| Capítulo 9 |
- Eu sinto... não... sei.
Edward rosnou e fechou a cara.
- Sente algo bom por mim?
Eu não queria responder. Eu não ia responder. Virei a cara sem olhar meu carrasco, que se afastou de mim e levantou. Quando notei que seu corpo não estava mais grudado no meu, senti uma coisa estranha, tipo arrependimento. Eu não poderia em hipótese alguma, estar me apaixonando por esse monstro!
- Em momento algum eu deveria ter encostado em você.
- Está... falando comigo?
- Há mals alguém aqui?
- Por que não deveria... ter encostado em mim?
- Não se brinca com a comida.
Lembrei de uma história que minha vó costumava contar. De que quando ela era criança, seus pais tinham uma fazenda que exportava frangos. E eles sempre diziam a ela para nunca brincar com as galinhas de lá, pois não se devia brincar com a comida, para não criar laços. Era disso que ele estava falando? Ele tinha criado laços comigo? E ele ia me comer? Literalmente?
- Vou virar comida?
- Deixe de ser ridícula.
Edward saiu pelo túnel, em silêncio, e não voltou. Depois de algum tempo eu acabei adormecendo ali e só fui acordar quando amanheceu.
Quando levantei, Carlisle estava entrando, vestido de médico e me olhando super sério.
- Você vai fazer o exame querendo ou não.
- Não! Por fav...
Ele me pegou pelo braço e me puxou para longe da cama. Eu saí tropeçando pelo túnel até darmos de cara com Edward que estava chegando. O médico parou quando ouviu um rosnado forte vindo de Edward, que tinha os olhos estreitos, raivosos, na direção de Carlisle.
- Posso saber o que é isso?
- Edward, nós precisamos dela. Você sabe muito bem disso!
O loiro puxou meu braço contra seu corpo e meu algoz avançou nele, impresando-o na parede. Eu fui solta, sem saber se corria ou ficava. Por algum motivo estúpido, é óbvio que eu fiquei.
- Não. Aceito. Ordens.
- Vai deixar nossos planos murcharem por causa da humana? - Carlisle falava entre os dentes.
- Vou responder com outra pergunta. - Edward mostrou os dentes a ele. - Vai querer morrer por causa dessa humana?
- Não.
O médico se esforçou para empurrá-lo mas nem tirou-o do lugar. Por fim, Edward o soltou e se afastou, me olhando.
- Pode voltar para a jaula se quiser.
Ele entrou no túnel e o médico saiu. Resolvi ir atrás do carrasco que me tirava o fôlego.
- Obrigada.
- Não me agradeça.
- Por que não?
- Me sinto fraco assim.
- Bem... eu realmente não gostaria de ser engravidada para vocês se alimentarem depois. Então... obrigada de novo.
Ele se aproximou de mim e cheirou meu pescoço.
- Eu não mandei você voltar para a jaula?
- Não... você disse que eu poderia voltar se quisesse.
Edward inclinou a cabeça de lado, com um olhar duvidoso.
- E você não quis?
- Não. É estranho... mas... não.
Ele levou as mãos até minha cintura e me puxou devagar, andando de costas em direção a cama. Edward dessa vez me olhou de um jeito que me fez perder os sentidos. Seu olhar tinha um misto de ódio, perversão, carinho e... eu disse carinho? Devo estar vendo coisas. Seu corpo caiu na cama e ele me puxou para cima.
- Não vou te forçar a nada hoje. - falou esboçando um meio sorriso.
- Não?
Qual era a desse homem? Ou... vampiro. Eu não o entendia nunca. Observei por alguns segundos o seu rosto indecifrável e um imã me atraiu na direção da sua boca vermelha, que se abriu um pouco, soltando seu hálito frio. Encostei meus lábios nos dele e nos beijamos devagar, sem língua. Apenas sentindo os lábios um do outro. Ele jogou minha cabeça de lado e beijou minha orelha, minha nuca, meu pescoço, me concedendo calafrios absurdos.
- Você se arrepia por qualquer coisa boba, Isabella...
- Aham.
Não tinha condições de ficar pensando em respostas e desculpas plausíveis. Ele já sabia mesmo que eu estava entregue, para que disfarçar? Edward riu e segurou meu queixo, trazendo meu rosto de volta e me beijando, dessa vez de língua, bem devagar, bem diferente dos outros beijos.
- Por que está... tão... diferente?
Perguntei em meio ao beijo e ele parou para me olhar, sorrindo torto.
- Sempre é bom experimentarmos coisas novas.
- Você está... bem?
- Por que não estaria?
Senti algo estranho nele, na situação toda. E de repente minha ficha caiu. Eu apoiei minhas mãos em seu peito, empurrando-o para me levantar.
- OMG, você vai me matar, não é? Você está me dizendo tchau!
- Sim. E não. Mas não vou te matar.
