N/A: Então, eu sei que falei que seria até quarta-feira, mas acabou que o capítulo ficou mais longo do que o planejado e eu só terminei agorinha (tive que mudar umas coisas, depois de dois anos de bloqueios nossas idéias mudam). Apesar disso, está ai, exatamente agora, meia noite e quatro!

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A espera torturante

Ginny só acordou porque sentia uma dor muito forte no pescoço. Demorou dois minutos para descobrir que estivera dormindo sentada com a cabeça inclinada, totalmente desconfortável. Aí ela se lembrou de onde estava e rapidamente olhou para Hermione, que ainda permanecia em cima da mesa, dormindo. A ruiva procurou por Malfoy, mas foi necessário ficar em pé para notar que ele havia conjurado uma cama de casal, quatro travesseiros macios, um edredom fofo e quentinho e pijamas!

- Rato miserável! – sussurrou ela entre dentes, indignada com a falta de compaixão do loiro. – Ele não tinha a capacidade de me ceder um travesseiro? Não podia ter me esticado no chão? Não, claro que não! Porque ele é um egoísta mesquinho e eu sou uma Weasley. – disse ela baixinho para si mesma.

A ruiva também não entendeu porque ele não pegou Hermione e deu o fora de lá quando viu que Ginny tinha dormido. Pois se ele teve tempo de conjurar tudo aquilo, teria tido tempo de ir embora, mas ela desconfiava que Draco fosse tão desmiolado que nem saberia o que fazer com Mione. Melhor assim.

Foi mais ou menos naquele momento, enquanto ignorava a raiva e a vontade de pular na cama e apertar o pescoço de Malfoy, até aquela carinha angelical ficar roxa e ele jamais poder sorrir torto novamente, que Ginny notou as varinhas saindo do bolso das vestes dele, penduradas em uma cadeira. Lentamente ele caminhou até a cadeira em questão, e retirou as varinhas do bolso das vestes dele. Reconheceu a sua imediatamente, mas ficou em dúvida se aquela outra era a de Hermione ou a de Draco, mas guardou-a em suas vestes mesmo assim.

Na afobação de sair logo de lá ela chutou a cadeira, o que fez um barulhinho abafado e a fez ficar estática. Os olhos de Malfoy se moveram, assim como seu corpo, porém ele não acordou.

A Weasley queria sair de lá o mais rápido possível com Hermione e a pressa fez com que ela esquecesse de vasculhar o outro bolso à procura da poção.

- Alorromora! – murmurou ela e a porta destrancou. Logo depois ela disse "Levicorpus" em pensamento e Hermione veio flutuando de cabeça para baixo atrás dela.

Ginny cuidou para que a porta não batesse ao fechar e tentou andar o mais rápido e silenciosamente que podia. Ela não sabia que horas eram, mas devia ser quase manhã e ela não estava muito feliz com isso.

Após um momento relativamente longo, a Weasley chegou em frente ao Retrato da Mulher Gorda, que a recebeu com um olhar reprovador e não perdeu a oportunidade de lhe dar um esporro.

- Acordada há essa hora mocinha? Meninas decentes estariam dormindo e não carregando outras meninas – o olhar dela pousou em Hermione – desacordadas dessa maneira!

Ginny se limitou a revirar os olhos e informar a senha, sem se importar em dizer que pinturas em quadros deveriam é cuidar apenas da sua vida e talvez das de outras pinturas, e ela em especial deveria apenas abrir a porta após ouvir a senha, sem ficar dando palpites. Mas a ruiva pensou, com razão, que se dissesse isso ficaria trancada do lado de fora até alguém aparecer, e ela não queria correr esse risco.

Quando o quadro girou liberando a passagem, ela passou por ela rapidamente, e esperou que Hermione a perdoasse por estar carregando-a daquela maneira pela segunda vez. Sem demorar muito mais que segundos para olhar o relógio da Sala Comunal e perceber que era quatro e trinta e sete da manhã, ela se dirigiu ao dormitório da morena.

