"Existem duas forma de enfrentar a vida; Uma é com orgulho, acreditando que sabe tudo. A outra é com humildade, reconhecendo que tem muito a aprender." Qual delas você acha que eu Uchiha Itachi escolhi?

Crescer como um Uchiha não é algo simples e fácil, todos esperam grandes feitos de você e a responsabilidade de carregar esse nome é quase uma maldição (talvez por isso que sinceramente muitas vezes me peguei divagando se Senju Tobirama não estava certo ao nos achar um clã amaldiçoado), contudo sou extremamente cético e realista para notar que a maior parte dos meus problemas vieram não do nome em si, mas da soberba de meu pai. Uchiha Fugaku não é o que se pode chamar de pai, pois no conceito da palavra em nossa sociedade, este não é apenas um genitor, mais também é aquele que tem a função de amar e educar uma criança, dando resposta às suas necessidades mais básicas, para que ocorra o seu saudável desenvolvimento quanto ao aspecto físico, emocional, psicológico e espiritual. Imagino que se chegou até aqui, você também concorde comigo que Uchiha Fugaku não se enquadra nesse conceito. O problema ou talvez o principio dele, foi que eu descobri isso em uma idade muito tenra, o que acarretou para mim em um desenvolvimento de uma personalidade introspectiva, a qual eu sempre me via a observar as pessoas estudando-as, talvez por ver tanta injustiça dentro e fora de minha casa que fiz o possível para me tornar um ninja mais forte e lutar por aquilo que eu achava correto.

Lembro como se fosse hoje o dia em que Sasuke nasceu e eu o peguei no colo, aquela pequena criaturinha rosada que dependia 100% de mim e de todos ao seu redor para sobreviver. Eu o amei desde aquele momento e me prometi protegê-lo de todo o mal, não importando as consequências para isso.

-Você não deveria se cobrar tanto Itachi-baka. -Shisui estava ao meu lado no banquinho de espera do hospital enquanto tio Madara estava dentro do quarto conversando com meus pais. -Não pode proteger a todos.

-Eu não pude proteger minha mãe antes, mas com o Sasuke será diferente. -disse apertando com força o estofado do bando e ele riu amargo.

-Você melhor do que ninguém sabe que eu entendo sua dor baka, também não tive poder para proteger minha mãe nem mesmo meu otouto. -focamos nossos olhos um no outro, ambos com o sharingan ativado pela dor. -Só que Itachi, carregar esse tipo de dor não nós fará bem.

-E o que sugere, que eu esqueça que perdi...

-Que aprendamos, que treinemos, que nos tornemos fortes pelo meio certo. Para proteger, não para vingar. -ele fechou os olhos e quando os abriu eles tinham voltado ao preto normal, então ele bateu de leve em minhas costas, como que me dando apoio, e me dizendo que eu não estava ali sozinho. -Eu vejo o que a sede de vingança fez com meu pai, e eu não quero isso para mim Itachi, e com certeza não para você. -respirei fundo e controlei minhas emoções, sim Shisui estava certo, se eu continuasse por esse caminho meu ódio por meu pai, esse sentimento iria nublar todos os meus ideais e quem sabe no futuro eu não me tornaria alguém como ele.

Foi a partir desse dia e por causa de Shisui, que eu criei a minha própria filosofia de vida, algo pelo qual eu pudesse me guiar sem me tornar alguém como meu pai. "Ser forte não é tudo isso. Ser forte significa que você se tornará arrogante e egoísta, mesmo que você nunca tivesse desejado isso."

Treinamos juntos arduamente dia e noite aprimorando nossos pontos fortes e aprendendo sobre nossos pontos fracos, discutindo sempre como melhorar (algo que Shisui disse que seu pai fazia com o Hokage quando jovem, e que os tornou mais fortes). E quando enfim fui nomeado um integrante da AMBU eu soube que parte do meu plano de proteger aqueles que amava, a minha família, meu lar, minha vila, estava enfim indo pelo caminho certo. Só que o mundo dá voltas, e essas voltas nos fazem muitas vezes ter de começar do zero, e foi na pior das voltas de minha vida, com a morte de Shisui, que esta me mostrou o quão fraco eu era, e depois desse dia eu coloquei mais uma filosofia para minha vida, uma que eu não pretendia esquecer nunca. "Aqueles que não conseguem reconhecer seu verdadeiro ser e suas limitações estão fadados ao fracasso."

Foi também após a morte de Shisui que eu me fechei totalmente para o mundo de fora, e só era eu mesmo apenas com minha mãe e meu irmãozinho-tolo, porém tomei como obrigação proteger aqueles que Shisui tinha debaixo de suas asas, pois eu sempre soube que a culpa de sua morte em parte foi minha. Por isso passei a cuidar de Óbito, Tsunade e da pequena hime.

