N/A: Bom, há dois anos atrás eu postei o capítulo nove e me "esqueci" disso aqui por inúmeros motivos, sendo que bloqueio foi o principal, e a faculdade em segundo lugar. Porém, como promessa para mim mesma, vou terminar de escrever os capítulos que faltam (serão 16 ao todo) e concluir esta fanfic, porque a considero bastante e é triste vê-la inacabada. Então... se ainda houver alguém disposto a lê-la, espero que goste dos novos capítulos e please, deixe reviews! Kissus, Thamii Malfoy.
Para quê trocar varinhas se podemos trocar beijos?
Ginny bufou ao sair do buraco do retrato da Mulher Gorda, ignorando o comentário que ela fez sobre sua face estar vermelho-pimenta. Ela estava com raiva, muita raiva daquela doninha loira, por arrastá-la para fora do castelo àquela hora da madrugada. Marchou através do castelo lentamente, tentando percorrer o caminho que normalmente demoraria vinte minutos em quase quarenta, devido ao risco de ser pega por Filch ou a gata nada adorável dele.
Era óbvio que Ginny queria ver Malfoy novamente, não só para devolver a varinha e pegar a de Mione, sua vingança não planejada também era motivo, mas não daquela maneira. Em qual parte ela havia passado de comandante para comandada?
Sentindo o rosto queimar novamente, a ruiva avistou as portas que davam entrada à Hogwarts. Respirando fundo, ela as abriu com um "Alorromora" e saiu. Imediatamente arrependeu-se de não ter se vestido melhor, amaldiçoando o velho roupão puído de Gui enquanto se aventurava pela noite gelada.
A neve havia coberto o chão, mais ou menos quinze centímetros, calculou a ruiva mentalmente. Ela demorou-se no percurso, mesmo que desejasse correr para que o frio não lhe congelasse. Seus pés dentro das pantufas estavam gelados, quase doloridos, mas ela não apressou o passo, contornando o castelo sentindo seu sangue ferver de ódio de si mesma.
"Maldito, maldito! O que eu vou fazer? O queee? Vou acabar devolvendo a varinha sem mais nem menos? Não posso!", ela pensava amargamente, até avistar a figura de Draco sentada embaixo de uma árvore, quase em frente ao lago.
Ele não a viu a princípio, pois deveria estar tão bêbado que não era capaz nem de enxergar em frente ao seu nariz.
Ginny caminhou até ele sentindo sua raiva tomar lugar para uma tristeza infinita, na qual percebeu que as condições externas, o Malfoy ser quem ele era, eram aquelas que a estavam a fazendo cair por ele. E a sua tristeza era pelo fato de que não poderia, jamais, estar com ele realmente. Não até que aquela guerra toda terminasse, o que a fez lembrar-se de Harry, de seus olhos verdes de sapinhos cozidos, da diferença de personalidades e do amor eterno que ela sentia por ele. Ficar com Malfoy seria a pior traição que Ginny poderia fazer com Harry (sem contar na terrível decepção que seria para seu pai, caso ele descobrisse) e ela estava prestes a destruir tudo aquilo que ainda não havia começado com o moreno para ficar por instantes com alguém que estava claramente brincando com ela?
Sim, teria sido apenas uma piada divertida para si, saber que havia beijado Draco, surpreendendo-o, deixando-o confuso. Mas ela não pretendia contar esses detalhes sujos para Mione, quanto menos Ron ou Harry. Agora, ter ficado realmente abalada com o beijo de Draco não fora algo planejado, mas beijá-lo novamente de vingança e recuperar a varinha de Hermione era o que ela pretendia fazer.
Não poderia acabar suas chances com Potter para apenas instantes com o arquiinimigo dele. Instantes que não seriam nunca verdadeiros, ela sabia.
Descobriu-se repentinamente parada, olhando para Malfoy sem dizer nada, sem saber a quanto tempo estava ali.
Ele a olhava confuso, talvez não conseguindo focalizar direito, devido às garrafas de firewhisky largadas ao seu redor.
"Há, Weasel, você enfim apareceu!", exclamou o loiro tentando inutilmente se levantar.
"Sim, eu apareci." Ela tentou fazer um olhar duro, mas se Draco chegasse perto, poderia perceber as lágrimas que enchiam os olhos da ruiva. "Vamos acabar logo com isso."
