Eu estava no jardim de casa, a minutos eu olhava para a mesma pagina do livro aberto em minhas mãos sem ler nem ao menos a primeira linha deste.
Suspirei fechando o livro, sabia que não iria conseguir lê-lo com os pensamentos tão desbaratados em minha mente.
Fazia pouco mais de um mês que Itachi tinha saído em missão e a cada dia mais a data de nosso casamento se aproximava.
Diferente do que imaginamos as coisas não tinham sido tão ruins com o anuncio do casamento, e isso se dava como Tsunade-ne-chan mesmo disse, ao fato de Itachi ter enfrentado tão diretamente os anciões de seu clã. Ainda me lembrou como foi ruim tê-la raivosa em meu quarto no dia seguinte ao pedido de casamento, acompanhada de tia Kushina que parecia se divertir com as novidades.
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A porta de meu quarto bateu fortemente na parede me assustando, mas ao ver a loira adentrar o local me acalmei e cocei os olhos ainda meio embaçados pelo sono.
-Ne-chan?
-Não me venha com "ne-chan" Lyandra, eu não acredito que fiquei sabendo do seu noivado pelos outros. -a olhei confusa.
-Eu pretendia te contar hoje ne-chan, ontem foi um dia meio corrido. -sorri e ela bufou. -Mas como ficou sabendo tão rápido?
-Me acordaram as 1:47 da manhã por que um maldito Uchiha estava preso em um genjutsu. -a olhei assustada.
-Itachi prendeu o velho Sakamoto em um genjutsu, e ninguém conseguiu tirá-lo. -tia Kushina parecia alegre, todos sabíamos que ela não gostava do velho, já que este nunca aceitou fazer missões com mulheres por achá-las inferior. -E ele vai ficar no hospital um bom tempo.
-Você não conseguiu tirá-lo do genjutsu ne-chan? -eu não podia acreditar nisso, minha irmã tinha tanta prática nisso que o fazia de olhos fechados.
-Não é que eu não consegui. Eu simplesmente não o quis atende-ló. -ela disse ainda mais raivosa.
-Eu não estou entendo nada. Por que Itachi-san prendeu Sakamoto-san em um genjutsu? Ouve briga na reunião do clã, Itachi-san está bem? -comecei a me preocupar e Kushina riu com gosto.
-Nem se todos os anciões lutassem juntos eles conseguiriam tocar em Itachi. -minha tia disse convicta. -Madara é o único Uchiha vivo que poderia contê-lo em uma luta, e pelo jeito ele não estava disposto a isso ontem, na verdade ele parecia até mais suportável hoje, o que me faz pensar que este se divertiu com o espetáculo do sobrinho.
-Então o que Sakamoto-san fez para Itachi-san o atacar?
-Ele disse com todas as letras que você não era digna de entrar para o clã. -minha irmã respondeu. -Então eu disse a família dele que eu não era digna de atendê-lo. -ela falou maligna.
-Na verdade pelo que Madara contou ao seu pai, o velho Sakamoto não conseguiu nem terminar a frase quando Itachi ativou o Mangekyo Sharingan tão rápido, que quando quando todos perceberam o velho já estava gritando como um louco. -tia Kushina dava pulinhos. -Mas ele não foi o único a se pronunciar contra o casamento, parece que Fugaku também era terminantemente contra, mas Itachi foi enfático ao dizer a ele que o único motivo para este não está preso num genjutsu também era por que ele era seu pai, mais que este não voltasse a cometer o mesmo erro pois da próxima vez ele esqueceria disso. Ele foi categórico ao dizer que você já possuía o cordão dele, e que se algo acontecesse a você não seria só o autor que pagaria por isso, mas todos os conspirantes e as famílias destes, nem mesmo as crianças ele perdoaria, então que pensassem duas vezes antes de sequer olhar feio para sua noiva.
-Depois de saberem sobre o colar todos se viram obrigados a aceitar você como esposa dele. -nechan terminou, e eu toquei no colar em meu pescoço ainda perdida. Mamãe entrou no quarto e sentou na minha cama, e as outras duas seguiram seu exemplo.
-Esse colar é tão importante assim? -perguntei mais a mim mesma do que a elas. Tsunade-ne-chan e tia Kushina ficaram admirando o colar, assim como minha mãe que sorriu ao vê-lo.
