Ele olhou para ela para ver sua reação. Estava pálida.
-Minha cabeça...eu acho que vou...
Ela não terminou a frase. Uma flecha atravessou a boca de seu estômago fazendo-a emitir um som estranho. Caiu no chão, tremendo, com a mão agarrando a flecha com força. Loki se agachou ao seu lado e conjurou a armadura.
-Aconteça o que acontecer, não durma.
Ela sorriu, fraca. E abriu a boca para falar, mas tossiu e cuspiu sangue.
-Shhh, poupe suas forças.
Se levantou e virou bruscamente, procurando o autor do ataque.
Droga...Há energias demais no local...
Uma outra flecha voou, porém...
-BARREIRA DE GELO!
Gelo surgiu do chão e quebrou a flecha em duas.
-Você...-murmurou Loki olhando para o pequeno prodígio que salvara sua vida. Samael sorriu, orgulhoso de seu feito.-...Não espere que eu vá agradecer, ela não está em posição de me forçar a ser cortês.
-Não esperava isso de você.
O menino se adiantou para perto da barreira.
-Você primeiro.-Disse, indicando o outro lado da barreira para Loki. Porém, não ouviu nenhuma movimentação do outro.-Que diabos você está fazendo? Vamos pegá-los!-Loki quebrou a flecha e a arrancou, fazendo Salomé gritar de dor.
-Não. Eles estão em maior número. Nos conhecem muito bem, não sabemos de que grau são. E quantas são. E ela está ferida. Eu sei que você se preocupa com ela.
-Certo. Paredes de Névoa.-Uma cerração intensa desceu sobre eles, abrindo caminho apenas para eles mesmos.
-Acha que isso aí vai detê-Las?-Disse Loki apontando para a névoa.-A neblina do meu banheiro é mais espessa.
-Querem parar de discutir como crianças? Vamos cair fora daqui logo antes que eu entregue vocês para quem quer que eles sejam.-Disse Salomé, entre dentes, respirando com dificuldade.
-A senhora é quem manda.-E a segurou delicadamente no braço esquerdo e pegou Samael com o braço direito, como um saco de batatas.
-Me SOLTE, eu sei andar e não estou ferido, a Névoa levará vocês a salvo até a estalagem. Eu irei atrasá-los.
-Mas, Sama-el...-murmurou Salomé, triste.
-Você não está em posição de discutir. Ele é crescidinho. Adeus moleque. Nos vemos em vinte minutos na estalagem.
Samael assentiu e adotou posição de batalha. Os dois saíram correndo. Salomé fez cara de dor.
-Está doendo muito? Sinto muito, Iris irá cuidar de você...
Salomé se sentiu subitamente leve...A dor estava passando...
Até que não seria mau...
Eva acordou.
-Bom dia, querida.
-Bom dia, mamãe. Tive um pesadelo terrível.
-Ah é, meu amor? Foi só um pesadelo.-Disse a mulher loura, debruçada sobre a cama da filha.-Mas, querida, seus amiguinhos a esperam lá embaixo.
Ela sorriu.
-Avise-os que já estou descendo.
Trocou de roupa e escovou os cabelos.
Que estranho, era tudo tão real...
Desceu as escadas correndo com um sorriso no rosto.
-Eva!-Gritou sua amiga, Iris.
As duas se abraçaram.
-Como está sua irmã, Iris?-Perguntou ainda sorrindo abestalhada.
-Bem. Rabugenta como sempre, mas já se recuperou da queda e voltou a treinar.
-Que bom.
-Sim, é mesmo.
-E o Chaos, como vai?-Indagou, cutucando a bochecha da amiga.
Ela corou e tartamudeou.
-É, vai bem...
Riram de uma piada secreta. Passeavam pelas lindas ruas de Payon.
-Tive um pesadelo hoje, Iris.
-É mesmo? Como era?
Ela ficou séria.
-Todos morriam. Você se tornava uma andarilha e não gostava de mim.
Iris sorriu.
-Se eu me tornasse uma andarilha, iria para o mundo com você. É minha melhor amiga.