"Isso?", ele indagou atordoado, não sabendo exatamente do quê diabos ela falava.
"Isso, varinhas." Ela bufou "Ou você pensou por algum instante que eu viria aqui saltitando alegremente para lhe fazer companhia?".
Ele esboçou um sorriso, quase tão torto quanto aquele que ela aprendera a gostar, o que fez o coração de Ginny dar uma pontada forte e dolorida.
"Sabe, eu gosto desse seu jeito", ele falou simplesmente, olhando-a de baixo. Tentou levantar novamente, e desta vez teve êxito. Cambaleou então em direção à Ginny, parando bem em frente à garota. "Esse seu jeito de responder." Ele sorriu aquele sorriso, o sorriso dela.
Ginny Weasley esqueceu Harry Potter momentaneamente. Ela fora desarmada.
"Malfoy, eu estou congelando, podemos, por favor, trocar essas varinhas logo? Eu quero me aquecer, dormir e esquecer essa história toda logo!".
Draco olhou para o chão parecendo despontado.
"Calma Weasel, nós vamos trocar as varinhas, mas antes poderíamos conversar? Eu me sinto altamente inspirado nesta noite". Ele riu afetado.
A ruiva engoliu um soluço, torcendo para que ele estivesse tão bêbado que não pudesse notar a lágrima que havia escorrido de sua face. Ao sentir que sua voz estava firme novamente, ela falou.
"O meu jeito se chama ironia Malfoy. Coisa que você conhece bem."
Ela tremeu ao dizer a última frase, o que o fez achar que ela estivesse tremendo de frio. Inexplicavelmente, Draco Malfoy tirou o grosso manto que o cobria e estendeu-o para Ginny. Ginny Weasley.
Exasperada, a ruiva aceitou o casaco, vestindo-o de olhos arregalados.
"Sim, eu sei o que é ironia. Em todo o caso, eu gosto das suas."
Ginny suspirou, agoniada com aquela conversa sem sentido, com as lágrimas que insistiam em se formar em seus olhos, com seu coração apertado batendo loucamente no peito, com as borboletas malucas agitando as asas em seu estômago e pensou que fosse vomitar.
"Malfoy, aqui está sua varinha." Ela estendeu a mão com a varinha dele. "Poderia me devolver a da Hermione?".
Draco Malfoy não se moveu. Dentro de sua cabeça as coisas estavam confusas em um alto grau, fazendo com que ele não soubesse direito o que queria. Queria beijá-la novamente, isso ele sabia. Queria brincar mais um pouco, porque estava se divertindo bem mais do que fazendo a missão estúpida de seu pai. E principalmente, queria ficar com ela mais alguns instantes porque sabia que isso iria acabar quando amanhecesse e ela contasse tudo (se já não o tivesse feito, o que ele duvidava) para o babaca do Potter e o abobalhado do irmão dela. E ele queria que aquilo acabasse, porque sabia que nada de bom viria se seu pai descobrisse sua aventurazinha não tão inocente.
A soma de motivos e o alto teor de álcool em seu sangue o fizeram agir daquela maneira. Pelo menos era o que ele se forçava a acreditar quando agarrou as suas vestes, que estavam em Ginny, e puxou o corpo dela para si, colando sua boca na dela.
Ginny não entendeu, mas não piscou, não tentou se desvencilhar. Concentrou-se totalmente em beijar Malfoy, da forma mais fria que pudesse, ao sentir os lábios dele nos seus, mas seu corpo e coração gritaram em protesto, e ela deixou que a língua quente dele percorresse sua boca de encontro à sua.
O gosto dele era de firewhisky, e alguma coisa com canela, talvez uma bala. Ela não se importou, o gosto era especial, era maravilhoso.
A varinha de Draco caiu na neve, quando os dedos que a seguravam passaram a se entrelaçar em um cabelo loiro. Os dois ficaram mais próximos.
Então, sem avisos, ela o empurrou para longe.
"Eu quero a varinha da Hermione AGORA!", ela praticamente gritou, para ultrapassar a voz de choro.
Draco olhou para ela desconcertado, como se ela fosse louca. Antes que ela abrisse a boca para falar novamente, ele respondeu.
"Você está com ela, Ginny."
