| Capítulo 4 |


16.06.2008

4º dia

Eu abri lentamente os olhos, pois meu corpo não parava de doer, não pararia nunca mais provavelmente. Ser arrastada para lá e para cá, não era nada legal. A cama estava vazia ao meu lado, pelo visto ele não tinha voltado. Sentei e olhei ao meu redor, vendo então uma figura encostada no canto do quarto, na quina das paredes. Era ele. Me levantei e fui até seu encontro, pois ele parecia... imóvel. Estava de olhos fechados e não respirava, não se mexia. Era assim que ele dormia? Me aproximei mais para tentar ouvir algum som, alguma coisa. E então olhos vermelhos se abriram para me olhar e uma mão veio ao meu pescoço, apertando com força.

- Não...

Ele me levantou do chão e rosnou, me soltando logo depois.

- Você me acordou!

- Des-culpe.

- O que quer?

- Nada.

- Já amanheceu. Pode ir.

- Minhas... roupas.

Ele me olhou dos pés à cabeça e sorriu.

- Vá sem elas.

Como assim, sem minhas roupas? Eu estava de calçinha e sutiã!

- Isso... é sério?

- Pode ser.

Ele voltou a fechar os olhos. Raiva!

- Eu nem sei sair daqui...

- Vá pelo corredor até sair nas escadas. É só subir e seguir novamente o corredor.

Ele nem me olhava, continuava de olhos fechados. Senti raiva naquele momento. Como a pessoa queria dormir comigo, ou melhor, me comer na noite passada e agora nem me olhava nos olhos?

- Ok...

Eu não estava preparada para sair... assim.

- Sério mesmo, eu tenho que ir assim?

Ele não me respondeu e continuou de olhos fechados. Respirei fundo e fui em direção ao corredor. Quando cheguei lá fora, Sawyer estava dormindo. O grandalhão me levou até a jaula, coberto com um pano grosso.

- Estou sonhando ou você está semi-nua?

- Cala a boca, Sawyer.

Ele sorria cínico me avaliando toda. Eu já estava mais do que envergonhada quando sentei ao seu lado. Sawyer me deu sua camisa.

- Pode vestir.

- Obrigada.

Enfim ele estava fazendo uma boa ação! Vesti rápido a blusa e me encolhi num canto. Ainda sim, eu estava apenas de calçinha.

- Gostosinha hein, branquela.

- Não enche Sawyer, por favor...

Ele riu e deitou novamente.

- Me pergunto o motivo para você estar desse jeito.

- Não interessa.

Ele ficou me olhando curioso por um tempo e depois pareceu desistir.

- O chefe deles... queria... você sabe.

- Chefe?

- É. Eles tem um chefe.

Ele levantou uma sobrancelha.

- Como ele é?

- Ele é... ruim.

- Jura? Achei que fosse tudo representação.

Eu olhei mortalmente para o loiro.

- Ok, continue.

- E foi isso.

- O que? Ele conseguiu comer filé mignon?

- Cala a boca Sawyer!

Eu bati nele, mas provavelmente ele não sentiu.

- Não bate senão eu gamo, branquela!

Virei para o lado e fiquei quieta esperando o pesadelo passar. Acabei pegando no sono e acordei com um braço de Sawyer em cima da minha barriga. Olhei devagar para ele, que dormia roncando.

- Boa noite, branquela.

- Você não estava dormindo?

- Estava, mas já acordei.

Ele sorriu cinicamente e piscou.

- Não ia me levantar, né? Estava bem acomodado aqui...

E então eu vi um vulto na nossa frente, rosnando. Era ele, o chefe. Ele virou a cabeça, olhando Sawyer e chamou o grandalhão.

- Traga-a.

Hein? De novo? Mas acabei de voltar! O grandalhão abriu a jaula me puxando e me arrastando pelo corredor escuro, enquanto o chefe ficou lá com Sawyer.

- Irritou o chefe?

Fui sendo arrastada enquanto minha perna nua ralava no chão.

- Pára, por favor...

- Emmett!

Ouvi a voz conhecida, vindo logo atrás de nós. O grandalhão parou olhando para trás.

- Não quero que ela vire um trapo, Emmett. Carregue-a.

Ow. Fui jogada para cima do ombro dele, que saiu rápido e resmungando.

- Carregue-a! Virei burro de carga?

- Eu realmente não sei o que Edward viu em você.

