Capítulo Terceiro

- Você está namorando?

- Ein?

- Perguntei se está namorando.

- Por que isso, assim, do nada?

- Porque você parou de fazer serão, volta cedo para casa, não pega mais todo o caso que aparece na sua frente, não briga mais por qualquer coisa, anda rindo fácil e agora tem até horário certo para sair correndo apressado do trabalho. Isso só pode ser mulher no pedaço.

Harry riu, porque agora achava muito mais fácil rir.

- Vicky, você está se formando no curso de auror, não no de psicobruxo - respondeu pegando o casaco do suporte ao lado da mesa e consultando o relógio. Realmente, estava quase ficando atrasado.

Vicky Barnes encarou-o ainda mais intensamente, os braços cruzados em frente ao corpo, o rosto fino em uma muda expressão de interrogação. Harry quase conseguia ver sua cabeça trabalhando a mil, formulando hipóteses.

- Você não vai desistir, não é? - perguntou Harry só para testar. Vicky moveu uma sobrancelha em resposta. Não, ele não ia não. - Ok, cara, eu conto! - Exclamou exasperado, tentando colocar o casaco, prendendo um botão da blusa na aba dele no processo e tentando soltá-lo - Meu afilhado está morando comigo, junto com o pai dele. Fiquei de buscá-lo no colégio já que meu compadre não pode ir hoje. Então não posso me atrasar, prometi a Remus que não deixaria Teddy esperando. Algo a ver com trauma infantil, sei lá.

- Nenhuma mulher? - perguntou Vicky quase decepcionado, descruzando os braços, ombros caídos. Harry confirmou dando de ombros. - Cara, você é tão sem graça!

- Oh, muito obrigado - respondeu ficando mal humorado e passando pelo parceiro em direção à porta do QG. Primeiro Vicky se intromete em sua vida sem ser chamado, então ainda reclamava! Como se tivesse o completo direito. Harry bufou ao passar pela saída.

- Mas isso é tão estranho... - continuou o outro, mais para si mesmo do que para Harry, que já ia longe, e mesmo assim, ouvia. - Todos os sinais de paixão estão aí...

Harry franziu o cenho com essa última afirmação, se é que a ouvira direito. De qualquer forma, preferiu não dar atenção a Vicky, ele sempre criava as teorias mais mirabolantes. Tudo bem, esse até era o forte dele em uma missão, pensar nas mais diversas possibilidades e evitar falhas ou previsibilidade, mas quando trazia isso para o cotidiano, Harry achava que era um desastre.

Acelerou pelo corredor sorrindo e cumprimentando rapidamente os conhecidos que passavam por ele no caminho até o elevador. Era hora da saída da maioria dos funcionários, por isso o elevador estava cheio e, ao chegar no andar do Átrio, havia uma fila para sair do Ministério. Desde a Grande Guerra havia sido proibido aparatar ali, então continuava o mesmo esquema de sair em determinados locais onde poderiam se dispersar e aparatar. Harry olhou para o relógio e depois, zangado, para a fila de bruxos. Por que eles precisavam ser tão lentos?

- Hey, Potter! - exclamou alguém atrás dele.

Harry se virou e deu de cara com Percy sorrindo de forma pomposa. Tentou sorrir de volta cordialmente. Não foi muito bem sucedido. Sempre que Percy o encontrava queria conversar sobre alguma coisa infinitamente chata e longa, alguma discussão burocrática, como se Harry se importasse de verdade. Droga, ele não tinha tempo para isso agora.

- Ora, o que você está fazendo nessa fila? - perguntou Percy, sorrindo ao mesmo tempo em que estendia e apertava a mão de Harry.

- Esperando a vez de ir embora - respondeu encarando Percy sem saber se aquela pergunta havia sido séria.

Ok, ela vinha de Percy, não poderia ser uma piada.

- Que besteira! - exclamou Pery sacudindo a mão como se espantasse uma mosca. Agarrou Harry pelo braço e o arrastou para fora da fila. Nesse momento, todos já estavam olhando para os dois. Harry sentiu o sangue subindo ao rosto. Percy estava passando dos limites.

- Escuta, Percy, estou realmente com pressa, então... - tentou dizer, mas Percy parecia surdo a seus protestos. Continuou arrastando-o pelo braço, não para longe da fila, como imaginou inicialmente, mas para o começo desta.

- Abram espaço, por favor - disse Percy espantando as pessoas no começo da fila para longe. Elas o olharam indignadas, mas ele não se abalou. - É Harry Potter que está aqui - disse em resposta e finalmente as pessoas desviaram para olhar o rosto do bruxo mais conhecido de toda a Grã-Bretanha.

Harry tentou sorrir sem graça, dando de ombros.

- O que você está fazendo? - perguntou em um sussurro zangado para Percy.

- Passando na frente da fila. Isso não é óbvio? - respondeu Percy como se Harry fosse a pessoa que não estava fazendo sentido ali.