Ela abriu a porta e colocou a cabeça para dentro cautelosamente e ficou feliz ao descobrir que as companheiras de quarto de Hermione que estavam em Hogwarts dormiam com as cortinas da cama fechadas. Foi até a cama vazia da garota e depositou-a lá, trocando a roupa da menina por um pijama manualmente e fechando as cortinas ao sair. Mesmo que alguém tentasse acordar Hermione não conseguiria, o que era muito bom, pelo menos até as oito horas da noite. Mas nesse exato horário Ginny esperava estar ao lado da cama para vê-la acordar.

Voltou à Sala Comunal agradecendo secretamente que nenhum aluno insone estivesse presente no momento e correu ao seu próprio dormitório. Infelizmente as suas duas colegas presentes não gostavam de fechar suas cortinas, o que a fez ser três vezes mais cuidadosa ao ir até sua cama. Chegando nela, puxou suas cortinas e arrancou o mais rápido que pôde suas vestes, jogando-as embaixo da cama e vestindo seu velho pijama de flanela. Naquele instante seu coração batia muito rápido e tudo o que ela queria era que a dor de seu torcicolo parasse e que ela pudesse dormir. Ela pensou que demoraria a pegar no sono, mas assim que fechou os olhos o cansaço de sua pequena aventura a desarmou e ela caiu diretamente no mundo dos sonhos.


Ginny estava no meio de uma sala pequena sem janelas e sem portas com o único alçapão fechado, imaginando desesperadamente como sair de lá quando ouviu a primeira batida abafada, vindo de muito longe. Mais uns segundos e houve outra batida, mais forte, ainda abafada e depois começou a ocorrer uma seqüência de batidas abafadas que atrapalhavam seus pensamentos. Não era possível que naquelas paredes alguém estivesse batendo. A Weasley foi forçada a deixar seu sonho para trás e aos poucos abrir os olhos para a claridade de seu dormitório. Com certeza alguma das meninas havia aberto a cortina de uma das janelas antes de sair, e agora que o quarto estava iluminado, suas cortinas não eram capazes de deixá-lo escuro.

As batidas não haviam parado, obrigando Ginny a abrir suas cortinas e pular da cama, procurando a fonte do som abafado. Não demorou tanto quanto ela tinha esperado que demorasse afinal o barulho vinha da janela que deixava a luz entrar no dormitório. Era uma coruja-das-torres de cara branca e penas amarelo-alaranjadas, muito bonita e diferente de todas as corujas que Ginny já havia visto que batia insistentemente o bico no vidro da janela. A menina se apressou em abrir-la, e a coruja entrou pousando majestosamente na cama mais próxima e esticou a patinha.

- Ah! – exclamou a ruiva enquanto abria o envelope. Ele continha um pequeno pedaço de pergaminho e escrito em uma caligrafia fina e bonita havia:

Weasley,

Achei simpático da sua parte me deixar dormindo enquanto fugia com a Granger! Muito obrigada, tive uma ótima noite de sono!

A propósito, a varinha que você tem em mãos, além da sua, é MINHA. Eu gostaria de tê-la de volta, por isso amarre-a bem firme na pata do Lince!

Malfoy

- Como se eu fosse exatamente fazer isso, sua mula! – disse Ginny com raiva.

Ela correu até sua cama e puxou seu malão debaixo dela, revirando as coisas que estavam dentro dele até encontrar uma pena e um tinteiro. Usando a tampa como apoio, virou o pergaminho e rapidamente rabiscou:

Malfoy,

Em que diabos de planeta você vive?

Eu não vou te entregar a sua varinha até que você me entregue a da Hermione, seu besta! E também não tenho tempo para me preocupar com isso agora, então, depois que a Mione acordar a gente resolve! Agora vê se aprende a esperar e a ter idéias melhores!

E de nada! A minha noite também foi ótima, mas sem a sua ajuda!

G.Weasley

Ela amarrou o bilhete na pata da coruja e esta levantou vôo no instante em que ela terminou.

Ginny bufou, procurando ver que horas eram e, assim que encontrou um relógio, ficou com muita raiva do Malfoy. Era nove e quinze da manhã! Ela praticamente não dormiu nada! E agora duvidava que fosse pegar no sono tão cedo, mas também não poderia ficar andando pela Sala Comunal ou pelo castelo sem correr o risco de encontrar Harry ou Ron, que já deviam estar loucos atrás dela. Não, ela precisava matar tempo até as oito horas da noite. Mas como?

