bee jane: Eu também não sou muito chegada no Mike não :B

Senhorita x: Lorde do Deserto, é? Eu baixei o livro para ler... Você pode até me criticar, mas eu nunca baixaria se o livro não fosse de difícil acesso =S (já leu os livros da série Terras Altas de Hannah Howell? Eu estou lendo Highland Knight e estou gostando muito!)

roosi: AAHHH, que bom que você está gostando! Eu vou tentar postar o mais breve possível :)

Ludmilaaa: A história vai ficando mais instigante a partir deste capítulo, ao menos essa é a minha opinião; agora eu quero saber a sua ;D

claire1903: Juro que pensei a mesma coisa o.o

~ Obrigada pelos comentários! ~


Edward acordou por volta do meio-dia. A chuva dera uma trégua e o céu começava a clarear. Bella continuava dormindo e Mike estava inconsciente. O ferimento em sua cabeça não permitia um bom prognóstico, considerando-se que ele vomitara por isso. Edward tinha alguma experiência na arte de curar e sabia que uma pancada no crânio poderia causar a morte muitas horas após a ocorrência.

Mas nada poderia fazer por Mike. No momento não dis punha de ervas ou poções. Nem mesmo tinha condições de manter o enfermo aquecido. Se ele morresse, Bella teria de procurar outro marido.

Os cabelos de Bella haviam secado e se transformaram numa massa de cachos castanho-avermelhados. Mas por causa da chuva, es tava bem mais limpa de quando a socorrera ao lado da cabana em chamas.

Edward imaginou o que na realidade acontecera dentro da moradia do líder escocês. Com toda a certeza lady Bella não matara o homem como ela imaginava ter feito. Nenhuma mulher normanda, principalmente uma tão bem-nascida como lady Bella, poderia ter dominado o homenzarrão de barba ne gra e tê-lo matado com a arma pertencente a ele. Teria de haver outra explicação.

Bella estava deitada de lado, com um braço debaixo da cabeça e as mãos sob o queixo. A pele dos pulsos estava com escoriações, as unhas mostravam-se dilaceradas e sujas. Havia manchas de sangue nos dedos. A expressão de seu rosto exibia a pureza de uma criança. Entretanto as curvas mal escondidas pelo tecido fino e úmido da camisa eram o de uma mulher em pleno viço. As faces estavam encovadas e apresentavam uma grande mancha roxa. Havia hematomas também espalhados pelo corpo.

Edward desviou o olhar antes de começar a apiedar-se de Bella. A comiseração seria inaceitável. Só lhe importava sal var todos da situação precária em que se encontravam.

Tinha prática suficiente para saber que as condições tende riam a piorar. Seria preciso sair dali para encontrar comida. E o mais depressa possível. Ele passava fome desde que fora capturado. Admirava-se que ainda tivesse energia para lutar.

Edward foi até a beira da água e examinou a linha da mar gem, à procura de um lugar com melhores condições para um pequeno descanso.

Seria preferível terem ido para leste. Porém mesmo que conseguisse remar contra a correnteza, os penhascos escarpa dos naquele local impediriam qualquer atracação. As monta nhas de pedras continuavam a oeste, mas a curva permitia uma visão mais clara do local.

— Dá para ver algo que nos seja útil?

Virou-se ao ouvir a voz de Bella. Conseguira abafar todos os resquícios de desejo, mas quando a olhou, o esforço caiu por terra. Bella segurava o corpete fechado com pura modéstia e a camisa longa colava-se no corpo por causa da umidade. Os pequenos ferimentos e as manchas roxas espalhadas nos braços e rosto faziam-na parecer indefesa. Edward enfureceu-se pela vontade que sentiu de acarinhá-la.

Para ser sincero, não se conformava com o que vinha acon tecendo desde a noite da comemoração no castelo de Swan. Nemcom a própria falta de perícia em proteger Bella e todos os que haviam sido capturados ou mortos. Sem pensar na simplicidade de lorde Charlie, por ter reunido tantos normandos antes de completar a construção da fortaleza e por deixá-los expostos ao perigo. Recriminava-se também por não ter agido antes, sabendo como era fácil falhar na proteção daqueles que mais precisavam da mesma. Mulheres e crianças.