- Olá, Potter! - exclamou a mulher que seria a primeira da fila, mudando o semblante zangado para um sorriso ansioso. Ela trabalhava onde mesmo? Seu rosto não era estranho. Harry fez uma busca rápida por sua mente atrás de uma referência. Percy não ajudava tentando empurrá-lo.

- Oi, Amis! Como vão os outros obliviadores? – perguntou ele se lembrando de onde a conhecia.

- Ah, o pessoal vai b...

- Com licença. É Harry Potter! – disse Percy fazendo com que a mulher abrisse caminho a força. Ela lhe lançou uma olhar desaprovador enquanto Harry era empurrado para dentro da sala.

- Percy, que droga você acha que está fazendo?! – perguntou Harry finalmente se desvencilhando do aperto em seu braço. – Aquelas pessoas est...

- De nada – respondeu Percy olhando-o com um de seus sorrisos pomposos e um olhar maroto que parecia quase paradoxal nele.

- O que...

- Você estava com pressa, eu te ajudei – disse ele entrando em um dos vasos sanitários enquanto Harry ficava momentaneamente sem palavras.

- Mas eu não...

- De nada, Potter – repetiu Percy dando a descarga e desaparecendo. Harry quis ir atrás dele socá-lo. Porém, se sentia levemente envergonhado. De fato, Percy Weasley o ajudara. Não que ele quisesse ou houvesse pedido, mas...

- Não suporto mais esse Weasley, que Arthur me pedoe. Ele sempre dá um jeito de furar a fila com seus "amigos grandões" – disse Elizabeth Amis entrando pela porta com um ar ranzinza.

Harry deu de ombros e tentou sorrir em tom de desculpas, enquanto se adiantava para um dos vasos.

- Mande um abraço para o pessoal do Departamento Obliviador para mim, Amis.

- Claro, Potter – respondeu a mulher voltando a sorrir-lhe. Harry puxou a descarga.

O box do ministério sumiu enquanto ele se sentiu rodopiar e um novo, com aspecto de banheiro público trouxa, apareceu à sua frente. Harry saiu de dentro da privada, olhou outra vez no relógio e andou apressado para fora. Continuou no ritmo acelerado até o beco de onde sempre desaparatava. Felizmente não encontrou ninguém nem no caminho, nem no beco. Deu uma olhada em volta só para se certificar de que não havia nenhum trouxa por perto e desaparatou.

Depois de ser sugado e centrifugado, seus joelhos apenas se dobraram minimamente com o impacto do novo chão. Era outro beco, dessa vez claro e simpático, cheio de janelas que davam para as janelas dos dois prédios adjacentes. Um gato miou estridentemente atrás de Harry e depois saiu correndo derrubando uma lata de lixo. Olhou em volta apenas por condicionamento dos treinos de auror, certificando-se de que ninguém o havia visto, então, seguiu seu caminho.

A escolinha de Teddy ficava do outro lado da praça em frente ao beco onde Harry aparatara. Ele correu por ela assustando pombos e pedindo desculpas nem um pouco sinceras às crianças e aos velhinhos que alimentavam as aves.

O colégio era fácil de identificar, mesmo que fosse um prédio discreto e não tivesse nenhuma identificação chamativa: estava rodeado de pais, mães, crianças e principalmente, era de onde vinham os gritos infantis mais estridentes. Pelo que Harry pôde perceber, chegara bem, meio em cima da hora, mas não estava realmente atrasado.

Viu Teddy quando ainda estava do outro lado da rua. Ele era uma pequena cabeça azul turquesa encostada nas grades, olhando as pessoas do lado de fora desinteressado. Harry sorriu ao vê-lo. Ele e Remus haviam pedido ao menino que tentasse o máximo possível controlar seus poderes metamorfomagos. Aparentemente, Teddy estava conseguindo. Havia quase uma semana que estava na nova escolinha e não recebera nenhum aviso estranho de nenhum pai ou da direção. Claro, quando ainda estavam procurando por uma escola, Remus fez questão de só colocar Teddy em uma que aceitasse as cores de cabelo diferente do menino. Como desculpa, dissera aos trouxas que o menino usava tintas que saíam na água. Sendo assim, Teddy tinha liberdade de escolher como sairia de casa, desde que não mudasse a cor enquanto estivesse na escola. E mesmo com os cabelos coloridos, era perceptível o quanto o garoto se parecia com o pai. Os olhos naturais dele tinham o mesmo tom âmbar, os mesmos cílios compridos. Mas o sorriso e o pequeno nariz arrebitado eram de Tonks. Além do castanho escuro do cabelo sem metamorfomagia, que herdara igualmente da mãe.

Teddy só viu Harry quando ele estava acabando de atravessar a rua. Imediatamente seu semblante desinteressado deu espaço a um grande sorriso.

- Tio Harry! – gritou feliz, desencostando-se da grade e correndo na direção do portão.

Harry chegou na entrada do colégio no exato momento em que o afilhado, esbaforido e empurrando pernas de pessoas que exclamaram surpresas e depois divertidas, saia pelo portão.

