[Altamente Volátil]

[Por Patrícia Guerreiro]

2º Capítulo – "Ameaça Invísivel"

A campainha tocou, ouviram-se murmúrios de descontentamento que se perderam na confusão que antecedia cada aula. Na confusão de corpos e vozes ninguém reparou no rapaz que não se movia passando os dedos finos no bolso das calças de forma nervosa, enquanto uma gota de suor lhe percorria a bochecha.

Rodrigo, o galã da escola, passava apressado no meio da multidão empurrando sem reparar no rapaz invisível que permaneceu no mesmo sítio, entrado na sala de aula e quase esbarrando na Rainha do Drama, Antonieta.

- Desculpe, Maria Antonieta. – Desculpou-se com um sorriso galanteador, pegando delicadamente na mão e depositando-lhe um breve beijo.

- O meu nome é Antonieta! – Declarou, aborrecida retirando a sua mão.

- Mas não achas que é um nome mais teatral? – Perguntou com um sorriso sedutor e Antonieta limitou-se a virar-lhe as costas e juntar-se ao seu amigo Vasco que soltou um breve suspiro ao ver Rodrigo afastar-se e sentar-se junto de duas raparigas que soltavam pequenos risinhos irritantes quando o rapaz as seduzia com a sua lábia manhosa.

- Nome teatral. – Resmungou Antonieta entre dentes. – Maria Antonieta morreu decapitada! Onde é isso romântico? Vasco?

- Hum? – Perguntou desviando o olhar de Rodrigo e focando-se na amiga que o olhava de sobrancelha erguida. – Dizias alguma coisa Toni?

- Deixa estar. Ainda estás apanhadinho pelo Casanova da escola? – A resposta estava estampada nos olhos tristes de Vasco que olhou para os pés. – Oh Vasco… - Murmurou abraçando o amigo. – Deixa lá, vais encontrar alguém melhor.

- É a essa réstia de esperança que me agarro. – Respondeu num fio de voz.

-X-

O rapaz em que ninguém reparava continuava no meio do corredor, imóvel e nervoso, um contínuo aproxima-se do rapaz enquanto assobiava uma canção popular.

- Não devias estar nas… - A suas últimas palavras morreram ao ver o rapaz tirar a Colt do bolso das calças e a disparar em direcção do seu pescoço, perfurando-o, caiu no chão com um ruído seco, os olhos abertos, a carótica exposta da qual o sangue gorgolejava incessantemente com pequenos espasmos a percorrerem-lhe o corpo e que ao pararem deram sinal de que o homem estava morto.

O rapaz olhou o homem e a colt que trazia nas mãos com um ar intrigado, apontou novamente a arma ao corpo sem vida do contínuo e disparou novamente, tirou do bolso das calças uma bomba pequena cronometrada e colocou-a dentro do que restava do pescoço do cadáver, 2 minutos deveria ser o suficiente para que saíssem das salas devido ao barulho dos tiros e aproximaram-se deste e serem apanhados na explosão.

Afastou-se a passos largos limpando o sangue nas calças Jeans e atravessou o corredor entrando na casa de banho masculina.

-X-

*Bang!*

- O que foi isto? – Perguntou Maria assustada em voz alta, ouviu-se mais um tiro e o professor e mais alguns alunos saíram da sala.

- Não é o Sr. Gomes? – Perguntou uma das amigas de Maria assustada, o professor anuiu e aproximou-se do corpo imóvel e ensanguentado do homem e verificando se este ainda respirava. Uma das amigas de Maria aproximou-se também, assim como alguns rapazes, e as portas das salas circundantes abriram-se abrindo caminho aos restantes alunos e professores que também tinham ouvido os tiros e aproximara-se da cena macabra, preenchendo o ar com sussurros.

- Não ouvem um "tic-tac"? – Perguntou outra das amigas de Maria aproximando o ouvido do corpo do contínuo. A rapariga arregalou os olhos em terror no momento em que a bomba explodiu sendo atingida em cheio na cara, enquanto pedaços do velho contínuo voaram pelo corredor atingindo professores e alunos que soltaram exclamações de nojo e susto.

Maria aproximou-se do corpo da amiga, tinha a cara parcialmente desfeita e um dos seus olhos dançava fora da órbita enquanto o outro fixava a amiga, Maria abraçou o corpo ensanguentado da amiga sujando a roupa com o líquido vermelho, murmurando uma oração enquanto a vida abandonava o corpo da rapariga.

- O que foi aquilo? – Alguém perguntou.

- Foi uma bomba! Acho que a puseram no Sr. Gomes e uma data de gente foi apanhada na explosão! – Respondeu outra voz.

-X-

Os professores deram ordem a que todos os alunos se dirigissem para as salas de aula e se mantivessem calmos, enquanto telefonavam à polícia, alguns alunos insurgiram-se e um burburinho de revolta preencheu o corredor e ninguém reparou no rapaz invisível a sair da casa de banho com uma mancha de sangue nas calças a subir as escadas e a entrar no gabinete do director e a trancar a porta.

- Mas o que é q.. – O rapaz calou a pergunta do director com um tiro na cara, que o fez cair no chão tremendo e a olhar o aluno com a interrogação e o medo a bailar-lhe nervosamente no olhar já baço.

- Não se preocupe director. Deve morrer daqui a uns minutos. – Declarou num tom de voz impessoal com uma naturalidade mórbida olhando o director a esvair-se em sangue com um sorriso sádico nos lábios. Sentou-se na cadeira do director e ligou o intercomunicador para que toda a escola ouvisse o rapaz que ninguém via.