Gravaria de vez o nome dele. Edward. Era um nome lindo para alguém tão... mau. Fui colocada no chão, no mesmo lugar que tinha passado a noite. Lembrei do pobre coelho (N/A: sou eu enchendo linguiça, estou com sono). O grandalhão me olhou sorrindo.

- Você é gostosa... se Edward não tivesse cismado contigo, poderíamos nos divertir antes de eu te matar.

Congelei olhando-o com medo. Divertir? O que exatamente ele queria dizer com isso?

- Mas como Edward sempre é estraga-prazeres...

Ele passou um dedo pelo meu pescoço.

- Emmett!

Ele tirou a mão de mim e se afastou.

- Ela está aí. Quase não ficou esfolada.

Quase? Meus joelhos e calcanhares estavam super machucados! O grandalhão se retirou e Edward me observou.

- Você e o outro... humano.

- O que tem?

- Estão juntos?

- Eu e Sawyer? Não!

Eu quase ri daquela hipótese. Apesar dele ser gostoso. Edward inclinou a cabeça para o lado.

- Então não o toque mais.

- Por... quê?

- Porque não. Se quiser ele vivo.

Ele cheirou meu pescoço com vontade.

- O que... você fez... com ele?

- Nada. Por enquanto.

Edward se ajoelhou e passou a mão pelos meus joelhos ralados.

- Que desperdício de sangue.

Fiquei imóvel, temendo respirar, e então ele levantou novamente, passando um dedo com sangue do machucado, pelos lábios.

- Tem medo de mim?

Claro que não, estava super me divertindo na ilha da tentação! Oi?

- Te-tenho.

- Por quê?

- Porque... não sei o que... você vai fazer comigo... nem com os outros.

Ele levantou uma sobrancelha, curioso.

- Outros?

- Os outros... sobreviventes.

Então ele sorriu e virou-se de costas para mim.

- Acho que não tem mais nenhum sobrevivente, além de vocês dois.

Aquela frase fez minha cabeça girar e senti meu corpo caindo para trás. Ele em segurou pelo braço.

- Talvez você tenha sorte em ter vindo para cá.

- Sorte?

- Os que estavam na praia... não posso dizer o mesmo deles.

Senti meus olhos inundarem. Mesmo não conhecendo ninguém ali direito, eu senti a morte de cada um como se fosse um amigo meu. Eles eram pessoas! Seres humanos! O que levava um monstro a fazer isso?

- Por quê...?

Eu tive raiva misturada com nojo da figura na minha frente. Ele virou-se novamente para me encarar. Edward sempre tinha um sorriso sarcástico no rosto.

- Porque eu não gosto de multidões, sabe? Vocês estavam muito barulhentos...

Por algum motivo insano, como sempre, eu tive um impulso incontrolável de matá-lo. Eu sei que nem conseguiria machucá-lo, mas mesmo assim eu tentei. Parti para cima dele, socando-o no peito. Ele apenas me olhou sério. Desisti quando vi que ele nem estava saindo do lugar.

- Parou?

- Sim.

Ele então agarrou meu pescoço e me esmagou na parede, com o rosto próximo do meu. Foi algo super rápido, como um borrão.

- Da próxima vez que você ousar tocar em mim assim, perderá o braço. Estamos entendidos?

Engoli seco e controlei o choro.

- Por que não me mata logo?

Ele mostrou os dentes e passou a língua na minha bochecha.

- Porque talvez eu tenha outros planos para você. Muito mais úteis.

Não gostei disso. Como nada que acontecia comigo naquela ilha era bom, eu duvidava muito que os planos dele fossem melhores do que a morte.

- Mas para deixar bem claro... você não precisará dos braços para o que tenho em mente.

Ele me soltou e se afastou.

- Fique aqui esperando que a comida logo vai ser servida. Espero que goste de carne de rã.

Hã?

Ele me deixou ali sozinha e me sentei na cama, pensando. Primeiro coelho, agora rã. Amanhã seria o que? O boi vivo? O pior de tudo isso, era saber que meu estômago doía de fome e que eu teria que me forçar a comer. Me assustei quando vi alguém chegar. Levantei rápido da cama quando ele me olhou.

- Onde está Edward?

- Não... sei...

Era um loiro, um pouco mais velho que Edward, mas tão bonito quanto. Ele vestia um jaleco branco, de médico. Não entendi.

- Então você deve ser a outra humana...

- Outra?

Tem outra? Lembrei de Shannon. Seria dela que ele falava? Ela estaria viva? Ele pareceu perceber que eu estava curiosa e rosnou.

- Fique na sua.

