- Cavaleiro... de Aquário? Então Valentin é o Cavaleiro de Aquario?

Sua armadura era negra e diferente das que vestiam os Cavaleiros de Atena. Era uma armadura avermelhada, que lhe cobria quase todo o corpo. Sobre a cabeça lhe cobria um elmo com a forma de um leão. Sua energia transmitia inegavelmente um instinto assassino, como ele mesmo havia anunciado. Aquilo era muito sério. Valentin, com os olhos cerrados, dirige-se ao estranho.

- Essas crianças não tem nada a ver com isso. Peço, por favor, que deixe-os ir.

- De fato, as crianças menores são irrelevantes. Mas não posso garantir que no combate sofram qualquer efeito colateral. Entretanto, aquele não sairá vivo daqui também.

Anatolyi sente um frio percorrer sua espinha. Seu corpo mantem-se paralizado, pois não esperava ser envolvido. Conhecera Valentin hoje e já lhe negara a possibilidade de ser cavaleiro. Seus irmãos lhe abraçavam e lhe seguravam com força, em prantos.

- Mas... quem é você? Por que quer me envolver nisso?

- Não se preocupe, terá uma morte tranquila e rapida. Sou Apostolis de Leo Nemaeus e serei
o seu algoz e do Cavaleiro de Aquario. Recebi a ordem de matar todos os cavaleiros.

- Jamais deixarei que encoste suas maos em Anatolyi, Apostolis. Você foi enviado pela Deusa Hera, não é verdade?

- Como é, Sr. Valentin? Está dizendo que este é o mesmo Leão de Neméia enviado para matar Hércules na mitologia grega!

- Exatamente. Sou o leão invencível, a terrível fera imortal cuja pele não pode ser ferida por arma ou poder algum. Por essa razão, é melhor que se entreguem e aceitem a morte. Nem mesmo um cavaleiro dourado de Athena pode me deter.

- Mas por que quer me matar? Não sou cavaleiro nem pretendo me tornar um! Nem sou o lendário Hércules!

- Hércules reencarnou nesta época como um dos cavaleiros de Atena, a Senhora Hera transmitiu isto em seu oráculo que nunca mente. Seu cosmos não se manifestou até agora, mas isto é uma certeza. É um absurdo que Atena se rebele contra os desejos do Olimpo e abrigue Hercules em seu Santuário.

- Hércules...? Ele retornou mesmo a Terra... Bom, imagino que foi voce quem assassinou brutalmente meu discípulo Evgeny de Coroa Boreal, um Cavaleiro de Prata.

- Feh...

- Seu discípulo, senhor? Era um... Cavaleiro de Prata?!

- Faz alguns anos que não via Evgeny, porém ele era forte, como os cavaleiros de prata são. Foi encontrado morto em posição defensiva. Recebi uma carta do Santuário para vir até esta cidade, onde ele morava, para averiguar. Pelos relatos que recebi, sua armadura estava completamente destruída e não havia sinais de luta. Foi derrotado com um único e poderoso golpe.

- E assim farei com todos os chamados Cavaleiros de Atena.

- Mano, eu tô com meedoo!!

- Maninho, ele vai machucar você!

- Misha, Sasha, vão para dentro da casa, por favor. Eu ficarei bem.

- Mas irmão!

- É uma ordem! De seu irmão mais velho! Vão!

- Va... vamos, Misha.

Apostolis estava imóvel, bem como Valentin. Parecia que ambos se estudavam, esperando que iniciassem seus ataques. O vento agitava os galhos congelados de uma velha arvore. Da janela da casa de Anatolyi, Sasha e Misha choravam, tentando imaginar o que estava acontecendo.

Valentin tira de suas costas a sua bolsa. Quando ela cai no chão, afunda na neve, como se fosse uma rocha pesada. Apostolis se mantinha impassível. Calmamente abre e revela um baú que reluzia com a lua cheia, encoberta parcialmente por nuvens escuras. Anatolyi pôde ver que aquele baú tinha vários detalhes e desenhos em alto relevo. Ela brilhava como ouro. Aliás, ela era de ouro! Ao centro, um desenho que certamente representava a constelação de aquario.

- É... de ouro... é mesmo de ouro, Sr. Valentin!

- Anatolyi, aqui dentro está a armadura ouro de aquario. Somente doze cavaleiros tem a honra de vestir uma armadura de ouro, as mais fortes dentre todas. Elas correspondem às constelações que estão no caminho do sol, as constelações do zodíaco.

O baú reverbera e se abre. Uma luz forte como a luz solar emana de dentro e revela-se a armadura de ouro de aquario. Como varios raios de luz, ela se veste perfeitamente em Valentin.

- Por favor, Anatolyi, afaste-se.

Os dois guerreiros ainda se mantinham imóveis. Suas energias se espandiam e Anatolyi sentia-se como se estivesse no epicentro de um terremoto. Mas a terra não tremia e ele não conseguia explicar o que realmente estava acontecendo. Sua mente, acostumada a lógica, a razão, estava muito confusa com tudo o que tinha acontecido naquele dia.

A neve cai em forma de cristais, da mesma maneira como havia caido em frente da ourivesaria mais cedo. A temperatura cai rapidamente. Os cristais, que antes caiam lentamente, começam a acelerar-se. Um gélido vendo esvoaçava violentamente os cabelos longos de Valentin e Apostolis. Em um rápido movimento, ao qual Anatolyi mal pôde perceber, Valentin esmurra o ar a sua frente. Cristais de gelo saem de seu punho e uma forte tempestade se forma a partir de suas maos.

- Pó de Diamante!

