O fato de meu marido não está em condições de lutar naquele momento só fazia com que me preocupasse mais com a situação que se seguia, pois tanto ele quanto Gaara se olhavam mortalmente, como se lutassem em silencio.
Estávamos sentados no sofá da sala de meus pais, eu e Itachi em um sofá de dois lugares enquanto este me apertava mais contra si, e no sofá da frente estava Gaara com cara de poucos amigos.
-Não consegui esperar para vê-la mais tarde, precisava ver se estava bem. -Gaara começou sem tirar os olhos de Itachi.
-Eu jamais tocaria num fio de cabelo de minha esposa. -Itachi disse calmo.
-Eu estou bem Gaara, só estava confusa sobre umas coisas que aconteceram e acabei descontando em Itachi. -alisei a mão dele sobre minha barriga.
-Tem certeza? Eu gostaria de falar a sós com você. -ele pediu e eu senti Itachi se mexer, mas parou quando ambos sentimos o chute na minha barriga e nos olhamos e acabamos sorrindo um para o outro.
-Não precisa ficar apreensiva, eu não vou fazer nada. -ele beijou minha testa. -Se ele sair da linha... -deixou em aberto e me puxou para um beijo. -Vou pedir a sua mãe para servir um chá para vocês.
-Não, fique. -pedi segurando sua mão. -Desculpe Gaara-ni mas não há nada que eu queira esconder de meu marido, sem falar que nesse momento eu prefiro manter os olhos nele. -Gaara me olhou surpreso. -Me diga onde está a Matsuri-chan? -ele ficou vermelho. -Eu sei que ela não te deixaria vir para minha vila sozinho.
-Tive de deixá-la no hotel, você sabe como ela tem ciúmes de você. -sorri e Itachi olhava de mim para Gaara com uma curiosidade incomum.
-Matsuri-chan é a namorada do Gaara-nichan, mas ele evita que os outros saibam disso para que ela não corra perigo.
-Eu sou o Kazekage, e ela é um alvo fácil para me atingir. -ele explicou calmo. -Se meu irmão soubesse de nosso envolvimento antes, ele a teria pego.
-Nem seus irmãos sabem sobre ela? -ele confirmou a pergunta de Itachi.
-Apenas a Lya sabe porque ela nos dava cobertura quando estava em nossa vila ou quando eu vinha para cá. -eu via uma linha fina de sorriso brotar nos lábios de meu marido ciumento.
-Mas e o Kankurou-san? -mudei de assunto.
-Nós o prendemos e o interrogamos. -ele ficou sério.
-Predemos meu pai essa madrugada, e o interrogamos também. -ambos olhamos para Itachi. -Precisamos saber o que Kankurou falou e eles precisam das informações que temos, somo aliados não somos?! -maneei a cabeça admirada, meu marido realmente é muito inteligente.
-Kankurou nos disse que começou a aliança com Orochimaru depois que você não morreu na emboscada preparada pelos clãns. Seu trabalho era desviar suprimentos e liberar acesso a nossa aldeia, sem falar no sequestro de crianças de clãns específicos que Orochimaru solicitava. -Gaara disse amargurado. -Ele tinha alguns chefes de clã ao seu lado, que assim como meu irmão foram enforcados em praça pública. -levei a mão aos lábios horrorizada, eu tinha me esquecido das leis de Suna. -Ao traidor apenas a morte desonrosa. -ele disse frio. -Quantas crianças não morreram por causa daqueles canalhas.
-Me envergonho de dizer que meu pai foi muito pior que o seu irmão. -Itachi começou e por minutos discorreu sobre o que o pai tinha nos tinha dito e como tinha feito, fazendo Gaara olhar de mim para ele boquiaberto.
-Até onde o desejo de poder pode levar uma pessoa? -Gaara nos perguntou puto.
-Tenho certeza que ele faria muito mais para obter o que queria. -Itachi pontuou alisando minha barriga. -E não duvido que seu irmão faria o mesmo.
-Eu também não. -ele exasperou.
-Gaara-san que bom revê-lo. -minha mãe entrou na sala.
-O prazer é meu Senju-san. -ele sorriu leve para minha mãe.
