, ele seria em menos de uma semana. Até que ele era bem desenvolvido! Ela não pôde deixar de pensar.

Quando Sai saiu do banho, apenas com uma toalha na cintura, Ino entrou no banheiro.

_ Estou indo em casa buscar umas coisas minhas, tomamos café e depois saímos para convidar nossos amigos próximos?

_ Claro, Sai-kun, sinta-se em casa. _ ironizou Ino _ Você tem amigos? _ provocou.

Sai sorriu e saiu do quarto. Ela era uma garota bem fútil e mimada, mas era bem atrevida, também! Ele pensou divertido. Não estava gostando nada dessa missão melosa, mas até que poderia curtir um pouco... Ino era bem gostosa e, dormindo no mesmo quarto, quem sabe o que poderia rolar?

Ino tomou um banho demorado, aquele seria um longo dia. Saiu do banheiro, vestiu um vestido simples, mas muito elegante, que realçava suas curvas voluptuosas. Prendeu os longos cabelos num rabo de cavalo, deixando duas mechas finas emoldurando suas faces e passou uma maquiagem leve. Podia não gostar do Sai, mas ela cumpriria sua missão.

Sai apareceu pouco depois, com uma mala pequena. Mesmo odiando admitir ele estava muito atraente mesmo naquelas roupas tão justas quanto às suas próprias. Sai também percebeu o quanto Ino estava bonita mas não falou, ao invés disso, enlaçou sua cintura fina e fez menção de descer às escadas, quando Ino provocou:

_ A que devemos tanto carinho, Sai-kun?

_ Estamos só ensaiando, Ino-chan. _ respondeu apertando ainda mais a kunoichi.

Ino bufou e Sai achou graça.

Tomaram café e saíram para convidar os amigos mais próximos, já que não teriam tempo para preparar uma grande festa.

Ino e Sai passaram o dia convidando os amigos para a cerimônia que eles realizaram na semana seguinte. As reações dos amigos foram as mais diversas: surpresa, euforia, alegria, desconfiança... Em suma, foi um dia cansativo. Todos estavam muito felizes e animados. Shikamaru foi o único que não engoliu a história da paixão avassaladora assim tão facilmente. Ele conhecia bem sua amiga para desconfiar de uma atitude assim, tão precipitada.

_ Vocês não querem esperar mais um pouco, Ino-chan? Vocês são tão jovens e se conhecem a tão pouco tempo. _ perguntou Shikamaru, olhando diretamente para Ino.

Nesse momento Sai, que estava segurando delicadamente a cintura de Ino, beijou-lhe sensualmente o pescoço e respondeu:

_ É que nós não queremos mais esperar, Shikamaru. Estamos muito apaixonados.

Ino sorriu. Sai era um mentiroso desgraçado! Quem os visse, com certeza, acharia que eles estavam mesmo muito apaixonados.

Shikamaru apenas deu de ombros, não era da conta dele, afinal.

Ela e Sai tinham sorrido o dia inteiro. E beijado muito. Sai fazia questão de demonstrar seu amor fervoroso em beijos cada vez mais ousados. Bem... ele beijava muito bem. Quem sabe se...? Ah, deixa pra lá. Sai não era muito o tipo dela mesmo.

Chegaram à casa de Ino pouco depois das sete. Sai estava fazendo papel de bom noivo, levando-a em casa.

_ Não vai me convidar para jantar, Ino-chan?

Ino bufou, mas deu um sorriso vencido.

_ É bom você começa a se acostumar com a minha comida mesmo. Eu não tenho muita paciência para cozinhar.

_ Será que você será mesmo uma boa esposa, Ino-chan? _ Ela fez uma cara de reprovação, divertido.

_ Com certeza, NÃO!

Ambos entraram na residência sorrindo.

Apesar do que Ino tinha dito, sua comida era muito boa. Simples, mas muito saborosa.

Depois da refeição, que foi regada a vinho e provocações animadas, Ino acompanhou Sai até a porta, como boa noiva:

_ Boa noite, Sai-kun! Estaremos muito ocupados essa semana. Mas eu deixo você me visitar amanhã à noite. _ Ino provocou.

_ Eu vou adorar, Ino-chan!... Principalmente agora que eu sei que a sua comida é tão gostosa quanto à cozinheira. _ Sai piscou e puxou Ino para seus braços, fortemente.

Ele não fez questão de ser delicado, porque ele não era delicado. Segurou a loura pelo traseiro, apertando com força e capturou seus lábios com vontade, forçando passagem para sua língua imediatamente. Ino fazia questão de acompanhar o ritmo dele e deu uma mordida forte em seu lábio inferior, fazendo o garoto gemer.

Ino se regozijou interiormente. Então ele não era tão frio como supunha?

Sai estava satisfeito, para uma garota mimada até que ela não era cheia de frescura. Mas ele também não iria deixar ela ficar se achando. Empurrou a garota contra a parede, prensando-a com seu corpo. Logo suas mãos saíram da bunda dela e, por baixo da blusa, alcançaram seus seios fartos, provocando os mamilos. Ino gemeu, derretida.

Quando precisaram de ar, Sai contornou seus lábios com a língua.

_ Tenho que me reportar ao Naruto. A gente continua depois.

Quando a kunoichi fechou a porta, seguindo para limpar a cozinha, ela estava com um sorriso atrevido no rosto. É... talvez aquela missão não fosse ser tão ruim. Certo. Sai era chato, desprovido de sentimentos, mandão, mas... quanto à perspectiva de sexo... ele parecia ser muito bom.

