Luzes de Tókio
Por Kath Klein
Capítulo 4
Assim que saí do banho tive que passar alguma coisa nas minhas inúmeras manchas roxas, que haviam surgido no meu corpo devido àquela maldita queda na escada. Eu poderia ter morrido. De novo! Nunca imaginei que Tókio fosse uma cidade tão perigosa! E o pobre do meu pai pensando na marginalidade... isso aqui deve ter alguma aura mágica contra mim! Só podia ser isso! Bem, não adiantava nada aprender magia para entender o que eu estava passando, até porque meu estômago estava roncado e já havia partes do meu corpo doloridas demais. Arrumei alguma coisa para comer e liguei a televisão. Olhei rapidamente para o relógio e vi que já eram quase nove horas da noite. Estranhei a demorada de Syaoran, mas lembrei-me que hoje era sexta-feira, ou melhor, Sexyta-feira. Provavelmente, meu primo esticou um pouco com os colegas de trabalho ou com uma colega de trabalho. Sentei no sofá com o sanduíche natural num pratinho e um copo com suco. Comi ouvindo as notícias, mas não pude negar que nada de novo acontecia no mundo, ou melhor, nada de interessante no mundo acontecia. Peguei o controle remoto e mudei para a Mtv. Estava fazendo uma matéria sobre jovens e isto era uma ótima desculpa para assistir o canal. Estava passando um programa de entrevistas sobre um grupo de rock. Os caras não falavam coisa com coisa, mas me esforcei para não trocar de programação, talvez tivesse algum material interessante para minha reportagem. Foi quando a porta abriu e meu primo apareceu com o rosto cansado como sempre. Ele sempre chegava com aquela cara de que haviam passado um trator por cima dele.
'Boa noite!' Falei tentando ser alegre.
'Boa noite, Sakura.' Ele falou deixando a pasta e o terno no sofá.
'Parece cansado.' Comentei.
'Estive trabalhando até agora.' Ele suspirou de forma pesada. 'Peguei um caso mais complicado desta vez.'
'Um desafio?'
Ele sorriu de lado com um brilho estranho nos olhos. Aquele ali não mudava.
'Isso mesmo, um desafio. Vou vencer aquele caso, ou não me chamo Syaoran Li.' Falou levantando-se e colocando as mãos na cintura como aqueles heróis de histórias em quadrinhos. Só faltava eu gritar: Meu herói! Logo ele voltou a se jogar no sofá passando a mão direita nos cabelos e deixando-os ainda mais bagunçados... nossa agora que eu reparei como este simples gesto era tão sexy!
'E que nome eu vou te chamar se não ganhar?' Falei com a voz brincalhona.
'Não precisa se preocupar, Sakurinha. Eu não perco.' Ai, mas como era metido e arrogante. Pelo menos numa coisa deu certo, o ânimo dele tinha melhorado.
'Pensei que você tinha esticado a noite.' Falei olhando para a televisão e fingindo interesse naqueles cabeludos, mas estava olhando meu primo pelo canto dos olhos. Vi que ele olhou para a televisão e fez uma careta.
'Hoje é dia da Meilyn vir para cá.' Respondeu pegando a pasta e caminhando para dentro do apartamento. Idiota, nem me deu tempo de perguntar quem era a tal da Meilyn que ultimamente ele deu para falar dela o tempo todo. Pensando bem, volta e meia ele comentava alguma coisa dela, mas confesso que depois que ouvi aquela conversa dele com a talzinha fiquei mais com o pé atrás. Soltei um longo suspiro, não tinha nada haver com a vida do meu primo. Se ele quisesse ficar com a tal Meilyn, que ficasse. Trancaria o meu quarto e esperava pelo menos que ela não fosse escandalosa como a tal da May, que por acaso andava sumida nestes últimos dias, só tenho atendido uma tal de Kaho que sempre procurava pelo meu primo, mas nunca deixava recado e sempre era bem grossa. Aumentei o volume um pouco quando finalmente a entrevista com os cabeludos havia terminado e começou um clip de uma lourona.
Baby can´t you see,
I´m calling.
A guy like you,
Should wear a warnin´
It´s dangerous... I´m fallin´
There´s no escape,
I can´t break.
I need a hit baby give me it.
You´re dangerous... I´m loving it.
Ergui uma sobrancelha, será que esta garota, loura e rebolativa, conhecia o meu primo? Com certeza ela estava falando dele.... ou de Ren... Ai ai ai Ren... ELE É NOIVO!!!! Eriol! Em Eriol eu poderia pensar sem remorso e sem me sentir uma destruidora de futuros lares! Ai ai ai Eriol....
Too high, can´t come down.
Losing my head spinning round and ronud...
Till you fill me up.
With a taste of your lips I wanna ride
Your toxic gun slippin´on
A taste of a poison paradise.
Era isso que os jovens assistiam e ouviam? Quem era a cantora? Nossa ela fazia aquilo no banheiro do avião... hummmm... até que não seria má idéia. Deveria ser no mínimo inusitado. Imagina, eu e Eriol fazendo o que não devia no banheiro do avião! Com certeza com a minha má sorte, entraríamos numa turbulência.
I´m addicted to you but you know that you´re
Toxic
And I love whatcha do but you know that you´re
Toxic
It´s getting late to give it up
I took a sip from a devil´s cup
Slowly it´s taking over me.
Ouvi os passos de Syaoran saindo do quarto e seguindo em direção ao banheiro para tomar banho. Realmente ele estava cansado, dava para perceber pelos passos arrastados e a postura, antes sempre reta, agora estava curvada para frente. Ele entrou no banheiro e nem fechou a porta, pois eu estiquei o pescoço e vi que havia uma faixa de luz grossa saindo pela lateral. Voltei a tentar prestar atenção no clipe. Nossa, aquela garota sabia provocar um homem. E que efeitos especiais de quinta que estavam usando no clipe. Será que esta era a intenção dele? Ficou um pouco apelativo, mas percebi que os jovens de hoje são bem apelativos na sua grande maioria.
Too hight, can´t come down
Losing my head spinning round and round
Till you fill me up.
Ouvi o barulho do chuveiro sendo aberto e inclinei novamente o corpo para o lado para ver o corredor. Realmente Syaoran esqueceu de fechar a porta. Será que eu poderia dar uma espiadinha? Só umazinha? Isso não era ser pervertida, era apenas curiosidade, certo? Sou jornalista por isso sou curiosa. Não! Isso é pouca vergonha! Ele é seu primo de quarto grau! Quase não há laços de sangue entre vocês! Tentei voltar a prestar atenção no clipe, mas a música não ajudava muito na minha decisão.
With a taste of your lips I wanna ride
Your toxic gun slippiin´on
A taste of a poison paradise
Se bem que ele me viu nua também, por que eu não tenho o direito de ver ele nu? É como se fosse uma troca e neste caso eu tenho mais direito. Não! Isso é errado! E se ele vê que eu estou bisbilhotando-o no banho? Ele vai pensar o quê de mim? Pior, pode ficar debochando sobre isso o resto da vida. Não, Sakura! Não faça isso, não faça!
I´m addicted to you but you know that you´re
Toxic
And I love whatcha do but you know that you´re
Toxic
Não resisti. Quando dei por mim, meu corpo não obedecia mais os meus comandos. Caminhei devagar pelo corredor quase como uma agente secreta numa missão de espionagem. Parei ao lado da porta olhando para frente e ouvindo o barulho do meu primo no chuveiro. Syaoran idiota! Por que tinha que me tentar deixando a porta aberta? Ele fez isso para me provocar, só podia ser isso. Olhei para sala onde o som da música um pouco mais alta ainda tocava. Virei-me devagar olhando apenas com um olho e vi que ele estava de costas dentro do chuveiro. Mordi o lábio inferior de nervosismo. Enquanto afastava devagar a porta tentando não fazer barulho algum e assim proporcionando uma visão privilegiada do box com paredes de vidro. Engoli em seco enquanto sentia que as minhas faces estavam pelando.
(screaming/moaning techno beats)
Ele era lindo! As costas bem feitas, as pernas torneadas, os braços trabalhados. Senti que meu queixo caiu e estava literalmente babando pelo insuportável do meu primo. Como diria Nakuru, ele era um Deus Grego, sem tirar nem por. Estando de costas para mim, me dava uma visão privilegiada do bumbum redondinho que eu sempre imaginei. Dez! Nota Dez! O que estava acontecendo comigo? Parecia uma maníaca sexual tarada que ficava espiando o primo tomar banho inocentemente. Inocentemente o caramba! A culpa foi dele que deixou a porta aberta! Ele virou-se para frente enquanto lavava os cabelos e agora sim eu literalmente senti meu queixo no chão. Meus olhos arregalaram ao ver o...
(Onomatopéia de campainha)
(Ok aqui temos um problema! Qual é o som de uma porcaria de uma campainha nos dias de hoje? Ding-Dong já é altamente ultrapassado então seria o que? Téééééééé!!! Como lá de casa? Ou Zããããã ou Bããããã como a da Rô? Bem, vocÊs escolhem.)
BUMMMMMMM!
Taste of your lipes I wanna ride (morph into tecnho voice)
Your toxic gun slippin´on
A taste of a poison paradise
Droga de campainha! Quase morri de susto! Levantei-me do chão o mais rápido que eu pude, rezando para que Syaoran não tivesse visto ou ouvido nada por estar debaixo do chuveiro. Corri para a sala e precisei de um tempo para colocar meu coração de volta no peito já que ele literalmente havia saído pela minha boca.
(Onomatopéia de campainha)
Que gente nervosa. Por que aquele imprestável Alien uniformizado não interfonou? Tudo bem que o susto seria o mesmo, mas pelo menos o barulho não seria tão alto e irritante. Caminhei até a porta gritando que "já ia". Abri de supetão com o rosto provavelmente de poucos amigos, com certeza deveria ser aquela tal de Meilyn que passaria uma incrível noite com aquele tudo de bom.. NÃO! Com aquele insuportável do meu primo.
I´m addicted to you but you know that you´re
Toxic
With a taste of your lips I wanna ride (ride)
Your toxic gun slippin´on (toxic)
'Pronto! Já abri!' Falei abrindo a porta e me deparando com uma mulher com longos cabelos lisos ruivos e olhos castanhos avermelhados.