— Não há nada a leste — ele respondeu à pergunta de Bella. — Até onde a vista alcança, somente escarpas altas e íngremes.

Bella aproximou-se da beira da água. O vento enfunava a barra da camisa e levantava-a acima dos tornozelos. Edward desviou o olhar. Bella não tinha idéia de como era sedutora, nem da dificuldade que ele enfrentava para não se incomodar por isso. Edward recusava-se a afundar no pântano do desejo e passar a depender disso.

Aprendera a agir com indiferença e não permitia que emo ções o governassem. Elas causavam muito sofrimento.

— A água corre com rapidez por aqui — Bella comentou.

_ É verdade. Se nos mantivermos próximo da margem e deixarmos a corrente agir...

— Esse não é o caminho certo — Bella protestou. — De vemos ir para leste e para o sul.

Edward cruzou os braços na altura do peito e rezou para que Bella o imitasse. Assim não seria tentado a cobiçar-lhe os seios fartos e eretos, nem os mamilos que se projetavam por causa do frio. Apontou com a cabeça uma área verde a oeste.

— Usaremos a correnteza para chegar até aquela enseada. Dali poderemos caminhar para o interior e encontrar uma trilha que nos leve para o sul.

— Como é que o senhor sabe...

— Não sei. Mas é nossa única opção.

Edward voltou até o barco e puxou-o do recanto onde Mike continuava desmaiado. Ajoelhou-se ao lado dele, afastou-lhe os cabelos da testa e examinou a protuberância da têmpora. Era do tamanho de um ovo de galinha, púrpura e verde. Le vantou as pálpebras do rapaz e nada percebeu de errado. Os dois olhos estavam no lugar. E como os globos oculares lhe pareceram normais, era provável que o jovem superasse os efeitos da pancada na cabeça, se não ocorresse nenhuma outra complicação.

Edward levantou-se e arrastou o barco até a beira da água. Endireitou-o e voltou até onde Mike estava deitado. Determinado, concentrou-se nas tarefas que teria pela frente. Esse era seu forte. Enfrentar batalhas e aspectos práticos de sobre vivência. Não era o momento de desperdiçar energia preocupando-se com o estado de um nobre raquítico ou com os pequenos ferimentos de Bella. Ela estava em condições de ficar em pé de andar e até de remar. Os dois teriam de combinar forças e recursos, se pretendessem vencer as agruras.

Deveriam ter posto as peles para secar. Elas formavam um monte encharcado na beira da água. Edward ainda estava era posse da espada que tomara do sentinela. Felizmente não a perdera durante a noite, em meio à tempestade, como acontecera com o remo. Apesar de ter sido frustrante perder o remo, Bella não fora culpada. O barco batera nas pedras e por pouco Bella não caíra junto. Ela nada poderia ter feito.

Levantou o mancebo do chão, levou-o até o barco e virou-se.

— Pode entrar, lady Bella. Eu empurrarei o bote para a água e...

A nudez quase total de Bella tomou a perturbá-lo, apesar da certeza de que ela não o tentava intencionalmente. As aten ções dela estavam fixadas em Mike.

Edward tirou a túnica pela cabeça e entregou-lhe.

— Vista isto, milady. Ficará mais... Aquecida.

E coberta. Caso contrário, seria impossível manter a mente centrada de modo exclusivo nos objetivos prioritários do mo mento.

Seria pedir demais que sir Edward Cullen não houvesse notado a inconveniência de seu traje. Ou melhor, a falta dele. Bella sentiu o rosto em fogo de tanta vergonha. De olhos baixos, aceitou o oferecimento e vestiu a peça pela cabeça.

Abriu a boca para agradecer e desistiu em seguida, por não saber o que diria. Confusa, não queria ofendê-lo com alguma palavra inadequada.

Bella nunca vira um homem de tórax desnudo. Nenhum dos trabalhadores ou sacerdotes que freqüentavam o convento ousaria despir-se nas dependências da comunidade religiosa. E mesmo que o fizessem, certamente nenhum deles teria a estrutura física impressionante de Edward Cullen.

