Capítulo 2

Eu ouço um apito alto e corro em direção a janela.

Eu estou no corredor, perto do retrato da Senhora Gorda — É a minha última noite de guarda aqui.

Esse apito só pode significar uma coisa: que eles encontraram um intruso. Eu desço correndo as escadas para me juntar aos outros em uma busca através dos terrenos. Gostaria de saber qual idiota decidiu passear pelos territórios de Hogwarts esta noite.

Os membros da ordem não deveriam estar numa armadilha no Calderião Furado?

Eu balanço a cabeça enquanto saio do castelo pelas portas gigantes, seguido por vários outros Comensais da morte. É silencioso, e eu corro em direção a floresta proibida. Tenho certeza de que se o intruso é inteligente, ele ou ela estará a caminho de um ponto de aparatação. Os outros têm, provavelmente, todos os pontos cobertos, mas somos obrigados a ir atrás de intrusos, mesmo assim.

Inútil.

Um desperdício de esforço.

Assim que começo a me aproximar dos pontos de aparatação, eu desacelero e começo a andar. Muitos Comensais da morte estão nas proximidades. Estamos todos caminhando tranquilamente, à procura de qualquer sinal de alguém que não é um de nós.

Eu pego um vislumbre de alguém sem uma capa e estou prestes a gritar quando percebo que é uma menina com cabelo longo e emaranhado.

Longo... cabelo emaranhado...

Granger.

Fodeu.

O que ela está fazendo aqui? Ela não deveria estar com a Ordem, morrendo numa emboscada? Por que ela está aqui, dentro do alcance?

Por que parece que estou no lugar certo para salvá-la?

Considero minhas opções, como se eu já não soubesse o que vou fazer.

Como se eu ainda tivesse uma escolha.

Eu deixei de ter uma escolha anos atrás.

Anos atrás, os rídiculos cachos pararam de ser irritantes para mim. Essa atitude de sabe-tudo deixou de me frustrar. O fato de que ela tinha "sangue sujo" tornou-se irrelevante para mim. O dia em que eu olhei em seus olhos e percebi apenas como eram quentes, marrons e incrívelmente belos ... Este foi o dia em que eu perdi a minha liberdade, perdi a minha escolha.

Vejo como uma lontra prateada atravessa a floresta.

Vários Comensais da morte não tão brilhantes correm atrás dela, pegando a isca. Eu espero silenciosamente e vejo enquanto a cabeça cacheada de Granger atravessa a floresta. Então eu corro silenciosamente, fazendo um caminho paralelo com ela no mato. Eu vejo um comensal da morte a acompanhar de perto por trás dela e outro em seu outro lado.

Alguns feitiços são trocados, mas não há nada que eu possa fazer sobre eles.

Não quero interferir.

Se eu fizer qualquer coisa que irrite mesmo que remotamente o Lord das Trevas, meus pais vão morrer. Ele deixou isso bem claro da última vez que eu o vi, quando Longbottom as minhas vistas.. Não é minha culpa porra, Vincent ficou no caminho.

Embora eu não me importe muito com meu pai, eu perderia minha mãe. Não quero interferir. Eu não deveria.

Mas eu tenho que interferir.

Quando a vejo bater de frente em um comensal da morte — reconheço pela sua estatura que é Yaxley, meu coração se aperta.

Eu desarmo ela e pego sua varinha no ar. Eu não quero que caia nas mãos de outra pessoa. Então eu uso a sua varinha para mandar três maldições da morte rapidamente, uma após a outra. Yaxley cai primeiro, seguido pela pessoa atrás dela e o outro ao seu lado.

Lanço-me sobre ela, tirando minha capa.

Não temos muito tempo. Já ouço outros Comensais vindo em nossa direção. Era impossível que três maldições da morte tivessem passado desapercebido.

Eu jogo minha capa ao redor de seus ombros por trás. Eu não posso permitir que ela saiba que sou eu quem a deixa ir. Posso até estar usando uma máscara, mas não quero que ela me veja assim mesmo. Ela se vira, tentando, em vão, ver quem eu sou, mas eu viro sua cabeça de volta pra frente e puxo o capuz sobre sua cabeça.

"Não se mova," eu rosnei em sua orelha.

