REMEMBER


Disclaimer:Estes personagens não me pertencem, mas sim a Naoko Takeushi, e não estou obtendo qualquer forma de ganho financeiro com esta Fanfic.


2º Capitulo

«Saber ou não Saber»


Depois de o médico sair, deu-me alta e voltei para casa.

Ainda estou confusa com o que aconteceu. De uma hora para a outra, fico sem me lembrar de quase nada e com uma terrível dor de cabeça. O único aspecto positivo desta situação, é que agora já sabia o que ocorrera. O Darien contou-me o que se tinha passado, ele sentia-se ligeiramente culpado. Por sua vez, o Andrew não parava de me questionar se eu estava bem. Ele não parava de me fazer várias perguntas. Até parecia que estava em algum teste de escola.

Nos estávamos falando normalmente:

- «Serena! Diz-me, lembras-te como me conheceste e ao Darien? E como ias todos os dias ao Game Center comer um mega milk-shak com tudo o que merecias? E …» – Era uma atrás da outra. Era incrível como ele nem se preocupava, em respirar para falar. Praticamente eu nem conseguia arranjar um intervalo para tentar responder.

Apenas alguns factos me escapavam da memória. Lembrava-me de quem eram os meus pais, de onde morava e outras coisas, mas certos detalhes estavam perdidos em minha mente. E acreditem, ela é bem vazia.

Ele não parava, e a minha resposta; quando finalmente conseguia arranjar uma brecha para falar, era a maior parte das vezes, a mesma:

- «Não, não me lembro.» - Dizia eu. E como em todas as outras, ele fazia cara de quem não gostava do que ouvia. Mas desta vez, para espanto geral, ele apenas se sentou na cadeira colocou a mão na cabeça, parecendo ponderar o que estava ocorrendo, ficando assim durante algum tempo. Darien aproveitou a oportunidade para me contar tudo o que Andrew me tinha perguntado. Era sempre assim, um perguntava e o outro respondia. Era até cómica a situação.

Achava o Andrew um rapaz muito simpático e que se preocupava com as pessoas. Sentia como se ele fosse um irmão para mim, embora não me lembra-se que relação mantinha com ele. Quanto ao Darien, sentia-me confusa, ele era muito atencioso, mesmo tendo me chamado; como era mesmo aquele apelido? Cabecinha de vento? Acho que era assim. Ele agora mostrava-se um rapaz muito educado. Eu sabia que ele estava preocupado comigo, embora não o demonstrasse tão facilmente e se esforçasse ao máximo para o esconder. Contudo, as suas atitudes não enganavam ninguém. No entanto, tinha uma coisa nele que me fazia sentir diferente, não sei explicar o que é. Eu sentia-me segura quando ele conversava comigo, quando olhava directamente pra mim, um calor dentro de mim começava a nascer e o meu coração batia depressa. Será que já fomos namorados? Não! Era impossível, não era? A sua maneira de se comportar não era de um namorado para com a sua namorada.

E foi assim que se passou. Depois disso vim para casa. Os meus pais estavam muito preocupados comigo e queriam saber o que tinha acontecido.

- Estas mesmo bem, Serena? – Perguntou minha mãe

- Sim, não se preocupe. Estou me sentindo bem. - Tentei acalmá-la.

- Porque não nos avisaram que estavas no hospital? És menor, isso era uma obrigação deles. Nos tínhamos ido ter contigo. - Falava o meu pai que, até aquele momento, ainda não tinha se pronunciado.

- Eles queriam contactar-vos, mas tanto o Andrew como o Darien, não sabiam o número de telefone de casa.

- Quem são esses rapazes? – Questionou-me meu pai com um olhar curioso, assim que mencionei os nomes dos dois.

- São apenas amigos. Levaram-me ao Hospital quando me magoei. - Respondi tranquilamente. Não tinha nada a esconder.

- Já contas-te que tinhas amnésia temporária, mas até que ponto é que te lembras das coisas? – Perguntou a minha mãe mudando de assunto.

- Apenas não me recordo das coisas mais recentes e como disse é temporária. Por isso, de um dia para o outro, eu posso voltar a lembrar-me de tudo. É só ter paciência. - Sorri para ambos, tentando passar confiança.

- Então vou preparar-te um jantar bem caprichado, para a minha menina se recuperar depressa. – Empolgada, ela correu para a cozinha, começando a preparar a comida. Que por sinal, ficou uma maravilha; como era de se esperar.

- Achas que estás em condições para ires às aulas Serena? Se preferires podes ficar em casa para descansares. Não te preocupes que eu falo com a professora contando tudo o que se passou, ela vai entender.