A calça estava presa abaixo da cintura e Bella ficou admi rada com os músculos rijos que ondulavam no abdômen.

Os pêlos dourados que cobriam o peito desciam pelo centro e escondiam-se sob a calça. Bella imaginou se a masculini dade de sir Edward era...

Não deveria imaginar nada!

Desviou o olhar. O calor repentino certamente se devia à túnica de sir Edward que ela acabara de vestir. Enrolou as man gas para cima e fitou as mãos cheias de bolhas. Permanecia a sensação estranha de que o sangue viscoso do Barba Negra penetrara em sua pele.

— O que vamos fazer agora? — Bella perguntou, decidida a cooperar.

— Empurrarei a embarcação para a água. Eu a manterei firme enquanto milady entra e depois pularei para dentro, en quanto milady segura.

O barco pesava mais do que aparentava e era muito desa jeitado para quem tivesse de manobrá-lo em terra. Bella admirou-se por Edward ter conseguido tirá-lo da água, quando haviam atracado. Ajoelhou-se no solo pedregoso e ajudou-o a empurrar o único meio de transporte de que dispunham nas atuais circunstâncias.

O barco foi abaixado na água. Bella entrou e depois em preendeu uma boa luta até Edward conseguir embarcar. Teve de ficar em pé e agarrar-se nas rochas para impedir que o bote se afastasse antes de Edward entrar.

Edward assumiu sua posição no centro do barco. Mike foi deitado na frente, e Bella seguia atrás, incapaz de tirar os olhos dos músculos das costas de Edward que se movimentavam no ritmo do remo.

Não se conformava como Edward ainda podia mover o bra ço, ele tinha um enorme ferimento no ombro. E pior. Ele ma nobrava o barco com destreza, mantendo-o próximo da mar gem, evitando as rochas e as águas turbulentas. O trajeto era muito difícil. Com freqüência, Edward era obrigado a usar o remo para desviá-los das pedras pontudas e protuberantes que impediam a passagem. O que não o impedia de mantê-los afas tados da correnteza igualmente perigosa. Edward levou-os rio abaixo devagar, em direção à enseada que avistara antes.

Mike permanecia inconsciente, o que deixava Bella muito preocupada.

— Será que sir Mike... — Bella engoliu cm seco. — Re ceio que ele... Existe a possibilidade de sir Mike...

— Morrer?

— Fale baixo! E se ele o ouvir?

— Se ele me escutar, saberá que suas condições são pés simas.

Bella inspirou fundo. Seus piores receios eram confirma dos. Assustada, levantou o olhar até o final do escarpamento alto que se avizinhava. Mesmo se conseguissem encostar o barco em um lugar seguro, o doente não teria condições de prosseguir a pé e muito menos escalar o paredão de rocha. Quando recobrasse a consciência, seria necessário um bom tempo de recuperação. Só depois poderiam pensar em um trajeto que os conduzissem ao sul. Sem esquecer do detalhe mais importante. Seria imperativo passar longe da região dominada por es coceses.

E se sir Mike não resistisse?

Na verdade, havia a probabilidade de qualquer um dos três vir a falecer. Ou de todos morrerem. O barco poderia ser le vado pela corrente fluvial e despedaçar-se de encontro às ro chas. Mike não teria como sobreviver e Bella não era exímia nadadora. Edward certamente sabia nadar, mas conseguiria sal var a si mesmo e a eles?

Edward governava o bote com um só remo, e Bella não tinha idéia de onde ele tirava energia para continuar no rumo certo. Ela fitou as próprias mãos. Mesmo que não houvesse perdido o instrumento de madeira, era quase certo que não poderia manejá-lo. Bolhas, sangue e ulcerações cobriam as palmas e os dedos. Os ossos das mãos estavam tão doloridos como se um carro de boi houvesse passado sobre elas.

Sua vida não fora cheia de mimos. Até se admirava que um pouco de trabalho houvesse provocado um efeito tão devastador. Na abadia, todas cumpriam as tarefas com afinco na cozinha e nos jardins. No entanto... Nunca tivera de matar um homem. Enfiou as mãos na água e esfregou-as. A sensação de estarem ensangüentadas não desaparecia.

