Luzes de Tókio
Por Kath Klein
Capítulo 5
'À direita, com 1,70m, pesando 59 quilos e mais meio quilo em cada silicone... a morta viva mais odiada no mundo dos contos: Kikyosso... argh...desculpe-me. Kikyou!'
Uma onda de vaias invadiu o ambiente altamente iluminado enquanto aquela boneca de porcelana entrava no ringue com um micro short e um topzinho insignificante deixando bem à mostra seus seios turbinados com silicone! Eu a odiava!
'Ao lado esquerdo...' O locutor continuava, era um homenzinho baixinho com bigodão preto com alguns fios brancos. Ah sim, e é claro vestido com um terno preto, pelo menos acho que é sempre assim que os juízes de lutas de boxes aparecem, não estou muito certa, mas acho que são tão elegantes. 'Medindo...' Opa! Isso eu não poderia deixá-lo falar.
'Sou eu!' Gritei entrando no ringue e impedindo que ele contasse a todos o número insignificante que era a minha altura. 'Euzinha! Olha, senhor juiz, eu já entrei!'
Até em sonhos as pessoas devem achar que eu sou louca. Mas fazer o quê? Situação normal de constrangimento por ter um pouquinho mais de um metro e meio... isso é tão humilhante, deveria ter jogado mais vôlei na minha adolescência, li uma vez um artigo que isso ajuda a desenvolver mais os adolescentes.
'Continuando...' Ele falou olhando-me atravessado. 'A louca mulher que inventou este sonho maluco. Sakura Kinomoto!'
Levantei os braços enquanto era ovacionada, adorei esta palavra, ovacionada! Não pensem que eu estava sendo acertada por inúmeros ovos, minha revisora especial Rô, havia me ensinado sobre esta palavra que quer dizer aplaudida com entusiasmo. Bem, continuando meu sonho, estava eu sendo ovacionada pelo público. Havia vários rapazes, entre eles estavam, o Ren Saradinho, e o meu chefinho inglesinho torcendo por mim, é claro.
'Você já era, Kinomoto!' A Kikyosso falou chamando a minha atenção. Olhei para ela e sorri de lado.
'Você não tem chance no meu sonho, morta viva.'
'Isso é o que nós vamos ver.' Ela me ameaçou! Dá para acreditar na petulância daquela zumbi? Ela me ameaçou no meu próprio sonho! É uma metida mesmo. Se acha a sacerdotisa toda poderosa para falar o que vai acontecer comigo. Ela não perdia por esperar.
'Bem, senhoritas. Aproximem-se.' O juiz pediu fazendo um gesto com as mãos para nós duas. 'Não vale golpes baixos, acho que no caso de vocês...golpes altos, se é que me entendem...' Olhei feio para ele que estava soltando sorrisinhos maldosos. Até em meus sonhos os homens não prestam! Ele parou de rir depois do meu olhar fulminante, limpou a garganta e continuou. '...puxão de cabelo...'
'Hei! Peraí, puxão de cabelo pode sim.' Aquela coisa a minha frente falou. O juiz olhou para mim com uma interrogação no rosto.
'O sonho é seu, pode ou não pode?'
Franzi a testa. Até que seria legal dar um belo puxão de cabelo naquela coisa, poderia arrastá-la por todo o ringue pelos cabelos ou quem sabe até arrancá-los. 'Pode.' Respondi por fim, já imaginando as incríveis maldades que eu faria com ela.
'Dedo no olho, mordida e beliscão. Acho que é só.' O juiz concluiu. 'Certo?'
'Certo.' Respondemos ao mesmo tempo.
'Então valendo o tudo de bom do Syaoran...' Isso soou tão gay saindo da boca do juiz. 'Eu vou dar o sinal para começarem a luta. A seus postos... 1... 2...3... Já! Garçom traz o gel!'
Fui com tudo em cima da amiga metida de Syaoran, enquanto toneladas de gel caíam, sabe-se lá de onde, em nós duas. Ela tentou puxar meus cabelos, mas a empurrei rápido com as pernas, deixando-a estatelado no chão, pulei na direção dela, mas a cachorra rolou para o lado, porem não foi tão rápida a ponto de eu não conseguir segurar seus cabelos. Ela gritou! Ótimo!
'Vou acabar com você, morta viva!' Gritei deliciando-me ao ouvi-la gritar pelo super puxão que eu dei. Mas ela foi baixa, jogando gel nos meus olhos e me empurrando para que soltasse os cabelos negros. Não via mais nada, mas senti uma forte pancada na cabeça e o chão veio de encontro ao meu rosto.
'Quem vai aproveitar aquele corpinho lindo e malhado sou eu, Kinomoto! Se dê por satisfeita espiando-o no chuveiro!' Agora ela pegou pesado demais.
Consegui limpar os olhos e voei pra cima dela, deslizamos pelo ringue nos debatendo. 'Eu NÃO o espiei no chuveiro!' A quem eu estava querendo enganar? 'Foi um acidente!' Gritei enquanto tentava acertá-la. Mas acho que exageraram na quantidade de gel pois não conseguia segurá-la e nem ela a mim, estávamos uma tentando bater na outra sem muito sucesso.
'Acorda Sakura!' Ouvi a voz do meu primo lá no fundo. Olhei para o alto da arquibancada onde ele estava, vestido apenas com aquele shortinho ma-ra-vi-lho-so preto, gritando para mim. 'Acorda logo sua louca!'
'NADA! Nada irá me separar do gostoso do Syaoran!' Kikyosso gritou empurrando-me e fazendo nós duas deslizarmos pelo ringue.
'Isso não!' Levantei-me olhando para minha inimiga. Eu não permitiria deixar o gostoso do meu primo de bandeja para ela.
Trilha sonora de Karatê Kid II
I am a (wo)man who will fight for your honor
'Nunca Kikyosso! Lutarei até o último osso para que ele não caia na sua laia!' Falei de forma teatral levantando-me em meio ao gel escorregadio e me posicionando para o meu golpe final estilo Daniel San + Trinity.
I'll be there that you're dreaming for
'Isso é o que vamos ver...' Ela ameaçou levantando-se e estalando as mãos. 'Syaoran nunca será seu!'
Gonna live forever knowing together
'Hei peraí... eu não quero ele para mim.'
Disco arranhado.
'Não?' Kikyosso falou erguendo uma sobrancelha para mim. 'Então porque você está lutando comigo?'
Hã? Para ela não ficar com ele... ela não era boa companhia para ele. Isso eu tinha certeza. A minha intenção era salvar o meu primo ingênuo das garras daquela morta viva. Não era? Ingênuo? Virei-me para o meu primo na arquibancada imaginando que teria que rever a minha definição de ingenuidade. Shortinho preto não era definitivamente o que eu diria de trajes ingênuos.
'Sakura é ciumenta! Sakura é ciumenta!' Voltei a fitar a amiga do meu primo que pulava de um lado para o outro gritando.
'Hei! Eu NÃO estou com ciúmes!'
'Sakura está com ciúmes! Sakura está com ciúmes!' Ela continuou me irritando. O meu sangue começou a esquentar, conseguia sentir os glóbulos vermelhos escarlates passando de forma rápida por minhas artérias.
'IAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!'
That we did it all for the glory of love
Meu golpe certeiro atingiu Kikyosso que explodiu, fazendo vários ossinhos voarem pelos ares enquanto a multidão ia ao delírio gritando o meu nome! Levantei os braços para cima, no melhor estilo Rocky Balboa enquanto sorria observando todos me aplaudindo ou ovacionando! Adorei esta palavra!
'Acorda Sakura! Estamos chegando.'
Abri os olhos, assustada. Uma gota de suor escorreu ao lado direito do meu rosto.
'Quero que se mantenha calma e controlada.' Virei o rosto e vi o rosto de Syaoran. Olhei em volta e finalmente me dei conta da onde eu estava: no banco de trás de uma viatura policial. Levei uma das mãos até os meus olhos, tampando-os. Estava me sentindo uma criminosa.
'Que vergonha.' Sussurrei inconformada comigo mesmo por estar indo para uma delegacia. Em toda a minha vida nunca passei nem perto de um distrito policial e agora estava eu, dentro de uma viatura. A caminho de uma delegacia.
'Quero falar direto com o tal delegado Yui.' Syaoran não pediu, ordenou.
