N/A: Sim, após um ano e onze mezes, praticamente dois anos, eu resolvi postar o resto dessa fanfic! Ela está praticamente pronta, eu só tenho que digitar os capítulos, porque acabei escrevendo tudo à mão mesmo ;x Mas o sétimo está aqui, e eu espero que alguém ainda leia! Beeijos, Tschüss!

Uma pequena parte de um grande problema

Draco olhou para Ginny e sorriu afetado antes de responder.

- Num lugar do qual você não vai gostar nenhum pouco Weasley – ele olhou pra Ginny, contendo o riso – e no qual a sangue ruim deveria permanecer sempre.

- Que diabos de lugar, Malfoy? – Ginny revirou os olhos.

- Venha, eu te levo até lá, mas só por que estou de bom humor. – Ele olhou para a ruiva por um momento, começando a andar.

- Eu até imagino o motivo – resmungou Ginny rindo.

Ela se calou no instante em que ele olhou para trás de novo, mas depois percebeu que o loiro estava a vários passos de distância e nem havia escutado.

- Você não quer mais encontrar a sua amiga? – Ele falou um pouco alto.

Ginny tirou pensamentos bobos da cabeça e se concentrou em achar Hermione, afinal esse era o primeiro passo, o que viesse depois não importava no momento.

- Claro que sim! Mas até agora você não me deu direção nenhuma! Para onde vamos?

Ela correu até alcançar Malfoy, olhando feio para ele.

- Fique quieta um instante sim? Sua voz é irritante!

Ginny olhou para Draco desejando que pudesse pulverizá-lo só com o olhar, mas não disse nada. "Hermione, Hermione!" Ela se obrigava a pensar.

Parecia que não tinha fim a caminhada deles por dentro de Hogwarts, mas era em sua grande parte porque deviam ficar se escondendo cada vez que ouviam o menor sinal de movimento, afinal deveriam estar na cama há um bom tempo.

Depois de mais ou menos meia hora, eles chegaram ao sétimo andar e Ginny soube naquele exato instante que ele a tinha enfiado na Sala Precisa.

- Ah, que original... – ela resmungou. – Claro, onde mais seria?

- Que diabos Weasley! – Ele olhou mal-humorado.

- Mas Merlim que me perdoe, eu nem SEQUER abri a boca enquanto vínhamos para cá, e quando eu ME faço uma observação, você tem que se meter? – Ela estava chateada, mas quase feliz por ter encontrado a morena.

- Voz irritante atrapalha concentração – ele se limitou a dizer, encerrando a discussão.

Ginny deu de ombros e esperou pacientemente até aquele ser odioso usar seus miolos de ouro para abrir a porta, tentando não esquecer o fato de que não iria gostar do lugar.

- Pronto – ele a olhou orgulhoso.

- Meus parabéns, quer que eu aplauda?

A ruiva empurrou Draco para o lado, colocando a mão na maçaneta da pequena porta, imaginando que aquilo parecia um armário de vassouras embutido na parede. Mas ela estava bem enganada, como pôde constatar assim que girou a maçaneta e abriu a porta.

Aquilo não era um armário de vassouras embutido na parede, aquele cubículo dois por dois era uma espécie de banheiro, que além de estar extremamente sujo, cheio de teias de aranha e uma grossa camada de poeira e lama pelo chão, estava coberto de cacos de cerâmica do que havia sido um bacio.

Ginny olhou horrorizada para Draco, que escondia a boca numa risadinha frenética e cheia de maldade.

- Eu disse, vai dizer que não combina? Você até não conseguiu encontrá-la de tão perfeito que é para ela esse ambiente!

A Weasley virou o rosto de volta para o banheiro, engolindo exatamente o "ONDE DIABOS ESTÁ HERMIONE?" que estava na ponta de sua língua, passando a olhar atentamente o lugar. E lá, atrás do que restou do bacio, em uma pilha de trapos tão sujos quanto o chão, ela viu os cabelos de Hermione.

- Eu nem sei porque me dei o trabalho de pensar que você teria sido mais decente! – olhando para ele incrédula e sacudindo a cabeça, Ginny foi até a morena e sacudiu-a.

- Mione? Ei, Mione? HERMIONE?

Antes que ela se virasse e começasse a berrar feito doida, Draco se adiantou.

- Eu, meio que, a sedei. – ele fez cara de inocente.

- Sedou? Com que tipo de poção? – Ginny esperou que sua voz soasse mais dura, mas ela estava com medo.

- Na verdade, - ele riu – eu estava com preguiça de gastar tempo com essazinha – ele olhou com nojo para a Granger – aí tive a idéia de fazê-la tomar coisas de trouxas, mas depois percebi que demorava demais e dava mais trabalho encontrar do que fazer uma poção. Então eu fui até o Professor Snape e contei uma linda história, de que teria que ficar por aqui durante as férias de natal e estava tão de saco cheio que queria dormir por dias, mais precisamente todos os dias das férias.

- Ah não! Só pode ser brincadeira! – A ruiva arregalou os olhos.