O choque daquilo a fez emudecer e arregalar os olhos, e então ela soube que ele pôde ver nitidamente a lágrima que escorreu em sua face. Ela escutou qualquer coisa sobre a varinha de Mione, mas só conseguiu captar o "Ginny" que saiu da boca de Draco.
"Co-como?", gaguejou ela, ainda visivelmente espantada.
Draco Malfoy desatou a rir, gargalhando incrivelmente alto e repetiu "Você está com a varinha, Weasel."
Ginny sacudiu a cabeça, ignorando o insulto e sentiu o sangue fervendo por ele ser capaz de deixá-la tão desconcertada com a simples menção de seu apelido. Então, enquanto Draco ainda ria ruidosamente, ela esticou a mão e meteu um tapa na face dele.
Sem dizer uma palavra, sentindo a dor misturada com formigamento na palma da mão direita, a ruiva pegou a varinha de Mione que estava no sobretudo de Malfoy, jogou-o no chão e saiu correndo, deixando para trás um Draco sem expressão.
"Tomara que tenha doído", pensou ela, apesar de saber que nem toda a sua força poderia ter provocado estrago com aquele frio.
Ginny continuou correndo, afundando as pantufas na neve, tentando desesperadamente chegar aos portões do castelo, se afundar em sua cama e chorar toda a maldição de ter se envolvido com aquele ser. Mas, antes que ela chegasse à metade do caminho, sentiu que mãos a agarravam, fazendo-a parar à força.
Draco Malfoy beijou Ginny Weasley novamente, e ela não esperava que ele fosse capaz de ser tão mesquinho. Desta vez a ruiva resistiu, ignorando as lágrimas que gelavam seu rosto (e que agora ele estava sentindo), apertando os lábios o máximo possível, até conseguir se desvencilhar. Antes de correr em direção ao Salgueiro Lutador, ela cuspiu no rosto do loiro.
Ginny correu com toda a força de suas pernas, amaldiçoando a neve, aquela madrugada sem fim, e toda aquela confusão onde havia se metido. E se amaldiçoou por ter permitido estragar seus planos perfeitos com Harry para "brincar" de beijar o odioso Malfoy. Chegou ao Salgueiro com uma rapidez incrível, e tratou de procurar coisas que pudessem fazê-la acertar o nó que paralisava a árvore.
Não demorou nem três segundos para que Draco se materializasse ao seu lado. Novamente, sem dizer absolutamente nada, ele agarrou-a pelos pulsos e a fez olhar para ele.
"Weasley, você sabe que não podemos. Não depois, não nunca mais, só hoje, só agora. Eu quero que você me entregue para o Potter e o bobalhão do seu irmão. Eu quero que fiquemos longe um do outro. Mas só porque eu não quero. Você pode fugir agora que tem a varinha e fazer o que tem que fazer, ou pode passar a noite comigo até amanhecer e fazer o que tem que fazer. Depois nós dois podemos esquecer isso tudo".
Draco Malfoy nunca falou tão sério na vida, ao menos não enquanto estava alcoolizado e quando não conseguia focalizar as coisas ao seu redor. Mas ele também não havia pensado muito no que aquilo significaria se ela aceitasse, porque tinha presumido que ela diria não.
Ginny não sabia o que fazer. "Se eu disser sim, vou assinar meu atestado de óbito em relação ao Harry... ele jamais irá me perdoar", pensou ela segurando as lágrimas que ainda insistiam em cair. "Mas, se ele não souber dessa parte, não terá problema." A ruiva olhava para Malfoy, que esperava pacientemente ela se decidir, e percebeu que a única coisa plausível no momento era socá-lo até a morte. Ela se aproximou dele, que ficou aguardando uma resposta, e esmurrou-lhe o peito, imprimindo uma força relativamente alta, que fez Draco cambalear devido a seu estado. "Eu sou mesmo muito sem noção, no que estou pensando? Mas não consigo, eu não posso.", ela pensou.
Decidida a manter-se às suas ideias iniciais, ela mudou a direção marchando para o castelo. Draco soube o que ele já havia imaginado e não se manifestou. A ruiva parou de repente, e voltou correndo em sua direção. Chegou tão perto que o loiro pôde ver as sardas do rosto dela, e as marcas que as lágrimas faziam ao escorrer.
Ginny colou os lábios nos dele, sem abrir a boca, e retirou-os em seguida.
