Capítulo X – O Complexo Grupo Apocalítico

Ultimamente o Santuário de Athena estava bastante movimentado. Os jovens cavaleiros e aprendizes, em seus tempos de folga, discutiam os boatos sobre os cinco companheiros que foram mortos por um guerreiro enviado por Hera, mãe de Athena. A informação sobre um Cavaleiro de Ouro ter sido deixado em coma deixava os cavaleiros de prata, bronze, aprendizes e soldados bastante apreensivos com relação a força destas bestas de Hera. Outra conversa comum era sobre a amazona de Cisne, que na verdade era, nada menos que, a reencarnação de Hércules. E ela já estava no Santuário.

O Mestre do Santuário, Ionnius, não liberava muita informação a respeito de sua estratégia perante a ameaça, pois não queria causar esse tipo de alvoroço. Porém, a falta de transparência acabou causando o efeito oposto.

O pouco que se sabia era repassado entre os Cavaleiros que não freqüentavam a Sala do Grande Mestre, e freqüentemente aumentado. Os Cavaleiros mais treinados e experientes já conheciam esta faceta do Mestre, mas mantinham-se despreocupados, na medida do possível, confiando plenamente em Ionnius. Os demais se desesperavam, em maior ou menor grau; gabavam-se de sua força, dizendo que seriam aqueles que salvariam Athena da ameaça de Hera; e outros, simplesmente, não se importavam com nenhuma daquelas conversas, considerando uma besteira discutir mexericos infundados, e seguiam sua vida normalmente.

Dos Cavaleiros de Ouro, pouco se sabia e raramente eram vistos. De fato, nunca havia se falado tanto em Valentin de Aquário como naquele momento. Alguns só vieram a conhecê-lo graças às últimas notícias. Muitos até insinuavam, de forma debochada, que, se ele foi derrotado, é porque era um fraco. O que era uma atitude deveras temerária, pois se fosse denunciado alguma declaração do tipo a um dos superiores, o infrator poderia ser chamado a prestar contas diretamente ao Mestre, sendo duramente punido. Alguns, inclusive, duvidavam da capacidade do próprio Mestre para cuidar da situação emergencial.

Naquele momento, um dos generais de Ionnius, Agapius, era levado à presença dele por uma denúncia desse tipo. Agapius estava de cabeça erguida e caminhando elegantemente, vestido com todo o rigor que seu cargo demanda: uma túnica de seda, uma sandália cheia de detalhes em alto relevo que lhe cobria até o joelho, ombreiras que se estendiam horizontalmente até terminar em meia duzia de espinhos e pedras preciosas, um capacete de ouro em forma de coruja e uma capa esvoaçante. Apesar de toda a pompa, ele estava muito preocupado.

Ao adentrar a sala, o Grande Mestre estava sentado em seu trono o aguardando. Agapius se ajoelhou há certa distância e manteve a cabeça baixa.

- Mestre Ionnius, em que posso ser útil.

Era muito difícil adivinhar o que o Mestre estava sentindo, pois sua máscara escondia as expressões faciais e sua imobilidade voluntária o transformava em um enigma.

- Agapius. Quando da última reunião militar, eu enviei uma carta a Valentin, Cavaleiro de Ouro de Aquário, para que descobrisse a identidade do assassino de Evgeny, o Cavaleiro de Prata da Coroa Boreal, e para que encontrasse Hércules e Iolaus.

- Eu me recordo, Senhor.

- É função sua enviar Cavaleiros de Prata em missão. No entanto, você sabe muito bem que deve me reportar quando qualquer Cavaleiro deixar o Santuário, cabendo a mim a decisão final.

- Tenho conhecimento, Senhor.

- Você enviou Kyriakos, Cavaleiro de Prata de Hércules, a Sibéria, não me reportou, não pediu minha autorização e ele acabou sendo assassinado. Há alguma justificativa para todas essas insubordinações?

- Não senhor. Mesmo que eu busque em todos os artigos do Decreto de Código de Ética do Santuário eu não encontrarei justificativa alguma que me abone nessa situação.

- Você por acaso duvida de meus julgamentos? Achou que um Cavaleiro de Prata poderia ser mais útil que um Cavaleiro de Ouro em missão, aos quais só saem do Santuário em casos de extrema urgência? Considerou de alguma forma que Kyriakos fosse a reencarnação de Hércules?