'Quem é você?' Ela perguntou com o rosto inconformado e me empurrando para o lado para entrar no apartamento. Que mulher mal educada!
'Hei não pode entrar assim não, hem?'
Ela virou-se para mim com o olhar superior, ai que raiva que eu tinha daquele olhar, já era a segunda lambisgóia que me fazia isso hoje. Com Saori Kido eu agüentei no osso porque estava no trabalho, mas agora uma das namoradas neuróticas do meu primo, eu não ia agüentar, apesar de que depois do que eu vi começava até a entendê-las... SAKURA! Pára de pensar nisso!
'Olha, é bom se arrumar e cair fora garota. Eu falei para o Syaoran que não queria nenhuma das piranhas com quem ele anda aqui neste final de semana!'
'Piranhas?' Perguntei encarado-a com puro ódio. 'Piranha é você que vem entrando como se fosse dona do apartamento dele.'
'Rá! E ele te iludiu achando que era o quê? O ninho de amor de vocês? Ah garota se enxerga, ele fala isso para todas.' A mulher falou pegando um cigarro dentro da bolsa e acendendo.
With a taste of a poison paradise
I´m addicted to you but you know that you´re
Toxic
'Odeio esta fedelha.' A mulher falou olhando para a televisão ligada. 'Como uma pirralha desta consegue fazer sucesso e ganhar rios de dinheiro com este tipo de música e eu não consigo nada?' Falou inconformada e depois olhou para mim analisando-me da cabeça aos pés. Logo soltou uma gargalhada deixando-me mais irritada ainda.
'Hei o que foi?' Perguntei cruzando os braços e fechando mais o rosto. A mulher riu mais ainda enquanto tragava o cigarro elegantemente.
'Não sabia que Syaoran resolveu virar pedófilo. Quantos anos você tem, garota?'
'Garota?' Perguntei revoltada, era verdade que muita gente comentava que eu parecia uma adolescente, e talvez vestida apenas de shorts e babby look poderia reforçar esta minha imagem de mais nova, mas também não vamos exagerar, não é?
A mulher balançou a cabeça de um lado para o outro soltando a fumaça pela boca. 'Logo Syaoran, que é advogado! Parece que esqueceu que transar com menores dá cadeia.'
'Eu tenho 25 anos, sabia?'
Ela levantou os olhos para mim e ergueu uma sobrancelha mostrando toda a incredulidade que continha minhas palavras. 'Vinte cinco? Garota aprenda comigo, pois já fiz muito isso na vida, apesar de que agora eu faço para menos... tente dar apenas dois anos a mais para tentar ser mais verídico. Que tal uns 19 ou 20 anos? Assim olhando com muita boa vontade dá para engolir.'
Taste it can you now
Will you love me now
I think I´m ready now (I think I´m ready now)
'Mas eu tenho 25!' Repeti desesperada. Não gostava quando duvidavam de mim, detestava quando colocavam a minha palavra em cheque. Ia até meu quarto pegar a carteira para esfregar na cara daquela mulher quando vi meu primo saindo pelo corredor. Ele me olhou com um sorriso estranho nos lábios, estranho demais para o meu gosto. Será que ele viu que eu estava espiando-o tomar banho? Deus! Eu nunca deveria ter feito aquilo! Quando dei por mim estava batendo na cabeça como uma maluca. Agora é que aquela mulher tinha certeza que eu era uma pirralha e ainda, doida.
'Olá Syaoran! Já conheci sua nova conquista desta semana.' Ela falou com a voz provocativa.
'A Sakurinha?' Ele falou sorrindo de lado enquanto caminhava até a mulher e beijava o rosto dela.
'Sakurinha?' A mulher soltou uma risada gostosa. 'Que apelido bonitinho... Combina com esta carinha fofa.' Falou pegando minhas bochechas e apertando-as com força. Ninguém merece. Ela só podia estar bêbada!
'Pára com isso.' Falei afastando-me dela e mexendo um pouco a boca para voltar a sentir minhas bochechas violentadas pela bebum.
'Ela é tão bonitinha.' Comentou rindo e é claro, debochando de mim. Não agüentei, peguei o cigarro da mão dela e a vi arregalar os olhos, surpresa.
'Cigarro faz mal a saúde e é fedorento.' Disse caminhando até a cozinha e jogando na lata de lixo, já que na casa de Li não havia um maldito cinzeiro.
'E é esquentadinha.
'Dá para parar de falar de mim no diminutivo?'
'Isso ela é mesmo.' Syaoran finalmente se pronunciou. 'Como vão as coisas, Kaho? Acho que não tem se metido em confusão já que não tem me pedido dinheiro emprestado.' Ele falou indo até a cozinha e pegando um copo de água.
Kaho! Então ela era a tal mulher que ligou para o meu primo durante os últimos dias.
'Assim você me ofende, Chérie. Você acha que eu só lhe procuro para pedir dinheiro?' Ela falou fingindo decepção.
'Na maioria das vezes.' Ele respondeu rindo e acompanhado por ela. Realmente só poderia estar bêbada mesmo.
Taste it can you now
Will love me now
I think I´m ready now (I think I´m ready now
'Não sou eu que estou em pauta aqui e sim a nossa querida Sakurinha.' Ela desviou o assunto para mim, bebum esperta.
'Sakura é minha prima. Ela veio morar comigo.'
'Porque meu pai me obrigou.' Resmunguei.
'Ela está grávida, Syaoran?' Kaho perguntou assustada. Fazendo Li jogar a água que bebia fora quase morrendo afogado.
'Não fala isso nem brincando... Cheguei a ficar arrepiado.'
'Estou morando com ele temporariamente!' Completei.
'Isso deu para entender.' Kaho falou procurando alguma coisa na bolsa. 'Eu quero saber se estão dormindo juntos?'
'Claro que não!' Falei com tom de repúdio. Como eu era falsa Santo Buda! Pelo jeito eu era uma ótima artista, pois a mulher depois de me analisar da cabeça aos pés e finalmente tirar o que tanto procurava dentro da bolsa, uma maço de cigarros, falou:
'Por um tempo pensei que você estava dormindo com ela, Syaoran. Quase desisto de deixar Meilyn com você neste final de semana.'
'Mentirosa. Você a deixaria de qualquer maneira, pois duvido que desistiria de viajar com aquele seu namorado.' Ele rebateu com sarcasmo.
'Sabe, Syaoran, é isso que eu sempre odiei em você. Você sempre quer ficar por cima dos outros, literalmente.'
'Você nunca reclamou.' Ele falou com o olhar maroto. 'Mas nunca reclamei quando você ficava por cima de mim.'
'Seu sacana!' Ela falou rindo e batendo no braço dele de brincadeira. Era impressão minha ou eles eram bem íntimos?
Li voltou-se para mim e provavelmente entendeu que eu queria saber o que estava acontecendo ali. 'Sakura, esta é Kaho, minha ex-mulher, será que posso lhe considerar assim, Kaho?'
'Bem, moramos juntos. No final dá no mesmo.'
'Ex-mulher? Você foi casado?' Perguntei em estado catatônico com a notícia.
Ele confirmou com a cabeça. 'Não, como eu disse moramos juntos um tempo, mas só durou... quanto mesmo, Kaho? Três anos?'
'Não sei... acho que não chegou a tanto.' Ela respondeu acendendo outro cigarro, ela era insistente. Tentei pegar o cigarro da mão dela, porém a mulher era bem mais alta do que eu e o levantou. Ainda tentei dar alguns pulinhos para pega-lo, mas não alcancei. 'Meilyn tinha um pouco mais de um ano quando você caiu fora, eu acho.' Continuou a conversa com Li e literalmente ignorou, eu, a pegadora de cigarros fedorentos e baratos.
Meilyn.... peraí... Meilyn era a filha de Syaoran? O irresponsável do meu primo tinha uma filha com aquela chaminé ambulante? Parei de pular como uma criança e fitei meu primo com uma das sobrancelhas arqueadas. Santo Buda, o que está aqui?
'Falado em Meilyn, cadê ela?' Syaoran perguntou.
'Está no carro. Eu não ia deixar a garota subir sem verificar se você não estava fazendo uma orgia no seu apartamento.'
'Pode ficar tranqüila. Com a Sakurinha aqui, tenho me comportado como um padre.' Ele falou sorrindo. 'Além disso, você sabe que quando Meilyn vem para cá, nunca trago uma das minhas namoradas.'
'Está bem!' Ela falou concordando e pegando o celular. Discou um número e colocou o aparelho no ouvido afastando os cabelos de forma sensual. 'Oi, sou eu Chérie. Pode liberar a Meilyn, está tudo limpo aqui... sim, Syoaran está no celibato....' Ela riu com a piada que ela mesma fez. Que mulher sem graça, pensei para mim mesma encostando-me na parede e esperando o que viria. Na verdade estava curiosa para conhecer a filha de Syaoran. Será que tinha quantos anos. Cinco? Três? Deveria ser uma menininha ainda. 'Beijo!' Kaho falou fechando o aparelho e encarando meu primo. 'Ela já vem subindo.'
'Sozinha? Não é perigoso?' Perguntei um pouco assustada com o descaso daquela mãe. Se eu tivesse uma filha com certeza a trataria com todo o carinho e nunca a deixaria solta para subir três lances de escada. 'Ela pode cair na escada.'
'Meilyn é grandinha, já sabe se cuidar.' Kaho falou caminhando até a cozinha e abrindo a geladeira. 'Hei Syaoran! Nem cerveja você tem mais nesta geladeira.'
Li debruçou no balcão e fitou as costas da mulher. 'Sakura esqueceu de comprar. Mas tem coca-cola light.'
Kaho fez uma careta. 'E vinho? Nada de vinho também?'
'Toda vez que você vem aqui carrega uma garrafa, e do melhor.'
'Ah Syaoran! Pára de ser pão duro! Pelos velhos tempos!'
Ele rodou os olhos e apontou para o balcão embaixo da pia. 'Pega uma garrafa, apenas uma garrafa, da caixa que tem ali embaixo.'
