Postando aqui de novo heheee :)
De novo: se você por acaso ver os nomes "Isabel", "Anvrai" ou qualquer outro nome diferente, por favor avise-me ;*
Algum lugar da Escócia, Uma semana depois
Edward não desperdiçou forças com ataques de ira ou com imprecações. Nem com preces.
Tinha uma tarefa para cumprir e seu futuro dependia do sucesso dessa realização. Virou a cabeça para a direita. A al gema pesada de ferro que lhe segurava o pulso estava amarrada a uma corrente grossa. Esta, por sua vez, era presa em um toco de ferro robusto enfiado bem fundo no chão. O outro braço e as duas pernas estavam presos da mesma maneira.
Assim mesmo, teria de escapar. De qualquer jeito. Era o único pensamento que o mantinha alerta.
Sentia frio. O sal do suor fazia arder os ferimentos conseqüentes aos maus-tratos que lhe haviam impingido. Não con seguia lembrar-se de quando fora torturado pela última vez, nem há quantos dias era prisioneiro desses bárbaros do norte.
Sacudiu as correntes que o amarravam. O ato simples de revolta resultou em um pontapé violento nas costelas por parte de um de seus captores. Edward achou melhor ficar imóvel e continuar impedindo a irritação. Nunca se sentira tão impo tente, tão mesmo sabia onde se encontrava.
Se não houvesse sido designado para ir ao castelo de Swan...
Se houvesse ido diretamente ao encontro do exército do rei Guilherme no rio Tees...
Se...
Há quantos dias, ou semanas, acontecera a comemoração pela chegada das filhas de lorde Swan ao castelo? O nú mero de cavaleiros de Charlie Swan mortos durante o ataque à fortaleza fora muito grande. Por isso coubera a Edward Cullen, um visitante, a incumbência de liderar a perseguição aos escoceses que haviam seqüestrado Bella e seu pretendente, sir Mike.
Os cavaleiros de Charlie haviam seguido a pista com mui to cuidado e sem fazer ruído. Providências inúteis. Os esco ceses esperavam às escondidas no meio de uma mata cerrada e caíram sobre os normandos de todos os lados. Pularam até mesmo de cima das árvores. Edward e seus homens, em mi noria, foram dominados com facilidade.
Edward nem mesmo sabia se algum dos cavaleiros de sua pequena tropa estava vivo. A única lembrança era ter caído em uma emboscada e ter sido aprisionado em seguida.
Sentia dores por todo o corpo, mas acreditava que estivesse com apenas uma costela quebrada. Dos vários ferimentos re sultantes da agressão violenta a que fora submetido, o do om bro parecia-lhe em pior estado. Infeccionara e causava-lhe febre intermitente. Recordava-se vagamente de ter sido arremes sado dentro de uma carroça de madeira tosca e em seguida acorrentado. Mas ignorava para onde fora levado e o que acon tecera com Bella e os demais prisioneiros.
O fato de não ter sido assassinado pelos escoceses, e opor tunidades para isso não haviam faltado, tinha um significado provável. Eles pretendiam vendê-lo para algum chefe de clã que precisasse de braços fortes. Edward contava apenas com uma vista, mas tinha tamanho e força superiores à maioria dos homens. Os agressores deviam ter decidido que o trabalho de capturá-lo teria de ser recompensado pelo preço que obteriam pelo prisioneiro. Ou talvez apenas quisessem exibir um troféu da grande vitória contra os normandos.
Com muito custo, Edward levantou a cabeça e olhou de sos laio para os arredores. Tentou adivinhar onde se encontrava e se aquele seria o destino final do trajeto. Ou se continuariam a viagem ao amanhecer. Por causa da febre e dos calafrios, tivera períodos de insônia desde o ataque ao castelo de Swan. Mesmo assim, não tinha certeza do que acontecera após sua captura. Tinha uma vaga idéia de uma travessia por mar.