- Oi, Teddy – cumprimentou Harry oferecendo a mão para ele. – Como foi o seu dia?

- Bem legal! – exclamou o menino ajeitando a bolsa em seu ombro enquanto quase saltitava pelo caminho até a praça. – A Professora Johnson ensinou a fazer uma rosa de papel e a Emilia comeu cola depois espirrou tudo pelo nariz. Aí ela teve que ser lavada na enfermaria. E no recreio jogamos futebol. É muito divertido!

Harry riu da empolgação do menino, levando-o até a barraca de sorvete. Estava virando uma espécie de costume dos dois sempre que Harry vinha buscá-lo. Era Remus quem geralmente iria até lá, porém, com a busca de emprego, nem sempre podia, o que na verdade significava que ele buscara Teddy na escola apenas duas vezes.

O garoto continuou contando os eventos mais interessantes do dia até irem se sentar em um dos bancos da praça e sua pequena boca ficar preenchida pelo picolé de limão, seu favorito. Por um momento nenhum dos dois falou nada, e Harry ficou com um sentimento estranho percorrendo seu corpo, como um leve calor confortável e uma sensação de que aquilo era absurdamente legal. Sentar em uma praça, observar as pessoas a sua volta enquanto tomava um picolé de uva e sentava ao lado do afilhado, que acabara de sair do colégio e se lambuzava com o doce.

- Tio... – chamou Teddy com uma voz tímida. Harry se virou para ele, incentivando-o a prosseguir. O menino deu uma longa lambida no picolé enquanto observava distraído a pracinha à frente. – Por que você não me adota?

Harry sorriu para o afilhado.

- Porque você já tem um pai. Um muito bom.

- Eu sei, mas a Lizzy, que é uma menina da minha turma, estava falando para a professora que a mãe Holly ia buscá-la hoje, aí o Nate começou a rir dela porque ela chamou a mãe pelo nome, aí todo mundo riu também, mas a Lizzy disse que tem que chamar assim se não eles não iam saber que mãe era, porque ela tem duas mães e todo mundo ficou "ooooh" com isso e o Mike disse que era muito legal, mas o Timmy disse que preferia dois pais porque mães são muito chatas e a Rose perguntou para a professora como fazia para ter duas mães e a professora mandou todo mundo ficar quieto e sentar em roda e começou a falar que era normal, mas que a gente tinha que ficar feliz com nosso pai e nossa mãe, ou nossas mães ou nossos pais e que o importante é ser amado e cuidado e ser feliz. E daí ela falou sobre adoção, que é quando alguém ama muito muito muito uma criança e quer ter filho, e eu não entendi bem a diferença, mas a professora disse que só casais de mamãe e papai podem ter filhos dos dois, mas mesmo assim eles podiam escolher uma criança de um banco de crianças e seria o mesmo que ter elas. Eu não entendi o que é isso de ter as crianças. Eles plantam elas ou algo assim? Bem, ela disse que mesmo uma mãe e um pai, o pai pode não ser o pai que fez a criança, ou a mãe pode não ser a mãe que fez a criança, mas eles adotam a criança como filha. Então eu tava pensando que já que não tenho mais mãe, você podia me adotar e ser meu papai Harry. Ia ser muito legal e você e o papai Remus já moram juntos e são felizes e me amam. Quer dizer, você me ama, né? Então poderia me adotar. Ia ser tão legal!

Harry ficou olhando embasbacado para Teddy, sem saber exatamente o que dizer e pego de surpresa pela ideia do menino.

- Er... – começou ele ajeitando os óculos na ponte do nariz – Teddy, eu e Remus não somos um casal. É preciso ser um casal para eu te adotar – disse Harry franzindo a testa sem na verdade saber como responder aquilo para uma criança de quatro anos.

- Mas vocês moram juntos, como todo papai e mamãe, e mamãe e mamãe e papai e papai. A Katie disse que o papai e mamãe dela nem moram juntos!

- Eu sei, Teddy, mas é que... – e Harry ficou sem saber como explicar a diferença entre os casos. Claro, se a pergunta tivesse vindo de um adolescente ou mesmo um adulto, seria fácil. Mas para uma criança de quatro anos... – Acho que seu pai não ia gostar muito da ideia de ter que dividir você com outro pai – respondeu Harry sorrindo com a saída que conseguiu achar.

- Mas ele já me divide com você – respondeu Teddy em um tom de obviedade. – Você não gosta de mim, tio Harry? Não quer ser meu pai?

- N-não é isso, Teddy – respondeu Harry começando a sentir as mãos suando de nervosismo. Olhou em volta na praça atrás de algo que o ajudasse. Talvez uma distração para o menino, quem sabe? – Gosto muito de você e adoraria ser seu pai, mas... você tem que entender que Remus e eu não somos como... como as mães dessa sua amiguinha, nós somos só amigos e...

- Você já é meu padrinho, só mais um pouco e vira só pai – choramingou Teddy e Harry sentiu uma enorme onda de pânico tomando conta de seu corpo.

