Entrei na sala com tudo, e percebi que seu irmão já não estava mais ali, mas que se dane, eu não me importaria nem um pouco se ele estivesse. E como se me ouvindo ele saiu da cozinha ao meu encontro.

Joguei a pasta em cima dele com todas as forças que tinha e as folhas ali se espalharam como água pelo chão ele me olhou curioso ainda tentando entender o motivo de minha raiva, lágrimas grossas descem por meu rosto e a raiva me consome cada vez mais, chego a tremer com as mãos fechadas em pulho e sua surpresa se torna preocupação.

-Lya...

-Como pode Uchiha? Como teve coragem... -ele tenta se aproximar de mim cauteloso. -Não se aproxime, não ouse se aproximar de mim NUNCA MAIS. -gritei a plenos pulmões e mesmo assim sua face só continha preocupação.

-Lya por Kami se acalme... -ele pisou sobre as folhas ali sem se importar com elas, mas porque deveria, ele sabia melhor do que eu o que havia ali.

-Vá para o inferno Uchiha! -desdenhei.

-Lyandra o bebê. -eu dei dois passos para trás quando ele ficou perigosamente próximo.

-É só isso que lhe importa não é? -chiei raivosa. -Me diga Uchiha, qual sua diferença de Orochimaru? Por que para mim vocês são iguais. -comecei a puxar a aliança de casamento do meu dedo com força.

-Lyandra se acalme e me diga o que está havendo.

-Porque Uchiha, porque não me disse, porque escondeu isso de mim? -coloquei a mão no meu ventre volumoso, e olhei ao redor perdida, para onde iria, eu não tinha nada, toda a minha vida tinha sido uma mentira. Joguei a aliança em seu peito. -Eu não quero você perto de mim nunca mais, nenhum de vocês.

Cai de joelhos no chão chorando, a raiva dando lugar ao desespero dentro de mim. E só nesse momento eu percebi, eu não tinha ninguém em quem confiar, eu não tinha mais nada.

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Faziam agora pouco mais de quatro meses que havíamos voltado de Suna, e desde que pisei os pés em Konoha eu havia procurado algo que me explicasse o motivo de Orochimaru me querer, e por mais que eu procurasse eu não achava nada, nem uma misera linha de informação. Eu já havia revirado todo o arquivo, já tinha invadido a sala de meu pai e vasculhado em seus documentos (o que me rendeu uma boa briga com Itachi que anda me seguindo feito uma sombra), já tinha até encontrado compartimentos escondidos no guarda-roupa de casa, mas nada. Eu estava frustrada, tremendamente revoltada por que todos pareciam saber o que estava acontecendo e ninguém me dizia nada.

Meu pai não me deixará voltar a trabalhar, apenas solicitava minha presença em algumas reuniões do conselho, porém nada além disso. Me dizendo que eu estava grávida e que precisava me cuidar, e que este não se perdoaria caso algo acontecesse a seu neto. Quase tive um acesso de raiva por causa disso.

Minha única distração nesses tempos foi o nascimento de Ayume minha pequena sobrinha, que é coisinha mais linda que eu já tinha visto. Ela nasceu em meio há um dos ataques frustrados de Oroshimaru a vila, trazendo grande alegria para todos da família, inclusive para Dan que não para de mimá-la.

Orochimaru já tentou invadir a vila umas 5 vezes até agora, mas Madara e papai pareciam estar sempre a frente dele, e isso fez com que as baixas fossem diminuindo até que na ultima batalha não houve um morto sequer do nosso lado, alguns feridos sim, mas mortos não.

Itachi não saiu em missão nem uma única vez desde que voltamos de Suna, e da única vez que o perguntei sobre isso ele me respondeu que não me deixaria sozinha e que gostaria de acompanhar a minha gravidez de perto, mas todos os dias ele treina no quintal de casa, o que me deu mais certeza de que ele estava ali para cuidar de mim, não por causa do bebê mas por causa de Orochimaru. Mas eu sabia que ele nunca me confirmaria isso, então também não o perguntei mais nada.

Me virei na cama e mordi de leve seu pescoço o fazendo sugar o ar com gosto, e passei a arranha de leve suas costas enquanto descia os beijos por seu tronco nu. Com o passar dos meses meu desejo por ele só tinha aumentado, e ambos já evitávamos dormir com muita roupa, tanto que ele não teve dificuldade em afastar minha calcinha, assim como eu tinha afastado sua cueca para aperta seu membro o ouvindo gemer rouco. Itachi levantou minha perna e eu me ajeipuxando meu corpo mais contra si aumentando a penetração. Como eu amava quando ele e a mais fundo e forte me mostrando o quanto me desejava.