Teria sido um sonho? Estariam ainda na Grã-Bretanha? Ou teriam ido para a costa irlandesa?
Não havia como saber se Bella ou Mike se encontravam com ele. Tinha esperança de que não estivessem. O máximo que Edward podia almejar era escapar dali. Não desejava ser responsável pela donzela nem pelo jovem cavaleiro.
Era provável que Isabella Swan já houvesse sido ven dida. Era, sem comparação, a jovem mais atraente que Edward já conhecera. Tinha cabelos castanhos e brilhantes, olhos cor de chocolate emoldurados por cílios espessos e escuros. Tivera a gen tileza de fitá-lo de passagem, sem se mostrar chocada pelo rosto deformado por cicatrizes. Quem o via pela primeira vez demonstrava, pelo menos, assombro. Apesar da familiaridade da reação que causava nas pessoas, Edward nunca se acostu mara. De qualquer forma, nada poderia fazer por Bella. Cada um deles teria de sobreviver como pudesse.
Havia escurecido quase por completo. Um dos guardas sol tou a mão esquerda de Edward para que o prisioneiro pudesse comer uma côdea de pão que fora jogada a seu lado e beber água de uma caneca de barro deixada no chão imundo. Era apenas o suficiente para manter vivo um homem do porte de Edward Cullen.
Quando mudou de posição para comer, a dor da costela partida e do ombro ferido espalhou-se pelo peito como se fosse causada por uma lança incandescente. Porém Edward já supor tara sofrimentos maiores. Treinara exaustivamente para igno rar tais desconfortos e aquelas chagas não constituíam uma exceção. Com uma das mãos soltas, seria capaz de soltar as outras algemas e libertar-se. Mas o sentinela mantinha vigi lância estreita. Assim que Edward começou a puxar a corrente, o escocês pisou-lhe no pulso e imobilizou-o.
Edward recusava-se a acreditar que nada poderia ser feito. Embora sua energia normal estivesse diminuída por causa dos ferimentos, haveria de aparecer uma oportunidade para agir. Edward a aproveitaria sem hesitar, assim que seus captores diminuíssem os cuidados em algum momento. Tinha certeza de que teria força para arrancar as correntes do chão e libertar as mãos. Uma vez soltas as algemas de metal, os escoceses sangui nários não o venceriam.
Lady Isabella Swan recusava-se a ceder ao medo. Não sobrevivera àqueles últimos sete dias para depois entregar-se.
Ela e Alice haviam deixado a abadia de St. Marie e Rouen e enfrentado os rigores da viagem para chegar à propriedade do pai na Grã-Bretanha. Haviam suportado um sem número de dificuldades para rever os pais. Mas nada se comparava aos tormentos que tiveram de confrontar depois do ataque ao castelo de Swan. Inúmeras pessoas haviam morrido e Isabel nem queria pensar no que teria acontecido com sua irmã e com seus pais.
Jurou a si mesma que não deixaria nenhum bárbaro violen tá-la. Haveria de encontrar uma maneira de libertar-se das gar ras desses escoceses miseráveis e fugir para bem longe. Os agressores brutais haviam se desentendido a respeito dela. De pois de agarrá-la, haviam lhe rasgado as roupas. Mas Bella tivera a sorte de contar com a intervenção do líder deles, um gigante de barba ruiva. Gritando, impediu-os de infligirem maiores sofrimentos à prisioneira. O chefe nem mesmo tentara se aproveitar dela.
Nem chegara a abordá-la com atrevimento. Apenas dissera palavras ríspidas, ao perceber seus movimentos mais lentos, devido à exaustão, que condenavam o excesso de mimos, e ordenara para ela continuar a marcha interminável rumo ao norte. Era evidente que a salva guardava com um propósito em mente.
Bella receava até supor quais seriam esses objetivos.