- Sendo completamente honesto, Senhor, eu considerei as três possibilidades e, por isso, agi por conta própria.

- Muito bem. Está ciente de sua punição, correto?

- Sim Senhor. Devo ser banido do Santuário.

- Infelizmente. Apesar das boas intenções, você ignorou o Código de Ética, agiu deliberadamente contra as minhas ordens, passou por cima de minha autoridade e, tudo isso, custou a vida de um Cavaleiro. Você não será apenas banido do Santuário, pois é uma ameaça latente. Será preso no Cabo Sunion e, portanto, quando a maré subir, será naturalmente sentenciado a morte por afogamento. Soldados, por favor, levem-no.

Agapius segue, escoltado de longe por dois soldados. Os dois não se atrevem a tocá-lo, respeitando seu status. No entanto, isso não é necessário, já que Agapius apenas segue o caminho da saída da Sala sem causar nenhum tumulto, sem dizer palavra alguma e nem sequer alterando sua expressão facial.

No fundo, ele estava sentindo muita raiva daquela situação. Mas limpava sua mente para não deixar passar qualquer resquício de pensamento, ou pior, qualquer cosmos agressivo. Agapius pretendia ajudar Athena, de quebra, deixar seu reles status de Sonota e ser promovido a Cavaleiro de Prata por seus serviços prestados, apostando todas as suas fichas em Kyryakos, quem acreditava ser a reencarnação de Hércules. Afinal, ele era protegido pela constelação de Hércules. Mas, ao contrário, fracassou, e agora deverá ser punido por ter enviado um importante Cavaleiro de Prata para a morte.

Ionnius não se preocupava mais com a dispensa de Agapius e seguia com sua agenda, dirigindo-se a um dos guardas da Sala, que também atuava como mensageiro dentro do Santuário quando solicitado.

- Soldado. Encontre o Cavaleiro de Câncer em sua Casa e peça para que venha a minha presença imediatamente.

- Sim Senhor.

Naquele momento, do outro lado do mundo, no meio do Oceano Pacífico, a rotina de uma minúscula ilha esquecida também havia mudado.

A Ilha da Rainha da Morte é um pedaço de terra no meio do nada, ao qual o vulcão central constantemente entra em erupção, alterando sempre o formato da ilha. A fumaça tóxica acabou extinguindo quase todos os seres vivos que ousaram surgir por lá, sobrando apenas alguns espécimes mais resistentes. Durante o dia, o calor ultrapassa facilmente os 50 graus. À noite, inversões térmicas diminuíam a temperatura para abaixo de zero. De seu chão de cascalho brotavam pouquíssimos vegetais, quase sempre espinhosos e com grossas e verrugosas cascas. Entretanto, contraditoriamente, havia alguns oasis, onde lindos campos floridos ocupavam vastas áreas. Como o jardim de frente da casa onde Anatolyi estava. O Cisne Negro estava sentado em uma cadeira velha de madeira, e tinha companhia, com quem havia passado a última hora conversando.

Anatolyi estava confuso: um estranho havia lhe encontrado e, provavelmente, fora ele quem o levou até aquele lugar remoto enquanto esteve inconsciente. As terríveis lembranças de quando sua mente, em um instante, produziu as mais terríveis alucinações, ainda o estavam assustando. Mas o fato de estar a quilômetros de distância da sua casa, naquele inferno, o intrigava muito.

Aquela moça que estava com ele, que havia se apresentado como Tatiana, uma adolescente de cabelos negros como uma noite sem estrelas e belos olhos azuis bastante marcantes, o explicava todos os detalhes sobre a ilha.

- E quem é aquele menino de cabelos ruivos que me atacou e me trouxe aqui? Você o conhece?

- Anatolyi, quem te trouxe aqui foi Eric, Cavaleiro de Bronze de Fênix, o senhor máximo da Ilha da Rainha da Morte e líder dos Cavaleiros Negros. Ele também é meu irmão mais velho.

Seu irmão... Aquilo tudo era muito estranho. Como vergava uma armadura negra, o fato de ter sido levado até ali não poderia ser nenhuma coincidência. No entanto, a chave para o enigma não aparecia na mente de Anatolyi, e Tatiana não respondeu quando ele havia perguntado antes, logo quando acordou. Ela apenas abaixava a cabeça, com um olhar vago e uma expressão melancólica. Por isso Anatolyi não perguntava mais. Decidiu que iria descobrir tudo sozinho de alguma forma.

