Capítulo 5: Justiça!

Karen: Leon! Saíste do coma! – disse ela, emocionada.

O Leon piscou os olhos, mas não conseguiu dizer nada.

Karen: Não te esforces a tentar falar. – disse ela. – Abana apenas a cabeça, está bem? Olha, foi a Crystal que te fez isto?

O Leon abanou a cabeça.

Karen: Oh, eu tinha razão! – disse ela, com ar triunfante. – Agora vou tomar precauções para que tu fiques em segurança. Acho que se a Crystal souber que tu acordaste do coma, ainda vai tentar fazer-te algum mal.

O Leon mexeu-se um pouco e, com esforço, pronunciou uma palavra.

Leon: C-catelyn.

Karen: Catelyn? Esse é o nome da mãe da Crystal. – disse ela, baralhada. – Leon, a mãe da Crystal tem alguma coisa a ver com esta história?

O Leon voltou a abanar a cabeça.

Karen: Estou a ver… estão ambas metidas nisto… não percebo porque é que ela apoia a filha… mas tudo bem. Eu não vou deixar que elas te façam mal. Vou falar com o teu pai. – disse ela. – Ele não tem nada a ver com o que te aconteceu, pois não?

O Leon abanou negativamente a cabeça.

Karen: Ainda bem. Bolas, também se um pai fizesse isto a um filho, nem sei… pronto Leon, eu vou tratar de tudo.

A Karen saiu do quarto do Leon e foi até à sala de espera. Encontrou lá o Sky, a Ruth, o Joseph e a Catelyn. Ao ver a Catelyn, a Karen ficou apreensiva, mas tentou agir normalmente.

Joseph: Alguma mudança?

Karen: Eu… senhor Joseph, preciso de falar consigo. E… com a minha tia e o Sky também. Em particular.

Catelyn: Ora, podem falar comigo também. Afinal, eu sou a mulher do Joseph. – disse ela, indignada.

Karen: É uma coisa muito importante e só a conto se você não estiver presente! – disse ela, começando a ficar zangada.

Catelyn: Ora, rapariga petulante! Tu não mandas nada!

Karen: Pois bem, quer saber a verdade, é? O Leon saiu do coma!

O Joseph arregalou os olhos.

Joseph: Isso é verdade? – perguntou ele, com a voz trémula.

Karen: Sim. Eu estive com ele e ele estava acordado.

Joseph: Oh, graças a Deus! – disse ele, feliz.

A Catelyn parecia pálida.

Karen: E eu fiquei a saber que não aconteceu assalto nenhum! A Crystal é que esfaqueou o Leon e você sabia! – disse ela, apontando para a Catelyn.

Catelyn: Isso é mentira!

Karen: Não é! O Leon confirmou as minhas suspeitas.

Catelyn: Cala-te, sua mentirosa! – gritou ela, avançando para a Karen.

A Ruth pôs-se à frente da Karen.

Ruth: Você não bate na minha sobrinha, ouviu?

O Joseph estava de boca aberta.

Joseph: Catelyn, diz-me a verdade.

Catelyn: Eu estou a dizer toda a verdade. O Leon ficou ferido num assalto.

Karen: É tão mentirosa como a sua filha. – acusou ela.

A Catelyn parecia possessa.

Karen: Para já, o Leon tem de descansar. – disse ela e depois virou-se para o Joseph. – Sei que é pedir muito, que duvide da mulher com quem está casado, mas peço-lhe que, pelo menos, não a deixe a ela, nem à Crystal, aproximarem-se do Leon, até que ele possa confirmar, sem sombra de dúvida, o que realmente aconteceu.

Joseph: Eu vou fazer isso.

Catelyn: Joseph, não podes acreditar numa história destas! – disse ela, furiosa.

Joseph: Desculpa Catelyn, mas o meu filho está acima de tudo. Até acima de ti.

A Catelyn virou costas e saiu do hospital. Pouco depois, o Sky, a Ruth e a Karen também vieram embora.

Ao chegar a casa, o Sky e a Karen foram falar. A Karen explicou-lhe tudo.

