Os próximos três dias estavam sendo difíceis para Hermione não só porque Ronald estava sendo o mais grosso e idiota possível com ela, mas também porque Harry se mostrava sempre preocupado a interrogando se estava tudo bem. Por isso quando chegara o dia do enterro daqueles que morreram lutando em batalha, por mais destroçada e triste que Hermione estava por Lupin, Tonks e Fred, também queria poder não ter mais que enfrentar os olhares preocupados e interrogativos de Harry e a carranca de Rony.

A cerimônia fora realizada no cemitério Bruxo de Whityborne perto da casa dos Weasley. Foi feita uma placa em homenagem a todos que estavam ali enterrados em agradecimento pelos seus serviços em guerra, monumento que também seria feito em Hogwarts. O discurso feito por Arthur Weasley a emocionara tanto que não pode impedir que as lágrimas caíssem em abundância. Queria não olhar para trás ou pensar que Draco não aparecera em lugar algum desde que a guerra acabara, no entanto ela fizera as duas coisas. Procurou os olhares de Harry e Rony, mas assim como Gina os dois estavam absortos demais na tristeza que se instalara no ambiente. Esperava que os Weasley e sua amiga ruiva entendessem sua decisão e sem protelar mais, se afastou o bastante para que não incomodasse ninguém com sua aparatação e rumou para um lugar onde poderia dormir e começar a procurar seus pais no dia seguinte.

O caldeirão furado embora óbvio demais fora o melhor lugar que encontrara para ficar, afinal não é como se estivesse fugindo de alguém. Tom o velho que trabalhava lá desde a primeira vez que Hermione pisara os pés naquele ressinto estava varrendo o pequeno bar que ficava embaixo da estalagem, não havia muitas pessoas e uma parte da castanha ficou aliviada por isso, não queria chamar atenção para si. Assim foi até onde o estaleiro estava varrendo e pediu um quarto para se acomodar. Ele ficara fascinado por vê-la ali e logo a parabenizou por ter ganhado a guerra, ruborizada a grifinória somente assentiu e soltou um tímido obrigado. Logo ele a mostrara o quarto e Hermione com o cansaço esquisito que vinha sentido nos últimos dias colocara sua bolsinha expansiva onde estava todas as suas coisas na cômoda ao lado, tomara um banho e trocara de roupa sendo tragada para o mundo dos sonhos ao despencar na cama.

Olhar para sua antiga casa fazia o coração de Hermione doer em demasiado. Sabia que seus pais não estavam lá, pois quando lançara o feitiço para apagar ela de suas memórias, os enfeitiçara para se mudarem dali. Sabia que os começais achariam sua casa, afinal era uma bruxa e o ministério tinha tudo sistematizado e como o mesmo havia sido tomado pelas forças de Voldemort esperava que sua casa estivesse destruída, todavia não estava e isso lhe soava extremamente estranho já que era uma nascida trouxa amiga do arqui-inimigo de Voldemort. Talvez eles não houvessem a destruído por esperar que durante a guerra eles se refugiassem ali ou ao menos aparecessem e isso fez a castanha ter medo do que poderia encontrar lá dentro, afinal havia muitos começais que escaparam da batalha de Hogwarts e quem garantiria que não quisessem se vingar dela. Com medo ou não, andou pelo jardim de entrada até a porta que percebera estar encostada. Ela hesitara em empurrar-la e era nessas horas que sentia falta da capa de invisibilidade de Harry. E por que não a trouxera? Ela seria útil em momentos como aquele. Sem protelar mais e respirando fundo empurrou a porta bruscamente dando dois passos para o lado, para que nada a atingisse seja lá o que os comensais haviam feito na casa. Uma gargalhada atingiu seus ouvidos e ela pode distinguir a voz de Belatrix gritar alguma ameaça com sangue-ruim no meio. Aquilo não a assustou e lhe deu a certeza de que a casa havia sido revirada por comensais há tempos, afinal a louca e fiel seguidora de Voldemort havia sido morta pela senhora Weasley, ela mesmo vira. Silenciosamente colocou os pés dentro da casa e ao passar os olhos pelo cômodo viu que tudo estava em um estado caótico e bagunçado. Na parede onde antes estava um quadro que sua mãe amava, lia-se ' Você não pode fugir para sempre sangue-ruim'. Ignorou aquilo vasculhando a parte da copa que dava para a cozinha.

