| Capítulo 3 |
Eles chegaram em bando. Eram muitos. Eram pálidos como cadáveres, de olhos vermelhos brilhantes e só vestiam calças de um tecido diferente. Eram altos e aparentemente, fortes. Nos encurralaram em direção ao mar, andando na nossa direção. Eu olhei as mulheres e crianças que choravam, enquanto eles sorriam de boca fechada e sem demonstrar nenhuma piedade.
- Não... se mexa.
Sawyer me empurrou para trás de seu corpo, dando um passo para trás. Um deles, um pouco maior do que os demais, veio à frente do grupo e parou.
- Nos perdoe pela hostilidade, mas nós... estamos com fome.
Ele terminou de falar e o pavor tomou conta quando eles avançaram nas pessoas. Meu impulso foi correr e eu ouvi a voz de Sawyer atrás de mim.
- Isabeella! Volte!
Não tive chance de responder, pois levei uma pancada na cabeça e caí de cara na areia. Quando abri os olhos, notei estar sendo levada para dentro da floresta e vi Sawyer na mesma situação que eu.
Quando perceberam que eu estava acordada, me deram outra porrada na cabeça e eu voltei a perder os sentidos.
- Isabella!
- Isabella!
Eu abri os olhos ainda tonta e vi o rosto de Sawyer. Era ele quem me chamava. Sentei-me e olhei em volta. Eu estava numa espécie de jaula, no lugar mais sombrio que eu já vi na vida. Acho que aquilo era uma caverna, mas gigante, onde nem se dava para ver o teto. As paredes eram úmidas e a iluminação era precária, só dando para ver perfeitamente a pessoa que estivesse ao seu lado. Não era silencioso ali, pelo contrário. Dava para escutar o tempo todo vozes vindas de algum lugar, assim como passos ecoando pelo ambiente. A jaula onde estávamos era isolada, ficando encostada numa parede. Eu tremi de frio e percebi que o problema não era comigo. Sawyer também tremia.
- Ei branquela, você está bem?
Eu estava, mas ele não. Me deixaram livre, mas amarram ele na grade. Devem ter percebido que eu não oferecia perigo nem para a barata que agora andava na minha direção.
- Ow...ow...
- É só uma barata, branquela...
- Exatamente. Uma barata!
Troquei de lugar e fui sentar do lado dele. Pelo menos os pés ele conseguia mexer.
- Onde estamos?
- Esqueci de perguntar. Quando eles voltarem, eu pergunto, ok?
- Não precisa fazer piada...
- Nós estamos numa caverna.
- Isso eu notei.
Ele jogou a cabeça para trás, fazendo cara de dor. Eu vi que ele tinha um corte na nuca.
- Está sangrando...
- Imaginei.
Procurei alguma coisa para estancar, mas não achei. Tentei sem sucesso rasgar um pedaço da minha blusa.
- CALEM-SE!
Um deles, loiro de cabelos ondulado e com cara de dor, estava parado na nossa frente.
- Tipo sanguíneo?
Hein? Não entendi. Eu olhei para Sawyer, que encarava o... o que eles eram? Monstros? Homens? Ele sacudiu a jaula com raiva.
- Estou falando com vocês!
- A positivo!
Achei melhor responder do que ficar provocando a fúria da pessoa. Ele sorriu malicioso para mim e olhou para Sawyer, que continuou calado. O homem balançou de novo a jaula.
- O que? Não sei, nunca fiz exame de sangue... lamento.
OMG. Agora eu via o que ele era. Ele rosnou abrindo a boca e expondo caninos pontudos. Não era possível... vampiros não existiam...
- Resposta errada.
Ele abriu a jaula e quebrou as algemas de Sawyer, puxando-o pela perna.
- Não!
Eu segurei o braço de Sawyer, que lutava contra o vampiro (?) raivoso.
- Jasper! Ele não!
Eu vi o grandalhão lá da praia falar grosso com o loiro.
- Estão chegando outros.
Jasper então sorriu para o grandalhão e jogou Sawyer novamente dentro da jaula. Shannon, Mike e vários outros chegavam desmaiados.
Ao contrário de nós dois, eles não foram colocados em jaulas. Eles foram levados pelo corredor escuro da caverna. Eu não os vi mais.
- Por que não trouxeram o gordinho? Vão comer o magrelo e não vão se contentar...