A loura balançou a cabeça negativamente.
-Não nos conhecíamos direito. Quando eu era pequena, minha casa havia sido atacada e meus pais assassinados. Fui levada embora, para o deserto e...nossa...houveram tantas coisas...
-Meus pais não permitiriam. Nossas mães são amigas. Se seus pais morressem, você ia morar conosco.
-Seria bom se fosse assim. Mas parece que eu era perigosa. Se fosse morar com vocês, todos iriam morrer.
-Isso é loucura.
-Eu sei. Muita mesmo.
-Ah, Eva, o Chaos quer lhe apresentar um novo amigo dele.
Eva corou.
-Não me interesso. Eu estou...
-...Esperando o rapaz do sonho. Eu sei. Mas o Chaos acha que esse pode ser ele.
-Será Iris?
-O que você tem a perder?-E sorriram.
Chegando no castelo, Chaos estava conversando com um rapaz moreno que estava de costas para elas.
-Ah! Eva! Esse é meu amigo, Olavo.-E ele se virou. Os olhos verdes mirando-a de cima a baixo.-Olavo, esta é a Eva, minha amiga.
-É você...
-Olá, Eva.
Eva?
-Não, não me chame assim...-murmurou ela.
-Mas esse não é o seu nome?-Indagou ele, erguendo uma sobrancelha.
-Meu...nome...?-Passou a mão pelo pescoço, procurando seu tesouro mais precioso, o colar que sua mãe lhe dera.
Cadê?
Cadê?
-Posso ajudar?-Perguntou o rapaz.
-Estou procurando meu colar... É de couro, com um pingente...de couro também. No pingente tem o meu nome gravado...
-Do que está falando, Eva?-Indagou Iris.
Eva se virou.
-Você não conhece...só eu, minha mãe e...você.-disse, apontando para Olavo no fim da frase.
-Eu? Isso é uma piada? Acabamos de nos conhecer...-Indagou ele, visivelmente ofendido.
Ela corou.
-Não...já nos conhecemos...
Iris agarrou a mão da amiga, corada.
-Não ligue para ela, foi só um sonho tolo...-Disse, entre dentes as cinco últimas palavras.
Eva arrancou a mão do aperto de Iris.
-Não foi um sonho tolo!
-Senhorita Eva, está se sentindo bem?-Indagou Olavo, se aproximando cautelosamente delas, Chaos olhava tudo de forma curiosa.
-Não me chame assim...-choramingou.
-Eva, não comece com essa bobagem...-murmurou Iris.
-Eva...
-Eva...
-Eva...
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
-Salomé, está tudo bem?-Perguntou uma Iris fora de foco se debruçando sobre Salomé, que se debatia.
-Ela está com febre...-Disse a voz de Fenris.
-Iris...Iris, segura a minha mão...Eu estou com medo...Não me deixa voltar para lá...-Murmurou Salomé, febril.
-Shh, shh, não vai acontecer nada de mau...Eu vou lhe dar uma poção que vai curá-la desse veneno...-Murmurou Iris, segurando sua mão.
Fez sinais para alguém fora do campo de visão de Salomé para que pegasse alguma coisa. Uma pessoa passou um frasquinho transparente com um líquido verde dentro para Iris que destampou e colocou na altura da boca de Salomé.
-Beba. É uma poção verde...vai curá-la...-Se virou para falar com alguém.-Eu nunca tinha visto um veneno tão potente...Não consegui dissipá-lo com "Cura", espero que a poção faça efeito.
Salomé, obediente, bebeu. A poção tinha um gosto ruim, porém a tremedeira passou e o corpo ficou menos pesado.
-Como você conseguiu se distrair a tal ponto de não perceber uma presença agressiva tão perto?-Salomé ouviu a voz de Chaos dizer.
Loki demorou a responder, como se estivesse pensativo.
-Estava preocupado com ela.-Disse, por fim.
-Preocupado? A ponto de deixar uma flecha atravessar o estômago dela de um lado ao outro?-Disse Chaos, meio maroto, meio indignado.-Você, em geral, é o oposto: neurótico.