Ele me puxou de volta, pelo pescoço, me invadindo com seu beijo enquanto tirava minha blusa e me virava para baixo de seu corpo, puxando minha calça. Edward se despiu na velocidade da luz, enquanto me tocava com os dedos, meu sexo molhado por ele. Meu carrasco deitou devagar sobre meu corpo e me penetrou lentamente, como se pedisse passagem. Minhas mãos suadas deslizaram pelas suas costas e ele beijava meu pescoço, meu colo, lambendo minha pele quente. Nossos corpos estavam unidos, no mesmo ritmo lento, nada de pressa, apenas nos completando. Rebolávamos juntos, ele mordia a boca jogando a cabeça para trás e gemendo de olhos fechados enquanto eu arranhava seus ombros. Eu sentia todo o seu sexo me preenchendo, movendo-se dentro de mim.
- Vou sentir sua falta.
Foi o que eu ouvi de sua boca grudada em meu ouvido. Tremi com aquilo, sem saber o que estava me esperando. Senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto, me despedindo da vida, ou dele. De uma dessas coisas eu estava me despedindo. E com certeza eu sabia que sentiria uma falta imensa de qualquer uma das duas. Nossos corpos chegaram juntos ao êxtase e ficamos ali, imóveis, trocando palavras mudas. Ele me olhava nos olhos querendo me dizer alguma coisa.
Fiquei deitada, cansada, quase dormindo de novo, nos braços dele. Estávamos em conchinha, devido ao mais novo afeto de Edward por mim. Vai entender...
- Antes de me matar, poderia me contar exatamente o que se passa aqui?
- Já disse que não vou te matar.
- Ok. Antes de... fazer o que vai fazer.
Senti seu hálito na minha nuca, sua boca me beijando a pele.
- Nós fizemos inseminação na Shannon, e faríamos em você também.
- Para comer nossos bebês?
- Não comer, literalmente. Para termos alimento. Não vamos matá-lo.
- Matá-lo? No singular?
Suei frio.
- Existe algum bebê?
- Shannon está grávida. Ela tentou abortar, mas agimos antes.
- Vocês são mesmo capazes de se alimentarem de um... bebê?
- Vamos esperar ele crescer um pouco... um ano pelo menos.
Eu senti raiva e nojo dele e me virei para olhá-lo. Mas seus olhos estavam tristes.
- Sangue é algo raro por aqui. Os últimos que caíram antes de vocês, foi há dez anos atrás.
- E...? Vocês fizeram o mesmo?
- Não engravidamos ninguém... mas ficamos com 2 deles. Jasper e Rosalie.
- Eles eram humanos?
OMG. Por essa eu não esperava. Aquela loira era o diabo chupando limão azedo! Ele sorriu passando a mão no cabelo.
- Sim.
- Entendi. Vou virar vampira.
A frase soou forte na minha cabeça, me fazendo engolir minha saliva, que desceu cortando minha garganta. Eu realmente não queria isso. Edward rosnou, como quem se sentisse ferido com as palavras que disse.
- Não vai. Você... vai embora.
- Embora? Nadando?
Ele levantou da cama, visivelmente transtornado e falou de costas para mim.
- Nós ouvimos pelo rádio... as buscas pelo avião ainda não terminaram. E estão... perto daqui.
Meu coração acelerou com aquela informação. Ele virou-se para me olhar.
- Vou deixar você e o outro irem.
- Nós vamos embora? Você vai nos soltar?
- Sim.
Ok, eu devia estar comemorando, mas inacreditavelmente, eu estava triste.
- Por que?
- Está reclamando?
- Não... só quero saber o que... te levou a essa decisão.
Ele me olhou nos olhos. Não precisou responder... acho que eu já entendia. Talvez eu sentisse a mesma dor que ele estava sentindo. Por isso o sexo tão meloso, tão calmo. Minha garganta deu um nó e eu quis chorar. Mordi os lábios para impedir isso.
- Quando?
- Hoje. Estão bem perto.
P.O.V. Edward
Eu não compreendia como aquilo podia doer tanto em mim. Eu não sentia dor. É impossível! Mas de alguma forma, deixá-la ir doía. Senti Bella levantar da cama e vir na minha direção. Eu recuei alguns passos.
- Sem mais contatos, Isabella.
- Por que?
Por que? Porque eu sou um sanguinário imbecil que se envolveu com a comida e não consegue imaginar-se sem você por perto.
- Porque é melhor assim. Para nós dois.
Seu coração batia errado, descompassado. Seus olhos brilhavam, úmidos. Eu sabia que ela sentia o mesmo que eu, mas eu não podia mais deixá-la ali. Bella merecia coisa melhor, uma vida toda pela frente. Virou emotivo mesmo, não é Edward?
- Você sabe se eu quero ir?
- Você quer. Pode não querer agora, mas vai querer depois.
Ela abaixou a cabeça para eu não ver a lágrima que rolou de seus olhos. Esme estava correndo pelo túnel, sentia seu cheiro no ar.
- Edward! Estão próximos!
P.O.V Bella
Você?
- Eu! Ajudando Edward... tudo bem?
A vampira simpática tinha chegado ali, trazendo notícias, que pela cara dele, não eram boas. Edward travou o maxilar, me olhando e eu vi perfeitamente sua garganta se movendo, como se estivesse engolindo seco.
- Vamos?