-Venham o café está na mesa, e você também Gaara. -ele apenas afirmou.
-Temari-chan?
-Ficou no meu lugar, eu precisava vir para conversar com seu pai. -ele explicou enquanto íamos para a sala de jantar. -Orochimaru está muito quieto, e isso me preocupa. -afirmei.
-Ele tem se concentrado em tentar invadir Konoha, e imagino que perder os aliados em Suna tenha o deixado sem muitas opções. -Itachi expôs. -Sem falar que sua maior ambição é conseguir a Lya. -me arrepiei e ele segurou minha mão a beijando quando nos sentamos a mesa.
-Graças a ajuda de vocês todos se recuperaram em minha vila, e agora as coisas estão calmas por lá, por isso vim oferecer ajuda a seu pai.
-Vocês pretendem montar uma linha de frente? -perguntei curiosa.
-Pretendemos tomar o País da Água dele. -Gaara sorriu maroto.
-Vocês vão invadir o País da Água? -eu sorri incrédula e ele confirmou.
-Quanto tempo? -Itachi perguntou.
-Alguns meses até termos tudo pronto.
-Imagino que tenham aliados lá. Por isso já estão planejando a longo prazo. -Gaara confirmou a suposição de Itachi.
-Seu pai conseguiu algumas alianças com os clãns de ninjas sobreviventes e alguns Lordes que não estão contentes com Orochimaru no comando. -minha mãe explicou. -Na verdade só três Lordes são realmente a favor de Orochimaru lá, todos os outros o odeiam e prometeram nos ajudar no que pudessem.
-Desde quando estão montando todo esse esquema?
-Seu marido conversou sobre essa possibilidade comigo quando vocês estiveram em Suna. -olhei para Itachi que me sorriu um "desculpe segredos de ninja", e eu bufei. -Então desde aquela época que estamos montando tudo na surdina.
-Por isso que estávamos tão bem preparados para os ataques de Orochimaru. -sorri animada. -Vocês tem espiões do lado dele que os informam de seus passos.
-Sim, mas está cada vez mais difícil, e imagino que agora que meu pai foi pego, Orochimaru com toda certeza vai ficar mais louco e imprevisível.
-Ele sempre foi um louco. -minha mãe cortava o pão como se ele a tivesse ofendido. -Lembro que quando eramos mais jovens e tínhamos que lutar na guerra, matar pessoas e coisas assim. Aquilo nos afetava horrivelmente, tínhamos pesadelos e por mais que lavássemos as mãos parecia que o sangue não saia delas. -ela não chorava mas sua voz estava quebrada, e todos pudemos imaginar o quão horrível foi aquela época. -Porém Orochimaru era o único que parecia bem, que parecia se divertir com aquilo, como se tivesse nascido para matar. Sempre o víamos com um sorriso no rosto, ou fazendo experiências absurdas com os ninjas capturados. Evitávamos ao máximo passar pelo centro de pesquisa, pois os gritos daquelas pessoas eram aterrorizantes.
-Achei que fosse proibido fazer experiências com humanos. -eu me vi dizendo.
-Durante a guerra o Hokage liberou os experimentos com o intuito de acelerar novas descobertas que nos ajudassem a ganhar a guerra mais rápido. -minha mãe contou e eu sentir meu estomago revirar. -Quando seu pai começou a ser treinado para Hokage, ele acabou com essas experiencias, mas anos depois descobrimos que Orochimaru continuava com elas na surdina, e que até usava ninjas de nossa vila nelas, então seu pai não teve outra escolha se não a não ser expulsá-lo da vila. -ela brincava com o pão na mão. -E ele jurou vingança a nossa família.
Eu não consegui comer, na verdade acho que os outros apenas se obrigaram e Itachi não me disse nada mesmo estando preocupado por eu não ter comigo.
-Eu comi os morangos com chocolate lembra. -ele afirmou.
-Mas tente esquecer isso e comer algo mais tarde tudo bem? -perguntou carinhoso.
-Sim. -ele beijou minha cabeça e pediu licença para sair e deixou nos três ali.