–Homenum Revellio – usara por precaução antes de adentrar mais a casa que provavelmente estava destruída e com frases tão convidativas quanto a que estava em sua sala. Suspirou querendo sentar e chorar. Deviam ser só os hormônios da gravidez a deixando emocional demais. Incomodada com a bagunça levantou a varinha com o intuito de arrumar tudo e viu assim as coisas começarem a tomar seu devido lugar, aquilo a lembrou de Harry contando quando visitara Slughorn e vira o antigo diretor fazer aquele mesmo feitiço, parecia que havia passado uma eternidade desde então. Saiu daqueles pensamentos e rumou para a escada que ficava na sala vendo que o segundo andar não estava diferente do primeiro e dando um aceno com a varinha tudo começara, também, a voltar para seu devido lugar. Os escritos, no entanto não quiseram sair com aquele simples feitiço. Hermione decidira que arrumaria aquilo outra hora precisava procurar alguma pista sobre onde seus pais estavam. Havia os enfeitiçado para se mudarem dali, mas não sabia para onde eles haviam ido, ela só plantara uma ideia em suas mentes de não ficarem ali e não voltar tão cedo.

Não sabia bem por onde começar tinha certeza que os trouxas tinham arquivos que guardavam quem entrava e saia dos países e as companhias aéreas também guardavam esses dados, mas teria que pensar em um jeito de entrar nelas e descobrir algo sem que chamasse atenção de ninguém. Frustrada sentou na cama de seu velho quarto que já estava em ordem quase que totalmente, tirando a escrita no teto em que se lia em letras garrafais ' Sangue-ruim'. Passando os olhos pelo chão do quarto lembrou-se do seu esconderijo secreto em baixo da cama, onde uma tábua solta escondia uma caixinha que ganhara de seu pai quando tinha dez anos. Arredou o móvel que estava sentada para o lado e agachou onde sabia estar o tal esconderijo. Havia o protegido com um feitiço fortíssimo que só permitia ter acesso à caixinha com o uso do seu sangue. E assim o fez, pingando uma gota sobre a tábua que soltara um estampido em sinal de que fora aberta, levantou-a tirando de lá uma caixinha de formato retangular e tamanho médio que em toda sua extensão tinha desenhos que retratavam a França. Lembrava-se da paixão de seus pais por aquele país e quando eles a levaram lá quando era pequena. Amara a torre Eiffel, o balé francês, os prédios históricos e o museu do Louvre. Aquela caixinha fora dada a ela lá, seu pai dissera que os desenhos que a adornavam representavam todas as aventuras que haviam vivido naquele país. Abriu-a forçando-se a sair daquelas memórias. Dentro havia uma série de coisas que ela guardava com carinho, mas nada era mais importante do que aquele colar ao fundo. Ele trazia lembranças que ela queria esquecer, mas não podia, pois aquele objeto de ouro fora o começo de tudo.

Hogwarts, 1996

Hermione praticamente corria sobre a neve profunda que acumulara no caminha de Hogwarts para Hogsmead, queria poder ter a esperança de alcançar Harry e Rony como planejara, no entanto sabia que aquela corrida com três livros na mão só deixavam-na mais ofegante e cansada. Diminuiu o passo com o intuito de descansar um pouco já que com certeza os garotos já estariam no castelo. Maldita fora a hora que parara em frente à livraria de Hogsmead e vira o exemplar da nova edição do Livro 'A História da Medibruxaria em dez contos' escrita pelo melhor medibruxo da época Nataniel Boughts. Era totalmente fascinado por esse assunto e não hesitara nem por um segundo quando avisara os amigos, que estavam a dez passos de si naquela hora que iria entrar e comprar o livro. Harry e Rony protestaram dizendo que não queriam ficar até de madrugada fazendo lições atrasadas e por isso queriam chegar depressa no castelo. Ela se viu revirando os olhos e dizendo que fossem na frente então, pois não levaria mais que dois minutos para comprar o livro e depois podia alcança-los. Enganara-se feio ao deduzir somente dois minutos, pois acabara entrando na loja e protelando ainda mais a conversa com o atendente que a fizera comprar mais dois livros sobre o assunto. Às vezes tinha impressão que fazia jus à fama de sabe-tudo. Harry e Rony não voltaram para procurá-la, conheciam bem Hermione para saber que aqueles dois minutos virariam meia hora muito facilmente e agora ela estava parada ali com frio e sozinha. Colocou-se a caminhar novamente, sendo parada bruscamente quando ouvira uma voz conhecida chamar seu sobrenome. Ela fechou os olhos com força, demorando para virar na direção do som, sabia muito bem quem era.