Ela soltou um gritinho entusiasmado. 'Ai você é o máximo! É por isso que eu sempre digo que você é o único homem com quem eu tive um filho!' Falou abaixando-se para pegar a garrafa. Eu olhava abobalhada para a mulher que estava mais preocupada com o vinho do que com a filha. Logo ouvi um barulho na porta e observei não uma menina de três anos de idade, mas uma jovem de quase quinze anos?
'Olá Pai!' Ela falou com a voz emburrada.
Deus! Com quantos anos Syaoran tinha tido aquela garota? Quinze?! Que loucura! Pensava perplexa olhando para a jovem bem feita de corpo, até mais que eu, pude constatar com pesar. Cabelos negros longos bem lisos e olhos tão castanhos que chegavam a ser vermelhos. Rosto redondo, estatura alta, nossa, olhando assim aquela garota parecia mais velha que eu, ainda mais vestida completamente de negro e com uma bota de salto alto. Li foi até ela e abriu os braços.
'Olá Princesa.' Falou abraçando-a com carinho e dando um beijo na cabeça dela.
'A mamãe me despachou para ficar neste final de semana com você.' Ela falou ainda com a voz um pouco chateada.
'Hei! Mas neste final de semana você ficaria mesmo comigo, não?' Li retrucou.
'Eu sei pai! Mas é que eu queria ficar na casa de uma amiga. A gente estava pretendendo ir numa festa amanhã.' Ela falou fazendo biquinho.
Desviei os olhos de Meilyn e fitei Kaho que estava decidindo qual a garrafa mais pesada, cheia ou sei lá o quê, para levar.
'Mas você pode ir à festa. Eu levo você.' Ouvi Li falando para a filha, voltei minha atenção aos dois.
'Mesmo?' Ela abriu um sorriso e beijou demoradamente a bochecha do pai. 'Eu te amo, papai!'
'Interesseira! Se eu proibisse sairia um 'eu te odeio, pai'' Ele falou imitando a voz da filha, ri um pouco e isso finalmente chamou a atenção da menina para mim. Sorri tentando ser simpática, mas como a mãe ela torceu o nariz ao me ver. Mal de família.
'Quem é a garota?' Ela falou olhando brava para o pai.
Syaoran virou-se para mim e depois sorriu para a filha. 'Sakura. Minha prima. Lembra que eu falei que ela talvez viesse para cá?'
Meilyn concordou com a cabeça. 'Mas você não disse que ela era uma garota. Você me disse que ela tinha 25 anos.' O tom dela era de reprovação. Li virou-se para mim rindo, provavelmente estava com a cara de que ia voar no pescoço daquela fedelha.
'Dois a zero, Sakurinha.' Ele falou em tom de brincadeira.
Soltei um longo suspiro e fui até Meilyn para me apresentar corretamente. Não poderia ter um ataque ou isso daria certeza para a garota que eu tinha a idade dela. 'Mas eu tenho. Sou Sakura Kinomoto, prima do seu pai.' Apresentei-me tentando conter a vontade louca de matar aquela fedelha.
Senti que ela me analisou da cabeça aos pés, não gostava muito quando as pessoas faziam isso comigo. Sentia-me vulnerável, sei lá! No fundo, é que eu não gostava mesmo de ser avaliada, pura insegurança mesmo. Mas do que estava falando? Desde quando a avaliação de uma garota de 15 anos me deixaria tensa?
'Sou Meilyn Li.' Ela falou finalmente quebrando o silêncio, depois voltou-se para o pai. 'Onde ela está dormindo?'
'No seu quarto.'
'PAI! No meu quarto? Onde eu vou dormir agora?'
'Nós podemos dividi-lo, sem problema.' Falei tentando amenizar as coisas. Gente, aquela garota era muito mimada!
Ela voltou-se para mim com olhar superior. 'Não gosto de dividir as coisas com estranhos.'
1... 2... 3... 4... 5... 6...7... Sakura! Calma! É apenas uma adolescente, ou melhor, uma aborrescente... 8... 9... 10...
'Mas a Sakurinha não é uma estranha. É da família.' Ouvi Li explicando para a filha.
'Mas papai...' Nossa! Como era manhosa!
'Olha, eu posso dormir na sala enquanto você está aqui então.' Respondi na lata, já estava começando a preferir dormir no corredor, do que com aquela garota.
'Nada disso, Sakura. Meilyn! Você está sendo egoísta. Sabe que não gosto disso.' O tom dele era firme. Franzi a testa observando-o, nunca havia imaginado Syaoran pai. Era no mínimo estranho observá-lo ao lado de uma jovem que para quem olhasse na rua poderia até chutar que eram namorados. Está bem que os mais atentos poderiam pensar que ele era um papa-anjo, mas nunca poderiam imaginar que estavam à frente de pai e filha. Meilyn era bem formada de corpo. Típica adolescente desta geração. Maquiagem pesada, cordões de prata no pescoço, braceletes, roupas negra e salto agulha! Cara, como ela conseguia usar aquilo? Olhei perplexa para o tamanho do salto que ela usava.
'Desculpe.' Ela falou com os olhos baixos mostrando-se constrangida com a repreensão de Li. Sorriu de lado, não porque tinha vencido no final das contas, mas por saber que apesar de tudo Syaoran sabia criar a garota. Era muito estranho vê-lo assim, precisaria de alguns dias para me acostumar.
'Então tudo resolvido!' Kaho finalmente apareceu com uma garrafa de vinho em cada mão. 'Só eu que ainda não decidi o mais importante: qual garrafa eu levo?! Posso levar as duas, Chérie?' Agora tinha certeza absolulta e não apenas uma. Como Li conseguiu casar-se com ela? Estava na cara que era mais velha, mas também bem mais irresponsável que o irresponsável do meu primo que provavelmente não soube se cuidar e acabou engravidando uma doida! 'Ah vai! Deixa, Syaoran! É para comemorar três meses e cinco dias que estou namorando o Kuoto.' Kaho falou com o tom manhoso idêntico ao de Meilyn pedindo para ir a festa.
'Grande coisa...' Ouvi Meilyn resmungando baixinho. Pelo jeito ela não gostava muito do jeito da mãe, que por ironia era o mesmo que o dela.
'Está bem.' Syaoran falou de uma vez evitando que Kaho tentasse o convencer. De um jeito ou de outro eu aposto como ela acabaria levando mesmo as duas garrafas, nem que fosse roubando-as.
'Então eu já vou, meus queridos.' Falou guardando as garrafas na bolsa, e mal conseguindo fechá-la. 'Meilyn, Ma Chérie, cuide-se e obedeça a seu pai. Syaoran...' Ela falou parando em frente ao ex-marido. 'Nada de sexo com Meilyn aqui.' Arregalei os olhos com a observação dela! Isso era coisa de se dizer na frente da filha? Apesar de que, acho que Meilyn já estava acostumada com isso. 'Até segunda!' Falou caminhando em direção à porta. 'Ah Sakurinha! Foi um prazer conhecê-la Chèrie!'
Ela não me deu nem tempo de falar alguma coisa e já tinha se mandado cantarolando que tinha arrancado duas garrafas de vinho de Li. Syaoran frechou a porta sorrindo de forma divertida com as atitudes de Kaho. Soltei um longo suspiro pensando no que fazer agora com Meilyn encarando-me de forma arisca. Será que ela seria capaz de pular no meu pescoço? Se eu tivesse que apostar, apostaria que sim. Isso era desesperador.
'Bem, acho melhor você arrumar suas coisas no quarto, Meilyn.' Li falou quebrando o silêncio depois da saída da ruiva.
'É... acho melhor...' A garota falou caminhando em direção ao quarto. 'Você ocupou todo o meu armário?'
'Só ocupei o lado direito.' Respondi tentando ignorar o tom debochado dela.
'Otimo.' Ela respondeu antes de desaparecer para dentro do apartamento. Caminhei até o sofá e praticamente me joguei nele. Estiquei-me para pegar o controle remoto para aumentar o som da televisão.
'E o que você acha, Misty? Como é conviver ao lado do cara que só a vê como uma boa amiga e companheira de aventuras?' Agora estavam num programa de adolescentes. Uma apresentadora estava no meio de alguns jovens. Na tela estava o rosto de uma adolescente ruivinha.
'Acho que no fundo o Ash não tem muito tempo para pensar em garotas...' Ela começou a falar com a voz tímida.
'Então ele é gay!' Um dos rapazes que estava na platéia gritou.
'Ah com certeza é.' Ouvi a voz de Syaoran quase ao meu ouvido. Virei-me um pouco assustada e dei de cara com o meu primo que estava atrás do sofá com os cotovelos apoiados no móvel fazendo assim com que seu rosto ficasse a altura do meu.
'Você não tem provas.' Quis contrariá-lo.
'Quando eu tinha a idade dele eu já tinha até engravidado Kaho.' Retrucou.
'Quinze anos...' Falei balançando a cabeça. 'Você é um irresponsável, Syaoran.'
'Era.' Ele falou dando a volta no sofá e sentando ao meu lado. Escorregou um pouco ficando mais confortável. 'Mas não posso reclamar, tive sorte por ter sido com Kaho.'
'Nunca ouviu falar em sexo seguro, não é?' Meu tom era de desaprovação. Eu sei que não tinha nada haver com isso, mas não tinha como não imaginar um moleque como aqueles que estava vendo na televisão pai! Era surreal demais!
'Quando a gente está no...' Ele parou de falar olhando para mim rapidamente. Está bem que eu sou virgem, mas nem por isso não saiba como as coisas acontecem, não é? Televisão, revista, cinema... tudo hoje em dia mostra sexo! 'Bem, você não... quer dizer...'
'Você está querendo dizer que quando estava nas preliminares não pensou nada disso?' Acabei formulando a sentença para ele, pois vi que ele demoraria um ano para fazer a frase explicando o que eu já sabia.
'Isso! Na hora não dá para pensar... quer dizer, não dava. Hoje em dia eu não me preocupo mais com isso.'
Virei-me para ele sem entender. 'Como assim, Syaoran? Você deve se preocupar mais ainda! Quer ter uma penca de filhos, é? Imagina um monte de Syaoranzinhos para atazanar o mundo?!' Falei com o tom bravo. Meu primo já tinha trinta anos, deveria aprender com seus erros e não achar graça e ficar colocando a sorte a prova todas as vezes, com as milhares de namoradas que ele tinha.
