Luzes de Tókio

Por Kath Klein

Capítulo 3

Cheguei em casa com a cabeça latejando. Desde ontem tudo parecia dar errado. Realmente a Lei de Murphy existe e hoje ela literalmente foi provada! Quanto mais fundo você está mais fundo você consegue ir. Pelo menos nesta manhã eu não havia brigado com o meu magnífico primo no café. Fizemos o desjejum civilizadamente. Ainda bem que eu havia colocado o jornal direitinho e arrumado. Ele nem percebeu que eu havia mexido nele. O subconsciente dele era fácil de enganar. Hoje havia conseguido ir até a delegacia e pegar algum material sobre as vítimas. O problema era que para divulgar as fotos na revista como eu queria, tive que pedir autorização para cada família e ouvir todas as choradeiras.

Não pensem que eu sou desumana e não ligo para o sofrimento daquelas mães e pais. O problema é que eu perdi o dia inteiro fazendo isso. Com certeza não seria uma boa psicóloga, acabo sempre me envolvendo com o sofrimento alheio. No final eu acabei chorando em cima de minha mesa. Acho que tive que tomar uma caixa de Maracujina para me acalmar, e acabar com a caixa de lenços de papel que a Nakuru me emprestou. Falando em psicólogo, consegui entrar em contato com uma excelente profissional que me ajudaria a montar os perfis psicológicos dos estudantes mais propensos a suicídios. Foi um verdadeiro parto para conseguir marcar uma hora com ela. Além disso, ela falou que precisava de um tempo para estudar os casos. Amanhã eu falaria com ela e lhe contaria tudo, esperava que ela me desse algumas boas explicações, ou pelo menos razoáveis, para eu trabalhar em cima.

Depois de tudo isso, ainda tive que tentar conviver normalmente com Eriol. Esta foi a parte mais difícil do dia. Como poderia olhar para ele sorrindo daquela forma para mim sem me arrepender de não o ter beijado? Ah se arrependimento, matasse eu com certeza estaria morta pelo pedaço de sanduíche que havia ficado entalado na minha garganta ontem. Passei minha mão levemente no pescoço quando lembrei deste inusitado acontecimento de minha vida.

E para completar meu fatídico dia, tive que subir três lances de escadas! Syaoran poderia morar num prédio mais moderno que pelo menos tivesse elevador! De manhã para descer era moleza, agora chegar depois de um dia duro de trabalho e subir aquelas escadas era terrível.

Com os bofes para fora cheguei até o meu andar. Caminhei devagar tentando me recuperar do exercício físico, com certeza minhas panturrilhas estavam mais firmes. Avistei dois rapazes e uma jovem em frente à porta do apartamento 308. Pelo jeito estavam discutindo, na verdade já havia até me acostumado a ouvir os barulhos bizarros que vinham do apartamento ao lado do meu. Os gritos da Anna com certeza eram mais eficazes que o meu despertador.

Passei por eles e sorri de leve cumprimentando-os. Porém, assustei-me quando o rapaz de cabelos azuis arrepiados parou na minha frente. 'Olá Gatinha!'

Gatinha? Nossa, confesso que até me senti o máximo agora. Sem querer sorri para ele ajeitando um pouco o cabelo que estava sobre a minha testa. Não que eu estivesse interessada, mas nós, mulheres, adoramos uma cantada de vez em quando, não é verdade?

'Vai começar, maninho? Deixa a garota em paz.' A voz mal humorada da jovem me fez virar para ela com um olhar mais frio. Oras o rapaz era bonito, apesar da tonalidade peculiar dos cabelos. Deve ser uma má amada e encalhada que ainda fica querendo empacar a vida das outras.

'Pilika pára de ser ciumenta! Estou apenas sendo simpático com a vizinha do Yoh.' Ele voltou-se para mim pegando uma das minhas mãos e a beijando de forma galanteadora. 'Sou Horo-Horo, o Ainu.'

'Sakura Kinomoto.' Respondi achando graça não só dele como do nome dele! Que pai em sã consciência colocaria o nome do filho de Horo-Horo? Levantei os olhos para o casal que estava atrás do rapaz e finalmente observei o outro que permanecia debruçado na parede com os braços cruzados. E que braços!!!! Era mais alto que Horo-Horo e muito mais trabalhado de corpo. Tinha os cabelos tão pretos que chegavam a ser de uma tonalidade roxa e olhos dourados. Um tesão!

A jovem parou a frente do rapaz percebendo que eu estava o observando mais do que deveria. 'Eu sou Pilika, irmã do Horo-Horo e noiva do Ren.

Oh-oh! Sinal vermelho berrante a minha frente, ou melhor sinal azul berrante a minha frente. Então o bonitão caladão era noivo, que pena, não pude evitar este pensamento.

'Que lástima.' O rapaz falou com a voz que por incrível que parece achei parecidíssima com a do meu primo. 'Vocês brigam muito.' Ele me fitou deixando todos os pêlos do meu corpo arrepiados. 'Eu sou Tao Ren.'

'Somos amigos do Yoh.' Horo-Horo falou animadamente. 'Só estamos esperando ele terminar de apanhar da Anna para abrirem a porta para a gente.'

Ri com gosto imaginando o rapaz apanhando de panela na cabeça da senhora Asakura! Tentei parar, mas era um pouco difícil. Pelo jeito os três já estavam acostumados com aquele tipo de relacionamento entre tapas e beijos dos Asakuras.

'Você deve ser a prima do Syaoran.' Ren falou deixando-me sem graça. Ele conhecia o meu primo? Concordei com a cabeça e estranhei o olhar descrente do rapaz. 'Ele me disse que você era uma garotinha. Pensei que tivesse dez anos pelo que ele me falava.'

Sorri amarelo. Syaoran idiota! Como podia falar mal de mim para um Deus grego daqueles?

'Meu primo é um pouco superprotetor demais comigo. Acha que eu vou ter dez anos para o resto da vida.' Usei a mesma desculpa que eu usava quando passava pela mesma situação, mas por culpa de Touya.

A porta finalmente se abriu e Yoh apareceu com o mesmo sorriso de sempre. 'Olá pessoal! Desculpem a demora em atendê-los!' Ele falou alegremente. Era incrível como ele sempre estava rindo! Será que ele era chegado num chá verde mais forte? 'Olá Sakura! Tudo bom? Eu não a vi durante esta semana.'

'Estou trabalhando muito.' Falei sorrindo.

'Não quer entrar e tomar um chá conosco?'

'Adoraria.' Ah sim, adoraria ficar mais perto daquele Deus grego de músculos torneados, e peitoral largo chamado Tao Ren, mas com a noiva dele marcando em cima, não era muito conveniente. Além disso, estava muito cansada como descrevi acima para vocês, meu dia tinha sido difícil demais. 'Mas infelizmente não vou poder aceitar desta vez, estou um pouco cansada e tenho que finalizar algumas tarefas.'

'É uma pena.' Horo-Horo reclamou fazendo eu abrir um sorriso e Pilika fechar a cara, acho que eu estava dando bandeira demais que estava babando pelo noivo dela. Mas quem mandou escolher tão bem? O que era bonito era para ser admirado! Olhar não arrancava pedaço... apesar de que eu estava doidinha para arrancar um pedacinho dele! Sakura! Olha a compostura!!!!

'Então deixemos para uma outra vez.' Yoh falou com um sorriso.

'Sim.' Respondi. 'Foi um prazer conhecê-los.' Falei afastando-me deles enquanto eles entravam na porta.

'Sakura!' Alguém me chamou, por alguns instantes jurava que era o meu primo. Virei para trás e encontrei Ren caminhando na minha direção, ele parou a minha frente fitando-me de forma tão intensa que senti as pernas bambas. 'Poderia passar um recado meu para o seu primo?'

Tudo que você quiser, bonitão! Juro que tentei responder, mas não consegui abrir a boca, apenas acenei que sim com a cabeça.

'Avise a ele que haverá um campeonato de artes marciais no próximo mês e as inscrições vão até...' Ele parou um pouco pensando, provavelmente não lembrava direito da data. '... acho que até este final de semana e seria legal ele participar. Eu já me inscrevi e indiquei o nome dele.'

'Você e ele lutam?' Perguntei curiosa. Realmente Syaoran estava cada vez mais me surpreendendo, parecia uma caixinha de surpresas, cada dia descobria alguma coisa nova do meu primo.

'Sim'. Ele sorriu de leve pela primeira vez para mim. Meu Deus! Que sorriso sexy era aquele! Começava a pensar na hipótese de esquecer que ele era noivo. Isso deveria ser apenas um estúpido detalhe. 'Treinamos juntos na academia. Pode fazer este favor para mim?'

'Claro.' Respondi sorrindo. Faria até dez favores para ele sem pestanejar. Olhando de perto eu pude reparar nos traços maravilhosos de Ren. Ele era um homem muito bonito. Pilika tinha sorte, pensei amargamente. Menos um para o mundo. Eu tinha que colocar isso na minha cabeça oca.

'Se puder passe lá! Seria legal você ver o seu primo apanhando de mim.' Ele falou com o tom irônico. Mas não é que além da voz parecida, ele era debochado e metido como o Syaoran?

'Com certeza.' Falei achando graça e fazendo-o sorrir um pouco. Ficamos nos olhando por algum tempo até Pilika literalmente berrar chamando o noivo que se despediu de mim e caminhou ao encontro da garota. Observei-o caminhando de costas... que costas largas, que braços, que bunda! Nota 9 e meio! Sakura! Ele é praticamente casado! Mas casado não é morto... NÃO! Não posso pensar assim... Droga de carência! Balancei a cabeça com força para tirar aqueles pensamentos promíscuos. Peguei a chave de dentro da bolsa e finalmente abri a porta do apartamento. Syaoran ainda não havia chegado, pois estava tudo em silêncio. Tirei os sapatos altos e caminhei até o meu quarto para retirar o resto das roupas e ligar o aquecedor, pois estava congelando. O inverno japonês era de matar congelado qualquer um.

