Capítulo VI
Estou descansando em uma desgastada poltrona de encosto alto, de frente para a lareira no escritório do meu padrinho. Minha máscara está pendurada no braço, e minha capa extra está estendida sobre o encosto da cadeira. Já se passou vinte minutos, e ainda Potter não apareceu.
Eu decidi dar-lhe mais dez minutos antes de sair.
Então eu ouço o assoalho rangendo baixinho.
Alguém está chegando.
Eu espero com calma até que eles estejam no quarto antes de deixar os meus olhos vagarem até o pequeno espelho que paira sobre a lareira.
Uma cabeça de cabelo vermelho.
Por que eu não estou surpreso?
"Isso é dificilmente bom para a construção da confiança," digo.
Eu vejo sua expressão de surpresa, mas, em seguida, ele olha para o espelho e faz uma careta.
"Eu não estou aqui para construir nenhuma confiança com você, seu bastardo insuportável. Agora, que tipo de informação você está nos dando?"
Eu clico minha língua e levanto, voltando-me para enfrentá-lo. "Você realmente acha que pode apenas aparecer, depois que eu pedi especificamente para ver Potter e espera que eu lhe diga o que sei? Mesmo depois que eu mantive a minha palavra e não trouxe uma varinha?"
Ele aponta sua varinha para mim. "sim, eu espero. Eu poderia matá-lo, e ninguém se importaria. Eu poderia apenas dizer-lhes que você me atacou."
"É verdade. É certamente algo que você poderia fazer. Mas você iria se arrepender."
Weasley estreitando os olhos. "Porquê?"
"Eu não vou dizer," eu digo. "Pedi por Potter. Acho que desde que a ordem não se importa com minha informação, só vou voltar. É mais seguro para mim dessa forma, de qualquer maneira."
Começo a andar em volta da poltrona.
"Não se mova, ou eu vou explodir sua bunda para o inferno," diz Weasley.
Não paro de me mover. "Vá em frente," digo, pisando em direção a ele.
Ele me deixa passar por ele.
"Me responda isso," ele diz enquanto eu começo a andar pro final do corredor, longe dele. "Por que você ofereceria informações para nós afinal?"
"Nunca ocorreu a você que vocês não são os únicos que querem o final da guerra?" Eu respondo.
"Malfoy, espere," diz ele. "Vou te levar pra Harry".
Eu me viro e espero. Então, Potter está por aqui em algum lugar, afinal.
"Estou aqui apenas para me certificar de que você realizou sua parte do trato", continua ele. Em seguida, ele aponta sua varinha para mim. "Expelliarmus!"
Não acontece nada, como esperado.
Eu levanto minhas mãos para a altura do ombro e viro minhas palmas para ele ver. "Viu isso? Sem varinha..."
Ele fixa em mim. "Muito bem, vamos lá."
Ele corre pelo corredor passando por mim.
Eu sorrio e o sigo. Nós saimos pela porta dos fundos da casa do meu padrinho.
Weasley eleva sua varinha e sussurra, "Expecto Patronum".
Um cão de prata surge da ponta de sua varinha e voa no escuro.
"Engraçado, Weasley, eu teria pensado que seu patrono seria uma doninha," digo.
"sim, eu tenho certeza que o seu não é um estúpido furão, então eu suponho que nós dois vamos ter que ficar desapontados," ele responde.
"Então, porque é só você hoje à noite, Weaselbee*? Onde está a sabe-tudo Granger? Ou ela já morreu?"
Ele gira ao redor, apontando sua varinha para o meu peito. "Eu aposto que você gostaria de ouvir isso, não é? Perguntar algo como isso me faz questionar o quanto podemos confiar em você", ele rosna.
Eu sorrio. "Claro, eu não me importaria de ouvi-lo, mas não sei se eu teria amado."
Ele segura a varinha mais apertada. "Seu estúpido —"
"Pare com isso Ron,", diz Potter aparecendo.