- Teddy, vamos fazer assim, quando chegarmos em casa, falamos com o Remus sobre isso e ele decide o que fazer, pode ser?

Teddy maneou a cabeça tristemente e olhou para os próprios pés, quase como se Harry tivesse dito que não gostava nem um pouco dele.

- E se Remus topar a idéia, eu vou adorar ser seu pai. Vai ser uma honra – acrescentou passando o braço envolta do ombro do menino e sorrindo para ele. Teddy o olhou com seus grandes olhos âmbar e sorriu de volta mostrando todos os dentes.

- Promete?

- Prometo – respondeu Harry sorrindo aliviado por ter conseguido reverter a situação. – Agora termine o seu sorvete antes que ele derreta todo na sua mão.

E assim, Harry sobreviveu à primeira pergunta desconcertante de uma criança. E o mais estranho é que, apesar de tê-lo deixado sem jeito e angustiado, depois que a sensação passou, sobrou um certo conforto e uma noção muito clara de que na verdade ele amaria ser o pai de Teddy.

Depois de tomarem o sorvete e Harry limpar os braços e o rosto do menino – que haviam ficado completamente sujos do doce -, seguiram juntos via transporte trouxa até Londres, onde encontrariam Remus após sua entrevista de emprego. Harry achou que seria uma boa ideia, afinal, se Remus fosse empregado poderiam comemorar os três, e caso não fosse, poderiam ao menos animá-lo e não deixá-lo desistir tão fácil.

O sol começava a se pôr no Tamisa e Harry estava parado dentro da estação Embankment, ao lado de uma das grandes e altas janelas de vidro, observando o rio com Teddy sentado em seus ombros. A água turvada refletia aqueles belos tons de dourado de um céu que começava a ficar rosado no horizonte. O menino estava muito quieto, apoiando o queixo na cabeça de Harry, que apesar de achar todo aquele silêncio curioso, perguntou-se se o afilhado não estava apenas ansioso pelo pai. Harry não fazia idéia do quanto Teddy compreendia ou deixava de compreender sobre importância para Remus de conseguir um emprego.

O sol começava realmente a se esconder atrás dos prédios quando uma figura parou ao lado dos dois.

- Papai! – gritou Teddy se jogando de cima de Harry, que levou um susto e acabou cambaleando um pouco, com medo do menino cair no chão. Porém, Teddy acabou caindo direto no pescoço de Remus, que sorriu para o filho, evidenciando algumas rugas que começavam a nascer ao redor dos olhos.

- Remus! – foi a vez de Harry exclamar contente, batendo no ombro do amigo. – E aí, como foi a reunião?

O homem, ainda abraçado ao filho, sorriu tristemente para o jovem. Não precisou dizer mais nada, Harry entendeu a mensagem e sorriu de volta para o amigo. Os dois sabiam que aquela luta não seria fácil, por isso Harry apenas apertou o ombro de Remus e disse com simplicidade:

- Vamos para casa.

Juntos, os três se dirigiram para a plataforma, pois já estava quase na hora do trem sair.

Na viagem, nenhum dos dois falou muito, e Teddy, parecendo ávido por distrair o pai, começou a contar seu dia e suas histórias do colégio. Harry ficou aliviado ao perceber que a história da adoção aparentemente havia escapado ao menino, que passou a contar outras peripécias sobre a menina que comeu cola, e o menino que passou o dia todo com o nariz borrado de rosa graças à aula de pintura e ganhou o apelido de Rudolph, mas não entendeu até o final do dia, quando a inspetora mandou ele limpar o nariz.

Harry e Remus riam das duas histórias, que levaram a viagem toda (que não era longa) para ser contada. Quando desceram na estação deles, Teddy foi andando serelepe, de mãos dadas com Remus de um lado e Harry do outro, continuou falando incessantemente e se pendurava vez ou outra nos dois para pular quadrados mais escuros no chão.

Ao chegarem em casa, cumpriram todos os rituais da recém criada rotina. Harry levou Teddy para tomar banho enquanto Remus foi para a cozinha preparar o jantar. No banheiro, Harry abriu as as torneiras, esperando a banheira encher enquanto ajudava Teddy a tirar a roupa.

- Sou um grande pesquisador de água – disse Teddy com uma voz caracturicada de seriedade. Ele fez uma leve careta e seus cabelos começaram a ficar grisalhos, junto com as sobrancelhas. Harry riu, o menino começava a parecer um mini-velho.

- Certo, sr. Grande-pesquisador-aquático, hora de entrar no seu ambiente – disse ele ajudando o menino, que assumira uma carranca engraçada de seriedade, a entrar na banheira.

- Sou pesquisador de sereianos! – disse ele esticando a mão na direção da bancada ao lado da banheira, onde antigamente ficavam apenas alguns vidros de shampoo e o sabonete, mas que agora estava abarrotado de brinquedos. Entendendo a mensagem do afilhado, Harry pegou o brinquedo favorito deste: uma miniatura de sereiano que, ao ser posto na água, ficava nadando em volta da pessoa enquanto cantava. Claro, a canção só poderia ser ouvida com a cabeça dentro d'água.