Horrorizada pelo que fizera, fechou as mãos em punhos e olhou para frente. Para o destino imediato deles.

A angra apareceu com maior clareza. Uma saliência de ter ra, pinheiros esparsos, solo escuro coberto de turfa. Um imen so rochedo de pedra elevava-se próximo de onde eles iriam encostar.

Bella combateu uma sensação de enjôo à vista de tamanho obstáculo e de desespero. Não lhe ocorria onde encontrariam um caminho que os levasse para o sul, para longe do rio. Sabia que jamais conseguiria escalar nenhum precipício da quela altura.

— O que faremos depois de chegar à enseada? — ela per guntou com esperança de que Edward não afirmasse que teriam de subir.

— Não posso afirmar nada, até chegarmos lá.

— Pretendo permanecer ao lado de sir Mike.

Edward nada respondeu, nem mudou o ritmo de velocidade do barco. Era como se não houvesse escutado a afirmativa, o que era pouco provável. Era possível que Edward Cullen prosseguisse viagem sozinho, assim que pisassem em terra fir me. Mike certamente não poderia caminhar.

Bella fitou o provável futuro marido que continuava inerte na frente da embarcação. A postura era a de uma criança dor mindo sem preocupações, protegido por pais zelosos.

Era uma comparação injusta. O rapaz estava gravemente ferido. Sentiu um nó na garganta, quando pensou no destino do jovem lorde. Eles estavam nas mãos de Deus e a ela só restava rezar pela misericórdia divina.

Edward manobrava cuidadosamente o barco próximo à mar gem irregular, mas a turbulência das águas aumentou e a na vegação tornou-se mais perigosa.

Os músculos de Edward retesavam-se a cada movimento com o remo. Bella temeu que ele não conseguisse mantê-los fora da situação de risco e sentiu-se uma inútil por não poder ajudá-lo.

— Há uma cachoeira ali na frente! — gritou Edward. Mais uma vez o barulho do vento e das águas impedia que eles se ouvissem sem terem que gritar.

Bella entendeu que Edward chegava ao limite de suas forças na tentativa de impedir que eles despencassem na queda-d'água. Ele lutava com furor para evitar que a força do rio os puxasse, o que se tornava mais difícil à medida que se apro ximavam da catarata.

Depois de alguns minutos, Edward tentou uma manobra de atracação na baía e o bote roçou nas pedras.

— Lady Bella! Vá para a esquerda! Faça força contra as rochas para que nos afastemos!

O barco balançou com a mudança de posição de Bella, mas continuou flutuando. Edward conseguiu sair da correnteza ameaçadora e entrar nas águas calmas da enseada. Impulsio nou o bote de encontro à saliência de terra rochosa e desem barcou de maneira desajeitada para equilibrar o barco. Pendu rou-se no remo, enquanto Bella agarrava a outra extremidade para manter o bote no lugar. Tirou Mike de dentro e ajudou Bella a descer. Em seguida, para assombro dela, ainda puxou a embarcação para fora da água. Edward Cullen largou-se no chão, imóvel. Teria desmaiado?

Bella não lhe percebeu nenhum movimento, exceto o do peito que se erguia e abaixava, arfando. Ajoelhou-se ao lado de seu pretendente, que estava com respiração normal.

— Sir Mike? — Bella tocou-lhe a testa.

Ele se mexeu um pouco, virou-se, mas não abriu os olhos. Deu um pequeno gemido.

— Pode escutar-me, sir Mike?

Nenhum sinal de entendimento. Bella afastou a mão e se gurou o próprio tornozelo. Era preciso ver onde haviam atra cado e procurar por uma maneira de sair dali.

Levantou-se e deu um passo. Quase caiu por causa da dor no pé ferido durante a fuga da aldeia escocesa na noite anterior. Encostou-se no tronco maciço de uma árvore próxima e le vantou a perna. Grande inchaço e forte vermelhidão rodeavam um ferimento profundo na planta do pé. O terror e o desespero para fugir impediram que prestasse atenção à ferida. Naquela altura, o pé inteiro latejava sem parar.