- Efectivamente que estou cansada, mas também não poço faltar às aulas. Como não sei que matéria estamos a dar, é melhor eu não faltar para poder pôr a matéria em dia e não ficar mais atrasada em comparação com a turma – Dou um beijo a meu pai e volto para o quarto. Estava cheia de sono. E assim se passaram dois dias.

Dormia como um anjo, e a noite pareceu-me mais longa que o habitual. Contudo, o ponteiro do relógio avançava, até o despertador começar a tocar. Não queria levantar-me! Estava tão bem na minha cama, que apenas o pensamento de acordar, já me dava uma preguiça. Porquê que não tinha retirado as pilhas do relógio? Assim poderia dormir mais um pouco. Pela primeira vez em tantos anos, apercebi-me que o despertador era mais teimoso que eu.

Acabei por me dar por vencida. Levantei-me, organizei tudo o que precisaria para aquele dia e tomei a refeição. Tinha de chegar a horas à escola e falar com a professora acerca do meu estado. Mas o mais importante, e o que eu estava mesmo curiosa, era saber se tinha boas notas antes do acidente.

Enquanto estava a caminho da escola, tentava fazer um «auto-retrato» sobre como as minhas notas escolares. Será que eu era do tipo de rapariga que estuda todos os dias, e quando a professora coloca uma questão eu sou a primeira a levantar a mão respondendo acertadamente? Aiii era tão bom imaginar. Mas seria mesmo assim? Ou eu sou uma rapariga que não sabe de nada e só tira nega nos exames? Não sei porquê, mas a primeira opção parece-me a mais confortante.

Agora que me lembro, quando estava tomando o pequeno-almoço ouvi os meus pais a falar sobre mim. Não consegui entender o que queriam dizer com aquelas palavras.

Foi mais ou menos assim:

- «Acho que a Serena não anda bem. Em comparação com os outros dias, em que era necessário ir chamá-la mais de três vezes ao quarto, puxar a roupa da cama e ameaçá-la que não ia ter pequeno-almoço se não se levantasse, ela hoje acordou cedo. Nem foi preciso ir acordá-la, tomou a refeição com bons modos e o mais surpreendente foi que nem pediu para repetir.» - Contava a minha mãe tentando em vão que eu não ouvisse, do meu quarto, o que estava a dizer.

- «Já tinha reparado na mudança de atitude quando a Serena chegou do hospital a casa, perguntei-lhe se queria faltar às aulas e ela apenas recusou. - Meu pai fez uma pausa e minha mãe espantou-se com a notícia. – Se fosse noutro momento, ela apenas aceitaria e dizia que eu era o melhor pai do mundo, dava-me um abraço e ia embora afim de eu não mudar de ideias.» - Olharam um para o outro e suspiraram.

Isto fez-me pensar que eu era uma rapariga muito cabeça no ar. Aiiii. Já começo a parecer o Darien. Ele apelida-me cabecinha de vento, e eu começo a me chamar de cabeça no ar. Estou ficando maluca.

Mas voltando à nossa conversa. Eu sinto que a minha personalidade antes do incidente entra em conflito com a minha maneira de ser após o acidente. Por exemplo, em certos momentos, o meu coração diz-me para fazer uma coisa mas a minha consciência diz exactamente o contrário. Como se desejasse me comportar como uma criança mas me obrigassem a ser adulta. Tenho de confessar que muitas vezes fico confusa, sem saber como agir.

O tempo passou a correr. Mal dei por mim, já começava a avistar a escola apenas a alguns metros à frente.

Entrei na sala de aula e não consegui deixar de reparar, que já estavam muitos dos meus colegas conversando e rindo. Dei uma breve olhada pelo recinto e reconheci uma rapariga sentada a estudar no meio de tantos alunos a se divertir. Ao ver esta cena recordei-me quem era essa rapariga. Lembrei-me que ela era a mais inteligente, tirando as melhores notas da nossa turma e quem sabe da escola. Era a Amy. Sim, finalmente lembrei-me de algo, corrigindo a frase, lembrei-me de alguém. Quando estava indo falar com ela, aparece a professora e nos manda sentar a todos.

- Por favor, sentem-se e parem de conversar. A aula vai ter início e vou começar a dar a matéria de hoje. Vamos primeiramente rever a matéria da última aula de português. Abram o vosso livro na página dos Recursos estilísticos, no nível semântico.

Sem reclamar, todos obedecemos as ordens da professora. A aula correu perfeitamente. A professora explicou os recursos estilísticos, e em pouco tempo deu inicio a uma ronda de perguntas.