- Eu vi os seus ferimentos, e tratei deles enquanto esteve inconsciente. Parecem muito sérios. Por favor, não irrite o Eric. Nesse estado você pode morrer.

Anatolyi sentia-se quase hipnotizado por aqueles olhos, não conseguia deixar de fitá-los. Fazia muito tempo que não sentia tanto afeto, desde a morte de sua mãe. Mas aquilo era diferente, concluiu que nunca havia sentido aquilo antes. Não sabia explicar, era apenas diferente.

Antes que eles pudessem continuar a conversa, eles escutaram um barulho nas proximidades do casebre onde estavam. Era como se estivessem fazendo uma arruaça, com gargalhadas, gritos de pessoas que se divertiam muito com algo. Luzes estranhas entravam pela janela, bem como um forte vendaval, que balançava as persianas. Na verdade, parecia que a própria casa tremia, como um terremoto. Antes que eles se levantassem para ir ver o que estava acontecendo, a porta se abriu.

Três jovens abriram a porta. Melhor dizendo, a arrombaram com um pontapé. Os três possuiam a pele muito pálida. O da frente possuia cabelos loiros e espetados e curtos na frente, porém com longas madeixas que se estendiam na nuca. O da direita possuia uma enorme franja que caia-lhe sobre o olho esquerdo, até o queixo, e cabelos que se levantavam como ondas atrás, variando de roxo para azul. O da esquerda possuia cabelos crespos e loiros como um carneiro, e um rabo de cavalo comprido que se estendia até as coxas. Os três traziam um sorriso cavalar no rosto.

- Vamos, Tatiana. – disse o que estava a frente.

- Sim, Fabian.

Tatiana foi caminhando até Fabian, virando rapidamente o rosto para Anatolyi. Seus lábios estavam semi-abertos e seus olhos bastante tristes. Rapidamente ela vira o rosto novamente pata Fabian, que lhe estende o braço e a puxa para si, encostando seu busto no dela. Novamente ela vira-se para Anatolyi, com o mesmo olhar taciturno.

O Cisne Negro se levanta da cadeira com um olhar bastante tenso, e se aproxima encarando Fabian. Os outros dois começam a gargalhar.

- Algo errado, Anatolyi?

- É óbvio que a garota não quer ir com você. Aconselho a largá-la

Fabian vira-se para os outros dois e os três voltam a gargalhar, dessa vez bem mais alto. Tatiana parecia desconfortável. Anatolyi estoura e grita com Fabian.

- EU MANDEI VOCÊ LAR...

Antes que Anatolyi pudesse terminar a frase, Fabian move seu braço em um cruzado de direita, acertando seu punho de forma seca no rosto de Anatolyi. O som produzido pareceu o de uma pedra acertando um pedaço de madeira maciça. A cabeça de Anatolyi foi arremessada contra a parede a sua esquerda, formando um buraco com o impacto, onde Anatolyi ficou por alguns instantes.

- Tenha modos quando fala comigo, seu moleque.

Os três voltaram a gargalhar. Anatolyi, em fúria, saiu do buraco, todo sujo de poeira.

- Eu vou te matar!

Os três saíram da casa juntos, numa mesma direção, saltando, gargalhando, com Tatiana no colo de Fabian. Anatolyi os seguiu quase explodindo em fúria. Naquele momento a armadura do Cisne Negro já o havia vestido. Fabian olha pra trás e, com um sorriso no rosto, vê que Anatolyi se aproxima muito rapidamente. No entanto, Fabian ainda era mais rápido, bem como seus companheiros, o que incomodava Anatolyi.

- Hey, Anatolyi. Você não precisa ser mais rápido que eu. Só precisa me acompanhar.

- Vou te mandar para o inferno, canalha! Não deixarei barato!

A poeira do chão seco se levantava. Conforme eles se afastavam de onde estavam, ia piorando. Até que, em certo ponto, a visibilidade era quase nula. Anatolyi mal via os três e Tatiana.

Por isso não pôde perceber quando exatamente eles haviam sumido de sua vista e quando um penhasco, de varias centenas de metros, que desembocava em rochas enormes no mar, surgiu em sua frente. Já era tarde, e o máximo que pôde fazer foi, com muita dificuldade, se segurar na beira com a mão direita.

