Meus olhos estavam agora embaçados pelas lágrimas que caiam abundantes, me impedindo de visualizar melhor a cena a minha frente, meu coração batia louco e dolorosamente, e a agonia em todo o meu ser era apenas um singelo reflexo do que eu sentia. Minhas mãos tremiam incontrolavelmente, e parecia que respirar era uma tarefa difícil, que só piorou quando senti o gosto da bile subir em minha garganta.
Sakura foi a primeira a notar minha presença, e seu rosto corado deu lugar a um de desespero, e mesmo a distância que estávamos eu podia ver uma pontada de pena em seus olhos, e aquilo me quebrou ainda mais.
Depois disso não consegui segurar a ânsia e me virei para o lado colocando todo o conteúdo de meus estomago para fora. A agonia que antes sentia pareceu se tornar desespero, e eu coloquei a mão em cima do estomago apertando firmemente a roupa ali, enquanto a outra eu apertava a cadeira.
-O que minha esposa faz aqui? -sua voz parecia calma, mas eu já o conhecia bem o suficiente para reconhecer o leve tom de irritação nesta.
-O Hokage-sama me mandou trazê-la até você Uchiha-san. -não voltei meus olhos para ele, eu não queria vê-lo, na verdade minha única vontade era sair dali.
-Entendo, obrigada. -ele disse firme, e o ninja que me trouxe até ali, não disse nada e apenas sumiu me deixando na pior situação em que já estive em minha vida.
Eu queria chorar como se não houvesse amanhã, gritar com ele, bater-lhe, dizer mil e um desaforos, contudo a cena não parava de passar em minha mente como um filme, o abraço, a forma como ele a olhou e agiu. Um estalo, e todos os meus pensamentos foram redirecionados para o culpado certo, eu. Eu era a intrusa ali.
Respirei fundo tentando retomar o controle do meu corpo e me acalmar, e quando senti minhas mãos menos tremulas, passei as costas da esquerda em meus lábios limpando ali, e quando ele e Sakura tentaram se aproximar eu estendi a mão como que os pedindo para parar.
-Estou bem! Me desculpem por isso, eu não estou acostumada com o cheiro dos corpos. -me surpreendi com o quão firme minha voz saiu, então limpei o meu rosto. -Itachi-san, eu preciso ir para o arquivo. Há alguns documentos que preciso confirmar lá, algo está me intrigando.
-Uchiha-hime. -olhei nos olhos dela a estendendo um sorriso tranquilizador, e nem mesmo quando novamente vi a pena em seus olhos vacilei com o sorriso.
-Não se preocupe Sakura-san, eu estou bem. -Itachi se aproximou novamente, agora parando em minha frente, e se inclinou como se para me pegar no colo, então mais rápido de que eu pensei conseguir um dia, girei as rodas da cadeira para trás e a manobrei a virando ficando de costas para ele. -Boa noite Sakura-san.
Empurrei a cadeira saindo de perto deles sem esperar uma resposta ou olhar para trás, mas as pedras e escombros tornaram minha tarefa mais difícil do que eu esperava. Senti a cadeira ser empurrada e soube que Itachi estava ali, então apenas retirei minhas mãos das rodas, e as coloquei entrelaçadas em cima das minhas cochas e o deixei conduzir.
Eu sentia tanta raiva de mim por tudo aquilo, e quando as lágrimas começaram a cair novamente por meu rosto eu as limpei rudemente me sentindo uma completa idiota. Porque eu tinha de ser tão fraca, tão completamente imbecil? Minha vontade agora era de me socar por tudo aquilo, por me iludir e me enganar daquela forma. Pois eu sempre soube que havia algo a mais com sua decisão de se casar comigo, e Itachi nunca mentiu dizendo que me amava ou que gostava de mim, e todo esse tempo apenas me tratou como sua esposa, cumprindo o papel que me prometeu, só e apenas isso, eu que me acomodei com isso e criei uma vida perfeita. "A pior mentira é aquela que contamos para nós mesmo!" Nunca um ditado fez tanto sentido para mim como esse fazia agora.
-Ly... -não o deixei falar, só de ouvi-lo eu já queria chorar de novo.
