Capítulo 9

Finalmente, ele se vira.

"Bem, você ganhou. Há um Feitiço imperturbável nesta porta, certo?"

Eu aceno.

"Tudo bem então. Eu vou levá-la para uma casa de campo em Bradford on Avon, Wiltshire."

"Wiltshire? Sua casa não é em Wiltshire?"

Ele acena. "Sim, mas, obviamente, não vamos pra lá. Agora venha."

Eu ainda não me movo. "Por que nós temos que ir agora? Você não pode apenas me dar a localização?"

"Como eu disse antes, eu prefiro apenas levá-la até lá."

"O que me faz pensar que você tem uma emboscada me aguardando lá."

"O que você tem? Medo?"

Eu o encaro. "Eu não estou com medo."

"Isso é exatamente o que você está sentindo", diz ele, sorrindo. "Você está com medo de mim."

"Muito bem, vamos lá."

Eu sei que eu não deveria deixá-lo me incitar assim, mas ele sempre trás o lado mais imprudente de mim pra fora. Eu ando em torno da mesa e em direção a ele, colocando o amuleto em forma de coração sob minha camisa.

Ele sorri triunfante e puxa a porta da cozinha, mantendo-a aberta para mim.

Apenas Shacklebolt, McGonagall, Lupin, Tonks, Harry e Ron estão lá fora, e eles parecem surpresos pela nossa aparição.

"Nós estamos indo dar uma caminhada", diz Malfoy indiferente. "Eu vou deixá-la voltar ilesa, em minha honra. Mas eu mesmo não voltarei por algum tempo, então acho que isto é um adeus."

"Apenas um minuto, Sr. Malfoy," diz Shacklebolt, entrando em nosso caminho.

Eu olho para ele e movo para o lado para que eu não esteja entre ele e Malfoy. Eu o ouço começar a perguntar à Malfoy onde estamos indo, mas eu sou distraída quando Ron aperta meu braço.

"Hermione, você não está realmente indo com ele, não é?" ele sussurra.

"Eu realmente não tenho uma escolha, certo?" Eu digo. "Tonks me disse que os outros — Shacklebolt, McGonagall e Lupin — decidiram por mim."

"Eles disseram por que?"

"Claro que eles fizeram. Você realmente acha que eu concordaria em trabalhar com Malfoy sem me certificar de que era absolutamente necessário primeiro?" Eu assobiei de volta para ele.

"Desculpa, Hermione," diz Harry.

"Você pensaria que Blaise seria uma escolha melhor," Ron murmura, olhando para Harry.

Em seguida, a mão de Malfoy estava no meu ombro.

"Venha, Granger. Não temos muito tempo antes de eu ser esperado de volta em casa," diz ele.

Eu aceno e começo a andar em direção a saída, mas Ron agarra-se ao meu braço.

"O que você está fazendo?" Pergunto, empurrando meu braço fora de seu alcance.

"Oi, Malfoy. Se você colocar um dedo nela, eu vou caçar você," diz ele.

Malfoy abre a porta da frente de Grimmauld Place e gesticula para mim sair. Eu faço uma careta para ele mas ando pra fora da casa, surpresa de que ele não tem nenhuma resposta sarcástica para Ron.

Eu abro minha boca para perguntar como ele espera percorrer todo o caminho de Londres até Wiltshire sem aparatar, mas minha voz morre em minha garganta quando eu o vejo puxar um cabo de vassoura para fora de uma bolsa.

Merlin, Me Salve.

Claro, eu tenho lutado nesta guerra por algo como três anos agora, mas eu ainda não posso voar em uma vassoura sozinha, e ainda não fui capaz de superar meu terror de alturas.

Quando eu ouço ele rindo, eu sei que o medo deve ter se mostrado em meu rosto.

"Cale-se, Malfoy. Nós não podemos apenas... "

Eu não posso pensar em qualquer outro modo de transporte. Seria hilário sugerir o Nôitebus Andante — nós dois temos rostos conhecidos neste ponto na guerra.

"Bem, se você quiser que eu te leve até lá por Aparatação Acompanhada, eu não vou reclamar, mas você terá que me emprestar sua varinha," diz ele.

Não. De nenhuma maneira isso vai acontecer, não depois que Blaise me advertiu pra não deixá-lo tocar em nossas varinhas. Acho difícil acreditar que há realmente magia lá fora que pode dar, a qualquer um, controle sobre a varinha, mas não estou disposta a correr este risco.