Um rosto risonho apareceu entre os bancos da frente, não dava para acreditar que aquele carinha era realmente um policial. 'Olha, vou lhe dar um conselho, seja bem razoável com o delegado, pois ele já está possesso pelo chamado ter sido motivado por uma briga de mulheres num bar.'
'Não foi uma briga, aquela mulher estava tentando me matar.' Era a Kikyou? Ela estava no mesmo carro que eu? Inclinei meu corpo um pouco para frente e vi que ela estava do outro lado do meu primo. 'Eu a acuso de tentativa de assassinato.'
'Só se eu tentei te afogar com um copo de refrigerante.' Retruquei. 'Alem disso foi você quem começou.'
'Pelamor-do-Santo-Buda! Calem a boca as duas.' Syaoran falou levantando as mãos para cima em total desespero.
'Isso que dá sair com duas garotas de uma vez só.' O sujeitinho risonho de trança no banco da frente alfinetou.
'Eu bem que avisei para ele, moço.' Ouvi a voz de Meilyn, ela estava no banco da frente do carro.
'Não se meta nisto...' Syaoran rebateu irritado. .. 'Os dois.'
'Ele é sempre estressado assim?' Ouvi o policial perguntando para a garota sentada ao seu lado enquanto voltava a atenção ao trânsito.
'Você nem imagina... mas também, só ele para imaginar que sair com duas namoradas ia dar certo?' Meilyn respondeu. 'Hei seu policial... sabia que a minha madrastinha está grávida!'
Ai, o que Meilyn queria agora? Que me levassem para um necrotério em vez da delegacia?
'E qual das duas é sua madrastinha?' Este policial também não tinha simancol, não? Onde já se viu ficar querendo saber da vida alheia, principalmente quando a vida era daquelas pessoas que supostamente ele estaria prendendo... a polícia japonesa estava corrompida mesmo... Hei! Isto daria uma ótima reportagem especial!
'A baixinha de cabelos castanhos.' Meilyn respondeu.
'Meilyn!' Syaoran a chamou com a voz enérgica. 'Chegando em casa vamos ter uma conversa séria... muito séria.' Nossa até eu fiquei com medo dele agora. Olhei para o meu primo e depois para o policial fofoqueiro que voltou a me encarar e abriu um largo sorriso.
'Sabe senhor Li, acho que quem vai ter uma conversa séria, será o senhor com o delegado...'
'Eu!' Syaoran falou mostrando indignação. 'Ah sim! Ele é que terá que me ouvir. Onde já se viu levar todo mundo para a delegacia por causa de uma briguinha boba num bar. Saiba que eu irei processar o senhor policial... qual é seu nome mesmo?'
'Maxwell.' O policial respondeu com a voz animada. 'Senhor Li... sabia que corrupção de menores no Japão é crime?'
Ah Não! Até o idiota daquele policial me achou uma fedelha... Deus! Ninguém merece este martírio.
'O quê!' Syaoran exclamou. 'Eu vou processá-lo por difamação.'
'Ele tem sempre esta mania de processar alguém?' O policial perguntou para Meilyn ignorando o ataque quase epilético que meu primo estava tendo ao meu lado. Eu, e a asquerosa da Kikyosso, fomos obrigadas a segurá-lo uma em cada braço impedindo que ele avançasse no policial. Eu sei... eu sei... que não deveria estar agindo em conjunto com o inimigo, mas a necessidade era maior, se meu primo matasse o policial, aí é que iríamos direto para uma penitenciária.
'Olha Seu Policial... vou ser sincera, isso tudo aqui é culpa dele. Ele fica andando com um monte de mulheres e não sabe escolher uma só, aí dá estas confusões.'
'Meilyn!' Agora fui eu que a chamei. 'Seu pai vai ter um ataque cardíaco! Você quer ficar órfã?'
'Eu não, madrastinha!'
'Então para de dizer bobagens. E o senhor, policial Maxwell, pare de ser fofoqueiro!'
'Sabia que eu poderia agora acusar a senhora de desacato a uma autoridade?'
'Oras só por que o chamei de fofoqueiro? Olha que eu solto o meu primo e ele lhe estrangula.'
'Cala a boca, Kinomoto! A culpa disto tudo é sua!'
'Cala a boca você, Kikyosso! A culpa é sua! Foi você quem começou a me ofender por que estava mordida de ciúmes de mim com o Syaoran!'
'Até parece que eu ia ficar com ciúmes de você com ele.' Ela falou soltando o braço de Syaoran e o empurrando contra o banco para poder me encarar.
'Ele deve estar cansado de mulheres siliconizadas como você.' A outra retorceu o rosto de raiva.
'Quem disse que isso daqui é silicone?' Perguntou levantando os seios.
'Ah é sim!' O policial se intrometeu. Viramos para ele e lá estava o rosto sorridente entre os bancos olhando para o par de seios da zumbi.
'Eu sabia!' Meilyn pelo jeito era a única que foi com a cara do oficial.
'Pois não é! E sabe de uma coisa, posso acusá-lo agora de abuso de poder e importunação a uma cidadã descente e...'
'Siliconizada!' Meilyn não perdia uma.
'Fedelha!'
'Siliconizada! A Kikyosso é siliconizada!' Meilyn também era impossível, em vez de ficar calada piorava a situação.
'Pelamor-do-Santo-Buda! Vamos parar com isso! Eu juro que vou enlouquecer daqui a pouco!' Não preciso dizer que foi meu primo, em total desespero que gritou isto, não é? E ainda descobri, que ele é bem religioso nos momentos de desesperos.
'Mas foram elas quem começaram, Syaoran!' A voz de gralha daquela ossuda siliconizada, perfurou os meus ouvidos.
'Nós!' Meilyn virou-se para trás empurrando a cabeça do policial para a dela ficar entre os bancos. 'Você que não tem senso de ridículo e não percebe que é demais.'
'Eu? Demais? Quem é demais é você guria mimada e louca!'
A confusão foi armada dentro da viatura policial, Meilyn tentou alcançar o pescoço ossudo da Kikyosso passando pelo meu primo que tentou por sua vez segurá-la. Eu estava gritando como uma doida, pois o policial que tentava guiar a viatura tentava ao mesmo tempo segurar o furacão Meilyn. Nestes momentos de desespero é que nos tornamos religiosos como o meu primo, pois vemos nossa vida passar pelos nossos olhos, eu não dava dois minutos até batermos num poste, ou num carro. Minha vida não era muito interessante, mas quando paramos, em frente à delegacia eu já tinha visto-a passar pelos meus olhos uma dúzia de vezes e tenho que confessar que minha vida foi o pior filme que eu já vi na vida.
'Eu acuso este policial de importunação, assédio sexual, e abuso de autoridade!' Kikyou gritou apontando para o policial Maxwell que arregalou os olhos provavelmente tentando conter a vontade de cair na risada (de novo!). 'Acuso estas fedelhas...' Apontando para mim e Meilyn '... de tentativa de assassinato e eu tenho testemunhas!'
'Testemunhas?' O delegado gatíssimo, maravilhoso, tesudo, perguntou arqueando uma sobrancelha. Eu sei que não devia pensar isso tudo de uma pessoa que estava pronta para me colocar no xadrez, mas verdade seja dita se ele fosse o meu carcereiro eu não reclamaria.
'Isso mesmo delegado Yui! O policial Maxwell é minha testemunha ocular de que aquela delinqüente tentou me matar.'
'Mas a senhora não estava acusando o policial Maxwell de assédio?'
'Sim! Mas ele não pode mentir sobre a tentativa de assassinato.'
'Duo! Ligue para o hospício, por favor.' O delegado falou com aquela calma maravilhosa dele. Ai ai ai... estou apaixonada... Não Sakura! Agora ele é seu inimigo! Pára de babar e tenta falar algo coerente e inteligente para se livrar da cadeia. Pensa cérebro. Pensa... Pensa... ai a bundinha dele é maravilhosa... eu daria nota nove! Não! Não pensa nisto! Pensa em algo importante! Aposto como ele malha todo dia! Não!
'Sakura você está bem?' Abri os olhos e fitei Meilyn que estava ao meu lado. 'Está batendo na sua própria cabeça. Eu sei que a situação é desesperadora, mas precisamos nos manter calmas. Além disso precisamos tirar estas acusações de nossas costas.'