-Itachi-san, podemos... Me desculpe. -apertei minhas mãos fortemente uma na outra. -Sei que está cansado. Na verdade eu não consigo nem imaginar o que você passou hoje...
-Lya...
-Eu não quero conversar com você Uchiha Itachi. -minha voz saiu mais carregada do que eu pretendia, e por um momento ele parou a cadeira. -Apenas por favor, me deixe no arquivo. -suavizei a voz, o ouvi respirar um pouco mais fundo e voltar a empurrar a cadeira.
Uma leve chuva começou a cair, e ao olhar ao meu redor e perceber a destruição ali me vi pensando que eu encarava naquele lugar meu próprio coração. Itachi parou mais uma vez, e quando me dei conta ele veio até mim para colocar o sobretudo preto que antes usava, mas antes que me alcançasse eu bati de leve em sua mão com as costas da minha e pela primeira vez nossos olhos se encontraram.
-Você está doente. -ele me olhava intensamente, então sustentei seu olhar indiferente.
-Podemos por favor ir? Há muita coisa que eu preciso rever. -ele ainda ficou me olhando e quando fez menção de falar algo novamente eu mesma comecei a empurrar a cadeira.
Depois disso ele não tentou mais falar comigo, e eu passei a apreciar o frio e a água que caia do céu agora mais forte, imaginando se essa poderia lavar minha alma e levar para longe de mim os problemas que agora me afligiam.
Chegamos ao prédio do Hokage bem mais rápido do que eu imaginei ser possível, e ele se dirigiu para minha sala.
-Pode ir, você deve estar cansado, e eu...
-Não sairei do seu lado. -apertei mais firme a cadeira, e apenas afirmei com a cabeça sem olhá-lo.
Procurei me concentrar no real motivo de estar ali e esquecê-lo, esquecer de meus sentimentos e de meu ser quebrado, eu tinha uma tarefa ali, um dever com minha família, amigos e acima de tudo com minha vila. Todos tinham lutado bravamente, e muitos perderam suas vidas então se eu pudesse fazer algo eu faria.
Me dirigi diretamente para o local onde ficavam guardados as correspondências que meu pai recebia como Hokage, eu não as lia, apenas as arquivava. Mas quando li o arquivo de Itachi e o vi citar que Orochimaru tinha viajado por diversos países, me vi intrigada com o porque daquilo, então imaginei que assim como meu pai os outros Kages também estivessem investigando aquilo, e eu precisava de todas as informações que pudesse.
Não sei quantas horas passei ali lendo vários tipos de bilhetes, e alguns eram bem estranhos, como o de Killer Bee pedindo a meu pai para deixá-lo fazer um show em nossa vila, contudo alguns me intrigaram, como o bilhete de Gaara pedindo a meu pai que enviasse sua melhor ninja médica (minha irmã) para sua vila, pois esta estava tendo um surto de gripe entre seus ninjas, e os medi-nin não estavam conseguindo encontrar uma cura, e algumas pessoas já tinham morrido.
-Não pode ser. -tapei minha boca e meu coração disparou louco e aflito, eu precisa urgentemente encontrar meu pai.
-O que houve? -Itachi se prostrou preocupado ao meu lado.
-Preciso que vá até meu pai e o peça para juntar o conselho, precisamos nos reunir urgentemente. -ele me olhou e percebendo o quão seria eu estava afirmou sumindo rapidamente.
Arrumei tudo que eu precisava em uma pasta, aquela não seria uma conversa fácil, e aqueles velhos provavelmente não dariam atenção as minhas suspeitas, e eu precisava convencê-los de que estava certa, ou mais pessoas poderiam morrer.
-Temos 15 minutos antes da reunião começar. -Itachi apareceu do nada e eu me assustei.
-Obrigada. -tentei passar por ele, mas ele segurou a cadeira.
-Primeiro, eu irei com você. -o olhei sem perdida, ele sabia que só eram permitidos os conselheiros na sala de reunião, a menos em épocas de guerra, onde eram nomeados ninjas "sombras" para proteger cada conselheiro.
-Você não... -eu exasperei.
-Seu pai me nomeou para lhe proteger.