Meio que respondendo a pergunta sua barriga roncou, fazendo a descobrir que estava morrendo de fome. Não tinha outro jeito, precisava tomar café-da-manhã.

Ginny tomou um banho rápido, se vestiu e penteou os cabelos, deixando-os molhados apesar do frio e se dirigiu até a Sala Comunal da Grifinória, rezando para não encontrar os meninos logo de cara.

Suas preces foram atendidas e o único rosto conhecido era o de Dino, que acenou para ela e voltou sua atenção a qualquer outra coisa logo depois. Então a ruiva passou pelo buraco do retrato e seguiu seu caminho até o Salão Principal para se alimentar.

No trajeto não encontrou ninguém conhecido, porque também não havia muitas pessoas no castelo, mas, ao entrar no Salão Principal seu coração congelou. Não era nem Harry nem Ron, mas sim o loiro avarento que estava causando tantos problemas a ela ultimamente, Draco Malfoy, que estava sentado junto à mesa da Sonserina, mastigando serenamente.

Ele não percebeu Ginny entrar, nem quando ela se sentou, mas a garota não tirava os olhos dele, com uma insana vontade de bater naquela cara, pelo torcicolo ainda dolorido e por várias coisas mais. Ginny o odiava tanto!

Ela desligou-se dele por uns instantes, comendo tudo o que via pela frente, tentando não parecer muito faminta para os dois primeiro-anistas e uma menina do quinto ano sentados um pouco afastados dela na mesa, mas estava difícil, porque ela tinha muita fome. Quando sua barriga estava pesada e ela se sentiu satisfeita, parou. Olhou para a mesa da Sonserina de canto de olho, mas Draco Malfoy não estava mais lá. Ela suspirou, preparando-se para levantar e possivelmente dar uma volta pelo lago, já que não estava nevando. Seguiu para fora do Salão Principal até que foi puxada por mãos para um canto.

- Então Weasley, venha comigo, sim? – disse Draco.

- Eu tenho escolha? – ela perguntou meio surpresa com o acontecimento.

- Na verdade, não. – ele encerrou o assunto, arrastando-a para uma sala de aula não utilizada.

Durante o percurso Ginny decidiu não falar nada, o que fez Draco estranhar. Chegaram à sala em poucos minutos e Malfoy fechou a porta ao passar, só soltando o braço da ruiva depois disso.

- A gente pode trocar as varinhas agora Weasley – disse ele, com urgência na voz, batendo no bolso das vestes.

- Claro, se a da Mione não estivesse lá no meu dormitório, sim. – ela respondeu simplesmente.

- Meu Merlim, porque você não a trouxe quando saiu? Era tão simples! – ele falou ficando desapontado.

- Porque eu não tinha a menor idéia de que iria te encontrar, Malfoy!

- Ah, mas que droga! A varinha da Granger é uma merda! Não funciona nenhum pouco bem! Pra trancar a porta já é um esforço! Eu quero a minha varinha de volta logo Weasley! – ele estava bastante chateado.

- Estou tão cansada dessa confusão quanto você Malfoy, mas até a Hermione acordar quero ter uma garantia de que você ainda vai me encontrar caso tenha deixado ela meio biruta.

- Ela não ficou biruta, e isso é ridículo! Até as oito da noite eu vou ter que ficar esperando?

- Não, até amanhã de manhã, porque eu vou passar a noite conversando com a Mione.

Ele bufou.

- Vai me entregar tão rápido pro Potter e pro teu irmão?

- Isso não é realmente algo que eu vá te contar, quando a gente te entregar você vai saber! – ela estava começando a se irritar também.

- Que ótimo!

- Eu realmente queria saber Malfoy, porque diabos você inventou isso tudo, de trocar de lugar com a Hermione e todo esse caos desnecessário? – ela parecia sincera.

Draco considerou por um minuto, sacudiu a cabeça e respondeu.

- Minhas idéias, meus planos, meus assuntos. Não vou te responder, é óbvio. – ele disse sério.

- Imaginei.

De repente ele soltou uma pergunta que não tinha muito a ver com o assunto.

- Você já considerou que eu possa ser perigoso? – ele olhou para ela com os olhos gelados.

- Pff – ela sorriu – Você não me parece muito perigoso Malfoy.

Ele abriu a boca, mas ela se adiantou.

