13. Em um pub
Onde o álcool não é
necessariamente a melhor opção
Saíram de Londres, pelo metrô, quando já amanhecia – Draco em silêncio, sem comentar sobre a escolha do meio de transporte. Não haviam definido roteiro nem destino, deixando a chegada à sorte e ao acaso. Desceram em uma estação qualquer de uma zona movimentada e puseram-se a procurar por um apartamento.
O primeiro corretor a mostrar-lhes alguns lugares era extremamente comunicativo e demonstrou-se irônico quando os dois lhe disseram que queriam apenas um quarto, com cama de casal. Dispensaram-no não muito tempo depois.
A noite chegou com Harry e Draco andando, de estômago vazio, pelas ruas do último bairro visitado. Pararam então em um pub para ao menos tomar alguma coisa antes de continuar à procura de um lugar para dormir.
Entraram com calma; não tinham, afinal, muito para fazer até o dia seguinte. Draco foi até o bar, seguido por um Harry bastante incomodado com a música e a pouca iluminação do ambiente.
Observando os bizarros indivíduos que pareciam divertir-se por estar ali, Harry distraiu-se, sendo surpreendido, depois de um tempo, pelo copo que Draco empurrara em suas mãos.
– O que é isso? – perguntou, erguendo os olhos verdes, cheio de desconfiança.
– Os trouxas chamam de Volcano. Acredite, é bom – respondeu Draco, pegando-lhe levemente o braço e levando-o a uma das mesas.
– Isso tem álcool?
– Um pouco... é feito com uísque trouxa, sabe...
Draco respondera displicentemente, ignorando os conceitos puritanos que Harry estranhamente concebera naquele momento. Seus olhos percorreram o pub, nervosos, talvez com medo de que alguém os reconhecesse ou ao menos percebesse que tinham, de fato, apenas quinze anos.
Ainda desconfiando, sem entender de onde Draco tirara tanta informação sobre a bebida trouxa, Harry largou o copo na mesa, sem intenção de beber, e sentou-se. Draco já havia soltado seu braço e, pela necessidade de não perder o contato e manter a atenção dele voltada para si, o grifinório entrelaçou os dedos nos dele, ignorando qualquer olhar recriminatório que pudessem lhes dirigir.
– Quer dizer que você só bebe quando seus amiguinhos grifinórios ganham uma partida, é, Potter? Se quiser, eu jogo com você...
– Aqui? – Harry sobressaltou-se.
– Se quiser... – repetiu ele. – Vou ter mesmo que deixá-lo vencer para que você ao menos experimente essa bebida?
– Não podemos jogar Quadribol aqui, Malfoy. E, mesmo que pudéssemos, você jamais precisaria me deixar vencer...
– Talvez... – um sorriso escapou pelos lábios de Draco. – Está bem, eu admito que você é muito bom...
Harry sentiu que seu rosto ruborizara involuntariamente. Não sabia como lidar com o que sentia ao receber tal elogio de Draco Malfoy. Levou o copo até a boca e bebeu um grande gole sem pensar. O sorriso permaneceu nos lábios de Draco.
– Por que você não bebe? – Harry agora sentia uma necessidade diferente: a de desviar a atenção que Draco dedicava a ele.
– Agora não. Talvez depois. Notou que aquela garota não tira os olhos de você?
- O quê? Quem? - perguntou Harry, estupefato.
- A de vestido marrom perto do bar.
- Hm... não conheço... você acha que ela quer alguma coisa comigo?
- Bem, comigo certamente não é, Harry... e você, quer alguma coisa com ela?
- Talvez... – Harry esnobou a insinuação do outro, aproveitando para beber mais um pouco.
Frustrado, Draco expirou todo o ar dos pulmões. Quem estava jogando agora era Harry, e ele não gostava nem um pouco de não estar no controle.
- Acha que, se eu quisesse alguma coisa com ela, eu ainda estaria sentado aqui com você? – perguntou suavemente, ignorando que a bebida começava a fazer efeito e acariciando o rosto de Draco, de forma a evitar que ele guardasse o mínimo de ressentimento.
Baixando o olhar, Draco desviou a atenção para a mesa, tentando não se sentir constrangido pelos pigarros que foram ouvidos à sua volta. Harry não pareceu desconfortável, apenas um pouco confuso quando Draco pegou sua mão e a afastou do rosto.
- O que foi?
- Desculpe...
- Não quer? – insistiu Harry.
- Não.
- Talvez minha memória esteja jogando comigo, mas achei que você gostasse...
- Não aqui – respondeu Draco, ainda sem conseguir encará-lo.
Olhando para os lados, Harry tentou entender o que ele queria dizer. Não via o que tinha de errado com o lugar, exceto o fato de serem pessoas mais velhas. Em algumas mesas, havia homens acariciando e até beijando mulheres, então o que poderia haver de errado na demonstração de afeto entre eles?
- Não entendo. Você se importa com os outros?
- Não, com você – replicou Draco, curtamente. - Vou buscar mais uma bebida.
Sozinho, Harry continuou pensando. Sabia que alguns trouxas eram preconceituosos, mas achava que esses eram limitados a idiotas como seus tios. Havia a possibilidade... talvez não fossem apenas seus tios que faziam aquelas piadinhas ridículas... talvez Draco sentisse que não eram bem-vindos ali.
- Somos os estranhos aqui, não é? – perguntou quando o outro sentara-se novamente.
Draco, que voltara sem bebida alguma, pegou o copo de Harry e terminou o whiskey em um só gole antes de responder com seriedade, como se estivesse preocupado.
- Os trouxas não costumam gostar de quem é diferente. Acho melhor irmos embora – comentou, pegando Harry novamente pela mão e convidando-o a levantar-se.
Deixaram o pub sem incidentes e andaram um pouco até chegar a um parque. Sentaram-se abraçados, no intento de se proteger da noite fria de dezembro. Harry ainda sentia o efeito do pouco álcool que bebera e não se sentia disposto a pensar em um lugar para passarem a noite. Decidiu que poderiam ficar naquela praça trouxa mesmo e preocupar-se somente pela manhã.