-É a coisa mais importante que um Uchiha pode dar a sua mulher. Na verdade esse colar só é dado a mulher que ele ama. -todas olhamos para minha mãe. -Muitas mulheres, mesmo dentro dá família e com anos de casadas nunca receberam o colar de seus maridos, eles não são obrigados a dá-las, é algo muito importante, um símbolo de que não morreriam por elas só por serem seus maridos, mais que morreriam por amá-las e que morreriam sem elas. Muitos poucos Uchihas deram seus colares a suas esposas e menos ainda o entregaram antes do casamento. Por isso que eu e seu pai ficamos felizes quando o vimos em seu pescoço, não esperávamos que ele também tivesse sentimentos por você. -eu estava confusa, eu sabia que ele não me amava, sabia que ele era apaixonado por outra. Porém ao ouvir o real significado do colar eu me vi ainda mais perdida do que antes. Parando para pensar, eu me fiz a pergunta certa, o porque dele ir tão longe para conseguir aquele casamento, será que ele se sentia tão mal assim pelo que tinha acontecido comigo? Ou havia algo mais, algo que eu não conseguia enxergar. Fui tirada de meus pensamentos pela voz da minha irmã.
-Como sabe de tudo isso mãe? -ela perguntou soturna, e Megumi ficou logo vermelha, atraindo ainda mais nossa atenção.
-Fugaku disputou sua mãe com Hashirama. -minha tia disse maldosa, e acabamos todas sorrindo malignas para ela. Aquilo sim era uma novidade das quentes.
Fizemos minha mãe contar toda a história, e Tsunade-ne-chan acabou me perdoando por não tê-la contado antes sobre o noivado com Itachi, claro, com a condição que eu lhe contasse com riqueza de detalhes sobre tudo, o que acabei fazendo enquanto ela fazia minha fisioterapia.
A tarde eu mandei um bilhete para Hinata e esta veio me visitar, e quase morreu ao ver que Naruto também estava ali, mas esqueceu completamente dele quando eu a contei sobre o noivado. E apesar de eu querer que ela fosse minha madrinha, minha mãe me alertou que isso poderia ser uma afronta a Hiashi já que Itachi não tinha aceitado casar com Hinata. No fim, ficou resolvido que Tsunade-ne-chan e Dan (seu marido) seriam meus padrinhos.
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Muita coisa tinha mudando no decorrer desse mês. Minha mãe e Mikoto andavam juntas para tudo que é lado, comprando coisas e decidindo sobre tudo, e as vi tão felizes que acabei deixando tudo nas mãos delas. Meu pai pegou a mania de me chamar para a varanda todos as noites para conversamos sobre as coisas mais banais possíveis, e não que eu estivesse reclamando já que eu gostava da sua companhia, porém eu sabia que aquela era forma dele me manter por perto enquanto podia. Sem falar que eu havia enfim voltado a trabalhar no prédio do Hokage, até por que segundo meu pai, ninguém achava nada naquele arquivo, e ele estava cansado de enviar ninjas para me perguntar onde estava um pergaminho qualquer, então agora eu não era mais sua secretária, mais sim sua arquivista e mantinha meu cargo de conselheira deste como antes.
Nesse meio tempo eu não tive notícias de Itachi, o que não era necessariamente uma coisa ruim, pelo contrário, significava que ele estava indo bem na tarefa. Eu tive acesso ao pergaminho que continha informações sobre sua missão, ele foi enviado para conseguir informações sobre o paradeiro de Orochimaru, e descobrir o que este estava aprontando, e isso me preocupou a cada dia, pois só de imaginar que ele estava próximo aquela cobra meu sangue gelava.
Suspirei mais uma vez e peguei o colar em meu pescoço brincando com ele entre os dedos.
-Não devia suspirar tanto assim hime. -olhei para o local de onde a voz divertida vinha e dei de cara com um Itachi sentado em cima do galho da árvore, me olhando divertido. Não tive como não sorrir.
-Uchiha-san, seja bem-vindo. -ele pulou do local e veio até mim.
-Gosto mais quando me chamasse de Itachi. Como da ultima vez que nos vimos. -ele se abaixou na minha frente.
Itachi ainda estava vestido com a roupa básica de ninja, a roupa preta e o colete verde, sem falar na bandana de nossa vila em sua testa e a pochete com suas armas ninja, suas olheiras estavam mais evidentes, e isso me fez levar a mão ali e tocar com cuidado.
-Itachi-san... -tentei e ele apenas me olhou e não se mexeu com meu toque, nem mesmo quando delineei com o indicador curiosa sentindo a textura lisa de seu belo rosto. -Deve está cansado. Deveria ter ido para casa descansar.
-Eu lhe fiz uma promessa, e eu sempre cumpro o que prometo. -ele se inclinou um pouco e selou nossos lábios de forma leve. -E mesmo sabendo que estava bem eu precisava lhe ver.