Teddy pegou o brinquedo, feliz, e mergulhou-o com força na água, como se o sereiano tivesse acabado de dar um enorme salto.

- Veja só como ele nada! – exclamou ainda dentro do personagem do pesquisador arrastando o brinquedo de um lado para o outro.

Harry sorriu, arregaçou as mangas e, pegando o vidro de shampoo do menino, ficou de joelhos ao lado dele enquanto ele continuava fazendo seu sereiano mergulhar e vir à tona repetidas vezes.

- Agora, veja como é interessante esse salto mortal triplicado, enquadraro, mortífero morto! – praticamente gritou o menino, girando o boneco no ar diversas vezes antes de enfiá-lo na água com estrondo. Dessa vez foi tão forte que acabou espirrando água em Harry.

- Argh, Teddy! Cuidado, você vai me molhar todo desse jeito! – reclamou o homem com as mãos sujas de espuma impossibilitando-o de pegar uma toalha.

Teddy olhou-o de forma peralta, com um sorriso maroto que Harry reconheceu na hora.

- Yah! – gritou Teddy batento a mão na água e espirrando-a para cima de Harry, que caiu para trás.

- Teddy! – exclamou ele em um tom que pretendia ser de aviso, mas acabou saindo risonho.

O menino fez um olhar de desentendido e bateu as duas mãos contra a água, com ainda mais força. Dessa vez Harry estava pronto, se pôs de pé em um salto e correu para o outro lado da banheira, de onde jogou água em Teddy de volta.

E foi assim que, minutos mais tarde, encharcado e exausto após o fim da guerra d'água, Harry não conseguiu negar o convite do afilhado para se juntar ao banho. Os dois sentaram um de frente para o outro na banheira enquanto Harry tentava ensaboar Teddy, que ainda brincava de pesquisador com seu sereiano, mas que pedira também o brinquedo de mini-lula, outra peça mágica que ao ser posta na água ficava nadando. Com o diferencial de que vez ou outra a lula gostava de se agarrar em algo. Teddy adorava porque ela grudava geralmente em sua perna ou seu braço, mas o brinquedo acabou gostando da bunda de Harry e sempre dava um jeito de se grudar ali quando ele se distraía tentando terminar o banho do afilhado.

Quando os dois, limpos e cheirosos, saíram finalmente do banho e acabaram de se vestir, a comida estava na mesa. Harry sorriu com o cheiro enquanto ia para a cozinha com Teddy.

- Nossa, Remus, assim não vou querer que você vá embora nunca. Tem certeza de que não quer morar aqui para sempre? – perguntou Harry sentindo a barriga roncar em concordância.

Remus sorriu para ele e olhou para Teddy, com o se o estivesse inspecionando.

- Pelo visto você acabou obrigando o tio Harry a tomar banho junto com você, não é? – perguntou Remus em um falso tom acusador para o filho.

- Não papai! Eu não fiz nada. A gente tava só brincando aí o tio Harry quis tomar banho também! – logo se justificou o menino, levando a sério a acusação do pai.

- E pelo visto a brincadeira foi boa, dava para ouvir os gritos dos dois até daqui!

Harry acompanhou Remus na risada e passou a mão pelos cabelos molhados, sentindo o rosto corar. Na verdade, aquilo fora culpa dele próprio, que começara com a guerra d'água, quase como se ele e Teddy fossem as crianças de Remus. E essa ideia mexeu com alguma coisa dentro dele que protestou zangada e ofendida. Ele não era mais criança!

- Bom, só estava tentando dar um bom banho em Teddy – disse tentando se justificar e ainda assim manter o tom ameno.

- Pelo tamanho do sorriso de Teddy, acho que o banho foi bom mesmo – retrucou Remus finalmente se sentando na mesa e sorrindo para Harry, que deu de ombros, ainda sem graça, tentando não parecer infantil.

O jantar transcorreu bem e, passado apenas alguns minutos de conversa amena, Teddy começou a cabecear de sono. Remus, sorrindo carinhoso para o filho, levou-o no colo para o quarto enquanto Harry levava os pratos para a pia, onde com um feitiço (que aprendera com o próprio Remus) fez tudo começar a se lavar sozinho e a se ajeitar em uma pilha organizada. Ele estava ficando bom naquilo.

Isto feito, foi até o armário embaixo da pia, onde guardava uma garrafa de Uísque de Fogo para ocasiões especiais, como quando algum caso difícil se resolvia ou quando Ron vinha comemorar alguma excelente venda da Gemialidades. Estava esperando usá-la apenas quando Remus conseguisse o emprego, porém, esta era a quarta tentativa do lincantropo e Harry achou que era uma boa idéia usá-la agora para animar um pouco os ânimos. Qualquer coisa, no dia seguinte ele passaria no Beco Diagonal e compraria algo mais refinado, como vinho dos elfos ou algum licor.

Quando Remus retornou do quarto, Harry estava colocando a bebida em dois pequenos copos. As duas únicas outras louças que ele sabia da existência.

