Se eu admirava a coragem de minha mulher? Sim eu admirava! Lyandra já tinha me dado várias provas do quão corajosa e inteligente ela era, e isso quase causou nossa separação em alguns momentos, mas creio que tudo que passamos tornou nosso amor mais forte.

Se eu morreria sem arrependimentos por ela? Sim eu morreria, como me propus a morrer por não querer ser o motivo da sua infelicidade, e ela me fez entender que mesmo assustada comigo ela jamais me abandonaria, jamais me deixaria morrer se pudesse impedir. Ela realmente me surpreendeu ao me fazer tocar sua enorme barriga com a mão ensangue e sentir pela primeira vez nosso filho a chutar, e me permitiu tocá-la mesmo sabendo o que eu faria com ela, o quanto a machucaria, me deixando fascinado por em momento algum reclamar, nem me abandonar depois de tudo aquilo.

Se agora, após tudo que passamos eu entendi o desespero do meu tio quando perdeu sua mulher? Sim, eu podia entender pelo que Madara passou e agora me pergunto como ele chegou a superar esse sofrimento e conseguiu seguir em frente?!

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Quando encontrei Lyandra ela estava debruçada sobre o que deveria ser o corpo de seu pai e gritava enquanto chorava, e meu clone a amparava alisando suas costas e falando algo em seu ouvido quando me percebeu se aproximar.

-Ela está em trabalho de parto. -meu clone me avisou antes de sumir e eu me obriguei a não me desesperar, quando suas memorias do ocorrido se tornaram minhas.

-Lya. -chamei me aproximando.

-Por que Tachii, por que as coisas tem de ser assim, por que ele tinha de morrer dessa forma? -ela ainda não me olhava, então me ajoelhei ao seu lado e alisei sua cabeça, aliviado por ela está viva.

-Não sei amor, mas ele pelo menos morreu como escolheu, morreu para te manter segura…

-EU NÃO… -ela gritou mas parou quando me olhou. -Tachii você… você…. -segurei seu rosto apavorado entre minhas mãos e tentei limpar as lágrimas abundantes ali a sujando com meu sangue.

-Eu estou bem, vamos sair daqui. -ela mordeu o lábio inferior e o sangue escorreu dali, e só aí percebi o chão molhado por algo que não era sangue. -Lya? -ela se tremia toda, sua bolsa havia estourado.

-Ele vai nascer Tachii. -olhei para os lados eu precisava pensar rápido, precisava fazer algo ou ambos morreriam. Droga era cedo demais… Orochimaru maldito como você teve coragem?!

-Fique calma, eu estou aqui com você. Farei…

-Eu confio em você, nós confiamos. -ela alisou a barriga e respirou fundo.

Há peguei no colo com cuidado e antes que me decidisse por qual caminho tomar me permiti um segundo para me acalmar, para por a cabeça em ordem.

-Não sei a situação de situação em sua casa, mais a vila está um caos, por isso não tenho opção…

-Nossa casa fica longe da vila. -assenti um pouco mais tranquilo por ela ter chegado na mesma conclusão que eu.

Não perdi mais nenhum minuto ali e corri para nossa casa com Lya em meus braços, e nunca fiquei tão feliz por está certo como fiquei naquele momento por ver nossa casa intacta.

Chutei a porta da frente bem como a de nosso quarto e corri com ela a colocando sobre nossa cama.

-Lya eu vou buscar tudo que preciso para o parto. -ela afirmou, respirando pesado e corri para a cozinha. Enchi uma bacia com água da torneira e peguei ali outros possíveis objetos que pudesse usar, voltando para o quarto o mais rápido que pude com eles. Há encontrei se contorcendo pela dor, então fui até o guarda-roupas e peguei lençóis limpos, quando ela gritou.

-Lya? -coloquei o que trazia na cama e fui para seu lado.

-Ta… Tachii. -ela agarrou meu braço e o apertou com força. -Tá doendo muito. -chorou.

-Lya eu sei que doí, mas olhe para mim. -segurei sua mão firme. -Não grite, quando sentir dor empurre, se você gritar só fará com que o Shisui suba.

-Tachii não sabemos… não sabemos se tenho passagem. -ela me olhou em pânico e eu encostei nossas testa e não larguei sua mão.

-Sabemos que o Shisui está na posição certa. -respirei fundo, sabia que ela estava certa e sabia exatamente o que precisava fazer. -Lya, eu… -minha vista embaçou novamente e eu me senti tonto.