Os três jovens o olhavam de cima, novamente gargalhando. Porém, dessa vez eles vestiam armaduras negras. Fabian vestia uma armadura que lembrava um dragão, o loiro, uma que lembrava um cavalo, e o de cabelos azuis uma armadura com correntes. Tatiana estava com eles.

- Anatolyi!

Os três voltaram a rir. Anatolyi mal podia se segurar e já estava quase escorregando para a morte certa. Sua respiração estava ofegante. Porém, inesperadamente, o Cavaleiro Negro das correntes lhe estendeu a mão.

- Vamos, pode subir. Eu te ajudo. A propósito, meu nome é Marko, o Andrômeda Negro.

Sem alternativas, o Cisne Negro lhe estendeu a mão. Suas correntes enlaçaram-se no antebraço direito de Anatolyi e ele estava sendo erguido.

No entanto, Anatolyi olhou para as correntes e quão grande foi o seu terror quando descobriu que elas haviam se transformado em víboras negras. Uma delas serpenteou por seu braço e estava pronta para lhe dar o bote em seu rosto assustado.

- Mas... o que diabos é isso?

Numa reação rápida, Anatolyi segurou a cabeça da víbora com sua mão esquerda e, segurando-lhe o pescoço, esganava-a. Marko quase se engasgava de tanto rir.

Usando seu cosmos, Anatolyi criou um ar gelado e começou a congelar as cobras. Marko parou de rir e passou a olhá-lo com seriedade. O gelo avançava pelas escamas das serpentes e estavam quase alcançando o braço de Marko.

- Não seja estúpido, acha que vou deixar que me congele?

Marko, ele próprio, arrebenta suas correntes. E Anatolyi despenca rapidamente, com toda a aceleração da gravidade.

Mas antes que se espatifasse nas rochas, o outro Cavaleiro Negro, que naquele momento já estava abaixo dele esperando por aquilo, o segurou no ar.

- Upa, te peguei!

Com Anatolyi nos braços, ele salta da saliência onde estava de volta para o alto do penhasco. Com um sorriso no rosto, se dirigiu a Anatolyi.

- Eu sou David, o Pégaso Negro.

- Heim? Por que me salvou?

- Tem certeza que eu te salvei?

E David apontava para o braço direito de Anatolyi, o mesmo que David havia segurado, onde havia uma mancha negra, que crescia cada vez mais.

- Hã? Mas o quê... Meu braço está... Necrosando?!

- Não, é muito pior. Esse é o Terror da Morte Negra. Em breve, quando a mancha ocupar seu corpo todo, será a hora da morte.

O Cisne Negro, mesmo aterrorizado, não se deixa abater. Na verdade, ele se ergue de onde estava e queima seu cosmo até o extremo. No céu, enormes nuvens negras cobrem tudo, e a neve começa a cair. Gigantescos cúmulos nimbos se formavam. Tudo estava escuro e o vento gelado como o da Sibéria estava baixando muito rapidamente a temperatura. Marko, David e Fabian encaravam impassíveis Anatolyi. Tatiana também olhava para o Cisne Negro.

- Acham que podem brincar comigo? Vou mostrar-lhes a minha Nevasca das Trevas!

- Acalme-se, Anatolyi! Quanto mais cosmos você gasta, mais a mancha cobre seu corpo. Olhe você mesmo.

Anatolyi vira seu rosto para baixo e vê que David tinha razão. Seu corpo estava quase mais da metade coberto com a mancha negra, e ele sentia uma queimação intensa. Como se pedaços de brasa crescessem em todos os músculos de seu corpo e o marcassem por dentro como ferro em brasa. Suportando a dor, Anatolyi grita para eles:

- Não importa. Se eu morrer, levarei vocês juntos.

- É só você quem vai morrer, imbecil.

Era verdade. O cosmos de Anatolyi começou a sumir bruscamente, conforme a mancha aumentava. A tempestade sumiu junto com seu cosmos. Quase todo o seu corpo estava negro e Anatolyi se maldizia por ter demorado demais para atacar.

- Dro... ga...

- Eu, Fabian, o Dragão Negro, te darei o golpe de misericórdia! Redemoinho Negro!
Fabian estica seu braço para atacar o Cisne Negro.

Mas ele não esperava que, no último instante, Anatolyi teria forças para segurar o braço que Fabian usava para atacar.