-Não enche. Geffen tem uma grande concentração de magia e energias difusas. É difícil perceber alguma coisa aqui. Elas escolheram bem o terreno de batalha, eu fiquei desnorteado. Talvez uma Delas percebesse, porém, sou só um algoz.
-Só um algoz?-Indagou a voz de Chaos, incrédulo.
-Comparado a Elas, é. Só um algoz.
-Elas?-Indagou Iris.
-Sim. As Valquírias.-Respondeu uma voz vinda da porta.
-Samael!-Gritou, esganiçada, Salomé.
-Oi! Salomé, ainda bem que você está bem.
Ela sorriu, fraca.
-Agora que estamos reunidos, temos de vazar. Creio que você tenha apenas retardado elas, não é, garoto?-Perguntou Chaos.
-Um: não me chame de garoto, eu tenho nome. Dois: É claro que eu só atrasei. Queria que eu acabasse com Elas?! É impossível, além de serem muitas, são muito mais poderosas do que eu.
-Certo, vamos logo, todos perto de mim. Salomé, já consegue ficar de pé?-Indagou Fenris.
Salomé, com um esgar de dor, se sentou na cama e fez que sim com a cabeça. Tentou ficar de pé, porém perdeu o equilíbrio e quase caiu, porém, foi amparada por Iris, que estava ao seu lado.
-Onde está a Lidia?-Indagou Salomé, não conseguindo encontrá-la no quarto.
-Ela foi embora, disse que "tinha mais o que fazer".-Respondeu Iris com um risinho.
-Vamos.-E a esfera de teleporte ficou iluminada, atingindo a todos no círculo.- Swartzward.-Sentiram o corpo ficar leve e tudo sumir da vista.
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De repente, caíram com tudo num manto fofo de neve.
-Ai!-Gritou Iris.-Onde a gente tá? Não tá parecendo cidade nenhuma...
-É mesmo... Onde será isso?-Indagou Samael.
-Isso me é familiar, mas... eu não sei. Eu... não consigo me lembrar...-Murmurou Salomé, se aproximando de Samael e Iris para se aquecer.-Onde estão os outros?
-Não sei...Estou com medo.-Respondeu Iris. Salomé se agachou na neve e começou a cavar.-Ficou maluca, mulher?!
Ela fez que não com a cabeça e puxou uma coisa de baixo da neve com toda a força que possuía.
-Minhas coisas. Eu tenho uns agasalhos aqui.
-Devem estar encharcadas!-Gritou Iris para se sobrepor ao vento que começara a soprar ruidosamente.
-É! Mas o Sama-Sama serve para quê?!-Gritou Salomé.
Samael fez sinais para a bolsa e para a neve.
-O quê?!-Perguntaram Iris e Salomé simultaneamente, confusas.
-Temos de fazer um abrigo! Abaixo do nível da neve para estarmos protegidos do vento!-Respondeu Samael.-Nesse ritmo, vamos congelar!
Elas fizeram que sim com a cabeça e começaram a cavar, juntas.
-Não! Temos de procurar uma floresta ou uma caverna! Se não acharmos nada, ao menos nos aquecemos andando!-Gritou Samael.-Sigam-me! Vamos a favor do vento! Assim, se algum animal sentir o nosso cheiro, encararemos ele de frente!-Elas assentiram e os três puseram-se a andar.
-Não vamos achar nada nesse ritmo! E podemos estar nos afastando mais dos outros!-Gritou Iris.
-Você prefere morrer procurando eles ou ter uma possibilidade de se salvar e recuperar as forças em um abrigo?!-Respondeu Salomé.
Iris se calou.
Horas mais tarde. Quando estavam quase morrendo de fome, frio e cansaço, acharam, uma caverna.
-Espero que ela seja desabitada!-Gritou Samael.
As outras concordaram.
Entrando na caverna, era inóspita e hostil.
-Comparado ao lado de fora, é até aconchegante...-Brincou Salomé. Os outros riram, nervosos.-Faz fogo, Sama-Sama?