Se estivesse no castelo de seu pai ou na abadia, haveria tempo para queixumes e mimos. Não poderia dar-se a esse luxo no mo mento. Rasgou uma tira da barra da camisa estragada, sentou-se e enfaixou o pé. Ergueu-se de novo e, mancando, iniciou a exploração do local.

O terreno era coberto de seixos pontiagudos e arbustos bai xos. Árvores altas obscureciam o aspecto aterrador do paredão imenso de rocha cinzenta que bloqueava qualquer caminho rumo ao sul. Olhou para cima. Árvores e raízes. Nada mais. Mais próximo da muralha, via sinais de um povoado. Um anel de fogueira extinta e um velho bote abandonado entre os ar bustos, perto da base do muro.

Quem teria acendido aquela fogueira? perguntou-se. Como teriam chegado até ali? No bote que estava apodrecendo? Se continuasse a busca, descobriria uma trilha ligando a enseada ao alto do despenhadeiro?

Caminhou mais um pouco e encontrou uma cruz de madeira fincada no chão, em frente a uma abertura na parede rochosa. Surpresa, andou até o local, convencida de que o objeto sa grado era um sinal dos Céus. Talvez a indicação de uma vereda que os afastaria daquela praia deserta.

Esperançosa, aproximou-se da cruz, A fenda escura era a entrada de uma caverna. Virou-se. Nenhum sinal de vida. Nem vestígios de um caminho, por mais estreito que fosse, que lhes permitisse sair dali.

Voltou-se para a abertura apertada e entrou. Na medida em que ia para frente, a caverna ficava mais escura, mas também mais quente. Não sentiu mais o vento gelado que soprava do lado de fora. Prosseguia devagar, colada na parede. A certa altura tropeçou, perdeu o equilíbrio e estatelou-se nas pedras duras, ferindo as mãos empoladas.

Procurou controlar o desespero e as lágrimas. Ergueu-se devagar, poupando as mãos e o pé feridos. Nisso, com a vista já acostumada à escuridão, enxergou um espectro horrível. Metade ossos e metade carne putrefata, onde outrora deveria ter existido um rosto. Isabella Swan gritou a plenos pulmões.

Edward agarrou a espada e correu, assim que escutou a voz de Bella. Repreendeu-se por não tê-la avisado para não se afastar. Tarde demais. Ao ver sinais de ocupação humana diante de uma gruta, preparou-se para uma contenda, mesmo com a pos sibilidade de um final desalentador. Sentia-se mais fraco. Sua energia diminuíra consideravelmente. Seria quase impossível resgatar Bella se o atacante estives se disposto a uma luta feroz.

Bella saiu correndo da caverna no mesmo instante em que Edward se aproximou. Ele a segurou pelo braço e empurrou-a para trás de si.

— Quantos estão aí dentro? — Edward indagou, levantou a arma e ficou imóvel.

— Um — Bella afirmou com voz estridente. — Vi somente um. Ele era horrível!

Edward preparou-se para atacar, mas ninguém apareceu.

— Ele estava armado?

Bella não respondeu, e Edward virou-se para ela para ver as lágrimas brilharem nos belos olhos cor de chocolate e o queixo tremulo.

— E... Ele e... Está m... Morto — ela gaguejou. Edward abaixou a espada.

— Milady matou outro...

Não houve tempo de preparar-se para a réplica. Bella jo gou-se em seus braços e começou a soluçar.

— Eu f... Fiquei c... Com t... Tanto m... Medo...

Bella pressionou o rosto no peito másculo. Por instinto, Edward abraçou-a pelos ombros. Bella era delicada e pareceu-lhe vulnerável. Ele se sentiu deslocado, inconveniente. Não fizera nada por Bella. Não impedira que fosse raptada, não a resgatara no castelo de Swan, nem a salvara do escocês de barba negra. E então aquilo!

— Não sei há quanto tempo ele está morto — Bella alegou, tremendo. — Acho que não muito... O corpo ainda...

— Milady não o matou?