Ele sorriu de lado e soltou um longo suspiro. 'Eu fiz vasectomia. Não tenho mais como ter filhos.'
'O QUÊ?!!!' Perguntei assustada. Eu não tinha nada contra este tipo de cirurgia, mas Syaoran era jovem, poderia ainda se casar e ter outros filhos, construir uma família normal.
'Hei por que o espanto? Isso é muito comum!'
Levantei-me revoltada. Se já estava brava, agora eu fiquei quase furiosa em saber o quanto meu primo era insensível e irresponsável. Ele tinha agido de forma egoísta. Tinha tirado a chance de outra mulher de ter um filho dele. Por que apenas a Kaho é que teria este privilégio? Isso não era justo! Quer dizer... No que estou pensando? Por que estou indignada? O problema era dele que preferia não ter mais filhos a fazer sexo sem cuidado... peraí!
'Você transa sem camisinha?' Perguntei abismada.
Li soltou uma gargalhada jogando a cabeça levemente para trás.
'Sabia que é perigoso? Syaoran! Você engravidar uma mulher é o menor de seus problemas... imagina se você... já pensou...' Eu não gosto nem de falar o nome dessa doença, tenho a impressão de que de alguma forma se você falar, a atrai. Coloquei as mãos na cintura olhando para o meu primo que parou de rir e me olhava de forma diferente.
'Não se preocupe, Sakurinha. Eu sei me cuidar... falei brincado com você com relação a não me preocupar com isso. Não sou maluco de me colocar em risco.'
'Ainda bem...' Soltei aliviada. 'Bem acho que vou ver ser posso ajudar Meilyn... ou melhor, vou ver se ela não está jogando as minhas roupas pela janela do quarto.' Falei em tom de brincadeira, mas ia justamente para o quarto para verificar isso. Que Meilyn tinha cara de que fazia isso, tinha.
'Sakura!' Ouvi meu primo chamando-me quando estava já entrando no corredor. Virei-me para ele.
'O que foi?'
Ele ficou um tempo em silêncio apenas me fitando. 'O quê, Syaoran?' Perguntei impaciente.
'Não está sentindo um cheiro estranho?' Perguntou fungando um pouco o ar.
Fiz a mesma coisa e realmente senti um cheiro esquisito. 'Parece cheiro de queimado, não é?'
'Sim, lixo queimado.'
Arregalei os olhos e corri até a cozinha, como eu e ele deduzimos, o cigarro que eu joquei fora sem apagar havia transformado a lata de lixo num incinerador de lixo. Fiz a única coisa que podia, gritei, enquanto observava Li jogando água da pia para a fogueira que havia se transformado nossa lata de lixo.
'Chama o Zé!' Ele mandou.
Peguei o interfone e apertei o botão com mais força do que o aparelho precisava. 'Atende seu E.T.! Atende!!!'
Meilyn apareceu na cozinha perguntando o que estava acontecendo e como era de se imaginar começou a gritar junto comigo. Pelo menos estava sendo solidária ao meu desespero. O trabalho ficou para Syaoran que tentava inutilmente apagar o fogo que começava a se alastrar para a cortininha que havia na cozinha.
A campainha tocou, ainda bem que ela era mais alta do que os meus gritos e os de Meilyn
'Deve ser o Zé! Atende logo, Sakura!' Li ordenou. Eu saí correndo tentando parar de gritar, correr e gritar era muita coisa para o meu fôlego. Abri a porta sem pensar.
'Boa noite.' Yoh apareceu do outro da porta sorrindo. Fiquei sem saber o que falar. 'Estão precisando de ajuda?'
'É claro que estão, Yoh!' Anna falou empurrando-o e eu para passar e entrar no apartamento. Caminhou decidida até a cozinha, fui atrás dela e Yoh seguindo-me. 'Que bagunça.' Falou enquanto observava a confusão na cozinha.
'Caramba. Vou ajudá-lo.' Yoh falou todo zen, como eles conseguiam manter aquela calma perante um incêndio quase avassalador, para mim era um mistério.
'Nada disso.' Anna falou estendendo o braço e impedindo a aproximação do marido às chamas.
'Mas Anna...' Ele tentou questionar. Tentei abrir a boca para pedir que ela o deixasse ajudar Li, mas e ela levantou o braço ordenando-me não falar nada.
'MANTA!!!' Gritou por fim.
Incêndio controlado, estávamos todos tentando nos refazer do susto que aquele cigarro fedorento daquela ex-mulher do meu primo provocou. Bem, na verdade quem havia provocado a tragédia havia sido a pessoa que jogou o cigarro na lata de lixo esquecendo de apagá-lo. A criminosa era eu. Soltei um longo suspiro deixando-me cair exausta no sofá, menos de uma semana em Tókio e eu já havia cometido um atentado contra a vida, poderia ser presa acusada na menor das hipóteses como vândala. Papai morreria de desgosto, enquanto ouviria de Touya para o resto da vida que ele tinha razão em ter sido completamente contra a minha ida para a capital do país.
'Obrigado pela ajuda.' Syaoran falou para os nossos vizinhos e para o baixinho que estava completamente sujo, pois fora ele quem realmente conseguira apagar o incêndio.
'Não foi nada, Li.' Anna agradeceu como se fora ela a responsável pelo salvamento, mas só havia ficado sentada no sofá, lixando as unhas e me pedindo petiscos para comer.
'Mas como isso aconteceu?' Meilyn perguntou com a voz rouca de tanto gritar. Instantaneamente encolhi os ombros. Agora era que eu estava ferrada, a garota ia tentar me matar à noite com a desculpa de que eu era um perigo para a integridade física dela e do pai. Senti o olhar de Syaoran sobre mim, mas não tive coragem nem de olhar para ele, como falei, era covarde para estas coisas.
'Estas coisas acontecem Meilyn.' Ele respondeu, nitidamente me protegendo. 'O importante é que estamos bem e um mal maior foi contornado graças à ajuda de nossos vizinhos.'
'Que é isso, Li! Foi um prazer poder ajudá-los.' Yoh falou sorrindo e passando um braço pelos ombros do meu primo. Syaoran sorriu para eles. 'Além disso, o herói contra o incêndio, foi o Manta.'
'Assim você me deixa sem graça, Yoh.' O baixinho falou encabulado.
'Que filho esquisito que você tem.' Meilyn falou olhando para o baixinho.
'Filho? Está maluca, garota!' Anna falou levantando-se. 'Vê se eu teria um filho cabeçudo como o Manta?'
'Ela falou brincando, Anna. Mas seria legal ter o Manta como filho. Seria legal não é Manta?' Yoh falou sorrindo para o amigo que tinha estrelinhas nos olhos.
'Vamos embora!' Ela ordenou como um general saindo e logo sendo seguida pelo marido e pelo baixinho.
Fechei a porta ainda agradecendo a ajuda deles e voltei-me para Meilyn e Syaoran. Tinha que pelo menos limpar a bagunça que havia feito. A garota espertamente saiu de fininho bocejando e dizendo que estava morrendo de sono deixando-me sozinha, nem reclamei. Fui em direção à cozinha ainda sentindo o olhar de reprovação do meu primo sobre mim, não agüentei, virei-me para ele de repente e falei de uma vez o que queria:
'Desculpe-me! Eu deveria ter apagado o cigarro, eu não deveria ter tirado o cigarro da mão dela, desculpa. Eu vou arrumar tudo, eu compro uma lixeira nova e uma cortina nova e se eu estraguei o fogão compro um também. Juro que isso não vai acontecer mais, juro.' Falei logo tudo de uma vez e abaixei os olhos, envergonhada, sentia-me como uma criança quando fazia uma arte, esperando apenas o papai dar uma bronca, rezando para que ele não me batesse, sempre minhas rezas deram certo, mas porque papai era um homem incapaz de levantar a mão para alguém, agora o grosso do meu primo... eu tinha a impressão de que ele me colocaria no colo e me daria umas palmadas no meu bumbum.
Senti quando ele parou na minha frente e instintivamente encolhi-me mais ainda. 'Foi apenas um acidente. Mas seria melhor comprar um cinzeiro para que isso não aconteça mais.'
Levantei os olhos para ele e o vi com um sorriso doce nos lábios, talvez estivesse como eu aliviado pelo incidente não ter sido mais perigoso. Pisquei os olhos sentindo um alívio no peito, era tão bom se sentir perdoada! Não resisti em fazer o que fazia quando acontecia a mesma coisa com o papai, abracei o meu primo forte agradecendo por ele ter me perdoado. 'Prometo que vou comprar amanhã de manhã um cinzeiro.' Falei com a voz chorosa.
Oh Happy Day! (Oh Happy Day)
Oh Happy Day! (Oh Happy Day)
O despertador começou a tocar ao meu lado. Droga! Havia esquecido de desligar ele ontem a noite, mas quando me deitei na cama estava tão cansada por ter limpado a cozinha inteira que o despertador nem me passou pela cabeça.
When Jesus washed (When Jesus washed)
'Desliga esta droga.' Ouvi uma voz arrastada ao meu lado. Levantei a mão e bati no relógio desligando-o, finalmente. Tentei rolar um pouco na cama, mas bati em alguém. Tinha perdido mais da metade da minha cama para a filha de Syaoran. Hoje era sábado, tinha o direito de tentar dormir mais um pouquinho.
When Jesus washed (When Jesus washed)
Whashed my sins away
'Pelamor-de-Deus! Desliga este negócio!'
Droga, eu sem querer apertei o botão da soneca. Resolvi desligar o despertador da tomada assim não corria o risco dele nem sonhar em resolver fazer barulho. Não tinha mais como tentar voltar a dormir. De Happy meu dia não prometia nada. Levantei-me espreguiçando um pouco e virei-me para trás. Meilyn estava esticada na cama com os braços e as pernas abertas, agora entendi o porquê da minha dor nas costas. Provavelmente dormi encolhida num cantinho da cama a noite inteira. E eu que pensei que foi de esfregar o chão de madrugada. Caminhei um pouco pelo quarto sentindo a coluna dolorida e os ombros tensos. Se eu arranjasse um marido como Meilyn teríamos que dormir em camas separadas.
