-Meu nichan nunca vai se apaixonar como você! -meu otouto disse emburrado e Shisui se debruçou sobre ele se abaixando como se fosse lhe contar um segredo.

-Sabe Sasuke, todas as pessoas um dia se apaixonam, e nós Uchiha's não somos exceção, a diferença é só quando e por quem. -meu irmão inflou as bochechas de forma engraçada. -Nos tornamos mais fortes quando temos alguém para proteger. O Itachi se tornou forte para proteger seu pequeno otouto, mas um dia ele será mais forte para proteger a sua própria hime, assim como eu. -ele disse rindo e eu o olhei sem entender, assim como o pequeno Sasuke que o fitou de esgueira.

Fui tirado de meu sonho/lembrança quando senti algo se remexer em meus braços e abri um olho a tempo de vê-la se levantar apressada. Será que está enjoada de novo?

-Banho, calor. -ela me disse e só aí eu percebi o quanto estava suada, então afirmei e voltei a fechar o olho.

Precisava tirá-la de Suna rápido, o calor daquele lugar a estava afetando e ela vinha ficando cada vez mais cansada, então quanto mais tempo demorássemos ali mais difícil seria para levamos ela de volta. Não que esse fosse meu real motivo para isso...

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Saímos naquela mesma tarde após o almoço, e só à pouco tínhamos por fim atravessado o deserto, e agora mantínhamos a mesma formação de antes, e mesmo já começando a escurecer eles não pareciam querer parar. Eu estava preocupada, Itachi tinha se mantido silencioso todo aquele caminho (na verdade todos estavam silenciosos), não que ele já não fosse uma pessoa normalmente calada, contudo, o jeito como ele parecia conversar com Sasuke só pelo olhar e como ele parecia extremamente concentrado e alerta a tudo estava me assustando.

Enlacei mais apertado seu pescoço e passei o nariz vagarosamente ali sentido seu cheiro almiscarado, e sorri ao ver que ele ainda se arrepiava com aquele contato, então levei meus lábios e dei um pequeno beijo, para depois ficar brincando com as unhas em sua nuca.

-Vai me dizer o que está lhe preocupando tanto? -ele continuou em silencio.-Tem haver com Orochimaru? -o ouvi estalar a língua no céu da boca.

-Lyandra você prometeu...

-Prometi que não me envolveria nisso, e nem por um momento eu pretendi quebrar minha promessa, mas não me peça para não ficar preocupada com você. -ele novamente nada disse por um bom tempo eu esperei quieta, mas quando percebi que ele não falaria nada eu me irritei. -Não insulte minha inteligencia Uchiha Itachi, desde que o Gaara-kun te chamou para aquela conversa que você vem agindo dessa forma. Se não puder me contar eu vou entender, mas não aja como se eu fosse de vidro, eu não vou quebrar Itachi. -vi seu rosto ficar mais tenso então resolvi mudar de tática. -Sabe Tachii. -ele respirou fundo. -Temos três dias de viagem, eu posso te infernizar até Konoha, eu realmente não ligo amor. -eu podia jurar que ele estava revirando os olhos nesse momento e acabei rindo.

-Subaku-san me chamou para conversarmos sobre um possível espião.

-Kankurou-san? -ele deu um meio sorriso.

-Então você também acha isso. -eu fiz que sim.

-Foi muito conveniente ele está em missão quando todos começaram a ficar doente. -expliquei e ele afirmou. -Mas quando eu fui sequestrada eu me perguntei como aqueles caras tinham entrado na cidade. Mesmo com a baixa de ninjas não seria possível que eles circulassem em uma cidade como aquela sem que você e Sasuke-kun percebesse, na verdade, foi exatamente por esse motivo que eu pedi a vocês dois que patrulhassem a cidade.

-Eles pareciam conhecer a cidade bem demais, os horários que patrulhávamos e nunca estavam onde íamos, muita coincidência não? -fiz que sim. -Porém Subaku-san me chamou para avisar que o tal Hidan tinha se matado.

-Mas isso é...

-Impossível. Meu ganjutsu, o Tsukuyomi, me permite distorcer a percepção de tempo e espaço de quem é atingido por este, o torturando de diversas formas, pois faz com que ele pense que está passando anos de tortura, quando na verdade se passaram apenas alguns segundo, e isso o impediria de se mexer, quanto mais se matar. -Itachi estava mais sério. -Sem falar da fama de imortal que o precedia. Por isso eu fui averiguar a situação com eles, a sala havia sido implodida e haviam minhares de pedaços de Hidan por todo o lado. Quem fez aquilo quis ter certeza que Hidan jamais pudesse se reconstruir. Bem como acabando com qualquer possibilidade que tivéssemos de interrogá-lo.