- Claro, você pode até estar do lado perigoso, mas não quer dizer que você seja. Seu pai, - ela suspirou e olhou para baixo – ele pode ser considerado bastante perigoso, disso eu tenho certeza. Mas eu não tenho medo de você, acabei por descobrir.

- Hm.. Você fala do meu pai pelo diário? E porque não tem medo de mim? – ele sorriu torto, daquele jeito que fazia Ginny ter vontade de socá-lo ou... beijá-lo.

Ela pensou por alguns minutos, sentando-se em uma cadeira. Draco estava encostado em uma carteira.

- É, bem pelo diário que falo dele. Não acho que tenha sido inocente aquilo, muito mais gente podia ter se machucado, além de mim, mas eu ainda tenho cicatrizes daquela época, daquela câmara. Não é nada agradável quando alguém brinca com os seus sentimentos. – ela deu a ele um olhar duro e frio, que o surpreendeu. – Não que você se importe, ou se interesse.

- É verdade, não me importo. Eu não tinha muita noção do perigo daquele diário, na verdade não tinha nenhuma noção, era divertido pensar no que iria acontecer, quando meu pai me contou sobre, principalmente pela reação que Potter teria. Mas você não me respondeu por que não tem medo de mim.

Ela olhou-o bem nos olhos por um instante, então desviou o olhar.

- Por que, hm, olhando bem pra você, dizendo que agora eu o 'conheço', você não me inspira medo. Sabe, você parece fazer as coisas mais por obrigação do que por vontade de fazê-las. Talvez no fundo você não tenha vontade de fazê-las. – ela disse olhando novamente dentro dos olhos dele.

- Basicamente você está certa, as coisas geralmente são bem chatas e eu não gosto de fazê-las, especialmente por que eu sei que logo tudo vai mudar, talvez não para o seu melhor, mas sim para o meu. – ele sorriu ameaçadoramente, mas Ginny não se deixou abalar.

- Veja, é bem disso que eu falo, você acha que o seu melhor é o melhor que seu pai te impôs, mas eu acho que você tem mais vontade de estar no meu melhor. Acho que você odeia o Harry e tudo o mais, mas no fundo não gosta de realmente ter que estar sempre atrás do que ele faz, vigiando e tentando descobrir coisas que favoreçam o seu melhor depois. Eu acho que você preferiria ser qualquer outro do que o filho do Lucius Malfoy, comensal da morte, aliado de Você-Sabe-Quem, nas atuais condições. – ela sorriu.

- Eu tenho certeza de que você fala demais sobre as coisas das quais não sabe nem a metade Weasley. Você devia considerar que talvez eu só esteja entediado, esperando que o meu melhor aconteça, ou talvez esperando uma grande missão?

- É, talvez. – mas o tom de voz dela denunciava que ela realmente acreditava em sua própria versão.

Aí Draco sorriu torto mais uma vez e Ginny podia jurar que seus olhos brilharam por um instantezinho, enquanto ele se aproximava dela. Automaticamente a menina se levantou da cadeira e foi andando de costas para a porta, agora realmente assustada com aquele sorriso torto malicioso. Ela não gostava desse sorriso torto, definitivamente não.

- Sabe Weasley, eu fiquei pensando, já que a gente não decidiu quem realizou o desejo de quem naquela noite na detenção, eu pensei em repetir, por que aí sim estaremos quites. Lá você começou e aqui eu começo. – ele sorriu maliciosamente de novo.

Ginny olhou para ele assustada, mas não demonstrou reação até que ele tivesse colocado as mãos nos pulsos dela, exatamente como na detenção. Os rostos dos dois estavam bem próximos agora.

- Malfoy, me larga! Eu detesto quando você faz isso! Que jeito mais detestável de se segurar alguém!

Ao ouvir aquelas palavras Malfoy soltou um dos pulsos da garota, e então enlaçou sua cintura, para que ela não fugisse, soltando o outro e puxando Ginny mais para perto de si. A respiração dela estava bem acelerada, mas ele tentava se manter calmo com sucesso.

- Melhor assim Weasley? – e ele deu o maldito sorriso torto que ela gostava.

- Bem... melhor... é. – ela suspirou.

Draco Malfoy estava deixando Ginny Weasley tonta. Isso não era bom, nada bom.