Sky: Bem, tu estás a tomar as rédeas de tudo. – disse ele. – É impressionante como descobriste tudo isso. De certeza que não te queres tornar detective?

Karen: Não, obrigada. – disse ela, rindo-se. – Mas agora vou contactar os outros.

Sky: Para quê?

Karen: Sky, tens de parar de ser tão ingénuo. É óbvio que a Crystal e a Catelyn não vão ficar quietas. Elas vão querer vingança. E olha que se a Crystal esfaqueou o Leon, sabe-se lá porquê, ela não vai hesitar em dar cabo de mim. E, quase de certeza, a Melody e, provavelmente a tua mãe, que me defendeu, também serão alvos.

Sky: Mas isso é terrível!

Karen: Convém que ponhamos todos a par do que se está a passar. Começando pela tua própria mãe. Ainda não lhe expliquei correctamente o que se passou.

A Karen foi chamar a Ruth e contou-lhe tudo em pormenor.

Ruth: Eu e o teu pai, Sky, já passámos por muita coisa, por causa dele ter sido agente secreto, mas nunca pensei deparar-me com uma coisa destas, tão perto da minha casa, da minha família e de pessoas que mal se podem defender. – disse ela, preocupada. – Mas não se preocupem. Eu vou estar atenta também. Aquela Catelyn parece muito perigosa. Sim, eu sei que vocês pensam que a Crystal é que é a má da fita, mas penso que ela não aprendeu sozinha. Tenho a certeza que aquela Catelyn é tão má como a filha.

Sky: Mas o que é que devemos fazer para nos protegermos, mãe?

Karen: Será que o Joseph também corre perigo?

Ruth: Penso que não. Quando fiquei a falar com ele e a chata da Catelyn, fiquei a saber que eles são separados com comunhão de bens. Se ele morrer, ela não recebe nada.

Karen: Mas… e se tanto ele como o Leon morrerem? Assim, não há mais herdeiros.

A Ruth pareceu preocupada.

Ruth: Aí… sim, aí pode acontecer o pior… muito bem. Vamos já pôr de sobreaviso todos aqueles que podem ser vítimas da Crystal ou da mãe dela!

Na casa da Crystal, a Catelyn já tinha contado tudo o que se tinha passado.

Crystal: Bolas, mãe! Vamos ser desmascaradas! – gritou ela, furiosa.

Catelyn: Calma filha, eu já pensei num plano para nos livrarmos do Leon. Depois ninguém vai conseguir provar que nós estamos metidas no que aconteceu com ele.

Crystal: Explica lá o teu plano.

A Catelyn explicou tudo.

Crystal: Sim, é boa ideia. – disse ela, abanando a cabeça.

Catelyn: Vê lá se não fazes nada que faça com que acabemos por ser descobertas.

Crystal: Não te preocupes, mãe. – disse ela, mas pensou: Enquanto tu tratas do Leon e do Joseph, eu vou ajustar contas com a Melody e a Karen.

No dia seguinte, bem cedinho, várias pessoas se dirigiram à casa do Sky, pois tinham sido avisadas por ele, pela Ruth e pela Karen, do perigo que corriam.

A Ruby, irmã do Sky, apesar de estar longe e nem ter grandes hipóteses de lhe acontecer nada, fez questão de comparecer, acompanhada pelo Luke, irmão mais velho da Melody. Por seu lado, a Melody veio acompanhada do Josh. Por fim, a Sarah não foi convidada, para não se meter em confusões, mas ela percebeu que havia muita agitação na casa do Sky, por ver várias pessoas entrar e foi coscuvilhar. O Sky acabou por lhe contar tudo, ela fez questão de participar na reunião e a ainda chamou o Tom para vir também.

E assim, nove pessoas estavam a discutir o que haveriam de fazer.

Ruth: Prestem atenção. – pediu ela. – Eu irei para o hospital. O Joseph está lá e eu ficarei perto dele, para me certificar de que nada lhe acontece. Josh, Ruby e Luke, vocês vão para o hospital comigo, mas vão ficar atentos ao Leon, ok?