-ITACHI. -ela gritou e eu soltei nossas mãos impedindo que ela fosse puxada da cama pelo meu peso.

-Eu estou… estou bem Lya, fique calma. -Kami o que eu faria agora? Eu estava no chão, e tudo parecia girar.

Por mais que eu soubesse como fazer aquilo eu não estava em condições para fazê-lo, eu poderia colocá-los em mais riscos do que já estavam. Eu precisava de ajuda.

Fiz os selos e despachei o corvo, toci e coloquei a mão em frente a minha boca e senti quando o sangue espirrou ali.

-Por favor, pare Tachii. -ela pediu chorosa quando eu me aproximei dela, e me obriguei a levantar.

-Não me peça isso Lya, não até vocês estarem seguros. -ela se contorceu novamente mais não gritou.

-Faça força Lya, empurre, use a dor como força… -segurei em sua mão novamente. O sangue dela começou a se espalhar pelo lençol e eu me dirigi para ver o estado atual dela quando ouvi alguém entrar em nossa casa.

Peguei a Kunai e me preparei para defendê-los quando o corvo adentrou o quarto e logo após ele uma Tsunade preocupada e um Dan assustado.

-Qual o estado dela Uchiha?

-Entre duas e três contrações a cada dez minuto. -ela assentiu. -Tsunade, Orochimaru injetou algo nela. -ela me olhou firme e tratou de ir examinar a irmã.

-Nechan. -Lya abriu um sorriso de alivio.

-Dan cuide do Itachi, eu cuido da Lyandra. -Dan me ajudou a sair do quarto e começou a fazer os primeiros socorros.

-Onde está a Ayume?

-Com a avó. A casa foi cercada minutos depois de vocês saírem, tivemos muito trabalho, mas minha sogra parecia ter uma boa experiência em lutar com uma criança no colo. -ele ria sádico. -Eles eram muitos Itachi, estavam ali apenas para nos conter. Quando enfim conseguimos sair eu tentei seguir seus rastros, mais em meio ao caos era impossível, então encontramos seu corvo.

Esperei que ele tivesse terminado e assim que senti que a tontura diminuiu me levantei mesmo contra os protestos de Dan.

-Eu não a deixarei sozinha, ela precisa de mim. -ele afirmou e me disse que iria buscar sua sogra e filha.

-Lya. -ela estava toda suada e visivelmente cansada.

-Limpe o suor dela. -Tsunade me ordenou e eu não contestei.

Me aproximei e limpei seu rosto carinhoso e ela me olhou fazendo-me ver a dor em seus olhos. Deuses como eu queria estar no lugar dela.

-Vamos Lya, você precisa trazer o Shisui, faça força eu sei que você consegue. -Tsunade a encorajou, mas quando essa me olhou eu soube que algo estava errado.

-Eu estou aqui com você amor. -segurei sua mão e ela a apertou com mais força do que eu jugava ser possível ela ter.

Aquela tortura ainda durou mais algumas horas e sua mãe já estava ali a ajudar também, então foi incontestável a júbilo que sentimos quando todos ouvimos o chorinho do nosso pequeno, levando o alivio imediato ao rosto de todos.

-Shisui. -ela disse fraca e Tsunade mal havia cortado o cordão umbilical quando Lya abriu os braços chorosa pegando nosso pequeno no colo.

Shisui logo parou de chorar se aconchegando ali, Megumi tirou uma manta da comoda e Lyandra o enrolou nela o protegendo do frio.

-Ele é a sua cara Itachi. -ela disse feliz e o virou me entregando ele. Me perdi ao olhar aquela pequena criaturinha em meus braços, ele parecia que iria quebrar com qualquer movimento brusco meu. Sua pele era tão branca que dava para ver as pequenas veias que circundavam seu corpo, mas ele já possuía pequenos fios negros na cabeça e seus olhos com toda certeza eram da mesma cor. -Cuide bem dele Tachii. -me virei para olhá-la e me assustei ao ver sangue saindo de seu nariz.

-LYA. -Tsunade estava ao seu lado assim como sua mãe que chorava. -O que está havendo Tsunade.

-Veneno, Lya eu preciso…

-Não. -ela olhou para o Shisui em meus braços. -Primeiro o Shisui… Ele pode estar envenenado também… ele recebeu meu sangue… -ela tinha dificuldades para falar. -Por.. por favor…

-Entreguei meu filho a Tsunade que se segurava para não chorar.

-Lya filha… -sua mãe sentou ao seu lado. -Estou tão orgulhosa de você. -sentei do outro lado segurando sua mão.