Fui até o banheiro lavar o rosto e relaxar um pouco, meus ombros estavam realmente me matando. Depois fui até a cozinha com passos arrastados para preparar o café da manhã. Será que Meilyn tomava café? Bem, faria um pouco mais, do jeito que ela era mimada se não tivesse café e ela gostasse de café faria um escândalo, indo para a televisão dizer que a prima malvada do pai dela, lhe dava apenas pão e água. Olhei para a cozinha limpa, porem havia uma mancha grande negra na parede onde havia a janela de ventilação. Teria que mandar alguém pinta-la depois.
Peguei o jornal na porta do apartamento e li as manchetes. Sentia-me tão mal ainda pelo incidente que por alguns segundos cheguei a pensar que o jornal viria com a manchete: "Mulher virgem maluca coloca fogo no apartamento do primo galinha por inveja." Ainda bem que isso havia ficado apenas na minha imaginação. Terminei de ler o que queria preparando o desjejum, foi eu recolocar o jornal em ordem e meu primo apareceu na porta da sala. Como sempre de shorts apenas.
'Bom dia!' Cumprimentei virando-me de costas e abrindo a geladeira para tirar a geléia e o queijo.
'Bom dia.' Ele respondeu com a voz um pouco arrastada. 'Pensei que dormiria até mais tarde hoje.'
Peguei o que queria e coloquei tudo no balcão onde Syaoran havia se sentado. Estava com tanta dor nas costas que sentia meu pescoço duro e sem movimento. Levei a mão esquerda até o meu pescoço e apertei um pouco minha nuca e o ombro. 'Acho que dei mal jeito ontem com a confusão.' Usei isso como desculpa. Mas me assustei quando ouvi uma risadinha incrédula do meu primo.
'Kaho também tem mania de dormir esparramada. Era um inferno.' Li falou descobrindo o porque do meu mal estar pela manhã. A garota tinha herdado alguns defeitos da mãe. 'Vem cá.'
Virei-me com dificuldade e o vi estendendo a mão para mim. Ergui uma sobrancelha, sem entender o que ele queria.
'Vou fazer uma coisa por você. Bem ou mal, você está assim por culpa minha.' Ele falou pegando a minha mão e me puxando até o sofá da sala onde me obrigou a sentar. Logo senti as mãos pressionando devagar os meus ombros tensos. Nossa! Esta era novidade! Não é que o priminho sabia fazer massagem. 'Aprendi a fazer massagem com uma antiga namorada que era massagista. '
'Não diga...' Sussurrei fechando os olhos enquanto apreciava a massagem de Syaoran.
'Ela tinha mãos de fada.'
'Então você aprendeu muito bem.' Falei sem querer.
'Eu sou o melhor em tudo, Sakurinha. Ainda não se convenceu disto?'
'Metido... Por que aprendeu a fazer isso? Ai! Ai dói!' Quase gritei quando ele apertou num local mais dolorido.
'Você está tensa demais!' Ele falou apertando mais o local apesar dos meus protestos. 'Acho que esta mudança toda te deixou mais doida.'
'Ai Syaoran... assim dói!'
'Você tem que relaxar mais, se não se soltar vai doer mais ainda.'
Tentei não falar mais nada, mas não pude deixar de gemer de dor, ele estava fazendo uma massagem ou estava me torturando?
'Droga! Relaxa, Sakura!'
'Eu tô relaxada!'
'O que está acontecendo aqui?!' A voz estridente de Meilyn quase fez meus tímpanos estourarem. Li tirou as mãos de meus ombros e levantou-se do sofá encarando a filha.
'Não está acontecendo nada, Meilyn. Além disso, detesto esta sua mania de ficar gritando.'
'Você e ela!' A garota continuou gritando e apontando para mim. 'Estão transando!'
Comecei a ter um ataque de tosse, soluços, espirros, tudo ao mesmo tempo.
'Se estamos ou não, não é assunto para meninas da sua idade, Meilyn.' Li respondeu com a voz calma enquanto eu ainda estava tendo um ataque quase epiléptico.
'Hei Pai, na minha idade, metade das garotas do colégio já transaram.' A garota falou com as mãos na cintura e um olhar desafiador para Syaoran. Vi meu primo franzir a testa encarando a filha. Olhei de volta para Meilyn que ainda o encarava.
'Metade das garotas, não incluem a minha filha.' Ele respondeu por fim.
'Se você pode, eu também posso.' Arregalei os olhos, realmente os jovens da cidade grande são bem avançadinhos, se eu tivesse uma discussão como esta com o meu pai, com certeza ele já teria me dado um castigo daqueles.
'Eu sou maior de idade, tenho uma casa e minha vida. Ainda me sustento, sustento a sua mãe e você. Eu posso transar com quem eu quiser, você não.' Ele respondeu com a voz séria.
'Até parece que se...' Meilyn ainda tentou continuar a discussão, pelo jeito era tão teimosa, quanto o pai.
'Chega, Meilyn. Quando você for maior de idade e tiver sua própria vida poderá fazer o que quiser, enquanto isso, sente-se à mesa e tome o seu café da manhã sem reclamar.' Até eu tive medo do tom de voz do meu primo, sem querer levantei-me e fui quase correndo assim como Meilyn sentar à mesa, começamos a tomar o café que foi silencioso. A garota me lançava cada olhar assassino que eu não queria nem imaginar o que se passava pela cabeça dela, com certeza deveria ser mil e uma maldades contra mim durante a noite. Era melhor eu ir dormir no sofá na próxima noite.
De repente um barulhinho estridente vindo lá do quarto quebrou o silêncio. Levantei os olhos e vi finalmente Meilyn dar seu primeiro sorriso desde que a conheci. Ela levantou-se correndo e foi até o quarto para atender o celular que tocava sem parar. Eu e Syaoran voltamos a ficar sozinhos na mesa terminando de tomar o café. Li estava lendo algo interessante, pois estava com a xícara de café levantada enquanto seus olhos estavam fixos no jornal que estava na sua outra mão. Sem querer abaixei os olhos reparando o peito bem definido do meu priminho. Era incrível como ele tinha exatamente tudo no lugar. Soltei um suspiro sem querer e chamei a atenção dele. Droga!
'Quem é o cara?' Ele falou de repente sem tirar os olhos do jornal.
Arregalei os olhos sem entender. 'Cara? Que cara?'
'É aquele tal de Hiiraguizawa?'
Franzi a testa. Do que diabos o meu primo estava falando? O que Eriol teria haver com aquela pergunta sem pé nem cabeça? Li dobrou o jornal e deu um gole finalmente na xícara finalizando o café. Olhou para mim com o mesmo olhar que fitava Meilyn.
'Você estava suspirando.' Finalmente falou. Comecei a sentir o meu sangue migrando rapidamente para minhas bochechas. 'Estava pensando em quem, para suspirar daquela maneira.'
O que dizer numa hora como esta? Diga-me? O que eu vou dizer para ele? Que estava suspirando por ele ao reparar em como ele é perfeito? Que estava suspirando imaginando como deve ser tocar aqueles músculos trabalhados? Abaixei os olhos fixando-os em um ponto qualquer da mesa, ou melhor, num grãozinho de açúcar que estava perto do meu pires. Em uma outra situação ele seria completamente ignorado, mas naquele instante era bem interessante analisar o grãozinho.
'Bem, antes ele do que o Tao.'
TAO?! Levantei o rosto fitando Syaoran que tinha o olhar duro agora.
'Ele andou perguntando por você para mim ontem à noite quando estávamos treinando na academia.' Falou debruçando-se na mesa e me fitando de mais perto. 'Está mais vermelha que o de costume Sakurinha. Você e ele não estão flertando, estão?'
'Eu? Flertando? Com o Tao?' Falei afastando-me dele e quase caindo da cadeira. 'Que idéia ridícula. Eu só o encontrei duas vezes. Além disso, sei que ele é noivo. Não quero me meter em confusão, Syaoran.'
'Bom saber disso. Se ele estiver a cercando eu acho que não vou maneirar no próximo treino.' Falou levantando-se e começando a retirar as coisas da mesa.
Até parece que ele era capaz de ameaçar o Ren. O Ren era muito mais forte, tesudo, musculoso e saradão do que ele. Inclinei a minha cabeça de leve observando Syaoran lavando a louça do café. Os movimentos dos braços faziam com que eu reparasse nos músculos dele. Está bem, meu primo é tesudo e sarado como o Ren. Balancei a cabeça de leve, era melhor parar de pensar nestas coisas e ligar para a Tomoyo para acertarmos tudo para a festa de hoje a noite. Comecei a recolher as coisas da mesa e guardar na geladeira ou no armário. Os talheres e pratos, coloquei na pia aproveitando que Syaoran já havia colocado a mão na massa, ou melhor, na água.
'Estava pensando em passear hoje pela cidade, o que você acha?' Ele falou de repente.
Franzi a testa e voltei-me para Li. 'Passear pela cidade?' Repeti.
'Sim. Poderíamos ir a torre de Tókio ou no parque central. Há uma ótima feira náutica também.'
Passei os olhos pelo relógio e vi que não eram nem oito da manhã. A festa era apenas às dez da noite, teria o dia inteiro para não fazer nada.
'Podemos sair os quatro, hoje.' Ele continuou.
'Quatro?' Perguntei erguendo uma sobrancelha. Fiz as contas rapidamente e se minhas faculdades mentais estavam boas ainda nós somos três. Meilyn, ele e eu... Ah deveria ter então uma quarta.
'Quem vai conosco?'
Ele terminou de ensaboar o prato e falou como quem não quer nada. 'Uma amiga.'
Ah-ah! Como sempre, eu estava certa. 'Amiga?' Perguntei aproximando-me dele. 'Aquela tal de May?'
'Não.' Falou balançando a cabeça de leve. 'Eu e May tivemos um desentendimento e resolvemos dar um tempo em nossa relação.'
'Tempo?'
'É. Ela não é tão compatível assim comigo. Então acho que esta minha amiga seria uma ótima companhia para a Meilyn, já que é uma mulher centrada e com uma personalidade marcante, além de ser...' Ele parou de falar de repente e olhou para mim de esgueira.
'Além de ser?' Perguntei balançando meu corpo de leve.
'Além de ser uma pessoa maravilhosa.' Falou por fim, quer dizer, mentiu por fim! Era claro que não era isso que ele iria falar.