- Mas o quê? Me solte, ou arrancarei seu braço!

O Cisne Negro prende o braço direito do Dragão Negro com o seu, e com a sua mão direita, segura o rosto de Fabian. Um frio intenso se forma e o elmo do Dragão congela, trinca e se esmigalha. O rosto do Dragão negro começa a se congelar também.

- É você quem morrerá! Máscara de Ge...

Anatolyi sente uma pontada no coração. Seu sangue esguichou no ar quando um dedo havia lhe atravessado. Ele mal podia acreditar quando viu quem havia lhe atacado.

- Ta... Tatiana?! Mas... por quê?

Tatiana, muito séria, faz mais quatro furos. Anatolyi cai sentado no chão, tentando conter a hemorragia, inutilmente.

- Você está bem, Fabian?

- Eu estou bem. Você me salvou por pouco, obrigado, Tatiana.

- Tatiana, o que você fez?

- A Cruz do Norte. São esses os seus pontos vitais, não é? Da Constelação do Cisne? Assim o sangue ruim sairá e você se salvará da Morte Negra.

- Quer dizer que...

- Não, você não vai morrer, tolinho!

- Droga... Não é disso que estou falando! Você é... amiga deles? E... eu... droga... mas o que está acontecen...

Tatiana havia andado até a direção de Anatolyi e se agachado a sua frente. Com o indicador, ela tapa a boca dele.

- Você já entendeu o que está acontecendo, não precisa ficar perguntando. Guarde suas energias que daqui a alguns minutos você estará curado.

E Tatiana sorri para ele. Sua armadura surge das sombras e, rapidamente, a veste.

- Eu sou Tatiana, a Fênix Negra. E esse atrás de você é Eric, o Cavaleiro de Fênix.

Eric estava de pé, atrás de Anatolyi. Anatolyi estava fraco, mas não pôde esconder a surpresa. Olhando para Dragão Negro e, depois, secamente para os outros, declarou em voz alta.

- Já chega de iniciação. Anatolyi, agora você é, oficialmente, um Cavaleiro Negro. Não só isso, você faz parte da elite dos Cavaleiros Negros: Os Cavaleiros do Apocalipse.

Marko e David esmurram o ar e dão um grito de alegria. Vários Cavaleiros com viseiras e armaduras idênticas a da Tatiana aparecem das sombras e gritam igualmente. Dragão Negro sorria contidamente. Marko pega um dos barris de vinho que uma das sombras de Fênix trazia e grita:

- Vamos fazer um brinde para o babaca falastrão do Anatolyi! O novo Cisne Negro! É!

Eric havia ido embora após o anúncio e não estava mais lá. Anatolyi estava um pouco assustado com aquilo, porque era tudo muito inesperado. No entanto, nunca tido sentido aquele tipo de recepção. Ele, que sempre vivera sozinho e isolado, agora estava vendo várias pessoas, jovens como ele, aos quais nunca havia interagido antes, comemorando por ele fazer parte de seu clã. Fazendo uma festa por ele, vejam só! Anatolyi se sentia querido, sentia que tinha finalmente feito amigos, se sentia incluído em um grupo só dele. Um grupo de renegados por aquela Deusa que ele tanto odiava! Não pôde conter o sorriso de felicidade e a breve risada que liberou naquele momento. Quando focou sua vista a sua frente, ainda estava lá Tatiana com um grande sorriso de felicidade por ele.

- E esse é o seu presente de boas vindas.

Tatiana apoiou as duas mãos no espaço de chão que ele havia deixado entre as pernas e, inclinando o rosto para frente, beijou Anatolyi. Seu coração disparou. Nunca havia beijado alguém antes, nem podia acreditar. Os lábios macios e quentes de Tatiana encostavam nos de Anatolyi. Bem macio. Quando terminou, Anatolyi estava quase paralisado, muito pálido. Com a ponta do indicador, ela limpa um pouco de saliva que ficou no canto da boca dele. E lhe presenteia com um belo sorriso.

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O Cavaleiro de Câncer finalmente chega a Sala do Mestre. Ajoelhado, em reverência ao Mestre, ele escuta as ordens.

- Daniele, Cavaleiro de Ouro Guardião da Casa de Câncer. Tenho uma Missão especial para você.

- Estou escutando, Mestre Ionnius.

- Eu quero que você vá até a Ilha da Rainha da Morte...