| Capítulo 1 |


13.06.2008

1º dia

Eu me despedi de minha mãe e entrei no avião. Eu era definitivamente a pessoa mais medrosa que conhecia. Apesar de amar passar as férias escolares com meu pai, eu odiava o fato de ter que entrar num avião para poder vê-lo.

Sentei-me na poltrona 8-A e fiquei meditando enquanto o pássaro de aço não decolava. Não sei o que era pior. A espera, que dava aquele frio na barriga, ou o vôo em si. Notei nesse meio tempo, que tinha muitos jovens no avião, provavelmente pelo mesmo motivo que o meu. Férias. Um loiro de olhos azuis e carinha de bebê passou por mim e sentou no banco de trás. Alguma coisa boa tinha no vôo, pelo menos.

- Tripulação, decolagem autorizada.

Fechei os olhos e esperei o pássaro decolar. Era uma das partes em que ficava mais tensa. Minto, eu ficava tensa o tempo todo.

Eu estava olhando pela janela. Só tinha mar embaixo de nós. Aquilo não me fazia sentir nada bem. Lá pela metade do vôo, o piloto avisou que pegaríamos uma pequena turbulência. Dez segundos depois, nós chacoalhávamos no ar e as máscaras de oxigênio saltavam na nossa frente. O descontrole era geral, assim como a gritaria. Uns rezavam, outros choravam. Alguns não conseguiam falar, só olhavam tudo em desespero. Eu chorei. E gritei. E rezei. Apelei para todos os santos. E então o avião desceu de bico. Naqueles pouquíssimos segundos minha vida passou toda diante dos meus olhos. Como uma simples viagem de férias, tinha feito com que 18 anos terminassem ali, em algum lugar que eu nem sabia onde era. Com o impacto, veio a perda da consciência. Eu desmaiei.

- Socorro!

- Ajudem aqui!

- Mãe! Mãe!

Eu abri os olhos e me vi no inferno. Não conseguia mexer direito meu braço esquerdo e minha cabeça dóia demais. Tentei me levantar, mas fui parada por uma mão.

- Calma, não se mexa.

Eu olhei para a pessoa que falava comigo. Era um homem moreno que vestia um terno rasgado.

- Eu sou médico, fique tranquila.

- Estou morta?

Ele sorriu e balançou a cabeça.

- Acho que não. A não ser que eu também esteja. Isso vai doer um pouco...

Eu uivei quando ele jogou um líquido no meu braço.

- O que é isso?

- Álcool, para limpar a ferida, ok?

Ferida? Só então eu notei o talho gigantesco um pouco acima do cotovelo. Ele passou um pedaço de pano em volta do meu braço e deu um nó forte.

- Vamos ver se consegue andar?

Me apoiei nele e levantei com dificuldade. Quando eu fiquei totalmente em pé e olhei em volta, tive vontade de chorar.

- Meu... Deus!

- Sim.

Nós estávamos numa espécia de ilha e eu só via metade do avião. A metade da frente. A parte de trás... sabe-se lá onde foi parar.

- Toda aquela gente...

Ele abaixou a cabeça.

- Mortos.

- Qual... seu nome?

- Jack. E o seu?

- Isabella.

- Bem-vinda ao... inferno, Isabella.

Eu corri os olhos por toda a extensão de areia. Vi alguns corpos sem vida espalhados e muitos outros atônitos, assim como eu e Jack.

Ele me deixou sentada num canto e foi socorrer outras pessoas. Eu estava distraída quando sentaram ao meu lado.

- Como você está?

Olhei e vi o loiro que estava sentado na poltrona atrás de mim.

- Bem. Eu acho.

- Acredita nisso?

Ele falou olhando para a praia.

- A ficha ainda... não caiu. É tudo tão irreal...

- Também penso assim. A propósito, eu sou Mike.

Ele sorriu esticando a mão. Eu estiquei a minha também.

- Isabella.

Nós ficamos um bom tempo sentados em silêncio, olhando o caos na praia. E então a ficha caiu. Eu quase morri. E agora estava numa ilha. Ou seja, era o mesmo que morrer, certo? Nunca encontrariam a gente ali.


[Continuação só em outro, mais se tiver muitas "Reviews" posso postar antes]