Tomei um banho demorado, mas desta vez tive o cuidado de trancar bem a porta, não queria ser pega novamente, pelada no banheiro, pelo meu primo. Aquela hidromassagem era tudo de bom. Como aquilo poderia ser tão relaxante daquela maneira? Hoje eu coloquei um sal com o nome de Ylang-Ylang. Eu não li direito para que servia, mas o perfume era delicioso. Pensei que depois teria que repor o estoque de sais do Syaoran. Também não era justo eu gastar todos eles.

Inclinei minha cabeça para trás sentindo a água bater no meu corpo. Aquele perfume entrar pelas minhas narinas. Sorri imaginando o que aconteceria se eu não tivesse amarelado e beijasse Eriol. Como seria o gosto dos lábios dele? Será que seriam o mesmo que os de Syaoran? Dei uma risadinha lembrando dos beijinhos que trocávamos quando criança.

Estava novamente dando aquelas risadinhas maldosas quando ouvi baterem na porta. Syaoran havia chegado, para minha infelicidade. Suspirei demoradamente e apertei o botão para desligar a hidromassagem. Se toda vez que eu entrasse nela começasse a pensar aquelas besteiras era a prova mais forte de que eu precisava transar o quanto antes. Saí do banheiro alguns minutos depois com o roupão e vi que Syaoran estava ao telefone. Parecia um pouco nervoso e irritado. Confesso que me senti tentada a ouvir o que ele falava, mas tentei prezar a educação que havia recebido e fui para o meu quarto colocar uma roupa quentinha. Naoko havia comentado comigo que hoje passaria um filme muito interessante na tv a cabo e eu estava com vontade de vê-lo.

Quando cheguei na sala encontrei meu primo jogado no sofá com uma das mãos nos olhos. Parecia cansado.

'Está tudo bem, Syaoran?' Perguntei educadamente ao me aproximar dele.

Ele levantou os olhos para mim com uma cara péssima. 'Problemas...' Respondeu simplesmente.

'E será que eu posso lhe ajudar de alguma maneira?'

Syaoran balançou a cabeça de leve abrindo os braços. 'Infelizmente não, Sakurinha. Eu vou ter que resolver sozinho.'

'Bem, se precisar de mim para alguma coisa...' Falei caminhando até a cozinha. Ele não respondeu, continuou na sala vestido ainda com o terno. Observei por alguns segundos o meu primo antes de entrar na cozinha.

'Ah sim! O Ren pediu para avisar que haverá um campeonato de artes marciais no mês que vem e que ele lhe indicou para participar.'

'O Tao?' Eu o ouvi perguntando com a voz contrariada. Logo ele se levantou e foi até mim. 'De onde você conhece o Tao?'

'Oras, ele é amigo do Yoh que mora no apartamento ao lado.'

'Isso eu sei, Sakura. Mas quando você o conheceu?'

'Hoje.' Respondi enquanto colocava a água no bule para preparar um chá.

'Hoje, como?'

'Oras Syaoran! Quando eu estava chegando ele estava em frente à porta do apartamento ao lado esperando o Yoh.'

'Ah sim! Aí ele já foi falando com você! Cara folgado! Sabia que ele tem noiva?' O tom de voz dele era irritado e por que não admitir que era super engraçado. Primeiro porque realmente comprovei que as vozes de Ren e de Syaoran eram parecidas e depois porque ele falava igual ao Touya quando eu falava de algum rapaz. Então eu estava à frente de um Touya com voz de Ren, mas que na verdade era Syaoran!

'Eu sei sim. Inclusive eu a conheci. Ela e o irmão dela estavam com ele.' Respondi achando graça da situação. Olhei sobre o meu ombro e o vi sentando-se no banquinho me encarando com o rosto fechado. 'Hei! Por que desta cara emburrada? Eu só os conheci e passei um recado que ele me deu para você. Fui apenas educada e útil.'

Ele ficou um tempo ainda me olhando antes de soltar um suspiro. 'É que o Tao é estranho.'

'Estranho?' Perguntei virando-me para ele e franzindo a testa ligeiramente. Não posso negar e falar que era indiferente ao rapaz só porque ele era noivo. Era bonito e interessante. Se fosse livre seria quase perfeito.

'Acho que ele não gosta muito da noiva. Não sei, mas acho que ele aceitou o noivado e não que propôs o noivado.'

'E qual a diferença?'

'Oras para um homem há uma grande diferença. Nós é que temos que propor este tipo de compromisso e não as mulheres.'

Tudo bem que eu não sou o extremo do feminismo, às vezes até não concordo muito com ele, mas não acho nada demais uma mulher propor um compromisso de casamento. Verdade seja dita, nós é que sabemos melhor quando podemos ou não casarmos. Os homens ainda possuem a ilusão de achar que eles é que conduzem o relacionamento.

'Pois eu não vejo diferença nenhuma. Um casamento é feito por dois e não por um só. Ou você vê o matrimônio como a contratação de uma empregada doméstica?' Minha voz saiu revoltada.

'Eu não vejo nada. Mas não vou dizer que gostaria que me propusessem casamento. O negócio tem que partir de mim.'

'Rá! Isso nunca vai partir de você, querido primo, pois você tem alergia a responsabilidades.'

'Hei, eu sou muito responsável! Pelo menos não chego atrasado no trabalho porque andei saindo com a minha supervisora... não, que eu não tenha transado com alguma supervisora, mas tinha a responsabilidade de chegar no dia seguinte na hora certa!'

Cadê-o-meu-queixo? Eu não acredito que ele teve coragem de um: Jogar na minha cara novamente que eu saí com o Eriol e dois: que ele confessou que já dormiu com a chefe. Aposto que ele transa até com a mulher do chefe! Nenhuma escapa das garras dele.

'Você não existe Syaoran Li.' Falei resignada.

'Eu sei disso, Sakurinha.' Ele retrucou com o sorriso zombeteiro. 'Espero que hoje fique em casa.'

Lancei um olhar em chamas para ele morrendo de vontade de falar um palavrão e dizer que estava com um encontro marcado com o Tao. Mas achei melhor evitar uma nova discussão, alguém tinha que manter a cabeça no lugar. 'A Naoko, uma das garotas que trabalha na revista, falou que vai passar um filme ótimo hoje à noite.'

'Não é má idéia. Por acaso não chamou aquele seu "amigo", chamou?'

'Eriol?' Perguntei arregalando um pouco os olhos. Li confirmou com a cabeça. 'Claro que não. Não estou na minha casa para convidar alguém.'

'Pode convidar quem quiser, Sakura.' Era impressão minha, ou o meu primo estava amável de repente? 'Desde que não seja ele.' Retira o que eu havia pensado.

'E porque eu posso convidar quem eu quiser, menos ele?' Perguntei erguendo uma sobrancelha e demonstrando involuntariamente que eu não havia gostado do comentário. Era melhor ele ter ficado calado.

'Simplesmente porque eu não gostei dele.'

Abri minha boca e fechei sem emitir um ruído sequer. Oras que coisa idiota! Syaoran não havia nem conhecido Eriol para saber se gostava dele ou não!

'Desisto de conversar com você, Syaoran.' Levantei a bandeira branca enquanto finalmente servia o chá na minha caneca preferida e caminhava em direção ao sofá para assistir televisão e esperar o filme.

Li saiu da cozinha e foi tomar um banho deixando-me na santa paz de Deus. Coloquei meus pezinhos em cima da mesa de centro e afundei no sofá macio e acolhedor. Só faltava o cobertor e a pipoca para ficar perfeito. Em meia hora mudei de canal e começou o filme. Li chegou nesta hora como se tivesse adivinhado e trazia o edredom para enrolar-se nele para também assistir.

'Que filme é?'

'Sem Barreiras.' Respondi em voz baixa, pois a introdução já começava a aparecer.

'Mas isso é uma trilogia de espiões, não é?' Ele comentou aconchegando-se ao meu lado.

'Sim. Esta é a primeira parte. O subtítulo é Uma nova esperança.'

'Detesto filmes repartidos.' Ele resmungou. 'Não gosto de coisas que não tenham fim.'

'Shiii, vai começar.' Reclamei mandando ele ficar quieto. Não gosto de gente que fica falando o tempo todo enquanto o filme está passando.

O filme começou e ficamos em silêncio assistindo.

'A protagonista é uma mulher?' Li falou indignado quando reparou nisso. 'Está parecendo aquele seriado Alias que a Meilyn fala o tempo todo.'

Meilyn? Ah deve ser mais das reservas dele, fiquei calada e dei um tapa no braço dele pedindo para ficar em silêncio, pois queria ver e entender o filme e com ele falando o tempo todo não dava. Voltamos a assistir o filme.

'Aposto como o irmão dela é da agência! Eu não disse? E aquele ali é comparsa dele! A garota é uma idiota, foi enganada pelo próprio irmão!'

'Syaoran! Por favor! Eu quero assistir o filme!' Reclamei emburrada. Ele voltou a ficar calado, mas infelizmente por pouco tempo.

'Mas ela é muito burra! É claro que o assassino era o noivo dela! Ai, como as mulheres não gostam de ver o que está tão óbvio.'

'Syaoran Li! Estou falando sério! Cala-a-boca.'

'Está bem! Está bem!' Ele falou resignado afundando mais ainda no sofá. O filme começou a esquentar e a noite a esfriar, quando dei por mim estava embaixo do mesmo edredom que Syoaran. Estávamos pertinho um do outro enquanto acompanhávamos as aventuras e peripécias da agente secreta.

'Ai ele vai mata-la!' Eu gritei virando para o lado e escondendo meu rosto no ombro de Li. Sou meio covarde para estas coisas, sempre nos momento cruciais eu fico sem coragem de ver.

'Hei vai perder a melhor cena do filme! Vai mata logo ela, cara!'