Imagino que saber que Gaara tinha uma namorada o deixou bem mais tranquilo sobre nossa relação, e eu me via com vontade de rir de meu marido ciumento.
Passei um bom tempo conversando com minha mãe e Gaara na sala, e assim que este foi embora eu me dirigi para meu quarto onde sabia que Itachi estava. Adentrei com cuidado no quarto e o encontrei dormindo, então tomei um banho e fui me juntar a ele na cama, também estava muito cansada, aquela tinha sido uma noite e uma madrugada bem agitada. Mal me deitei na cama quando ele me puxou para si se aninhando na curvatura de meu pescoço.
-Você demorou. -ele disse com a voz embargada pelo sono.
-Desculpe. -sorri leve.
-Tudo bem. -ele me deu um beijo de leve no ombro e o mordeu me fazendo suspirar, e quando sua mão adentrou minha calcinha eu respirei entrecortada.
Senti ele me prensar em seu corpo nu que já dava sinais de um completo desejo -safado.
-Tachii. -miei entre o preocupada e o desejosa.
-Prometo que volto a descansar depois que tiver você. -o desejo em sua voz rouca me fez ficar ainda mais molhada.
Ele tirou minha roupa de forma lenta e não me deixou virar para apreciá-lo, me penetrando de lado, e ambos tentávamos controlar os gemidos já que não estávamos em nossa casa, e aquilo parecia nos enlouquecer mais. Eu podia senti-lo por completo em mim, e tratei de "apertá-lo" mais o fazendo me segurar mais firme e ir mais fundo enquanto pedia entre os gemidos para eu parar com aquilo pois estava o deixando louco. Não, eu não parei, simplesmente porque ele estava me levando a loucura também, e eu adorava o ouvir implorar com aquela voz máscula.
Itachi não me deixou dormir até ficar satisfeito, e isso como sempre não aconteceu de primeira, ele ainda me atacou umas duas vezes antes de me ajudar no banho. Eu realmente amava saber que ele me desejava dessa forma mesmo eu estado com o corpo de bola, mas Itachi só era mais cuidadoso, e nunca menos desejoso por mim, na verdade ele parecia ter um desejo ainda maior agora.
Acabamos passando mais do que apenas uns dias na casa de meus pais pois eu e Itachi nos empenhamos em ajudar a montar as estrategias e investigar os pontos fracos das que eram propostas para nós. Itachi não me manteve longe dessa vez, na verdade ele fez questão que eu participasse de tudo, pois assim ele ficava de olho em mim, e evitávamos que meias conversas ou meias verdades atrapalhassem nossas decisões.
Tobirama mesmo fazendo parte do conselho não aparecerá mais, e eu imaginava que ele estava evitando veementemente nosso encontro, e lá no fundo eu o agradecia por isso, pois não imaginava que tipo de conversa nós poderíamos ter. Claro que haviam milhares de perguntas que eu gostaria de fazer-lhe, principalmente sobre minha mãe, e ouvi sua versão da história, mas ainda sim era algo tão complicado e vergonhoso, que eu me via sempre um pouco assustada com a possibilidade disso acontecer.
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Eu tinha essa mania de observá-la de longe, ficava horas aqui empoleirado na árvore apenas a olhando e muitas vezes rindo de suas loucuras dentro do próprio quarto, e isso acabava me distraindo dos problemas e me dando uma certa paz. Mas não hoje, não quando a vejo daquela forma inusitada e preocupante.
-O que está fazendo Sakura? -eu me sentei em sua janela quando ela gritou jogando as roupas par cima com o susto.
-Sa... Sasuke-kun... -ela me olhou apreensiva com a mão no coração dramatizando o susto e eu continuei impassível, mas com uma enorme vontade de rir.
-Não precisamos levar malas para o País da Água. -olhei a curioso, eu não entendia o motivo dela estar arrumando as malas.
Nos fomos convocados para ajudar na reconquista do País da Água, ou algo assim, eu não me interessei muito, apenas faria o meu papel e nada mais. Todavia como ninjas só levaríamos o básico de nossas coisas pessoais naquela viagem, como em qualquer outra missão, só que Sakura arrumava duas malas grandes e tinha outra no chão pronta para ser enchida também, e o rubor em seu rosto se transformou em preocupação quando a fiz aquela pergunta.
