Eu estava na maca do hospital e já havia alguns dias, minha garganta doía tanto que parecia que um gato tinha a arranhado por dentro. Eu havia gritado tanta frequência desde que acordei que isso era mais do que normal. Eu não queria vê-los, não aceitaria nenhum deles, não queria ouvir suas desculpas ou melhor, suas mentiras.
Filha de Tobirama Senju, abandonada pelo próprio pai ao nascer e criada pelo tio por pena, ou será que foi só por causa de Orochimaru, será que eles teriam me procurado se Orochimaru não tivesse tentado me pegar?
As lágrimas desciam por meu rosto em um choro silencioso, e eu alisei minha barriga, eu precisava me acalmar, a raiva que tinha sentido me causou um aumento de pressão que pós em risco a vida de meu bebê. Então procurei respirar fundo para me acalmar, e ele se aproximou de mim me servindo um copo de água, que eu orgulhosamente não aceitei, na verdade desde que acordei que fingia que não o via ali. Ele suspirou cansado e colocou o copo ao lado da bancada da cama, e voltou novamente a ficar em pé ao lado da janela.
Estávamos ali apenas esperando Sakura entrar para me dar alta, e ele já tinha desistido de falar comigo quando percebeu que eu não o respondia. Sim eu tinha a mania infantil de não falar quando estava com raiva, mas convenhamos, o que eu falaria, o que eu falaria para o homem que mentiu para mim, o que mais ele não tinha mentindo, será que realmente me amava, ou só estava comigo pelo maldito sangue que corria em minhas veias?
Meu sangue, agora eu sabia o motivo de Orochimaru me querer tanto, o sangue de uma Senju, uma Senju que não sabia se proteger, sim eu entendia, que diferente das outras crianças que tinham sido criadas naquela vida shinobi, eu havia sido criada como uma criança comum até meus 9 anos, o que tornava impossível para mim me tornar uma ninja, mas o sangue daquela poderosa linhagem ainda circulava em minhas veias, e era isso que Orochimaru queria, muito mais agora, pois nesse momento eu era um belo prêmio para ele, pois a criança que crescia em meu ventre tinha a junção dos nossos sangues. Uchiha e Senju, o quão forte aquela criança não seria?
-Boa noite. -Sakura entrou no quarto e eu dirigi-lhe apenas um aceno de cabeça. -Vim lhe dar alta Lya-chan, mas devo avisá-la que deve tomar cuidado de agora em diante, não pode ficar se exaltando assim. -novamente confirmei. -Preciso que siga essa dieta de agora em diante, precisamos deixar sua pressão em um bom estado, não queremos complicações no parto. -ele se adiantou pegando o papel que ela indicava, e eu tentei controlar minha raiva. -De agora em diante eu cuidarei de seu caso mais de perto, toda a semana eu espero vê-la aqui sem falta. -ela me disse séria. -Lembre-se que tudo que você sente você passa para o bebê. -ela me deu um sorriso compreensivo. -Eu entendo que esteja passando por um momento difícil mas pense... -minhas mãos começaram a tremer e eu novamente comecei a chorar, não ela não sabia, e se sabia era só mais uma das que tinham mentido para mim. -Tente se acalmar e descansar Lya-chan, eu não posso lhe receitar calmantes, mas se continuar assim terei de lhe internar para que possamos ficar de olho em você, e isso é algo que eu não gostaria de fazer com você, então vamos evitar isso tudo bem? -ela suspirou e eu afirmei.
-Se ela piorar Itachi traga-a com urgência para o hospital.
-Certo, obrigada Sakura.
Ele se aproximou me pegando no colo, e por mais que eu quisesse gritar e espernear para que me soltasse eu apenas me obriguei a respirar e aguentar mais aquela humilhação, o que seria mais uma adicionada a minha longa lista?!
Ele caminhou calmamente comigo nos braços pela vila, e só aí eu notei a decoração do lugar, eu havia me esquecido completamente que estávamos no Natal, e ele parou me colocando calmamente num banco. Se levantou e sem falar nada foi até uma barraquinha de dango e trouxe um prato para mim e uma lata de chá quente para me esquentar do frio.