-Mas você é o ninja que protege Madara. -eu sabia que ele era o único que o tio confiava para ter ao seu lado.
-Meu tio não se importou. Até porque agora somos casados, é mais do que obvio eu querer proteger minha esposa. -respirei fundo me acalmando, ele estava certo, por mais que eu estivesse perdida sobre o que fazer agora, eu era sua esposa, e ele nunca me tratou por menos que isso.
-Certo. -tentei empurrar a cadeira mas ele a continuou segurando.
-Segundo, você vai trocar essa roupa molhada. -eu e a abrir a boa para dizer que não tínhamos tempo quando ele continuou. -Já deixei uma roupa para você no banheiro. -fiz que sim.
Não me surpreendi ao entrar no banheiro e dar de cara com uma roupa minha, ele provavelmente sabia que eu não me sentia confortável vestindo nada dele. Assim como também não aceitaria sua ajuda para me vestir.
Quando terminei de me vestir joguei uma água no rosto e um punhado na boca tentando tirar qualquer resquício do vômito dali. E sabendo que provavelmente já estava atrasada sai do banheiro o encontrando encostado na parede ao lado da porta. Itachi veio até mim e me entregou a pasta que eu havia arrumado para levar para a reunião, e foi para trás de mim e passou a empurrar a cadeira.
As reuniões aconteciam no ultimo andar do prédio do Hokage, e pelas vozes alteradas ali eu sabia que aqueles velhos estavam revoltados.
-Você tem noção que não podemos nos dar ao luxo dos caprichos de uma criança Hokage-sama? Temos nossos clãs para organizar, e muitas pessoas... -Hiashi parou assim que eu entrei e me olhou com desdém. -Enfim resolveu aparecer Uchiha-san.
-Boa note a todos, peço desculpas pelo meu atraso. -não lhe dei atenção e já me dirigia para meu lugar a mesa quando outras vozes se alteraram na sala.
-Quem você pensa que é menina, só por que é a filha do Hokage e agora uma Uchiha, acha que pode nos fazer de palhaços, temos uma vila... -Juichi Yahiko um dos mais velhos conselheiros começou a esbravejar, mas meu pai o interrompeu.
-Ela é uma...
-Com todo o respeito, sabemos que ela é sua conselheira Hokage-sama, mas isso não há dá o direito... -Shuijy engoliu em seco e falou com meu pai mais baixo depois do olhar que Madara o mandou. -De nos convocar. Temos muita coisa para resolver e a cidade está um caos.
-Se vocês pararem de reclamar sobre o óbvio, talvez pudéssemos resolver isso rápido para que voltem para seus afazeres. -empurrei a cadeira com raiva e fui para meu lugar na mesa. Eu não estava no meu melhor dia para aguentar um bando de velhos. -E eu os chamei aqui porque descobri que esse ataque provavelmente foi planejado a um bom tempo...
-Isso todos nós já sabemos criança, não... -olhei para Hiashi com ódio, e assim como ele fez comigo eu também o cortei jogando a pasta em cima da mesa com toda a força causando um barulho enorme ali.
-O que é isso Uchiha Lyandra, você esqueceu sua educação hoje? -Yahiko me perguntou revoltado. -No mesmo lugar onde vocês esqueceram a de vocês. -tio Minato me olhou incrédulo, e talvez um pouco divertido, até Madara se empertigou na cadeira. Eu nunca tinha enfrenado nenhum conselheiro, geralmente só dava minha opinião e os deixava falar a vontade. -Agora se puderem me deixar falar eu agradeceria. -olhei séria para meu pai que afirmou com a cabeça me mandando continuar. -Se derem uma olhada nessa pasta e lerem o relatório de Uchiha Itachi, vão perceber que ele teve de viajar por vários países nos últimos meses atrás de Orochimaru. -respirei fundo me controlando para não explodir com os olhares de deboche que recebia. -Então eu me perguntei o que faria Orochimaru viajar por vários países para recrutar novos ninjas, e só então percebi que ele não precisaria viajar para isso. Daí passei a investigar, e lendo algumas correspondências encontrei essas 3 que me intrigaram. -separei elas e passei para tio Minato, Madara e Hiashi. -São pedidos do Kazekage, da Mizukage e do Raikage, todos solicitando ajuda para conter uma epidemia. -eles me olharam e Minato foi o primeiro a se pronunciar.