- Mas claro que ele não me deu uma poção que me fizesse dormir direto, sua mula! Ele me deu uma que faz a pessoa dormir por vinte e quatro horas, mas me deu o equivalente para dormir por dezesseis dias.

- CARALHO! E você deu quando a última dose pra ela? – Ginny ainda segurava a espécie de macacão cinzento que Mione usava.

- Hm.. acho que foi antes de ir para a detenção. – Draco estava parado na porta, vendo com ar divertido aquela cena.

Ginny suspirou, olhando tristemente para o chão.

- AH, que ÓTIMO! Você quer me dizer que ela vai dormir direto até as oito horas da noite de amanhã?

- É claro Weasley! Qual a parte do vinte e quatro horas você não compreendeu?

- Cale a porcaria da sua boca, Malfoy!

Ginny agitou a varinha, murmurando "Levicorpos" e então saiu pisando duro do banheiro, o corpo de Hermione flutuando atrás de si.

- Ei, ei, ei! Aonde você pensa que vai com ela? – Draco perguntou desconfiado.

- Vou levá-la para qualquer lugar longe de você e o resto interessa somente a mim! E, a propósito, ela vai se lembrar do que exatamente?

Draco piscou.

- Ah, putz! Ela vai... hm, eu acho que ela vai se lembrar de tudo... – ele falou baixinho, mas a ruiva escutou.

- Depois eu sou a burra né? Não acredito que nem a capacidade de fazer a memória dela ficar confusa você teve!

- Meus pensamentos estavam em outro lugar! – o loiro se justificou.

- Mas eu estou te agradecendo! Assim fica bem mais fácil fazer o Harry e o Ron ficarem sabendo da história! Porque depois de ver ela desse jeito, eles vão querer só o teu couro! – disse a Weasley sorrindo.

Ela continuou a andar, o corpo de Mione atrás de si, tentando não fazer muito barulho e chegar o mais rápido possível às salas de aula não utilizadas do terceiro andar. Ela queria despistar Malfoy e voltar à Sala Precisa, e deixar a Hermione num lugar mais confortável do que carteiras, mas quando virou as costas, Draco estava junto a seus calcanhares.

- Mas que diabo Malfoy! Eu sei que se privar da minha maravilhosa presença é uma tortura, mas eu não te quero aqui!

- Nossa, como você é engraçadinha Weasel, há há há! – ele fingiu rir e revirou os olhos.

A ruiva escancarou a primeira porta que viu, juntando carteiras rapidamente e depositou o corpo de Hermione em cima delas. Ela estava compenetrada demais para ouvir o clique da porta atrás de si, e também desligada demais para perceber que havia deixado a varinha em cima da mesa enquanto ajeitava a morena no travesseiro que havia conjugado.

- Eu só queria pedir encarecidamente que você bebesse essa poção.

Ginny olhou para trás, para perceber o vidro de cor amarelada que estava na mão de Draco, enquanto ele segurava a varinha apontada para ela. A sua varinha estava saindo do bolso das vestes dele, ela constatou terrificada.

A ruiva abriu a boca, seus pensamentos voando rapidamente na cabeça.

Tudo bem, ela admitia que havia encarado essa história toda com humor demais, talvez devesse ter tomado mais cuidado, não ter se exposto tanto. Ela também admitia que achava que Malfoy não era assim tão perigoso como todos pensavam, que ele era só um fantochezinho, sem vontade própria e incapaz de ferir alguém. E, para piorar, ela admitia que tinha entrado nessa principalmente porque queria desmascarar o loiro para Harry, porque ela achava que assim ele sentiria orgulho dela, e ela queria estar à altura dele, se provando cada dia que passava mais e mais.

Agora, olhando para o rosto nada sarcástico e amigável do loiro a sua frente, e olhando para seus olhos indecifráveis ela percebia que não tinha sido uma idéia muito boa de sua parte brincar com Draco. Essa coisa de gato e rato ainda ia acabar mal para o lado dela, e de Hermione. Possivelmente Draco era só um fantochezinho, sem vontade própria, mas a parte do incapaz de ferir alguém é que não parecia verdadeira para ela.

Mas, já que estava dentro do jogo, uma partida a mais não faria mal.

- Há, que inteligente! Você pretende ficar aqui até amanhã às oito da noite, esperando Hermione acordar para fazê-la beber isso aí também? E comigo aqui dentro meio grogue? Ótima piada!

- Na realidade, eu esperava que você fosse boazinha o suficiente para beber a poção e dar o fora daqui, deixando que da Granger cuidasse eu.

- Você esperou coisa errada então, porque daqui eu não saio antes que a Mione acorde! E também não bebo poção nenhuma!

- Você acha que eu sou idiota? E o bobo do seu irmão e aquele maldito cicatriz? O que eles vão pensar quando você não voltar da detenção que cumpriu comigo?

- Eu não acho! Eu tenho certeza que você é idiota! Só sendo você, ou seja, idiota, pra pensar que eu contei a alguém que tinha uma detenção a cumprir, ainda mais com você!

Draco pareceu confuso por um instante, porém sacudiu a cabeça e voltou a falar.