Ruby: Está bem, mãe.

Ruth: Sarah e Tom, vocês vão ficar de vigia à casa da Crystal e a tudo o que se possa lá passar. Sky, Melody e Karen, vocês ficam aqui em casa e não saem até eu vos mandar. – disse ela.

Sky: Ora, porquê mãe? – perguntou ele, aborrecido.

Ruth: Vocês são os principais alvos da maluca da Crystal, por isso não se podem expor muito. – disse ela. – Agora não discutam e façam o que eu mando, ok?

Pouco depois, a Ruth, a Ruby, o Luke e o Josh saíram em direcção ao hospital. A Sarah e o Tom foram para casa da Sarah e começaram a pensar em como poderiam ver melhor a casa da Crystal e que truques usariam para passarem perto de lá, sem que a Crystal desconfiasse de alguma coisa.

Quando a Ruth e os outros três chegaram ao hospital, o Joseph estava na sala de espera.

Joseph: Bom dia. Então, o que fazem aqui?

Ruth: Estes miúdos, a minha filha e dois amigos, ainda não tinham vindo ver o Leon. Eles conhecem-no e queriam vê-lo, por isso vim trazê-los. – mentiu ela. Seria melhor se o Joseph não soubesse o perigo que corria, pois podia não acreditar que a sua mulher conspirasse contra ele.

Joseph: Agradeço-vos por terem vindo. O Leon está acordado, mas ainda está fraco para falar. – disse ele.

O Joseph indicou qual era o quarto do Leon e os outros três afastaram-se, deixando a Ruth e o Joseph para trás.

Ruby: Temos de estar atentos ao Leon. – disse ela.

Luke: Não te preocupes que nada de mal vai acontecer.

Josh: Sim, a nós não nos enganam.

Pouco depois, um carro parou no estacionamento do hospital. A Catelyn saiu do carro e dirigiu-se até uma parede que ficava escondida da porta principal do hospital. Pegou no telemóvel e marcou o número de telefone do Joseph.

O telemóvel do Joseph tocou e ele atendeu.

Joseph: Estou?

Catelyn: Sou eu, Joseph. Querido, tenho uma coisa muito importante para te dizer.

Joseph: Que coisa?

Catelyn: Não posso dizer por telefone. – disse ela, fingindo estar aflita. – Por favor, vem já para casa.

Joseph: Está bem. Vou para aí agora mesmo.

O Joseph desligou o telemóvel e olhou para a Ruth.

Joseph: Desculpe mas eu tenho de ir para casa agora. A minha mulher tem um assunto urgente para falar comigo.

Ruth: Ah… - a Ruth foi apanhada de surpresa, mas pensou rapidamente numa solução para poder vigiar o Joseph. – Será que você me podia dar boleia até minha casa? A minha filha Ruby deve querer ficar aqui mais um pouco e assim eu deixo-lhe as chaves do meu carro com ela e apanho boleia consigo. Pode ser?

Joseph: Claro que sim.

A Ruth foi entregar as chaves do seu carro à Ruby e avisou-a para ela estar atenta. A Ruby acenou afirmativamente. Pouco depois, o Joseph e a Ruth abandonaram o hospital. A Catelyn viu o marido sair.

Catelyn (pensando): Bom, lá vai ele. Mas vai com aquela mulher estúpida… bom, depois trato dela também. Agora, enquanto o Joseph não está no hospital, vou acabar com o Leon e depois vou acabar com o próprio Joseph.

A Catelyn entrou no hospital. Depois, sorrateiramente, ela foi caminhando até ao quarto do Leon. A Ruby, que estava perto da entrada, tinha visto a Catelyn e, pela descrição que tinha ouvido dela, identificou-a logo. Telefonou ao Luke, para ele estar atento.

Pouco depois, a Catelyn chegou ao quarto do Leon. Entrou sorrateiramente. O Leon estava deitado na sua cama, de olhos fechados.

Catelyn (pensando): Está a dormir. Sim, isto vai facilitar as coisas.