–O que você quer Malfoy? – disse ríspida, se virando para o garoto loiro. Ele estava sem seus habituais capangas e balançava um objeto que a castanha não conseguira ver direito por causa da neve que caia.

–Isso por acaso seria seu , Granger? – Malfoy dera três passos em direção à garota, que pudera focalizar melhor o objeto. Era um colar um tanto familiar para ela, instintivamente sua mão fora parar no pescoço onde carregava o cordão de ouro que sua mãe lhe dera no começo do ano, ele não estava lá. Era um objeto muito caro a Hermione, pois nele tinha um pingente que estava na sua família há alguns anos e onde havia duas fotos que retratavam seus pais. Era quase uma tradição de família, ele havia sido de sua avó e depois de sua mãe e agora era dela.

– Onde achou isso Malfoy? Devolva-me agora! – disse ríspida. Não queria transparecer o desespero que sentia em seu âmago com aquele colar estar nas mãos do sonserino. Ele rira em deboche abrindo um sorriso de escárnio.

–Ora, ora Granger, que feio ser tão mal educada com alguém que está com algo seu em mãos! – O cinismo era evidente em sua voz e em todos os seus gestos. Aquilo a irritou em demasiado e quis muito voar no pescoço do sonserino e arrancar-lhe a joia a força. Todavia seu desespero em perder o colar ou o garoto loiro o estragá-lo de alguma forma fora maior. Por isso cruzara os braços, arrumara a postura e procurara abrandar a face.

– Me devolva Malfoy, por favor!

– Assim é bem melhor, Granger. Agradeça por eu prestar atenção o bastante em você para perceber que este colar que eu peguei 'bondosamente' do chão em Hogsmead, é seu! – Hermione deu um suspiro de alívio quando o garoto chegara mais perto e estendera o colar para ela, meio desesperada a castanha o pegou colocando no bolso de seu casaco. Malfoy continuara andando com sua pose aristocrática, dizendo algo que mais tarde ela lembraria bem.

– Está me devendo uma Granger e eu vou cobrar!

Hermione saíra bruscamente de seu devaneio, indo para frente do espelho e o colocando o colar novamente em seu pescoço. Quando arrumara suas coisas para ir para casa dos Weasley e posteriormente a guerra ficara com imenso medo de perdê-lo ou de ser roubado de alguma forma e por isso o guardara ali em segurança. Mesmo que a casa fosse destruída a caixinha ficaria intacta, tomara precauções para isso, e assim todas aquelas coisas que lhe remetiam a suas lembranças estariam a salvo e fora melhor assim. Não queria dar espaço para que durante suas buscas com Harry e Rony, pegasse na calada da noite aquilo e ficasse perdida em lembranças inúteis como fizera há pouco. Não iria ficar pensando no devaneio que teve com Draco e nem no fato de que ali tudo começara. Iria fazer uma bela sopa e se deitar. Amanhã começaria a procurar onde seus pais estavam. Sem hesitar começara a lançar todos os feitiços de proteção que conhecia em volta de sua casa para que dormisse um pouco mais tranquila, não podia pensar somente em si, mas também no seu bebê e com um instinto sua mão fora parar em seu ventre e ela soltara um sorriso como a muito não ocorria.