-Você não comeu nem bebeu nada desde que acordou. -ele colocou o prato ao meu lado e puxou um dos três palitos ali para si e começou a comer. Ele sabia como eu adorava aquele doce, e desde que havia descoberto a gravides eu vinha me controlando para não abusar em nada. Firmei o rosto para frente vendo as pessoas passarem por nós e nos olharem de esgueira, e as mulheres ainda tentavam desfaçar mais o olhavam com intensidade e mordi o lábio evitando de dize-lhes "Tá olhando o que? Quer que eu embrulhe pra presente para você?", sim o maldito era lindo e tinha uma charme natural, uma aura de mistério que fazia qualquer uma se derreter, eu sabia bem disso. -Se não comer nem beber eu a levarei de volta para o hospital. -ele disse levemente calmo, como se comentasse sobre o frio, mas eu sabia que ele estava esperando que eu o desafiasse, eu sabia que nesse momento ele tinha total controle sobre mim e sobre a situação.
Como eu sabia disso? Simples, eu tentei dar um jeito de ficar longe dele assim que acordei, mas o maldito ouviu quando eu perguntei a uma das enfermeiras se ela conhecia algum bom apartamento para alugar, e o infeliz foi curto e grosso ao me dizer que eu não sairia do seu lado, e que se eu tentasse ele me internaria no hospital alegando que eu não tinha condições psicológicas de ficar sozinha. Uchiha Itachi estava mais uma vez um passo a minha frente, mas uma vez ele tinha todas as cartas, mas eu fui enfática ao dizer que não aceitava ver ninguém e fiquei calada desde então.
Peguei o palito de dango e ele abriu a latinha de chá para mim e colocou ao meu lado e assim eu a peguei. Comemos em total silencio, e em nenhum momento eu o olhei. Ele foi entregar o prato na barraquinha e eu me levantei para andar, mas ele rapidamente me pegou no colo.
-Eu seu andar. -disse rouca e minha garganta doeu.
-Sinto falta de quando não podia. -ele comentou me fazendo corar. -E Haruno disse que você deveria descansar por enquanto, então eu irei te carregar. -não havia o porque de protestar mais, então eu apenas fiquei quieta enquanto ele caminhava comigo.-Eu planejei te trazer aqui hoje, a dias que planejava isso com Sasuke, o nosso primeiro Natal em família. -travei todo o corpo e ele me ajeitou mais contra si. -Eu não estou te culpando nem nada assim, até porque isso não é culpa de ninguém de qualquer forma, mas quero que entenda que não importa o que aconteça Lyandra, vocês são minha família. -ele respirou fundo. -Eu sei que você está triste, e que não importa o que eu diga você não irá me ouvir, então leve o tempo que precisar, mas saiba que eu não há deixarei sozinha, eu não permitirei que vocês fiquem longe de mim. -ele me encarou enquanto dizia as ultimas palavras e eu vi ali o quanto ele falava sério, ele jamais me deixaria ir enquanto vivesse.
Itachi caminhou comigo pelas ruas enfeitadas e sempre evitava todo e qualquer conhecido nosso, mas quando eu comecei a ficar com frio ele me levou para casa.
Tomei um banho e depois fui para cama, e ele fez o mesmo procedimento. Fiquei sentada na cama por um bom tempo sem realmente pensar em nada, eu não estava com sono, e ele já parecia dormir quando me deitei de leve, e quase gritei quando ele me abraçou puxando-me para si, enterrando a cabeça na curvatura de meu pescoço e aspirando o cheiro ali, e quando me virei para protestar percebi que ele estava dormindo, e me peguei pensando que a muito eu não observava meu marido dormindo e como eu amava fazer isso no começo de nosso casamento.
Seria uma imensa mentira dizer que eu não o amava, eu o amava sim, e com todas as minhas forças, não só por ele ser o pai do meu filho, não só pelo que ele já fez por mim, mas por algo que nem eu mesma sabia explicar, eu o amava desde a primeira vez que o tinha visto, eu o amava tanto que tinha raiva de mim mesma por isso. Contudo eu não podia simplesmente relevar o que tinha acontecido, que ele tinha escondido aquilo de mim, e que provavelmente nunca me contaria, fazendo com que nosso casamento fosse uma eterna mentira.
Peguei no sono olhando para seu belo rosto, e assim como naquele dia os dias que se seguiram eu me mantive silenciosa. Não brigávamos, eu fazia o que tinha de fazer, comia o que devia comer, caminhava quando dava a hora de caminhar, me mantinha sempre limpa e arrumada, mas sempre que alguém aparecia querendo me ver eu tinha aquelas crises de choro, que segundo Sakura me explicou na nossa primeira consulta depois do Natal, eram completamente normais, mas que deveríamos evitar que se agravassem, então Itachi passou a proibir qualquer um de tentar me visitar.
-Quer algo especial para comer hoje? -dei de ombros, e ele suspirou resignado.