Ele virou-se para ir embora, mas voltou a olhar para trás, me encarando.

- E alimente-se. Ou não servirá para nós.

O médico saiu me deixando com um ponto de interrogação na cabeça. Não servirei? O que? Eles estavam fazendo que nem em Jõao e Maria? Engordando a janta para depois comerem? Olhei com medo para o grandalhão que entrava com meu prato de comida na mão. Ele colocou em cima da mesa e me olhou sorrindo.

- Saindo carne de rã fresquinha. Acabei de matar.

Tive vontade de vomitar. Ele saiu e eu fui sentar à mesa, encarando aquele bicho de patas arreganhadas. Pense que é tofu, pense que é tofu... Cortei um pedaço e levei de olhos fechados até a boca. Mastiguei com nojo tentando não vomitar, apesar da ânsia, e engoli.

- Ok... um garfo já foi...

- Está gostando da rã?

Tremi e quase deixei o garfo cair com a voz. Edward tinha voltado rápido.

- Sim.

- Que bom... achei melhor tentar algo diferente, já que o coelho você jogou fora.

Congelei. Ele sabia do coelho.

- O... coelho?

- Achou que eu não soubesse?

Fiquei calada pensando numa resposta coerente. Nenhuma, né?

- Eu... não consegui... comer o... coelho.

- Vai conseguir comer a rã?

Olhei a bichinha na minha frente. Tofu! Tofu!

- Vou!

- Ótimo.

Ele saiu de perto de mim e deitou na cama, lendo um... livro? Vampiros lêem?

Comi o máximo que pude, mas não consegui devorar a rã toda. Era nojento demais só em ver. Depois que parei, levantei da cadeira e fui até ele.

- Comeu?

- Sim...

Ele ficou me olhando durante uns segundos e gesticulou com o dedo.

- Aproxime-se.

Me aproximei da cama e ele me puxou pelo pulso. Caí toda sem jeito em cima dele, que colocou a mão na minha cintura e puxou minha blusa para cima. Senti sua mão alisando minha bunda por cima da calçinha e fiquei nervosa.

- Por favor...

- Cale-se.

Tentei me soltar, mas ele tinha me envolvido nos braços, com força. Sua boca grudou na minha, com sua língua me invadindo, me deixando ser ar. A mão quebrou a barreira da calçinha e entrou por ela, tocando agora minha pele.

- Você, apesar de tudo, é gostosa. Agora tenho que me controlar para não te comer. No sentido de mastigar mesmo. Porque no outro, eu ainda vou fazer.

Gelei.

- Pode ir.

Ele me soltou depois de falar e voltou a ler o livro. Eu saí rápido dali antes que ele mudasse de idéia.

- Onde estava, branquela? O que fazem contigo toda hora lá dentro?

- Me levam para comer.

- Comer?

- É. Antes foi coelho. Hoje me fizeram comer uma... rã.

Sawyer me olhou de cara feia.

- A quem eu tenho que seduzir para ganhar coelho também? Ou é preciso ter seios e...

Ele lançou-me um olhar lá embaixo.

- Não termine sua frase, Sawyer.

- Mulheres! Sempre se dão bem!

Tentei ignorar as piadas de meu companheiro de cela e encolhi-me num canto para tentar dormir. Seria tão bom acordar na minha cama e descobrir que tudo não passara de um sonho... Alguns minutos depois, quando eu já tinha conseguido cair no sono, um temporal desabou. Agradeci pela jaula ser coberta. Pelo menos isso. Mas com a chuva, veio o frio e o vento mortal. Eu estava congelando só com aquela blusa e as pernas de fora.

- Branquela... está com frio?

- Não.

Ele riu. Desgraça alheia era divertida...

- Vem para cá.

Eu realmente não gostaria, mas estava tremendo de frio, sem muitas opções. Fui engatinhando até o canto de Sawyer e deitei perto dele, que me abraçou.

- Se eu sentir sua mão em alguma parte do meu corpo, Sawyer... não responderei pelos meus atos!

- Nossa, delicada assim, você até me deixa gamado...

- Estou falando muito sério.

- Ok. Se preferir, pode voltar lá para seu canto.

Ali com ele estava mais quentinho.

- Não. Vou ficar aqui.

Ele sorriu e sussurrou no meu ouvido.

- Eu já sabia disso.

Fechei os olhos e tentei imaginar que aquele corpo grudado no meu, era de algum ator famoso que eu amava. Tipo Kellan Lutz... ui!


Cap 5 só na Sexta! Bjs...