Agora mesmo que Draco Lucius Malfoy não entendeu absolutamente nada. Quem era aquela ruiva pobretona, chegada a ironias e completamente maluca? O que ele estava fazendo ali, praticamente podre de bêbado ao lado dela? O que ele pretendia fazer? Malfoy constatou que não tinha resposta nenhuma. Quando pensou que Ginny fosse sair correndo de novo, ela o surpreendeu paralisando os galhos agitados do Salgueiro e entrando pela abertura. Antes que ela sumisse, ele se enveredou atrás dela.
Quando chegou ao projeto de quarto, Ginny havia conjurado uma espécie de cobertor gigante, que estava estendido no chão, e aonde ela se encontrava deitada de lado. Draco se apressou em deitar ao lado dela, de barriga para cima, e passou a fitar o teto, sem saber direito o que fazer.
Eles não conversaram, e o máximo que aconteceu foi Ginny virar-se de barriga para cima e fitar o teto juntamente com Malfoy.
Incomodado com aquela situação, o loiro decidiu que era hora de fazer aquilo que ele queria fazer, e beijou a Weasley sem avisar.
Ginny correspondeu, se arrependendo levemente por estar fazendo algo tão estúpido com aquele adorador de dementadores, mas ao mesmo tempo feliz por acalmar suas borboletas agitadas no estômago. Ela se sentia bêbada, apesar de saber que o loiro é que estava, por isso mesmo tudo aquilo.
Mas Ginny não conseguiu ir além, paralisando o beijo abruptamente, o que irritou Draco demasiadamente.
"Porra Weasley, eu achei que você quisesse isso, não foi por isso que a gente veio até aqui? Qual a graça se você interrompe antes de começar direito a coisa?"
Revirando os olhos, agora secos, ela respondeu.
"Até parece Malfoy, nós dois sabemos que isso não vai dar certo, então porque insistir?"
Draco Malfoy riu alto, e a ruiva sentiu o deboche (dar certo? HAHAHA) como uma bofetada. Ginny sentou-se e olhou para Draco, que ainda sorria, e mesmo que fosse aquele sorriso torto que ela gostava, dessa vez ela não se deixou abalar.
O que estava pensando? Essa brincadeira havia ido longe demais. Por mais que ela adorasse beijá-lo, nunca, nunca isso teria futuro. Weasleys e Malfoys não se relacionam, fato.
Levantando-se, ela certificou-se de que ainda possuía a varinha de Hermione.
"Pronto Malfoy, acabou." Ela olhou mais uma vez para trás. "Agora você pode comemorar, já que nunca mais vai ver minha detestável face na sua frente, e nunca mais terá que passar nenhum segundo comigo. Ah, e eu sei que você vai sentir muuito a minha falta!"
E saiu correndo.
Draco escutou como se ela estivesse falando outra língua que ele não entendesse direito, perdido como estava em seus próprios confusos pensamentos. Notou sua varinha jogada e utilizou-a para conjurar pergaminho, pena e tinteiro, e pôs-se a escrever um breve recado, que ele deixou embaixo do cobertor, indo embora em seguida.
Quando chegou ao dormitório, Ginny estava congelada dos pés à cabeça, com o rosto riscado de lágrimas de ódio, piedade própria e vergonha.
Disse a senha sussurrando, fingindo que a Mulher Gorda não existia e entrou pelo buraco com pressa, antes que desmaiasse ali mesmo.
Abriu a porta do dormitório e entrou sem fazer barulho, temendo acordar qualquer uma das meninas que já estavam bravas com ela. Tirou o roupão puído e deitou-se embaixo das cobertas quentes, tentando apagar aqueles acontecimentos recentes da cabeça.
Draco Malfoy havia confundido sua vida, mas ele iria ter o que merecia. Assim que acordasse Ginny iria dar sinal verde para Hermione e as duas iriam contar tudo o que havia acontecido. E ela mal podia esperar pela cara que Draco faria ao ser confrontado por Harry e Ron. Foi exatamente imaginando essa cena em particular que ela dormiu. E dormiu. E dormiu.
N/A: E então? Ainda tem alguém lendo? I hope so! Se puder, deixe reviews, elas me ajudam a perceber se estão gostando do rumo da estória ou não! Kissus, e até o próximo. Não vai demorar dois anos novamente, I promess! hauhuahuea.