-Tac…

-Shiii… Não fale nada. -limpei o sangue que escorria de seu nariz e vi seu cabelo branco manchado de vermelho, o que me indicava que seu ouvido também sangrava. Beijei sua mão e a testa.

-Sui… ele…

-Se algo acontecer a você… -respirei fundo e limpei as lágrimas de seu rosto sabendo que as minhas próprias já molhavam o meu. -Eu cuidarei dele, você sabe que o amarei da mesma forma que te amo. -ela me sorriu me mostrando os dentes ensaguentados, e eu fechei meus punhos me odiando por não poder fazer nada além de conforta-lá.

-O Shisui está fora de perigo. -vi o meu alivio estampado no rosto dela. -Itachi preciso que você fique com o Shisui, e mãe, fique com o Itachi é o primeiro filho dele, ele não vai saber o que fazer se o bebê chorar. -ela assentiu e todos entendemos o que aquilo significava. Se o pior acontecesse minha sogra deveria me parar.

Peguei meu filho no colo e me afastei para que Tsunade cuidasse de minha mulher, mas eu não sairia do quarto, eu não sairia dali enquanto ela não… enquanto ela… eu não sairia dali.

Eu já tinha sentido aquele sentimento de impotência antes, na Vila da Área quando a Lya tinha sido sequestrada e eu não sabia se chegaria a tempo, nem o que encontraria. Mas naquela época eu não sabia como a ignorância era uma benção, pois agora eu estava ali a vendo morrer lentamente sem poder fazer absolutamente nada.

Shisui se mexeu em meus braços e eu o olhei, nosso pequeno também sentia que algo estava errado.

-Sua mãe é muito corajosa filho, ela se arriscou tanto por você.

-Ela sempre foi corajosa. Sabe ela conseguiu a façanha de se casar com o amor de sua vida e mesmo contra todas as expectativas alheias ela conquistou o amor de seu pai. -sua avô dizia enquanto tocava seu dedo. -Ela sorria como nunca quando soube que esperava você, pois você foi o fruto desse amor. Então não me surpreende que ela tenha escolhido sua segurança pequeno.

Me obriguei a manter a sanidade, a vê-la perdendo a vida aos poucos, e nem mesmo me movi quando Tsunade iniciou a massagem cardíaca.

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Eu estava ajoelhado em frente a lápide com Shisui recém saído do hospital em meu colo.

-Obrigado por não ter desistido de mim, por ter sempre acreditado e me protegido -respirei fundo impedindo que as lágrimas rolassem. -Sem você eu não teria chegado até aqui. -apertei aquele concreto frio com a mão livre. -Fico feliz por ter segurado o Sui ao menos uma vez, sei o quanto isso significou para você, e não se preocupe, eu vou amar e cuidar sempre de minha família como você me ensinou a fazer. -um beijo molhado em meu rosto e o forte aperto em minha perna me passaram um carinho que eu jamais imaginei ter de outra pessoa além daquela ali enterrada. -Muito obrigada por tudo mãe, eu amo você.

Lya depositou o ramalhete de flores silvestres sobre a lápide de minha mãe e fez suas preces silenciosa. Estendi-lhe Shisui e ela o aconchegou em seu colo, assim como eu fiz com ela no meu, ainda não a permitiria andar por aí.

Aquela tinha sido uma semana complicada para todos, mas de alguma forma eu me sentia aliviado por tudo. Tínhamos ganhado a guerra, Tsunade tinha conseguido extrair todo o veneno que estava em minha esposa a salvando, e minha mãe tinha conseguido ver o neto antes de morrer. E claro, eu tinha me tornado mais super protetor do que nunca durante a recuperação dos dois. O Shisui passou por alguns exames por ter nascido prematuro, mas ele logo foi liberado, já a Lya teve de ficar nos hospital por uma semana em observação, aos quais eu claramente não sai do seu lado.

Agora eu olho meu filho ostentar sua bandana e sorriu discretamente orgulhoso dele. Shisui assim como eu se tornou ninja muito cedo (para o desespero da mãe), e eu sabia que sua maior motivação era exatamente igual a minha, proteger aqueles que ama.

Sasuke e Sakura se casaram alguns meses após a morte de nossa mãe, e logo nasceu a Sarada. Naruto e Hinata não ficaram para trás com o Boruto e a Hiwamari (minha nora).