- Onde?
- Para onde você tem que ir.
Ele saiu na minha frente, em direção ao túnel e ela pegou minha mão, sorrindo para mim.
- Fique tranquila, vai dar tudo certo. Vocês vão chegar bem lá.
- Eu não quero ir!
Mas o que eu estava dizendo? Eu não queria ir? Não! Eu não queria ir de jeito nenhum! Me soltei dela e corri em cima dele, agarrando-o pelas costas. Nossos corpos se chocaram e ele me puxou para a frente dele, segurando minha nuca e me beijando. Estiquei os pés para ficar na ponta e poder me pendurar no seu pescoço. Ele me olhou sério, sua boca tremendo.
- Não dificulte!
- Eu não quero ir!
- Você não tem que querer, Bella. Isabella.
Nós saímos do túnel e Esme foi em direção a jaula, para soltar Sawyer. Ele me olhou sem entender nada.
- Saia, anda!
- Mas o que...?
- Estou soltando vocês. - Edward chegou falando. - Corram em direção a praia, onde o avião caiu. Um helicóptero deve estar quase chegando lá para resgatar os sobreviventes. Só tem vocês dois. Digam que os outros morreram na queda. Não ousem falar sobre mim ou qualquer um de nós. Ou nós mataremos quem se aproximar. Entenderam?
- Ei cara-pálida, não precisa repetir!
Sawyer saiu se alongando da jaula, pegando na minha mão. Eu fiz força para não me mover.
- Que droga está havendo aqui?
Emmet e a loir má apareceram, rosnando para Edward e Esme, que se meteram na nossa frente.
- Estou deixando eles irem.
- Não, Edward! Ficou louco? - a loira gritou.
- Vão, andem! - Edward olhou para trás, nos olhando com pressa.
Sawyer me puxou correndo e eu vi Emmet avançar neles dois. Edward cravou as unhas no seu pescoço, e se jogou longe com ele, no chão.
- Não! Sawyer!
- Vamos!
Ele me puxava em direção à floresta e eu não tirava os olhos da briga que acontecia ali, agora a alguns metros de mim. Meu coração ia sair pela boca. Eu não pude me despedir direito. Ouvi o barulho de hélices se aproximando e começei a gritar por Edward. Eu agora só via quatros pontos se embolando lá embaixo, com borrõs vermelhos pelo ar.
- Eles estão se matando!
Eu gritava num volume mais alto do que o barulho das hélices. Sawyer corria me puxando, sem olhar para trás.
- Deixem se matarem, branquela!
- Não!
- É um bem para a humanidade!
Ele percebeu que eu estava nos atrasando e me pegou no colo, me jogando nos seus ombros.
- Que droga! Concentre-se em sair daqui agora!
- Mas eu o amo!
Eu gritei quando estávamos chegando na areia da praia. Eu via um helicóptero lá no alto, pairando sobre nós. Swayer me colocou no chão e me olhou pasmo.
- Ama... aquilo?
- Sim.
Minhas lágrimas rolaram enquanto o helicóptero descia.
- Bem, eu não te deixarei cometer nenhuma loucura!
Ele me puxou, em direção à areia que se movia forte com o vento das hélices. O bicho metálico pousou e 2 paramédicos saltaram correndo até nós. Minha cabeça rodava. Fui pega no colo por um deles e levada para dentro do helicóptero.
- Existem outros?
- Não!
- Estão todos mortos?
- Sim, somos só nós dois.
Sawyer falava alto com o outro, por causa do barulho ensurdecedor. Éramos nós quatro e mais o piloto.
- Ela está em choque? O que houve?
- Emoção!
Eu queria me jogar para fora dali, mas estava sendo envolvida pelo paramédico, numa toalha. Começamos a levantar vôo, e meus olhos embaçados não me deixaram enxergar direito, mas eu vi sombras lá embaixo, correndo.
- Edward!
- Quem é Edward? - o paramédico perguntou para Sawyer.
- Ah não. - ele respondeu.
Era ele. Era meu Edward, meu carrasco, eu tinha absoluta certeza. Pisquei diversas vezes e me desfiz das lágrimas. Meus olhos agora limpos confirmavam. Era Edward. Eu fiz força para saltar, para encontrá-lo lá embaixo. Mas não foi preciso. Ele segurou a parte de ferro abaixo do helicóptero, nos impedindo de decolar.
- Oi.
Ele sorriu para mim e pulou dentro do helicóptero. Levei um susto quando Esme apareceu também, entrando pelo outro lado.
- Esme, sabe pilotar?
- Claro!
Edward olhou para os paramédicos e para o piloto, sorrindo.
- Desculpe, mas não vou precisar de vocês.
Eu vi dois corpos sendo jogados lá embaixo e Esme pulando para a cabine do piloto. Grudei no pescoço de Edward, tremendo.
- Você está aqui! Eu te amo! Eu te amo!
Ele sussurrou no meu ouvido, passando a língua na minha pele.
- Eu amo mais. - ele piscou.
- Não acredito ainda que você está aqui!
- Bem... sempre é legal conhecer outras culturas.
THE END