'Por favor, delegado Yui, vamos conversar de maneira civilizada. A situação não é para tanto.' Syaoran falou ajeitando a roupa que estava amassada devido aos últimos acontecimentos. Em um dia, ele evitou que a Kikyosso fosse assassinada duas vezes! 'Meu nome é Syaoran Li e eu sou advogado.'
'Ótimo...' o delegado soltou rodando os olhos numa clara demonstração de que estava de saco cheio. Meu primo deve ter achado melhor ignorar.
'Sei muito bem que minha prima e minha amiga, assim como minha filha...' ele completou cada vez mais sem graça. '...exageraram um pouco em suas demonstrações de desafeto...'
'Foi tentativa de assassinato!' Ai, aquela mulher já estava se tornando insuportável. Olhei para Meilyn que provavelmente estava com a mesma vontade que eu de colocar alguma coisa dentro daquela boca grande para que ela ficasse entalada. Conseguia até visualizá-la com as mãos na garganta enquanto aos poucos ela ia sufocando com suas próprias palavras. Sorri deliciando-me com as imagens doentias de loucura que minha mente me proporcionava.
'Kikyou, por favor, acalme-se...' Syaoran pediu segurando a mulher pelos ombros. 'Estamos bem encrencados.'
'Estão mesmo, senhor Li.' O delegado gostosão falou sentando-se à mesa e colocando os pés sobre ela enquanto acendia um cigarro. 'Deveria controlar melhor as mulheres com quem convive.' Concluiu desviando os olhos do fósforo que usara para acender o cigarro e olhou para mim e Meilyn que estávamos um pouco atrás do meu primo e da morta viva. Senti todos os pêlos do meu corpo arrepiarem-se, o olhar dele era tão incrivelmente penetrante.
'Que cara gostoso...' Será que foi minha mente que concluiu isso para mim. Não... era uma voz diferente da que eu sempre ouvia e que teimava em me dizer coisas obscenas e loucas... olhei para o lado e vi Meilyn babando pelo delegado.
'Hei! O que você disse?'
Ela virou-se para mim e sorriu amarela. 'Hei madrastinha, até que não seria má idéia ficar presa aqui, não é? Ainda mais com um delegado gostosão como este.'
Esta juventude está perdida mesmo. Achei melhor ignorar o comentário de Meilyn e colocar minha cabeça no lugar. Ficar uma noite em cana seria terrível para minha reputação na revista. Mesmo tendo como vantagem ficar olhando um delegado maravilhoso e sarado como o senhor Yui, mas ficar numa cela fedorenta com outras mulheres perigosas não era o que tinha em mente para hoje. Voltei a atenção ao meu primo torcendo para que ele conseguisse com sua diplomacia de advogado livrar a gente daquela fria.
'Bem, eu tenho um primo que é policial, tenho certeza que ele poderá nos ajudar neste caso.' Ouvi Syaoran falando com o delegado que levantou uma sobrancelha. Dei um tapa na minha testa pensando que meu primo era doido mesmo. Era claro que não teríamos um primo na polícia. Nossa família era composta de advogados, loucos ou desequilibrados emocionalmente. Nenhum de nossos parentes conseguiria passar num exame policial.
'Está querendo me dar uma carteirada, senhor Li?' O delegado perguntou levantando-se e encarando o meu primo.
'Não, estou apenas informando que tenho parentes na policia e ele poderá facilitar as coisas.'
'Duo, chama o Wu Fei.'
Wu Fei? Quem era ele? O nome era de um chinês... Ah talvez fosse mesmo primo de Syaoran! Estávamos salvos! Syaoran virou-se para mim e deu um sorriso fraco como se dissesse que agora estaria tudo bem graças ao nosso salvador: Primo de Syaoran, Wu Fei Li.
'Por que não disse logo que tinha um primo tira?' Escutei Kikyou comentar e logo em seguida soltar um suspiro, aliviada. Era uma idiota, se estávamos naquela situação era por culpa dela.
Logo um rapaz bonito apareceu. Nossa aquela delegacia estava parecendo seriado americano onde só tinham tiras maravilhosos e com os corpos sarados. 'Chamou-me, Heero?'
'Oi Wu Fei.' Syaoran chamou a atenção do rapaz que finalmente virou-se para eles.
Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
'Xiao Lang?' O rosto do rapaz ficou sério e por algum motivo achei que tinha alguma coisa errada com o nosso salvador. 'Seu desgraçado!' Arregalei os olhos quando literalmente o policial voou em cima do meu primo tentando socá-lo e Syaoran tentando se livrar dos golpes. A confusão foi armada novamente. Kikyou gritava como uma galinha sendo degolada... galinha ela era mesmo. Meilyn gritava dizendo que matariam o pai dela e eu... bem, eu tinha que acompanhar as duas e gritar também.
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para que precisa de polícia?
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para que precisa de polícia?
'Seu desgraçado! Eu devia te encher de porrada! Onde já se viu pegar a MINHA garota!'
'Hei! Foi ela quem deu em cima de mim!' Syaoran tentava se defender das acusações e também das agressões. 'Foi há muito tempo atrás! Já deveria ter superado isso, Wu Fei!'
'Eu vou superar assim que eu te mandar para o hospital, Xiao Lang!'
Corri até o delegado e parei na frente dele tentando me controlar e parar de gritar. 'O senhor tem que fazer eles pararem!'
'Eu? Foi o senhor Li que pediu a presença do parente dele.'
Franzi a testa vendo que o delegado estava era gostando da confusão. Coloquei uma mão na cintura e um dedo a centímetros do rosto do rapaz. 'Se o senhor não interferir eu vou ser obrigada a escrever uma reportagem inteira sobre a corrupção policial em Tókio e vou citar o seu nome!'
O rapaz franziu a testa novamente e pegou o meu punho com força. Inclinou o corpo ficando com o rosto a centímetros do meu. Engoli seco.
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
'Não pode fazer isso. Acusaria a senhora por difamação e sua carreira ia para o espaço.'
'Não antes da sua.' Ai eu sou doida de tentar ameaçar o delegado sendo que estava nas mãos dele. Realmente não bato bem da cabeça. Mas não poderia recuar. Continuei encarando-o enquanto ouvia a gritaria e os barulhos surreais que vinham atrás de mim. Parecia que estava no filme Twister, onde os tornados devastavam tudo, naquele caso, os tornados Lis devastavam a pequena sala do delegado.
'Gostei de você senhorita Kinomoto.' O delegado falou por fim soltando meu pulso, mais um pouco e eu não conseguiria sentir os meus dedos. 'Duo! Chama o Trowa para tentar segurar o Wu Fei.'
O policial sorridente fechou o sorriso divertido que tinha nos lábios vendo os dois chineses brigando e foi cumprir a ordem do seu supervisor. Senti um puxão no meu braço e olhei para o lado onde algum objeto não identificado me acertaria em cheio.
'Viu! Não sou tão mau. Acabei de salvar a sua vida.' Pisquei os olhos e voltei-me para o delegado. Eu sabia que aquele homem era chave de cadeia, mas quem disse que eu queria acreditar nisto?
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para que precisa de polícia?
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para que precisa de polícia?
'Ai! Ui! Hei isto está doendo!' Meu primo reclamou pela milésima vez quando eu coloquei a bolsa de gelo no lado direito do rosto dele. Homens! Se dessem a luz ou ficassem menstruados todos os meses não sobreviveriam e a espécie humana acabaria. 'Isso tudo foi culpa sua! Se você não tivesse se engalfinhado com a Kikyou isso nunca teria acontecido.' Estava demorando pra ele colocar a culpa em mim.
'Ah qual é Syaoran? A culpa foi sua por resolver fazer um passeio com aquela louca da sua amiga de trabalho.'
'Vocês não vão recomeçar a brigar, não é? Chega de brigas por hoje.' Meilyn interrompeu a nossa conversa, sentando-se na mesa de centro e encarando o pai. 'Você precisa descansar, papai.' Recomendou.
'Eu preciso é de uma folga de mulheres. Juro que vou ficar um mês sem sair com mulher alguma. Vocês todas são loucas! Insanas!'
Eu e Meilyn nos entreolhamos e balançamos nossas cabeças juntas num gesto claro de que não dávamos um crédito sequer pelas palavras de Syaoran.