Era o ultimo dia do ano, logo era costume fazer um jantar para comemorar aquilo, e aquele era nosso primeiro ano como "família", mas eu estaria sendo hipócrita se dissesse que me importava com aquilo naquele momento, mas me obriguei a levantar e ir ajudá-lo na cozinha.
Eu estatelei no lugar quando ouvi as batidas na porta e olhei assustada para ele já com lágrimas nos olhos.
-Calma Lya, fique aqui eu vou ver quem é. -fiz que sim e voltei a me sentar no sofá.
-Ela não deseja ver ninguém Subaku. -meu coração deu um salto e eu me pus a tentar levantar.
-Gaara-kun. -chamei e segurando na lateral do sofá eu me pus de pé indo até eles.
-Lya-chan. -ele disse aliviado e Itachi me deu passagem quando eu sorri ao ver o ruivo a minha frente. -Como você está linda! -ele disse alegre.
-Obrigada. -eu fiquei envergonhada, sabia que estava mais redonda que uma bola, mais o jeito que ele me olhou me mostrou toda a sinceridade no que dizia.
Eu o abracei chorando, e me vi fazendo a coisa mais idiota de minha vida.
-Por favor me tire daqui... -senti ser puxada para trás com tudo.
-Solte-a Uchiha, ela não quer ficar aqui. -Gaara foi enfático e Itachi me apertou mais contra si.
-Tente tirá-la de mim se puder Subaku. -sua voz estava fria, em um desafio claro, e eu já sabia o que encontraria quando levantasse a cabeça e olhasse naqueles olhos.
-Se você... -ele deu um passo a frente mas nem terminou de falar quando Itachi jogou uma kunai que certamente atingiria o centro de sua testa se uma barreira de areia não o tivesse protegido a tempo.
Gaara ficou sério e se preparou para lutar, mas eu sabia que ele não tinha chance, que Itachi o mataria sem dó, e ele já estava ficando fora de controle, o que causaria um bom dano a vila, e quem sabe a ele mesmo.
-PAREM. -eu gritei -Por favor Gaara-kun vá embora.
-Lya eu não... -ele olhou de mim para Itachi.
-Ele não vai me machucar Gaara-kun, não se preocupe. -respirei fundo para me acalmar. -Por favor vá embora, eu fui uma idiota por dizer aquilo, eu só estava com saudades de você. -ele me olhou incrédulo. -Prometo que amanhã eu te procuro para conversamos tudo bem? -sorri da melhor forma que pude.
-Tudo bem, se você prefere assim. -ele disse se afastando e olhou para Itachi. -Se tocar nela, eu mato você. -Itachi grunhi-o, mas eu o abracei forte.
Quando Gaara saiu eu percebi que Itachi se tremia, provavelmente de raiva, e engoli em seco quando o soltei, ele fechou a porta com tanta força que essa rachou e se voltou para mim me pegando nos braços e só parau quando me jogou na cama. Eu me afastei dele acuada, e quando ele me fitou com o Mangenkyo ativado eu tive medo, pela primeira vez eu tive medo de meu marido.
-Você me odeia tanto assim? Me odeia tanto assim para preferir OUTRO. -eu me arrepiei dos pés a cabeça, ele nunca tinha gritado comigo, então me afastei o máximo que pude dele me encolhendo no encosto da cama. E quando ele fez menção de se aproximar de mim eu gritei assustada. Itachi se afastou no mesmo instante e me analisou com aqueles olhos, respirou fundo e se sentou do outro lado do meu.
-Eu não vou machucar você. -ele disse entre dentes. -Nunca mais, eu prometi não foi. -ele fechou as mãos em punho e eu vi sangue escorrer dali. -Preste atenção no que eu vou dizer Lyandra. -sua voz continuava fria em em momento algum ele tirava os olhos de mim, como se pudesse me atacar a qualquer momento. -Eu não vou conseguir me acalmar enquanto não possuí-la, você entende isso não é? Sabe bem como funciona, mas eu jamais a tocaria sem sua permissão, sem que me desejasse. -eu fiz que sim ainda com medo. -Então não temos escolha a não ser esperar que meu chackra acabe. -eu o olhei perdida. -Quando isso acontecer quero que corra, que saia daqui e vá para o mais longe que puder, porque se e quando eu acordar eu não poderei mais me controlar.
-Se? -eu me vi perguntando.