- Você pode fazer o favor de calar a boca?
Ele sorriu de lado.
- Agradeça por eu estar aqui. Seria muito pior sem minha presença.
Eu fiquei imaginando Sawyer virando refeição e meus dias dentro daquela jaula tornarem-se silenciosos. Sonhar era bom. Ele aproveitou as mãos livres e tirou a camisa. Impressão minha ou ele era tipo... gostoso? Desisto do sonho. Não quero que ele vire refeição não!
- Gostou do produto, branquela?
- Hein?
- Fica me secando...
- Você sonha, sabia?
- Que seja. Pode olhar... não tira pedaço.
Ele passou a blusa em volta da cabeça e deitou. Como a pessoa conseguia deitar relaxada num lugar desses? Tremi quando ouvi um grito de doer na alma, vindo do lado por onde levaram as pessoas. Era grito de mulher.
Eu tinha caído no sono e quando acordei, vi que estava dormindo com a cabeça no peito nu de Saywer. Fui morrer e voltei.
- Teve sonhos eróticos, branquela?
Eu o olhei rápido e ele sorria me zoando.
- Nem merece resposta!
- Só perguntei porque você babou em mim.
Por um momento eu fiquei feliz em estar numa ilha isolada do resto do mundo. Não seria legal se outras pessoas o ouvissem agora. Os passos vieram rápido na nossa direção e o grandalhão apareceu, abrindo a jaula com força.
- Boa noite, A positivo!
Hein? Eu tentei cravar minhas unhas no chão quando ele me puxou pela perna. Sawyer segurou com força meu braço, mas o grandalhão deu-lhe um soco na cara, que o fez desmaiar. Eu ia sendo arrastada pelo túnel escuro.
- Me solta! Por favor! Por favor!
- Adoro quando vocês imploram... fica tão mais emocionante!
Eu chorava e vomitava enquanto ia deslizando pelo chão sujo e úmido. Eu temia o destino mais do que tudo nesse momento.
- Veja pelo lado bom... você vai morrer pelas mãos do chefe!
Eu não via nenhum lado bom nessa história.
Minhas mãos estavam raladas e imundas, quando o grandalhão começou a descer escadas, ainda me arrastando. Eu não tinha mais voz para gritar. Esperei simplesmente pela morte, pois dali eu não sairia nunca mais. Quando nós chegamos no andar de baixo, eu passei do lado de uma pilha de quinquilharias, e no meio daquilo tudo, eu vi vários objetos pessoais, porém, antigos, quebrados, envelhecidos. Aquilo só significava uma coisa. Que nós não éramos os primeiros a cair naquela ilha.
Uma costela minha quase quebrou quando o grandalhão parou e me jogou no chão.
- Aqui está.
- Emmet... ela está imunda.
- O que eu posso fazer? Ela já estava assim!
Eu tive vontade de socar a cara dele. Eu estava limpa!
- Pode ir.
- Não é melhor eu ficar?
- Não acho que eu vá ter problemas aqui.
O grandalhão me olhou e sorriu, indo embora. Eu estava com o rosto no chão e não quis olhar meu algoz. Mas eu vi seus pés pararem próximo ao meu rosto.
- Hum... o melhor tipo sanguíneo!
Ele me puxou pela roupa, me levantando e me olhando nos olhos. Então eu vi. Era a criatura mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida. Os olhos vermelhos eram extremamente atraentes e a boca parecia ter sido desenhada. Mas ainda assim, ele era meu algoz.
- Nome?
- Is-Isa-Isabella.
Ele sorriu torto e falou, como se estivesse cantando.
- Prazer. Edward Cullen.
Prazer? Onde? Para ele, né? Ele me aproximou do seu rosto e lambeu minha bochecha cheia de lágrimas.
- Delícia!
Eu soluçei e ele virou a cabeça para me olhar.
- Ah... que foi? Medo? Eu prometo que será indolor.
E então veio o sorriso torto de novo.
- Melhor ser sincero. Vai doer bastante...
- Por favor...
Ele me levou até uma mesa de pedra e me jogou ali em cima, segurando agora meu pescoço.
- Algum lugar que você não gostaria de ficar com cicatriz?
- Eu não... vou... morrer?
Ele franziu a testa e revirou os olhos.
- Claro que vai! É só em caso de você ser vaidosa.
