05. Intermezzo

Ele, sonhando acordado? Com Draco Malfoy? Não, não era o que estava fazendo! Passara as últimas horas buscando desculpas plausíveis que o convencessem da impossibilidade de ficar com aquele garoto, é verdade, mas isso não queria dizer que estava... sonhando... com Draco Malfoy. Não, definitivamente não!

Afirmar que passara a última semana sonhando com Malfoy seria alegar que idealizara um beijo que sequer tinha certeza de ter acontecido; seria acusar que a guerra se tornara sua maior preocupação, porque o colocava em lado oposto a Malfoy; e, pior, seria admitir que isso o incomodava porque não queria ficar distante de Draco.

Não poderia fazer nenhuma dessas coisas, nem afirmar, nem alegar, nem acusar a si mesmo e muito menos admitir... porque admitir seria, entre tantas outras possíveis, a pior atitude: significaria demonstrar uma fraqueza que não poderia se dar ao luxo de possuir em um tempo como aquele.

Soubera dos intentos de Hermione desde o momento em que realmente ouvira a primeira pergunta e, por isso, deixou a presença dos amigos à primeira oportunidade. Pretendiam fazê-lo anunciar uma fraqueza, uma paixão efêmera, algo que lhe era inconcebível.

Queria analisar toda a situação objetivamente. Acreditava em alguma explicação prática para o que sentia. Provavelmente, abalara-se tanto apenas por ter sido seu primeiro beijo... apenas por isso. Draco (se não houvesse o risco de fazer muito barulho naquele amplo corredor, teria chutado a si mesmo nesse momento por ter chamado MALFOY assim) nunca despertara nele interesse algum. Não como Cho o fazia... exceto, é claro, quando haviam – NÃO! Não podia pensar assim! Tudo não passara de uma provocação de Malfoy, tudo que tinha a fazer era ignorar.

"Uma provocação de Malfoy?", a voz irritante de sua consciência perguntou silenciosamente. "Como pode ter sido 'uma provocação de Malfoy' se foi você que se jogou por cima dele naquele corredor?"

Com esse pensamento, Harry não chutou a si mesmo... mas não se impediu de fechar os olhos e bater a cabeça na parede, com força, por vontade própria. Quem sabe, se persistisse, um pedaço se abriria e todos os "não" que dera para si mesmo àquela noite encontrariam uma chance de finalmente serem compreendidos por seus neurônios.

Continuou repetindo o gesto, pouco se importando se existia a possibilidade de que alguém o surpreendesse e confirmasse os rumores de que Harry Potter tinha, definitivamente, enlouquecido.