14. Em um hotel
Onde dúvidas começam a aparecere falta a confiança
- Harry... – Draco mexeu o ombro, impedindo-o de dormir.
- Hum?
- Harry, nós não podemos dormir aqui... está frio, e amanhã essa praça vai estar cheia de trouxas.
Murmurando algo como "e daí?", o grifinório tentou virar o rosto e ignorar o que Draco lhe dizia. Quem se importava com os trouxas? Provavelmente, acordariam ao levantar do sol. E não fazia tanto frio assim, pelo menos não enquanto estavam abraçados.
- Venha, vamos achar um lugar mais decente para dormir, não quero ser crucificado pela minha coluna amanhã.
Gentil como sempre, Draco se levantou fazendo Harry perder o apoio que tinha em seu ombro e ser atirado sobre o banco.
- Dá pra você voltar pra cá? É impossível achar um maldito apartamento às onze e meia da noite – resmungou, com os olhos quase fechados.
- Nossa, Potter, você consegue superar até a mim com seu desconhecimento do mundo trouxa. Vai me dizer que nunca ouviu falar em um hotel?
Com isso, Draco deu-lhe as costas, puxando a varinha discretamente do bolso. Fez desaparecer o banco em que Harry estava deitado, fazendo-o cair no chão. Não se virou para conferir o resultado do feitiço, mas deu um sorriso de superioridade, sabendo que agora conseguiria realizar seus intentos.
- Bom, eu vou arrumar um quarto para mim com uma bela cama king size, Potter. Se você preferir, pode ficar dormindo aí no chão, mas eu não me oporia em dividir a cama com você...
- Pelo contrário, é exatamente o que você quer fazer, não é mesmo, Malfoy?
Harry sorriu, levantando-se e esquecendo um pouco o sono – a noite ainda poderia ser muito interessante.
Foram atendidos por uma recepcionista muito simpática e lhe explicaram que não tinham bagagem devido a um engano que ocorrera no aeroporto. Ao informarem que queriam apenas uma suíte com cama king size, ela ofereceu um champagne por conta da casa e deu um sorriso maroto, entregando-lhes as chaves.
Subiram pelo elevador até o sétimo andar e entraram no quarto. A porta mal tinha sido fechada quando Harry pegou o loiro rudemente pelos ombros, e o empurrou com força, fazendo-o recuar. Draco foi jogado na cama de forma nada civilizada e foi impedido de se levantar por Harry, que se ajoelhou sobre ele, restringindo seus movimentos.
Com os olhos bem abertos, Draco aproveitou que seus braços não estavam presos e agarrou o grifinório pela cintura, revidando com a mesma delicadeza com que fora jogado na cama. Sua intenção era controlar Harry, obrigando-o a beijá-lo... mas o grifinório não queria ser controlado.
Quem manipulava o jogo agora era Harry. Ele incitara uma reação mais intensa em Draco para depois começar a agir com toda a calma e lentidão que seu corpo permitia. Sentindo o próprio coração pulsar mais forte, o grifinório respirou profundamente para aparentar controle. Com isso, a forma e a força com que Draco o segurava tornavam-se irrelevantes – era ele quem dominava, não Draco.
Era ele quem determinava o que poderiam ou não fazer. Harry precisou tomar a iniciativa de tirar as roupas de Draco para que o outro conseguisse despi-lo.
No quarto ainda escuro, Harry buscou a garrafa de champagne, que tinha sido colocada ao lado da cama. Segurando a garrafa no pequeno espaço que havia entre os dois, estourou-a. A rolha ficou em sua mão, enquanto o líquido transbordava sobre Draco.
Antes que o sonserino pudesse rir, Harry se apossou de sua boca, ocupando-a. Aos poucos, porém, sua atenção deixou de concentrar-se nos lábios de Draco, pondo-se a beber o champagne derramado. Seu toque provocava e instigava os pensamentos do loiro, que se continha para não pedir por mais.
Enquanto mãos exploravam suas costas e sorrateiramente flertavam com o meio de suas pernas, Draco perdeu a paciência e, sem pensar duas vezes, virou-se, cobrindo o corpo de Harry com o seu.
- Acha que vai me torturar, Potter? – perguntou com selvageria, suas mãos repentinamente explorando o corpo do outro com toques nada sutis.
"Realmente acha que pode fazer isso?", insistiu Draco, fazendo Harry levantar-se pela força, enquanto o desafiava pelo olhar.
"Responda!", demandou, puxando-o brutalmente. "Você começou tudo isso e não consegue mais ir em frente. O que foi, Potter? Está com medo?"
- Eu não...
- Está gostando? – murmurou ele, mais com raiva do que desejo, enquanto obrigava Harry a sentar-se, de frente, em seu colo. – É isso que você quer?
Não buscava uma resposta – a pergunta fora retórica. Buscava, sim, uma atitude. Passou as mãos pelas costas dele, segurando-o pelos ombros e, colocando ali toda a sua fúria, penetrou Harry. Completamente. Uma vez só.
A dor que Harry deveria estar sentindo foi traduzida em uma mordida no ombro do grifinório, que Draco executou sem qualquer piedade enquanto o abraçava. Segurando a respiração, Harry sentiu Draco sair de dentro de si.
Foi jogado no chão. Pisado. Draco colocou a mão em suas costas, mantendo-o firmemente preso sobre o tapete, e desafiou-o com o rosto bem próximo ao seu:
"O que você acha que diriam do heroizinho que gosta de ser pisado, mordido, subjugado? Acha que seu querido padrinho gostaria de saber da mulherzinha passiva que você é?"
Vendo que Harry não reagia, Draco o envolveu pela cintura, levantando-o do chão só um pouco. Sem maiores cuidados, penetrou-o novamente.
"Mas você gosta disso, não é?", ele praticamente cuspiu em seus ouvidos, puxando Harry pelos cabelos e estocando contra ele.
"Até quando o santo Potter vai agüentar?", estocou mais uma vez. "Porque não desiste logo e volta correndo para a escola?"
Investiu outra vez contra o corpo sob o seu... outra vez... e outra... e outra... e outra... Ejaculou sobre Harry em silêncio. Em seguida, levantou-se e foi para o banheiro, deixando o outro no chão, sozinho.