Eu puxo o capuz sobre sua cabeça novamente — não parece seguro, e eu não quero que caia. Esse cabelo cacheado logo a entregaria. Então empurro sua varinha de volta a sua mão e a empurro pra frente. Ela tropeça em direção ao ponto mais próximo de aparatação.

Quando o alcança, ela se vira, e seus olhos se arregalam. Ela deve ter visto minha máscara de comensal da morte. Aceno minha mão, gesticulando para ela sair.

Saia já daqui!eu quero gritar pra ela.

Ela está sussurrando palavras pra mim, mas eu não presto atenção aos seus lábios. Seus olhos já dizem tudo. Ela está me agradecendo.

Meu coração pula de alegria.

Foda-me.

Ela finalmente Disaparata e eu posso respirar normalmente. Ela está segura.

Aponto minha varinha pra mim mesmo.

Estupefaça.


Está claro. Muito, muito, muito claro.

Levanto a mão para esfregar os olhos.

A voz de minha mãe surge.

"Oh Draco, você finalmente acordou."

Eu me sento. Com um olhar, eu sei que eu estou no meu quarto. Desde quando é meu quarto tão claro?

"Mãe", digo, olhando para a minha direita e vendo que a luz do sol está entrando, "eu não lhe disse para não abrir as cortinas?".

"Fica terrivelmente escuro com as cortinas fechadas, Draco. Acho que seria mais saudável se você visse alguma luz solar. Você está pálido demais, como seu pai. "

"Narcissa!"

Ótimo. Meu pai tá vindo. Exatamente o que eu preciso.

Ele aparece na porta parecendo extremamente irritado.

"Eu pensei que eu tinha dito a você —"

Ele pára quando vê que eu estou sentado.

"Oh, então você está finalmente recuperado?" ele cospe furiosamente. "O que aconteceu na noite passada? Como essa Sangue-Ruim escapou?"

"Lucius, querido, você poderia por favor —"

"Mãe, tá tudo bem", eu digo.

"Narcissa, deixe-nos."

Eu seguro a vontade de encarar meu pai. Eu odeio como ele ordena a minha mãe como se ela fosse uma empregada. Mas isso é normal para ele, e eu aprendi na primeira vez que reclamei com ele sobre isso, que não mudaria. E que ele não hesitaria em me machucar por respondê-lo.

Minha mãe sai do quarto sem reclamar, e eu pego minha varinha na mesa de cabeceira. Agito-a uma vez, e as cortinas se fecham.

Muito melhor.

"Na noite passada, eu estava patrulhando próximo da torre da Grifinória quando foi soprado o apito. Eu saí para me juntar aos outros. Eu finalmente avistei Granger e a persegui. Isso é tudo que eu lembro" Eu minto.

"Você sabe onde vocês foram encontrados?"

"Eu estava no jardim, não estava?"

"Você foi encontrado próximo aos corpos de três comensais. Por que é que os outros ao seu redor foram mortos enquanto você foi poupado?"

Eu não tinha pensado nisso ontem à noite.

Estúpido. Estúpido, estúpido.

"Não sei," respondi.

Meu pai me dá um olhar penetrante, muito frio. "Se há algo acontecendo entre você e Granger, seria melhor me dizer agora."

Eu balanço a cabeça. "Não há nada entre nós. Você pode usar Veritaserum em mim."

"Você acha que você é tão inteligente, não é? Eu já sei que sua Tia Bellatrix te ensinou a resistir a ela."

"Então tome minha palavra."

"Você é sortudo, o Lorde das trevas não está preocupado com a Sangue-Ruim agora," diz venenoso.

"Realmente? Eu gostaria de pensar que nós somos afortunados que ele não está preocupado com a Sangue-Ruim. Fiquei com a impressão de que se um de nós falhasse, então todos de nós iria morrer. Não é certo, pai?"

Ele está furioso, mas eu não consigo parar as palavras de sair da minha boca.

"Então, realmente, eu acho que é de seu próprio interesse não dizer uma palavra sobre o que aconteceu ontem à noite. Os outros Comensais da morte dirão o suficiente sem você ateando fogo. Como você disse, a Sangue-Ruim Granger não é importante agora. E se você pensar nisso, eu sou muito sortudo por estar vivo. Você sabe o que, eu acho que é porque eu era menor do que os outros. Talvez ela pensou que eu era um estudante e teve pena de mim."

