-Madara-sama, peço desculpas, contudo nesse momento a primeira pessoa a quem devo explicações é ao Hokage-sama, não só por estar em sua casa, mais por se tratar de sua filha. -Itachi pegou minha mão ficando ao meu lado. Ele a apertou levemente passando-me segurança, porém naquela situação era ele quem estava com problemas, não eu.

Eu o olhei sorrindo, eu já confiava completamente nele, e isso fez meu pai e Madara nos olharem estranho, e nesse momento eu ouvi o risinho de minha mãe e só aí notei sua presença ali. Meu pai seguiu o olhar da minha mãe para meu pescoço, e sorriu de lado de uma forma quase imperceptível.

-Senju-san e Hokage-sama eu gostaria de me desculpar por apressar as coisas, mas como o pedido oficial já tinha sido feito eu não vi motivos para adiar isso, e como o senhor bem frisou a escolha era dela, e a Lya-hime aceitou meu pedido. -ele estava serio, sua voz soava fria, uma contraste total com a mão quente que apertava a minha.

-Itachi você noção do que fez? -Madara se pronunciou, contudo os olhos de Itachi não vacilaram do meu pai por um segundo, nem mesmo quando respondeu ao tio.

-Me conhece o suficiente para saber que eu nunca faria algo que não estivesse completamente certo. -seu tio trincou os dentes.

Não posso dizer que não entendo o porque de Madara está agindo assim, era tão obvio que até mesmo um cego poderia ver. Itachi era o melhor ninja de Konoha, o atual líder da AMBU, e se Madara era o braço direito do meu pai, Itachi era o deste, não que o casamento fosse mudar algo, pelo contrário, era esperado que ele já estivesse casado a essa altura, já que ninjas geralmente casavam aos 18 anos por causa da alta mortalidade destes, e essa era a única forma de manter sua linhagem viva. Mas era exatamente por causa da linhagem que a bagunça estava feita. Itachi era um gênio, aquele que herdou o melhor de sua linhagem, e os Uchiha como a maioria dos clãns de linhagem sanguínea casavam-se apenas com alguém dentro do próprio clã para manter a linhagem pura, e Itachi acima de todos deveria fazer isso, ou se casar com alguém com uma linhagem tão importante como a sua, eu mesma soube que tentaram o casar com Hyuuga Hinata, mas esse se negou dizendo que ela era muito nova, e agora estava ali com a melhor amiga desta que tinha a mesma idade e nenhuma linhagem de sangue. Seu clã iria a loucura, seria um caos, e a com toda certeza cabeças iriam rolar na próxima reunião do conselho deste. E se eu não fosse a filha do Hokage com toda certeza eles mandariam me matar apenas para evitar esse casamento, mas nem mesmo os Uchihas eram loucos o suficiente para tocar na filha do Hokage, e sendo assim as coisas ficariam uma bagunça.

Minha mãe saiu de seu lugar e veio até Itachi o abraçando.

-Seja bem vindo a família Uchiha Itachi. Você tem minha benção. -ela o largou e sorriu para mim. -Apenas peço que faça minha filhinha feliz.

-Não pretendo nada menos que isso para ela Senju-san. -minha mãe saiu da sala dizendo que iria buscar um chá para nós.

-Sei que você conhece as consequências de seus atos melhor do que ninguém Itachi, assim como sei que você não faria isso sem se certificar que manterá minha filha segura quando se casarem. -olhar de meu pai faiscou.

-Está insinuando algo Hashirama? -Madara perguntou raivoso.

-Somos amigos a tempo o suficiente para eu conhecer seu clã Madara, e sei que muitos deles morreriam feliz para manter a linhagem do sangue puro, ambos sabemos que já era uma afronta casá-la com Sasuke, Itachi então...

-Sei bem disso, mas você mesmo viu o cordão no pescoço dela. Todo Uchiha sabe o significado daquilo, todos entenderão que ele morreria por ela, e ninguém deseja a morte dele ou o massacre de sua família. -Madara exasperou-se.

-Ninguém encostará num fio de cabelo dela enquanto eu viver Hokage-sama. -sua voz fria cortou a discussão dos dois e talvez fosse a segurança em sua voz que os fizeram olhar para ele abismados. -Ninguém tocará nela de novo, eu pessoalmente garantirei isso. -ele apertou minha mão mais firme, e meu pai suspirou afirmando.

-Então se é assim não a mais nada que me impeça, e tudo que posso fazer é desejar a vocês felicidades. Vocês tem minha benção. -eu sorri agradecida e Itachi finalmente virou seu rosto mirando o tio.

-Você não precisa da minha benção pirralho, é teimoso como uma mula. -Madara deu um leve sorriso lunático que me fez estremecer de medo. -Vou adorar ver você lidar com aqueles velhos do conselho, faz tempo que você não os fazem se engasgarem de raiva com suas próprias salivas. -meu pai olhou para Madara e ambos sorriam com a piada interna, e até pareciam dois demônios esperando para apreciar a carne de algum desavisado -era medonho.