- Você estava me poupando? Oh, que lindo Weasel! – ele falou de forma melosa.

- Convencido – Ginny revirou os olhos – Um trasgo é mais inteligente que você! Pouco me importa sua linda carinha Malfoy! A única razão pela qual eu não contei à eles da detenção foi por ela – apontou para Hermione – que, em primeiro lugar era com quem eu devia cumprir a detenção, já que era ela que estava comigo, e em segundo, ela estava COM VOCÊ! Eu não ia arriscar perdê-la simplesmente para ver sua face sendo esmagada pelas mãos do Ron! Por mais que tenha me dado vontade! – ela cuspiu as últimas palavras.

- Continuo achando que você estava me poupando Weasley! – Ele disse piscando e abaixando a varinha. Colocou o vidrinho de poção no bolso e a varinha junto com a da ruiva, arrastando uma cadeira e sentando-se. – Já que vai ser um longo dia...

- Tem uma coisa que eu não entendi – disse ela, de repente.

- Uma só? – ele provocou.

Ignorando, ela continuou.

- Por que você se dignou a me levar até Hermione e tudo isso, quando você podia só me estuporar e se mandar? Foi só por que eu te beijei na detenção? – ela sorriu.

- Ah, pelas barbas! É só porque eu estava entediado! Andar com aqueles dois é a coisa mais chata e irritante que eu já me obriguei a fazer! E as suas idéias de diversão são mais patéticas do que eu havia imaginado! E também, não estava conseguindo nada com isso, e olha que estou há mais de uma semana tentando, mas ser a Granger é um fardo! – ele disse sinceramente.

- Exatamente por que eu te beijei! E você gostou! HÁ HÁ HÁ! – ela começou a rir, ignorando a cara de Malfoy.

- Eu sabia que você queria me beijar Weasley, eu só realizei o seu desejo, como disse desde o começo! – ele sorriu torto.

- Ah, cale a boca! Quem realizou desejos aqui fui eu! Ou vai dizer que você realmente acha que eu não percebi?

- Percebeu o que? – ele fingiu interesse.

- Que você ficou todo espantadinho e que correspondeu ao meu beijo com muito mais vontade do que alguém que só queria realizar MEU desejo!

- Pfff, essa é a coisa mais absurda que eu já ouvi de você hoje!

- Ficou sem ter o que dizer por que eu estou certa Malfoy? – ela desafiou.

- Não, eu fiquei sem ter o que dizer por que não quero gastar saliva discutindo uma coisa imbecil como essa com você, que é ainda mais imbecil!

Ginny caiu na gargalhada, sabendo que provavelmente estava levando a brincadeira longe demais.

- Ficou irritadinho! Que bonitinho! – ela zombou.

Draco soltou um rosnado, fazendo ela perceber que era melhor ficar quieta, pois podia ver as veias do pescoço dele engrossando e que ele estava mordendo tão forte seus dentes que poderia quebrá-los.Ela se limitou a sentar no chão, olhando para os próprios pés.

- Acho bom que você saiba que é melhor ficar quietinha Weasley, ainda mais quando eu tenho três varinhas e você nenhuma!

A ruiva nem sequer se movimentou.

Ela não sabia que horas eram, mas devia ser tarde, pois seus olhos pesavam e ela lutava para se manter acordada. Não queria dormir ali na presença de Malfoy, mas estava cada vez mais difícil deixar os olhos abertos. Olhou de canto de olho para o sonserino, esperançosa de que ele tivesse dormido, mas o rosto dele permanecia imóvel e não demonstrava nenhum cansaço.

Ginny decidiu ficar olhando aquele rosto, meramente para se distrair, mas acabou pensando no quanto ele era bonito e que, se ele não fosse quem era, ela com certeza teria olhado para ele antes.

Os olhos de Draco eram de um azul-acinzentado que parecia névoa, e a habilidade dele de não demonstrar emoções era só um pedaço do mistério que era aquele menino. Seu nariz era fino, mas não muito comprido, e seus lábios eram simétricos e não muito cheios, mas ainda assim bonitos. A pele dele era extremamente clara, e seu cabelo loiro platinado combinava com ela.

O Malfoy era pelo menos um palmo mais alto que Harry, mas Ron era mais alto que ele. Ele não tinha um corpo atlético, na realidade, o pouco que Ginny conseguia ver, que eram os braços e parte do pescoço, denunciavam que ele era magro, mas não esquelético.

A Weasley ficou olhando para ele por tanto tempo meio que congelando os olhos numa posição fixa, não percebendo que ele a observava também.

Quando seus pensamentos começaram a ficar confusos e ela se pegou desejando tocar nos cabelos de Draco, seu cansaço a venceu, e suas pálpebras ficaram tão pesadas que foi impossível mantê-las abertas. Mesmo que no fundo de sua cabeça houvesse uma voz que dizia que era perigoso, Ginny dormiu.

N/A: Oi? Tem alguém lendo ainda? Se tiver, please, review! Até quarta que vem posto o oitavo! ;D Até mais! Beijo!