'Hei Papai!!' Meylin chegou de repente sentando-se à mesa para finalizar o café da manhã. Tinha um sorriso de orelha a orelha, com um rosto completamente diferente da alguns minutos atrás. 'A festa está confirmadíssima hoje às dez da noite e o senhor não precisa me levar.'
Putz, esta declaração ia dar muito pano para a manga, era melhor eu cair fora. Observei meu primo virando-se lentamente para a filha enquanto secava as mãos com o pano de prato. 'E quem vai levar a senhorita?'
'Um amigo.' Falou com o mesmo tom que Li havia falado da tal amiga que passearia hoje conosco, não pude deixar de rir, mas fui rápida o suficiente para tampar a boca com as mãos antes que meu primo percebesse. Bem era claro que ele percebeu, mas estava com a mente ocupada demais com o amigo de Meilyn. Como diria Nakuru: Saída rápida pela direita. Estava na hora de colocar em prática o que aprendi no curso avançado com minha colega de trabalho. Comecei a caminhar em direção ao meu quarto ainda ouvindo a voz contrariada de Syaoran e a voz alegre de Meilyn. Verdade seja dita, a genética não falha! A garota teve a quem puxar.
Every night in my dreams I see you, I feel you
That is how I know you go on.
Far across the distance and spaces between us
You have come to show you go on.
Abri meus braços e fechei os olhos encostando-me na beirada da grade de proteção na proa do barco. Podia sentir o vento batendo forte no meu rosto.
"I´m the Queen of the Word!" Principalmente se eu tivesse um Leonardo di Caprio ao meu lado. Ouvia o barulho e o perfume das águas do oceano atlântico por onde viajávamos a toda velocidade em direção a terra do tio Sam.
Near, far, wherever you are.
I belive that the heart does go on.
Once more, you open the door
And you're here in my heart.
And my heart will go on and on.
Não pude deixar de sorrir maravilhada com a visão que eu tinha em minha mente. O mundo inteiro aos meus pés, como se eu estivesse voando. Mas não queria voar sozinha. Eu queria voar com alguém, alguém especial. Alguém unicamente para mim. Se Rose que era uma burguesa que reclamava com a barriga cheia tinha encontrado Jack por que eu não poderia encontrar o meu Jack?! Eu tinha o direito a um Jack também!
Love can touch us one time and last for a lifetime.
And never let go till we're gone.
Love was when I loved you, once true time I hold to
In my life we'll always go on.
Foi em meio às minhas súplicas a Deus por um Jack moreno, já que eu não sou muito chegada a loiros, mesmo que eles sejam parecidos com o Leo di Caprio que eu senti um braço enlaçar a minha cintura.
'Jack.' Soltei. Finalmente! Pela primeira vez meus pedidos foram atendidos e de forma bem rápida. Deus deveria estar trabalhando via Sedex 10! Em menos de dez segundos, meu Jack havia me encontrado.
Near, far, where you are.
I believe that the heart does go on.
Once more, your open the door
And you're here in my heart.
And my heart will go on and on.
'Jack?!'
(Barulho de disco arranhado)
Abri os olhos rapidamente e virei-me para trás. Dando-me conta da minha dura realidade. Não estava no meio do oceano atlântico nos braços do meu Jack, mas sim parada como uma maluca na proa de um dos barcos que estavam sendo exibidos na feira náutica japonesa. E adivinha quem eu pensei que fosse o meu, e somente meu Jack?
'Quem é Jack? E dá para sair da beirada? Está ficando maluca?' Syaoran falou afastando-me da proa do barco. 'E fecha estes braços, o que você pensa que está fazendo? Vai bater asas e sair voando?'
'Chato.' Foi a única coisa que eu soltei abaixando os braços e o rosto que provavelmente estava vermelho como um tomate maduro. Droga, o meu primo tinha que aparecer justo na hora que eu estava sonhando? Verdade seja dita que eu vivo sonhando, pelo que eu saiba sonhar até um certo ponto é saudável, tudo bem que provavelmente eu já passei deste ponto, há muito tempo, mas vamos ignorar este pequeno detalhe.
'O que ela estava fazendo?' Ouvi Meilyn perguntando enquanto se aproximava da gente.
'Estava sonhando.' Li respondeu. 'Como sempre.' Completou olhando bem para minha cara. 'Anda, quem é este tal de Jack? É algum americano que você conheceu na revista?'
'Não enche Syaoran. Não existe Jack nenhum.' Falei atravessando o convés e descendo as escadas para o chão tentando ignorar os olhares curiosos e zombeteiros que estavam direcionados a mim por quase todas as pessoas da feira.
'Então porque eu a ouvi chamando-o?' Ele não desistiria tão fácil, não é? Que graça teria? Eu era um prato cheio para transformar a vida dele menos entediante devido as minhas maluquices e ele era um limão azedo na minha.
'Ouviu mal.'
'Não! Quem bate mal da cabeça é você, e eu escuto muito bem, Sakurinha.' Ele não desiste nunca! Cadê a Meilyn para encher o saco dele e me deixar em paz.
'Não escuta não. Eu nem sei quem é este tal de Jack que você está falando.' Bem eu tinha que desconversar de alguma maneira não é? Imagina se seu confessasse que eu estava sonhando com um estúpido personagem de um filme de amor?
'Ah-ah!' Meilyn gritou do nada ao meu lado. De onde ela surgiu tão rápido? Era melhor eu começar a pensar no que pedir a Deus, ele estava enviando as coisas rápidas demais e sem critério de qualidade. 'Aposto como ela estava sonhando com o Jack Dawson!'
'Jack Dawson? Quem é o cara?'
Do que Meilyn estava falando? Ah não!!!! Ela viu Titanic!!! Mas como? Ela é uma menina tão moderna, como ela conseguiu ver o cúmulo do romantismo cinematográfico? Adolescente revoltada de araque!!!
'É o Jack de Titanic!'
'Ah olha só! A sua amiga está lá sozinha!!!!' Gritei do nada puxando o pulso do meu primo e afastando-o definitivamente de Meilyn e sua explicação de quem era o meu Jack. Eu não estava nem aí para a amiga mal humorada de Syaoran, mas naquela hora o rosto fechado dela me chamou a atenção. Como dizem: a ocasião faz o ladrão.
'Finalmente podemos continuar a apreciar a exposição.' A mulher falou assim que nós dois nos aproximamos. Eu ia retrucar, mas achei melhor deixar para lá, agora ela estava sendo-me muito útil. Sorri e fitei meu primo que me olhava de forma atravessada, abri mais o sorriso amarelo e soltei um suspiro aliviado, quando ele parou ao lado da "amiga" e continuou a caminhar pela exposição.
'Você é bem safadinha.' Meilyn parou ao meu lado. 'Sonhando com o tudo de bom do Leonardo di Caprio em plena feira náutica.'
'Dá para você esquecer esta passagem infeliz?'
'Tudo bem. Vou abafar o caso... por enquanto.' Ela falou sorrindo maliciosamente para mim, depois virou-se observando o pai e sua companheira. 'Detesto quando ele faz isso.'
'Seu pai é um homem jovem.'
'Mas porque ele não escolhe só uma? Precisa mudar toda a semana?'
Naquela hora não soube o que dizer para a garota. Não podia achar que ela estava sendo egoísta, também não gostaria de ver meu pai com outra mulher mesmo sabendo perfeitamente que ele era um homem livre.
'Que tal continuarmos o passeio?'
'Detesto barcos... enjôo sempre.' Meilyn comentou. Era claro que ela enjoava, ela já era enjoada por natureza. 'Pior do que agüentar este programa de índio é agüentar as suas duas namoradas, papai.'
Apenas rodei os olhos, já estava cansada de corrigi-la dizendo que eu era apenas prima do pai dela. Continuamos o passeio constrangedor, até que Meilyn parou pedindo desesperadamente para irmos embora.
'Vamos embora.' Exigiu.
'Mas ainda não vimos a outra parte.' Syaoran argumentou com a voz doce. 'Falta pouco.'
'Eu quero ir embora agora. Não agüento mais, meus pés estão doendo.' Falou cruzando os braços com cara emburrada mostrando claramente que dali não saía e ninguém a tiraria.
'O que está acontecendo?' Uma voz baixa lembrou-me que não estávamos sozinhos, havia uma morta viva entre nós: a amiga de Syaoran...
'Não é nada, Kikyou.' Meu primo respondeu com a voz um pouco cansada. No fundo sabia que ele não gostava das malcriações de Meilyn, ele realmente era muito jovem para ser pai de uma adolescente. Quem mandou não usar camisinha...
'Eu quero ir embora. Agora.' Meilyn retrucou, e eu tinha certeza que era apenas para implicar com a amiga do pai. 'Estou cansada. Com fome. Sem saco.'
'Sua filha deveria ser mais sutil e menos inconveniente, querido.' Aquela mulher sabia com quem estava lidando? Meilyn não era apenas uma adolescente, era um resultado genético do pior que havia no mundo: meu primo e uma bebum doida!
'Quem você pensa que é, sua morta viva?' Não disse?
'Meilyn! Não gosto de escândalos.' Li repreendeu a filha. Que lançou um olhar tão perverso para a tal Kikyou que se eu fosse ela, começaria a temer pela vida, no entanto ela apenas sorria e se agarrava mais ao braço de Syaoran. Havia me esquecido: ela já era uma morta viva. Não pensem que é apenas implicância que eu tinha com ela, era isso também, mas não apenas isso, a mulher era branca com uma folha de papel e não havia expressão alguma no rosto dela, só aqueles olhos de peixe-morto. Não poderia negar que Meilyn havia dado um apelido bem pertinente à "amiga" de Li.
'Deixa, Syaoran. Crianças são assim mesmo... vamos?' Ela falou como sempre, inabalável. 'Se ela quiser ficar aí sentada, a Sakura lhe faz companhia, não é querida?'
O que a gente fala numa hora como esta? NÃO!
'Você faz companhia para a Meilyn, Sakura?' Syaoran perguntou olhando para mim diretamente.
'Sem problema.' Sou uma idiota! Mil vezes idiota!!!
'Tudo resolvido. Vamos Syaoran?' A Morta Viva chamou puxando-o e afastando Syaoran de nós. Li ainda estava virado para nós provavelmente com remorso de deixar a filha com o rosto emburrado e eu ao lado dela, talvez aquela fosse a ultima vez que ele me visse viva.