Eu não me incomodo em mencionar que eu não sou menor que os Comensais da morte ao meu redor. Eu apenas parei de crescer, e em 1,80 metros, eu sou um dos Comensais da morte mais alto.

"Rapaz, não fale comigo nesse tom. Você já esqueceu — "

"Não, eu não esqueci".

"Nãome interrompa! Você está pedindo por uma surra? É hora de você ter uma."

Eu o encaro e abro meus braços para lhe mostrar que eu não tenho medo.

"Muito bem. Se isso é o que faz você se sentir poderoso, vá em frente."

Dor me assalta, me rodeia, passa por mim.

Bastardo!

Dor.

Dor.

A superfície abaixo de mim é dura.

Dor.

Eu caí da cama?

Dor.

É a voz de meu pai que eu ouço? Ele está rindo?

Dor.

Eu o odeio. Eu o odeio com cada fibra do meu ser.

Eu sinto que minha cabeça está partindo ao meio.

Quando eu vou morrer?

Tão de repente como começou, ele pára.

Interessante, desta vez foi mais curto do que o habitual.

Eu busco por ar e olho ao redor. Sim, parece que eu caí da cama.

Meu pai está sorrindo presunçosamente. "Foi o suficiente para você?", indaga.

"Oh claro, muito obrigado," eu respondo sarcasticamente.

Ele levanta as sombrancelhas ao meu tom, mas decide não responder, saindo do quarto sem outra palavra. Agradeço ao ser deixado sozinho finalmente.

Enquanto me levanto, tia Bellatrix entra no quarto.

Por que ninguém nunca bate na porta?

"Draco", diz ela, sorrindo com simpatia.

Ela pensa que ela é a única pessoa que me entende. Mas acho que é minha culpa que ela está sob essa falsa impressão.

"Ei, tia Bella."

"Vai ser mais fácil para você se você parar de responder Lucius. Ele é um idiota, e ambos sabemos disso. Não se preocupe com ele."

"Claro".

"Mas me diga, o que aconteceu na noite passada? Deve ter sido algo grave, Para preocupa-lo desse jeito."

"Sangue-Ruim Granger fugiu de Hogwarts. Não sei por que ela estava lá."

"E ele culpa você?"

"Supostamente os outros Comensais da morte encontraram quatro pessoas inconscientes perto do ponto de aparatação que ela usou. Três deles estavam mortos, e eu estava apenas atordoado.

Minha tia estreitou os olhos. "Isso é suspeito. Ela sabia sua identidade?"

"Eu não tirei minha máscara, se isso é o que você está perguntando. Eu não lembro de nada. A última coisa que eu lembro é correr atrás dela."

"Bem, o Lorde das trevas não se importa muito com a Sangue-Ruim agora."

"Isso disse meu pai. Como foi a emboscada no Caldeirão Furado?" Eu pergunto, tentando não parecer muito interessado. Só espero que Granger não tenha se juntado a luta e saído de lá morta, não depois que arrisquei meu pescoço para mantê-la em segurança.

"Aqueles membors da ordem da Fênix... eles são como baratas. Impossível de matar," tia Bella diz com os olhos apertados.

"Não foi tão bem, então?" Eu digo.

"Eu vi o professor meio doende cair num duelo com Antonin."

Dolohov. Ele foi responsável por várias mortes na ordem.

"Professor Flitwick?" Eu pergunto, e ela concorda.

"Sim, sim, esse era o seu nome. E que vergonha. Eu estava duelando com sua prima, Nymphadora, mas aquele estúpido lobisomem entrou no caminho, e então eles aparataram."

"sim, vergonha, isso mesmo," eu repito. Depois de um momento de silêncio, eu lhe pergunto, "Onde está o Lorde das Trevas?"

"Oh Draco, meu rapaz, não se preocupe. De todos os meus... "ela faz uma pausa para pensar em uma palavra,"... estudantes, você sempre foi meu favorito. Eu irei me certificar que você será bem cuidado. Afinal, você não pode ser responsabilizado pelo coração fraco de uma Sangue Ruim. Você vai fazê-la se arrepender de sua decisão, na próxima vez que ela estiver ao seu alcance, não vai?"

Eu aceno, um sorriso perverso aparece em meus lábios.

"Pode apostar que eu vou".