Eu bom, eu me tornei o líder do clã por alguns anos (resolvi devolver o favor a Obito quando este se casou com a Rin, e cuidei das coisas durante uns anos para que ele aproveitasse o casamento), e como meu tio Madara eu aconselhava o atual Hokage, Minato. Sempre me perguntava como a Lya aguentava aquelas reuniões chatas do conselho pois eu não suportava aquela ladainha, mas em meu clã as coisas ficaram bem intensas quando eu me tornei líder, isso por que eu mudei algumas regras como o apoio de meu tio, irmão e primo. Primeiramente acabamos com todos os casamentos arranjados o que gerou uma discussão nada bonita na ultima reunião.

-Você não pode está falando sério. -Sakamoto-maldito-que-não-morre latiu.

-Tão sério como a sua ida para o hospital se ousar levantar um pouco mais sua voz quando se dirigir a mim. -todos silenciaram e Madara sorria sadicamente. -Se eu souber que algum de vocês obrigou seus filhos ou netos a se casarem eu mesmo vou degolá-los por traição. -eles me olharam assustados. -E outra, se uma mulher seja ela Uchiha ou não sofrer qualquer tipo de agressão doméstica eu mesmo cuidarei para que o agressor sofra três vezes mais. -eles quase se engasgaram com a própria raiva. -Não quero outro Fugaku sendo criado em nosso clã.

-E o que faremos com nossas filhas? Se não podemos…

-Seus filhos não são objetos, muito menos moeda de troca. -rosnei. -A partir de agora as meninas do clã também receberão o colar Uchiha, e se for de seu desejo se tornarão ninjas.

-VOCÊ… -Kaito caiu sobre a mesa a babando antes mesmo de terminar de falar.

-Alguém mais vai ousar me desafiar? -todos os sete velhos restantes engoliram em seco e Madara gargalhou sendo acompanhado discretamente pelo filho e por meu irmãozinho baka. -Ótimo, vamos continuar.

O Shisui era uma cópia minha, sempre quieto e observador e eu nunca o tinha o visto chorar até os oito anos, assim como a sua mãe que desde o seu nascimento era só sorrisos, por isso quando a ouvi gritar com ele daquela forma desesperada não pensei duas vezes ao correr até eles.

-PROMETA SHISUI. -Lya o sacudia e chorava de joelhos na sua frente.

-Não mãe, me desculpe. -meu filho nunca nos deu trabalho, então ao vê-lo negar algo a mãe eu me assustei, mas não tanto quando quando Lya caiu para trás e eu vi sangue nas vestes dela e na dele e o cheiro de ferro atingiu minhas narinas.

-Lya, Shisui, o que… -Lyandra se jogou nos meus braços e me agarrou como se sua vida dependesse daquilo, ela chorava tanto que soluçava fazendo seu pequeno corpo tremer em meus braços. -Shisui. -meu filho parecia apreensivo, mas me olhou firme e começou a falar apertando os punhos fortemente.

-Fomos atacados no caminho para casa. -peguei Lyandra no colo e a coloquei no sofá e desesperadamente procurei ferimentos em seu corpo. -A mamãe está bem..

-Me desculpe Itachi… -ela se agarrou no meu pescoço. -Eu não pude proteger nosso filho… Eu sou tão inútil. -me virei para Shisui o puxando e ele negou dizendo que estava bem e me mostrou o recém curativo em seu braço esquerdo. -Se algo estivesse acontecido ao Sui, eu… eu… -ela não estava em condições de falar, então meu filho continuou.

-Estávamos na travessia das Sakuras quando dois deles apareceram, e a mamãe se pós a minha frente, ela se ofereceu para ir calmamente se eles me deixassem em paz. -sua raiva era visível e eu entendia bem como ele se sentia, mas me obriguei a ser racional e ouvir tudo calmamente. -Eu claramente não permiti, e me coloquei em posição de ataque…

-Você poderia ter morrido… -ela chorou e meu filho estava com tanta raiva que seu sharingan foi ativado como o meu deveria estar desde que entrei em casa.

-Me perdoe mãe, me desculpe por lhe desobedecer, mas eu não poderia deixá-los machucá-la, mesmo que a senhora não estivesse grávida eu não os permitiria lhe encostar nenhum dedo, assim como a senhora, eu não poderia olhar para o papai se algo tivesse lhe acontecido.

-O quê? -ambos olhamos para Shisui e ele sorriu discretamente e eu olhei mais seriamente para o fluxo de chakra de minha mulher, minha preocupação foi tanta que eu deixei passar o óbvio.