De repente parou, falou alguma coisa com Kikyou e caminhou até a gente. Reparei que Meilyn abriu um sorriso vitorioso. 'Sakura, toma aqui um dinheiro e compra sorvetes para vocês enquanto eu termino de ver a feira com Kikyou, certo?' Falou estendendo uma quantia boa para mim. Fiquei na dúvida se pegava ou não e é claro que a esperta filha de Kaho pegou da mão do pai o dinheiro.
'Pode deixar comigo.'
Li sorriu amarelo para mim e mexeu os lábios dizendo que já voltava antes de correr em direção a Kikyou. A situação dele realmente não era uma das mais fáceis. Pelo menos eu poderia tentar ajudar, estava morando na casa dele de favor e ontem quase havia matado ele e a filha, incinerados, era o mínimo que eu podia fazer. Olhei para Meilyn que contava o dinheiro possessivamente. Correção: Era o máximo que eu podia fazer.
'Vamos, Sakurinha.' Ela falou do nada rindo e puxando-me como se eu fosse eu mesma e ela, Nakuru. Não tinha como disfarçar a surpresa pelo ato de Meilyn, mas pensando friamente enquanto ela me arrastava pela feira (eu sempre sou arrastada por alguém, já perceberam?) entendi que ali eu talvez fosse a única que ela poderia ter como aliada, já que ela cismou que eu era a oficial do pai dela, logo inimiga da morta viva. Inimigo de inimigo meu, é meu amigo. Esta deveria ser a filosofia da garota.
'Não sei como você consegue ficar quieta com aquela morta viva pendurada no braço do papai.' Ela falou com a voz brava caminhando em direção à sorveteria.
'Ela é amiga do seu pai, deveria tratá-la bem.' Recomendei para ela e para mim mesma.
'Ela é uma... Argh! Saco!' Soltou revoltada cruzando os braços. 'De ossos!' Sorri observando o rosto emburrado de Meilyn bem parecido com o de Syaoran antes de eu sair com Eriol para jantar. Pensando em Eriol... será que ele já esqueceu do que aconteceu conosco há alguns dias atrás? Será que ainda está chateado comigo? Bem, isso eu acho que não, deve ter passado, pois ele me convidou para ir ao lançamento do livro da Kath... mas e se ele fez isso apenas por educação?!
'Quer de que sabor o sorvete?!' Meilyn deu um berro despertando-me.
'Sabor?'
'É, oras!'
'Morango, por favor.'
O sorveteiro nos deu o que pedimos.
'Aquela morta viva é esperta, mas eu vou arrancar o papai das garras daquela zumbi. Pode apostar!'
Ainda bem que eu não apostei. O resto do passeio foi tranqüilo, tirando o fato de Meilyn continuar com o rosto emburrado, ter tentado empurrar Kikyou pela escada abaixo durante nossa subida a torre de Tókio, simular um desmaio alegando pressão baixa, colocar mais sal do que devia na batata frita de Kikyou e ainda ficar puxando o pai por um braço enquanto a mulher puxava pelo outro, foi tudo ótimo. Principalmente para mim que quase morri de rir.
Agora estávamos sentados todos num restaurante acolhedor e divertido. Meilyn estava sorrindo já que a sua frente havia um belo chesseburger. Li tinha a intenção de levar-nos para um lugar menos jovial, mas a garota quase teve um ataque, então para o bem de todos, resolveu ceder. Ao fundo havia alguns jovens tocando aquelas músicas que se ouvia nas rádios de bandas americanas. Syaoran e Kikyou estavam a minha frente mostrando pelos seus rostos que seus gostos musicais eram completamente diferente daquilo.
'Este lugar é o máximo!' Meilyn exclamou antes de morder com vontade o sanduíche.
'É jovem...' Kikyou comentou, mas eu senti em sua voz uma leve desaprovação.
Não comentei nada, era verdade que não gostava muito de ambientes assim, mas se estava fazendo uma matéria sobre jovens de Tókio aquele lugar viera bem a calhar. Syaoran tentava fazer de tudo para ser simpático com Kikyou e com Meilyn.
'E como vai o caso dos Kito?' Kikyou puxou assunto com Syaoran, nitidamente ignorando eu e Meilyn.
'Segunda irei me encontrar com a senhora Kito para tentar entrar num acordo. É o mais vantajoso para ela.' Respondeu.
'Não sei porque Naraku resolveu lhe dar um caso tão banal, Inuyasha ou aquela boba da Kagome poderiam resolve-lo sem problema.'
'Eles estão sobrecarregados de casos, não havia motivos para eu negar uma ajuda.'
'Eu sabia que você só pegou este caso ridículo por causa da incompetência daqueles dois. Você também está com um caso difícil e fica perdendo tempo com outro idiota. Kagome realmente é uma incompetente.'
'Ela é sua irmã. Não deveria falar assim.'
Franzi a testa, se já não gostava daquela Kikyou, agora sabendo que ela estava se referindo à irmã daquela maneira, começava a detestá-la. Tudo bem que Touya não era o modelo de irmão, mas duvido que ele falaria de mim assim para os outros... ou não? Agora fiquei na dúvida.
'E é só por isso que ela continua na firma. Da mesma maneira que Inuyasha continua lá, porque Sesshoumaru é advogado sênior.'
'Sesshoumaru é sênior porque tem mais anos de experiência. Logo o garoto será tão bom quanto o irmão.' Ele falou, ao mesmo tempo, que abria o sanduíche para colocar mostarda e Ketchup.
'Duvido. Você acredita muito nas pessoas, Syaoran. Isso é a má influência do Miroku.'
'Miroku tem sido um ótimo colega de trabalho. Tem pouca experiência, mas é muito esforçado.' Li respondeu enquanto arrumava seu hambúrguer.
'Você é bobo em ter paciência de ensinar a um cabeça-de-vento que só pensa em paquerar as moças em vez de trabalhar.' Era impressão minha ou aquela mulher era realmente uma cobra venenosa? Já estava ficando com medo dela! Se ela mordesse a língua e o veneno espirrasse no meu sanduíche era morte instantânea na certa.
'Ah, mas então é por isso que o papai se dá bem com este tal de Miroku. É galinha como ele.'
Arregalei os olhos e vi Li quase cuspir o pedaço de sanduíche que tinha acabado de morder. Kikyou lançou um olhar gélido para a menina que nem se abalou, continuou falando enquanto movia o chesseburger na mão.
'Veja só, ele saiu com a filha e duas namoradas, não é um galinha mesmo?'
'Meilyn...' Syaoran a chamou com a voz baixa e perigosa, mas a menina nem se importou.
'Ah e você sabia, Kikyou, que a minha madrastinha aqui...' Ela falou passando um braço pelos meus ombros. 'Está grávida do papai! Vou ter um irmãozinho nos próximos meses.'
Agora foi a minha vez de literalmente cuspir o pedaço de sanduíche que eu tinha na boca, não queria em hipótese alguma, que por algum motivo do além morresse engasgada com ele como da outra vez, havia me salvado da vez passada, mas vai se saber se terei sorte novamente?!
Syaoran virou-se para mim e sorriu de lado. 'Não ligue Kikyou, Sakura é só minha prima, Meilyn fantasia um pouco.'
'Deu para perceber.' A mulher falou sem se abalar, pelo jeito apenas eu é que havia quase tido um treco com a declaração mentirosa e comprometedora de Meilyn. Mas se eu achava que a garota já tinha jogado todas as cartas na mesa, eu estava redondamente enganada, ela estava apenas começando.
'Eu peguei os dois transando de madrugada.' Ela tinha que ter dito isso logo quando eu estava bebendo um gole de coca para limpar a garganta? Como dois e dois são quatro, aconteceu o de sempre, Cuspi a coca cola toda no meu sanduíche e comecei a ter o meu ataque de soluços, tosses e espirros e me engasguei com a coca. Nada poderia ser mais humilhante.
'Está tudo bem, Sakura?' Syaoran perguntou enquanto Meilyn batia nas minhas costas e Kikyou apenas rodava os olhos.
'Não se preocupe papai, ela não vai perder meu irmãozinho por causa de um engasgo.' Aquela menina tinha que trabalhar na televisão. Ela queria o quê de mim? Que eu tivesse um filho agora?!
'Tenho certeza que não.' Ouvi Li respondendo.
Pouco tempo depois, já recuperada do engasgo, voltamos a comer, isso claro depois que eu pedi outro sanduíche, pois o meu havia ficado nojento com o meu cuspidão de sanduíche e refrigerante.
'Sabia que Sakura é jornalista da revista Universo, Kikyou?' Syaoran falou numa clara tentativa de acabar com o silêncio que reinava à mesa depois das declarações inverídicas de Meilyn.
'Não me diga? Pensei que trabalhasse numa revista menor já que veio do interior.' Não acreditei no que aquela mulher havia falado.
'Uma coisa não tem nada haver com a outra. Não é porque sou do interior, que não possa trabalhar numa grande revista.' Rebati e tenho certeza que não consegui disfarçar que havia detestado a colocação dela.
'Bem para toda a regra há uma exceção. Você realmente deu muita sorte. Até uma coluninha pequena numa grande revista é algo surpreendente.'
Ergui uma sobrancelha e provavelmente estava com uma expressão no rosto, de que ia pular no pescoço daquela mulher, pois Syaoran interviu rapidamente. 'Sakura sempre foi a melhor aluna do colégio e com certeza foi da faculdade. Em Tomoeda há uma ótima faculdade.'
'Acredito que seja boa, para os padrões do interior.' Ela rebateu, fazendo o meu sangue correr rápido pelas minhas veias, senti meus dentes trincarem.
'Antes ter vindo do interior do que do mundo dos mortos...' Ouvi Meilyn sussurrar ao meu lado.
'Você se acha melhor do que eu só porque estudou numa faculdade da capital?'
Ela abriu um sorriso cínico. 'Estudei na melhor faculdade do Japão.'
'E sentiu-se ameaçada pela irmã a ponto de ficar falando mal dela para um colega de trabalho? É isso que você aprendeu nesta melhor faculdade? Como sacanear seus colegas e fazer fofoquinha?'