Minha mãe entrou na sala não com o chá, mais para nos chamar para o almoço e seu olhar dizia que ela não aceitaria um não como resposta, então todos nos dirigimos para sala de jantar e Itachi foi colocado do meu lado direito e seu tio ao lado do meu pai no outro lado da mesa, assim minha mãe ficou entre mim e meu pai.

Era um almoço digno de uma festa, e eu me vi olhando desconfiada para minha mãe que me sorriu sapeca, como uma criança que está feliz por ter aprontado, meu pai ria leve e eu apostava toda a minha coleção de kunais que Madara estava se segurando para não revirar os olhos entediado.

Eu separava as verduras do meu yakisoba, odiava verduras, e nunca entendi o porque de minha mãe sempre as colocar em meu prato.

-Acho que descobri o motivo de você viver doente. -ele disse casual ao meu lado, e eu o olhei curiosa. -Deveria comer verduras.

-Eu não gosto, tem gosto ruim. -dei de ombros, aquela era um discussão antiga, uma vez eu até peguei Megumi amassando legumes no molho para que eu não visse e os comece de alguma forma.

-Quando foi a ultima vez que provou algum? -eu ponderei sua pergunta e realmente não lembrava da ultima vez que tinha ingerido tal alimento.

-Não sei, acho que desde sempre. -fiz bico ainda tentando lembrar.

-Prove isso aqui. -era um pequeno pedaço de chuchu empanado e eu franzi o senho com nojo. -Não, não o coma com nojo, apenas o prove como se fosse a primeira vez, como se fosse uma comida estrangeira e exótica, se você o comer com nojo ele realmente será ruim. -ele pegou o menor pedaço do prato com um hashi e pegou também um pedaço do peixe frito e colocou em cima e direcionou os dois para mim, colocando em meu prato. -Vamos é só provar, é um pedaço pequeno não deve ser tão ruim. -eu suspirei e me concentrei no que ele pediu, e tentei ao máximo não sentir nojo quando peguei os dois com meu hashi e os direcionei a boca.

Tentei não engolir de uma vez, e dei uma leve mastiga e acabei me surpreendendo ao não sentir um gosto ruim, na verdade só sentia o gosto do peixe e do ovo.

-Viu, você criou um bloqueio quando criança, e agora acha que todas as verduras são ruins, tente experimentar algumas e só aí decida o que não comer. -fiz que sim sorrindo, e olhei para o meu prato ponderando por onde começar, e por fim com um pedaço de peixe peguei uma pequena rodela de cenoura.

Na primeira mastigada o gosto amargo da cenoura tomou toda minha boca e tive de engolir rápido para não cuspir, fazendo uma careta. O riso de meu pai contagiou toda a mesa, e mesmo Madara tinha uma linha fina nos lábios.

-De todas as verduras você tinha de escolher a com gosto mais forte? -Itachi disse com um leve tom de humor, mesmo que seu rosto estivesse impassível. -Nem mesmo eu gosto de cenoura. -eu o olhei indignada e meu pai riu mais. -Mas como mesmo mesmo assim. Como ninja eu aprendi desde cedo a comer de tudo para que não faltasse nenhum nutriente a meu corpo, e nem todas as missões nos permite escolher o que comer. -ele explicou calmo.

-Certo. -eu suspirei novamente olhando para meu prato e me obrigando a continuar a experimentar cada uma das verduras.

-Comece por essas. -ele separou algumas verduras no meu prato me explicando o que seria melhor para mascarar o gosto de cada uma, e nos estávamos tão entretidos em nosso mundinho que esquecemos dos outros a mesa.

-Obrigada Itachi, nunca conseguimos fazê-la sequer provar verduras. -minha mãe disse alisando meu cabelo e sorrindo para ele.

-Ele tem experiência com isso, já que o Sasuke também não gostava de verduras. -Madara comentou.

O resto do almoço foi tranquilo e eu voltei a comer meu Yakisoba sem interferências, mais podia ver que Itachi me observava e acabei que comendo mais algumas verduras.

-Quando pretendem marcar o casamento? -levei o copo com suco a boca tentando ganhar tempo para responder a pergunta de meu pai, mas Itachi prontamente respondeu como se tivéssemos discutido aquilo antes.

-No aniversário de 18 anos dela. -tentei me manter firme e sorri, mesmo achando aquilo uma completa loucura.

-Daqui a dois meses? -Madara tentou confirmar.

-Teremos uma reunião com o clã hoje a noite e amanhã eu tenho uma missão, então até lá teremos tudo organizado para a cerimonia. -ele explicou calmo e meu pai concordou.