Ambos respirávamos entrecortados e mesmo assim ele me beijou e sorriu maroto.

-Bom dia amor!

-Bom dia Tachii. -sorri também, eu já não me envergonhava com isso a um bom tempo. -Dormiu bem?

-Muito e você? -fiz que sim. -A dor nas costas diminuiu?

-Sim, obrigada pela massagem.

-Sempre que precisar. -ele me deu um selinho e sorriu carinhoso. -Agora vamos que você precisa comer. -fiz bico, eu ainda queria ficar na cama por um tempo. -Vamos pequena, nada de preguiça, ainda temos que fazer compras hoje. -suspirei cansada e me levantei resmungando e ele riu.

Eu estava agora com seis meses, e a barriga já me atrapalhava em várias coisas, tanto que Itachi era quem me ajudava a calçar os sapatos e a pegar qualquer coisa no chão. Itachi era extremamente cuidadoso com tudo, e ao menor sinal de que eu estava sentindo algo ele já estava ali para me ajudar em tudo que eu precisasse e parecia sempre saber mais do que eu sobre a gravidez, o que era meio tosco.

-Você quer algo em especial? -ele me perguntou quando começamos a comer algumas bolachas no café e eu fiz que não. -Você não sentiu nenhum desejo ainda. -ele estava preocupado com isso a dias.

-Tachii você não me deixa faltar nada, então o que eu poderia desejar. -ele me deu um meio sorriso. -Mas prometo que se eu sentir o mínimo desejo por algo eu peço a você.

Depois do café fomos fazer compras na feira da cidade. As pessoas sempre se mostravam solicitas comigo, e Itachi não me deixava se afastar dele por nada, e estava sempre com um braço em minha cintura e atento a tudo ao nosso redor.

-Bom dia meu filho, Lyandra-san. -a voz gentil me cumprimentou e eu me virei sorrindo para minha sogra.

-Bom dia Mikoto-san como vai? -ela me sorriu.

-Vou bem, e vocês? -Itachi me soltou indo até a mãe pegando sua mão e a beijando.

-Bom dia minha mãe!

-Estamos bem!

-Me acompanham nas compras? -ela perguntou animada e sorri confirmando. -E como vai meu neto? -ela se aproximou de mim e eu alisei a barriga calma.

Na ultima consulta descobrimos enfim que nosso filho seria um menino, e já até havíamos escolhido um nome, na verdade eu escolhi e Itachi pareceu realmente feliz com a escolha.

-Crescendo forte e salvável.

-Ele mexe muito? -fiz que não um pouco triste.

-Ele quase não mexe, e por mais que eu tente perceber quase não o sinto. -ela confirmou e me sorriu leve.

-Não se preocupe querida, isso é bem normal, quando estive grávida do Itachi eu também quase não o sentia se mexer, na verdade ele não chutou nem uma única vez, sempre foi muito quieto, já o Sasuke não parava um minuto sequer. -acabei rindo mais aliviada, então meu filho provavelmente puxaria o temperamento do pai.

-Fico realmente aliviada em ouvir isso. -peguei suas mãos agradecida.

Fizemos as compras e Itachi carregava tudo (ele nunca me deixava ajudar), e ambos fizemos questão de deixar Mikoto em casa.

-Onde esta meu pai? -Itachi perguntou calmo, e Mikoto abriu um sorriso triste.

-Está em casa. -ela não disse mais nada e meu marido também ficou quieto tornando a situação estranha entre nós. -Sejam bem-vindos. -ela disse assim que chegamos.

Notei que era a primeira vez que entrava ali, e fiquei tremendamente envergonhada.

-Fique a vontade querida, você é da família. -ela me disse e eu tentei sorrir. -Desejam alguma coisa?

-Um copo de água por favor! -eu pedi e Itachi concordou.

-Mikoto... -ele parou na entrada da sala aos nos ver. -Desculpe não sabia que tínhamos visitas. -ele olhou feio para a mulher.

-Acabamos de chegar pai, encontramos a mamãe sozinha no mercado e eu vim lhe ajudar com as compras. -Itachi se colocou na nossa frente.

-Entendo, então porque não ficam para o almoço? -eu não sei se foi eu ou minha sogra que ficou mais chocada, mas meu marido pareceu bastante tranquilo com aquilo.

-Não há necessidade pai, e minha esposa precisa descansar.

-Por isso mesmo Itachi, o caminho até a casa de vocês é longo, almocem e descansem um pouco antes de ir. -eu segurei a mão de meu marido e sorri, e ele apenas afirmou.