Meu corpo todo vibrou com o contato de seus lábios no meu, e mesmo depois dele ter se afastado eu ainda sentia esse formigar, então pisquei perdida em suas palavras e ele alisou minha cabeça antes de voltar para a posição anterior.
-Seu pai me contou que voltou a trabalhar. -ele não parecia bravo, mas eu não sabia distingui-lo verdadeiramente então não podia afirmar nada.
-Você se importa que eu trabalhe? -ele levantou a mão e com os dois dedos tocou em minha testa a empurrando de leve para trás.
-Você se importa que eu seja ninja? -fiz que não. -Então por que eu me importaria que trabalhasse? -eu sorri envergonhada.
-Sua mãe me disse que as mulheres do seu clã quando se casam deixam de ser ninjas para cuidar da casa. -tentei explicar.
-Não consigo te imaginar como uma dona de casa. -ele se inclinou para trás e se sentou na grama.
-Na verdade nem eu. Gosto de ajudar meu pai, e não sou muito organizada sabe. Mas gosto de cozinhar. -apresentei meu ponto forte.
-Você deveria dizer a seu futuro marido que é desorganizada? -ele levantou uma sobrancelha num misto de divertimento e zombaria então dei de ombros e rir.
-Pelo menos você não pode dizer que casou enganado. -ele riu e seu riso acabou com qualquer tensão que o momento anterior teve, fazendo sentir-me mais leve.
-Vendo por esse ponto, não há nada que eu possa fazer se não concordar. -ele parecia também está mais relaxado. -Então façamos assim, você cozinha e eu cuido da casa. E mandamos a roupa para lavar fora, por que imagino que você odeie tanto quanto eu passar roupa. -fiz que sim coçando a nuca constrangida. -E a louça agente divide, um dia você um dia eu. -estirei a mão e ele a apertou rindo.
-Fechado. -disse alegre. -Mas como faremos quando você estiver em missão?
-Não vou pegar mais missões tão longas assim, a não ser que seja realmente necessário, e quando isso acontecer prefiro que fique aqui com seus pais. - olhei incrédula, achei que ele me pediria para ficar com os seus. -Eu ficarei mais tranquilo sabendo que está no lugar mais protegido de Konoha. -sorri assentindo. -Bom agora é melhor eu ir. -ele já levantava então segure sua mão.
-Obrigada por ter vindo me ver, estou muito feliz por saber que esta bem.
-Eu também! -ele se inclinou e beijou minha testa.
-Descanse. -ele fez que sim.
-Pode ter certeza que vou. Boa noite hime.
-Boa noite Uchiha-san. -ele me olhou sério, então respirei fundo. -Itachi-san. -ele sorriu e bagunçou um pouco meu cabelo.
-Vou buscá-la para almoçarmos juntos amanhã, o hokage me deu o dia de folga.
-Certo. -foi tudo que eu disse antes dele me deixar na porta de casa e partir para a sua, eu podia imaginar o quanto este estava cansado, mas estava vibrante por ele ter vindo me ver mesmo assim.
Eu passei o dia seguinte ansiosa pelo horário do almoço, então resolvi me distrair lendo o relatório de sua missão que só a pouco tinha chegado a mim, já que meu pai o tinha o utilizado na reunião com alguns jounins mais cedo.
"Orochimaru parou de recrutar pessoas após o ataque a Konoha, mas apesar de não encontrá-lo, não é difícil se deparar com alguns de seus experimentos. Tive de lutar várias vezes com algumas crianças e adolescente geneticamente modificados, mas nenhum deles viveu tempo suficiente para me explicar algo, não que eu os tenha matado, elas sempre morriam quando eu lutava mais a sério, um tipo de tatuagem negra tomavam seus corpos durante a luta aumentando seu chakra consideravelmente, mas em contra partida isso parecia esgotá-las levando -as à morte depois de um tempo. Analisando os corpos descobrir que seus órgão internos estavam completamente derretidos e eu também não encontrei nada como sangue em suas veias para analisar, este parecia evaporar de seus corpos..."
-Que tal eu lhe contar os detalhes pessoalmente. -ele estava encostado de forma casual na porta que eu havia deixado aberta. Suas mãos estavam no bolsos da calça, ele vestia uma calça ninja com uma camiseta azul com o símbolo de seu clã, o cabelo estava preso no rabo de cavalo baixo de sempre. E apesar de ser uma cena simples meu coração disparou quando este me olhou e desencostou da porta vindo até mim, exalando uma masculinidade invejável.