"Perfeito Potter, aqui para salvar o dia," eu digo sarcasticamente.
"Malfoy, estou surpreso que você viveu tanto tempo", ele responde. "Pensei que você iria cair nas primeiras lutas."
Eu sorrio. "sim, eu sou cheio de surpresas, não sou?"
"Você queria falar comigo", diz ele com impaciência. "Fale".
"Claro. Volte para dentro, e vamos falar. Weasley tem de ficar de fora, embora."
"Qualquer coisa que você me disser, eu vou dizer a ele."
"Eu não me importo. Eu não me importo se ele ouvir. Eu só não quero ouvir a sua voz e como ele parece ser incapaz de exercer autocontrole, é melhor se ele simplesmente ouvir sobre isso mais tarde."
Weasley me encara, mas consegue segurar sua língua.
"Parece que eu não sou o único que é cheio de surpresas," digo. "Entre Potter."
Eu ando de volta para a casa do meu padrinho, sem me preocupar em verificar se ele está me seguindo. Eu entro no escritório e sento em frente a mesa do meu padrinho. Potter entra e se senta em frente a mim. Ele acena sua varinha para fechar a porta.
"Ron está esperando lá fora. Agora, o que você quer falar comigo?"
"Certamente Blaise disse porque eu queria ver você," eu digo.
"Ele pode ter mencionado algo sobre você querer fornecer informações para a ordem, mas eu queria ouvir isso de você."
"Bem, ele não estava mentindo. Isso é o que eu quero fazer."
"Porquê?"
"Por quê? Hmm, eu não sei. Talvez porque eu estou cansado de viver confortavelmente e gostaria da emoção de ser caçado como um animal selvagem."
Ele levantou suas sobrancelhas.
"Suponho que você quer uma bela e pequena história de chorar de mim, algo que me faria diferente de todos os outros Comensais da morte," digo. "Eu não tenho uma. Eu não vou te dizer que eu só me tornei um comensal da morte para agradar meus pais, ou que eu estava com medo de ser morto por Voldemorte, se eu não me juntasse. Entrei porque quis".
"Então por que você está pensando em mudar de lados agora?"
Sim, por que diabos eu quero mudar de lados?
"Porque eu decidi que eu odeio a guerra," Eu respondo. "Eu não gosto de todos os combates que vem acontecendo. Eu não gosto de ouvir sobre amigos morrendo. E se Voldemorte ganhar esta guerra, os assassinatos nunca vão parar. Mesmo quando ele terminar de matar os Sangue-Ruins, tenho certeza que não vai parar. Ele só vai encontrar algo novo para exterminar. Para parar a matança, o lado da luz tem que ganhar a guerra."
Foda, eu soo como um estúpido ativista ambiental. Próxima coisa que você sabe, eu vou estar acenando sinais que dizem "Proteja os Mini-Pufes*!"
"Bem, se isso é verdade, nós queremos a mesma coisa," diz Potter.
Parece que ele comprou.
"Mas você poderia ter vindo há muito tempo. Duvido que levaria três anos para você decidir que você não gosta de guerra. Por que você está vindo agora? Deve haver uma razão por que você escolheu mudar agora."
Eu balanço a cabeça. "Nunca realmente tive uma oportunidade antes de agora, eu tive? Não é como se eu pudesse marchar em sua sede sem obter minha cabeça arrancada. Isso é, se eu pudesse encontrar sua sede em primeiro lugar."
"Acho que isso é verdade", diz ele. "Que tipo de informação você vai nos dar?"
"Tudo o que eu acho que seria útil para você."
"Dê-me um exemplo."
Eu me inclino em meu assento tamborilando meus dedos, gostaria de deliberar, tomar meu tempo. Não sei por que é bom fazê-lo esperar.
Finalmente, eu falo, "Eu ouvi você que ficou muito mal, ferido, no Caldeirão Furado há duas semanas, e uma erva rara foi roubada de Hogwarts na mesma noite. Não é um grande salto dizer que uma das suas pessoas roubou, não é? "
Ele sacode a cabeça. "Continue."