-Entendo seu ponto de vista ao tomar essa decisão, quanto mais rápido o casamento mais difícil será para qualquer um planejar algo. -Madara nos olhou. -Vou providenciar para que até hoje a noite ninguém mais saiba da notícia, quero eu mesmo expô-la aos velhos. -ali estava seu sorriso lunático novamente, ele realmente parecia odiar os anciões do clã.

Depois do almoço ainda comemos a sobremesa, e fomos para a sala onde ainda discutimos sobre como as coisas seriam dali em diante. Ficou acertado que a segurança de nossa casa seria dobrada, principalmente quando meu pai não estivesse por perto, e que eu não deveria atravessar os limites dessa sem Madara ou meu pai -eu não podia me importar menos com isso. Meus pais pagariam a festa e Itachi foi enfático a dizer que todo o resto seria por sua conta, além disso, disse que gostaria que sua mãe ajudasse na organização pois esta adorava esse tipo de coisa.

Era por voltas das 17h quando ambos se levantaram despedindo-se de nós e como antes eu senti meu peito apertar, estava angustiada com o fato de que ele teria de enfrentar o seu clã, e mesmo sabendo que Madara estaria ao seu lado ainda sim não podia deixar de me sentir daquela forma, sem falar que eu não o veria por um tempo já que este sairia pela madrugada para ir numa missão, e eu não tinha tido coragem de perguntá-lo quando voltaria.

-Tenham uma boa noite. -Madara se despediu saindo e Itachi veio até mim e beijou minha mão antes de se virar para sair.

Eu não podia deixá-lo sair assim, se algo acontecesse com ele eu me arrependeria pelo resto da vida, até porque em parte tudo aquilo era minha culpa.

-Itachi-san... -eu chamei baixo mas todos se viraram para mim curiosos, e minha mãe tossiu chamando a atenção dizendo que acompanharia Madara até o portão e meu pai se limitou a segui-los, então os três saíram pela porta nos deixando sozinhos ali e ele veio até mim e se abaixou na muinha frente para ficar a minha altura. -Só queria pedir para que tomasse cuidado... eu sei que não precisa... sei que você é o melhor ninja... -respirei fundo. -Mas por favor tome cuidado com seu clã, e boa sorte na missão. -eu estava tão envergonhada que mal conseguia falar direito.

-Não fique tão preocupada, vai dar tudo certo. -ele se inclinou e beijou minha testa. -E se me prometer comer mais verduras eu prometo que assim que eu voltar da missão virei te ver. -fiz que sim.

-Prometo. -me animei, principalmente quando ele me sorriu.

Me senti melhor com o sorriso dele, acho que este tinha o poder de me encantar e acalmar, possivelmente aquele era um charme apenas dele, já que eu não imaginava nenhum outro Uchiha fazendo aquele gesto tão belamente. Apesar de todos da linhagem Uchiha terem feições másculas, que os tornavam na grande maioria das vezes excessivamente belos, Itachi que já era bonito ficava ainda mais encantador quando sorria, tanto que o simples movimento de seus lábios fazia meu coração disparar, em contra partida, eu tinha de segurar o riso ao imaginar Madara rindo, deveria ser uma cena cômica, pensando bem, ele com toda certeza seria menos pior que Fugaku que andava com a cara de quem chupou limão azedo antes de sair de casa, ainda me pergunto o que Mikoto viu nele, só posso supor que ele era mais legal quando novo.

Itachi me olhou curioso, mas eu apenas maneei a cabeça negando com o sorriso nos lábios, e depois de se despedir de mim saiu me deixando ali sozinha. Mas logo meus pais chegaram e eu me arrependi por não ter fugido para o quarto enquanto tive tempo.

-Deveria ter me dito que gostava dele. -meu pai disse me deixando vermelha. -Sempre achei que você tinha uma queda por Sasuke. -eu ri e minha mãe negou cansada. -O quê, eles tem a mesma idade. -meu pai tentou mostrar seu ponto de vista e minha mãe riu também.

-Desde criança que ela gosta de Itachi. -minha mãe explicou.

-Como assim desde criança? -eu não podia está mais envergonhada, e minha mãe se limitou a me olhar esperando que eu contasse.

-Eu não era uma criança mãe, eu já tinha 12 anos. -ela deu de ombros e se sentou no sofá e meu pai a seguiu, ele me olhava com expectativa, então me resignei com a falta de escolhas ali, e tomei coragem para prosseguir. -Um dia eu estava chateada por não conseguir ser uma ninja, então resolvi fugir para não lhes-dar mais trabalho. -meu pai me olhou espantado, ele provavelmente nunca soube disso já que mamãe havia me prometido nunca contar para ninguém. -Eu até consegui chegar nas árvores próximas ao portão, e estava esperando a vigia ser trocada para tentar algo, esperei até quase amanhecer, e quando eles enfim trocaram eu encontrei uma brecha para passar, mas quando eu estava quase atravessando escorreguei no maldito galho e cai. -meu pai me olhou horrorizado.