A Catelyn viu uma almofada que estava ali perto e pegou nela. Aproximou-se da cama e, com toda a força, pressionou a almofada contra a cara do Leon, de modo a que ele não conseguisse respirar. O Leon começou a debater-se.

Catelyn: Morre!

Nesse momento, o Josh saltou de detrás de um armário, com uma máquina fotográfica em punho e começou a tirar fotografias à Catelyn, mostrando o que ela estava a fazer.

Josh: Você está feita! Aqui estão as provas que vão ser usadas contra si!

A Catelyn ficou surpreendida e nesse momento o Luke entrou no quarto e empurrou-a para longe do Leon, que agora respirava com dificuldade.

Catelyn: V-vocês… eu não irei para a cadeia!

A Catelyn saiu do quarto a correr e o Luke correu atrás dela, enquanto o Josh tocava à campainha do quarto, para chamar uma enfermeira, para ver se estava tudo bem com o Leon. A Catelyn e o Luke corriam pelos corredores, desviando-se de várias pessoas.

Luke: Agarrem-na! Ela é uma assassina! – gritava ele, mas as pessoas ficavam tão surpreendidas com a situação, que acabavam por ficar paradas e sem reacção.

A Catelyn já estava quase a chegar à porta da saída, quando a Ruby, que estava ali, se meteu à sua frente.

Ruby: Você não vai fugir!

A Catelyn lançou-se contra a Ruby e mandou-a ao chão. A Ruby agarrou o cabelo da Catelyn e as duas começaram a lutar, rebolando pelo chão. Mas a Catelyn era mais forte e conseguiu dominar a Ruby. A Catelyn levantou-se e correu para fora do hospital. O Luke chegou nesse momento ao pé da Ruby e ajudou-a a levantar-se.

Ruby: Temos de ir atrás dela!

A Ruby e o Luke saíram do hospital e viram a Catelyn entrar num carro e acelerar dali para fora.

Ruby: Vamos Luke! Eu tenho o carro da minha mãe. Vamos atrás da Catelyn! – disse ela, correndo para o carro da mãe.

Nesse momento, na rua do Sky, o Tom estava a ficar preocupado. Já há quase um quarto de hora que a Sarah tinha ido passar em frente da casa da Crystal, para ver se se passava algo de estranho, mas ainda não voltara. Nesse momento, o telemóvel do Tom deu um toque. Tinha uma mensagem de voz. Ele decidiu ouvir a mensagem. Ouviu uma voz familiar.

Crystal: Olá Tom. Daqui é a Crystal. Pensavam que eu não via que me estavam a vigiar, era? Pois bem, a tua namoradinha está comigo. Por enquanto, está bem, mas… quem sabe se eu não acabo com ela. – a Crystal soltou uma gargalhada. – Se a queres salvar, faz com que o Sky, a Melody e a Karen venham até ao cais da cidade.. E não avises a polícia, nem mais ninguém, porque senão, mato a Sarah!

A mensagem terminou e o Tom começou a tremer. A Sarah tinha sido sequestrada pela Crystal! O Tom saiu de casa da Sarah a correr e foi bater à porta da casa do Sky. Depois de ver quem era, o Sky abriu a porta.

Sky: Então Tom, descobriram alguma coisa nova?

Tom: A Sarah foi sequestrada pela Crystal! – disse ele, muito agitado.

O Sky mandou-o entrar e o Tom mostrou aos outros a mensagem de voz.

Karen: É uma armadilha.

Melody: Sim, mas temos de ir. Senão, ela ainda faz mal à Sarah. – disse ela, preocupada.

Sky: Eu sabia que era melhor não envolver a Sarah nisto, mas ela tinha de meter-se onde não era chamada…

Tom: Não fales assim dela! Ela estava a tentar ajuda-vos a vocês! – disse ele, zangado.

Sky: Eu sei… e também sei o que é ser-se sequestrado por alguém.

Melody: Temos de ir já para o cais!

Karen: Mas, temos de levar algo para nos defendermos!