Prestara bastante atenção ao trajeto que haviam feito e sabia em que direção se encontrava o castelo de Swan. Mike não fora gravemente ferido, pois nem mesmo tivera oportuni dade de lutar quando fora capturado. Os agressores não o tor turaram em excesso. Ao contrário do que haviam feito com Edward Cullen, que fora acorrentado no meio do cercado para animais.
Bella estava certa de que o infeliz cavaleiro sofria com algumas costelas quebradas. Não podia imaginar a extensão dos ferimentos de Edward, porém notara a roupa manchada de sangue. Na cabeça havia um corte horrível de onde partia uma trilha de sangue coagulado e sujo de terra, cobrindo o olho cego. Os lábios estavam rachados e descascados. Notava-se que os atacantes pretendiam enfraquecê-lo fazendo-o passar fome.
Apesar das condições precárias da saúde de Edward, não havia como duvidar que os algozes o temiam. Ela e Mike tinham sido atados a uma cerca de madeira com fitas de couro. Edward fora preso com correntes, os braços e as pernas seguros no chão com escoras. Isso tudo apesar da debilidade de suas condições físicas e de ele estar desarmado. Somente um mi lagre poderia fazer com que Edward Cullen causasse algum malefício aos escoceses.
Seis outros prisioneiros os acompanharam de início. Feliz mente nem Alice nem seus pais se encontravam entre eles. Amarrados uns aos outros com cordas, haviam tropeçado mui tas vezes no solo irregular por onde andavam descalços. Hos tilizados e castigados de maneira ininterrupta durante vários dias, chegaram a um grande lago, ocasião em que os cativos tinham sido separados.
Lady Bella, sir Mike e sir Edward tinham sido jogados em um barco que os trouxera até onde se encontravam no mo mento. Os demais foram levados para longe, rumo a um destino desconhecido.
Ovelhas pastavam nas colinas que rodeavam a aldeia que se avistava ao longe. Pequenos barcos de vime recobertos de couro estavam ancorados na praia. Seria um belo cenário de pôr-do-sol, se não fosse a multidão de homens e mulheres que haviam deixado as choupanas para zombar deles pelas fendas das jaulas de madeira onde tinham sido presos. Quando olhavam para Edward, os comentários se intensificavam, como se soubessem da luta feroz que ele empreendera contra os captores.
Fora impressionante. Bella nunca vira nada que se compa rasse à intrepidez de sir Edward em uma batalha. Com uma espada, ele derrotara tantos agressores que Bella perdera aconta. Edward Cullen apenas sucumbira quando tivera de enfrentar quatro de uma só vez e um deles conseguira laçar-lhe as pernas com uma corda. Caíra como um tronco vigoroso de carvalho e levara dois atacantes junto com ele. Fora espancado brutalmente até o líder de barba ruiva resolver interrompê-los. Apesar da surpresa de não o terem matado, Bella entendeu, que Edward fora poupado com algum propósito definido.
Assim como acontecera com ela. O estômago se contraía ao pensar no que viria a seguir. Ouvira falar de muitas mu lheres que haviam preferido a morte, a perder a virgindade em mãos de carniceiros. Bella nem mesmo sabia se encontraria coragem para morrer por sua virtude. Não se imaginava pu lando na correnteza de um rio, de um precipício, ou enterrando uma arma no peito. Aliás, os escoceses não a deixariam nem chegar perto de uma faca de cozinha.
Estava encurralada e não havia escolha. Teria de submeter-se. Não entendia por que Harry não viera resgatá-la.
Ele comandava os cavaleiros de Charlie Swan. E fora sir Edward quem os liderara no combate. Piscou para afastar as lágrimas ao pensar no que poderia ter acontecido ao principal auxiliar de seu pai. Procurou nem imaginar qual o destino de sua irmã mais nova e de seus pais. Passava os dias rezando para que pudessem ter escapado do inimigo, hipótese pouco provável.
Seria preciso um milagre ou um plano mirabolante para ela mesma poder fugir dos atacantes e voltar ao castelo de Swan.