Samael balançou a cabeça em negativa.
-Você teria madeira?
-Talvez.-Respondeu ela.
Começou a revirar a mochila e de lá de dentro saíram roupas, agasalhos, instrumentos de primeiros socorros, um saco com frutas secas e carne salgada, "mercadoria" e...
-...MADEIRA!-Gritou ela.
Iris olhou a outra incrédula.
-Como você carrega isso para cima e para baixo? E...como suas roupas não fedem?
-Eu não carrego para cima e para baixo isso. É só quando eu vou viajar.-E deu um sorriso 100 gentil.-Minhas roupas não fedem porque...eu não sei.
Samael e Iris se olharam, incrédulos.
-Tá meio molhada, mas dá para fazer fogo. Vamos Sama-Sama eu estou congelando, literalmente.-Disse Salomé batendo palmas, como se estivesse falando com um escravo ou um criado.
-Lanças de Fogo!
A madeira crepitou e começou a pegar fogo.
-ÊÊÊÊÊÊÊÊ! Fizemos fogo!-Gritou Salomé.
- "Fizemos" vírgula!-Gritou em resposta Samael.-Eu fiz!
Salomé mostrou a língua para ele. Iris estava agachada, perto do fogo, usando parte da madeira que sobrara para fazer um "varal" sobre a fogueira e foi jogando as roupas molhadas que Salomé trouxera, juntamente com a bolsa dela, sobre o "varal".
-Aaah...Agora sim...Muito bem Sama-Sama, bom menino.-Disse ela, dando tapinhas em sua cabeça.
-EU NÃO SOU UM CACHORRO!-Gritou ele irritado.
-Tá, tá, que seja, como quiser.-Respondeu, apertando suas bochechas.
-Samael...?-Ouviram uma voz abafada, porém conhecida chamar.
-Você está ficando louca também ou sou só eu?-Perguntou Samael para Iris.
-Eu também ouvi a voz...-Disse Salomé.
-Você não conta, já é biruta.-Retrucou Samael, sem olhar para ela.-E então, Iris?
Iris olhou, assustada para os dois e respondeu:
-Sim, ouvi. Parecia a Fenris.
-FENRI-FENRI!-Salomé começou a gritar para o vento.-FAÇA CONTATO COM A GENTE! COMO VOCÊ MORREU?!
Silêncio...(Cri, cri, cri...)
-Fenris, onde você está?!-Gritou Iris.
Um grande estrondo se fez e a seguir, a caverna estremeceu.
-AAAH! Eu sabia! A ira dos céus está caindo sobre nós!-Gritava Salomé, agachada com as mãos na cabeça.
Mais Silêncio...
-Estou aqui atrás.-Disse Fenris.
- AINDA BEM QUE VOCÊ APARECEU! EU NÃO AGUENTAVA MAIS A COMPAINHA DAQUELES DOIS!-Gritou Salomé, se atirando sobre a amiga, Fenris.
Tensão pairando no ar...
-Ah, vocês fizeram fogo! Que ótimo, estávamos congelando!-Disse Chaos.
-Eu fiz fogo.-Resmungou Samael.
Chaos deu tapinhas na cabeça dele.
-Bom menino.
Samael rosnou.
-Como nos encontraram?-Indagou Iris.
-Bom, eu já estava com uma dúvida de que haveria uma passagem ali, por conta das correntes de ar, e ouvi uma movimentação do outro lado, senti uma presença. Porém, poderiam ser apenas ursos ou algo do gênero. Quem confirmou foi o Loki...-Disse Fenris.
-Ele disse: "Samael, Salomé e Iris estão do outro lado da rocha." -Completou Chaos.-E ainda disse, quando duvidamos dele: "Eu reconheceria a presença intragável daquele moleque em qualquer lugar."
-Moleque?! Intragável?! Olha com quem fala, Loki...Você me deve uma, eu salvei sua vida.-Reclamou Samael.
Loki se retesou, em posição de quem ia atacar.
-Meninos, não briguem...-Disse Salomé.
Loki deu um passo à frente, ignorando-a.