Óbito seguiu por um caminho que faria seu irmão se orgulhar, se tornou um bom homem e cuida sempre de seu pai. Tsunade levou um bom tempo para se reerguer, e o amor de Dan por ela foi essencial para isso, e apesar de no começo ela ter se sentido mal por amar novamente todos sempre soubemos que era exatamente isso que Shisui desejaria para ela, que ela vivesse e fosse feliz. Para proteger a pequena hime, eu me ofereci ao Hokage para ser seu guarda-costas pessoal, e claro que Hashirama-sama foi contra, e pouco depois eu fui nomeado líder da AMBU, mas como um bom Uchiha eu não desisti e mesmo sem sua permissão eu a protegia de longe, por isso consegui impedir varias vezes que algo acontecesse a ela.

Senju Lyandra sempre me intrigou, ela era no mínimo diferente da maioria das pessoas, e claro que por muito tempo eu levei em consideração que isso era por causa de sua inteligencia acima da média, contudo, isso não explicava totalmente o fascínio que ela exercia sobre a maioria das pessoas, e não digo isso por ela ter conseguido a simpatia de Hashirama-sama a ponto dele adotá-la, mas sim no todo o resto, pois todas as pessoas que passavam a conviver com ela pareciam amá-la incondicionalmente, como se ela as encantasse, e talvez por isso eu sempre mantive uma distância segura entre nós, tanto que posso contar nos dedos as vezes que nós falamos sem ser por pura educação (quando estávamos nos almoços e jantares com sua família), ou trabalho. Só que quando eu percebi que essa nutria sentimentos por mim me vi a desiludir-me, pois assim como as outras mulheres ela tinha se apaixonado por uma aparência, por uma casca, ela não me conhecia, não sabia nada de mim, então como podia me amar? Por isso, a partir desse momento eu parei de observá-la e de me intrigar com ela, e apenas cumpria com meu papel de guarda-costas.

Quando a presença de meu tio foi solicitada pelo Hokage naquele fatídico dia eu tive um pressentimento ruim de que algo estava errado. E quando Hashirama-sama nos deixou a par do que Orochimaru estava fazendo e de que este tinha atacado meu otouto eu fiquei em alerta, sendo assim a investida daquela noite já era esperado por mim, por isso eu pude chegar a tempo para salvar a pequena Hime, ou quase, já que diferente do que eu imaginava as coisas saíram do meu total controle, sim saíram, pois minha preocupação era mantê-la em segurança. Lembro nitidamente que a pedi para não se mexer e me esperasse ali, e ela assim o fez, nem mesmo quando a cobra se aproximou dela esta se mexeu, e por um segundo eu achei que fosse medo, mas ao olhar para seu rosto eu percebi a confiança que eles tinham em mim, e me perdi pensando em como seria quando ela se casasse com meu otouto, será que eles conseguiriam se tornar uma boa família? Esse pequeno momento de distração me custou caro, mas nada que eu não pudesse contornar. Me aproximei dela, e lhe expliquei que abriria caminho para que esta passasse, e quando ela estivesse e uma distância segura eu usaria o Mangenkyo para acabar com aquilo rapidamente, antes que o veneno se espalhasse por completo em meu corpo. Só que como eu disse antes, as coisas não saíram como o planejado e ela se feriu gravemente.

-Me perdoe Hokage-sama...

-Não há o que perdoar Itachi, se você não estivesse lá minha filha não estaria mais aqui conosco, eu lhe serei eterna grato por protegê-la. -eu podia ver a sinceridade em seu olhar mas eu me sentia tão inútil, eu era responsável por aquilo.

Ela era a noiva de meu irmão, logo eles oficializariam tudo para que ela e Sasuke ficassem a par de tudo e se decidissem, e eu sabia que ele nunca se negaria a isso, mesmo amando Sakura. Suspirei cansado e pedi ao Hokage para ficar ali até ela acordar e me encostei na janela perdido em meus pensamentos. Entendo perfeitamente que Madara tinha me deixado escolher com quem casar por que sabia que eu nutria sentimentos pela Haruno, mas que não me aproximaria dela nunca por causa do amor do meu otouto por está, e dela por ele. Compreendo perfeitamente que meu tio tinha as melhores intenções ao fazer isso, pois na cabeça dele, toda vez que um Uchiha se entregava ao amor uma tragedia acontecia, contudo, no meu caso as coisas eram diferente, eu já tinha despertado o Mangenkyo e controlava seu poder devastador, nada me aconteceria. E foi nessa linha de raciocínio que nesse exato momento uma pequena ideia começou a se formar em minha mente, mas parei de pensar quando a ouvi se mexer e o quarto virou um reboliço só. E eu quase ri com a forma como depois de tudo sua maior preocupação era comigo, então me pronunciei agradecendo em seguida, mas toda a atmosfera de alivio mudou quando esta disse que não sentia suas pernas. E após isso fomos expulsos do quarto por Tsunade. Hashirama-sama e meu tio praticamente me obrigaram a sair do hospital, então eu segui para sua janela e fiquei ali, minha ideia não era ouvi sua conversa, era apenas protegê-la como sempre havia feito, já que nada nos garantia de que não seriamos atacados novamente, porém quando a mãe dela lhe fez aquela pergunta eu me vi prendendo a respiração de forma ansiosa.

