02. Aroma

Onde os sentidos começam a se fazer valer
e acontece uma brincadeira interessante...

O início do mês de dezembro indicava que o Natal estava se aproximando – e, já na primeira semana, as decorações do Salão Principal começaram a ser montadas conforme costume. Muitos visgos e fadas mordentes enfeitiçadas foram espalhados pelo castelo. Estava claro que os professores haviam se esforçado ao máximo para propagar o espírito natalino entre os estudantes, talvez pela guerra que se aproximava, ou simplesmente porque queriam uma atmosfera mais leve na escola depois do que acontecera na metade do ano.

Na verdade, havia dois professores que se recusavam a envolver-se com o maldito espírito natalino. Sibila Trelawney, que não se prestava a participar de coisas tão mundanas, e, obviamente, nosso caro Professor Snape, cuja condescendência com as festas de fim de ano se limitava a não fazer uma careta cada vez que encarava aquelas árvores enfeitiçadas ou cruzava por um daqueles visgos idiotas.

Com o habitual mau-humor, entrou nas masmorras para a primeira aula de dezembro – era uma bela manhã de segunda-feira e ele estava prestes a ganhar uma horrível dor de cabeça por causa daqueles insuportáveis grifinórios. Claro que os sonserinos também estariam presentes, mas aquilo jamais significara qualquer incomôdo.

Havia se passado uma hora e quinze minutos sem maiores perturbações quando o professor detectou um possível início de transtorno no ar, vindo, obviamente, daqueles pirralhos insolentes. O quê, agora?

Era... aquilo era fumaça? Não podia exatamente distinguir de onde vinha, mas era muito provável que algum grifinório tivesse arruinado sua poção mais uma vez. Por isso, uma nuvem branca passara a flutuar acima de suas cabeças, junto ao teto. E bastaram alguns minutos para que algo mais se espalhasse, ameaçando um pandemônio entre os alunos.

Um cheiro... doce, amadeirado. Chocolate, sem dúvida alguma. Claramente, uma tentativa pobre de gozação, pois poção alguma em sua aula teria tal odor.

Percebeu não somente o sorriso que teimava em escapar dos lábios de Draco, como também um efêmero brilho que transpassara seu olhar ao observar Potter, que parecia estar tentando consertar com pressa a própria poção. Usando todo o autocontrole que possuía, Snape devotou a seus alunos sua mais temível expressão, calando a todos. Com uma leve sacudida da varinha e um feitiço não-verbal, fez a fumaça e o cheiro desaparecerem no mesmo segundo, como se nunca tivessem existido.

– Potter! – decidiu pronunciar-se finalmente, sem esquecer o habitual sarcasmo.

– Sim, senhor? – Potter ousou desafiá-lo através da voz e do olhar.

Certamente, não perderia a oportunidade de castigar a presunção daquele garoto. Não mantinha mais esperanças de ensinar-lhe alguma disciplina, mas aquilo não o impedia de lembrar que uma ajuda na organização de seus estoques de poções poderia ser providencial.

– Detenção. Depois do jantar. Hoje – determinou de forma incisiva, desafiando o aluno a contestá-lo.

Ele, porém, não o fez. Granger havia agarrado seu braço. Garota esperta.