'Está me ofendendo fedelha.' Finalmente a vi perder aquela estúpida calma. "timo!
'Pelo menos na minha faculdade do interior me ensinaram princípios e ética profissional, diferente desta sua melhor faculdade do Japão que ensina que dormir com colegas de trabalho lhe dará mais status numa firma chinfrim!'
Kikyou levantou-se supetão, pensei que ela fosse voar no meu pescoço. Ouvi a risada alta de Meilyn ao meu lado, provavelmente a garota estava se divertindo já que eu havia conseguido fazer algo que ela tentou o dia inteiro, irritar Kikyou.
'Kikyou, Sakura! Este não é o melhor lugar para discutirmos sobre isso.' Syaoran falou tentando acalmar os ânimos.
'Você é quem deve ter dormido com toda a diretoria da Universo para conseguir uma vaguinha mixuruca lá de Office boy!'
Levantei-me na hora, se ela queria guerra, ela teria guerra. 'Pois saiba que foram eles que me chamaram para trabalhar lá, agora eu acho que foi você que dormiu com todos os advogados daquela firmar para conseguir segurar seu emprego.'
'Garçom! Trás o gel!!!!' Meilyn gritou alto.
'Quem é você garota para julgar o que eu fiz ou não?' Kikyou falou e por alguns instantes vi nos olhos dela duas labaredas. Sorri de lado, fogo já não era problema para mim.
'Pois eu realmente não sei o que os homens vêem numa pilha de ossos como você!' Era melhor o garçom correr com o gel. Kikyou em minhas mãos não duraria um minuto.
'E você que não passa de uma anã esticada! Nem seios direito você tem!' Falou estufando os dela para mostrar que eram bem maiores que os meus. Trinquei os dentes, ela já estava pegando baixo demais.
'Aposto como você colocou silicone!'
'Esta é a minha madrastinha!' Meilyn falou levantando-se e colocando-se ao meu lado numa clara demonstração de apoio à guerra.
'Agora chega!' Syoaran levantou-se e ficou entre nós duas, por alguns segundos acho que ele pensou que rolaríamos pelo chão, bobinho.
'Foi esta mal amada, solteirona, e aposto que virgem quem começou!'
Arregalei os olhos, mas logo franzi a testa, atrás de mim conseguia imaginar dois grandes Ss (de Super Sakura) feito de chamas, enquanto fechava os punhos.
Música instrumental de Rocky, o lutador (aquela mesmo que vocês estão pensando! Tã... Tã tã tã... Tã tã tã...)
'Você!' Gritei apontando para Kikyosso. 'Já era!'
Foi a última coisa que eu falei antes de pular por cima da mesa e alcançar o pescoço ossudo da morta viva, caímos as duas no chão e ela já foi puxando o meu cabelo com força.
'PORRADA! PORRADA!' gritaram os jovens que se encontravam na lanchonete. (foi eles?)
'É isso aí, Sakurinha!!!' Meilyn gritou. 'Pega o cabelo dela também!!! Isso, puxa! Com mais força!!!'
Confesso que não via mais nada na minha frente, tudo estava com a tonalidade vermelha. Kikyou estava em cima de mim tentando me arranhar a cara, mas consegui empurra-la e finalmente ficar em cima dela.
Nunca fui violenta. A última pessoa, sem contar o meu irmão Touya, com quem havia realmente brigado de cair assim no braço havia sido com Syaoran quando ele tinha 12 e eu 9 anos. Ele havia quebrado o pescoço da minha Barbie preferida e eu tinha que me vingar, claro que no confronto, eu havia saído mais machucada do que ele, mas agora seria diferente, não estava brigando por uma Barbie quebrada, aquela mulher estava tentando me humilhar na frente de Syaoran!
Agora eu, é quem estava por cima do saco de ossos, estava pronta para dar meu golpe fatal quando senti ser puxada para longe de meu alvo. Syaoran me pegou pela cintura e me levantou fazendo com que não conseguisse alcançar meus pés no chão, tentei me soltar enquanto ainda xingava a Kikyosso que também não parava de me ofender, cada vez com insultos mais baixo nível e impossível de serem publicados neste fic onde menores podem ler.
'Agora chega! O gerente chamou a polícia!' Finalmente consegui entender o que o meu primo gritava para mim. A última coisa que eu pensei foi: Ferrou!
Risin' up, back on the street
Did my time, took my chances
Went the distance, now I'm back on my feet
Just a man and his will to survive
So many times, it happens too fast
You change your passion for glory
Don't lose your grip on the dreams of the past
You must fight just to keep them alive
It's the eye of the tiger, it's the thrill of the fight
Risin' up to the challenge of our rival
And the last known survivor stalks his prey in the night
And he's watchin' us all in the eye of the tiger
Face to face, out in the heat
Hangin' tough, stayin' hungry
They stack the odds 'til we take to the street
For we kill with the skill to survive
It's the eye of the tiger, it's the thrill of the fight
Risin' up to the challenge of our rival
And the last known survivor stalks his prey in the night
And he's watchin' us all in the eye of the tiger
Risin' up, straight to the top
Have the guts, got the glory
Went the distance, now I'm not gonna stop
Just a man and his will to survive
It's the eye of the tiger, it's the thrill of the fight
Risin' up to the challenge of our rival
And the last known survivor stalks his prey in the night
And he's watchin' us all in the eye of the tiger
The eye of the tiger...
N/A:
Demorou, mas chegou!!! Foi mal novamente pela demora para postar este capítulo, mas eu fiquei um ano decidindo quem seria a "amiga" do Syaoran e a escolhida foooooi a morta viva mais odiada no mundo dos animes: Kikyou!!!! E como vocês puderam perceber o pessoal de InuYasha faz parte do staff da firma do Li. Um dia a Sakurinha vai encontrar com eles e com muito mais gente. Para quem gosta da Kikyosso, foi mal aí, mas fui altamente influenciada pela minha revisora Rô.
Como sempre eu provavelmente causei revolta neste capítulo fazendo a Kaho Mizuki ex-esposa do Syaoran e mãe da Meilyn. Como eu falei inúmeras vezes neste fic vocês encontrarão os personagens em papéis e situações, completamente diferentes do usual nos meus e na maioria dos outros fics, é esta a minha intenção. Pelo menos neste fic, eu quero que vocês fiquem com a sensação de que nunca saberão o que irão encontrar e com quem se deparar ao lerem. Achei que a Kaho ficaria perfeita no papel da ex-esposa que vive no pé do cara, não necessariamente querendo voltar para ele, mas como uma amiga. Achei legal também mostrar o Syaoran como um ex-pai adolescente que se envolveu com uma mulher mais velha e esqueceu de usar camisinha! Como a filha chata e ciumenta, nada melhor do que a Meilyn para este papel, não é?
Sei que muitos estavam esperando a grande festa da faculdade de Tókio, mas eu queria apresentar primeiro a Meilyn e acabei escrevendo demais sobre este encontro hehehe No próximo capítulo com certeza será a festa, e eu posso garantir que nossa Sakurinha irá se meter em muita confusão. Eu ia falar quem seria as próximas participações especiais mais minha revisora e agente aconselhou-me a deixar vocês com a pulga atrás da orelha tentando imaginar quem irá aparecer mais na vida desta louca mulher chamada Sakurinha hehehe.
Agora vamos às músicas na ordem que apareceram:
Toxic – Britney Spears: Eu sei que eu prometi não colocar mais músicas da ex princesinha do pop e hoje Madonna genérica, mas esta música veio bem a calhar para a situação da Sakurinha caindo na tentação... e que tentação!
Pedacinho da música Happy Day cantada por não sei quantos corais em um milhão de filmes natalinos que passam na sessão da tarde no final do ano. Ah e a Rô lembrou bem da propaganda de manteiga protagonizada pelo Oscar, jogador de Basquete, e o filho dele.
My heart will go on – Celine Dion: Como todos sabem trilha Sonora de Titanic. Não resisti em fazer a Sakurinha pagar um mico básico, até porque este mico eu já paguei, mas eu estava numa lancha mesmo hehehe
Eye Of The Tiger – Survivor: Eu desafio vocês agora, quem sabe que música é esta?! Pela circunstância que ela foi posta acho que a maioria deve ter sacado que é a musica do Rocky não é? Hehehe Apesar de que este filme não é da época da maioria hehehe. Vamos abafar o caso.
Sem mais delongas, eu me despeço agora. Novamente foi mau pela demora na postagem do fic, não vou prometer atualizar ele num dia certo, pois não ando cumprindo prazo algum. Para os que quiserem acompanhar o andamento dos fics acessem a página do NAK: www(ponto)n-a-k(ponto)cjb(ponto)net pois lá eu ando colocando algumas novidades sobre os meus fics. E ah uma super novidade no NAK, agora para o pessoal que não conhece os outros personagens do fic que não são de CCS podem conhece-los na sessão "Sobre os Fics", minha filhinha Marjarie fez um super resumo com fotos do pessoal.
Outra propagandinha básica é sobre o fic: OS KINOMOTO em que eu e Touya somos os patriarcas de uma adorável família. Se quiserem rir mais ainda é só ler este fic feito a oito mãos literalmente.
E para finalizar eu não poderia deixar de falar (Rimou!): SEM BARREIRAS – Nos Braços do Amor já está on line!!! Este fic maravilhoso da Rô que já teve participação especialíssima em Luzes de Tókio já está sendo postado. Para quem acompanhou as duas primeiras partes não deixem de acompanhar a última e para quem não leu este fic, você ñ sabe o que está perdendo!
Beleza pessoal! É isso! Fui!
Kath
RECADO DA RÔ:
Oi gente! Estava com saudades de Luzes, muito legal esse capítulo dei muita risada com a Meilyn dando indiretas p a Kikyosso sobre Sakura e Syaoran, mas o que a Kath fez com a Kikyosso foi demais, pq acredito que tem muita gente que n gosta do saco de ossos, e saiu os socos que eu tanto queria ler, valeu Kath, vibrei muito...eheheheh
A Kaho como bebum tava hilária, sabe que ela leva jeito?...eheheheh....
A Meilyn pentelha, acredito que n teria ninguém melhor do que ela para esse papel....
Tô louca p ler o capítulo da festa Kath....
By gente
Rosana