-LOKI! SAMAEL! PAREM DE PALHAÇADA, AGORA! ESTAMOS SEI-LÁ-ONDE, COM FRIO, COM FOME, NÃO PRECISAMOS DE VOCÊS SE MATANDO! FAÇAM ISSO QUANDO ESTIVERMOS BEM E EU ESTIVER MORTA! PORQUE, PARA VOCÊS SE MATAREM, SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER!-Gritou Salomé, pondo-se no meio dos dois.
-Eu ainda pego você.-Disse Samael, quase como um rosnado.
Os dois viraram as costas e se afastaram.
Samael foi se aconchegar perto do fogo, com os outros. As roupas estavam secas, cada um tirou toda a roupa, até ficar só com as roupas íntimas, pôs para secar as suas próprias e pegou umas roupas que estavam no "varal". Salomé tirou a comida do saco e começou a cozinhar.
-Credo, você carrega até roupa de homem!-Exclamou Iris, espantada.
Salomé sorriu. Estendeu para cada um botas.
-Carrego sapatos de frio também.
As duas sorriram.
-Alguém sabe onde estamos?-Indagou Chaos.
- Niflheim.-Respondeu Fenris.
-Niflheim? Na terra das Valquírias?-Indagou Salomé, incrédula.
Samael fez que sim com a cabeça.
-Você sabia e não disse nada?!-Exclamou Iris.
-Eu estava esperando um momento propício para contar.-Disse ele.- Em Niflheim os corvos são mensageiros das filhas de Odin. Não hesitem em matar nenhum ser que esteja nos observando por demais...Há propósito, como podemos ter certeza de que vocês são quem nós achamos que são?
Fenris sorriu, misteriosa.
-Não há como saber. Confie em sua percepção e em nós. Ou não.
Samael lançou-lhe o mesmo sorriso.
-É por isso que ainda estamos vivos, não Fenris?
Ainda sorrindo, ela respondeu.
-Sim.
Samael se virou para Salomé, que estava absorta em seus pensamentos e na comida até então.
-Se importa em vir aqui um instante?-Indagou ele.
Ela o olhou, assustada, como se ainda não houvesse percebido sua presença.
-Ah, claro...-Tartamudeou ela.
Foram para um canto escuro e afastado da caverna.
-Samael, o que você quer?-Indagou ela, assustada.
-Evah, eu tenho que lhe "devolver" umas coisas.-Disse ele, direto.
- "Devolver"...?-Repetiu ela, sem entender.
-Sim, algo que foi "seu" há muito tempo.-Finalizou ele.
Puxou o capote para trás e sob ele foi revelada uma lindíssima espada embainhada. Ele desafivelou o cinto e estendeu para ela.
-Esta é uma velha companheira sua: Le Sacre Core.
Ela pegou de suas mãos a espada e afivelou-a na cintura, (deixando a espada pendendo do lado direito, para ter mais mobilidade ao pegá-la com a mão esquerda) sentindo uma estranha sensação de confiança ao fazer isso.
Do bolso esquerdo do gibão, ele tirou um broche.
-Este é um broche com poderes mágicos: Le Petit Fleur.
Ela colocou-o na túnica, sobre o seio esquerdo.
Ele subiu a manga esquerda e revelou uma pequena e bela adaga guardada em uma bainha igualmente bela. Desafivelou-a e a estendeu também.
-Esta é...
-...Le Petit Core.-Completou ela, em um rasgo de memória.
Pegou a adaga, subiu a calça até deixar toda a panturrilha exposta e afivelou-a na perna. Ele se espantou ligeiramente, mas sorriu, satisfeito. Ela estava se lembrando mais rápido que o esperado.
-Bem, está entregue. Tome muito cuidado.-Disse ele, gentil.
Ela sorriu, marota. Abaixou a calça, jogou o capote sobre a espada e fechou-o até o pescoço, escondendo o broche.
-Eu cresci nas ruas. Sei cuidar das minhas coisas e de mim mesma. Tome cuidado você, cara-pálida.
-Mesmo assim...