'Eu juro! Vocês vão ver um novo Syaoran!' Ele exclamou pegando o saco das minhas mãos e levantando-se com o gelo no rosto. 'Não quero saber de mulher por um mês!' Foi falando enquanto se dirigia ao quarto para tentar dormir. Voltou-se rapidamente encarando-nos sem graça. 'Acho que uma semana, está bom...Não vamos exagerar.' Falou dando de ombros e voltando a caminhar em direção ao quarto soltando exclamações baixinhas de dor.
Ficamos eu e Meilyn olhando uma para o rosto da outra em silêncio até ouvirmos a porta do quarto do meu primo se fechar e finalmente cairmos na gargalhada.
'Você viu só como ficou o rosto da Kikyosso!' A garota perguntou entusiasmada. 'E ela gritando enquanto você puxava o cabelo dela? Parecia uma gralha!'
'Nem me lembre! Eu pensei que ficaria surda com ela gritando no meu ouvido! Acho que na segunda, vou ao médico fazer uns exames.'
'Aí você pode processá-la por danos físicos!' A garota levantou-se e arrumou o cabelo imitando a pose esnobe da amiga do pai. 'Eu processo você por tentativa de assassinato e por provar que eu sou uma droga como amante, pois Syaoran preferiu ficar com uma baixinha como você, do que comigo! Oh! Que desgraça!' concluiu jogando-se no sofá e fingindo desmaio.
Parei de rir da brincadeira e encarei a filha do meu primo. Estava na hora de deixar algumas coisas claras na cabecinha dela. 'Meilyn... eu e seu pai não temos nada um com o outro. Eu falei a verdade quando disse que estamos apenas dividindo o apartamento.'
Meilyn ajeitou-se no sofá e me encarou nos olhos. 'Mas quem sabe ele e você não se apaixonam e ele pára de trocar finalmente de namorada toda a semana. Não agüento mais isto.' Realmente a garota sentia-se incomodada e muito com as mudanças de parceiras do pai. Soltei um longo suspiro pensando no que falar para ela. 'Eu sei que ele gosta de você.'
Franzi a testa e a encarei. 'Eu e seu pai temos uma história muito complicada, Meilyn.'
'Mas ele gosta de você. Eu tenho certeza.' Ela falou ajoelhando-se ao meu lado no sofá e pegando minhas mãos. 'Bem ou mau, de todas as namoradas do papai, você foi a única que de algum modo ficou do meu lado.'
'Isso porque eu não sou namorada do seu pai.'
'Ah qual é, Sakurinha? Meu pai é o maior gato! Vai me dizer que você não fica espiando ele?'
Por que será que eu comecei a ter uma crise alérgica terrível, em que eu espirrava, tossia e soluçava, tudo ao mesmo tempo? Droga! Tinha que mandar limpar aquela casa de uma vez!
O celular dela tocou fazendo a garota esquecer de mim e atendê-lo. 'Alô! Oi Kejin! Acabei de chegar em casa!' Meilyn falava ao telefone enquanto caminhava em direção ao quarto, provavelmente para ter mais privacidade. Finalmente encontrei-me sozinha na sala. Joguei minha cabeça para trás observando o teto. Fechei os olhos. O dia estava sendo difícil e alguma coisa me dizia que ainda não tinha acabado.
Trimmmmm! Trimmmm!
Abri os olhos de sobressalto e estiquei-me para atender o telefone na mesinha de canto. 'Alô!'
'Oi Sakura! Sou eu, Tomoyo!'
'Olá Tomoyo!' Eu sabia que estava esquecendo de algo... a festa. Tinha esquecido completamente da festa na faculdade de Toudai. 'Eu já ia ligar para você.' Mentira! Mas ela não precisava saber disto.
'Eu liguei para perguntar que horas você quer que eu passe ai para lhe buscar.'
'Hummmm pode ser...' rodei meus olhos pela sala procurando o relógio. Droga, já eram mais de oito da noite. Pelo que me lembrava, a festa começava às nove e queríamos chegar antes para dar uma olhada no ambiente e até quem sabe fazer umas fotos escondidas. 'Daqui a meia hora...' Nem eu sei como ia conseguir me arrumar em meia hora.
'Ok! Eu já estou pronta, estou saindo de casa agora.'
'Hehehe Claro.' Tomara que ela pegue engarrafamento. 'Venha o quanto antes.' Principalmente pela avenida central que deve estar entupida.
'Pode deixar! Beijinhos.'
'Até logo.' Disse antes de desligar e literalmente sai correndo para o chuveiro. Uma chuveirada rápida não era exatamente o meu plano para hoje. Hoje eu precisava era de um banho de pelo menos meia hora na banheira com sais energéticos. Mas infelizmente não temos tudo que queremos, então pelo menos transformamos aquilo que temos naquilo que gostamos, ou que pelo menos podemos gostar... Nossa agora eu até me confundi em meus pensamentos filosóficos.
Espalhei bastante shampoo no meu cabelo e comecei a esfregar fazendo um montão de espuma, além de aproveitar e fazer uma massagem no meu couro cabeludo que foi violentado sem piedade pela Kikyosso. Sorri de lado. Se eu estou dolorida, ela deve estar acabada. Não sou uma pessoa violenta, apenas acredito que algumas pessoas sempre aprendem as coisas pelos métodos mais difíceis e mais dolorosos. Com certeza Kikyou aprendeu que não deve se meter com baixinhas, primas de caras gostosos, como Syaoran.
Enfiei-me no chuveiro tentando tirar o monte de espuma do cabelo. Ainda não tinha pensado na roupa com que iria à festa. Tinha que ser algo jovial, mas o que os jovens usam para ir a uma festa de faculdade? Em Tomoeda havia muitas festas, mas eram nos ginásios e verdade seja dita, todo mundo se conhecia. Não havia necessidade de ir muito arrumada, mas as meninas em Tókio sempre andavam mais excêntricas e pelo que eu me lembre, não havia comprado nenhuma roupa excêntrica.
'Droga!' Resmunguei. Menos de uma semana e já era a segunda vez que eu me encontrava no dilema da roupa ideal. Isso estava virando uma novela mexicana!
Estava terminando meu banho quando ouvi baterem na porta. 'Vê se não demora, Sakura! O banheiro não é só seu!' Era Meilyn. Rodei os olhos pensando em como a menina às vezes enchia o meu saco.
'Já estou saindo.' Respondi apressando um pouco mais o meu banho. Não por Meilyn, mas porque não gostaria de deixar Tomoyo me esperando. Em um pouco mais de cinco minutos estava saindo do banheiro e Meilyn entrou como um furacão. Pelo jeito eu não era a única atrasada. Fui para o quarto e abri a minha parte do armário observando as roupas. Tinha que decidir e rápido o que eu usaria para ir a festa. Olhei para o relógio e constatei o inevitável, estava muito atrasada. Tomoyo logo chegaria. Apelei. Peguei o tubinho verde, aquele mesmo que eu pensei em usar no meu primeiro dia de trabalho, e o vesti. Não era muito, o que eu imaginava que as jovens usavam, mas não tinha tempo para pedir um conselho para Meilyn, até porque ela estava mais preocupada em sair com o tal Kenji do que me dar consultoria de moda jovem. Coloquei sandálias de salto alto, e tentei passar alguma maquiagem no rosto. Foi eu pegar a bolsa e o interfone tocou. Corri para atendê-lo, como imaginei era minha colega de trabalho, pelo menos eu entendi Daidouji no meio das frases que o porteiro alienígena falou.
'Fala para a senhorita Daidouji que eu já estou descendo, Zé.' Pedi para o extraterrestre e logo desliguei. Corri pela sala, despedindo-me em voz alta de Syaoran que estava no quarto e Meilyn que agora tinha ido se arrumar no nosso quarto. Não obtive resposta como eu imaginava. Além disso não queria dar explicações de onde eu estava indo para nenhum dos dois.
Estava fechando a porta do apartamento quando ela foi aberta de supetão me dando um susto daqueles.
'Aonde você vai?' Eu realmente não preciso dizer quem foi que me perguntou isso com a cara igual ao do meu irmão quando eu saia à noite, não é?
Tirei a chave da fechadura. 'Vou fazer uma pesquisa de campo para a matéria que estou trabalhando.'
'Ah sim... e vai com quem? Com aquele seu amigo... qual é mesmo o nome dele? Erion...'
'Eriol. E ele é o meu chefe. E eu não vou com ele a lugar nenhum hoje.' Respondi rapidamente. 'Estou com pressa, Syaoran. Tomoyo está esperando.'