- Veja só - disse Remus apoiando-se na porta enquanto observava a atividade de Harry com um brilho de interesse no olhar. - Quem diria que você teria exatamente o que estou precisando?

Harry sorriu para o amigo, pegou os dois copos já cheios em uma das mãos e a garrafa na outra e começou a se encaminhar até a sala.

- Ah, eu sei bem o que é necessário após um dia duro - respondeu passando por Remus e indo até o sofá.

Harry colocou a garrafa sobre a mesinha de centro e se sentou, oferecendo a Remus um dos copos enquanto ele também se sentava. Os dois ficaram em silêncio por um tempo e Harry observou o líquido em seu copo. Na verdade, não deveria beber, tinha de voltar ao trabalho no dia seguinte. Mesmo assim, seu instinto de solidariedade estava falando mais alto. Talvez se ele bebesse aos pouquinhos... A seu lado, Remus fez um brinde a nada em específico e entornou o copo de uma só vez, soltando em seguida uma exclamação de prazer.

- Nada como uma dose para amenizar os problemas! - disse apoiando o copo vazio sobre a mesa. Harry sorriu com simpatia e voltou a encarar o próprio copo em dúvida.

- Então, Remus - começou o jovem para se distrair da bebida, - agora que podemos conversar, como foi a entrevista?

- Ah, foi muito boa - respondeu ele colocando mais um pouco de Uísque de Fogo no próprio copo. - Certamente o emprego seria meu.

- Seria? - perguntou Harry erguendo uma sobrancelha.

- É, seria. Se eu não fosse um licantropo - completou em um tom leve, porém, seu rosto era muito sério, quase exasperado. - Sabe, Harry, eles estavam praticamente me empregando naquele instante. Até repararem no detalhe na minha ficha, que eu precisava me ausentar pelo menos um dia por mês. "Ué, aqui diz tratamentos médicos. É alguma doença?". Essa é uma boa forma de chamar a coisa, doença. Sabe, seria muito legal se fosse apenas isso, sinto-me fraco, meio mal, então tomo um remédio e passa. Nada de instinto assassino, nada de transformações físicas. Então respondi "Ah não, veja bem, as ausências são por conta da minha licantropia. Mas está tudo bem, compro a poção Mata-Cão dos melhores fornecedores, só preciso me ausentar no primeiro dia da lua cheia, que é sempre o pior". E depois disso, claro, eles recuaram. Não importa essa merda de nova lei contra o preconceito aos licantropos, porque em todo lugar que vou é sempre a mesma coisa. Num momento estão praticamente me dando o emprego, então passam para o típico "nós te mandamos uma coruja". Uma ova que mandam!

E terminando o relato, ele tomou novamente o uísque todo de uma vez. Harry engoliu em seco, bebericando de seu próprio copo enquanto pensava em algo para dizer.

- Filhos da puta preconceituosos - foi tudo que lhe ocorreu.

Funcionou mais ou menos bem, pois Remus olhou para ele de forma curiosa e então começou a rir.

- Essa é uma boa e sucinta forma de colocar as coisas - disse ele pondo mais uísque no próprio copo e erguendo-o para Harry, que ergueu o dele e, inspirado, fez um brinde.

- A todos os filhos da puta preconceituosos, que explosivins queimem suas bundas!

Remus voltou a rir e os dois bateram os copos de leve. Dessa vez Harry acompanhou o amigo e bebeu tudo de um só gole.

- Mas, sabe, Harry - continuou Remus após fazer uma leve careta ao sentir o líquido descendo pela garganta. - Sempre tive total noção de que isso aconteceria. Já estava preparado para muitos nãos antes de um sim.

Harry colocou uma mão sobre o ombro de Remus, dando-o leves tapinhas. Não havia muito o que dizer, então, apenas se prestou a ouvi-lo.

- Só que nunca deixa de ser frustrante. Talvez uma parte de mim acreditasse que não fosse ser como antes, que talvez a população mágica finalmente estivesse ficando mais consciente.

- Remus, é só a sua primeira semana procurando emprego - disse Harry tentando ser razoável e ao mesmo tempo consolador.

- Eu sei, eu sei - respondeu ele ainda em um tom frustrado, passando a mão pelos cabelos e revelando ainda mais fios brancos nas raízes. - É só que... - tentou dizer, mas se perdeu no meio, sem saber o que acrescentar.

- Que você tinha esperanças - completou Harry e Remus o olhou, sorrindo de forma triste.

- Sim - disse dando em seguida um longo suspiro. - Continuo um tolo, não é mesmo?

- Você continua humano. E isso é bom - respondeu Harry apertando o ombro de Remus e sorrindo-lhe de volta por de baixo dos óculos. - Não se preocupe muito Remus, as mudanças podem ser lentas, no entanto, já estão acontecendo. Ao menos isso.

- Você está certo, Harry. Estou sendo imaturo - dizendo isso, Remus passou novamente a mão pelos cabelos, então colocou-a rapidamente sobre a coxa de Harry, como que para chamá-lo a atenção. - Mudando um pouco de assunto, como foi hoje o trabalho?