'Claro que ele não vai mata-la! No fundo ele sabe que ela é importante para ele mesmo depois da lavagem cerebral.'

'Então porque não vê a droga do filme em vez de ficar fechando os olhos?'

'Chato.' Resmunguei constatando que ele estava certo e voltei a ver o filme. Mas não pude deixar de sentir meu coração agoniado vendo a dor da protagonista em amar um homem que não se lembrava dela e queria matá-la.

'Poxa já não era hora dele acreditar nela.' Soltei aliviada observando a cena em que o assassino convenceu-se que a mocinha estava falando a verdade. Agora meu coração ficou apertado com a atitude idiota e cabeça dura do imbecil do cara em querer ficar longe dela, apenas num relacionamento profissional. 'Idiota.'

'Eu?' Li falou. Pelo jeito a carapuça serviu.

'Não! Este cara! Oras, está na cara que ele gosta dela ainda e fica se fazendo de gostoso.'

'Caramba o cara acabou de descobrir que foi manipulado como uma marionete, você tem que dar um desconto para ele.'

'Mas ele é um idiota! Não percebe que se ela estiver ao lado dele tudo será mais fácil?'

'Ai Sakura! Vê o filme!' Desta vez foi Li que cortou a discussão para voltar a atenção às cenas de ação. Eu instintivamente levantei-me um pouco ficando na beiradinha do sofá com os olhos vidrados na televisão.

'Vai! Isso! Acaba com ele!' Soltava entusiasmada vendo os heróis finalmente darem um coça naqueles bandidos idiotas. Ouvi as risadas de Li atrás de mim e não dei bola, ficava mesmo empolgada nestas cenas de luta. Ainda mais quando quem estava apanhando era quem eu queria que apanhasse.

"Não há possibilidades de haver mais um 'nós'." O cara falou para a heroína.

'O quê? Como assim seu palhaço?' Gritei revoltada com ele. Uma música suave já mostrava que o filme estava terminando para o meu descontentamento. 'Ela vai convence-lo! Eu tenho certeza que ela vai convence-lo!' Falava para mim mesma já roendo todas as unhas da minha mão.

You build it put and tear it down, there´s no reason to follow you.
You left the song without a sound, you left the story I made for you.
Softly angels bow and cry in the stillness of the night
Never is a long time – goodbye
No answers for the asking.

"Acho que você não precisa me dizer mais nada, tudo já foi dito. Estou muito feliz por você estar de volta, muito mesmo, nunca duvide disso. Mas estaria mentindo se dissesse que não esperava que as coisas entre nós voltassem como eram antes. Mas você já tomou sua decisão, sem me consultar, diga-se de passagem. Então ficamos assim. Adeus."

'NÃO!!!! O que ela pensa que está fazendo?' Gritei novamente. 'Vai lá, pega ele e dá um beijo sua tonta!!!!'

'Ela está hospitalizada numa cama, Sakura.' Syaoran me alertou.

Virei-me rapidamente para ele. 'Isso não é motivo. O homem da vida dela está saindo da vida dela e ela está entrevada numa cama de hospital?!!!'

'Ela levou um tiro, lembra-se?' Ele perguntou com deboche. 'Acho que ela ainda não é a super mulher.'

Voltei-me para a televisão resmungando em como os homens são racionais demais nestas horas. Era completamente compreensível que os roteiristas esquecessem este detalhe do tiro e a fizessem ir até ele e o beijar. Duvido que ele resistiria! Observei com o coração pesado o rapaz saindo do quarto de hospital deixando-a sozinha. Mas logo o irmão apareceu para consolá-la.

It´s a long time – goodbye.
No mercy for the aching
It´s a long time - Oh I see no light on the forsaken
Never is a long time – goodbye

"Eu também. E nós vamos para casa. Vai ficar tudo bem, você ver" O irmão da protagonista falou abraçando-a. Confesso que por alguns instante na minha louca imaginação pude ver Touya e eu naquela cena. As lágrimas saíam de meus olhos, embaçando a imagem da televisão e por isso ajudando na minha ilusão de ótica.

Let´s spend the night when this dream has come to an end
Somtime you laugh, sometimes you cry, and yes, I´ve cried over you.
You´ve left me brind in paradise.

'Idiota! Idiota! Idiota!' Gritei revoltada para o rapaz que apareceu na tela andando pelas ruas com a cabeça baixa e as mãos no bolso. 'Como você pôde deixa-la! Seu imbecil!!!!!' Se eu pudesse eu entrava no filme e socava ele até que ele morresse. Como depois de tudo que eles passaram, o cara acha que é melhor eles estarem separados e aquela tonta não faz nada!

'Hei é só um filme, Sakurinha.' Ouvi Syaoran me alertar, mas quem disse que eu ligava para o que ele achava. Eu tinha vontade de quebrar a televisão na minha frente.

Para minha completa infelicidade a tela ficou negra e os créditos começaram a subir ainda embalados pela trilha sonora triste. Funguei forte tentando inutilmente parar de chorar. Se eu soubesse que o filme era tão triste assim não tinha nem começado a assistir.

You´ve left me hungering for the touch of you.
Snow white angels run and hide in the blackness of the night
Never is a long time....

Levantei irritada pelo final do filme, estava torcendo tanto para que eles ficassem juntos. 'Por que eles não viram que não podem ficar separados?' Perguntei para mim mesma caminhando até a cozinha para pegar um guardanapo para assoar o nariz vermelho.

Li desligou a televisão e foi atrás de mim. 'Oras Sakurinha, não tinha como ter um happy end ali, não é?'

Virei-me para ele com os olhos literalmente vermelhos. 'Como assim não poderia ter happy end? Tinha que ter happy end!' Falei antes de assoar o nariz com força.

Li abriu a geladeira pegando uma latinha de refrigerante e a abrindo. 'Veja bem, se ele ficasse com ela daria tudo mais errado ainda! O cara acabou de descobrir que é um assassino. Que matou gente inocente, na primeira discussão que eles tiverem aposto como ela joga na cara dele que ele é um assassino.'

'Foi!' Consertei.

'Não existe esta de foi um assassino. Quando se mata uma pessoa torna-se um assassino, isso não é um estado de espírito.'

'Você está complicando tudo! Era para ele ter ficado com ela, ela o ama tanto que o ajudaria a superar tudo.'

'Mas ele não precisa de uma pessoa ao lado. Ele precisa colocar a cabeça no lugar e reencontrar a si mesmo. Como ele poderia voltar para ela como se nada tivesse acontecido? Como se os sete anos que eles ficaram separados e que ele tornou-se um assassino não existissem na vida deles?'

'Oras o amor pode tudo, sabia?'

'Ah qual é, Sakurinha! Vai me dizer que você acredita nisto?' Falou de forma debochada antes de levar a latinha à boca e beber um longo gole.

'É claro que eu acredito. Quando se tem uma pessoa amada ao seu lado você se torna mais forte e mais confiante.' Tentei rebater, não me daria por vencida nunca! Sou uma romântica de carterinha, de acreditar em almas gêmeas e em que um completa o outro. Duas partes de uma mesma laranja, ou maçã, ou limão... não, limão não porque é azedo... com certeza a outra parte de Syaoran seria um limão bem azedo como ele!

'O Amor é um estado de espírito.' Li rebateu, como sempre, não era à toa que ele era advogado, não se daria por vencido nunca. 'Você ama uma pessoa, hoje. Está completamente apaixonada por ela, aí você transa, o sexo é bom, você acha que encontrou a sua companheira ideal. Aí ela resolve vir morar com você, mexe nas suas coisas, usa a sua gilete para depilar a perna e o sexo que era diário torna-se semanal, depois passa a mensal, ela acaba indo ao banheiro sem fechar a porta e falar sobre ciclo menstrual' Falou fazendo uma careta. 'E aí, você esbarra na fila do banco com uma outra garota, bonita de corpo e com um papo interessante, transa com ela, se dão bem na cama e finalmente descobre que ela é que é a sua companheira ideal, até ela vir morar na sua casa e ter outros defeitos.'

'Você... você é muito frio.' Falei abismada. 'Como pode pensar que amor é apenas atração física e sexo?'

'E é mais o quê?'

Juro que eu me controlei para não dar um soco na cara dele. 'Amor é quando você e a pessoa amada se completam. É algo muito além de sexo.'

'Ora você não pode falar nada porque eu sei que nunca experimentou. Sua versão é distorcida e unilateral.' Ele falou na maior cara de pau para mim. Sabia que depois deste argumento simplesmente eu não teria mais como tentar uma réplica. Aproximei-me dele com os olhos em chamas.

'Há vários tipos de amor, sabia, senhor Li?' Pelo menos eu tinha que tentar, não é?

'Sim! O amor paterno, materno, fraterno.' Ele respondeu sorrindo. 'Mas em nenhum deles há esta baboseira de "Oh você me completa..."'

'Eu quero ver o dia que você cair de amores por uma mulher e eu espero que ela seja beeeem ruim com você e que o faça sofrer bastante.' Desejei do fundo de minha alma isso. Ele abaixou a latinha de refrigerante e sorriu de lado para mim.

'Isso nunca vai acontecer, sabia?'

'Nunca diga nunca!' Falei com a voz ameaçadora.

'Sakurinha, você não percebe que este tipo de sentimento que você acha que existe só serve para vender livros, filmes, novelas e gerar dinheiro.?'

'Você é um capitalista.'

'Não! Eu sou realista! Já falei isso para você. Veja bem, por que você acha que o filme terminou assim?'

'Porque provavelmente o diretor é mau como você, que acha que eles não tinham mais como ficar juntos.'

'Confesso que se fosse realmente isso batia palmas para o diretor, pois achei o final pertinente para a história, porém infelizmente não foi por este motivo, pois isso não geraria receita.'