Sky: Mas o quê? A Crystal foi clara no que disse. Ela não quer que mais ninguém saiba, por isso não podemos pedir ajuda à minha mãe, nem à minha irmã. Por isso, para irmos até ao cais, vamos ter de ir de táxi e não podemos levar coisas muito óbvias num táxi. Por exemplo, já viram o que era levarmos um taco de basebol num táxi?

Melody: Não vamos levar nenhum taco de basebol. Nem facas e, mesmo se tivéssemos uma arma, também não a levaríamos. Nós não somos a Crystal. Seriamos incapazes de magoar uma pessoa usando coisas dessas. O melhor que nós podemos fazer é contarmos com a nossa cabeça e os nossos punhos, se for preciso.

Karen: Não sei, Melody. É óbvio que a Crystal há-de ter alguma coisa para se defender.

Melody: Calma. Eu sei que ela tem algo para se defender, mas temos de ter bom senso.

Karen: É assim, eu tenho um spray de pimenta que vou levar comigo, pode ser útil. E levo também um gravador. Já me serviu uma vez e desta vez também pode ser útil.

Sky: Pronto, isso deve chegar. Nós somos mais que a Crystal. De certeza que vamos conseguir ser mais inteligentes que ela.

Tom: Então vá, deixem-se de conversas e vamos embora!

Eles chamaram um táxi e foram para o cais.

Pouco depois deles partirem, o Joseph e a Ruth chegaram àquela rua. Ambos saíram dos carros.

Ruth: Bom, obrigada pela boleia.

Joseph: De nada. Adeus. – disse ele, caminhando para a sua casa e abrindo a porta da frente.

A Ruth ficou a pensar que agora não conseguiria estar perto dele para o proteger, mas nesse momento ouviu-se um grande barulho de um carro a aproximar-se a alta velocidade e pouco depois a Catelyn apareceu ao volante do seu carro, subiu o passeio a toda a velocidade e só parou quando já estava a meio do jardim da sua casa. Saiu esbaforida do carro. Segundos depois, novo som de um carro a alta velocidade e a Ruby apareceu a guiar o carro da mãe e parou o carro bruscamente em frente à casa do Joseph. O Luke, que estava ao lado da Ruby, estava bastante pálido, por causa da condução da Ruby.

Ao ver aqueles dois, a Catelyn ficou furiosa.

Catelyn: Vocês! – gritou ela, enquanto o Luke e a Ruby saiam do carro.

O Joseph tinha ficado parado à porta, a olhar para o que se tinha passado e a Ruth estava parada no meio do passeio. De repente, a Catelyn tirou uma pistola da sua mala.

Catelyn: Vou acabar com todos vocês! Não consegui matar o Leon agora, mas mato-o mais tarde!

Joseph: O que é que estás a dizer, Catelyn?

Catelyn: Eu tentei matar o Leon, seu parvo! – gritou ela, ao marido. – E não consegui por causa destes estúpidos. Mas agora vou acabar é contigo!

Joseph: Catelyn, estás louca ou quê?!

Catelyn: Eu estou é farta de ti! Casei contigo por dinheiro ou nunca percebeste isso? És um parvalhão! Obrigaste-me a assinar aquele acordo para separação de bens, mas se tu e o teu filho forem desta para melhor…

Joseph: Não podes estar a falar a sério!

Catelyn: Claro que estou. – disse ela, com o dedo no gatilho. – Vai para os anjinhos, Joseph!

Nesse momento, a Ruth correu para a Catelyn e saltou sobre ela. Apesar disso, a Catelyn disparou…

No cais, o Tom tinha pago ao taxista pela viagem e o taxista tinha ido embora. A Melody olhou à sua volta.

Melody: E agora?

Karen: Temos de fazer pouco barulho e procurar nos armazéns que há aqui.

Os quatro amigos foram procurando, até que encontraram um armazém que estava aberto. A Melody espreitou lá para dentro e soltou uma exclamação abafada.

Melody: É aqui. Lá ao fundo, vi a Sarah atada a uma cadeira e a Crystal está perto dela.

