26. Final
Onde não se pode evitar tudo...Ao menos, não para sempre.
E que resposta? Afinal, ele havia traído. Entregara Harry. Todas as suposições do grifinório tinham fundamento. Lucius descobrira sobre o "caso" tão logo os rumores começaram a circular entre os professores. Comensais vigiavam-nos desde o momento em que se expuseram diante da multidão do Beco Diagonal, para irem a Gringottes. A ameaça do pai só fora reiterada com o encontro que teve com ele, ao afastar-se para buscar as bebidas, no pub. Harry se descuidara dos arredores, crendo que estavam seguros por se encontrarem entre os trouxas, mas... ah! quão enganado estivera. Sequer naquele beco escuro deixaram de ser vigiados, e no hotel, mais tarde... enquanto Harry dormia, ele saíra... e ele o havia traído.
Todas as palavras que dissera ao voltar ao quarto... todas as palavras que não dissera, mas que pusera em ações. Desde sua intenção de trazer Harry para a cama, até colocar a cabeça dele em seu colo... tentou ajudar o grifinório em meio à confusão depois do sonho... e, mesmo por palavras, tentou explicar, de alguma forma...
'Amor é quando você começa a ver as pessoas tal como elas não são', ele dissera. Era o que esperava de Harry, que ele apenas percebesse as verdades e mentiras contadas naquele quarto. Que, ele pensou amargamente, que até o amasse... a ponto de entender que ele não era o que estava afirmando ser, que não era o Comensal prestes a realmente trai-lo.
E Harry, apesar de toda a tortura, de todos os amigos que tentavam fazê-lo desistir, procurara por ele. As respostas que exigira, assim como o chocolate que começara tudo, fora só um pretexto. Em algum momento, Harry entendera o que ele havia feito, mesmo que não soubesse exatamente porquê.
Se fosse um pouco mais ingênuo, Draco poderia dizer que Harry tinha uma fé cega nele. Uma fé cega e inabalável, que ignorou tudo o que ele já fizera. Estaria, contudo, errado se afirmasse tal coisa. Em tão pouco tempo, Harry já vivera o suficiente para não se deixar enganar de tal jeito. A questão não era a fé que o grifinório depositava em Draco... mas sim o voto de confiança que escolheu dar, talvez porque julgava conhecê-lo, talvez porque guardasse algum amor, talvez porque simplesmente entendesse.
Esse voto de confiança deixou Draco sob a responsabilidade de começar a ver as coisas tal como elas não são. Só a partir dele que o sonserino passou a acreditar que ficar com Harry não era tão complicado assim, que não era algo de que precisasse fugir para conseguir fazer. Ele pôde, ao menos, iludir-se um pouco, pensando que as coisas não eram tão difíceis assim.
A partir daí, de fato, as coisas não foram mais tão difíceis. Ou foi o que pareceu, porque ele não se importava tanto com o que os outros diziam ou faziam.
Inevitavelmente, Lucius Malfoy o deserdou ao receber sua recusa para tomar a Marca Negra. Inevitavelmente, Umbridge foi expulsa de Hogwarts (retirou-se de forma voluntária, o Ministério dizia). Inevitavelmente, os amiguinhos grifinórios de Harry descobriram que Draco Malfoy era o garoto com quem Harry Potter estava namorando. Inevitavelmente, Sirius Black também descobriu (ou melhor, admitiu) que seu afilhado não pretendia largar o sonserino num futuro próximo.
Como já era esperado, em algum ponto da história, Voldemort caiu novamente sob as mãos de Harry. Surpreendendo a todos, Draco Malfoy aceitou com bastante rapidez a idéia de morar entre os trouxas. E, escrevendo as próprias linhas, os dois foram, inevitavelmente, felizes.
A/N: Review existe, pessoas. Se tiveram o trabalho de chegar até aqui, então de alguma coisa vocês gostaram, né? Então, custa?