A semana passou correndo. Nossa! Casamento era uma coisa muito complicada. Ela e Sai já estavam se dando melhor agora, mas eles ainda discutiam muito. Ambos eram muito teimosos e atrevidos e o clima entre eles nem sempre era legal. O que mais Ino detestava era o jeito folgado dele. O que ela mais gostava (apesar de ser muito confuso) eram os instintos quentes dele, apesar de que, com os preparativos para o casamento, eles nem tenham tido tempo para curtirem a presença um do outro.

Quando eles finalmente chegavam em casa ou estavam muito cansados ou brigavam tanto que não surgia clima para nenhuma aproximação.

O casamento foi bem simples, simples até demais, na opinião de Ino. Mas foi uma cerimônia agradável e a companhia era ótima. Na hora dos cumprimentos aos noivos, Naruto que estava acompanhado de Hinata, insinuou:

_ Então... Vocês formam um casal lindo! Desejo a vocês imensas felicidades e um casamento feliz e duradouro.

_ Seremos, Naruto-sama. _ garantiu Sai com um sorriso apaixonado, mas tinha a inflexão de um ANBU. Ele estava garantindo o sucesso da missão.

Casar era uma coisa muito cansativa, principalmente se você nem estava se casando de verdade. O comentário, ou melhor, a advertência de Naruto a tinha deixado de sobreaviso. O que poderia ter dado errado? Ela observou Naruto e Sai trocarem algumas palavras discretamente. Sai tinha um sorriso radiante, mas ela já havia percebido o quanto ele fingia bem.

Ela só relaxou mais na hora da dança. Ela amava dançar.

Sai tomou-a nos braços, carinhosamente, as mãos firmes na cintura dela.

_ Foi muita gentileza do Naruto ter vindo, não foi Sai-kun? _ Ela sondou.

_ Foi sim, Ino-chan. _ Sai sorriu aproximando os lábios do ouvido esquerdo dela mas, ao invés de uma declaração amorosa, ele simplesmente reportou:

_ Parece que precisaremos ser mais convincentes. _ E ele deu-lhe um beijo rápido no pescoço. Foi inevitável à Ino não arrepiar-se.

Sai sorriu, presunçoso.

De fato, para uma mulher decidida e segura de si como Ino, era muito difícil estar indiferente nos braços de um homem tão atraente como Sai.

_ Mais convincentes? _ ela perguntou, sedutoramente, para apenas Sai ouvir.

_ Estou ansioso para estar à sós com você, meu amor.

Ino entendeu. Havia muita gente ali. Mesmo aparentando serem apenas intimidades de um casal apaixonado, eles precisavam ser cuidadosos.

Quando Ino e Sai ficaram à sós, eles já estavam em um clima bem quente. Sai, apesar de seu jeito tão calculista, era muito sensual. E Ino não ficava atrás. Houve um momento durante a dança deles que Sakura comentou "Vai com calma, Ino-chan! Vocês não vão querer testemunhas para isso, não é?" De fato, Sai já havia lhe provocado bastante e ela estava-o beijando com muita vontade em público.

_ Quer que eu leve você no colo, Ino-chan? Como manda a tradição?

O sorriso de Sai era extremamente pervertido. O que fez Ino sorrir, satisfeita:

_ Claro! _ Ela respondeu enlaçando o pescoço de seu esposo e pendurando-se nele, firmando o corpo com rodeando as pernas ao redor dele.

Sai ajudou-a, apertando seus quadris e beijando seu pescoço. Ino admirou a firmeza e a força dele, que sequer deixou o corpo pender ou perdeu o equilíbrio.

Chegaram ao quarto já com metade das vestes.

Sai era atrevido e exigente do jeito que ela gostava. E, contrariando todas as expectativas que ela tinha, não foi nada egoísta na cama. Ele dedicara muito tempo dando-lhe prazer e satisfazendo seus desejos. Não que Ino não soubesse retribuir, ela sabia e fez questão de fazê-lo.

Perto do amanhecer, na banheira, enquanto Sai ensaboava suas costas, Ino perguntou:

_ Afinal de contas, o que Naruto queria?

_ Ele disse que seria bom se nós tivéssemos um filho.

Ino sentiu-se ultrajada com a ousadia do Hokage em decidir sua vida.

_ Eu não acredito que ele disse isso!

_ Bem, na verdade, ele disse que nós não precisávamos aceitar, se não quiséssemos.

_ E por que você não me falou isso?

_ Eu achei que você estava querendo. Eu com certeza estava.

Ino podia ficar com raiva dele, mas preferiu não ficar. Riu da ousadia dele e... bem... ela também quis transar com ele. Mas... Um filho?

_ Você está fazendo isso só pela missão?

_ Não deixaria que me manipulassem assim. Estou fazendo isso porque quero.

_ Pensei que você não tivesse sentimentos. _ ela comentou com a voz manhosa enquanto o shinobi mordiscava seu pescoço e acariciava sua intimidade.

_ É difícil não desenvolver sentimentos perto de alguém tão gostosa! _ Sai respondeu sendo mais atrevido.

_ E é muito difícil ter raiva de alguém que é tão bom na cama!

Algum tempo depois eles voltaram para acama porque, afinal, não haviam dormido nada na noite anterior. Estavam bem mais leves porque agora eles não estariam mais fingindo.