Karen: Viste alguma faca ou algum assim?

Melody: Isso não consegui ver.

Sky: Bom, fazemos assim. Eu, a Karen e a Melody vamos pela frente. Ela quer ver-nos cara a cara. Tom, tu escondes-te atrás das caixas que há no armazém. Dizemos à Crystal que tu não vieste e vamos tentar distraí-la. Enquanto isso, Tom, tu vais tentar chegar à Sarah, escondendo-te e quando puderes soltas a Sarah.

Tom: Está bem. – disse ele, acenando afirmativamente.

Karen: E eu vou ligar o gravador. A Crystal, como todos os vilões malucos, que é o que ela é, deve ter tendência para falar demais e depois já temos provas contra ela.

O Tom entrou sorrateiramente no armazém, escondendo-se atrás de caixas e caixotes. O Sky, a Melody e a Karen entraram pela frente e caminharam até ao fundo do armazém. Ao vê-los aproximarem-se, a Crystal sorriu. A Sarah, amarrada e amordaçada, não podia dizer nada.

Crystal: Ora, cá estão vocês. E onde está o namorado da Sarah?

Sky: Ele não veio. Achámos melhor ele ficar em casa, em segurança. – disse ele.

Crystal: Sim, essa é uma atitude sensata. Bom, como vêem, só estamos aqui nós.

Melody: Crystal, liberta a Sarah! – pediu ela.

Crystal: Calma. Eu não lhe faço mal. Aliás, ela não é importante… bom, quer dizer… Melody e Karen, vou ter de acabar com vocês… e como a Sarah vai ser testemunha, é lamentável, mas ela vai levar o mesmo caminho.

Karen: Tu não vais acabar com ninguém, sua tresloucada, armada em parva! – gritou ela, furiosa.

Crystal: Cuidado com a língua. – disse ela e tirou uma faca do bolso. – Se não te calas, acabo logo contigo. Ou com a Sarah.

A Crystal aproximou-se da Sarah, que, se pudesse, teria gritado.

Sky: Afinal, o que queres, Crystal?

Crystal: Quero-te a ti, Sky. Quero que fiques comigo. Ah, e quero que a Melody e a Karen morram!

Karen: Queres fazer-nos o mesmo que fizeste ao Leon! Tu tentaste matá-lo!

Crystal: Tudo bem, não tenho medo de admitir, fui eu que o tentei matar. Infelizmente, não consegui. Mas vocês não poderão contar isto a ninguém, porque eu não vou deixar! – disse ela, empunhando a faca. – Não vão escapar-me. Melody, lembras-te daquele fim-de-semana, em que quase te afogaste no lago? Fiz de propósito! Pena não teres morrido!

Melody: Tu… és mesmo louca…

Crystal: E agora, está na hora de eu acabar com vocês. Sabem, isto não é novidade para mim. Antes de mudar de casa, havia um rapaz de quem eu gostava, o Ralph, mas ele namorava com a Susan. E então… - a Crystal fez suspense. – Tive de acabar com ela. Acabei por conseguir conquistar o Ralph, mas depois ele deixou-me. Nenhum rapaz me deixa e fica impune! Acabei com ele também!

Sky: Crystal, não posso acreditar no que fizeste…

Crystal: Bom, chega de conversa. Está na hora de vocês morrerrem!

Nesse momento, por detrás da Crystal, o Tom saltou de cima de umas caixas e empurrou a Crystal, que caiu no chão. A faca caiu-lhe da mão e foi a rolar pelo armazém. Imediatamente, o Sky agarrou na faca, não fosse a Crystal tentar pegar nela outra vez. Enquanto isso, o Tom começou a desamarrar a Sarah. A Crystal levantou-se lentamente.

Crystal: Bolas. Mais uma vez, fui derrotada. – disse ela, zangada. – Mas como vocês são bonzinhos e não me vão fazer mal, nem têm provas para me acusar de nada, eu vou simplesmente sair daqui e continuar com a minha vida normal.