Eu juro que não estava conseguindo acompanhar o raciocínio dele. A minha única vontade era dar um soco nele, no diretor do filme e é claro no ator que fez o protagonista, mesmo sabendo que ele não tinha nada a ver com isso. Li estalou os dedos na minha frente fazendo eu levar um susto e pular para trás, ele riu com gosto.

'Ele terminou assim para ter uma continuação.'

Sim!!!! A continuação!!! Como eu não tinha pensado antes?! Na continuação com certeza eles ficam juntos. Sem querer abri um sorriso enorme, feliz em saber que ela existia. O meu peito ficou mais leve como se o meu coração voltasse a bater. Soltei um gritinho entusiasmado ao saber disso. Quando dei por mim estava pulando sobre o meu primo agarrada ao pescoço dele.

'Eles vão ficar juntos! Eles vão ficar juntos! Eles vão ficar juntos!' Repetia entusiasmada. Quando vi o que estava fazendo arregalei os olhos e me afastei de Li, corada. Ele ria com gosto e passou uma das mãos na minha cabeça como se eu fosse uma criança.

'Isto mesmo, Sakurinha! Quem sabe eles ficam juntos, já que o diretor deve ser um bicha romântico.'

Empurrei a mão dele para que ele parasse de despentear o meu cabelo. 'Ele não é bicha.' Falei emburrada e fazendo o meu primo soltar uma gargalhada. Detestava quando ele fazia isso! Parecia que eu era uma palhaça nestas horas.

O telefone tocou e eu pensei em quem ligaria a esta hora para a casa dos outros, olhei para Li e o vi atravessar a sala correndo para atendê-lo, com certeza era uma das reservas ou May, a oficial. Estava pronta para ir para o meu quarto quando ouvi meu primo falando com a voz meiguinha ao telefone.

'Alô.... oi princesa, tudo bom? Como foi a semana?'

Princesa? Esta era boa, depois ele dizia que não era romântico nem nada. Parei no meio do corredor e estiquei o pescoço vendo-o sentar no sofá com um sorriso nos lábios enquanto falava com a tal Princesa.

'Isso tudo? Mas o que sua mãe falou? Duvido que ela permita isso!'

Mãe? Ora, ora... então o senhor Li já partia para a tática de tapear a sogra! Ai Sakura! É horrível ficar ouvindo a conversa dos outros! Recriminei-me por isso, mas não pude deixar a minha curiosidade de lado. Dei um passo para frente grudada na parede para que ele não me visse.

'Meilyn, querida, você não pode achar que sempre está certa.... tudo bem, eu entendi, eu concordo com você que o Makoto mereceu por fazer você sofrer, mas não pode agora achar que o mundo acabou.'

Meilyn? Ah é a mesma que ele comentou antes do filme começar. Franzi a testa observando o meu primo falar com o tom de voz diferente, era um tom de voz carinhoso e meigo. Ele tinha um sorriso fraquinho nos lábios, mas com certeza um sorriso genuíno. Voltei-me para o meu quarto achando que já fui bisbilhoteira demais para um dia apenas. Era melhor não invadir tanto assim a privacidade de Syaoran, ele já estava me fazendo um favor deixando-me morar com ele, não era justo que eu me metesse e xeretasse a vida particular dele.

'Eu também te amo, princesa. Cuide-se.'

Meu coração parou de bater pela segunda vez em menos de uma hora. Virei-me para trás e vi Li desligando o aparelho com o mesmo sorriso. Ele disse que a amava? Então ele ama alguém? Quando ouvi os passos dele corri para o meu quarto e o fechei rapidamente. Olhei para o interior do cômodo e senti ainda o peito dolorido.

'Ai que besteira! Amanhã vou matar a Naoko por me sugerir um filme tão triste desta maneira.' Falei começando a me preparar para dormir.


Estava num lugar escuro e fechado. Conseguia sentir o cheiro de mofo e maresia. Minha cabeça doía, porém não mais que o meu ombro direito e as minhas mãos. Fechei bem os olhos e voltei a abri-los já me acostumando melhor com a penumbra. Olhei para os meus pulsos e vi que eles estavam sangrando e esfolados.

'Eu não acredito...' Soltei para mim mesma. Estava no filme? Bati com a mão na cabeça tentando acordar. Olhei para fechadura da porta e, como havia imaginado, era exatamente como o cenário do filme que assisti antes de dormir, e os pinos estavam para o lado de fora, é claro. Varri os olhos pelo aposento tentando achar alguma solução. Droga! Esta porcaria no meu ombro estava doendo demais! Deveria ser sangue cinematográfico e não de verdade. Ouvi um barulho qualquer vindo do lado de fora. Sem demora fiz o mesmo que a protagonista do filme fez, voltei a deitar na cama fingindo que estava ainda presa e fechei os olhos. Sonho estúpido, sonho estúpido. Repetia para mim mesma. Era só não fazer o que a protagonista fez, pois assim eu acordaria e pronto! Mas quem estou querendo enganar? Num sonho não pode ser assim. Abri devagarzinho os olhos e viu um vulto abaixar-se deixando algo no chão, mais que depressa, dei-lhe um violento chute no rosto e o vi cair pesadamente para trás, ficando desacordado.

'Eu sou o máximo!' Soltei, feliz com a minha própria força. Ainda dei uns chutezinhos no cara rindo-me do que estava acontecendo.

'I´m Kinomoto, Sakura Kinomoto.' Falei brincando. O carinha se mexeu assustando-me um pouco, dei mais um chute nele e peguei a arma que ele tinha no coldre. Saí do cômodo escuro e tranquei a porta, se a mocinha fez isso, era bom eu fazer o mesmo. Olhei para os lados e não vi ninguém, dei uma corridinha ansiosa até as escadas indo para o convés e me escondendo como podia.

'O que a garota fez depois disso?' Perguntei para mim mesma sem saber direito o que tinha que fazer, não lembrava do meu roteiro.

'Estou aqui, Eriol!' Era a voz de Syaoran! Hei, o que Syaoran está fazendo no meu sonho? Até aqui ele vinha me perturbar? Ainda mais chamando Eriol? Ah que saco! Corri abaixada até alguns barris encostados a um canto e ergui a cabeça milímetros para vê-lo. Estava parado, pernas afastadas, expressão determinada, mas os olhos eram duas chamas de ódio. Peraí! Este aí é o mocinho do meu filme? O cara idiota que largou... mas é claro! Se é o cara idiota que largou a mocinha não haveria ninguém melhor para encarnar ele do que o idiota do meu primo. Já estava pronta para sair do esconderijo e tomar satisfações de Syaoran quando vi um vulto a minha direita. Ele embrenhava-se nas sombras e olhava para os lados como se não quisesse ser visto. Eu tinha certeza que já tinha visto esta cena antes... Sim! Era o carinha que ia tentar matar o protagonista, eu acho... não me lembrava direito. Fui até ele rapidamente e quando ele passou por mim dei um chute forte no estômago que o fez se dobrar ao meio, mas ele não soltou um pio. Já estava pronta para chutá-lo novamente quando ele segurou as minhas pernas derrubando-me. Senti agora a cabeça batendo no chão. Droga, este negócio de ser heroína era muito dolorido. Rolei o corpo levantando-me com agilidade, e num salto mortal pulei por cima do atacante. Quando toquei o chão fiquei abismada com o que tinha acabado de fazer. Uau! Isso era demais! Ah sim, o atacante, tinha que me livrar dele. Dei um chute bem entre as pernas do carinha fazendo ele dobrar-se de dor, segurei-o pelos cabelos e passei o braço pelo pescoço dele.

'Um pio e quebro seu pescoço.' Sussurrei já empolgada com a minha habilidade física.

'Sakura?' Era a voz de Touya! Ah não! Até o Touya? Apesar de que agora eu me lembro bem que ele era o tal irmão da protagonista. Estava realmente no filme! Relaxei o braço e ele virou-se para mim. Ai eu não acredito que eu dei uma surra no meu irmão! IUPI!

'Sakura! Eu não acredito! Você quase me aleijou, ficou maluca? Você pode nunca ser tia, sabia?' Ele sussurrou para mim com aquela pinta de agente secreto. Que vontade de rir eu estava.

'O que você está fazendo no meu sonho?'

'Que pergunta mais cretina! É claro que viemos buscá-la. Enquanto Li distrai Eriol eu a tiro do navio. Agora ficou mais fácil. Vamos!' Não é que Touya tinha até ficado ótimo com aquela pinta de agente secreto?

'Claro que não! Eu vou é acabar com este sonho maluco!' Falei resoluta. Caminhei para fora do meu esconderijo e fui até Syaoran e Eriol. Vi meu primo ser agarrado por três brutamontes sem resistir.

'Sakura! Você só irá atrapalhá-lo, vamos sair daqui!' Touya tentou me convencer.

'Ai para com isso, Touya. Já ta bom, não é?'

'E o que ele está fazendo por você? Não conta? Está se rebaixando para aquele cara por sua causa, quer colocar tudo a perder?' De repente ele percebeu sangue na irmã. 'Você está ferida?'

'Só um machucado no ombro.' Respondi sem dar importância para o fato.

'No mesmo lugar do outro? Sakura você tem que ir para o hospital. E suas mãos? Por que estão sujas de sangue?'

'Acho que foi para soltar as algemas. Touya, vamos subir, eles estão concentrados em Syaoran que nem darão conta de que estamos aqui.'

'Não Sakura eu prometi para Syaoran que tiraria você daqui, ele só está esperando meu sinal'

'Que sinal?' Perguntei.

'Qualquer um... não, Sakura, volta aqui sua maluca.' Ouvi ele sussurrando, mas já estava longe. Esgueirei-me em direção ao alto do navio, ficando abaixo de uma das amplas janelas da cabine.