Eu juntei todas as minhas forças e dei o grito mais alto de toda a minha existência. Ele sorriu e abriu a boca expondo os caninos afiados.
- Não... por favor... não...
- Eu nunca gostei da palavra "não".
Eu começei a gritar e me debater na mesa, quando ele se inclinou sobre mim. Meus gritos agora eram histéricos e ele resolveu me calar. Com um beijo. Um selinho na verdade. Eu paralisei e ele me olhou furioso. Meu algoz se afastou de mim e gritou.
- EMMET!
O grandalhão surgiu veloz e parou na frente dele.
- Sim?
- Leve-a de volta.
Emmet me olhou confuso e voltou a olhar... Edward Cullen.
- Por quê?
- Porque eu mandei.
Edward me puxou pelo braço e me olhou nos olhos.
- Não por enquanto.
Ele me devolveu ao grandalhão, que saiu me arrastando de volta.
15.06.2008
3º dia
Eu estava deitada na jaula, tentando não me mexer nem fazer nenhum outro esforço. Nós não recebíamos nenhuma comida, apenas água. Qualquer movimento que eu fazia, meu estômago doía junto. Eu não via mais movimento como quando nós chegamos. Eu pensava que ou eles haviam matado a todos ou eles não queriam mais ninguém. Mike e Shannon, eu só vi quando eles foram trazidos e levados por aquele corredor sombrio. O mesmo por onde eu fui arrastada pelo grandalhão, até encontrar o outro. Aquele cujo rosto não saía da minha mente.
- Está acordada, branquela?
- Se não estivesse, faria diferença?
- Não. Te acordaria mesmo assim...
Mais torturante do que ficar naquela jaula sem saber de nada, era ficar naquela jaula junto de Sawyer, sem saber de nada. Certo, ele era musculoso, ficava sem camisa, era gostoso e era musculoso. E gostoso. Ok. Mas ainda assim, era insuportavelmente implicante.
- Quando você vai resolver me contar o que aconteceu lá dentro?
- Quando eu quiser...
- Você me estressa, sabia, branquela?
- O sentimento é mútuo...
Ele ficou quieto quando um deles se aproximou trazendo água. Quando abriu a porta da jaula, Sawyer se jogou em cima dele para tentar fugir.
- Fuja branquela!
Não pensei nem duas vezes. Saí correndo enquanto os dois estavam embolados no chão. Na verdade então ele não tentou fugir... ele tentou me ajudar a fugir. Eu o daria um beijo na boca se o encontrasse novamente um dia. Bem, pelo visto, esse dia não demoraria, já que eu senti meu cabelos sendo puxado e eu caindo de costas no chão.
- Onde pensa que vai?
Um pé feminino esmagou minha barriga e uma loira alta sorria diabolicamente para mim. Ela se abaixou, ficando a centímetros do meu rosto.
- Ora, ora, o que temos aqui? O ruim de sair para caçar, é que perdemos as novidades...
- Hmmm, posso sentir de longe esse cheiro bom... e sabe o que é mais engraçado? Eu estou faminta!
Ela arreganhou a boca e eu vi caninos afiados vindo na direção do meu pescoço.
- Rosalie!
Ela parou e olhou para trás.
- Sim, Edward?
- Deixe-a.
- Mas eu est...
- Agora.
A loira foi levantando e tirando o pé de cima de mim logo em seguida.
- Desculpe.
Ela abaixou a cabeça e saiu de perto de mim. Eu reconheci aquela voz séria. Impossível não reconhecer.
- Leve-a lá para dentro.
Eu vi o grandalhão se aproximando. Oh não, de novo não. Antes que eu pudesse reclamar, ele saiu me arrastando pelo corredor imundo e sombrio. Fui jogada num canto quando chegamos lá embaixo, e ouvi passos tranquilos próximos de mim.
- Nossa, ela está imunda.
- Dê um jeito nisso, Alice. Depois traga-a para mim.
A voz deu ordem à mulher de voz e passos delicados e sumiu. Um rosto pequeno e fino me olhava sorrindo.
- Não pense que eu sou boazinha. As aparências enganam.
Ela sorriu maldosa e me levantou pelos cabelos.
- Vamos tentar milagre aqui...
Fui puxada pelo braço até um outro ambiente da caverna, com uma banheira, ou algo parecido com isso, no meio, cheio d'água.
- Tire a roupa e entre aí.
- Mas eu...