— Eu? Oh, não. O cadáver estava esticado lá. Eu tropecei e... Caí sobre ele.

— Espere-me aqui.

Edward afastou-a e entrou na gruta. Esperou um pouco para a vista adaptar-se à escuridão. Não demorou muito e deparou-se com o defunto. Ajoelhou-se em uma perna e examinou-o. Era o corpo de um homem. Talvez o de um homem santo, a julgar pelo crucifixo preso em um fio fino de couro. Levantou-se e examinou o local. Encontrou restos dos pertences do morto.

Edward saiu da caverna. Bella estava de costas, tremendo de frio. A túnica era grande demais para ela. As pernas estavam desnudas para baixo dos joelhos e ela enfaixara um dos pés com uma tira rasgada da camisa.

A visão da silhueta delicada e frágil comoveu-o. O que não lhe agradou de maneira nenhuma. Edward abandonara toda a sua ternura junto com as mortes violentas de sua família. Não pretendia aumentar a fila de pretendentes à mão de lady Isabella Swan.

— Lady Bella, por favor, volte para cuidar de sir Mike. Fique com ele até o meu retorno.

Ela concordou com um aceno de cabeça e afastou-se, dei xando o morto aos cuidados do cavaleiro Edward Cullen.

Não demorou muito e Edward encontrou tochas e pedernei ras dentro da caverna. Acendeu archotes e a gruta foi ilumi nada. Havia ferramentas, utensílios de cozinha e peles. Tirou as roupas do defunto e enrolou-o em uma das peles. Puxou-o para fora da caverna e arrastou-o até a margem. Não havia local para enterrá-lo. Por isso jogou-o para dentro do bote de teriorado e levou o conjunto para a água. A forte correnteza encarregou-se do resto. Em alguns minutos, o bote sumiu do raio de visão dele.

Voltou ao local onde deixara Mike. Sentada ao lado dele, Bella cuidava de um ferimento no pé. Edward abaixou-se e segurou o pé de Bella. Lamentou não estar com sua extensa coleção de ervas curativas e ungüentos que eram guardados em seu quarto de Belmere. Contudo, um linimento teria de ser preparado com urgência. Se percorresse as redondezas, seria provável encontrar algo proveitoso crescendo no final da estação. Edward soltou-lhe o pé e pôs Mike sobre o ombro.

— Vamos. A caverna está vazia. — Levantou-se. — Po deremos usá-la como abrigo até este rapaz se recuperar.

Bella seguiu-o em silêncio e quando se aproximaram da cruz de madeira, Bella parou. Edward sentiu o nervosismo dela, mas dessa vez não se co moveu. Apressou-a com rispidez, apenas com o intuito de con vencê-la a entrar. Disse que precisavam descansar e que a caverna era o melhor lugar de que dispunham no momento para um repouso.

— O corpo já não está mais aqui!

— Eu sei. Vi quando o senhor lançou-o na água.

Edward adiantou-se e carregou o jovem inconsciente para dentro da gruta. Deitou o enfermo no catre do eremita e co briu-o com uma das peles. Apanhou a panela do falecido e saiu. Havia tarefas a serem executadas, antes de permitir-se um descanso. E antes de cometer o erro de consolar uma jovem atraente de cabelos castanhos que estava parada na entrada da caverna, com expressão de infortúnio. Damas belas e bem-nascidas abominavam sua companhia e mais ainda seu cari nho. Ele não tinha a menor pretensão de insinuar-se nas boas graças de Bella e depois ser humilhado.

Voltou à pequena embarcação que haviam roubado dos es coceses e pegou os poucos pertences que lá haviam deixado. Pendurou as peles molhadas em ramos de árvores para secar e encheu a caçarola do ermitão com água fresca. Voltou para a caverna com a água e as mantas enroladas que Bella furtara do chefe escocês. Ela entrara na caverna e estava sentada perto de Mike. Abraçada em si mesma e com as pernas sob o corpo. A tez mostrava-se ainda mais pálida sob a luz tremeluzente das tochas que ele acendera antes. Os hematomas e o lábio ferido realçavam-lhe a beleza delicada e as diferenças entre os dois mundos. A nobreza de Isabella Swan e a simplicidade do cavaleiro Edward Cullen.

