Logo que acordou pode ver uma enfermeira trocando o soro que tinha coloração vermelha de seus pais. Parecia já ser idosa por causa dos cabelos grisalhos que estavam presos em um coque forte e pelas rugas ao redor dos olhos muito azuis. Ela sorrira para Hermione amavelmente.

– Bom dia querida! Se sente bem?

– Não muito, pareço um pouco enjoada. - A senhora contornara a cama de seu pai e viera em direção a ela analisando-a. Viu um brilho alcançar seus olhos.

– De quantos meses você está querida? – Hermione olhara estupefata para a mulher, não tinha barriga quase nenhuma ainda. – OH! Não me olhe assim, com os anos de profissão que tenho acabei adquirindo uma percepção além do que as pessoas comuns têm.

– Eu acho que estou com um mês e algumas semanas. – Hermione disse ainda surpresa pela percepção da mulher, será que existia algum tipo de feitiço para aquilo? Ou ela podia ser uma ótima legimens. Bobagens, Hermione ponderou. A mulher com certeza deveria ter muita experiência na profissão.

– Você acha? Minha querida com filhos não se brinca, você deveria visitar logo um medibruxo! – A grifinório assentira concordando com a senhora que a olhava de um jeito um tanto maternal.

– Eu irei! Hoje!

– Ótimo, agora se me der licença, preciso ir atender outras pessoas.

– Não, espere! – A mulher que já estava na porta se virara para ela. - A Senhora sabe onde posso ir para alugar uma casa aqui no bairro?

Não sabia por qual razão perguntara aquilo para a curandeira que logo depois ela descobrira chamar Adeline. Claro que teria que adquirir uma casa ali porque até que sua barriga não atrapalhasse queria começar o curso de Medibruxaria dado no St. Maxine. Mas às vezes nós perguntamos coisas para as pessoas certas e nas horas certas e isso se mostrara verdade quando a castanha descobrira que por uma coincidência o filho mais novo dela trabalhava com imóveis e tinha um escritório perto dali. Ao pegar o endereço tomar um bom banho e café-da-manha rumara para o tal escritório.

Enquanto andava pelas ruas de pedras com bruxos andando para lá e para cá se perguntou como eles escondiam tudo aquilo dos trouxas. Como aparatara direto no local não tivera a oportunidade de ver como era a entrada do bairro. Mas ela teria tempo para descobrir aquilo depois, agora continuaria a procurar o tal escritório. Quando achara o local onde estava uma placa escrita 'Imóveis Bourrie - Traga para nós o seu imóvel abandonado e arranjaremos um jeito dele ser ocupado', ela já havia andado bastante, talvez houvesse passado ali na frente do estabelecimento e não prestara a devida atenção nele. Hermione quis rir do título engraçado, mas tratou logo de entrar. Já em seu interior percebeu que o ressinto não era muito grande e tinha estantes de livros à esquerda, um sofá, paredes marrons e mais a frente uma mesa de madeira onde atrás se sentava um rapaz de cabelos muito louros. Hermione pigarreou para chamar a atenção do filho de sua recém-adquirida amiga que parecia absorto demais nos papeis. Ao ouvir a castanha, o homem levantou-se da cadeira em um pulo vindo cumprimentá-la.

– Me desculpe, não vi a Senhorita chegar. Presumo que seja Hermione Granger. – A grifinória assentira achando estranho ele reconhecê-la, talvez ele houvesse visto-a no Jornal.

– Minha mãe me mandou um patrono! – ele se explicara rápido provavelmente percebendo que ela estranhara. – Então se sente? Diga-me que tipo de casa você estaria interessada, quantos galeões estaria disposta a pagar? – ele lhe perguntara sendo direto enquanto a castanha tomava o lugar na cadeira em frente à mesa.

– Preciso de algo com pelo menos dois quartos e mais perto dos trouxas, você pode me mostrar as casa disponíveis primeiro depois discutimos os preços. Senhor?