-Fiquem, faz tempo que não tenho sua companhia filho. -a mãe quase suplicou.

-Tudo bem. -ele cedeu e eu logo me ofereci para ajudar no almoço, indo para a cozinha com Mikoto.

Itachi ficou na sala com o pai e Mikoto apesar de não me deixar ajudar deixou claro que estava mais do que contente por ter companhia ali. Ela me deu um copo de água que bebi feliz. Ouvimos quando Sasuke chegou e cumprimentou o irmão, era claro a surpresa em sua voz por ter o irmão ali.

-Ele sente a falta de Itachi. -ela suspirou. -Eles sempre foram muito apegados.

-Itachi me contou, ele ama muito o irmão, e a senhora também. Sempre que me fala da senhora ele sorrir lindamente. -comentei tranquila e ela sorriu.

-Também sinto muito a falta dele, ele sempre foi uma criança carinhosa. Tenho certeza que será um ótimo pai.

-Não duvido disso.

-Itachi sempre foi inteligente desde pequeno -Fugaku adentrou a cozinha nos assustando. Foi direto pegar um copo. -Lembro que ele tinha a mania de esconder as coisas mais importantes numa tabua solta do dojo. -ele encheu o copo de água. -Já o irmão mais novo só se limitava em segui-lo para todo o lado. -Mikoto riu amarelo e ele saiu de lá nos deixando sozinha novamente. -provavelmente indo levar a água para o filho mais velho.

-Esses homens sempre silenciosos.

-Itachi me assustava sempre também. -rimos.

Itachi e Sasuke colocaram as coisas na mesa e Mikoto começou a nos servir. O almoço transcorreu pacífico e silencioso, e claro, eu não tive como não elogiar a comida de minha sogra que ficou imensamente feliz. Ainda passamos algum tempo ali antes de Itachi me chamar para irmos e Sasuke se ofereceu para ajudar o irmão com as compras, e assim fomos os três para casa.

-Como andam as coisas com Naruto-nichan Sasuke-kun? Eu não o tenho visto ultimamente. -fazia algumas semanas que ele não me visitava.

-Aquele baka, depois que conseguiu a permissão de Hiashi-san para namorar a Hinata-san vive correndo atrás dela. -ele rosnou.

-Ciúmes irmãozinho? -eu ri com a forma tranquila que Itachi falou.

-Não comece nisan! -Sasuke ficou vermelho me fazendo rir mais.

-E a Saki-chan? A ultima vez que a vi foi na minha ultima consulta.

-Porque está perguntando dela para mim? -ele ganhou um novo tom de vermelho no rosto.

-Por ela ser do seu time?! -disse maldosa. -Ou será que haveria outro motivo para perguntar? -meu marido segurou o riso e fingiu curiosidade.

-Não sei do que você está falando, eu não tenho visto a Sakura.

-Vocês brigaram? -Itachi perguntou fazendo o irmão arregalar os olhos. -Meu otouto não sabe lidar com a namorada. -ele fez uma cara de triste.

-Ela não é minha namorada. -ele rosnou e ambos rimos, era divertido perturbá-lo.

Quando chegamos em casa eles foram para a cozinha e eu disse que ficaria um tempo ali fora pegando um ar, e assim que percebi que os dois se mantinham numa conversa agradável eu fingi caminhar ao redor da casa, e quando passei perto da janela da cozinha comecei a colher umas flores e continuei em frente, me virei para sorrir e acenar para Itachi, e fui em frente.

Meu coração disparou quando cheguei no dojo, podia ser algo idiota e provavelmente eu ficaria novamente frustrada, mas se Fugaku estivesse certo, Itachi tinha escondido as coisas mais importantes ali. Então me abaixei com certa dificuldade e comecei a bater com o nó dos dedos na madeira a procura de algo oco. A barriga não ajudava e o tempo estava passando, eu não podia demorar muito ou Itachi ficaria preocupado e só kami sabia quando eu teria outra chance como aquela.

Quase gritei de alegria quando bati na madeira ao lado oposto da porta e encontrei a tábua meio solta com som oco, e rapidamente a puxei, e as quatro do lado também se abriram. No chão havia uma enorme caixa com vários documentos dentro, e vasculhei-os o mais rápido que pude, até encontrar uma pasta com os símbolo dos Senju gravado.

O puxei com tudo e me pus a lê-lo o mais rápido que pude, e a cada palavra, linha, a cada junção de frases eu me via mais e mais revoltada, eu não podia acreditar naquilo, na verdade eu não queria acreditar, eu não podia se quer cogitar que aquilo fosse verdade, porque se fosse, eu havia sido enganada a minha vida inteira...