Ele franziu a testa. Estava escrito na testa dele que não havia me dado crédito. Mas ele pensava que eu era o quê, para ficar mentindo com quem eu saía ou não? Eu não sou mais uma adolescente.
'Tchau para você.' Falei por fim já virando de costas e indo direto para a escada quando ouvi a porta do apartamento bater. Respirei aliviada. Por alguns instantes imaginei que ele pegaria o meu braço e me puxaria de volta para o apartamento. Balancei a cabeça. Eu só podia estar realmente muito traumatizada por anos de cárcere social obrigada pelo meu irmão, para acreditar que Syaoran faria algo assim.
'Eu quero conhecer esta tal de amiga Tomoyo.' Acho que estou ficando doida pensei comigo realmente preocupada, pois jurava que ouvia a voz do meu primo. Será que era o fantasma do meu irmão? Será que de alguma forma ele entrou na minha mente louca e estava dominando-a através do meu primo!
Aquela introdução sinistra da Trilha sonora do filme (ou musical) O Fantasma da Ópera...
O trauma de infância provocado pelo meu irmão estava pior do que eu imaginava, acho que seria bom eu procurar uma psicóloga para colocar isso para fora.
The phaaaaanton of the Touya is thereeeee...
Inside your mind!
Caramba! Bati na minha cabeça umas duas vezes, na intenção de tirar a música repetitiva e sinistra da minha mente!
The phaaaaanton of the Touya is thereeeee...
Inside my mind!
Ohhhhhhh! Ohhhhhh! Ohhhhhh!
'Vai ficar parada no meio da escada até quando?' De novo aquela voz insuportável do meu primo estava ecoando dentro da minha cabeça. Eu definitivamente era uma mulher traumatizada. Já conseguia até me ver sendo arrastada pelo meu irmão (detalhe: usando aquela máscara sinistra) para o porão.
'Anda logo, Sakura! Minha cabeça está estourando!'
'Ahhhh!' gritei num pulo e novamente sairia rolando pela escada se meu primo não me segurasse.
'Tá ficando maluca?' A materialização do corpo do meu primo perguntou para mim. Finalmente a ficha havia caído. Nossa, como eu sou lerda.
'O que você está fazendo aqui?'
'Oras, estou indo com você conhecer "a sua amiga Tomoyo".' Ele falou me soltando e fazendo um gesto com as mãos de aspas.
'E quem disse que eu quero apresentar "a minha amiga Tomoyo" para você?' Imitei-o, encarando-o com a pior das minhas expressões de aborrecimento.
'Você querer ou não me apresentar "a sua amiga Tomoyo" nunca esteve em discussão aqui.'
'Esteve sim. Eu não quero que você conheça "a minha amiga Tomoyo".'
'E por que eu não posso conhecer "a sua amiga Tomoyo"?'
'Por que como você mesmo falou, ela é "a minha amiga Tomoyo" e não "a sua amiga Tomoyo".'
'Nossa nunca ouvi tanto o meu nome numa discussão!' Ah não... virei-me para trás e lá estava "a minha amiga Tomoyo" observando eu e Syaoran discutindo. O que a gente fala numa hora em que tudo que você quer é achar um buraco para se esconder?
Tomoyo subiu alguns degraus parando a minha frente e sorrindo daquela maneira de que parece que nada a abala. Ela desviou os olhos de mim e encarou meu primo estendendo logo em seguida a mão para ele. 'Boa noite eu sou "a amiga Tomoyo". Prazer em conhecê-lo.'
Abaixei os olhos sacudindo de leve a cabeça. Parecia que eu tinha voltado para o ginásio, e era obrigada a apresentar todas as minhas amigas para o Touya, para que assim que ele estivesse convencido de que elas não...
'Não se preocupe, eu vou cuidar direitinho da Sakura. Eu não bebo, não fumo, não cheiro e... não faço sexo!'
Onde está o buraco!
'Quer dizer, eu bebo às vezes socialmente, sabe como é, né? Champanhe, apenas isto e às vezes não dá para ficar muito tempo sem sexo... mas com rapazes... a minha fase lésbica já passou há um tempo atrás.'
Juntando toda a força que eu tinha, consegui levantar os olhos e vi Syaoran encarando Tomoyo que ainda tinha o rosto sereno. Como ela conseguia falar coisas tão comprometedoras e continuar com aquela cara? Ela parecia que estava falando sobre as matérias que cursava na escola para os tios, nas reuniões familiares.
'E então senhor Li? Não é este o seu nome?'
'Ah... Hã... é sim... Syaoran Li.' Finalmente ouvi a voz do meu primo e pelo jeito ele estava com cara de que agora me puxaria direto para o apartamento. 'Eu sou o responsável pela Sakura aqui em Tókio. Cidade grande é perigosa para uma garota inexperiente.' Ele falava igualzinho ao Touya! Será que meu irmão tinha conseguido mesmo dominar o corpo do meu primo? Será que isso era possível? Será que o Touya conhecia alguma magia que penetrava no cérebro das pessoas e fazia com que elas falassem coisas que ele gostaria?
'Pois não se preocupe! Eu cuidarei dela. Agora temos que ir, Sakura. Ou vamos chegar atrasadas.' Ela falou segurando meu pulso e me puxando para descer as escadas afastando-me de meu primo, porém antes de virar-mos à direita ela voltou-se para trás e sorriu para Syaoran. 'O dia que você quiser fazer um ménage à trois, eu adoraria dividir a cama com você e Sakura.'
Onde está o meu queixo? Eu não tive nem tempo de procurá-lo e já senti Tomoyo me puxando de novo para descer as escadas sem ouvir nenhuma resposta de Syaoran. Entramos no carro e Tomoyo já estava na direção.
'Hei eu falei aquilo só de brincadeira.' Ela falou sorrindo para mim. 'Eu senti que o seu primo é daqueles caras bem machões e quis brincar um pouco. Desculpe-me.'
'Hum...' Limpei a garganta pensando no que responderia agora. Ainda estava em estado de choque. As coisas aconteceram de forma muito rápida para a minha mente e olha que ela costuma ser bem rápida para pensar baixarias. 'Syaoran deve estar irado agora.' Que idiota que eu sou...
Ouvi uma risadinha gostosa de Tomoyo enquanto ela parava o carro no sinal. 'Ele deve é ter gostado da idéia.'
Levantei as sobrancelhas pensando que realmente isso era provável.
'Se está irado é por que fomos embora.' Ela completou sorrindo de forma maliciosa. Senti meus pés dormentes, provavelmente porque todo o sangue do meu corpo estava nas bochechas.
Soltei um longo suspiro pensando em alguma coisa inteligente para dizer, que fizéssemos mudar de assunto, mas pelo jeito estava cada vez mais difícil exigir de meu cérebro algo interessante para eu falar que me tirasse de roubadas ou situações constrangedoras como aquela. Tomoyo foi quem teve que pensar nisto também, nada mais justo! Fora ela que havia me colocado naquele estado de constrangimento catatônico.
'Eu trouxe a câmera digital da redação para tentarmos tirar algumas fotos e quem sabe alguns flagras.'
'Pode ser. Será que a Naru vai nos deixar em paz? Eu ainda prometi para ela que tiraria algumas fotos dela e do pobre namorado para revista.'
'Mas isso porque ela não tem idéia do que a matéria irá falar.'
'Ela não perguntou.' Dei de ombros. 'A menina estava tão entusiasmada com a possibilidade de aparecer numa revista que esqueceu de perguntar sobre o que é a matéria.'
'Os jovens são sempre apressados desta maneira. Entendem o todo, pela metade.'
'Mas na maioria das vezes, entendem o todo, errado com apenas a metade certa.' Falei soltando um suspiro.
'Parece cansada.' Tomoyo observou.
'É que eu tive um dia daqueles, entende? Tive um laboratório intensivo sobre os jovens.'
'Do que está falando?'
'De Meilyn. Filha de Syaoran.'
Ouvi Tomoyo rindo. 'Quantos anos ela tem?'
'Acho que quatorze. Deus! Aquela garota consegue me tirar fácil do sério.'
'Não se preocupe. Você terá uma noite inteira para tentar descobrir o que se passa na cabeça deles.'
'Eu fui jovem! Apesar de não parecer. E eu não era louca e nem mimada como Meilyn ou a maioria dos jovens que eu conheci até agora na cidade grande.'