- Ande!
Ela mesma saiu forçando minhas roupas do meu corpo e eu resolvi tirar antes que tivesse minha pele arrancada junto. Entrei dentro da água e fiquei ali, com medo até de respirar.
- Dê-se por satisfeita de não ter virado lanche do chefe ainda...
- Por que... eu não morri?
- Ei, alguém te deu permissão para falar?
Ela levantou a mão para me bater e eu abaixei rápido a cabeça. O pesadelo não podia piorar.
Depois de ter sido arrancada delicadamente (ou não) da banheira, fui novamente enfiada dentro das minhas roupas. Imundas por sinal. A pequena e má ficou me olhando como se me avaliasse.
- Não melhorou muito, mas azar!
Ela me puxou de volta sem me dizer para onde me levava, mas dessa vez eu não estava voltando pelo caminho que vim. Nós estrávamos mais ainda pela caverna, que agora começava a ser iluminada por tochas pelas paredes.
- Preciso dizer que nem todos têm a sorte de conhecer esse lugar, sabe? Você deve ter sorte mesmo.
Sorte? Onde? Ela sabe que meu avião caiu numa ilha e que agora eu estava sendo carregada por uma vampira dentro de uma caverna, certo?
- Chegamos.
Olhei em volta e vi um salão espaçoso, com as paredes revestidas em um tecido parecido com tapete, mas todo preto. Num dos cantos, uma cama de pedra, mas com algum tipo de tecido por cima, e uma mesa grande no centro.
- Pode ir, Alice.
A voz. Eu olhei para o lado e o vi caminhar até nós. A vampira se retirou, olhando para trás toda hora.
- Você continua um lixo.
A delicadeza era comum naquele lugar. Ele me rodeou e parou atrás de mim, cheirando meu pescoço.
- Fome?
Muita, né? Mas eu realmente não queria responder. Ele veio me olhar de frente, me penetrando com o olhar vermelho.
- O gato comeu a língua de alguém?
- Não.
- Perguntei se está com fome.
Eu balancei a cabeça antes que eu virasse a comida. Ele estendeu a mão, me indicando uma cadeira da mesa. Eu sentei e ele abriu a vasilha à minha frente.
- Coma.
O que era aquilo? Um tipo de carne. Restava saber, de quem.
- Eu... não estou com tanta fome...
Como eu poderia comer algo que nem imaginava o que era? Ouvi um rosnado alto atrás de mim e então ele bateu forte com as mãos na mesa, me olhando nos olhos.
- É coelho. Ou vai me dizer que é vegetariana?
Coelho? Daqueles peludinhos e branquinhos e lindinhos? Eu não quero comer um coelho, ele não me fez nada...
- Eu realmente não est...
Senti uma mão apertar minha garganta. Eu estava sendo enforcada praticamente.
- Não gosto que me façam uma desfeita dessa.
Ele pedindo assim tão educadamente, tudo bem. E daí que eu não queria comer o pobre coelho? Antes ele do que eu. Peguei o garfo toda torta, devido à falta de respiração. Ele soltou meu pescoço e puxou uma cadeira, sentando-se ao meu lado.
- Gostoso...
Eu disfarçava enquanto mastigava. Queria mesmo era cuspir aquilo, mas não na cara dele, né? A imagem do coelho peludo pulando feliz na grama, não saía da minha mente. Ele me olhava sério. Credo, eu teria indigestão com alguém me olhando daquele jeito.
- Você tem sorte.
Engoli para poder responder.
- Já me disseram... isso hoje.
Ele me olhou, me avaliando e pegou uma faca de cima da mesa, brincando com ela pelos dedos.
- Se eu não tivesse te beijado, estaria morta agora.
Ele precisava dizer isso com todas as letras? Só me fazia perder a fome mais ainda. Engoli seco.
- Que bom.
- Seu gosto é bom. O melhor que já provei.
Muita sorte mesmo. Um vampiro sanguinário ter gostado do meu gosto. Taquei pedra na cruz?
- Está boa?
Ele perguntou olhando meu prato. Eu sorri forçada.
- Sim. Obrigada.
Ele levantou da mesa e foi para o outro lado. Eu não queria virar para olhar, achei melhor ficar quietinha ali onde estava. Olhei para o coelho e ele me olhou. Conversamos, ele me contou a história da páscoa e pronto. Eu não poderia mais comê-lo.