'"timo. Era assim mesmo que eu queria vê-lo. Subjugado, como você nunca ficou antes, nem com os piores medicamentos. Sabe, você foi uma fonte constante de irritação para mim, mas esse momento está valendo por todas as vezes que você me embaraçou diante de meus supervisores por não responder devidamente aos meus métodos de lavagem cerebral.' Mas não era o Eriol mesmo que estava falando para Syaoran? Que situação bizarra. Levantei-me apenas para ter certeza que o dono da voz era Eriol. Vi Syaoran de joelhos, sangue escorria de um ferimento na boca. Senti um aperto no peito vendo-o naquela situação, mas também custava para acreditar que Eriol era o malvadão do pedaço. Levantei-me e estava pronta para entrar em ação com a arma em punho, mas escorreguei no batente da janela caindo no chão e sentindo a cabeça batendo com força. Droga! Precisava ajudar Syaoran! Abri os olhos e fitei... o teto do meu quarto.

'O quê?' Perguntei para mim mesma sem saber o que estava acontecendo. Virei para o lado e vi que estava no chão do meu quarto. Ah que ótimo! Depois de velha eu caí da cama!

Levantei-me passando a mão na parte de trás da cabeça que estava dolorida, poderia ter morrido se batesse com mais força, estes sonhos de agente secreto estavam sendo perigosos demais para mim.

A porta do meu quarto se abriu de repente e Syaoran entrou por ela, provavelmente o grito que eu dei no sonho quando caí do batente da janela não foi apenas no sonho. Que vergonha!

'O que foi, Sakura?' Ele me perguntou abaixando-se ao meu lado. 'Você gritou!'

Fiquei roxa de vergonha! Que mico! Com vinte e cinco anos na cara, ter pesadelos e cair da cama como uma garotinha boba!

'Machucou a cabeça?' Ele perguntou, provavelmente vendo que eu tinha o braço levantado com a mão encostada sobre ela. Não me deixou responder nada e já foi afastando a minha mão e mexendo nos cabelos para ver se tinha algum machucado. Ouvi-o soltando uma risada aliviada. 'Não foi nada, só vai ficar um galo.' Falou com a voz sonolenta, fitando-me. 'Deu-me um susto, Sakura. Pensei que tinha acontecido alguma coisa com você.'

Eu até tentei ouvir o que ele dizia, mas era tão estranho fitar meu primo todo dia de manhã apenas de short. Apostava toda a minha poupança como ele só dormia de shorts sem nada por baixo. Sem querer abaixei os olhos do peito dele para o que não deveria. Deus! Estava olhando o pinto do meu primo! Balancei a cabeça com força fechando os olhos.

'Já estou bem, Syaoran!' Falei tentando me levantar com os olhos fechados.

'Hei, calma aí mocinha! Acabou de cair, pode ficar zonza.' Ele falou segurando o meu braço e deixando-me mais embaraçada.

'Estou bem! Juro! Pode voltar a dormir. Desculpe-me se...' Foi eu falar e o meu despertador começou a tocar como louco na mesinha de cabeceira informando que já era hora de acordar mesmo. Abri os olhos, olhando única e exclusivamente para o aparelho e vendo a hora.

'Vai ficar bem?' Li ainda perguntou segurando o meu braço.

'Estou bem.' Respondi com convicção sem olhar para ele, ou era capaz de abaixar os olhos novamente. Droga! Estava virando uma pervertida.

'Está bem. Vou preparar o café da manhã hoje.' Falou afastando-se de mim e caminhando para fora do quarto. Sentei na cama sentindo-me aliviada pelo afastamento dele. Aquele jejum de 25 anos que o meu irmão me impôs estava tendo efeitos colaterais devastadores em mim. Soltei um longo suspiro coçando a cabeça e sentindo o galo crescer.

'Ninguém merece...' Reclamei para mim mesma. Hoje o dia prometia.


Cheguei na redação cedo naquela sexta-feira, até porque não enrolei na cama como nos outros dias. Nem acreditava que estava a um passo de chegar ao final de semana. Tinha que resolver alguns assuntos importantíssimos pela manhã como tentar falar com a Doutora Mari Wolf, uma PhD em assunto sobre comportamento de jovens. Sentei à minha estação e fui logo ligando o computador. Olhei discretamente para trás e vi que Eriol ainda não havia chegado. Não sei direito o que senti com a ausência dele, eu gostava de Eriol, Como não gostar de um homem interessante e educado como ele? O problema é que eu estava perdida demais na minha vida. Era tanta novidade, tanta coisa que estava vivendo que eu não tinha certeza se era bom tentar um novo relacionamento.

'Um beijo pelos seus pensamentos.' Uma voz masculina assustou-me fazendo soltar um gritinho. Virei-me rapidamente para frente e deparei-me com nada mais nada menos do que o dono de meus pensamentos naquele momento, meu chefe, Eriol Hiiraguizawa. Sorri sem graça tentando disfarçar a vermelhidão de meu rosto. Ele estava rindo com gosto da travessura.

'Bom dia Eriol. Tudo bom?' Tentei ser profissional, pois estávamos no trabalho. Ele sorriu para mim, aquele sorriso encantador e sensual! Droga! Eu sou uma burra por não ter beijado-o!!!

'Bom dia, querida Sakura.' Ele respondeu de forma manhosa. 'Soube que anda progredindo muito na matéria sobre a Toudai.'

'Estou fazendo o meu melhor.' Respondi com um sorriso confiante.

'Tenho certeza que sim. Gostaria muito que no final do dia você me desse um relatório, oral mesmo, sobre o que já conseguiu recolher de informação.'

'Sem problema.' Isso seria mole. Com certeza eu o surpreenderia mostrando tudo que eu consegui juntar.

'Ah só mais uma coisa, ainda este mês nossa presidente estará lançado mais um dos seus livros.'

'Outro?' Eu sabia que Kath Klein havia lançado um livro há pouco tempo que fora um sucesso estrondoso no mercado mundial, infelizmente não pude ler por falta de tempo, estava enrolada com a possibilidade de conseguir uma vaga na Universo.

'Sim! Aquela mulher não pára! Seria bom você pelo menos dar uma lida na sinopse do outro livro dela, bem ou mal, ela é a chefe de todos nós.'

'Sem problema.' Falei já pensando em onde eu conseguiria o maldito livro e onde acharia tempo para lê-lo. 'Onde vai ser o lançamento?'

'Na Livraria Kinokuniya. É uma das maiores livrarias do Japão. Ela provavelmente mandará um convite para nós, mas estou lhe alertando antecipadamente e também convidando-a para ir comigo.'

Opa! Outro encontro! Mordi sem querer o lábio inferior pensando no que responder. E se ele tentasse novamente me beijar? Dessa vez eu não resistiria. Eu sou fraca, ainda mais porque durante estes dias todos fiquei amargando aquela minha estúpida conclusão de que estávamos indo rápido demais! Mil vezes idiota!

'Isso é claro, se você não se sentir constrangida em ir comigo.' Ele falou como se lesse meus pensamentos.

'Claro que não. Adoraria ir com você, Eriol.'

'"timo! Acertaremos isso mais à frente, quando a data for decidida.' Falou com um sorriso lindo nos lábios, mais um pouco e eu começava a babar, era melhor ele ir embora logo da minha frente. Vai embora! Vai embora! 'Bem, eu já vou indo! No final do dia, venha a minha mesa.' Despediu-se se afastando. Observei-o caminhando até a sua estação, tirando o casaco e colocando-o no encosto da cadeira, depois se sentando à mesa e ligando o computador. Ajeitou os óculos que escorregaram pelo nariz fino e passou a mão nos cabelos desarrumando um pouco os fios lisos e negros. Ele era tão perfeito...

'Oi, Sakurinha!!!!' Eu literalmente pulei para trás com o susto. Já era o segundo no mesmo dia! Nakuru olhava para mim com aquele sorriso de que já tinha sacado que eu estava babando pelo nosso chefe. Tentei disfarçar.

'Que susto Nakuru.'

Ela não respondeu nada, mas bateu tão forte nas minhas costas num gesto de camaradagem que eu quase coloquei o meu coração para fora. 'Ele é muito gostoso, não é?' Falou ao meu ouvido.

'Quem?' Ai que pergunta idiota! Mas eu tinha que fazer para tentar pelo menos disfarçar.

'Oras quem, Sakura. A pessoa por quem você estava quase babando quando eu cheguei.' Ela pelo menos teve a decência de falar em tom baixo.

'Não sei do que você está falando.' A quem estava querendo enganar? Mas não ia admitir para Nakuru que estava realmente babando por Eriol. Do jeito que era ela, ia espalhar a notícia da minha babação para todos os cantos da redação.

'Está bem! Está bem! Não está mais aqui quem falou.' Ela se resignou sentando-se à mesa ao lado da minha e ligando o pc para começar a trabalhar. Soube que a Rô tirou o couro dela na última revisão. Pelo jeito ela tinha muita coisa para fazer ainda hoje.

Computador ligado, dei uma olhada nos e-mails e vi que a psicóloga poderia me atender na segunda pela manhã se eu enviasse ainda hoje alguns dados complementares sobre os suicidas. Tentei responder as questões que ela levantou com base nas minhas anotações e no rascunho da matéria que eu já estava montando. Questionário extra respondido, apertei o "Send" e estava feito mais uma etapa. Agora seria bom eu montar um roteiro de perguntas para fazer na segunda para a médica. Não gosto de chegar completamente despreparada, os médicos acabam enrolando e fugindo do assunto ou usando termos técnicos demais e isso não ajuda muito na hora de você montar uma reportagem para o público geral.

Estava rascunhando as perguntas quando Naoko aproximou-se da minha mesa com um sorriso largo. 'E aí, Sakura? Viu o filme que eu indiquei?'

Levantei os olhos para ela e franzi a testa. 'Ele não teve Happy End, você sabia?' Falei com a voz ressentida, mas realmente até antes de Syaoran me alertar que havia uma continuação eu sentia-me péssima com a separação dos dois amantes. Ainda mais depois que eu tive aquele sonho estranho com o meu primo, o negócio começou a ficar mais complicado na minha cabeça. Aquele filme não me fez bem. Naoko contornou a minha estação e apoiou-se na minha mesa ficando entre eu e Nakuru.