Karen: Nem penses! – disse ela, com um ar triunfante, tirando o gravador do bolso. – Eu gravei a nossa conversa! Tenho provas contra ti!

Crystal: Não pode ser! Outra vez!

Karen: Pois é, eu e o gravador não somos teus amigos. – disse ela, sorrindo.

Tom: Além disso, sua burra, ainda tenho a tua mensagem de voz, que é bastante incriminatória.

Crystal: Mas vocês não me podem impedir de fugir. Quando entregarem isso à polícia, já eu estarei bem longe!

A Crystal começou a correr e empurrou a Karen, mandando-a ao chão. Passou pelos outros, correndo em direcção à saída do armazém.

Melody: Volta aqui! – gritou ela.

A Melody e o Sky foram atrás da Crystal. A Karen levantou-se, enquanto o Tom tirava a última corda que prendia a Sarah.

Sarah: Aquela louca apanhou-me de surpresa e ameaçou-me com aquela faca. Não a podemos deixar fugir! – gritou ela.

A Karen, a Sarah e o Tom começaram a correr, seguindo os outros. A Crystal saiu do armazém, logo seguida pela Melody. O Sky tinha ficado um pouco mais para trás.

Crystal: Deixe-me em paz!

Melody: Nem penses! Não vais fugir! – gritou ela.

A Crystal começou a correr e virou para a direita. Só que teve azar e à sua frente havia apenas uma plataforma que ia dar ao mar, que ficava nove metros mais abaixo. A água gelada do mar batia nas rochas, fazendo barulho e lançando um cheiro salgado pelo ar. A Crystal parou e olhou para trás. A Melody estava a barrar o único caminho de saída. Logo depois, chegou o Sky e depois o Tom, a Sarah e a Karen.

Melody: Pronto Crystal, desiste, não tens saída.

Karen: Vais pagar pelo que fizeste! – disse ela, determinada.

Crystal: Não, não vou. Não vou deixar que vocês arruínem a minha vida. Se eu desistir, o resto dos meus dias será miserável!

Sky: Não exageres! Podes receber uns castigos… e deves ir parar à prisão, mas são só alguns anos…

Crystal: Eu não irei para a prisão. – disse ela, voltando-se para a plataforma.

Sarah: Ó maluca! Não podes estar a pensar saltar daí! É muito alto e de certeza que vais morrer.

Crystal: Não me importa. – disse ela. – Adeus a todos. Sky, continuo a gostar de ti.

E no momento seguinte, saltou da plataforma, para o mar gelado.

Dois dias depois…

A Karen foi visitar o Leon ao hospital.

Leon: Olá Karen.

Karen: Olá Leon. Pareces estar melhor.

Leon: Sim, já me sinto melhor. – disse ele, com um sorriso fraco. – Viste o meu pai hoje?

Karen: Sim, ele está bem. O que lhe valeu é que quando a minha tia Ruth saltou contra a Catelyn, ela falhou o coração do teu pai e a bala apenas acertou no braço.

Leon: A Catelyn… e a Crystal… uma está presa, a aguardar julgamento e a outra está morta… sabes, eu pensei que amava a Crystal, mas afinal… já nem sei o que é que realmente sentia por ela.

Karen: Não penses mais nisso. A Crystal só fez coisas más… matou pessoas, tentou matar-te a ti e queria matar-me a mim, à Melody e à Sarah. Mas agora a Crystal está morta, por isso não temos de nos preocupar.

Os dois ficaram em silêncio durante uns segundos.

Leon: Tenho pena que te vás embora em breve. – disse ele. – Tenho a certeza de que nos daríamos muito bem se nos conhecêssemos melhor.

A Karen acenou afirmativamente e corou um pouco.

Leon: Será que… não dava para tu pedires à tua mãe para vires para esta cidade mais vezes?

Karen: Posso tentar. Também adoraria conhecer-te melhor.

E os dois sorriram.

Fim!

Os destinos das personagens:

Sky Wallace e Melody Barklight: Os dois continuam a namorar e, depois do que aconteceu com a Crystal, estão mais juntos do que nunca. O Sky continua a ser calmo e a Melody é mais stressada.