Desesperada, soluçou. O que entendia de estratégias e pla nos? Ela apenas pretendera tornar-se uma freira, desejo que fora proibido por seu pai. Sem filhos do sexo masculino, sir Charlie deixara claro que desejava herdeiros através das filhas.
Ele próprio escolhera um marido para Bella. Um nobre com grande influência na corte do rei Guilherme. Lorde Billy Black era um homem poderoso e rico, mas intei ramente inaceitável sob o ponto de vista de Bella. Ela jamais suportaria um brutamontes grosseiro que tinha a idade para ser seu pai. Se fosse obrigada a casar-se, o marido teria de ser gentil e jovem. E mais. Seria preciso que soubesse valorizar-lhe a alma sensível. Afinal, vivera num mosteiro desde a in fância. Para ela os homens eram uma incógnita.
Após muita insistência, o pai concordara em permitir-lhe a escolha do marido.
Naquela altura, nada mais importava. Era improvável que ela e o belo sir Mike voltassem ao castelo de Swan, a menos que um deles conseguisse elaborar um belo estratagema de fuga.
Se estivesse no castelo, sentada diante da enorme lareira e entretendo os familiares com uma história a respeito de um ataque escocês onde uma donzela normanda fora capturada, qual seria o final? O atraente sir Mike seria o herói que a salvaria do destino nefando que a aguardava? Praticamente impossível. Mike jazia inconsciente no chão, com os punhos amarrados em uma estaca.
Um ligeiro movimento do outro lado chamou-lhe a atenção. Uma das mãos de Edward estava livre. Ele puxou devagar as correntes que o atavam. Em vão. Bella suspirou. A salvação também não viria dali. Ela mesma teria de libertar-se.
Tinham sido trazidos para o norte, atravessando várzeas e colinas íngremes. Bella tinha certeza de que poderia encontrar o caminho de volta, caso conseguisse escapar. Escurecera. Fi tou as amarras de couro que a prendiam no pilar de madeira. Já ferira os pulsos em conseqüência das inúmeras tentativas de tirá-los do que os prendia.
De repente, fez-se um silêncio ameaçador. Os aldeões ca laram-se com a aproximação do líder ruivo e barbado. Bella ergueu-se sobre os joelhos. O chefe viera com outro homem, este com cabelos negros. Ela sentiu a pele arrepiada ao ver como os dois a miravam.
O segundo também usava barba e tinha um olhar penetrante que pareceu despi-la. Ele vestia calça justa de lã e uma túnica de pele que lhe deixava o peito e a barriga protuberante descobertos. Nos braços grossos, trazia pulseiras de aço trabalhado.
Bella se enganara. O chefe do clã ou da aldeia era o mo reno. Ele transpirava confiança e poder.
As mulheres que não paravam de rir haviam sumido, à en trada dos dois homens no recinto cercado. Bella ergueu o queixo e endireitou os ombros. Afinal de contas, era a filha do barão Charlie Swan e afilhada da rainha Mathilda. Não seria acuada por aqueles bárbaros.
O homem moreno segurou-lhe os cabelos e dobrou-lhe o pescoço para trás. Bella não conseguiu evitar um grito. O camarada falou com o homem ruivo que sacudiu a cabeça e respondeu no idioma deles.
Os olhos de Bella lacrimejaram por causa da dor no couro cabeludo. O homem a segurava com muita força. Se ela se movesse, ele poderia arrancar-lhe os cabelos pela raiz. Ele acariciou-lhe o pescoço e os ombros. Em seguida apertou-lhe os seios. Bella cerrou os dentes e suportou a indignidade em silêncio. Mas quando ele levantou-lhe as saias, Bella atingiu-o com um pontapé.
O bárbaro atirou a cabeça para trás e gargalhou, deixando à mostra dentes escuros e corroídos. Ele a soltou de repente e Bella caiu para trás. Ela ignorou a dor dos pulsos e da cabeça e fitou Mike à procura de ajuda. Ele continuava inconsciente do outro lado do cercado.