-Só uma coisa não se encaixa nisso tudo. -me exasperei e ele esperou que eu continuasse. -Se Kankuro-san fez de tudo para matar os irmãos e se tornar o Kazekage, porque não ir atrás de Saki-chan que estava produzindo a cura? Porque arriscar tudo para me pegarem?

-Lya...

-Não Itachi, eu sei que de algum modo você sabe, posso não ter percebido no começo que me tirou de Konoha para me proteger, mas se quando saímos de Konoha você já sabia que eu estava grávida e mesmo assim me tirou de lá, só posso imaginar que lá era bem mais perigoso para mim. -respirei fundo. -Sei que não pode me contar e entendo bem isso, você é um ninja que deve manter segredo de mim quando lhe é obrigado, por isso estou tentando entender, mas por mais que pense eu não consigo ligar as peças. Se Suna era mais seguro para mim do que Konoha, porque você ficou desesperado para me tirar de lá esses últimos dias? Não foi pelo que aconteceu comigo, pois com toda a certeza ninguém mais iria tentar algo contra mim depois de você ter destruído boa parte da cidade. -ele pareceu ponderar sobre o que eu dizia.

-O país da Água caiu. -eu paralisei, como assim o país caiu. -A Vila Oculta da Névoa foi dizimada um dia antes do seu atentado, a maioria de seus ninjas já tinham sucumbido a doença, então após isso Orochimaru matou o imperador e tomou seu lugar, e todos os Lordes que foram contra o novo imperador, foram mortos e suas cabeças expostas como um aviso, então todos os outros se curvaram perante ele. -uma nação completa, ele destruiu uma nação inteira e agora era dono dela, eu não podia acreditar.

Itachi parou e os outros logo apareceram ao nosso lado.

-Montem o acampamento, eu vou levá-la para se refrescar. -todos assentiram, mas eu mantive meu rosto escondido em suas costas, eu sabia que tremia, sabia que chorava, mas o medo estava me dominando de uma forma incontrolável. -Lya... -ele chamou carinhoso quando parou e eu me soltei dele descendo de suas costas.

Ele se virou e me abraçou alisando minhas costas e cabeça.

-Eu vou proteger vocês amor. -ele puxou meu rosto para cima e me beijou de leve, e aquilo me assustou ainda mais, eu sabia que ele morreria por mim, e eu não queria isso, eu não sabia se suportaria isso. -Não me olhe assim, eu não pretendo morrer e te deixar sozinha com nosso filho. Eu não posso proteger vocês se morrer não é? - o beijei com mais vontade, e comecei a abrir seu colete de uma forma meio que desesperada, minhas emoções estavam a mil, o medo de perdê-lo estava afetando meus pensamentos, eu precisava senti-lo, sentir que ele estava aqui. -Lya... -ele arfou e me ajudou a tirar sua roupa.

Itachi forrou o chão com sua camiseta e me deitou calmamente sobre ela. Ele não teve pressa ao me tocar, como se me mostrasse que estava ali, ele entendia como eu me sentia, e me mostrou a todo o momento que estava ao meu lado e que sempre estaria, e quando me penetrou me fazendo arfar manteve a todo o momento seus olhos nos meus enquanto eu embrenhava minhas mãos em seu cabelo.

-Eu amo você Lyandra. -ele me disse enquanto me estocava com certa brutalidade me fazendo arfar de prazer.

Tomamos um rápido banho antes de voltar, comemos uma sopa que Sakura tinha feito e fomos dormir. Itachi tinha pegado o ultimo turno da noite e Naruto o primeiro.

-Está assustada? -ele perguntou baixinho no meu ouvido me abraçando contra si.

-Um pouco. -admiti. -Parece que não há mais um lugar seguro. -me virei para ele. -Se Orochimaru conquistou um país ele com toda a certeza não vai para por aí. -ele alisou minha cabeça e beijou minha testa com carinho.

-Não, com toda a certeza não vai. -sua voz estava calma e tranquila, como se não se importasse com aquilo. -Mas isso não quer dizer que ele vá conseguir não é? Ou pelo menos, não vamos deixá-lo ganhar tão facilmente. -ele sorriu e eu acabei sorrindo também.