Ruby Wallace e Luke Barklight: Mais um casal feliz. Eles continuam na universidade e continuam a namorar. A Ruby decidiu voltar a treinar artes marciais, porque ficou zangada por ter sido mais fraca que a Catelyn e o Luke decidiu que não vai deixar a Ruby conduzir mais carro nenhum.

Sarah Snowlake e Tom Marshton: Eles continuam juntos e, depois da experiência traumática pela qual a Sarah passou, ela exigiu ao Tom que lhe desse muita atenção e mimos. Mesmo assim, a Sarah continua a meter-se na vida dos outros.

Josh Barklight: O Josh continua a pensar no que quer ser no futuro e, depois do que aconteceu com a Crystal e a Catelyn, está a pensar ser polícia. Em alternativa, como gostou de ter fotografado a Catelyn em flagrante, também pensa em ser fotógrafo.

Ruth Wallace: A mãe do Sky e da Ruby continua a viver a sua vida normal, mas agora dá-se muito bem com o seu vizinho Joseph, que lhe está muito agradecido por ela lhe ter salvado a vida. Ela ficou um pouco aborrecida por o Sky, a Melody e a Karen lhe terem desobedecido, mas compreendeu que tinha sido para salvar a Sarah.

Karen Mozart e Amanda Mozart: A Karen acabou por voltar para Londres. A sua mãe, Amanda, não ficou nada satisfeita por ela se ter metido em situações perigosas, mas apesar disso, a Karen conseguiu que a mãe a deixasse passar metade das férias grandes na cidade do Sky, onde ela podia estar perto do primo, da Melody e claro, do Leon.

Leon Lestrange e Joseph Lestrange: O Leon recuperou completamente e voltou para casa. O seu pai, Joseph, conseguiu o divórcio da Catelyn e agora vivem normalmente. O Joseph queria mudar de cidade, para tentar esquecer melhor o que tinha acontecido, mas o Leon quis ficar ali, porque já tinha arranjado amigos e o Joseph acabou por concordar. O Leon tornou-se um grande amigo do Sky e do Josh.

Crystal Saintshield e Catelyn Simmons: A Crystal está morta, depois de se ter lançado da plataforma para o mar, onde morreu congelada. A sua mãe, Catelyn, acabou por ser condenada a vários anos de prisão, por duas tentativas de homicídio e por ter sido cúmplice na tentativa da Crystal matar o Leon. Agora anda a fazer trabalhos forçados na prisão.

Avó da Arren/Gato da Anne; Arren e Kyle (História do Josh): A avó da Arren morreu, o gato da Anne também morreu e o Kyle e a Arren ficaram juntos.

Anne Smith (Colega do Josh): Continua a ser colega do Josh.

Justin e Jill (História da Crystal): O Justin era o namorado da Carine, até que a Jill a matou. O Justin acabou por ser consolado pela Jill, casou com ela e vivem felizes, apesar dele não saber o que aconteceu realmente, continuando a desconhecer que a sua mulher é uma assassina.

Carine, os irmãos dela e a irmã do Justin (História da Crystal): Foram mortos pela Jill.

Ralph Prescott e Susan Biggs: Eles namoravam, até a Crystal aparecer e os querer separar. A Crystal matou a Susan e depois consolou o Ralph. Conseguiu conquistá-lo, mas mais tarde ele deixou-a e a Crystal matou o Ralph também.

Doutor Augusto Ramiro e Enfermeira Clarabela Alves: O médico continua a gozar com as doenças e destinos dos seus pacientes e continua a ser processado muitas vezes. Apesar disso, a enfermeira Clarabela achou-o engraçado e agora estão a namorar.

Pai da Crystal: Continua a viver na Áustria… ou Austrália… ninguém sabe bem…

E assim termina esta história. A Crystal acabou por ter um final merecido, depois de tudo o que tinha feito. E o Sky e a Melody continuam juntos. Espero que tenham gostado da história.