-Sinceramente. -ela fez uma pausa e pareceu escolher as palavras. -Não sei mãe, um pouco triste eu acho, mas quero acreditar que isso é só uma fase sabe, não quero ficar chorando por algo que não posso mudar agora. -suspirou, e eu me senti completamente culpado. -E no mais, eu não me arrependo do que fiz, na verdade faria de novo. -eu não pude me segurar no lugar e me vi espiando pela janela e vi um sorriso verdadeiro em seu rosto, algo como um alivio, e sua mãe limpava as lágrimas, então me afastei novamente quando Megumi-sama começou a falar de mim. Se eu tinha alguma dúvida do que fazer, com toda certeza elas acabaram naquele momento.

Madara não concordou comigo, ele não aceitava de forma alguma que eu me propor-se a casar com ela, e claro, me disse que aquilo ofenderia profundamente não só Hashirama-sama como a própria Hime, mas eu sabia que ela nutria sentimentos por mim, e por isso quando a tática do jantar não deu certo (o que fortemente me surpreendeu já que eu esperava que ela aceitasse), eu resolvi agir por uma abordagem direta, sendo eu mesmo (não poderia correr o risco de ela aceitar se casar com meu otouto).

Surpreso, eufórico e imprudente, esse três adjetivos me definiam depois daquela simples "visita noturna". Surpreso em como ela estava levando as coisas e em como era diplomática sobre tudo, eufórico por ter tido a conversa mais estranha e sincera com uma mulher, e claro por ter conseguido que ela aceitasse minha proposta. Não que tenha sido tão fácil, pois diferente do que eu imaginava ela não aceitou de bom grado e até se impôs, e me impôs suas condições, tornando aquilo um jogo completamente interessante para mim. E imprudente por toda a situação em si, desde adentrar (invadir) a casa do Hokage a noite como um bom shinobi, até à beijá-la (claro, como esquecer-me disso), como um "agradecimento" por salvar minha vida, contudo Kami é prova de que não foi algo pensado, foi um impulso, o primeiro louco impulso de minha vida que não pude controlar. E talvez por isso eu tenha me obrigado a ser mais prudente em relação a ela no futuro.

Eu estava curioso para conhecê-la verdadeiramente, então na manhã acordei cedo e com a ajuda de minha mãe preparei uma cesta com comida e peguei uma toalha para que pudéssemos nos sentar sobre ela, e fui até a montanha preparar tudo para trazê-la ali, e logo depois fui buscá-la para o "passeio" como havíamos combinado, passando antes no quartel para enviar um pequeno esquadrão para proteger os arredores daquela área. Seus pais ficaram felizes por eu tirá-la de casa, mas o engraçado foi o quão envergonhada ela ficou quando há peguei no colo, mas está logo começou a conversar quando eu falei do lugar que antes treinava com o Sasuke, me contando mais sobre ela. Fiquei feliz por ter escolhido aquele lugar longe de todos, pois ela pareceu mais tranquila ali, e o mais interessante era o quão ela confiava tão abertamente sua vida a mim, mesmo depois de tudo que aconteceu.

Sorri quando ela entendeu minha pergunta implícita e me respondeu sobre o ocorrido com seus pais e em como ela havia parado ali em Konoha, mas a sua história foi tão trise que me senti na obrigação de me desculpar por fazê-la lembrar daquilo, mas ela fez que não e ficamos em silêncio até o momento em que eu a coloquei embaixo da árvore sobre a toalha preta que havia forrado mais cedo ali.

Quando sua barriga roncou eu segurei o sorriso enquanto pegava algo para ela comer na cesta. Era a primeira vez que isso acontecia com uma mulher próximo a mim, e seu rosto vermelho me mostrava o quão constrangida ela estava, mas essa acabou rindo e disse que eu podia rir, mesmo assim eu me controlei, mas quando esta me disse que isso sempre acontecia consigo e continuou rindo eu não tive como não acompanhá-la. A pequena Hime me observou curiosa, e quando esta se inclinou para frente eu esperei que ela tentasse me beijar, mas ela colocou uma mecha de minha franja atrás de minha orelha, e quando seus olhos se encontraram com os meus, eu percebi que eu realmente esperava um beijo, eu queria um beijo, e quando tomei consciência disso me senti envergonhado, senti meu rosto esquentar e logo vi o dela se avermelhar novamente. Não permiti que ela se afastasse, e lhe expliquei que ela tinha todo o direito sobre mim, assim como eu tinha sobre ela. Mas só quando ela me perguntou sobre meu sorriso, foi que eu parei para refletir sobre tudo, e me dei conta de sempre que estava com ela eu queria sorri, e isso me fez entender que sim, eu poderia me apaixonar por aquela menina, pois de alguma forma ela me fazia sentir tranquilo, como se não esperasse nada de mim, como se apenas minha presença bastasse para ela.

