07. Consciência

Onde a mente engana o corpo…

"Maldito Potter!", profanou Draco, invadindo o Salão Comunal.

Estava com raiva, a ponto de socar a parede mais próxima; gritou com dois novatos da própria Casa antes de chegar no quarto. Expulsou Crabble e Goyle – que estavam fazendo sabe Merlin o quê – e atirou-se sobre a cama somente para evitar quebrar alguma coisa.

O que menos precisava agora era outro castigo do pai, mas quando ele soubesse... ah!, quando soubesse... dificilmente adiantaria argumentar que toda a culpa era de Potter por ficar visitando as masmorras durante a noite.

Certo, ele que causara a detenção. Se não tivesse feito aquele pequeno truquezinho, Snape não teria punido Potter... mas o objetivo de tudo era só humilhar o garoto, pelas barbas de Merlin! E, no entanto, Potter tinha de estragar tudo, quebrando os malditos vidros de poções e ganhando mais uma detenção.

Na verdade, nem na primeira noite eles deveriam ter se encontrado ("Não era um encontro!", sua consciência gritou) e muito menos, muito menos, se beijado. Não, não, beijo não. Não aconteceu beijo algum.

Sentiu arrependimento por ter tentado alguma coisa com aquele patético grifinório, que, provavelmente, chegara radiante ao Salão Comunal de sua casa na noite de quinta-feira, pronto para revelar aos colegas a maior fraqueza de seu arquiinimigo.

"Mas não aconteceu beijo algum", repetiu para si mesmo pela décima vez naquela noite - estava imaginando coisas. Vinha fazendo isso há algum tempo, era melhor parar. Culpar-se por um beijo imaginário era o cúmulo da loucura, e ele definitivamente não estava ficando louco. Se bem que loucura talvez fosse uma ótima desculpa para dar a seu pai...

Ou não. Seu pai nem saberia do que supostamente acontecera naquela masmorra ("Por duas vezes!", sua consciência gritou de novo), ninguém saberia o que supostamente acontecera naquela masmorra – muito menos Potter.

Havia um motivo para ele ter sido treinado em Artes das Trevas, afinal.