–Alexander Borrie – ele completou para Hermione. Virando-se para o lado onde tinha uma enorme estante e pegando uma pasta escrita: casas na periferia de Bougxton. Ela presumira ser o nome do Bairro bruxo em que ela estava agora. Porém seus olhos pousaram em um anel prata que lhe pareceu um tanto familiar. Sem segurar sua curiosidade perguntou:

– Onde você adquiriu esse anel? – O homem abrira um sorriso faceiro.

– É uma replica de um anel pertencente a uma família muito antiga, os Malfoy. Não sei se já ouviu falar deles, mas graças que eles não estão aqui na França se me vissem usando-o estaria morto no outro dia. Eu só o achei muito bonito e comprei, mas o original é um pouco diferente tem ...

– Tem uma cobra com minúsculas esmeraldas esverdeadas nos olhos! Eu sei. - Hermione acrescentara cortando o homem. Sabia muito bem, pois se lembrava bem demais quando repara nele pela primeira vez.

Hogwarts, 1996

Hermione estava mais que triste, muito mais. Os motivos eram um tanto variados que ela poderia enumerá-los o dia todo. Tudo bem! Aquilo fora exagero. Mas tinha Ronald que estava se atracando com Lila Brown pelo castelo e aquilo a fizera chorar muito, afinal gostava do garoto ruivo. Harry também entrara na lista com todas aquelas aulas com Dumblodore que só lhe faziam ter mais certeza que Voldemort era uma pessoa integralmente má e hipócrita já que era um mestiço e tinha o bendito livro do tal príncipe Mestiço. Tinha também Katia Bell que quase morrera em sua frente com uma maldição das trevas. Aquilo era o que a deixava mais triste, pois para ela fora como um tapa em sua face com alguém gritando em sua cara que a guerra estava ali ao lado deles, dentro do castelo. Mas embora aquilo a incomodasse muito, o que a deixava mais aérea e triste fora que Harry cismara mais ainda que Malfoy estivesse envolvido naquilo. Ele tinha os melhores argumentos possíveis, afinal Lucio fora um comensal da morte e porque o filho não seria? Sem falar que Draco era sempre muito preconceituoso. Mas Hermione não conseguia engolir o fato de que ele mataria por aquilo. Quer dizer, ele devolvera o seu bendito colar e vinha convivendo com ela mais do que já pensara um dia ser possível. Não tinha a ilusão de achar que o loiro era uma pessoa boa que estava interessada no bem estar do mundo e das pessoas a sua volta como ela, Harry e Rony eram. Mas queria muito acreditar que havia algo de bom nele, e esse algo o fizera devolver seu colar tão precioso, fizera ele se sentar do lado dela e usar o odioso sangue-ruim como se estivessem brincando. Fechara o livro em frustração não encontrando a matéria que queria estudar aquela noite. Já estava tarde o bastante para não haver muitas pessoas na biblioteca, talvez fosse oito ou nove, para ela não importava muito. Pegara o outro livro na estante ao lado torcendo para que achasse a bendita matéria que queria estudar. Mas com o passar das paginas sua mente voara de novo ao assunto Draco Malfoy, droga! Por que aquilo a incomodava tanto? Ele era um idiota preconceituoso que não perdia a porcaria da oportunidade de arranjar confusão com ela e seus amigos. Fizera com que seu pai quase matasse Bicuço, comprara sua entrada no time de quadribol, e se sentia superior acima de todos. Tinha raiva dele, sim claro que tinha. Mas não o odiava. Ódio era um sentimento forte demais, pesado demais. Era o tipo de sentimento que faziam pessoas se matar e assassinarem umas as outras. Não! Definitivamente ódio era algo muito pesado para se sentir pelo Malfoy. Reservava-o exclusivamente para Voldemort que tirara a felicidade de Harry por todos esses anos. Fechara o livro xingando alto. Quando fora pegar o próximo livro que separara ele não estava lá. Percorreu os olhos em volta para ver onde ele fora parar e o encontrara Malfoy segurando o livro encostado na estante oposta. Falando no Diabo. Ela pensara.