Edward voltara a ficar imóvel. Bella perguntou-se se o ato fora intencional para não chamar atenção. Ou Edward poderia estar morto. Oh, Deus! Lágrimas lhe toldaram a visão e o queixo começou a tremer. Não posso chorar! Bella piscou várias vezes, inspirou fundo, tornou a sentar-se e não deu maior atenção aos dois homens que discutiam a seu respeito.
O ruivo curvou-se para cortar as tiras que a prendiam, mas o moreno impediu-o de executar a tarefa. Aparentemente con cordara com o preço do ruivo e deixou várias moedas na mão engordurada do outro.
Lady Isabella Swan compreendeu que acaba va de ser vendida como escrava.
Mordeu o lábio para conter a humilhação. Conseguiu manter-se impassível enquanto o homem ruivo se afastava, depois de enfiar na algibeira as moedas recém-ganhas.
Em seguida avaliou todas as possibilidades que teria para matar o Barba Negra, como o chamaria agora.
Edward tentou virar a algema para os lados, apesar da dor e do sangramento nos pulsos. Procurava esticar a mão para frente ao máximo. Empenhava-se na tentativa de segurar a corrente que o mantinha preso no chão. A distância era muito curta e o efeito alavanca, pequeno. Mas era preciso tentar qual quer coisa.
Os malfeitores haviam levado Bella com eles e o mais ig norante dos soldados conhecia o significado de tal atitude.
Quando ela fora retirada do cercado, pela primeira vez Edward a observara com atenção. Nem mesmo sabia por que ficara tão chocado com a aparência da jovem nobre e bela.
Ela se encontrava desarrumada e suja. Os cabelos castanhos caíam pelas costas em grumos desordenados. A saia externa de seda fora arrancada. A jovem permanecera vestida apenas com o camisão tênue e a anágua rota. Os poucos detalhes não visíveis do corpo esbelto eram facilmente imagináveis.
Descalça e com as mãos amarradas para trás, tropeçou no piso irregular enquanto era empurrada para frente pelos es coceses. E Edward nada pudera fazer.
Também não lhe agradaria responsabilizar-se por Bella. Uma coisa era lutar, homem contra homem, em defesa da pá tria ou de uma propriedade. Essa outra se tomaria uma batalha particular e poderia causar-lhe sofrimento moral. O dever para com ela era muito semelhante à incumbência que o pai lhe dera antes de morrer, há muitos anos.
Edward não fora capaz de proteger a mãe e a irmã que ti veram morte horrível. Os escandinavos haviam destruído a propriedade de sua família. Assassinaram seu pai e todos os que se opuseram à pilhagem. À beira da morte, Anthony Cullen mandara o jovem Edward levar a mãe e a irmã para um esconderijo. Os três foram apanhados pelos assassinos bárbaros.
Seria melhor esquecer aquelas lembranças. Ele sobrevivera. E escaparia dos atacantes mais uma vez. Com ou sem Bella. Frustrado, puxou a corrente com toda a força que conseguiu imprimir ao pulso que latejava por causa dos ferimentos. No entanto, era preciso maior cautela para não fazer ruído e não alertar os sentinelas que haviam permanecido de guarda. Fe chou a mão sobre a corrente para evitar que os elos choca lhassem e puxou com a energia que lhe restava.
A peça foi movida ligeiramente. Se conseguisse arrancá-la do chão, seria mais fácil fazer o mesmo com a outra mão. Mas também seria possível que os soldados notassem os movimen tos estranhos.
Se pudesse usar as correntes soltas dos braços como armas, teria uma boa vantagem sobre os guardas.
A pouca luz do entardecer favoreceu Edward. Precisava li bertar-se antes que os guardas acendessem as tochas e per cebessem o que se passava. Ainda não vira Mike, mas era bastante provável que o cavaleiro estivesse por perto. O man cebo poderia estar inconsciente, deitado a certa distância. Por causa do olho cego, Edward poderia não tê-lo visto.
