19. Memória

Onde memórias ameaçam
tornarem-se realidade

A tortura, a fuga, o chocolate. Uma coisa como conseqüência de outra. Um profundo pesar apoderava-se de sua alma ao reprisar a última expressão que o olhar de Draco lhe oferecera: contrição. Sua mente teimava em repetir e repetir a voz irônica de Snape ao zombar de sua irresponsabilidade. Seu corpo ainda se arrepiava quando acreditava ouvir mais uma vez a gargalhada fria de Lucius Malfoy, por tê-lo – à força – a seus pés.

Antes que qualquer um dos dois pudesse ter dito alguma coisa, Harry foi aparatado para fora do hotel – para algum lugar distante que não reconheceu. Draco, ele não vira desde então.

Entretanto, ouvira sobre ele. Lucius Malfoy parecia acreditar que não conseguiria atingir as crenças de Harry atacando diretamente seus sentimentos pelo outro garoto. Escolheu, então, manipular e enganar; acusar, como um verdadeiro sonserino. Por não ter encontrado Draco novamente, Harry ainda não sabia precisar o quão falsas eram as informações que Lucius lhe passara.

O fato persistia que ele fora para o hotel com Draco. Por idéia do sonserino. E fora no hotel que os Comensais os tinham surpreendido. Malfoy afirmara com veemência que Draco estivera envolvido no plano o tempo todo e lhe mostrara evidências quanto a isso. Harry tinha todos os motivos para dar-lhe razão.

A detenção que Draco provocara... a falsa generosidade em compartilhar com seu maior inimigo um pedaço de chocolate, só porque Harry tinha fome... e convencer Harry a fugir para a Londres trouxa... tudo parecia fazer parte de um plano. Tudo.

Ser seqüestrado pelos Comensais da Morte ao final não ajudara nem um pouco as dúvidas que começaram a surgir na cabeça de Harry. Ouviu que Sirius andava com raiva de Draco ultimamente. Talvez fosse apenas um ódio infantil vindo de anos, ou talvez Sirius, através da Ordem, tivera mais informações sobre o que acontecera... tivera verdades concretas, ao contrário de Harry, que só poderia entender através de algumas lembranças deturpadas e dos poucos sentimentos.

Poucos sentimentos: dor, tristeza, medo.

Silêncio.