– Procurando isso Granger! – Ele balançara o livro para ela, com aquele cinismo e superioridade que sempre o acompanhavam. Hermione girou os olhos com a implicância desnecessária do garoto. Quis muito perguntar por que ele estava ali com ela. Mas limitara-se a cruzar os braços e olhar para ele com raiva.

– Me devolva a porcaria do livro Malfoy! Eu preciso dele e o peguei primeiro. –Ele chegara mais perto com um sorriso de deboche. Meu Deus! Será que ele nunca tirara aquele bendito sorriso da cara.

– Não! – O garoto respondera implicante. Hermione queria mata-lo isso sim, se não bastasse ela ficar tentando desvendar o enigma que era ele, ainda tinha que aguentar suas gracinhas. Pelo amor de Deus! Mas se ele queria implicar ela também sabia, pegou sua varinha em um movimento rápido de alguém que já havia duelado antes seriamente.

–Accio Livro de feitiços! – Antes que o loiro pudesse ter a chance de anular o feitiço, o bendito livro escorregara de sua mão e fora flutuando para Hermione. Ela rio em deboche, levantando as sobrancelhas e o olhando com um ar de vitória. Abrira-o para procurar a bendita matéria, mas Malfoy espalmara as mãos nas folhas impedindo que ela continuasse a busca. Hermione pousara os olhos na mão do loiro onde havia um bonito anel todo em prata e com uma cobra o adornando que em seus minúsculos olhos tinha alguma pedra preciosa de cor verde. Era um anel muito sonserino. Ela quis dizer. Mas Malfoy arrancara o livro das suas mãos bruscamente.

– Você pode largar o maldito livro Granger. Temos um assunto inacabado! – claro a porcaria dos armários sumidouros.

– Porque tanto interesse nesses armários Malfoy? – ele olhara-a diferente tombando a cabeça para o lado e dando os ombros.

–Curiosidade! – ele disse ameno. E ela acreditou! Porque Hermione era assim boa e com coração enorme, sempre esperando o melhor dos outros. Ela assentira como se entendesse, era muito curiosa também!- Lembrasse que eu falei sobre algum armário poder estar estragado, e você ter ideia de como concertar!

– Sim, me lembro! Você saiu correndo de lá quando viu Harry e Ronald vindo. Muito corajoso da sua parte Malfoy. – Ela debochara. Ele ficara com raiva. Hermione pode perceber pelo entortar de sua boca e pelo aspecto de seu olhar.

– Tsc. Não é como se eu tivesse saco para o idiota dos seus amigos, ou quisesse ser visto com uma sangue-ruim como você. – Ela girou os olhos. Mas sabia que era a verdade. Percebia pelo fato dos olhos dele pousarem no fim do corredor com medo que alguém os visse conversando. Como ele era patético! – Enfim, Trouxe uns desenhos do estrago que imaginei no armário. – ele emendou tirando um rolo de pergaminho do seu bolso de trás e entregando para Hermione. Eram desenhos muito bons, e parecia algo bem complicado. Ela vira no canto da folha algumas anotações e cálculos de aritimacia. Ele provavelmente estava tentando descobrir como arrumar o defeito que parecia ser na parte magica do objeto e não na material. Aquilo seria trabalhoso.

– Quer ser Fazedor de feitiços, Malfoy? Você parece muito bom em aritimacia! – O meu Deus! Ela o elogiara, seria zuada pelo resto da vida. Droga porque não pensava antes de falar. Mas o sonserino não debochara dela somente olhou para ela interrogativo e descrente.

– Claro que não Granger! Sou um Malfoy, irei para a Instituição de negócios e empreendimentos bruxos que meu bisavô fundou e depois assumirei as empresas de minha família! É uma tradição. – Ele falara de um jeito que fizera se sentir burra. Era simplesmente muito óbvio que ele já tinha seu destino traçado.