As pedras grosseiras do chão feriam os pés descalços de Bella. O algoz a empurrava com brutalidade, enquanto dei xavam para trás várias cabanas de madeira. Para evitar que o pavor a paralisasse, Bella observava cada choça e tomava nota dos menores detalhes. Baldes, carroças, animais e montes de peles.
Ninguém viria em seu socorro. Mike e Edward não se encontravam fisicamente aptos, além de estarem muito bem amarrados. Não adiantaria esperar por nenhum herói que vies se resgatá-la. A situação delicada não fazia parte de uma his tória fantasiosa contada no solário de sua mãe ou no salão nobre do pai. Bella estremeceu com a idéia do que lhe fora destinado. Suportar todas as iniqüidades que o tirano resolves se impingir-lhe.
A maior habitação da aldeia era uma grande cabana de ma deira com duas janelas fechadas, telhado de colmo e uma porta de madeira reforçada. Bella desconfiou que era onde o chefe do clã, o Barba Negra, a esperava.
Ao lado da porta, dois escoceses espadaúdos montavam guarda, munidos de lanças. Eles sorriram com malícia e tece ram comentários em voz baixa. Quando os dois começaram a rir alto, Bella não hesitou mais. Virou-se e correu.
Bella tentou despistá-los, com a vantagem da surpresa. Dis parou para o lado e rodeou a moradia. Teve esperança de que a velocidade impedisse os captores de a alcançarem. Outra hipótese seria distrair todos para que Mike e Edward tives sem oportunidade de escapar.
Mas aquela era uma suposição irracional e Bella teve de abandoná-la. Deteve-se no único pensamento que lhe impor tava no momento: fugir. Sentiu-se nauseada ao recordar a ima gem daquele bárbaro estendendo os dedos gordos para tocá-la. Bella, correndo com as mãos amarradas às costas, não ou viu os gritos atrás de si, nem sentiu dor nos pés feridos. Con tinuou o trajeto desesperado para frente, em direção às co linas, onde as ovelhas pastavam pacificamente no lusco-fusco do entardecer. Não pensava para onde iria. Só queria afastar-se daquela aldeia... E do destino que a aguardava.
De repente uma dor aguda na planta do pé a fez desequili brar-se e cair. Tentou levantar-se. Uma tarefa muito difícil para quem estava com as mãos atadas. Rolou para o lado e procurou ficar em pé. Mas foi agarrada com rudeza e levantada de uma só vez.
Um homem jogou-a no ombro e Bella gritou desesperada. A posição impedia-a de respirar e machucava-lhe os braços. Alguém lhe deu um soco. Bella mordeu os lábios para não gritar de novo. Ninguém a ajudaria e ela mesma nada podia fazer.
O grandalhão carregou-a para a moradia do chefe do clã e jogou-a sobre um monte de peles ao lado do fogo. Os homens conversaram com o líder e usaram palavras ásperas. Na certa revelavam a ousadia da prisioneira que tentara fugir. Bella conseguiu ficar de joelhos e avaliou o grande recinto. A ilu minação era feita com velas de sebo e o cheiro delas espalha va-se pelo ambiente. Restos de uma refeição gordurosa esta vam sobre uma mesa situada em um dos cantos. Ao lado dos ossos descartados, uma pequena faca.
Bella afastou o olhar da lâmina e abaixou a cabeça. Os cabelos caíram para frente e cobriram as laterais do rosto. Se ela não fitasse o objeto, o sujeito poderia esquecer que deixara ali a faca. Seria fácil apossar-se do objeto que poderia servir de arma, se conseguisse distrair o Barba Negra por al guns minutos.
