16. Em um cativeiro
Onde o que era possibilidade
se torna real. Ou não?
Seu lábio estava novamente ferido. Dessa vez, por causa das tentativas de conter os gritos. Seus joelhos doíam das muitas vezes que foram de encontro ao chão. Podia jurar que sua pele jamais teria a mesma sensibilidade depois de ter sido severamente submetido a sessões de Cruciatus que pareciam durar por horas a fio.
A cela tão comum onde fora jogado era dominada por um ar de podridão que só poderia ser associado a dementadores. Harry não vira qualquer um deles se aproximar, mas, mesmo de olhos fechados, podia sentir seus efeitos. Os gritos dos Comensais da Morte discutindo seu destino, ao fundo, confundiam-se com as súplicas de sua mãe.
Desistira de entender se já era noite, ou de descobrir se haveria alguma forma de escapar daquele lugar. Seus pensamentos se tornavam cada vez mais confusos, e ele buscava se agarrar às poucas lembranças felizes na tentativa de manter a sanidade.
Lembranças felizes, entretanto, só o ajudavam quando algum Comensal afastava os dementadores para aproximar-se, porque, em outros momentos, serviam apenas para deixá-lo com a sensação de um profundo vazio. Começava a acreditar que não conseguiria sair dali com vida – e, com essa triste conclusão, pôs-se a encarar com indiferença as grades da própria cela, esperando que chegasse a hora de encontrar seus carrascos.