– Bem, detesto fazer as coisas em pé. Vou me sentar e dar uma olhada nos seus cálculos, talvez consiga terminá-los e descobriremos a raiz do problema. – Ela emendara seguindo para mesa onde estavam seus materiais. Malfoy somente a acompanhou.

Hermione amava a biblioteca. Era como um esconderijo secreto e aconchegante, mas sempre se sentava o mais afastado possível de todos. Gostava do silêncio! E fora assim que aquela mesa atrás de todas as estantes e no mais fundo da biblioteca se tornara quase que dela. Nunca vira ninguém sentado ali. Sentou-se vendo Malfoy sentar em sua frente colocar os pés na mesa, cruzar os braços e fixar seus olhos no teto. A castanha percebera e repara pela primeira vez que ele parecia estar cansado e esgotado como se algo estivesse tragando sua vida aos poucos. Sacudiu a cabeça voltando-se para os papeis. Malfoy fora bem longe nos cálculos, mais longe do que qualquer aluno que fazia aritimacia com ela conseguira ir. Mas ela era uma exceção, sempre conseguia termina-los. Pegou a pena e começou a trabalhar, fazendo inúmeros cálculos e entrando fundo naquilo. Parara quando Percebera que Malfoy parecia inquieto com algo. Mexia em sua mão direita como se sentisse dor e retirava e colocava os pés na mesa toda maldita hora.

– Você quer pelo amor de Deus ficar quieto! – Ele voltara-se para ela olhando-a assustado, como se só agora percebesse que a grifinória estava ali na sua frente compartilhando da mesma mesa que ele. Depois ele abrandara a face transparecendo o cansaço que ela vira há alguns minutos e levantando as mãos em sinal de desculpa. Sem, no entanto verbalizar nada. Hermione voltara para seus cálculos. Porém Malfoy a interrompeu novamente, dessa vez com uma pergunta inusitada.

– E você Granger o que vai fazer depois de Hogwarts? Que instituição irá entrar? - a castanha largou a pena e o encarou. Já pensara tanto nisso, tinha a guerra e tudo era nebuloso, mas não ia entrar naquele assunto. Porém se ela pudesse e conseguisse iria...

– Quero ser medibruxa! Já ouviu falar Da Instituição de Medibruxaria Vileardium na França? – Ele assentira. Vivera desde sempre no mundo bruxo como não conheceria. – Quero ir para lá. –Hermione sorrira sonhadora, e Malfoy só voltou para sua posição inicial. Ela ficou lá o olhando. Ele não a encarava de volta, parecia que tinha algo de muito interessante no teto que analisava fixamente. Hermione suspirou sentindo toda a frustração de mais cedo voltar. Mas que diabos era Draco Malfoy, ele praticamente pedira desculpas pela sua inquietação, não verbalmente claro! Isso seria demais. Contudo pedira com gestos e perguntara uma coisa íntima para ela, que nem Harry e Ronald sabiam. Ele parecia mais casual, mais ameno e menos debochado ali. Como podia acreditar que o loiro teria coragem de amaldiçoar Kátia ao ponto de quase mata-la? Balançara a cabeça com raiva daqueles pensamentos e sem pensar direito ela soltara.

– Você não tem nada a ver com o ataque de Katia, tem Malfoy? – Merda de mania de não pensar para perguntar as porcarias das coisas. Ele saíra do transe novamente e voltando seus olhos cinzentos para a castanha, a olhando em confusão.

– O que? – ele soltara baixo e ameno. Ela já perguntara mesmo, não ia voltar atrás.

– Katia! Você não tem nada a ver não é? – ele levantara as sobrancelhas, suspirando cansado. Meu Deus! Malfoy parecia estar querendo desistir da vida com aquele comportamento estranho e desanuviado.

– Não Granger! Não tenho! – ele disse sério a olhando nos olhos. Aquilo fez seu coração ficar mais leve e ela acreditou. Porque Hermione era assim tinha um coração enorme e queria acreditar que Draco tinha lá no fundo algo de bom. Ela não podia estar mais enganada.