-Você acha que isso está interligado?
-Konoha também está sofrendo com essa epidemia, mas Tsunade-nesama desenvolveu uma cura.
-Mas porque deixar a população doente? -Madara perguntou curioso.
-Preciso confirmar ainda Madara-sama, mas pelo que vi hoje, essa doença só afeta pessoas que manipulam chakra. -ele me olhou curioso. -Só vi crianças em idade de acadêmia e Shinobis doentes hoje.
-Então porque não estamos doente? -Hiashi perguntou-me petulante.
-Imagino que os presentes aqui não costumem caminhar pelo centro da cidade com frequência, nem apertar as mãos de outros com as mão limpas. -eles se olharam entre si. -Mas preciso alertá-los que devem levar todos os doentes de seus clã para o hospital, pois muitas pessoas já morreram em Suna, e imagino que a mesma coisa tenha acontecido aqui sem que nos dessemos conta. -eles me olharam surpresos.
-Você está dizendo que Orochimaru deixou nossa vila doente para ataca-lá? -Yahiko me perguntou incrédulo.
-Estou dizendo que a Akatsuki fez isso. Orochimaru sozinho não conseguiria. E algo me diz que a nossa vila foi só a primeira, um teste. -todos continuavam me olhando.
-Então o que sugere? -meu pai me perguntou cansado. -Não podemos simplesmente enviar uma mensagem para Suna, elas seriam interceptadas.
-Temos de responder ao chamado de Suna, mesmo o Kazekage sendo um amigo, se seu povo está morrendo e Konoha não responder a seu chamado, ele não terá escolha a fechar as portas para nós, seu conselho não nós perdoaria por isso. -todos ficaram em silêncio com as palavras de Madara.
-Não podemos enviar Tsunade-san nas condições dela. -tio Minato se pronuncio.
-Qualquer um menos que ela seria visto como uma afronta a Suna. -Hiashi comentou. -Ela é a melhor ninja médica.
-Eu vou, e levarei Haruno Sakura comigo, ela é a melhor pupila de Tsunade-nesama. E como todos sabem que minha irmã está grávida, vão entender se eu for. Eu não sou só a Hime-sama filha do Hokege, mas também a Hime do clã Uchiha. Ninguém em Suna se sentirá ofendido por não mandarmos a melhor ninja se a princesa da Vila da Folha se arriscar para chegar lá depois do atentado a sua própria vila.
-Não podemos nos dar ao luxo de enviar um batalhão com você. -Yahiko disse raivoso.
-Eu só preciso de 5 ninjas comigo, contando com meu marido e a própria Haruno-san. -Hiashi foi o primeiro a rir debochado.
Eu empurrei a cadeira quatro passos para trás e segurei firme em suas laterais, dando o impulso que precisava para levantar, e todos me olharam espantados segurando as respirações quando dei o primeiro passo, ainda consegui dar mais um, mas no terceiro me desequilibrei e senti mão fortes firmarem em minha cintura me mantendo em pé.
-Se estão preocupados por eu não poder andar, e pelo fato dos ninjas precisarem me carregar até Suna, deixe-me lembrá-los de que eu não sou uma ninja, e que isso mostraria ainda mais o empenho de nossa Vila para manter a amizade que temos com Suna. -Itachi me manteve firme junto a si. -Mas se estão preocupados com minha segurança, não preciso lembrá-los de quem meu marido é. -debochei.
-E quem seriam os outros ninjas? -meu tio perguntou.
-Gostaria que Sasuke e Naruto fossem comigo, e claro se Hiashi-sama permitir, gostaria de levar Hinata, ela e Neji são os melhores rastreadores.
-E porque não Neji? -Hiashi me perguntou curioso.
-Penso ser mais prudente que Neji, Shikamaru, Kakashi e Ino irem juntos com Minato-san para a Kirigakure. Ino é a segunda pupila de Tsunade-nesama, e Minato é o futuro Hokage de Konoha, então a Mizukage o receberia de braços abertos.
-Você quer mandar os melhores ninjas para outras vilas? -Yahiko debochou.