-X-

Uma espécie de guincho preencheu todas as colunas da escola, chamando a atenção de toda a gente.

- Olá. Tenho um comunicado importante a fazer enquanto o nosso amado director morre ao meu lado. Ele diz-vos "olá!". – A voz do rapaz invisível soou fria e doentia por todas salas e todos os cantos da escola, e murmúrios de pânico e descrença entoaram em surdina por toda a escola. – E não, isto não é nenhuma brincadeira de mau gosto. E escusam de telefonar à polícia ou vou apertar um botãozinho e vou mandar a escola toda pelos ares. Também não vale a pena fugirem, instalei bombas com sensores que explodirão caso alguém tenha a triste ideia de tentar escapar. O meu mestre trata de cada um dos seus seguidores como se fossem seus filhos.

Diana olhou o namorado com receio, este pegou-lhe na mão e apertou-a numa tentativa de a reconfortar.

- E só mais uma coisa, a sala B23 vai explodir dentro de 7 segundos. Adeus.

Todos os ocupantes da dita sala atropelavam-se uns aos outros em desespero não querendo ser apanhados na explosão, uma rapariga tropeçou e foi esmagada pelos colegas que nem repararam no que os seus pés pisavam, Alex foi um dos primeiros a sair e tendo perfeita noção de que tinha muito pouco tempo para se afastar do raio da explosão puxou a namorada para trás da secretária de uma das auxiliares e colocou o pé contra o tampo para diminuir qualquer impacto.

A explosão não se fez esperar provocando um ruído ensurdecedor, e projectando cadeiras e mesas contra quem quer que estivesse ao seu alcance, um professor foi trespassado pela perna de metal de uma cadeira e mais dois alunos foram atingidos mortalmente na cabeça por mesas. O corpo da rapariga espezinhada foi projectado contra uma parede, juntamente com partes do corpo daqueles que foram apanhados na explosão.

A secretária ameaçava esmagar o casal de namorados se não fosse a perna de Alex a suster o impacto. E tão rápido como começara tudo acabou, a mesa deixou de exercer pressão sobre a perna do rapaz que se levantou, e ao distribuir o seu peso sobre a perna, caiu de joelho no chão.

- Alex! – Exclamou Diana levantando o namorado e passando-lhe um braço sobre os obros.

- Foda-se! – Exclamou cerrando os dedos com dor. – Acho que está partida, Di.

- Oh Meu Deus! – Exclamou a rapariga tapando a boca com a mão livre. Alex colocou a cabeça da namorada contra o seu peito impedindo-a de continuar a ver o cenário de terror à frente deles beijando-lhe os cabelos loiros.

- Eu estou aqui Di, não vou deixar que nada te aconteça. Ok?

-X-

- Ouviram isto? – Perguntou Ângela alarmada a Lucas e Fred. – Ele estava a falar a sério!

- Nós também ouvimos Ange. – Respondeu Frederica de olhar sério. – Ele pode rebentar connosco a qualquer momento.

Os três amigos entreolharam-se preocupados, sabiam que quem quer que fosse que estivesse por detrás daquilo tudo não estava para brincadeiras e parecia querer rebentar com a escola e com quem quer que estivesse lá dentro. Lucas olhou para Fred e preparava-se para dizer algo quando ouviram um ruído ensurdecedor.

-X-

- Lúcia? Rita? – Chamou Raquel em desespero saindo debaixo do amontoado de tábuas que foram um bancada, sangrava um pouco da cabeça mas ignorou a dor e continuou a procurar as amigas, depressa se arrependeu do seu propósito. Lúcia, a ruiva tinha um pedaço de metal a perfurar-lhe o peito e fitava o tecto parcialmente destruído do Pavilhão de Educação Física de olhos vazios. Não muito longe a morena baixinha, jazia esmagada debaixo de uma viga, com a cara totalmente desfeita. Raquel chorou em desespero, tivera sorte, não fizera aula e limitara-se a assistir das bancadas, a parte mais segura do Pavilhão.

Sentiu uma mão a puxar-lhe o braço, não olhou, limitou-se a ser puxada.

- Vá lá! Não é lá muito leve sabes? – Resmungou a voz de um rapaz que não conhecia. – Agora dava jeito ser o Super-Homem.

Ai estava a razão de não conhecer o dono da voz, era um totó, e ela não ligava a cromos. Mas as circunstâncias eram diferentes e procurou usar a sua própria força para trepar pelos escombros e encontrou um par de rapazes com ar de totós que ela sabia serem da sua turma.

- O que é que aconteceu? – Perguntou a loira sacudindo a poeira da roupa e do corpo.

- Está um maluco a brincar com explosivos. – Explicou o rapaz de óculos fundo de garrafa.

- … - Abriu a boca mas não conseguiu emitir qualquer som. – Q-quem são vocês?

- Sou o Nélson! – Exclamou o rapaz de óculos mal disfarçando o entusiasmo. O seu amigo revirou os olhos. – E ele é o Amadeu. E tu és a Raquel Monteiro!

- Pois, seria de esperar que soubessem o meu nome. - Declarou de forma arrogante e levantou-se sentido uma tontura.

- Não faças movimentos bruscos, tens um golpe na cabeça. – Disse Amadeu em tom sério. – Precisamos de ir à enfermaria.

- Estás maluco? Com um psicopata por ai? – Insurgiu-se Nélson.

- Eu vou contigo. – Declarou a rapariga apoiando-se em Amadeu, saindo do Pavilhão em direcção ao edifício principal, Nélson acabou por lhes juntar embora bastante receoso.

-X-

Segundo Capítulo! 8D

Espero que gostem e comentem! ;D