-Perfeito. Como está se sentindo? Descansou?
-Estou bem, e descansei bastante. -eu empurrei a cadeira até minha mesa e coloquei o relatório sobre a mesa. -Podemos ir?
-Sim. -ele veio para trás de mim e começou a empurrar a cadeira.
-Me conte como estão os preparativos para o casamento, não tive tempo de conversar com minha mãe.
Ele foi empurrando minha cadeira até o restaurante enquanto eu lhe explicava o andamento das coisas e as perolas de nossas mães juntas. Itachi fez algumas perguntas sobre a lista de convidados mas não fez objeções e pareceu ficar feliz por meu pai ter chamado os outros Kages, e quando eu disse que estava com saudades de Gaara ele me perguntou se eramos muito amigos, eu lhe expliquei que este era um grande amigo de Naruto o que consequentemente nos aproximou, e que sua irmã Temari era uma boa amiga, e ambas mantínhamos contato.
-Nichan. -Sasuke estava indo para o mesmo restaurante que nós acompanhado de sua equipe. -Não sabia que tinha voltado.
-Cheguei ontem, mas você tinha saído em missão. -Itachi explicou.
-Acabamos de chegar, datebayo, estou morrendo de fome. -Naruto alisava a barriga dando enfase no que dizia.
-Naruto-nisan quando você não está com fome?! -ele me olhou e coçou a nuca e riu.
-Esse momento praticamente não existe. -Sakura disse raivosa.
-Hime como está? -Sasuke perguntou educado.
-Bem Uchiha-san e você?
-Muito bem obrigado. -ele acenou para o irmão.
-Bom se nos derem licença minha noiva tem horário de almoço. -todos assentiram e nos despedimos.
Adentramos o restaurante e Itachi pediu uma mesa para dois, e fomos colocados em uma das mesas de canto mas mesmo assim as pessoas não paravam de nos olhar com rabo de olho. Então quando este não comentou sobre a missão eu não fiz objeções pois todos pareciam preocupados demais em ouvir nossa conversa do que em suas próprias vidas.
-Hinata prometeu me ajudar a me arrumar no dia da festa, parece que seu pai enfim aceitou que ela fosse a nosso casamento.
-Que bom que Hiahi-san teve esse bom senso, pois vocês são amigas a anos.
-Acho que foi mais por que meu pai foi falar com ele pessoalmente. -expliquei. -Ele não negaria um pedido do Hokage, até por que ela apenas comparecerá como minha convidada, mas eu fiz questão de deixa-lá do lado de Naruto-nisan na festa. -sorri maligna.
-Ela ainda tem uma queda por ele? -todos na vila sabiam do amor de Hinata por meu primo.
-Um precipício você quer dizer.
-Mas ela não fica nervosa com ele?
-Essa é a graça. -ele negou.
O almoço seguiu dessa forma leve, e apenas quando estávamos novamente em meu novo escritório que Itachi se sentou e me contou o que tinha ocorrido em sua missão. Em resumo sabíamos agora que Orochimaru estava tentando encontrar uma forma de se tornar eterno e estava sequestrando algumas crianças com linhagem de sangue poderosas para fazer seus experimentos nelas, o que possivelmente explicava seu desejo pelos Uchihas.
Eu mal percebi os dias se passando após aquilo. Itachi foi enviado em mais algumas missões, mais nenhuma delas demorava mais que 3 dias e quando a semana do nosso casamento chegou meu pai nos liberou do trabalho.
As semanas que antecederam o grande dia foram preenchidas de formas diversas, já que Itachi fazia questão de me ver todos os dias quando não estava trabalhando, e sempre que voltava de uma missão vinha me ver antes de ir para casa descansar, o engraçado era que ele sempre aparecia nos lugares mais inusitados, como em uma noite que ele chegou de madrugada e entrou pela janela do meu quarto e ficou rindo do meu cabelo bagunçado e de minha cara amassada, mas veio até mim dando-me um beijo de boa noite antes de sair por onde tinha entrado.
Minha mãe e Tsunade-ne-chan tinham vindo conversar comigo sobre como seria minha primeira noite de casada, e o que começou com uma conversa constrangedora acabou se tornando a mais cômica de nossas vidas com minha mãe nos contando as loucuras que ela e minha tia aprontaram na adolescência. E eu até podia imaginar tia Kushina invadindo um banheiro masculino só para ganhar uma aposta.
Quando eu deitei a cabeça no meu travesseiro aquela noite, o fiz com a ideia que aquela era minha ultima noite ali, minha ultima noite como uma garotinha, e minha ultima noite com Lyandra Senju.