'Ah ontem passou Sem Barreiras, não foi?' Nakuru exclamou. 'Foi uma pena que eu esqueci de ver! Adoro aquele filme!'

'Vi ontem com o meu primo. Ainda tive uma discussão com aquele machista e insuportável do Syaoran sobre o final.' Resmunguei.

'Homens costumam se proteger.' Naoko falou meneando a cabeça. 'Aposto que ele ficou do lado do Lin.'

'Claro!' Falei indignada. 'Ele achou que o idiota estava certo em se separar da garota. É um idiota igual!'

'Você tem que ver a continuação...' Nakuru falou dando uma piscadela.

'Eles ficam juntos, não é?' Perguntei com receio.

'De uma certa forma...'

'Não conta para ela o final, Naki!' Naoko repreendeu a amiga. 'Não tem graça ver um filme sabendo do final. É igual ao pessoal que vai assistir Sexto Sentido sabendo que o personagem de Bruce Willis é um morto.'

'Ele é um morto?' Perguntei espantada, ainda não tinha visto este filme. Na verdade eu não sou muito ligada em filmes, eles sempre mexem com a minha imaginação.

'Droga.' Naoko soltou percebendo que havia falado besteira.

'Que bola fora.' Nakuru falou rindo da jovem que ajeitou os óculos apenas por nervosismo.

'Desculpe, eu pensei que você já tinha visto este filme.'

'Sem problema...' Falei para tentar melhorar a situação. 'Eu é que não quis ver ainda. Filmes sempre mexem com a minha cabeça. Tenho pesadelos depois.' Falei mexendo nos papéis e procurando os depoimentos dos pais e amigos dos jovens.

'Sonhos?' Nakuru perguntou aproximando-se de mim.

'Sim.'

'Eróticos?'

Parei na hora o que estava fazendo. Com certeza teria um treco já que todo o sangue do meu corpo estava nas minhas faces. Virei-me devagar para Naoko e Nakuru que estavam ainda me fitando esperando por uma resposta.

'Claro que não.' Nem eu mesma acreditei no que respondi.

Naoko aproximou-se de mim ajeitando nervosamente os óculos. 'Precisa ver "Nove semanas e meia de amor"é ótimo para a imaginação.'

Abri e fechei a boca sem conseguir soltar um pio, tamanha era a minha vergonha.

'Não! Há um muito melhor. "De olhos bem fechados". Nossa só em ver a bundinha gostosinha do Tom Cruise já me dá calorão!' Nakuru falou abanando-se.

'Eu não vejo este tipo de filmes...' Falei tentando voltar às minhas atividades.

'São clássicos! Não dá para deixar de ver.' Naoko defendeu-se.

'Filmes brasileiros costumam ter cenas bem calientes.' Naki falou com se fosse a entendida no assunto. 'A nova leva até anda maneirando, agora a antiga.... apesar de que todos os filmes latinos costumam ter bastante cenas de sexo.'

'Isso é mais uma coisa cultural. Os filmes de Almodovar sempre possuem cenas mais explícitas, mas acredito que estejam mais no contexto da história. Verdade seja dita, os latinos são muito calientes.' Naoko explicou.

'Ai aquele Gael Garcia Bernal é um Deus... Oh homem tudo de bom....'

Olhei para as duas suspirando pelo tal Deus latino, fiquei até curiosa para ver algum filme dele.

'Além de gostoso é tão simpático. Pôxa, Naoko, bem que vocês poderiam fazer uma entrevista com ele. O cara está bombando no cinema mundial.'

Observei Naoko meneando a cabeça de leve pensando, mas logo abriu um sorriso tão grande que não tive dúvidas em adivinhar a resposta. 'Quem sabe? Vou falar com o chefinho.'

'Eu falo espanhol... quer dizer, arranho no espanhol, mas se for para fazer uma entrevista com aquele homem eu faço tuuuuudo.'

Não tinha como não rir da cara de tarada de Nakuru. Com certeza se ela não soubesse espanhol dava um jeito de aprender rapidinho, principalmente as frases básicas: Você é muito gostoso! Um Deus Grego! Tudo de bom! Quer sair comigo qualquer dia destes? Qual o seu telefone?

'Nossa, esta hora da manhã e as três já estão de fofoca!' Tomoyo aproximou-se rindo.

'Bom dia, Tomoyo!' Cumprimentei sorrindo.

'Bom dia, meninas! E aí, do que é que estão falando?' Tomoyo era muito curiosa, nada escapava à observadora garota. 'Aposto que é sobre homens.'

'Nove em cada dez assuntos femininos são homens. Seja xingando, elogiando ou comparando-os.' Nakuru falou girando um pouco a cadeira, com ar de intelectual.

'Sua estatística está super estimada Nakuru. Eu diria que falamos sobre homens a cada cinco de dez assuntos.' Rebateu Tomoyo.

'Sou mais pessimista. Para mim seria de três a quatro a cada dez assuntos.' Concluiu Naoko.

'Mas no final da conversa sempre falamos sobre eles, não importa se falamos mais de dez assuntos aleatórios.' Nakuru sentenciou sem desistir da sua filosofia.

Nós três tivemos que concordar fazendo brotar um sorriso vitorioso no rosto da jovem espevitada.

'Estávamos falando do Gael Garcia.' Naoko esclareceu para Tomoyo.

'Ele é um gracinha.' Ela falou entusiasmada. 'Estou louca para ver "Diários de Motocicleta" onde interpreta Che Guevara.'

'Eu também! Podemos marcar qualquer dia destes.' Naoko falou entusiasmada.

'Claro! Apesar de que a Sakura acho que não vai querer ir, vai que ela tem sonhos eróticos com o Gael, apesar de que isso eu já tenho sem nem ter visto o filme.' Nakuru realmente não perdoava nada. Era impressionante. Como era de se imaginar as três soltaram risadinhas. "timo! Já sou motivo de chacota de todo o trabalho.

'Convida o seu primo para ir junto.' Por que Tomoyo não ficou quieta?!!!

'Ele é gatinho?' Naoko perguntou sorrindo.

Tomoyo virou-se para mim e eu balancei a cabeça negando e pedindo desesperadamente com o olhar que ela negasse.

'Tuuudo de bom!' Acho que minha comunicação visual estava muito ruim mesmo. Como era de se imaginar Nakuru levantou-se indo até mim entusiasmada.

'Ah Saki-chan! Apresenta seu priminho para sua amiguinha!'

'Syaoran é um galinha, e um cachorro, não apresentaria ele para nenhuma amiga minha.' Respondi com o rosto mais fechado do que eu gostaria.

'Não seja egoísta! Sabia que homem está em falta no mundo?! Nós podemos dividi-lo!' Eu estava ouvindo isso mesmo? Deus o que eu fiz para merecer isso?!

'Será que podem falar um pouco mais baixo, tem gente querendo trabalhar aqui.' Levantei os olhos e vi uma jovem de cabelos longos lisos num tom excentricamente lilás. Tinha a face bonita e branca, mas uma expressão tão metida na cara que me deu até nojo.

'Que eu saiba Bruxaori, você não faz parte desta equipe de trabalho.' Ora, ora, mas não é que a super revisora Rô chegou para salvar suas colegas de trabalho.

Saori virou-se para a jovem com os olhos inflamados de ódio. 'Eu estou tentando encontrar a senhorita Kinomoto, mas com esta bagunça aqui não dá nem para eu tentar perguntar para alguém.' Respondeu olhando com superioridade para minha revisora. Nunca havia visto a Rô brava, quer dizer só uma vez e foi justamente quando estávamos falando da tal Saori, mas agora eu pensei que ela fosse avançar no pescoço da garota

'A senhorita Kinomoto está a sua frente. Você por acaso não sabe ler? Ah sim! Chama um dos pobres rapazes para ficar lendo as plaquinhas para você, já que eu imagino que nem isso você sabe fazer direito.' Quando a Rô quer, a Rô é má!

Olhei para Saori que começou a ficar vermelha de raiva, pronto, para as duas se pegarem no meio da redação com certeza faltava pouco. Tentei entrar em ação e evitar assim que minha revisora ficasse numa posição delicada no trabalho por causa de Saori.

'Sakura Kinomoto sou eu senhorita Kido.' Falei levantando-me da cadeira e sorrindo amarelo para ela. 'Em que posso ser útil?' Ai se falsidade matasse, eu teria caído no chão mortinha nesse minuto. Mas pelo menos deu certo. Saori virou-se para mim e respirou fundo como se estivesse tentando se acalmar.

'Depois a gente se fala, Sakura.' Tomoyo falou afastando-se de mim junto com Naoko e puxando Rô pelo braço para se afastar da senhorita Kido e assim evitar um assassinato com muitas testemunhas. Nakuru virou o rosto e voltou a trabalhar no seu pc deixando-me sozinha com a Bruxa. Pelo menos esta era a impressão que eu tinha dela até agora.

'Os rapazes me disseram que você é a nova contratada de Eriol, não é?'

'Isso. Vou dividir a reportagens especiais com Nakuru.' Respondi educadamente. 'Inclusive fui até o setor de marketing para saber se haverá alguma propaganda no meio da matéria. Não seria de bom tom colocar propagandas de remédio ou alguma coisa assim no meio. Na verdade, acho que seria mais conveniente nem colocar nada, pois além de fotos, a matéria terá alguns gráficos estatísticos e ficaria poluído o visual.' Expliquei, no entanto ela me olhou de uma maneira que me senti até mal.

'Isso, senhorita Kinomoto, quem decide sou eu, não você.' Quem esta mulher achava que era? Tentei manter a diplomacia, mas começava a me arrepender de ter interferido na discussão da Rô com ela.