Antes de qualquer coisa, teria de fazer com que ele cortasse as cordas que lhe prendiam os pulsos. Ele teria um punhal no cinto? Bella observou-o de maneira disfarçada e a resposta foi positiva. O homem tirou a espada da bainha depois de despedir os sujeitos que a haviam trazido e fechar a porta. Bella engoliu em seco. Haviam ficado a sós. Ele se voltou e falou com ela.
Bella procurou virar-se e ficar em pé. Mexeu os braços e os pulsos atados.
— Solte minhas mãos — ela pediu.
Apesar da voz trêmula — o que a desgostou — e de saber que ele não a entendia, Bella teve certeza de que ele com preenderia sua pretensão. Barba Negra deu alguns passos em sua direção e Bella esforçou-se para não tremer. O sujei to, um gigante, deteve-se, soltou o cinto e deixou a calça cair no chão.
Bella cerrou os lábios para não gritar diante da exuberância da masculinidade que ele exibia, orgulhoso. Apesar de ingênua em muitos aspectos, tinha certeza do que aconteceria naquele recinto, se não tomasse alguma providência.
Inspirou fundo e desviou o olhar do que a ameaçava. Pre cisava manter a compostura, se desejava vencer o chefe esco cês pela astúcia e apoderar-se da faca.
Passou a língua nos lábios e percebeu que ele se inflamava ainda mais, como se isso fosse viável.
— Eu não lutarei mais e procurarei colaborar no que for possível — Bella assegurou, como se ele pudesse entendê-la. Seu objetivo era manter uma calma aparente, sem demons trar medo nem repulsa. Se não o enfrentasse com rebeldia, talvez ele a libertasse das cordas. Era preciso não perder a esperança de que ele ficasse desprotegido por alguns instantes. O suficiente para ela agarrar a faca.
Bella sentiu as pernas trêmulas, quando ele chegou mais perto. O escocês tirou o punhal do cinto. Bella prendeu a respiração. Barba Negra segurou as cordas e cortou-as de um só golpe.
As mãos inertes penderam dos braços doloridos. De ime diato foi impossível mexer um só dedo.
Bella virou-se e sorriu, trêmula.
— Obrigada.
Ela não era versada na arte da sedução, mas teria de imitar os flertes que presenciara no castelo de seus pais entre criadas e cava lariços, entre damas e cavaleiros. Testemunhara várias vezes o cortejar que envolvia rituais com que homens e mulheres procuravam atrair o interesse do futuro parceiro. Apesar disso nunca imaginara o que se escondia sob o calção dos rapazes nem que aquilo pudesse ser empregado como arma.
Bella recuou alguns centímetros rumo à mesa. O Barba Negra seguiu-a. Ele tornou a falar, mas ela se concentrou em seu objetivo. A custo de um grande esforço para não vomitar, levantou uma das mãos e afastou-lhe os cabelos da testa, à guisa de carícia. Precisou de toda a sua força de vontade para não retroceder. A juba do sujeito era áspera e imunda. Bella passou a palma nos cabelos enrolados.
Era imprescindível encantá-lo. Fazê-lo esquecer tudo, exceto que a desejava.
Lentamente, Bella tocou no decote do próprio camisão e segurou o cordão fino que mantinha a peça no lugar. Mais um passo para trás e conseguiria alcançar a beira da mesa.
— Espero que não tenhamos de levar isso a extremos — ela sussurrou, ao agarrar a faca com a mão livre.
Desamarrou a corda delgada com vagar. Antes de o corpete cair, o Barba Negra investiu.
Edward não tem um globo ocular, e daí? u.u
Eu também jogo tibia e ouço Restart, e daí? u.u
Tá, parei XD
Aii, tem muita agressividade para o meu coração no começo i.i
Mas você sabe que tudo dá certo no final, sempre ;p
Beijos!
Comente,se estiver gostando... E se não estiver gostando, comente também ^^'
Eu não estou pedindo dez, vinte reviews para eu postar o próximo capítulo; eu só preciso saber se tem alguém interessado em lê-lo -_-