Edward entregou-lhe uma das mantas secas. — Use-a. Assim milady se aquecerá. Edward deixou a vasilha no chão e apanhou um dos archotes. A lareira não passava de um círculo de pedras. Havia fuligem na parede e uma pequena linha de claridade no teto da furna. A ventilação seria adequada. Não demorou muito e Edward acendeu um belo fogo. Sentou-se no chão, defronte a Bella e Mike. O estômago roncou e lembrou-o da fome. Isso signi ficava que teria de caçar para que pudessem comer. Se nada conseguisse pegar, aumentaria o número dos problemas. Antes de qualquer coisa, precisava de algumas horas de sono ininterrupto.

As pálpebras fecharam-se e sua cabeça pendeu. Bella che gou perto e agachou-se diante dele. Edward congregou o pouco de energia que lhe sobrara e abriu os olhos. Bella trouxera uma das mantas enroladas que ela surrupiara do Barba Negra. E quando a desenrolou, o cheiro de algo comestível foi ime diato. Edward despertou, sem saber do que se tratava.

Bella partiu um pequeno pedaço de pão e entregou-lhe o restante. Ela mirou o desfalecido e os demais itens que se encontravam dentro da pele.

— Peguei também algumas maçãs.

Edward aceitou o que lhe era oferecido e experimentou o pão preto.

— Isso estava sobre a mesa do Barba Negra — ela explicou. — Peguei tudo o que foi possível carregar.

Edward tomou água para engolir o pão seco. Estava admi rado com Bella. Em uma situação extrema, ela não somente matara um agressor, como também planejara a maneira de fugir e de levar artigos de primeira necessidade. Comida e peles para se aquecer. Atitudes bem mais sensatas do que as esperadas de muitos cavaleiros iniciantes.

Bella pegou o pedaço de pão e voltou para o lado de Mike. Um pouco de alimento mudava o ânimo. Edward sentiu-se mais disposto e decidiu explorar os arredores, enquanto havia luz do sol. Melhor isso de que observar Bella se desvelando em cuidados com o jovem pretendente desmaiado.

— Se ele acordar, faça-o beber um pouco de água — Edward avisou, antes de sair da caverna.

A julgar pelas condições do bote e pelo lar que o eremita arrumara dentro da caverna, era de se supor que o homem vivera naquele fim de mundo por um bom tempo. Anos, talvez. Edward presumiu que pudesse haver um caminho no alto do talude, mas nada encontrou. Não havia como subir e a saliência do rochedo terminava abruptamente logo depois da caverna, onde o rio cascateava sobre uma ravina escarpada e se trans formava em cachoeira.

Intrigado, retornou para a gruta, procurando entender como o eremita sobrevivera naquele local. Bella continuava a cuidar de Mike. Falava com suavidade, levantando-lhe a cabeça e tentando fazer com que bebesse água.

A visão das mãos macias alisando os cabelos daquele jovem e o som da voz terna fez o sangue de Edward correr mais rápido nas veias. Irritado, pegou uma tocha e foi até o fundo da ca verna. Tomou essa atitude antes de dar asas a seus impulsos animalescos.

Se cometesse tal insanidade, não seria melhor do que os escoceses que a haviam raptado. Nem mais honrado do que os bárbaros que haviam violado e matado sua mãe e sua irmã.

Decidido a tirar Bella do pensamento, relanceou um olhar ao redor. A moradia de pedra era maior do que lhe parecera no começo. Havia mais dois cômodos quase invisíveis por causa do teto baixo. Ajoelhou-se e segurou a tocha na primeira das entradas. Notou várias ferramentas e utensílios de cozinha esparramados pelo chão.

A abertura seguinte era uma passagem e Edward rastejou para entrar. Uma vez dentro, pôde erguer-se, mas teve de ficar curvado. Vinte passos à frente, descobriu uma grande pedra que tampava uma saída.

Deixou a tocha no chão, abaixou-se e, apesar do ombro ferido, empurrou a pedra e tirou-a do lugar.


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