'Não generalize e não julgue apenas pela amostra que você teve. Você é uma jornalista e jornalistas captam detalhes que os outros meros mortais deixam passar.'
'E transformamos estes detalhes em matérias. Eu sei...' Finalizei soltando outro suspiro. 'Acho que é aqui.' Falei olhando para a entrada do ginásio.
'É sim. Vamos torcer para que ainda não esteja muito cheio.'
Estacionamos o carro e entramos o quanto antes no lugar. Ainda estava vazio, praticamente, apenas a equipe organizadora, estava dando os últimos detalhes na festa. Assim que entramos na quadra que agora era uma imensa pista de dança ouvi um grito histérico vindo do outro lado. Lá vinha Naru Narusegawa e o coitado do Keitarô que estava sendo literalmente arrastado pela jovem.
'Olá repórteres!' Ela cumprimentou alegremente.
'Naru, estamos fazendo uma reportagem super confidencial. Lembre-se que ninguém pode saber que somos duas repórteres investigadoras, certo?' Tomoyo falou piscando para ela.
'Certo! Desculpem-me.' Ela falou tampando a boca com a mão de leve. 'Mas será que vocês podem tirar uma fotinha minha e do Keitarô?'
Tomoyo e eu nos fitamos e nos demos por vencidas, se não tirássemos logo uma foto dela e do namorado, ela nos perseguiria a noite inteira.
'Está bem! Faça uma posse bem bonita.' Falei pedindo a máquina para Tomoyo.
'Nada disso! Eu sou a fotógrafa oficial. Você faz as entrevistas e eu fotografo.' A morena falou já focando no casal. Naru abraçou o pescoço de Keitarô e olhou para a câmera. Era melhor Tomoyo tirar logo a foto ou o rapaz morreria asfixiado e eu não desejo esta morte para ninguém.
Foto tirada, finalmente nos livramos dos universitários, e fomos avaliar o campo de nossa matéria. Fizemos algumas perguntas idiotas para os poucos jovens que estavam ali. Como desculpas para as fotos dizemos que fazíamos parte do evento e estávamos fazendo um book sobre a festa. Eu não sei se a maioria engoliu esta desculpa esfarrapada que a Tomoyo deu, mas como o meu cérebro não estava querendo ser muito útil hoje ficou por isso mesmo.
Aos poucos o ambiente começou a encher, e encher, e encher... Observei o salão lotado de jovens dançando e divertindo-se. Tomoyo estava ao meu lado.
'Realmente são os melhores anos de nossas vidas, não?' Indaguei para a morena que acenou.
'É a época onde temos pouca grana mas muita saúde. Ai que saudades da minha época de faculdade. Sem problemas, só zoação.'
Ri da cara da minha amiga e pensei só por um segundo, um segundinho mesmo se ela realmente tinha experimentado o outro lado da força, ou melhor, da coluna... (Ah vocês entenderam!) na época da faculdade.
'Acho que vou me infiltrar aos poucos.' Falei. 'Tentar puxar papo para ver se descubro alguma coisa ou recolho algum material.'
Tomoyo fez sinal de positivo enquanto levava o copo de batida, que tinha comprado no bar, à boca. Franzi a testa achando que ela tinha bebido um pouco demais. 'É sem álcool'. Tomoyo tinha dito, e acho que realmente acreditou que eu tinha acreditado que numa festa de faculdade fazem Batidas apenas com fruta e leite condensado.
O batidão até que era bem legal. Quando dei por mim comecei a rebolar de um lado para o outro. Tudo bem! Tenho que confessar que eu também experimentei a batida de fruta e leite condensado (apenas) da Tomoyo. Era melhor ir beber algo energético. Caminhei rebolando até o bar e me apoiei encarando o barman.
'Me dá algo energético.'
'Sem problema, gatinha!' Ele me respondeu. Adorei o gatinha! Virei-me para a pista de dança e reparei numa menina de cabelos longos pretos passar de mãos dadas com um rapaz ruivo. Parecia Meilyn... Ai credo! Aquela garota me traumatizou tanto que eu estou vendo-a em todos os lugares. Sai do meu pé, Chulé!
'Prontinho gatinha!' Voltei-me para o barman que sorria para mim de forma a ser galanteador. Que coisa idiota! O cara era feio de dar dó.
'O que é?'
'Bebida energética.'
Oba! Era o que eu precisava! Peguei tomando de uma só vez. Bebida energética era o que eu estava precisando num dia terrível como este. Mas tinha um gosto tão forte... hum... deve ser porque é forte mesmo. Para dar energia!
'Hummm... me vê outra?' Perguntei assim que coloquei o big copo vazio e fui prontamente atendida. Agora tomei a forte e revigorante bebida devagar varrendo o ambiente com a minha visão raio-x. Nossa, acho que agora até eu me senti como Clark Kent... apesar de que eu estava mais para a histérica da Lois Lane, mas ela não tem a visão raio-x que eu tinha. Sorri olhando para todos aqueles estudantes dançando na pista de dança apenas de roupas íntimas. Sem querer soltei um soluço. Provavelmente fiquei vermelha de vergonha.
Voltei-me para o Barman... até que ele parecia o Tom Cruise agora. Viu como a minha visão raio-x funcionou! Agora estava vendo o feioso do barman como ele era de verdade. Sorri para ele de forma a tentar ser charmosa. Sei que estava em serviço, mas dar uma paqueradinha, em um gatão como o Tomzinho, não é nada demais. Além disso, descobri que não sou boa em separar trabalho e prazer.
'Gostou?' Ele me perguntou.
Sorri de novo.
'Que tal sairmos depois da festa para dar um rolé?'
Sorri!
'Acho melhor você beber uma água...'
Sorri mais uma vez.
'Hum...' Ele coçou a cabeça. 'Vou pegar um copo de água para você... credo nunca vi uma mulher ficar bêbada tão rápido!'
Agora eu ri! Ele só podia estar brincando. Era claro que eu não estava bêbada. Estava com soluço porque bebi a super bebida energética de forma rápida. Como eu poderia estar bêbada se não bebi nada com álcool! Barman fofinho, mas burrinho. Fiz uma careta, não gostava de homens burros, era melhor eu continuar fiel ao Eriol.
Fiel? Como eu posso ser fiel a alguém que não tem nada oficialmente comigo? Balancei a cabeça, pensando como eu era idiota em achar que EU! Sakura Kinomoto seria mulher de um homem só, sendo que ele nem sabia que eu era dele. Levei minha mão até meus cabelos, estrategicamente alisados e escovados (nem eu sei como deu tempo de fazer a escova antes da Tomoyo chegar) e virei o rosto jogando-os para o lado numa manobra digna das mais sexys atrizes americanas. Sem brincadeira, esta foi de quebrar o pescoço. Depois eu comprava um Cataflan ou gelol.
Do outro lado da pista finalmente encontrei o meu alvo. Tinha os cabelos negros e penteados para trás, os olhos castanhos penetrantes. Vestia uma camisa com os primeiros botões abertos, mostrando o peitoral bem definido e moreno. Passei a língua nos meus lábios, umedecendo-os. Nossa ele era muito gostoso. O rapaz colocou uma das mãos no bolso pedindo silenciosamente para que eu olhasse para onde ele estava apontando discretamente com aquele simples e estratégico movimento. Arregalei os olhos reparando no... UI! Nossa, será que era do tamanho que eu estava imaginando? O jeans super apertado dava para se ter idéias do tamanho do negóóóóóócio do gatinho.
Estava na hora de ir à caça. Para guerra. Para night! Sorri da forma mais lasciva que eu poderia e adorei quando ele retribuiu, levantou o outro braço e fez um gesto para que eu fosse até ele. Não pensei duas vezes, me desencostei do balcão e estranhamente cambaleei. Que coisa estranha, não tinha bebido nada com álcool até agora. Ah deve ser um efeito colateral da coisa fofa e gostosa que estava encarando-me com aqueles olhos castanhos inundados de malicia.
They say I'm crazy
I really don't care
That's my prerogative
Levantei o rosto e estufei os peitos para que propositalmente eles parecessem maior. Olhei para baixo e os encarei, torcei o nariz, eles poderiam ser maiores, não é? Soltei um suspiro desanimador, eu devia ter colocado um sutiã com enchimento, mas agora já era. Sakura, seja mulher, mesmo que não peituda. Estufa este peito e não desanima! Levantei o rosto novamente e lá estava o meu ninfo do Olimpo. Dei um passo à frente e estranhamente senti-me cambalear. De novo! Mas que droga! Será que eu estava tão na seca assim? Estava. Deus! Olha só o que o meu irmão fez comigo?
