17. Em uma Mansão
Onde duas máscarasse tornam inúteis
Excetuando-se os professores, ninguém mais fora informado sobre o desaparecimento de Harry Potter, ao menos até aquela reunião de quinta-feira. Rony e Hermione foram mantidos longe do Largo Grimmauld devido ao ataque a Arthur Weasley e não puderam, assim, contar nada a Sirius ou a qualquer outro membro da Ordem da Fênix.
Sirius Black andava impacientemente pela cozinha, apesar dos protestos de Remus Lupin, Kingsley Shacklebolt e Nymphadora Tonks. A discussão sobre a próxima guarda ao Departamento de Mistérios continuava, apesar disso. Ao menos, até o momento em que Snape entrou na cozinha do Largo Grimmauld.
O professor de Poções carregava uma expressão solene no rosto e uma máscara branca nas mãos e, ao vê-lo, todos silenciaram. Sirius lançou-lhe um olhar furioso e fechou o punho, mas se manteve à distância, do outro lado da mesa.
Não foi preciso que Dumbledore lhe desse a palavra para que Snape começasse a falar em um tom extremamente suave:
– Os Comensais encontraram Potter. Ele estava... dormindo com Draco em um hotel trouxa-
– Snape – Sirius rosnou em aviso. Havia parado de andar.
– Como eu estava dizendo – continuou o professor, ignorando Black –, os Comensais encontraram Potter. Aparentemente, o garoto foi descuidado o suficiente para ignorar todas as regras de utilização de magia na frente dos trouxas, usando um feitiço em um beco de Londres. Juntando isso às informações de Draco, não foi nem um pouco difícil capturar o precioso Potter.
– Ah, certamente foi muito fácil para você, não é mesmo, Snivellus? – atacou Sirius, elevando o tom da voz. – Chega aqui com essa máscara só para fazer pose de "oh, estou trabalhando pela Ordem", quando sabe, inclusive, onde Harry está, e não faz nada para ajudá-lo!
Quando terminou de falar, não era só ele estava em pé, como também Lupin e Kingsley, que se colocaram como uma barreira para o avanço de Sirius. Ao responder, tudo que Snape fez foi manter o olhar frio – e, de certa forma, zombeteiro – sobre Black.
– Eu jamais disse que desconhecia o paradeiro de Potter, disse? Apesar da sua ousadia grifinória não permitir que perceba, existem momentos apropriados para que certos planos sejam postos em práticas. Eu simplesmente não poderia tirar Potter de lá enquanto os Comensais não decidissem não entregá-lo ao Lord das Trevas.
– Eles decidiram não entregar Harry a Voldemort, Severus? – perguntou Dumbledore com a voz calma, os olhos azuis faiscando.
– Obviamente, esse é o plano a longo prazo, Diretor – respondeu Snape, ocultando um suspiro –, mas alguns Comensais relutam em permitir que Lucius obtenha as glórias por isso junto ao Lord das Trevas, usando como argumento o relacionamento entre Draco e Potter.
– Não-existe-um-relacionamento – Sirius rosnou entredentes.
O levantar de sobrancelha foi a maior demonstração que Snape ofereceu como prova de seu divertimento quanto à negação de Sirius.
– Como preferir, Black. Afinal, o garoto é todo seu, não é mesmo?
Com essa provocação, Sirius praticamente pulou por cima de Lupin, alcançando Severus em um piscar de olhos, antes que alguém pudesse intervir. Snape foi derrubado, junto com a cadeira, e atingiu o chão com força, a máscara branca escapando de sua mão. Sirius caiu por cima dela, deformando-a.
– SIRIUS! – alguém gritou.
Quando a mão fechada do grifinório acertou um soco no rosto de professor de Poções, alguém finalmente se levantou da cadeira, afastando os dois. Snape empunhava sua varinha e apenas seus olhos negros expressavam alguma exaltação. A voz continuava no mesmo tom aveludado, reservado apenas às suas melhores ironias, quando falou:
– Está tentando tirar meus meios de resgatar seu afilhadinho querido, Black? Quem sabe, se continuar insistindo, até tenha sucesso.
Com isso, ignorando o olhar de todos os presentes, Snape juntou a máscara e, com a capa esvoaçando atrás de si, abandonou a reunião.