Ele já montou a vassoura.

"Malfoy, não há qualquer outra forma?" Pergunto, desespero em minha voz.

Ele sorri torto. "A pobre Granger ainda tem medo de voar?"

"Ainda?"

"Claro. Todos em Hogwarts sabiam que Granger, a rata de biblioteca não poderia voar uma vassoura para salvar sua vida."

Fúria sobe em meu peito novamente, e monto na vassoura atrás dele, colocando minhas mãos cautelosamente sobre seus ombros. Ele ri novamente e puxa minhas mãos colocando-as em seu quadril.

Eu faço furos na parte de trás de sua cabeça com os olhos. Eu odeio que ele me ache tão divertida.

"Você deveria provavelmente lançar um feitiço de desilusão sobre nós, para que nós não sejamos vistos," diz ele.

Eu pego minha varinha e lanço o feitiço, então a guardo de volta na minha roupa. Ele desaparece, e eu não consigo me ver também. Acho seu quadril novamente e coloco minha mão sobre ele levemente. Não quero tocá-lo.

"Você deveria segurar um pouco mais apertado."

Antes que eu possa responder, ele arranca e eu solto um guincho assustado antes de me calar. Nós já estamos subindo acima do telhado do número 12, e eu estou cavando meus dedos em seus quadris, com pavor de deslizar pra fora da extremidade da vassoura mas relutante em chegar mais perto dele.

"Granger, coloque seus braços em volta de mim ou diga-me para voar mais baixo. Eu não vou ter você cavando buracos em minha cintura," Malfoy rosna para mim.

Me sento em linha reta, e chegamos a uma parada, flutuando alto acima do solo. Eu não posso vê-lo, não posso me ver, não posso ver a vassoura que estamos sentados, e é absolutamente aterrador. Eu deslizo minhas mãos ao redor dele, e meus dedos se entrelaçam tremendo. Eu puxo para a frente, inclinando-me para ele. Eu olho para baixo novamente e choramingo, apertando os olhos fechados e dizendo-me várias vezes que eu não vou cair.

Eu sou tão covarde quando se trata de alturas. Por que é que todo mundo está tão confortável voando alto, de onde a caída significaria quase sempre uma morte inevitável?

"Segure-se firme," diz ele.

Assim que as palavras saem de sua boca, ele se inclina para frente e a vassoura atira para a frente em uma velocidade ridiculamente rápida. Lutando contra a vontade de gritar, eu aperto os braços e inclinar-me com ele, me apertando contra ele. Eu realmente não sei porque, mas ter alguém para me apegar faz eu me sentir mais segura, mesmo se esse alguém é Malfoy.

Por favor, por favor, por favor deixe esse voo acabar logo.


Nota do autor:eu levei algum tempo para pensar sobre como eu iria por o diálogo entre Draco e Hermione, porque eu não tinha certeza se vocês gostariam de ler a mesma conversa duas vezes, e eu definitivamente não quero misturar pontos de vista no mesmo capítulo, porque isso seria muito confuso. Mas, uma vez que é a minha história, eu decidi que eu vou escrever cada cena entre eles duas vezes. Espero que vocês estejam tudo bem com isso! Se não... oh bem, me desculpe.

Assim, você começa a ler a assumir em Draco esta conversa no próximo capítulo!


Nossa eu acho que o meu "sem falta" se tornou um tanto faltoso. Me desculpem, nem vou me justificar pra não parecer mentira porque acreditem a história é boa e vocês dariam boas risadas de mim. Espero que gostem do capítulo. Obrigado a todos que leram. ;)

Bem eu deixei a nota do autor pra servir como uma explicação porque a partir de agora os capítulos são um pouco repetidos por um tempo. Ela quer que vocês – leitores – compreendam os pensamentos dos dois personagens. Eu sei é um pouco cansativo as vezes – e isso fez a histórias ter muitos capítulos – mas é bem legal da parte dela fazer isso. Em consideração a este fato eu vou tentar acelerar com esses "capítulos duplos" pra não ficar chato esperar tanto tempo a postagem e sentir que está lendo a mesma coisa e espera sequer valer a pena. Espero que assim esteja tudo bem e vocês continuem aí.

So come out, e digam o que acharam.