The phaaaaanton of the Touya is thereeeee...
Inside your mind!
PARA! Sai da minha cabeça Touya! Estava tentando paquerar um deus grego e só de pensar em aproximar-me dele estava cambaleando! Vudu do meu irmão!
Não desanima, Sakura! Você consegue! Você consegue chegar até ele! Vai! Vai! Anda, vai logo!
They say I'm nasty
But I don't give a damn
Getting boys is how I live
Sorri novamente para o gostosão que estava no meio da pista literalmente me esperando. Comecei a caminhar devagar, tentando inutilmente rebolar para parecer mais sensual, mas realmente alguma coisa estava me deixando levemente tonta.
Some ask me questions
Why am I so real?
But they don't understand me
I really don't know the deal about my sister
Trying hard to make it right
Not long ago
Before I won this fight
Meu estômago por algum motivo do além começou a ficar esquisito. Não! Não era mais frio na barriga de excitação! Era definitivamente alguma coisa que não havia caído bem. Respirei fundo sentindo algo alienígena se contorcendo no meu estômago, minhas pernas bambas e minha cabeça pulsando pela música alta demais. Mas isso não importava, eu tenho que chegar até ele! Eu tenho! Eu tenho!
Everybody's talking all this stuff about me
Why don't they just let me live? (tell me why)
I don't need permission
Make my own decisions (oh)
That's my prerogative
It's my prerogative (it's my prerogative)
Eu tenho! Eu tenho que ir para o banheiro agora ou vomitaria na frente de todo mundo! Droga! Virei o rosto e por milagre (Deus às vezes é bom para mim! Só às vezes!) eu consegui ver o letreiro luminoso escrito Ladies. Corri como uma desesperada esquecendo o meu ninfo e literalmente empurrando qualquer um que estivesse a minha frente. Coloquei uma mão na boca e apertei na tentativa inútil e idiota em tentar conter aquela coisa! Abri a porta com força e a única coisa que eu vi, foram as cabines! Cabines vasos! Era isso que eu precisava. Tentei abrir a primeira e estava fechada. A segunda também, sentia o gosto amargo na boca. Eu precisava de um vaso AGORA! A terceira, e finalmente eu consegui achar o meu precioso vaso e como uma bêbada ridícula, ajoelhei em frente a ele e coloquei tudo para fora. Tudo! Acho que inclusive o meu fígado.
It's my prerogative (it's my prerogative)
'Está tudo bem contigo?' Ouvi alguém perguntar atrás de mim. Não consegui nem responder pois era só abrir a boca e lá vinha o Raul novamente. 'É melhor não segurar. Vai se sentir melhor depois que colocar tudo para fora.' Isso se o meu estômago resolver ficar dentro do meu corpo e não sair junto. Ai que vergonha! Que situação... imagina se o Eriol, meu chefe todo poderoso, me visse neste estado, com a cara no vaso, vomitando...
Coloquei a mão na testa suada pensando no que poderia ter me feito tão mal. Será que a fruta do coquetel da Tomoyo estava estragada? Ou o leite condensado vencido? Desistiria da matéria sobre suicídios de jovens e denunciaria o bar e suas bebidas estragadas e assassinas.
Soltei um suspiro e olhei para o conteúdo do vaso. Era nojento. Como aquilo tinha saído de mim? Arregalei os olhos finalmente me dando conta que só poderia ter sido uma coisa: A praga daquela morta viva! Ela me paga! Vou virar uma super feiticeira! A mais poderosa de todo o universo e vou rogar uma praga maior ainda em cima dela.
'Aquela morta viva me paga!'
'Acho que você já terminou. Venha, ajudo você'. Ouvi a mesma voz ao meu lado e agora senti alguém segurar o meu braço tentando me ajudar a levantar. Puxei a descarga para não ver mais aquela coisa nojenta que saiu de meu corpo.
Fui até a pia para lavar a boca que estava com um gosto horrível. Fechei os olhos ainda sentindo-me tonta, mas pelo menos aquela sensação de parto do alien tinha terminado. Bochechei um pouco de água na boca e cuspi. Depois passei água no rosto borrando parte da minha maquiagem, mas ela já deveria estar arruinada mesmo.
'Toma.' Falaram para mim me entregando toalhas de papel para enxugar meu rosto, não recusei ajuda, não estava em condições para isto. Assim que me senti melhor, encarei a figura que resolveu me ajudar. A primeira coisa que vi foram aqueles olhos azuis escuros inquisidores de Eriol!
'Ah!' Gritei dando um passo para trás e esbarrando em outra pessoa.
'Hei sua maluca!' Reclamaram. Nem sabia o que fazia: se pedia desculpas para quem eu acidentalmente havia esbarrado ou voltava para a pessoa que havia me ajudado.
'Você está bem?' A moçinha magrinha mais ou menos do meu tamanho perguntou para mim, segurando-me pelo braço. Pisquei os olhos reparando nela. Tinha cabelos curtos, na altura dos ombros e olhos azuis...Hummmm... franzi a testa percebendo que eram muito parecidos com os de Eriol! Ah Sakura relaxa! Está se sentido tão mal que agora anda igual ao Fantomas, associando nada a lugar nenhum. Nos lábios dela, estava um simpático sorriso. 'Oi, eu sou a Yoruki, mas pode me chamar de Yoru.'
'Sakura.' Respondi puxando mais uma toalha de papel e terminando de secar o rosto. 'Obrigada pela ajuda.'
'Não foi nada.' Respondeu sorrindo novamente. Sem querer e apesar de ainda estar me sentindo péssima, dei um fraco sorriso em agradecimento. Olhei em volta e reparei que não estávamos sozinhas (Claro! Tinha agredido há pouco tempo outra menina que resolveu me ignorar), o banheiro feminino estava entupido de moças que retocavam o batom e fofocavam. Outras fumando. E outra dentro de uma das cabines que deveria estar também tendo a experiência de cuspir um alien.
'Acho que comi alguma coisa que não me fez bem.'
Yoru sorriu, mas não foi de forma meiga agora. 'Ou bebeu demais.'
'Eu só bebi um energético. Aquilo não faz mal.' Defendi-me.
Agora ela caiu na gargalhada. Parei olhando assustada. Ela estava recebendo santo!
'Realmente bebida energética não faz mal sozinha, mas com vodka, não dá para dizer o mesmo.'
'Vodka?' Franzi a testa. Ah agora tudo estava explicado, principalmente a dor de cabeça que eu começava a sentir. 'Putz...' Foi tudo que eu consegui dizer. Eu realmente era uma idiota. Respirei fundo pensando em apenas ir embora de uma vez daquela festa. Era claro que a noite não poderia ter sido boa, já que o dia não havia começado nada bem... pensando, desde ontem a noite nada tinha dado certo na minha vida. Agora eu tinha certeza! Foi praga da bebum esperta e ex-mulher do meu primo!
'Você está sozinha?'
'Não... com uma amiga. Acho que vou embora. Não me sinto nada bem.'
'Ajudo você a encontrar sua amiga, certo?'
'Obrigada.' Não sabia nem mais o que falar para ela que não fosse obrigada. Desencostei da pia e tentei dar um passo, saiu meio cambaleante, mas agora era questão de honra conseguir pelo menos chegar até a Tomoyo.
'Vamos?' Yoru incentivou-me a continuar. Respirei fundo e continuei meu caminho até a porta, até porque o cheiro forte e a fumaça me fariam mais mal ainda se eu não caísse fora dali logo.
'Kenji é muuuuuuuuito gostoso! Depois que a gente sair desta festa, vamos dar um pulinho no apartamento dele. Ele me disse que os pais estão viajando.'
Franzi a testa. Aquela voz não me era estranha. Virei o rosto olhando por cima do ombro a enorme quantidade de garotas que estava naquele banheiro fumando, retocando a maquiagem ou fofocando.
'Está tudo bem?' Senti Yoru pegar na minha mão, obviamente pensando que eu estava passando mal novamente.
'Tá tudo bem.' Respondi sem virar-me para ela e tentando filtrar o que eu queria daquele falatório feminino.
'Não estou preocupada com o meu pai. Se ele tem o direito de se divertir, eu também tenho.'