-Eu.. eu... -ela coçou a cabeça de forma constrangida, mas logo inspirou como se tomasse coragem e se sentou na cama ficando séria e me olhando. -O Kazekage me fez uma proposta de trabalho em seu país. -eu a olhei incrédulo, e entrei de vez em seu quarto me encostado de braços cruzados na parede a esperando continuar. -Ele ficou impressionado com meu trabalho lá e me ofereceu uma boa quantia para ser uma medica-nin e trabalhar em sua vila.
-Isso seria traição... -sibilei frio e ela me olhou raivosa.
-O Hokage foi plenamente a favor, e disse que se eu quisesse aceitar a proposta do Kazekage que ficasse tranquila, pois o próprio já tinha conversado com ele. -trinquei os dentes.
-Então você aceitou de imediato, não imaginava que fosse esse tipo de pessoa.
-Que tipo de pessoas Sasuke-kun? -ela perguntou ainda com raiva.
-Que só pensa em dinheiro. -vi sua raiva se transformar em dor nos seus olhos e soube que havia passado dos limites.
-Sinto muito se é isso que pensa de mim Sasuke-kun, sinto muito não ser adequada para você. -eu me desencostei da parede e me aproximei dela que ficou de cabeça baixa quando começou a falar, fazendo com que suas lágrimas se acumulassem em sua perna. -E é exatamente por isso que estou indo, eu cansei de esperar Sasuke-kun, cansei de esperar que me notasse, que me aceitasse.
-Me desculpe Sakura. -pedi tocando-lhe o rosto.
-Não, eu que me desculpo por ter lhe causado tantos problemas. -ela limpou o rosto. -Veja pelo lado bom, eu não te irritarei mais. Nem..
-Cale a boca sim... -me inclinei a beijando de leve e ela se assustou. -E nunca mais ouse dizer que sairá da vila sem mim.
-Sasuke...
-Você disse que me amava, e eu não costumo dividir o que é meu Sakura. -mordi seu lábio inferior, ela precisava saber quem estava no comando ali. -Você jamais sairá do meu lado enquanto viver, e eu garantirei que viva bastante.
-Mas eu...
-Me peça para sair se não quiser ficar comigo e eu nunca mais voltarei a lhe incomodar, mas se me deixar ficar saiba que será para toda a vida. -ela ficou quieta e por um minuto eu pensei que ela me pediria para sair.
-Você poderia dizer um "eu gosto de você". -ela reclamou e eu ri pelo nariz. -Mas isso não seria você não é? -ela sorriu irritantemente. -Eu aceito, aceito viver com você.
Tirei meu colar e ela me olhou incrédula.
-Você sabe o que significa aceita isso não é? -ela fez que sim e lágrimas caíram dos seus olhos mais uma vez, mas puxou os cabelos para que eu colocasse o colar ali. -A partir de agora você é minha Haruno Sakura. -eu limpei seu rosto e a beijei dessa vez com mais vontade explorando cada canto de sua boca, sentindo seu sabor doce.
-Sempre fui Uchiha Sasuke. -eu não tive como não sorrir com isso.
Eu jamais a deixaria ir, jamais deixaria que saísse do meu campo de visão, pois eu não seria feliz sem aquela irritante em minha vida.
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Dois meses e sete dias exatos que estávamos na casa de meus pais. Não quis deixar minha mãe sozinha quando os outros partiram em campanha para retomar o País da Água, e Itachi entendeu meus sentimentos e não se importou de continuar ali. Tsunade veio com Dan se hospedar ali também, tornando assim mais fácil para nós proteger.
Por isso não foi surpresa quando eles atacaram naquele dia, não foi surpresa ter um Orochimaru seguido por muitos outros ninjas em nossa vila tentando tomá-la, nem foi surpresa quando este tentou me pegar, mas foi uma total surpresa que este tenha conseguido alguém para lutar de igual para igual com meu marido. Nagato o ultimo usuário do Rinnegan, o possuidor dos "olhos perdidos"...