- Ahm... - começou Harry sem saber muito o que dizer e se esparramando mais pelo sofá. Era sempre estranho falar sobre sua rotina. - Normal. Nada de mais.

- Ainda no caso do contrabando de poções ilícitas? - perguntou Remus lembrando da conversa que tiveram alguns dias atrás, quando Harry chegou exasperado do trabalho.

- Ah, o departamento auror está sim. Porém tiraram o caso de mim. Quer dizer, passaram para um novato - acrescentou ele rapidamente. - Apareceram coisas mais urgentes... - resmungou Harry coçando os olhos por debaixo das lentes. - E também porque disseram que eu estava levando o caso a sério demais.

- Levando a sério demais? - perguntou Remus em um tom divertido erguendo as sobrancelhas.

- É. "Potter, é só um traficante tolo de poções de nível 1, não um comensal foragido!" - imitou em voz de falsete. - E agora me colocaram num caso mais "urgente".

- Que seria...? - questionou Remus acentuando suas feições ao mesmo tempo curiosas e divertidas.

- Ah, você sabe - resmungou Harry fechando a cara, - ajudar a vigiar lugares completamente desabitados e servir de escolta para bruxos políticos importantes.

Por um segundo Remus apenas encarou-o com a expressão mais curiosa de todas, então, do nada, como uma súbita explosão vinda de águas profundas, caiu na gargalhada. Chegou até a se curvar para trás, encostando a cabeça no encosto do sofá. Harry tentou ficar de mau humor por ser ele próprio o objeto de riso, porém, ao ver o rosto de seu antigo professor finalmente relaxar completamente do estresse e subitamente parecer mais jovem, ele não pôde evitar sorrir junto.

Apesar de súbita, a gargalhada não durou muito e logo foi reduzida a um riso contido e então Remus já estava se controlando, apertando a ponte do nariz com os dedos.

- Desculpe Harry, mas é que pela cara que você fez ao contar isso... imaginei a cena de você servindo de guarda para algum bruxo pomposo - justificou o mais velho ainda com um ar risonho. - Sei bem como esses homens ditos importantes podem ser terríveis.

- Bom, pelo menos minha história serviu para fazê-lo rir... - disse o jovem tentando retirar de sua fala todo o tom de ressentimento.

- Oh, me desculpe - disse Remus desviando rapidamente o olhar para o próprio copo, que segurava com as duas mãos. - Estava precisando fugir um pouco do estresse, sei que foi um momento inusitado.

Harry sorriu para ele e, pegando a garrafa, encheu o copo de Remus.

- Dessa vez - começou Remus com um ar maroto, - vamos brindar ao seu chefe que acha melhor não levar o trabalho a sério demais.

- Ah, não é bem assim - resmungou Harry sem muita convicção batendo o copo com o de Remus.

Os dois beberam novamente tudo de um gole só. Harry fez uma careta maior e ficou imaginando se conseguiria ir para o trabalho no dia seguinte se ficasse realmente bêbado naquela noite.

- Não se preocupe, conheço uma excelente poção pós bebedeira - disse Remus como se lesse a sua mente.

- Oh, bom saber, pois acho que vou precisar - respondeu colocando o copo sobre a mesa. Por via das dúvidas, encerraria sua atividades alcóolicas por ali.

Então fez-se o silêncio. Não um silêncio incômodo de quem não sabe o que falar, mas um silêncio mútuo de duas pessoas perdidas em seus próprios pensamentos. A mente de Harry na verdade vagueava por um mar de nada enquanto ele observava distraído as próprias mãos. Era legal ver como elas se mexiam. As junções, os dedos, tudo em um conjunto harmônico. A mão poderia segurar um copo, uma varinha, um braço de sofá, qualquer objeto. E as mãos poderiam segurar outras, pensou ele admirado, entrelaçando os próprios dedos. As mãos poderiam prender alguém, ou acariciá-lo, ou só tocá-lo de leve, pedindo atenção. E mãos eram do tamanho de um rosto, mais ou menos.

Estava erguendo a própria mão para colocar sobre o rosto quando seus olhos encontraram os de Remus. Ele havia momentaneamente esquecido de que havia outra pessoa na casa, não era mais apenas ele sozinho se embebedando. E Remus o olhava de forma curiosa, aqueles olhos âmbar questionativos. Harry sentiu o próprio rosto corando. Abaixou imediatamente as mãos e sorriu para o outro homem. Ficou pensando no que dizer, e se deveria dizer algo. Estava tão acostumado a ficar sozinho na própria casa que se esquecera de que quando há companhia, deve-se controlar os momentos de epifania interiores. Então o momento de explicar passou. Porque o olhar de Remus não era criticamente questionativo. Era mais avaliativo, como se estivesse observando Harry muito além de seu pequeno surto, estava observando a si mesmo. Harry ficou confuso com isso e olhou de volta para Remus. Os olhos dos dois se encontraram e ficaram. Pelo simples ato de ficar, não se desviaram. Harry sentiu a boca abrindo levemente, como quando ele se perdia em pensamentos tentando solucionar um caso, e recebeu como resposta um olhar ainda curioso de Remus.