-S!. Eu não sei o que vai me acontecer quando meu chackra se esgotar, e manter o Mangenkyo ativado consome uma boa quantidade de chackra, mas não se preocupe, eu tenho o suficiente para ter essa conversa com você, então por favor me esculte. -ele suplicou apertando mais as mãos, sujando nosso lençol com seu sangue. -Eu não sabia quem você realmente era, que era filha de Tobirama. Eu só soube disso depois que a pedi em casamento, no dia em que voltei de missão. Seu pai, Hashirama, me fez prometer que jamais te contaria aquilo, pois ele mesmo havia prometido isso a Tobirama, que por sua vez tinha prometido a seu pai que jamais chegaria perto de você. -ele mordeu o lábio o fazendo sangrar também. -Nunca foi minha intenção mentir ou enganar você, mas eu sou um shinobi, e como tal, devo manter minha palavra, você melhor do que ninguém sabe disso, assim como eu entendo pelo que está passando. -ele respirou fundo várias vezes antes de continuar. Me prometa que vai cuidar bem de Shisui, que independente do quanto me odeie, você vai amar nosso filho, que vai criá-lo com carinho. -ele tinha lágrimas nos olhos, lágrimas misturadas com sangue. -Que você vai se cuidar e que não vai deixar que Orochimaru toque em vocês. Por favor Lya, me prometa! -ele iria morrer, Itachi iria morrer, ele pretendia morrer para me deixar livre.
-NÃO... -eu me vi gritando e comecei a me aproximar dele. -Você não vai morrer, prometeu-me que...
-Não há outro modo de eu deixá-la livre pequena, eu também prometi que a faria feliz.-ele disse carinhoso. -Não se aproxime mais Lyandra. -sua voz se tornou fria novamente e ele fechou os olhos. -Por favor, não se aproxime...
-Tachii. -eu fui até ele e toquei sua mão. -Eu sei que não vai me machucar, nunca me machucaria Tachii. -ele tremeu e quando eu peguei sua mão ele abriu os olhos os fixando em mim. -Abra a mão Tachii. -eu levantei o vestido que vestia deixando minha barriga a mostra. -Sente. -eu pedi e depois de um tempo ele abriu a mão e eu a coloquei no pé da barriga, e lhe sorri feliz quando nosso pequeno chutou novamente. -Acho que descobri o porque de ele nunca ter mexido muito. -Itachi chorou mais. -Ele sempre se sentiu seguro, você sempre nos passou segurança, e só agora, só nesse momento ele se sentiu ameaçado, e não para quieto amor. -eu passei uma perna ao seu redor me sentando em suas coxas. -Eu não vou te deixar Itachi, eu não vou deixar meu filho crescer sem o pai, e você não ouse me deixar sozinha.
-Eu não posso Lya, eu vou acabar te machucando, eu...
-Não vai Tachii. -peguei sua outra mão a levando até meu quadril e me inclinei sobre ele lambendo o sangue de seus lábios e selando-os num beijo casto.
Me fastei sorrindo e tocando seu rosto com carinho.
-Eu amo você, eu nunca desejei outro homem. Eu só estava assustada e confusa, me desculpe por te fazer passar por isso novamente. -ele fez que não, e eu levei a mão a seu cabelo o soltando. -Me desculpe amor.
O beijei e me impulsionar contra ele rebolado em seu membro nos fazendo grunhi.
-Lya por favor, eu... -me afastei mordendo seu pescoço e levei minha mão sorrateira até seu membro que já pulsava de tão duro. -Lyandra... -ele rangeu os dentes, e eu sabia que estava no seu limite que ele estava se segurando o máximo que podia para não me apertar.
Dei graças a Kami por estar de vestido então apenas me limitei a afastar a calcinha e direcionar seu membro a minha entrada. Eu não estava lubrificada o suficiente, então doeu um pouco, mas eu não parei até senti-lo todo dentro de mim, e o beijei com vontade enquanto arfávamos.
-Faça o que quiser comigo Tachii. -ele me segurou forte pelos quadril e começou um vai e vem alucinado e eu cravei as unhas em suas costas quando este mordeu meu pescoço com tudo. Segurei qualquer vontade de chorar, se eu fizesse isso ele nunca mais se perdoaria, então me limitei apenas em me concentrar no prazer que ele me dava e gemi em seu ouvido várias vezes pedindo mais. Ele mal tinha gozado quando me colocou de lado e iniciou novamente com as estocadas, agora não tão mais fortes enquanto lambia várias partes de meu corpo me levando a loucura.
Eu senti meu ombro molhar e ele embrenhou sua cabeça em meus cabelos.
-Me perdoe... -ele pediu.
-Não amor, é você que tem de me perdoar... -eu me virei para ele selando nossos lábios com todo amor que eu sentia por ele.
Eu era uma completa idiota, e como todo idiota eu só percebi o que tinha quando estava perdendo-o!