Agora eu tinha certeza de que era ela. Voltei-me para o grupo de garotas empurrando algumas que me impediam de chegar até meu alvo e foi finalmente quando eu dei de cara com dois olhos vermelhos (mais vermelhos do que o normal) me fitando assustados.
'O que você está fazendo aqui?' Falamos ao mesmo tempo. 'Não é possível!' Novamente... 'Você está me perseguindo!' A cena era ridícula, nós duas no centro de um banheiro feminino lotado apontando uma para outra e falando juntas! 'Ninguém merece!'
Ficamos um tempo em silêncio, encarando uma a outra de forma arrisca. A última pessoa que eu queria encontrar novamente naquele dia e em especial naquela festa depois daquele terrível momento, era a filha de Syaoran.
Meilyn também deveria estar pensando o mesmo, mas por motivos muito mais óbvios que os meus. Lá estava a pirralha de quinze anos com um cigarro na mão esquerda. Franzi a testa e olhei de forma ameaçadora do cigarro para o rosto dela.
'Quem é?' Uma das gurias que estavam fumando ao lado de Meilyn perguntou fazendo um gesto com a cabeça na minha direção.
'Sou a madrasta dela.' Foi na lata! Eu só podia estar sobre efeitos alcoólicos para responder com tanta convicção. Tanta que até os olhos grandes de Meilyn ficaram ainda maiores. O banheiro de repente ficou completamente em silêncio.
'Você não é casada com o meu pai. Não é porque dorme com ele se tornou minha madrasta.' Ela falou entre os dentes.
Dei um passo à frente pegando o pulso que ela segurava o cigarro e levantei. 'Isso não é para garotas da sua idade! Esta festa não é para garotas da sua idade.'
'Isso não é da sua conta!'
'É sim desde que eu esteja morando na casa do seu pai.'
'Você não é a minha mãe!'
'Pois neste momento eu sou pior que sua mãe!' Ela arregalou mais ainda os olhos. 'Eu sou sua responsável! E eu vou contar tudo para o seu pai.'
'Não...' Ela gemeu.
'Sim!' Olhei em volta para ver a cara das amigas de Meilyn, mas reparei que muitas tinham saído de fininho. Oras, meninas tão jovens fumando no banheiro, onde já se viu isto?
'Ela é sua enteada?' Yoru perguntou olhando incrédula para mim. 'Mas ela é namorada do Kenji.'
Meilyn desviou os olhos de mim e encarou a garota. 'Da onde você conhece o MEU namorado?'
Yoru sorriu sem graça. 'Eu não o conheço...' Respondeu rapidamente. 'Só ouvi falar na faculdade.'
'Pois saiba do principal, ele é MEU e SOMENTE MEU namorado.'
A jovem levantou os braços. 'OK! Já entendi.'
'Não vai começar a brigar agora com a garota, Meilyn. Você já está encrencada.' Uma amiga dela a aconselhou.
'Muito encrencada. Isso daqui...' Falei levantando o braço dela de novo para mostrar o cigarro, foi quando senti um cheiro forte e enjoativo. Enjoativo demais até mesmo para um cigarro fedorento. Agora fui eu que arregalei os olhos. 'Isso aqui é... Meilyn!'
'Não conta para o meu pai... por favor...' Ela implorou. Juro que não sabia o que fazer. Diga-me, o que se faz quando se flagra a filha do primo o qual lhe emprestou a casa para você passar uma temporada fumando baseado? Diga-me! Oh Santo Buda! Diga-me, o que eu devo fazer!
Estava pronta para arrancar o baseado da mão da filha de Syaoran quando o banheiro foi invadido pela...
'Aqui é a polícia! Todas estão detidas!' Um policial entrou com a arma em punho apontando para dentro do banheiro.
Era só isso que me faltava para terminar o dia, acabar a noite dormindo no xadrez! Já podia até me visualizar dentro de uma cela feminina ao lado de Roxie e Velma, esperava pelo menos. Em minha louca mente nós estávamos cantando... e no meio de nós... o gostosão do Delegado Yui!
Como bem lembrou minha revisora: Continua no próximo episódio!
Notas da Autora desaparecida!
Bem depois do pagamento do resgate para o pessoal do Fórum da Amizade, eles finalmente me liberaram e eu estou aqui com mais um capítulo de Luzes! Verdade seja dita que este capítulo estava pronto há um tempão, mas tinha uns ajustes que eu não conseguia achar tempo para fazer. Ai a Rô revisou rapidinho (como sempre!) e eu enrolei para fazer a minha revisão depois! Hahaha eu não tomo jeito.
Este capítulo é super especial! Primeiro, por que finalmente a grande ganhadora da gincana da Mansão da Amizade que foi realizada há anos atrás deu o ar de sua graça! É a nossa queridíssima YORU! Autora do maravilhoso fic "Suteki da Ne" Parabéns querida! E desculpe-me pela demora em lhe dar o seu prêmio! Mas aguarde e confie! Seus problemas apenas começaram nesta fic!
Além da nossa amiga Yoru, temos os personagens de Gundan Wing! Eu confesso que não saco muito deste anime, mas o Heero é muito gostoso, não é? Ai ai ai...
Ah sim, e quem será o gatinho que a Sakura viu no meio da pista de dança, tentou pegar e, para variar, não conseguiu? Tã tã tã tã tã! Surpresa! Ele vai dar o ar de sua graça novamente e vocês descobrirão mole, porém acho que os mais atentos, já desconfiam de quem seja...
Vamos para a trilha sonora:
Trilha sonora de Karatê Kid: The Power of Love – Não tenho a menor idéia de quem canta.
Polícia – Titãs: Não me perguntem como eu lembrei desta música, nem eu sei...
Estrofe da musica do musical O Fantasma da Ópera! Eu AMO este musical! Acreditam que eu chorei quando ouvi All I ask for you!
My prorogative – Britney Spires: Está bem! Eu sei que estou dando uma overdose desta Madonna genérica para vocês, mas não encontrei nenhuma outra música que se encaixasse na cena.
Feita as devidas apresentações e esclarecimentos deste capítulo, vamos agora ao meu lamento...
Gente, foi muito mal pela demora dos meus fics! Eu não abandonei Feiticeiros III, não totalmente. Às vezes eu bato alguma coisa, mas está um pouco difícil de sair. Mas não se preocupem, sou teimosa e irei até o final! Desculpe também para o pessoal que acompanha Dragões, mas este fic vai mesmo ficar um pouco congelado. Minha prioridade agora, é finalizar Feiticeiros. EU TENHO que fazer isso!
Eu confesso que passei por uma fase um pouco Dark na minha vida, mas agora já está tudo ótimo! (Kath suspirando... não adianta perguntarem por que! ). Pena que o tempo é curto, e os problemas aumentam, mas tudo ficará bem... um dia! Hahaha... Temos que ser otimistas!
Então depois das devidas explicações, termino aqui minhas notas mandando milhões de beijos para todos! E esperando comentários sobre o capítulo, heim!
Kath
NOTAS DA REVISORA:
Reação da revisora quando a sua autora favorita disse que tinha capítulo de Luzes saindo quentinho...
HUHUHUHUHUHUHU...AÊÊÊÊÊ...Capítulo 05 enfim... foi mais ou menos assim...talvez tenha sido um pouco mais animada, é que hoje de fato estou muito cansada...eheheh
Pessoal, esse capítulo estava muito engraçado, eu ri demais essa semana, normalmente eu riria num dia só, porque reviso tudo de uma vez, mas a semana foi atípica, fui revisando aos pouquinhos, eu tava de guarda aqui em casa...hiiiii...história longa, deixa prá lá...
A Sakura tri bêbada (o tri é influência da minha mana gaúcha), tava hilária, muito louca...
Syaoran apareceu pouco, mas estou louca para ver a reação dele quando souber da Sakura presa de novo...ahahaha...muito show...ele vai saber né, Kath?...
Mey Ling, que menina mais bocuda, do tipo, falar o certo nas horas erradas..ahahah...entenderam?...ahahah...
E o Hee...aiai...o soldado perfeito continua perfeito onde quer que ele apareça...
E eu já escrevi demais, para quem não estava inspirada outro dia, acho que exagerei...
Beijocas a todos os fãs da Kath
Rô
Ps: aos fãs da Kath que também lêem Sem Barrreiras, o cap. 16 vai demorar...muito...