-Não, não vamos.

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-Ele destruiu boa parte da cidade. -exasperou-se Tobirama.

-Pelo menos não foi ela toda. -eu disse displicente e Madara sorriu de lado.

-Isso não tem graça Hashirama. -dei de ombros, e Megumi sorriu, a dias ela sorria, na verdade ela sorria desde que lhe contei sobre a gravidez de nossa filha.

-O importante é que eles estão bem. -Madara comentou prático. -Sem falar que agora temos dois membros a menos da Akatsuki para nos preocupar.

Levei o garfo com macarronada a boca me deliciando com o sabor da maravilhosa comida de minha mulher. Estávamos os quatro a mesa almoçando depois de uma exaustiva reunião do conselho, e devo admitir, minha filha fazia falta ali. Madara não tinha muita paciência, Tobirama era obcecado pelas leis, Hiashi só pensava no seu próprio clã, e Minato parecia analisar tudo que lhe era dito, mas não havia aberto a boca uma única vez, sem falar nos outros que ficavam num blá blá blá interminável e não decidiam nada.

-Eles estão voltando não é? -Megumi perguntou animada.

-Provavelmente, não é mais seguro para ela ficar lá, aqui será mais fácil protegê-la. -bebi de leve o suco.

-Depois do que aconteceu em Suna ela deve ter ligado os pontos. -Madara bufou. -Aquele maldito fez questão de deixar obvio que a quer.

-Uchiha Itachi... -Tobirama começou a dizer ficando branco.

-Ele não contará, não importa o que aconteça ele manterá a palavra e não falará nada a ela. -Tobirama suspirou aliviado.

-Já passou da hora de contarmos a ela Tobirama... -eu comecei.

-Não, temos um acordo Hashirama, ela nunca deverá saber. -ele disse livido e me limitei a suspirar, aquilo logo não seria mais uma questão de escolha, não com Orochimaru a espreita.

-Não sei quanto a isso, mas não acho que preciso lembrá-los que não teremos como manter em segredo sobre a gravidez dela por muito tempo, a barriga dela crescerá logo. -Megumi disse raivosa. -Se ele já causou todo aquele problema em Suna só para tê-la, o que não fará quando descobrir que ela está grávida. -todos ficamos em silencio, Megumi estava certa, o cerco estava se fechando e tínhamos muito pouco tempo para achar uma saída.

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Foi impossível não sorri quando por fim vi os portões da vila, o barulho das conversas animadas e a gritaria alegre das crianças, enfim havíamos chegado em casa. Sabia que primeiro tínhamos que nos reportar ao Hokage, por isso não estranhei o caminho que Itachi tomou, e meu coração palpitou frenético ao ouvi um "Entre" de meu pai quando meu marido bateu na porta de sua sala.

-Sejam bem vindos. -ele disse sorridente, e Itachi que me trazia no colo me colocou no chão, fazendo meu pai piscar alarmado, enquanto todos os outros o cumprimentavam.

Eu ainda podia me lembrar da nossa ultima conversa, do jeito malcriado que o tratei, é claro que eu devia-lhe no mínimo desculpas, mas quando comecei a caminha ao seu encontro vi esse me olhar assombrado, então apenas pulei em seu pescoço o abraçando.

-Estou de volta pai. -ele me abraçou forte.

-Bem vinda minha pequena, fico muito feliz que esteja bem. -ele alisou minha cabeça. -Obrigado por cuidar dela Itachi. A todos vocês.

-Pai me desculp...

-Esqueça isso. Eu estou tão feliz que você voltou a andar. -ele me afastou de si feliz. -Que tal assustamos sua mãe hoje a noite, vocês podiam jantar lá em casa. -fiz que sim feliz. -Mas antes passe na sua irmã, ela esteve muito preocupada com você.

-Sim. -disse sorrindo.

-Bom, agora me contém como foi a missão. -ele pediu agora sério.

Itachi entregou um pergaminho com seu relatório e explicou por cima tudo que havia feito, assim como após ele um a um fizeram, e no fim foi minha vez. Não discutimos sobre nossas suspeitas, mas eu não deixaria de abordar meu pai hoje a noite sobre isso, eu não ficaria no escuro novamente, e se Itachi não podia me contar o que estava realmente acontecendo eu daria um jeito de descobrir sozinha, há se daria.