Quando ela foi sincera comigo, quando me mostrou que estava disposta a me conhecer realmente desapegando-se de qualquer conto de fadas que tenha criado sobre mim eu soube que era o momento certo. Pois eu precisava que antes de tudo ela me aceitasse como eu era, assim como eu a aceitava, e como ela assim como eu estava disposta a fazer aquele casamento dar certo. Por isso eu fiquei feliz em tê-la escolhido, e dali em diante eu precisava que todos soubessem que eu a havia escolhido por que quiz, sendo assim, lhe entreguei o cordão Uchiha.

A abracei forte quando ela começou a chorar, eu entendia como ela estava se sentindo com tudo isso, e era exatamente por isso que eu a protegeria de tudo e de todos, ela já tinha sofrido de mais por minha causa.

Seus pais ficaram radiantes quando perceberam o quão serio eu estava sobre aquilo (quando viram o cordão nesta), e meu tio simplesmente me disse que aquele era um problema meu, e eu tinha certeza que ele estava ansioso pela reunião do conselho, o que ele não demorou muito para confirmar. Megumi-sama pelo jeito já esperava pelo nosso comunicado pois o almoço estava esplendoroso, e quase me vi rindo quando percebi que minha pequena noiva tinha problemas infantis, então como um bom adulto a tentei persuadir, e no começo deu certo, mas quando essa se mostrou péssima para escolhas eu a continuei a ajudar.

Sorri involuntariamente quando a ouvi chamar meu nome pela primeira vez, mesmo que esta ainda usasse o honorifico "san", e ela foi extremamente fofa quando me pediu para tomar cuidado na missão se atrapalhando com as palavras. Beijei sua testa a prometendo que daria tudo certo e fiz um trato com ela, e prometi a mim mesmo que não importasse as circunstancias eu a viria ver assim que voltasse. Pois ela era a primeira pessoa além de minha família que se preocupava comigo, que não me via apenas como "o ninja mais forte de Konoha", e por isso eu sorri para ela, e esta logo se animou e sorriu também.

Tenho certeza que não há algo mais entediante do que uma reunião do conselho do clã, e durante um tempo eu me peguei divagando em como minha jovem noiva aguentava aquele tipo de coisa na sua idade. Mas quando o assunto se voltou para o meu noivado eu me obriguei a prestar mais atenção, e não tive a menor paciência para os insultos do Sakamoto e tratei logo de colocar um fim naquela história, e o prendi logo num genjutsu simples, e fui enfático em explicar a todos que não permitiria que ninguém (olhei fixamente para meu pai) tocasse nela, ou as consequências não seriam nada bonitas.

Quando voltei da missão eu estava mais do que cansado, contudo eu tinha uma promessa a cumprir a minha noiva, e bem, eu estava preocupado com ela, em como ela estava depois de não nos vermos durante todo aquele tempo, mas imaginei que ela estivesse muito ocupada com os preparativos do casamento e não tivesse se importado muito com minha falta, sem falar que nunca fomos íntimos de qualquer forma. Então me dirigi a sala do Hokage para lhe entregar o relatório da missão, porém ao ver meu tio ali a me olhar seriamente eu sabia que algo estava muito errado, e logo me pus a perguntar se algo tinha acontecido com minha noiva.

Eu olhava de Hashirama-sama para Madara, claro que eu já desconfiava que algo na história de minha noiva estava errado, só não imaginava que esta fosse uma Senju filha de Tobirama que nem desconfiava de quem realmente era. Eu não desistiria de minha noiva por causa disso, e agora mais do que nunca eu tinha um motivo para querer protegê-la.

Pulei no galho da árvore e me sentei ali perdendo-me no tempo a observando, ela estava com um livro em mãos e passou tanto tempo na mesma pagina que logo percebi que esta não estava realmente o lendo. Ela suspirou mais de uma vez, mas quando está segurou o colar de meu clã eu entendi mais uma vez que diferente do que imaginei ela havia pensado em mim, e sentia saudades. E mal dei por mim quando me pronunciei e na primeira oportunidade a beijei, e a vi sorri radiantemente com isso, me fazendo segui-la enquanto esquecia de todos os problemas que nos cercavam.