Era como uma competição. Qual deles encontraria a resposta primeiro? No entanto, Harry tinha a nítida impressão de que Remus já tinha a resposta, estava apenas hesitando em trazê-la a tona. Então o jovem simplesmente parou de pensar e voltou ao seu nada mental, apenas vendo os reflexos de cores naqueles tons de castanho vibrante. O amarelo da lâmpada parecia ficar mais vívido ali, e estavam tão brilhantes e reflexivos que ele tinha certeza de que se pudesse se aproximar só mais um pouco, conseguiria ver o próprio reflexo. Será?

Só saberia se tentasse, então se inclinou para a frente, olhando fundo nos olhos de Remus atrás do próprio reflexo. Viu surgir ali o cenário atrás de si. A parede, o quadro, uma cadeira. Então, cabelos espetados e um nariz parecendo grande demais junto com dois óculos absurdos. Ele sorriu. Era uma daquelas imagens engraçadas e distorcidas, como as das colheres de sopa.

- Harry...?

As sobrancelhas em cima dos olhos se moveram, estreitando um deles e parecendo confusas. Harry voltou a se afastar e o rosto inteiro de Remus surgiu no seu campo de visão. Os olhos eram fantásticos, definitivamente. Porém, nada seriam se não fosse a moldura do rosto. O nariz reto, levemente pontudo, o queixo fino, o maxilar forte, as sobrancelhas castanhas, os cabelos lisos e mal cuidados, porém, belos apesar dos fios brancos. Até as pequenas rugas perto da boca e ao redor dos olhos, tudo era imensuravelmente legal.

- Harry...? - repetiu a voz, chamando a atenção dele para aqueles lábios finos e bem delineados. Eram legais também. Emolduravam dentes brancos com caninos levemente avantajados. Não como vampiros em filmes antigos de terror, apenas de forma... charmosa?

- Remus! - exclamou Harry finalmente notando seu ex-professor por inteiro e feliz com isso. Gostava de Remus, definitivamente.

O licantropo ergueu uma mão. Harry voltou a atenção para ela, realmente, eram mecanismos fantásticos. Aqueles dedos finos em uma mão levemente ossuda se aproximaram e Harry ficou pensando no que fariam. Então viu que vinham na direção de seu rosto e ele achou curioso imaginar que logo aquelas pontas de dedo o tocariam, e seria bem de leve, macio, reconfortante. Depois a mão inteira ocuparia sua bochecha, provavelmente. Então ele finalmente compreenderia se uma mão poderia mesmo cobrir um rosto.

Contudo, a mão congelou no meio do caminho. Intrigado, Harry voltou a atenção para o rosto de Remus. Uow, olhos arregalados. Eram maneiros. Aqueles olhos de castanho transparente agora estavam rodeados do branco cheio de pequenas veias e as pálpebras estavam quase redondas, com sobrancelhas em arcos largos. Harry riu tolamente. Remus parecia uma caricatura.

- Desculpe - disse o mais velho em um tom pesado, fazendo Harry pensar sobre o que exatamente ele se desculpava. - Acho que... acho que... vou indo.

Dizendo isso o homem se levantou do sofá, apertando uma mão contra a outra de forma agitada. Engraçado pensar que as mãos agora pareceriam pequenas e encolhidas uma contra a outra mas instantes antes estiveram a um passo de cobrir o rosto inteiro de Harry. O jovem acompanhou o caminhar hesitante de Remus, que parou no meio do caminho, parecendo perdido.

- É a segunda porta à direita - disse Harry imaginando se Remus havia esquecido onde ficava o próprio quarto. - Ah, e boa noite. Durma bem, tenha bons sonhos.

Remus fez um som engraçado e então continuou andando. Em segundos já havia sumido nas sombras do corredor. Harry voltou seu olhar na direção da mesinha de centro e se prendeu na imagem do copo vazio ali apoiado. Era engraçado ver como a luz se refletia no vidro e parecia com a luz refletida por um olho. Porém, vidros eram feitos de areia. Areia, cara! Aquela coisa marrom que gruda entre os dedos do pé quando se vai à praia. E assim ele passou o restinho da noite, até adormecer, minutos mais tarde no próprio sofá, pensando sobre o teto.


N/A: Eu deixo você bater no Harry, se quiser. Ele é lento demais!

Desculpem a demora para postar, tive finais de semana agitados, prometo tentar não atrasar novamente. Um obrigado especial à Moe Greenishrage por me lembrar dos meus compromissos. Aguardem o próximo capítulo, acho que o Harry precisa de um pequeno empurrãozinho, né? Veremos...


Agradecimentos: Freya Black, Moe Greenishrage, J. P. Malfoy., Umbreon-chan, Freya Jones, Hyuuki (te ofereço um pouco de insulina para prosseguir :P)