'Aí que a senhorita se engana. A matéria é minha e quem sabe o que é melhor para ela sou eu, não você.' Ela abriu a boca para revidar, mas fui mais rápida. 'Mas em caso de incompatibilidade de idéias vamos deixar que Eriol decida o que é melhor. Ele é o redator chefe das reportagens especiais e saberá o melhor a se fazer, não concorda?'

'Isso está fora da alçada dele. Eu sou a gerente de marketing.'

Esta garota realmente não existia. Ela se achava o quê? A Deusa Grega da sabedoria, para ficar metendo o bedelho no trabalho dos outros? Olhei para ela sem saber direito o que mais dizer, observei-a abrindo um sorriso irônico para mim. Droga, a única vontade que eu tinha era de dar um soco na cara dela. Já estava pensando em fazer isso quando um vulto parou ao lado da bruxa, arregalei os olhos já vendo sangue na minha frente.

'Acho melhor ir para o seu trabalho, ficaria muito feio primeiro você discutindo comigo e depois com a nossa nova colega de trabalho. A reputação de briguenta cairia em você e nós duas sabemos muito bem, que o marketing pessoal fica terrivelmente afetado quando um funcionário não é sociável no seu trabalho, não é mesmo?' Soou uma voz irônica. Era a Rô mesmo que estava falando?

À minha frente estavam, Rô e Saori encarando-se com fúria. Acho que estava vendo raios que saíam dos seus olhos chocando-se. Saori abriu a boca, mas depois a fechou mordendo forte o lábio inferior e afastou-se da minha estação com o nariz empinado e postura de rainha. Rô acompanhava a mulher sorrindo de lado. O que ela falou foi bem mais eficiente do que seria o meu soco.

'Rô, você quase me mata de susto!' Andréia aproximou-se de nós. 'Eu juro, pensei que veria você e a Saori rolando no chão.'

'Ah você pensaram mesmo que eu faria isso?' Rô falou rindo dos rostos assustados das amigas que se aproximavam. 'Há meios muito mais sutis de colocar aquelazinha no seu devido lugar.'

'Gostei de ver! Você a nocauteou feio!' Nakuru falou rindo.

Sorri aliviada observando as minhas colegas de trabalho. Tomoyo também se aproximou queixando-se que não havia conseguido segurar a Rô, realmente, nem um caminhão conseguiria segura-la.


O dia, no final das contas foi tranqüilo. Consegui fazer tudo que eu pretendia e mais um pouco. Meu feedback com Eriol sobre a matéria da Toudai, foi muito bom. Ele me sugeriu algumas coisas e gostou muito do que eu havia escrito no Draft. Agora, era só complementar na segunda com alguns dados do que eu obteria no sábado na festa que estava pretendendo ir, na faculdade, e com a entrevista da psiquiatra. Os dados estatísticos sobre jovens consumidores de drogas e álcool, assim como as mortes e os tipos de mortes entre eles, foram fáceis de se conseguir com a polícia e até na internet. Desliguei o computador com a sensação de dever cumprido. Guardei algumas coisas na bolsa e despedi-me de Nakuru que estava um pouco enrolada, pois a matéria dela era a que seria publicada neste domingo.

Passei pela estação de Tomoyo e a vi com Shun também atarefados na preparação da coluna desta semana. As edições saíam todo o domingo e a revista começava a ser impressa no sábado pela manhã para a noite já começar a ser entregue nos jornaleiros. Por isso sexta feira era o dia limite para se entregar tudo. Não queria atrapalhá-la, depois ligaria para saber se estava em pé ela ir comigo na festa na faculdade, não queria ir sozinha e sabia que Tomoyo gostava destas coisas. Tinha desistido de falar com ela quando Shun virou-se para mim sorrindo.

'Olá Sakura! Tudo bom?'

'Oi Shun!' Respondi sorrindo. Tomoyo parou de mexer no computador e virou-se para mim com um largo sorriso.

'Vim só saber se amanhã quer me acompanhar na festa na Toudai.'

'E você tinha dúvidas de que eu não a acompanharia?' Ela falou de forma meiga.

Balancei a cabeça negando. Eu não disse que ela gostava destas coisas? 'Então marcamos com calma amanhã. Hoje você está muito atarefada. Acho que só eu vou sair no horário.' Falei virando-me para trás e observando todos ainda trabalhando como se fosse o horário do expediente normal.

'Aproveite. Semana que vem você também ficará aqui até mais tarde.' Tomoyo falou com a voz doce. 'Não é semana que vem que sai sua primeira matéria na revista?' Confirmei com a cabeça sorrindo. 'Estarei torcendo para que tudo dê certo.' Tomoyo era muito meiga mesmo.

'Bem, não vou mais atrapalhá-los. Bom final de semana, Shun. Depois eu te ligo, Tomoyo.'

'Certo!' Ela confirmou entusiasmada.

'Até segunda, Sakura.' O rapaz falou.

Dei um rápido aceno com a mão e afastei-me deles para não atrapalhá-los mais. Não cumprimentei mais ninguém, pois todos estavam atarefados dando os últimos retoques em suas matérias. No lado de fora, estava um frio enorme. Abracei-me tentando aquecer-me um pouco, mas isso não ajudou muito. Sorte que eu peguei o ônibus logo em seguida e em poucos minutos estava entrando no prédio de Syaoran.

'Boa Noite, senhor Zé.' Cumprimentei o Alien uniformizado que levantou os olhos para mim e sorriu.

'BoaNoiteSenhoritaKinomoto.' Ele falou naquela linguagem extraterrena dele. Deduzi que fosse um cumprimento também. Sorri e comecei a subir as escadas. Estava reclamando da vida quando sem querer esbarrei com tudo em outra pessoa que estava descendo as escadas com mais presa. Já estava me vendo rolar pela escada quando senti ser agarrada pela cintura e ir de encontro à pessoa.

'Você está bem?' Ah que ótimo, era o meu primo, para variar! Levantei os olhos já nervosa, quando deparei-me com duas esferas douradas olhando-me fixamente. O braço forte dele segurando a minha cintura enquanto eu sentia meus seios sendo comprimidos contra o tórax musculoso fazendo-me perder parte dos sentidos.

'Desculpe-me, eu a machuquei?' Ren perguntou preocupado afastando-me um pouco dele e deixando-me mais sem graça do que já estava. Logo senti que o meu rosto corou.

'Estou bem. Eu é que tenho mania de subir as escadas olhando para os degraus.'

'Eu deveria ter mais cuidado. Quase a derrubo escada abaixo.' Ele falou sem jeito olhando para mim da cabeça aos pés para ver se estava tudo bem, mas só em saber que de alguma forma ele estava me avaliando, deixou-me sem saber direito o que falar.

'Ah, dei o seu recado para o meu primo!' Lembrei-me deste detalhe e consegui evitar o constrangimento.

'Eu sei, ele veio falar comigo. Obrigado.' Disse sorrindo de leve. Era lindo o sorriso dele. Droga Sakura! Ele é noivo!!! A noiva dele me mata se souber que estou flertando descaradamente com ele.

'E sua noiva?' Odiei-me por perguntar isso, mas se ele ficasse me olhando mais um segundo daquela maneira eu não resistiria muito, ainda mais porque apesar dele ter se afastado um pouco de mim, a estreita escada obrigava-nos a ficar razoavelmente perto um do outro.

'Pilika está bem.' Ele respondeu com o rosto neutro. 'Está passando uma temporada com a Anna. Acabei de visitá-la.'

'Ah tá. Bem, e quando será o casamento de vocês?' Idiota! Idiota! Idiota! Por que não fica calada?!

'Final do próximo ano.'

Ué tão longe assim? Que estranho. Estávamos em novembro ainda. Será que Syaoran tinha razão? Será que Ren aceitou o casamento com Pilika sem necessariamente querer se casar?

'Bem, eu já vou indo. Boa noite.' Ele falou inclinando a cabeça de leve.

'Espero revê-lo mais vezes.' Assim que falei levei a minha mão à boca vendo a besteira que eu soltei. Droga! Agora ele deve estar pensando que eu sou uma oferecida em ficar querendo vê-lo mais vezes. Eu realmente não consigo nunca marcar um gol, só bola fora.

Ren que já estava descendo alguns degraus parou e voltou-se para mim com um sorriso malicioso nos lábios. 'Eu também adoraria encontrá-la mais vezes, Sakura.' Dizendo isso voltou a descer as escadas e eu não resisti em inclinar o corpo para vê-lo descendo até o andar térreo. Sem querer suspirei. Ele era tão... tão... tesudo! Abri um sorriso malicioso imaginando o que se podia fazer com um corpo daqueles.

Olhei para cima e vi o último lance de escada que tinha para subir. Comecei a subir as escadas cantarolando enquanto rodava minha bolsa ao lado do corpo e rebolava.

'You know that it would be untrue.

You know that I would be a liar.

If I was to say to you.

Boy, you couldn´t get much higher.

Come on baby, light my fire! Come on baby light my fire!'

Parei no meio do lance de escada e voltei-me para trás fingindo que estava com um microfone das mãos e abaixo da escadaria havia milhares de fãs enlouquecidos por mim.

'The time to hesitate is through.

Theres no time to wallow i the mire.

Try now we can only lose.

And our love becamoe a funeral pyre.'

Virei-me de lado e sorri quando se formou na minha frente a imagem de Eriol e Ren com olhares sensuais e caras de safados, vestidos apenas com aquele shortinho curto preto que Syaoran sempre dormia. Levantei o dedinho chamando-os. Mas não é que assim que eles se aproximaram outra pessoa apareceu vestindo o shortinho preto e o tórax bem definido à mostra para mim?

'Come on baby, light my fire!
Come on baby, light my fire!
Try to set the night on fire!'

Os três se aproximaram de mim, Eriol e Ren parando um em cada lado enquanto eu continuava cantando entre eles. Meu primo estava atrás de mim e me enlaçou pela cintura forçando-me a rebolar junto com ele. Eu disse para vocês que eu não batia bem da cabeça.

'Yeah the time to hesitat is through.