- Alguém de vós, sabe dar um exemplo de um recurso estilístico a nível semântico? – Fez-se um silêncio quase total. Como sempre, Amy levantou a mão para responder. – Sem ser a Amy, alguém sabe a resposta? – Como eu sabia, levanto a mãe. Agora era só esperar para ter autorização para responder.

- Serena? Se levantas-te a mão apenas para saber se podes sair da sala, ou fazer alguma graça podes começar já a parar com isso. - Avisou a professora.

- Desculpe professora, mas a minha intenção era responder a sua pergunta. - Mal terminei de falar, uma onda de surpresa espalhou-se pela sala. Todos estavam olhando para mim. Era impressão minha, ou estão todos com cara de assustados? Parece que viram um fantasma.

- Se..serena. - gaguejou a professora - Falas-te o que eu acabei de ouvir? - A professora parecia mesmo em estado de choque. O que estaria a passar com ela? E porque estavam todos ainda pasmos a olhar-me? Será que tenho alguma coisa na cara? Eu lembro de a lavar logo de manhã, por isso não pode ser esse o motivo. Então o que será?

- Eu apenas levantei a mão para responder ao que tinha perguntado. - Volto a repetir simplesmente.

- Bem, … como não é vulgar esta atitude de sua parte não vou deixar escapar a oportunidade. Então diga-me um exemplo.

- Uma das respostas possíveis era Antítese. - Se antes, estavam todos olhando para mim quase sem respirar, então agora tinha sido a gota de água.

Eles não estavam olhando para mim, nem falando alguma coisa. Simplesmente olharam-se uns para os outros sem saber o que fazer. Não estou gostando da forma como estão agindo, pareço um total espantalho. O que seria que estava de errado. Neste momento só me arrependia de ter respondido. Estava a me sentir minúscula no meio naquela sala, só queria um lugar para me esconder.

- Eu não acredito! – "Eu não posso acreditar que a Serena tenha acertado na resposta. Quando ela me disse que queria responder, pensei que fosse arriscar qualquer opção, afinal parece que me engane. Ela não pode estar bem de saúde." - Tem a certeza que não quer ir a enfermaria? Uma de suas amigas pode acompanhá-la

- Eu estou bem professora. Não preciso de ninguém que me leve para a enfermaria. - Tentei convencer a professora.

- Tem a certeza? – Acenei com a cabeça confirmando. - Tudo bem. Apenas estou estupefacta com o que aconteceu aqui dentro. Não é todos os dias que se vê uma coisa destas, e eu que não acreditava em milagres. - Confessou, embora eu não tenha percebido o que ela estava a tentar dizer com aquilo. - Vou aproveitar este momento de inteligência para continuar a matéria. - Voltou para a sua secretaria e continuou a falar – Já que respondeu certo, podia explicar o que é uma Antítese? – Perguntou com olhar de expectativa.

- Claro que sim, essa é fácil. - Ela arregalou os olhos e curiosa manteve-se atenta ao que eu ia dizer. - Uma antítese é a apresentação de um contraste entre duas ideias ou coisas. - Acho que acabei de descobrir o que se passa comigo nestes últimos dias. Era sem dúvida um exemplo de uma Antítese, ou seja, um contraste de personalidades. - Mas podemos ter outros exemplos de recursos, como a Personificação que se caracteriza a atribuir qualidades ou comportamentos humanos a seres que não o são, podemos reparar nesta frase: Ao cair do sol a Noite suspirava. - Depois de responder a muitas outras perguntas, e de deixar todos com ar de apatetados, terminamos a aula de português e passamos para a de história, onde também não deixei passar as oportunidades de responder a várias perguntas. Sempre que ia ao quadro fazer algum exercício estava sempre correcto. O dia não podia estar a correr melhor.

Finalmente terminaram as aulas. Sinto-me bem ao ser admirada por todos. Era como se antes nunca tivesse participado em alguma aula. Mas hoje tinha sido completamente diferente. Agora no final do dia de aulas, só quero festejar. Nunca me tinha sentido tão bem. Era tão bom me sentir assim, com um friozinho no estômago.

Mas para onde vou agora? Qual era o melhor sitio para passar um bom tempo a divertir? É claro! O Darien e o Andrew tinham me contado que eu ia muito ao Game Center logo que acabavam as minhas aulas. Então é para lá que eu vou. Quero contar a eles como foi o meu dia. Será que eles vão ficar contentes por mim?

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CONTINUA …

Espero que tenham gostado.

Por favor, qualquer erro comuniquem, ok?