- Eu posso... ir ao banheiro?
Perguntei olhando para o prato e esperando pela resposta.
- Na porta da esquerda.
Ele deixou! Não acredito nisso. Cortei rápido o coelho em vários pedaços pequenos e coloquei dentro da blusa. Levantei discretamente e entrei no banheiro. Joguei tudo no vaso e... onde está a descarga? OMG. Não tem? Abri um pouquinho a porta.
- Não tem... descarga?
- Ninguém aqui precisa de banheiro.
O que eu faço da minha vida? Ninguém? O banheiro era limpo então? Nem pensei. Catei os pedaços de dentro do vaso e joguei na lata de lixo mesmo. Melhor do que boiando na água para ele ver. Lavei a mão um milhão de vezes com a água engarrafada que tinha ali e saí do banheiro.
- Gostou mesmo. Comeu tudo.
- Aham.
Meu coração acelerou. Será que ele me mataria se soubesse o que eu fiz? Reza, Bella, reza.
- Sede?
- Um pouco.
Ele virou a cabeça e se aproximou de mim, esticando o pulso. Essa era a bebida?
- Não, obrigada.
- Tudo bem. Pode beber depois.
Me deu as costas andando em direção à cama.
- Depois de que?
Ele sorriu malignamente e olhou para a cama.
Ele queria o que? Me comer? No duplo sentido? Já era, Bella.
- O que...
Eu congelei onde estava e ele percebeu, pois veio me buscar. Pegou meu braço e me levou até a cama.
- Deite.
- Não!
Ele estreitou o olhar, me encarando.
- Eu não pedi.
Eu estava tremendo quando ele me empurrou na cama e eu caí de costas nela, com ele subindo em cima de mim. Ele era lindo e em qualquer outra ocasião na qual ele não fosse vampiro e não quisesse me matar, eu o acharia irresistível e amaria ele. Mas não era essa a ocasião. Ele deitou no meu corpo, apoiando seu peso em mim e passou a língua pelo meu braço chegando até meu pescoço.
- Por favor, não faç...
Ele rosnou mostrando os dentes e me beijou, embolando sua língua na minha. Por um momento eu até esqueci o que ele era, pois o beijo, a boca, o corpo, era tudo maravilhoso. Mas eu me lembrei rapidinho, quando ele desceu a mão pela minha coxa, rasgando a lateral da minha calça.
Sua mão fria agora deslizava pela minha perna, me fazendo arrepiar dos pés à cabeça. Eu senti ele roçar em mim e um volume me pressionar o ventre.
- Não!
Ele me olhou com raiva.
- Acha que está falando com quem?
Eu senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e a visão embaçar por causa delas.
- Por favor...
Ele rasgou minha blusa, me deixando só de sutiã e beijou minha pele, vindo até as alças e passando a língua por baixo delas. Suas mãos procuraram minha calça e terminaram de rasgar o que tinha sobrado delas. Eu estava de calçinha agora. Ele desceu beijando minha barriga, meu umbigo, até chegar nela e encarar o pano da lingerie. Ele estava... me cheirando?
- Pura...
- Sim! Sou virgem... por favor...
- São as que mais gosto.
O que? Ele subiu de novo, agarrando meus cabelos e passando a mão pelo meu corpo. Minhas esperanças tinham ido todas por água abaixo. Eu apenas fechei os olhos e esperei pela invasão. Senti seu hálito e sua boca selvagem no meu pescoço, enquanto ele abaixava minha calçinha. Meu coração estava mais acelerado do que nunca.
- Isabella...
Eu abri os olhos por causa da voz cantante no meu ouvido. Os dois olhos vermelhos olhavam profundamente em meus olhos.
- Você tem algo... diferente.
- Tenho?
Eu parei um pouco de chorar para poder vê-lo melhor. Ele inclinou a cabeça.
- Conseguiu me fazer mudar de idéia. Já é a segunda vez.
Ele mudou de idéia? Eu percebi que sim, quando ele levantou.
- Vista-se.
Com o que exatamente? Olhei para os lados procurando por algo.
- Minha roupa... está... rasgada.
- Pode ficar aqui esta noite. Amanhã mando arranjarem algo para você.
Ele saiu dali, me deixando sozinha naquele lugar. Eu estava viva e virgem. Melhor impossível.
Cap. 4 só no Domingo!