O cheiro do corpo dele era bom, melhor do que ela gostaria, e estar nos braços dele estava confortável, mesmo que estivesse pressionada ao peito dele. Só então ela notou que suas mãos estavam no peito de Malfoy. E tentou retirá-las, mas não tinha outro lugar para colocá-las senão no pescoço de Draco. Ele sorriu quando ela fez isso, puxando-a mais para perto, até quase seus narizes se encostarem. Ginny fechou os olhos, esperando que ele terminasse logo com aquela tortura.

De repente os braços de Malfoy não estavam mais ao seu redor e só havia o vazio que a ausência do corpo dele havia deixado. Ela abriu os olhos. Ele estava a alguns passos dela, sorrindo. Ela estava desapontada.

- Você realmente achou que eu fosse te beijar não é Weasley? – Ele sorriu torto.

- Si-sim... – ela gaguejou.

Ele andou para perto dela novamente.

- Você estava certa! – disse colocando as duas mãos no rosto dela e puxando-a para perto de si.

A os lábios de Draco encontraram os de Ginny numa leve pressão. Não demorou praticamente nada para que ela abrisse a boca e deixasse que a língua quente dele entrasse e encontrasse a sua. Ginny passou as mãos pelas laterais de Malfoy e segurou as costas dele, puxando-o.

O beijo era bem menos violento do que aquele da detenção, bem mais doce. Os lábios e línguas se mexiam como se dançassem, sem se atrapalhar, da maneira certa, e nenhum dos dois parecia querer parar.

Draco desceu as mãos para a cintura de Ginny e ela jogou os braços ao redor do pescoço dele, passando a mão por seus cabelos, às vezes trazendo mais a cabeça dele para seu corpo. O beijo durou alguns minutos e parecia que eles nem respiravam, tão ocupados estavam. Ginny interrompeu o beijo, corando violentamente e saindo pela porta, deixando-a aberta. Ela ainda pôde ouvir a voz de Malfoy.

- Agora estamos quites. – depois ele aumentou o tom – Eu ainda quero a minha varinha, e logo!

Ela não parou para responder, correndo o máximo que suas pernas poderiam agüentar até chegar ao retrato da Mulher Gorda. Cuspiu a senha e passou pelo buraco apressadamente, querendo se esconder em sua cama para descobrir como a conversa passou de varinhas trocadas para Lucius e comensais e foi parar naquele beijo. Porém no meio da Sala Comunal estavam Harry e Ron, que ficaram maravilhados de encontrá-la e logo a cercaram.

- Ginny! Finalmente! Onde foi que você se meteu? A gente estava quase pedindo pra alguma menina ir te procurar no seu dormitório. – disse Ron

- Hermione está dormindo no dela, disse uma garota que divide o quarto com ela agorinha. – foi a vez de Harry.

- É... eu sei sobre a Mione, é uma longa e exaustiva conversa, mas eu realmente preciso descansar um pouco agora.

- Ah? Você quer dizer que descobriu o que a Mione tinha? – perguntou Ron animado, ignorando o rosto de confuso de Ginny.

- Sim, sim. Mas eu não vou falar nisso agora e nem tão cedo, só depois dessa noite.

Harry estava observando a garota com atenção.

- Aconteceu alguma coisa Ginny?

"Sim, Malfoy me beijou!" ela pensou e corou novamente.

- Não, eu só não tive uma boa noite de sono, tenho um torcicolo e não me sinto muito bem. Depois que eu me recuperar eu juro que vocês vão saber de tudo.

- Tem certeza de que você não pode adiantar nada? – perguntou Ron esperançoso.

- Tenho.

Ele soltou um muxoxo, olhando para Harry, que deu de ombros.

- Tudo bem Ginny, depois então. – disse Ron.

Ela acenou com a cabeça correndo para seu dormitório. Era quase onze horas da manhã, mas ela não tinha fome, tudo o que havia dentro de seu estômago eram borboletas.

A ruiva se jogou em sua cama, fechando as cortinas ao redor, olhando para o teto de sua cama de dossel.