-O titulo de melhor ninja ainda é do Hokage-sama. -sibilei e Madara sorriu maligno. -Sem falar que Madara-sama é tão forte quanto meu pai. A vila não ficará desprotegida.
-Hinata e Neji estarão a espera de suas ordens Hokage. -Hiashi se pronunciou.
-Vocês partirão ao amanhecer. -meu pai nos olhou e assim com Itachi eu afirme com uma breve reverencia. Eu sabia que ele estava cansado demais e aqueles velhos ali não estavam ajudando em nada.
A reunião ainda durou alguns minutos até que acertássemos todos os detalhes daquela viagem, talvez por isso eu tenha me admirando quando olhei na sala de minha casa o relógio de parede que ainda marcava 23:47 da noite. Aquele tinha sido um dia realmente longo.
Fui para o banheiro tomar banho primeiro e enquanto me afundava na banheira me dei conta do colar em meu pescoço, o colar Uchiha, o toquei e mordi os lábios para não chorar. Eu não deveria usar aquilo, aquilo não deveria me pertencer, e com esse pensamento o retirei de mim.
Sai do banheiro em silêncio, e vi quando Itachi se dirigiu para este quando saí, então me encaminhei para a varanda de casa e fiquei ali pensando em absolutamente nada, quando me assustei com sua voz atrás de mim.
-Precisamos conversar. -ele se sentou na cadeira de balanço ao meu lado e eu suspirei.
-Me desculpe, mas eu não quero conversar com você. -o olhei e ele apenas levantou a sobrancelha como sempre fazia quando estava curioso, me esperando continuar. -Pelo menos não hoje. Por favor, eu preciso de um tempo para pensar. -ele apenas maneou a cabeça. -Mas queria te devolver isso. -abri minha mão e mostrei o colar Uchiha ali, e o direcionei para ele. -Minha mãe me explicou que isso só é dado por um Uchiha para a mulher que ele ama.
-Você é minha esposa...
-Mas não sou a mulher que você ama. -ficamos nos olhando, e aqueles olhos negros pareiam querer me tragar para sua escuridão.
-Eu o dei a você, então ele é seu. -ele se levantou, e ficou de costas para mim enquanto dava passos para sair dali. -Não precisa o usar se não quiser, pode até jogá-lo fora, contudo, lembre-se do seu real significado para mim, do que eu disse a você quando lhe dei. Mas acima de tudo, lembre-se, eu sempre cumpro minhas promessas. -ele não se virou e apenas continuou adentrando. -Boa noite Lya.
-Boa... -ele saiu me deixando ali sozinha com meus pensamentos.
Fiquei ali olhando para o colar ainda na palma de minha mão sem decidir o que fazer. Eu entendia o por que dele está comigo, entendia o porque de Itachi ter se casado comigo, no momento em que o vi com a Sakura as peças que faltavam se encaixaram rapidamente em minha cabeça. Itachi assim como toda a vila sabia do amor de Sakura por Sasuke, mas Sasuke tinha sido prometido a mim, e diferente de mim, Itachi sabia disso, assim como sabia que Sakura sofreria pelo resto de sua vida se eu e Sasuke nos cassássemos. Quando meu acidente aconteceu ele deve ter pensado que era a oportunidade perfeita, ele se casava comigo que o amava, e Sasuke ficava livre para Sakura, e assim ela seria feliz, assim como seu irmão poderia ser, pois que homem não seria feliz com uma mulher como Sakura, ela não só é linda, como é gentil, forte e inteligente.
Apertei o colar em minha mão com força, e me deixei chorar mais uma vez, chorar o quanto pudesse, pois depois eu deveria colocá-lo em meu pescoço de novo, entrar ali e dormir ao seu lado, voltar a ser Lyandra Uchiha, pois Uchiha Itachi nunca havia mentindo para mim, ele havia me dito que amava outra, e eu o aceitei sabendo disso, então não podia simplesmente ser idiota agora. Já havia sido o suficiente quando o tentei devolver o colar, sabendo que ele nunca poderia dá-lo a mulher que realmente ama, já que ela provavelmente pertenceria a outro Uchiha, a seu próprio irmão.