- "Não devia dormir em árvores Hime, é perigoso."

-Foi o que ele me disse quando me segurou nos braços me impedindo de cair no chão. Eu me debati birrenta e ele me colocou no chão, era um ninja que eu nunca tinha visto, mas a bandana não negava sua origem, então não me preocupei.

- "Me deixe ir." -Pedi já chorando, acho que mais pelo susto do que por qualquer outra coisa.

- "Não posso fazer isso pequena, não deveria sair de casa a noite, é perigoso para você, principalmente quando o Hokage não está."

- "Você me seguiu! Isso não é justo, eu achei que enfim tinha conseguido driblar a segurança da casa."

- "Devo admitir que você deu trabalho com aquela neblina, mas eu achei estranho por ela ter aparecido do nada, então entrei na casa para averiguar e não senti sua presença nesta, e logo a encontrei correndo pela cidade."

- "Droga."

- "Me diga como conseguiu fazer aquela quantidade de neblina sem usar nenhum tipo de bomba?"

- "Uma solução simples de água, glicerina, gelo seco, uma garra e umas velas, coisa simples." -Ele me estirou a mão e eu a peguei resignada.

- "Você é muito inteligente sabia, deveria usar isso a seu favor, se estudar com afinco pode ser o braço direito de seu pai no futuro."

- "Eu não consigo nem atirar uma kunai no lugar certo, como ajudarei meu pai se nem consigo me proteger?" -Eu falei raivosa com lágrimas nos olhos e ele parou e se abaixou para enxuga-las.

- "Você não precisa ser uma ninja para orgulhar seus pais, a outras maneiras de se encaixar no nosso mundo, não se limite, já imaginou se todas as pessoas da vila fossem ninjas? Seria um caos, não teríamos comida, não teríamos madeiras e nem tijolos para a construção de casas. E você nasceu com uma inteligência acima da média, e mesmo não sendo ninja driblou ninjas AMBU, e quase escapou da vila."

- "Mais eu vou ser um problema para meus pais, não quero..."

- "Todos os filhos são um problema para os pais, e não importa quantos anos tenha ou o que faça você vai preocupá-los sempre, por que você é filha deles. Agora pense comigo, o quão desastroso seria para sua mãe descobrir que você não estava em casa, o quão culpados seus pais se sentiriam por você ter fugido de casa, e pior, e se algo acontecesse com você."

- "Desculpe, eu não vou fazer de novo."

- "Não estou dizendo isso por que quero que você se sinta mal, estou dizendo por que quero que você aprenda a se sentir dos dois lados, você tem a capacidade para isso, então antes de tomar uma decisão veja os dois lados de forma racional e só depois que ponderar tudo tome uma decisão. Se você fizer isso, vai conseguir uma solução melhor do que esta."

- "Tá!" -Fiz bico e ele bateu em minha testa com a ponta dos dedos me fazendo o olhar diretamente.

- "Se você parar de se limitar pelo que esperam de você, vai aprender muito mais, e consequentemente vai encontrar seu lugar nesse mundo." -Ele alisou meus cabelos e se levantou e me estendeu a mão novamente me levando para casa.

-Por que eu nunca soube disso? -papai parecia irritado.

-Por que eu chorei tanto que mamãe me prometeu não contar a você, e pediu ao Uchiha-san que fizesse o mesmo, e só aí eu soube o seu nome. Depois daquilo mamãe conversou comigo, e eu acabei entendendo as palavras dele, eu não precisava ser uma ninja para ajudar a vila. -papai suspirou e saiu do sofá vindo até mim e me deu um cascudo.

-Não esconda as coisas de mim. E eu não sei o que faria sem seus conselhos. -era verdade, muitas vezes eu aconselhei meu pai em decisões importantes para a vila, sem falar que nenhum contrato era assinado sem passar por mim.

-Me desculpe pai, eu só fiquei envergonhada demais para falar sobre isso. -ele me sorriu e beijou minha cabeça, onde tinha batido.

-Você é minha pequena, e nem mesmo quando casar vai deixar de ser. Então não importa o que seja, confie em mim filha.

-Sempre pai.

-Com você eu me entendo depois. -ele disse para minha mãe que revirou os olhos.

Todos sabíamos que Megumi sempre tinha a palavra final ali, e que ele jamais conseguiria ganhar dela em uma discussão, então me limitei apenas a esconder o sorriso em meus lábios enquanto e a para a cozinha ajudar minha mãe com o jantar.

Aquele tinha sido um domingo maravilhoso, surpreendente. Na verdade eu poderia dizer com convicção que tinha sido o melhor dia de minha vida, o primeiro de muitos com toda certeza.