"Por quê? Porque faz tanta diferença agora? Antes foi divertido, mas agora não parecia divertido, parecia... sei lá... real" pensou ela. "Eu não quero que haja beijos reais entre eu e o Malfoy. Eu quero que tudo não passe de brincadeira, por favor". Ela fechou os olhos. "Preciso pensar em outra coisa, Hermione!". Ela sacudiu a cabeça. "Hermione me lembra Malfoy, diabos!".

Se forçando a pensar em nada e cada vez mais sendo levada a pensar na confusão que o beijo causava nela, Ginny acabou dormindo.


Ginny abriu os olhos quando escutou vozes ao seu redor. Escancarou as cortinas para descobrir que a luz havia sido acesa e que duas de suas companheiras conversavam em um canto. Ela levantou assustada e as duas meninas a olharam, logo depois voltando ao que estiveram discutindo. A ruiva olhou o relógio para descobrir que era seis e meia da tarde. Ela suspirou aliviada. Ainda tinha uma hora e meia até Hermione acordar.

Tentando acreditar que o beijo que ela se lembrava era apenas um sonho estranho e ignorando as borboletas de seu estômago, ela decidiu sair para comer.

O céu estava coberto de nuvens e escurecido, foi a primeira coisa que ela viu ao chegar ao Salão Principal. Sentou-se na mesa da Grifinória e esperou que alguma comida se materializasse, agarrando um pedaço de bolo e um copo de suco de abóbora, mastigando sem muita vontade.

Ela não queria voltar a pensar em Draco, naquele beijo errado que tinha confundido muita coisa dentro de si. Isso não era nada divertido, não era nada do que ela imaginou ao começar a brincar com Malfoy. Ela não queria que isso ficasse assim. Ela precisava beijá-lo de forma estúpida para que aquele beijo saísse de sua cabeça, e depois precisava ferrá-lo para que eles nunca mais ficassem perto um do outro. Ela sabia como ferrá-lo, sim, mas uma partezinha dela não queria fazer isso, e ela odiava aquele pedacinho de consideração que estava se formando pelo rato do sonserino.

Ginny ficou sentada bolando planos para fazer se vingar daquele beijo maldito por um bom tempo até Harry encontrá-la e se juntar a ela.

- Oi Ginny. – disse ele tímido.

- Oi Harry. – ela sorriu. – O que você tem feito dessas férias? Coisas legais?

Ele sentiu uma abertura na comunicação dos dois. Mordeu um pedaço de torta de cereja e começou a falar.

- Então, nada muito divertido na realidade, eu e o Ron ficamos ontem por horas tentando descobrir o que fazer, até que resolvemos jogar xadrez, mas você sabe como é o Ron...

Harry falava e Ginny concordava com a cabeça, tentando parecer interessada e tentando prestar atenção, mas involuntariamente seus pensamentos se voltavam hora para o loiro, hora para o beijo, até que, depois do que pareceram vários minutos, eles pousaram em Hermione. Ginny deu um salto.

- Que horas são?

Harry tomou um gole de suco antes de responder.

- Vinte pras oito Ginny, por quê?

- Oh, shit! Eu tenho que ir, depois a gente se fala Harry!

Ela levantou em um pulo e correu, correu e correu até chegar ao quadro da Mulher Gorda. Por um momento se atrapalhou com a senha, mas disse a correta logo e entrou. Subiu, sem notar o olhar de seu irmão, para o quarto de Hermione, escancarando a porta e abrindo as cortinas da cama da morena. Ela estava lá, do mesmo jeito que Ginny a tinha deixado. A ruiva olhou o relógio: sete e quarenta e sete. A qualquer momento ela acordaria, era só esperar.

Então ali parada esperando, Ginny percebeu que não sabia o que falaria com Hermione, o que diria para convencê-la a não contar sobre Malfoy, não ainda, não antes que pudesse se vingar dele. Só as varinhas não importariam muito, tinha que ser algo mais forte. Fixada nesse pensamento, a Weasley olhou o relógio mais uma vez. Exatamente as sete e cinqüenta e três, Hermione abriu os olhos.

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N/A: O que acharam? Reviews!! Eu vou tentar escrever pelo menos mais três capítulos até semana que vem, aí já tenho prontos se eu não terminar tudo até minhas aulas voltarem! Mas eu pretendo terminar! :D Espero que tenham gostado do D/G action! Beijos, até semana que vem!

ps: Acho que segunda ou terça já posto o nono capítulo!