-Tachii? -eu confirmei sua pergunta implícita e assim como eu que quase caí no chão, Lyandra se deixou recostar no sofá suspirando perdida, mais ela se recuperou mais rápido do que eu.

-Me desculpe filho. -ela o puxou para um abraço. -Mas como sua mãe é minha obrigação proteger você, então entenda que mesmo eu não sendo ninja como vocês, eu sempre vou me colocar a sua frente, não importa o quão forte você seja, é instinto. -ela me estendeu a mão e eu fui para o lado dele abraçando-os. -Eu amo muito você, obrigada por nós proteger. -ela beijou sua testa carinhosa.

-Obrigada por proteger sua mãe filho. -beijei sua cabeça e vi quando ele começou a chorar, ele devia estar muito assustado com o que aconteceu e aquilo me fez ficar com ainda mais raiva.

-Tachii. -Lya tocou meu rosto e sorriu. -Não mate ninguém! -fiz que sim. -Algumas pernas e braços quebrados no máximo ok! -ela riu.

-Shisui. -minha voz soou fria, e eu tentei me controlar, a anos não me sentia assim, no limite da sanidade, por isso me apeguei ao máximo a ideia de que todos estavam bem.

-Eu cuidarei da casa pai, ninguém irá entrar aqui. -assenti e beijei a testa dele e a dela.

Aquela dia uma caçada se instaurou no nosso clã, Madara, Óbito e Sasuke me ajudaram a juntar todos os culpados, e como prometido a minha mulher eu não matei ninguém, mas eu não falei nada sobre não os fazer sofrer por anos em alguns minutos. Todos as velhos do clã estavam de alguma forma envolvidos, e por isso depois de os fazer de exemplo eu renunciei da liderança do clã, passando-o para o herdeiro de direito.

Depoois daquele dia eu sempre mantinha alguém cuidando da minha mulher, não que fosse necessário, já que quando a noticia do ocorrido em meu clã se espalhou as pessoas ficaram assustadas, pois se eu fazia aquilo com os de meu clã, quem dirá o que eu poderia fazer com os de fora. Talvez por isso quando a Tsubasa nasceu no outono daquele ano sem nenhum incidente todos estranhamos aliviados a calmaria.

Tsubasa assim como o irmão tinha toda a aparência física de um Uchiha, mas sua personalidade era de uma "Senju" (endiabrada) como meu tio nunca cansava de pontuar. Não podíamos tirar os olhos dela por um minuto que esta estava aprontando algo, e o pobre Shisui só faltava montar guarda ao seu lado. Ela era o xodó de Madara e Hashirama que a mimavam muito e esta os fazia de "gato e sapato" como minha mulher costuma dizer, e os velhos lhe tomaram como aprendiz desde cedo o que a tornaria uma ninja formidável.

Tsubasa cresceu cercada de cuidados, mas isso não a tornou menos forte, apenas a tornou extremamente sensível as pessoas e por isso ela talvez tenha sofrido mais em lidar com nosso nome. Então quando eu cheguei de missão e a vi sozinha á brincar de chutar a água do lago me peguei observando a quanto tempo minha pequena pestinha tinha tinha deixado de ser tão pequena e se tornado uma bela adolescente.

-Não me diga que está planejando por fogo na casa de alguém. -brinquei quando me aproximei e ela sorriu se virando para mim.

-Por que sempre que fico quieta vocês acham que eu irei aprontar? -ela perguntou traquina e eu levantei a sobrancelha a indagando silencioso e ela bufou e alargou mais o sorriso. -Talvez mandar uma tarantula de presente para alguém. -ela deu de ombros e foi minha vez de suspirar, minha pestinha sempre seria uma pestinha.

-Você não tem jeito filha. -baguncei seu cabelo e ela riu.

-Obrigado pai. -lhe dei um cascudo. -Ai.

-Isso não foi um elogio. -ela voltou a rir, mas depois ficou séria e eu sabia que não era pelo cascudo, eu nunca baterá realmente em meus filhos.

-Pai, posso te perguntar algo? -a observei e assenti, e me ajeitei para me sentar na beirada do lago, tomando o cuidado em retirar meu armamento ninja e ela se recostou e deitou a cabeça em meu colo num pedido implícito de carinho, e eu sorri ao perceber que assim como a mãe ela era manhosa.

-Você se apaixonou não foi? -ela brincava com o colar de nosso clã em seu pescoço entre os dedos, mas seu rosto corado era tudo que eu precisava para confirmar minha pergunta.