No time to wallow in the mire.

Try now we can only lose.

And our love become a funeral pyre.'

Fechei meus olhos imaginando-os dançando e rebolando comigo. Saca aquelas danças bem sensuais? Aquelas que a gente aproveita para fazer tudo que queria, mas não devia? Imagina eu, dançando com o Ren saradinho, meu chefinho todo certinh, e o tudo de bom do meu priminho, todos de shortinhos pretos e com aqueles peitorais maravilhosos à mostra para mim! Ai eu sou muito sortuda por ter uma imaginação fértil desta maneira. Podem morrer de inveja, eu deixo!

Senti Syaoran me apertando mais forte e a respiração dele perto do meu pescoço sussurrando a música junto comigo. Como ele é safado em todos os sentidos, tinha que ser também o mais avançadinho nos meus delírios.

'Come on baby, light my fire!

Come on baby, light my fire!'

Acho que cheguei a gemer imaginando-o apertando o meu seio direito e sussurrando a música de forma rouca e sensual ao meu ouvido. Logo Ren e Eriol desapareceram da minha mente, a única coisa que eu imaginava era o calor do corpo de Li contra as minhas costas, o braço dele apertando a minha cintura e a mão direita dele apalpando agora o meu seio esquerdo.

'Try to set the night on fire.'

'Senhorita Kinomoto!!!'

Poft! Crash! Bummm! Plaft!

Como vocês devem imaginar, com o susto caí com tudo escada abaixo. Provavelmente quicando como uma bola. Acreditam em Maktub? Pois bem, segundo Maktub tudo está escrito, e com certeza estava escrito que eu cairia daquela escada hoje. Senti meu corpo dolorido como nunca.

'Senhorita Kinomoto? Senhorita Kinomoto?' Uma outra voz jovial me chamava enquanto tocava em mim de leve, provavelmente tentando me despertar. Abri um olho e fitei o rosto da jovem Keiko. A menina que morava com a avó rabugenta que a prendia o tempo todo. Tentei me levantar, e ela prontamente me ajudou.

'O que a senhorita estava fazendo dançando daquela maneira no meio da escada?' Droga! Era a voz daquela velha. 'Aquilo era uma dança de mulheres desavergonhadas!'

'Vovó! A senhorita Kinomoto pode estar machucada gravemente.'

'Viu como mulheres que moram com um homem sem estarem devidamente casadas se comportam, Keiko? É isso que você quer para você?' Putz que velha rabugenta. Depois deste incentivo, fui obrigada a abrir completamente os olhos e tentar me levantar. Keiko me ajudou. A menina era muito boazinha.

'Como a senhorita está? Quer que eu a leve a um hospital?'

'Não é preciso. Obrigada.' Agradeci apoiando-me na parede e tentando me afastar da jovem. Não queria criar confusão para ela. A velha Genkai vivia me dando indiretas por morar com o galinha do Syaoran. Mesmo eu afirmando que era apenas prima do rapaz, a velha idiota e cabeça dura não acreditava.

'Tem certeza?' Keiko falou olhando-me com ternura.

Concordei com a cabeça e estufei o peito ajeitando o cabelo e as roupas. 'Estou ótima.'

Pelo jeito ela não levou muita fé no que eu falei, mas pegou a minha bolsa que estava no chão e a estendeu para mim. 'Ainda acho que deveria ir ao hospital, só para ter certeza.'

'Agora deu para ser enfermeira, Keiko? Vamos!' A velha falou pegando a jovem pelo braço e começando a arrastá-la. 'Esta senhorita é má influência para uma menina pura como você.'

Eu ia retrucar, mas estava tão dolorida que não tinha ânimo para responder. Apertei a bolsa nas mãos e olhei para os agora dois lances de escada que teria que subir. Passei a mão no lado direito do meu bumbum que com certeza ficou com uma baita mancha rocha e voltei a subir. Agora mais do que nunca eu precisava da banheira de hidromassagem do meu primo. Isso já estava virando um vício.

Yeah you know that it would be untrue
You know that I woul be a liar
If I were to say to you
Girl, we couldn´t get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire


N/A:

Trilha Sonora:

Never is a long time – Roxette

Light my fire – The doors: Eu adoro esta música, confesso que esta cena na verdade foi inspirada numa coisa que aconteceu comigo! (Não! Eu não caí da escada!) Deixa para lá! Melhor não contar se não vcs vão ter certeza que eu é que não bato bem da cabeça.

Personagens do capítulo:

Ren Tao – o cara compromissado que é tudo de bom. Personagem de Shaman King que é simplesmente tudo de bom! Ai ele é o máximo! Ele é sarado, é metido, é arrogante, é tudo de bom! Para o meu pobre coraçãozinho é rival em pé de igualdade com o Syaoran.

Pilika – noiva chata do cara gostoso. Personagem tb de Shaman King. No anime e no mangá não tem NADA que relacione os dois (claro ele é meu!), mas em termos dramáticos achei que seria interessante, eles estarem compromissados, além disso tem um monte de fanfics que insistem em coloca-los juntos.

Horo-Horo – O cara boa praça galanteador. Personagem de Shaman King e é mesmo irmão da Pilika. É super engraçado e divertido, além de ficar o anime e o mangá inteiro reclamando que vive chupando o dedo enquanto o Yoh já tem até noiva.

Mari Wolf – a PhD em psicologia. Esta é uma personagem "real". Tenho uma amiga muito querida desde os tempos de colégio, que hoje estuda psicologia e volta e meia me ajudava em alguns pontos, principalmente de Feiticeiros.

Midoriko – a cretina traíra que se vendeu para o Renato Mendes e roubou uma reportagem minha. Ela é tão insignificante que eu esqueci de apresentar ela no capítulo passado hehehe. Bem, Midoriko é uma personagem da linhagem Naja que eu criei no meu outro fic Feiticeiros.

Gael Garcia Bernal – a outra metade da laranja de Kath Klein. Só que ele ainda não sabe disso, gente! Eu juro!!!

Keiko Yukimura – menina meiga que é controlada 24 horas por dia por uma tia velha rabugenta. Personagem de Yu-Yu Hakusho. É realmente uma jovem meiga e prestativa, além de super apaixonada por Yusuke (que logo aparecerá).

Genkai – a tia velha rabugenta. Também personagem de Yu-Yu Hakusho. Aquela velha é o máximo! Ela reclama de tudo e vive batendo nos rapazes. Nunca a vi dar um sorriso por isso sobrou para ela o papel de vizinha mala. Hehehe

Referências:

Sem Barreiras – Uma nova esperança: Este filme na verdade é um fic da nossa queridíssima Rô. Eu tomei a liberdade (ai como eu sou abusada) de utilizar algumas passagens (o final principalmente) do texto da Rô e descrever as reações da Sakurinha, a intenção é fazer com que a Sakurinha se visse na história (e na verdade está hehehe). As reações dela cá entre nós foram muito parecidas com as minhas quando a Rô me enviou este texto! Ainda bem que tem continuação! Eles vão ficar juntos! Eles vão ficar juntos! Eles vão ficar juntos! (Olhando para os lados para ver se tinha um Syaoran para abraçar) Buááá! Não tem ninguém!!! Bem para o pessoal que está curioso para ler esta história maravilhosa da Rô, que eu recomendo, é só ir nos meus favoritos que lá está as duas partes da Triologia. Estamos na espera da terceira e última parte!!!

Propaganda:

N.A.K. – ( 3ws. ) Gente, vcs precisam ver o que as meninas estão fazendo! Está muito legal! Uma super novidade é que elas colocaram uma sessão Kath´s song, onde vc pode ver a tradução de algumas músicas que eu coloquei nos fics.

Comentários:

Eu sei que a maioria está se perguntando: Como a Kath fez uma Sakurinha tão volúvel? Ela não é volúvel! Ela está sozinha, não compromissada e é super normal vc ver e conhecer um cara maravilhoso na rua e pensar algumas besteiras. Claro que vc não vai sair agarrando tudo quanto é homem, mas pensar algumas coisitas não é nada demais, além disso ela ainda não descobriu quem é a metade da laranja dela! Hehehe Tem gente que é cega mesmo...

Obrigada pelo pessoal que me apoiou nas minhas idéias de mudanças. Valeu pessoal!!!

Como sempre quero agradecer a duas pessoas especiais: Rosana (Rô) e Marjarie.

Beijocas

Kath

Nota da Rô:

Oi pessoal!

A Kath liberou um espaço aqui p mim, foi transmissão de pensamento pq eu ia pedir mesmo...ehehehe.... valeu Kath!

Tem muita gente querendo saber de Sem Barreiras Parte 3, li no mansão alguns tópicos e ando recebendo alguns mails....

Meu projeto é para começar a postar em agosto, sem dia definido pode ser até 31...ehehehe... faltam poucas cenas para serem escritas, quase tudo já está definido.

Eu já disse algumas vezes que não começo a postar sem ter a história pronta, simplesmente pq vivo mudando, acrescentando cenas, tirando outras, até ter certeza de que ficou do jeito que quero. Já pensou se começo a escrever e postar ao mesmo tempo, e simplesmente n tenho mais boas idéias? Ou então paro de escrever, por meses como aconteceu?

Não esperem demais, por favor, o resultado pode ser infeliz...eheheheh.....vcs colocam altas expectativas numa fic que pode ser mediana, pensando alto ainda...ahahahahah

Ana, vc me mandou um mail e eu respondi umas trocentas vezes, mas em todas, ele voltou, depois que perdi os endereços do outlook, não deu p escrever de novo. Não pense que a ignorei, por favor. Eu nem sei se vc lê Luzes, mas em todo caso.

Angie, valeu por ler SB2 de novo pela 1579546121², espero que vc n se decepcione com SB3.

Giselle, valeu pelo review na Hora da Vingança.

Gente, quem quiser me escrever, fiquem a vontade .........

Beijos

Rosana

PS: morrendo de saudades da Patty.