04. Textura

Onde os desejos começam a pedir passagem...
e o toque se faz presente pela primeira vez...

Draco Malfoy saíra exultante da sala de Poções. Sentia-se vitorioso e julgava ter motivos para divertir-se e se vangloriar. Quem mais, que não ele, teria pensado em um incidente tão idiota quanto o que ocorrera durante a aula? Ainda bem que tivera a genial idéia de usar um feitiço tão... grifinório, algo que não desse a Snape alternativa alguma a não ser punir Potter.

Aquela distração fora realmente ótima – o suficiente para que ninguém percebesse a perfeição da poção do grifinório (que, depois de alguns esforços, pela primeira vez, parecia ter alcançado um nível digno de elogios, mesmo sem o auxílio de Granger) e era o que importava. O professor devia agradecer-lhe por ter evitado a merecida aclamação que seria obrigado a dar à poção de Potter.

Como pensar em desgraça só atraía igual desgraça (ao menos, segundo os Malfoy, que evitavam a todo custo ignorar as tragédias na família), não demorou mais que alguns momentos para que encontrasse o garoto em questão, que o espreitava desde o momento em que deixara a sala de aula.

Potter o empurrara com força, e ele, perdendo o equilíbrio, caiu no chão, de costas, com o outro por cima de si, já que agarrara firmemente a gravata vermelha e dourada no momento em que começara a ser empurrado.

– Você arruinou a minha noite, Malfoy – acusou Harry, fuzilando Draco com o olhar e não fazendo menção de mover-se.

– Eu fiz isso...

Um brilho novo, efêmero, cruzou seu olhar. Draco impediu um sorriso de surgir e largou aquela gravata... grifinória. Colocou a mão livre na nuca de Potter, em uma posição não de todo ameaçadora. A textura delicada da pele o surpreendeu... e ele parou por um segundo apenas... para senti-la. Assim como Harry pôde sentir a sutileza de seu toque.

– Cai fora, Malfoy! – Potter afastou-se, um sentimento irreconhecível transparecendo em sua face.

– Eu fiz isso... – Draco insistiu, em voz baixa, dando ênfase a sua repetição.

Porque, afinal de contas, ele fizera... colocara Potter em detenção no ninho da Sonserina e, o mais importante, tocara nele. Ah, sim, aquela noite prometia... e pouco importava se Potter lhe dava as costas naquele momento. Pouco importava, porque ele tinha um plano...