Anatolyi mal podia segurar-se de pé. Mal podia enxergar Valentin e Apostolis. A intensidade da nevasca chegou ao maximo e, depois, aos poucos, foi diminuindo. Até que cessou e o que se podia ver era Valentin em sua pose de ataque e Apostolis coberto por uma camada grossa de gelo.

Valentin havia criado frio com as mãos. Aquilo impressionava Anatolyi, mas também o assustava. Como poderia um ser humano dominar a temperatura do ambiente? Sem dúvida são muito poderosos os cavaleiros de ouro.

No entanto, aquele poder impressionante não foi suficiente para deter Apostolis. O guerreiro de Hera moveu uma perna, depois a outra, e continuou caminhando na direção de Valentin.

- Você é muito poderoso, Cavaleiro de Aquário. É inegável que este poderoso ar frio pode derrotar qualquer guerreiro. Entretanto, eu fui enviado por Hera e ela tem total confiança em mim e no cumprimento de minha missão.

- Tenho certeza que é muito poderoso. Evgeny era muito poderoso. Mas vejo que um Cavaleiro de Prata não teria chances de vencê-lo.

- E você pode, cavaleiro?

- Eu devo detê-lo. Os deuses não deveriam enviar assassinos para matar aleatoriamente defensores da paz e da justiça. Ou qualquer ser humano.

- Entendo o seu ponto de vista. Porém, é uma blasfêmia o fato de questionar a vontade divina. Mostrarei isso cumprindo integralmente a minha tarefa.

- Como disse, irei detê-lo aqui mesmo. Posso não ser o heroi Hercules, mas é melhor não subestimar o poder de um cavaleiro de ouro.

Apostolis concentra a sua força e novamente surgem chamas azuladas a sua volta. A neve começa a derreter em um diametro bastante largo. Valentin se preparava para receber um golpe bastante poderoso.

- Fúria do Leão.

Varios pontos de luz hiper velozes atingem Valentin. Ele se esquiva a uma velocidade muito alta, que ia aumentando proporcionalmente a velocidade de Apostolis, que tambem acelerava seus golpes. Anatolyi mal acreditava que Valentin poderia se mover àquela velocidade. Sem duvida alguma movia-se muito mais rapido que a velocidade do som. Não, ele não conseguira mais acompanha-lo. Seria aquela a velocidade da luz?

Os sons das luzes cortavam o vento e emitiam um som altissimo, ensurdecedor. Como o rugido de um leão em furia. Anatolyi calculava que aquilo poderia ser escutado a quilometros de distancia.

Os zunidos mudaram. Agora parecia que atingiam algo, atingiam o metal da armadura de Valentin. De joelhos, e visivel agora, ele demonstrava ter sido atingido com força. O sangue escorria de sua boca. A sua frente estava Apostolis, pronto para atingi-lo com o derradeiro golpe.

- Mas... quando fez isso, Cavaleiro de Aquario?

Um muro de gelo havia se erguido em frente a Valentin. O golpe de Apostolis havia acertado aquele muro que nem sequer havia arranhado, refletindo perfeitamente a lua no céu.

- Apostolis, este muro de gelo não pode ser destruido. Nem pelos cavaleiros de ouro.

- É mesmo o que acha, Cavaleiro de Aquario?

Por detras de seus cabelos verdes, Apostolis procura algo. Ele tira uma espada de suas costas. Com um golpe rápido ele ataca o muro de gelo.

O muro de gelo construido pelo cavaleiro de aquario que, desde os tempos mitologicos nunca havia sido arranhado, se desfazia em cubos disformes de gelo.

- Como pode ser? Meu muro de gelo... foi destruido... essa espada é poderosissima.

- Morra, Aquário!

- Pó de Diamante!

Uma poderosa nevasca de gelo atinge Apostolis. Porém, aquele golpe não havia vindo de Valentin.

Anatolyi havia desferido uma tecnica de um Cavaleiro de Ouro. Havia copiado a técnica de Valentin. Uma técnica tão poderosa que obrigou Apostolis a desviar-se.

No entanto, Apostolis nota, alguns segundos depois, que não havia se esquivado totalmente. Sua perna esquerda havia sido congelada.

- Anatolyi, você... você conseguiu copiar minha técnica...

- Sr. Valentin, não posso ficar aqui parado sem fazer nada. Não pude me conter, senti essa força dentro de mim novamente, a cosmo energia. Eu tive que ataca-lo. Não...!

Antes que pudesse continuar, Apostolis surge a frente de Anatolyi e acerta-lhe um soco no estomago. Anatolyi é arremessado varios metros a frente. O sangue derramado de seu corpo forma uma linha no ar, seguindo-o ate a queda, que destroi a velha arvore que parecia assistir aquela luta.

Com a mesma velocidade, Valentin voou na direção dos dois e tentou deter o golpe. E deteve parcialmente, criando uma corrente de ar frio entre o punho de Apostolis e o corpo Valentin. Se não tivesse intervido, certamente o corpo de Anatolyi teria virado poeira estelar. A armadura serve exatamente para proteger o fragil corpo humano dos poderosos golpes dos cavaleiros, e Anatolyi nao tinha proteção alguma.

- Maldito Aquário!

Aproveitando a brecha, Valentin desfere um gancho no queixo de Apostolis. Um poderoso gancho, seguido de uma nevasca ainda mais fria e poderosa que a do pó de diamante. De fato havia desferido um poderoso golpe.

- Kholodnyi Smerch!

Valentin arremesa Apostolis para longe, para o alto. A energia de Apostolis sumira completamente. Valentin olhava para o céu, procurando-o. Sumira.

No entanto, era mais urgente que ajudasse o garoto ferido e, Valentin corre em sua direção.

- Anatolyi! Anatolyi, você está bem?