Sua paciência me irrita, mas continuo de qualquer forma, "Embora ele fugiu, não é fácil entrar e sair de Hogwarts com nossas patrulhas. Poderia fornecer-lhe com horários, mudança de rondas, o caminho das rondas. E não apenas para Hogwarts. É este um exemplo bom o suficiente para você? "
Ele parece duvidoso. "Como nós saberíamos que mesmo você está dizendo a verdade?"
"Como você pode saber se alguém está dizendo a verdade?" Eu retorno.
Ele pisca, aparentemente surpreso com minha resposta.
"Eu posso lhe dar os horários e os locais das mudanças de turno agora mesmo," eu digo.
"Porquê?"
"Pela mesma razão que eu não trouxe uma varinha, hoje à noite. Construindo confiança."
Ele olha de sobrancelhas franzidas. "Tudo bem, me dê eles."
Eu abro uma gaveta da mesa do meu padrinho e tiro de lá um rolo de pergaminho. "Estes são todos os tempos e locais para mudanças de turnos em Hogwarts."
Eu passo o rolo pra Potter, que o pega e o desdobra parcialmente.
"Você pode mandar alguém lá fora, qualquer um e verificar qualquer um desses tempos. Ou verificar todos eles, se você quiser" eu digo.
"Esta é uma posição arriscada", ele diz finalmente. "Duvido que você vai nos dar informação de graça."
"É claro que não," eu respondo. "Eu ainda sou um Sonserino. É nossa natureza pensar em nossas próprias necessidades."
"Como eu poderia esquecer?", diz sarcasticamente.
"Eu tenho apenas três condições, e espero que não vai ser difícil pra você corresponder".
"Quais são elas?"
"Em primeiro lugar, vou dar informações para apenas uma pessoa. Em segundo lugar, nosso ponto de encontro será conhecido somente por nós dois, e eu vou ir e vir como é conveniente para mim."
"Bem, nós não podemos dar-lhe total liberdade," diz Potter, me parando no meio da lista de condições. "Pelo menos, não já desde o início," acrescenta.
Eu faço uma careta.
"Você terá que estar presente para que possamos examiná-lo", explica. "Vai ser apenas uma vez."
"Você honestamente acha que você vai ser capaz de me examinar? Eu sou provavelmente o melhor Oclumente que já houve."
"Mesmo que isso seja verdade, você é também provavelmente o safado mais arrogante que já houve."
"Obrigado," eu digo com um sorriso.
Eu assisto sua mandíbula apertar enquanto ele tenta controlar seu temperamento.
"De qualquer maneira, você vai ter que vir,", diz ele, uniformemente.
Eu aceno. "Muito bem".
"Então sua última condição?"
"Eu vou escolher meu contato".
"Você tem alguém em mente?"
"Eu quero Granger."
"Não," diz ele imediatamente.
"Bem, então, suponho que é isso," digo, levantando para meus pés. "Você pode manter a lista de mudança de turnos. Chame-o um presente de despedida."
"Malfoy, espere" diz Potter. "Sente-se, por favor."
Eu o olho enquanto me sento. O que está acontecendo na cabeça dele?
"Eu quero saber por que você pediria por ela" diz ele, lentamente.
"Por que não?"
"Fiquei com a impressão de que você a odiava. Algo sobre Sangue-Ruim suja, lembra? Eu só quero saber por que você escolheria ela quando existem tantos outros — "
"Eu tenho minhas razões", eu digo. "Conhecer meu raciocínio não vai ajudá-lo se seu objetivo é convencer-me a escolher alguém. Eu não vou mudar de ideia. Agora, faça sua decisão. Se você não puder satisfazer minhas condições, não vou ajudá-lo. Afinal, é meu pescoço que vai estar na reta."
"Deixe-me pensar nisso."
Eu balanço a cabeça. "Eu não tenho tempo para isso. Podemos trabalhar juntos ou não?"