-Como você soube que a mamãe era a pessoa certa para você, que ela te amava por ser quem é e não por seu nome? -ela parecia tão adulta ali que me dei conta de que logo minha princesinha, assim como seu nome, logo criaria asas e voaria para longe de casa.

-Quando eu me casei com sua mãe eu ainda tinha minhas dúvidas. -ela assim como a mãe previsivelmente mordeu o lábio inferior apreensiva. -Mas ela era alguém que tinha arriscado a vida por mim, alguém que não esperava que o "incrível" Uchiha Itachi a salvasse, ela me viu e me tratou como um humano comum e isso mais do que tudo me fez perceber que ela era sincera sobre seus sentimentos por mim.

-Todos esperam que façamos coisas incríveis. Que eu seja inteligente o tempo todo, e que tenha força e perspicácia para resolver qualquer coisa. Mas eu… eu não sou assim pai, eu não sou tão inteligente quanto vocês, nem tão forte, e…

-Você é tão parecida com sua mãe filha que as vezes chega a me assustar. -limpei seu rosto. -Eu vou te contar um segredo que nem sua mãe sabe. -ela me olhava num misto de curiosidade e eu me vi naqueles olhos, meu eu de anos atrás. -Eu seguia sua mãe quando ela era mais jovem, pois protegê-la era a forma de eu me sentir menos culpado pela morte de meu primo, e a vi crescer. Ela era assim como você, e sempre que iria aprontar ela tinha esse mesmo sorriso traquina que você tem. Sua mãe, como você, teve de lidar com a sombra de seu sobrenome, e da mesma forma que você ela nunca demostrava para os outros nada além de um belo sorriso. E nem mesmo quando parou de andar ela parou de sorrir, sabe porque Tsubasa? -ela fez que não. -Por que ela percebeu com os anos que não deveria se importar com o que esperavam dela, mas sim com o que ela realmente queria fazer, e sempre que queria algo ela não media esforços para conseguir. -alisei seu cabelo. -Então se você quer algo ou mesmo alguém, não meça esforços para conseguir o que quer, e faça com que te reconheçam por algo além de seu nome, como nós a sua família a reconhecemos. Mostre a esse alguém que Uchiha Tsubasa é muito mais do que só uma Uchiha/Senju. E se em algum momento você tiver dúvidas ou se perder eu e sua mãe sempre estaremos de braços abertos para te ouvir e consolar. -ela pulou de meu colo e me abraçou.

-Obrigado pai. -a apertei firme.

-Mais eu vou investigar a família dele. -ela se afastou revirando os olhos me fazendo sorrir. -E me diga quem foi o pobre coitado e o que ele ou ela fez para ganhar uma aranha de presente.

-Acho que ouvi a mamãe me chamar, tchau pai. -ela correu antes que eu pudesse me pronunciar me fazendo rir.

-É Lya, nossa pestinha cresceu.

Alguns anos depois Tsubasa se casou com Shikadai, o que deixou Lyandra extremamente feliz, já que ela e Temari eram amigas de loga data, e eu tinha fortes suspeitas de que nossa filha o amava desde pequena. Não me importei com a diferença de idade deles, quem era eu para falar sobre isso, tudo que eu me importava era em ver o sorriso de minha filha e a devoção de seu marido para com ela.

Sasuke e Naruto viviam em pé de guerra, e meu irmãozinho tolo relutou em aceitar que Boruto e Sarada se cassassem, mais eu sabia que ele só não queria que a filha saísse de casa. Assim como Madara relutou em deixar que Minay (filha de Obito e Rin) se cassar com um ninja da vila da chuva. Já Shisui não teve problemas em se casar com Hiwamari, Hinata e Lyandra choraram de felicidades quando eles contaram que estavam namorando e Naruto apenas desejou felicidades a filha e quando eu lhe perguntei se ele não estava chateado ele me deu uma resposta que me fez repensar sobre como as pessoas agora viam meu nome. "Porque eu me preocuparia Itachi, qual pai não deseja que a filha seja amada de verdade, e não há amor mais sincero e verdadeiro do que o de um Uchiha!"

As pessoas agora não nós viam como demônios amaldiçoados, mais como pessoas que verdadeiramente amam alguém.

Agora todos sabiam que era o amor que nos tornava mais forte, e que por ele que vivíamos mais e mais.

Um Uchiha podia ser frio e impiedoso por fora, mais quente e absolutamente romântico por dentro.

E agora eu te pergunto! Você também quer se casar com um Uchiha?