"Você não acha que você deve pelo menos lhe dar uma escolha de rejeitar você?" ele indaga.
"Potter, eu não tenho que estar aqui agora mesmo. Posso ficar do lado vencedor e ficar perfeitamente bem. Eu não tenho que ajudá-lo. Isso é algo que você não parece entender."
"Ah eu entendo, tudo bem," diz ele. "Eu só não quero —"
"Então é simples," eu lhe corto. "Eu vou sair, e então nós podemos agir como se isto nunca aconteceu."
E eu quase quero que ele cancele o negócio. Afinal de contas, oferecer este negócio em primeiro lugar foi um desejo de morte. Quem iria ser burro o suficiente para fazer isso? Ah, certo, eu ia.
Mas ele está considerando-o, e isso é suficiente. Tenho quase certeza que ele vai aceitar.
É verdade que a ordem está em apuros.
Embora a maioria dos membros da ordem têm permanecido incólume, cidades trouxas estão sendo dizimadas por todo o globo, e não há muito que eles possam fazer pra nos parar sem conhecimento de dentro para que eles possam chegar as cidades alvo em tempo de fazer a diferença.
Finalmente, seus olhos verdes encontram os meus. Eu posso ver que ele desistiu.
"Bem, eu aceito," diz ele.
"Bom. Quando você quer me examinar?"
Ele não responde.
Desde que eu ainda tenho contato visual com ele, eu mergulho em sua mente. Ele recua e eu posso senti-lo arranhando, tentando me jogar pra fora. Mas suas barreira são fracas, e eu as quebro com pouco esforço.
Eu estou olhando na parte de trás da cabeça um pouco grande do menino. Mas que...?
Tento me aproximar do presente. Ele está se movendo para baixo de um corredor de Hogwarts, e ouço sons suaves que parecem ser alguém chorando. Então eu reconheço a voz — Sou eu. Isso deve ser o sexto ano.
Reprimo a raiva que sobe enquanto eu me lembro como fui atacado, continuo folheando as memórias.
Eu vejo um quarto sujo, com uma longa e muito antiga mesa no meio. Muitas pessoas que reconheço da escola sentam-se em ambos os lados. Há um fogo rugindo na lareira no final. Kingsley Shacklebolt está falando.
Sim, isso é o que eu estou procurando.
Eu pulo algumas reuniões até que ouço o meu nome.
"Nós realmente vamos confiar em Malfoy?"pergunta uma menina de pele escura.
Eu a reconheço como uma dos caçadores da equipe de quadribol da grifinória, mas não sei quem ela é.
Em seguida, Kingsley Shacklebolt está falando, "Nós não confiaremos nele. Harry e Ron o encontrarão para ver o que ele tem a dizer. Se ele parece confiável, eles vão render-lhe inconsciente e trazê-lo aqui, de modo que não haverá nenhum risco de quebrar o encanto do Fidelio."
Render-me inconsciente? Não sem a minha permissão.
Eu saio da mente do Potter, e ele para em seus pés.
"Malfoy, você não tinha nenhum direito —"
"Então, como você está planejando me deixar 'inconsciente'?" Lhe pergunto.
Ele olha pra mim.
"Está tudo bem, vá em frente e me atordoe. Eu não vou resistir."
"Eu deveria matá-lo," ele resmunga, apontando sua varinha para mim.
"Você provavelmente deve" respondo, sorrindo.
Um flash de luz vermelha me cega.
* Weaselbee bom essa é a forma como Draco chama o Ron nos livros mas nao sei como foi traduzido nos livros brasileiros. Se alguém souber me diga por fazer pra nao cometer novamente esse erro.
* Mini-Pufes ou Pufosos em miniatura são uma espécie de bola de pêlos criada por Fred e George, que são citadas no 6º livro (HBP). A Ginny até compra um e dá o nome de Arnaldo. Tem fotos na internet pra quem nao inferio
