Capítulo 9 – Passando dos Limites
Eu não poderia dizer se a batida estava só na minha cabeça ou se era real. Meu estômago enrolou quando tentei sentar na minha cama. Porra, essa era uma noite louca. A cama se moveu atrás de mim, puxando o lençol para longe da minha cintura, lembrando-me que eu ainda estava nu. As batidas começaram de novo, minhas mãos estenderam para a minha cabeça quando eu percebi que a batida começou na porta e agora estava ecoando na minha cabeça. Eu odeio ressacas. Eu gemi enquanto me curvei para frente, procurando cegamente no chão pela minha boxer, ou o que quer que eu estivesse usando na noite passada. Qual-é-o-seu-nome resmungou algo incoerente quando me levantei, fazendo-a se mover na cama. Huh. Não me lembro dela ser loira.
Enxugando as mãos no meu rosto, eu gemi alto quando a batida na minha porta continuou.
"Tudo bem! Foda-se! Estou entrando!"
Com um bocejo, estiquei meus braços acima da minha cabeça, torcendo minha cabeça para estralar meu pescoço. Eu estava todo tipo de dolorido em todos os lugares certos - muito ruim que eu mal podia me lembrar o que eu tinha feito. Fosse o que fosse, tenho certeza que foi bom na época. Como estava, eu não tinha idéia de que hora ou dia eram. Senti meu estômago borbulhar, fazendo-me parar quando inclinei-me contra a porta da frente. Segurando a palma da minha mão contra os meus lábios, deixei minha garganta se abrir quando um grande arroto escapou, imediatamente fazendo-me sentir melhor. Isso poderia ter sido muito pior.
Endireitando-me, estendi minha mão para a maçaneta. Vesgo e segurando a minha mão contra a luz, eu pisquei os meus olhos falhando em se ajustar. Lentamente, mas seguramente, as duas figuras escuras na minha frente começaram a tomar forma. Policiais. Merda. O que eu faço agora?
"Com licença, você é Edward Masen Jr.?" Eu podia sentir-me quebrar em suor. De repente, o nó no estômago não parecia como uma ressaca, ele era pior. "Senhor?"
Pisquei, sentindo-me mais sóbrio do que estive em muito tempo. "Do que se trata isso?"
"Senhor, por favor. Precisamos falar com o Sr. Masen o mais rapidamente possível." Eu empalideci com a formalidade. Sr. Masen era meu pai, não eu.
"Olhe, apenas me diga o que eu fiz de errado, tudo bem? O que quer que seja isso, tenho certeza que podemos trabalhar em alguma coisa." Minha mente embaralhava sobre os últimos dias, procurando o motivo pelo qual eu tinha a polícia à minha procura. Tinha que ser algo que eu fiz de errado. Simplesmente tinha que ser eu.
"Senhor, nós vamos precisar que você venha conosco".
"Eu conheço os meus direitos! Que merda eu fiz?" O volume da voz feriu meus próprios ouvidos e meu estômago rolou de novo com uma estranha sensação de pânico.
"Senhor, por favor, vá se vestir. Vamos esperar".
Irritado, eu olhei para o rosto deles pela primeira vez, eu quero dizer realmente olhei e algo não estava certo. Policiais geralmente têm todos os tipos de prazer doentio incomodando um garoto inútil como eu, mas eles não pareciam convencidos. Eu não podia ou não queria colocar um nome para a forma como eles olhavam para mim. Alguma coisa estava muito errada.
"Eu não vou a lugar nenhum até que você me diga o que diabos está acontecendo aqui." Como a criança petulante que eu era, cruzei meus braços sobre meu peito nu, desafiando-os a me fazer mover contra minha vontade. Ignorei a voz tranqüila e distante na parte de trás da minha cabeça me dizendo que isso era ruim, muito, muito ruim. Não, isso era apenas outra conseqüência de uma das minhas transgressões. Eu poderia lidar com isso.
Os dois policiais se olharam brevemente, partilhando um olhar que eu tentei ignorar, mas não consegui. Eu conhecia aquele olhar. Piedade.
"Olha, garoto, isso não é sobre você. Isto é sobre seus pais".
Atirei-me ereto na cama, ofegante e confuso. Meu estômago ainda revirava como no meu sonho. Eu não conseguia sequer lembrar de dormir na minha própria cama. Olhei em volta, um pouco convencido de que eu não estava sozinho em minha cama, só para descobrir que em algum momento eu tinha mudado para fora do meu uniforme e simplificado para apenas boxer e eu estava, de fato, sozinho. Encontrei que eu não tinha uma memória concreta de subir na cama e entrar debaixo das cobertas. Corri minhas mãos no meu rosto e pelo meu cabelo tentando acalmar o meu coração acelerado, querendo que a minha mente se focasse no momento, não no meu passado. Assim que os detalhes das últimas horas começaram a voltar para o foco, eu fui capaz de tomar nota do fato de que eu não tinha tido esse sonho particular em um tempo muito longo. Mas eu sabia o que o desencadeou - Bella.
Novas memórias rodaram na minha cabeça, centradas na imagem de seu rosto aterrorizado quando ela atendeu a porta. Foi daquela forma que eu parecia quando eu finalmente percebi o que estava acontecendo? Eu realmente me senti mal por colocá-la nessa provação. Eu, de todas as pessoas, deveria ter sabido melhor.
Ouvir Rosalie e Emmett brigarem na sala me tirou da minha cabeça. Eu poderia lembrar de como o lugar cheirava a sexo quando finalmente voltei para o apartamento e eu esperava que eles tivessem tido tempo para endireitar as coisas. Parecia como se um furacão tivesse varrido a sala e eu estremeci ao pensar em todos os móveis que eu tinha agora para desinfetar. Com um pouco de chantagem, eu poderia ter sorte e culpar Emmett para cuidar dessa tarefa para mim. Eu só precisava sair da minha bunda primeiro e colocar minha cabeça no lugar. Um banho rápido e uma troca de roupa mais tarde, senti-me no controle e arrisquei um passo para o mundo real.
"Rosie, onde estão as minhas chaves?"
"Como diabos eu vou saber?"
Hesitei um pouco em minha porta aberta, imaginando o quão sério a batalha estava entre eles. Enquanto não havia dúvida de que eles tinham a química física, eu não tinha idéia se o relacionamento deles se estendia além das suas traquinagens fortes e destrutivas. Mas enquanto continuei a escutar as suas brincadeiras, eu poderia dizer que não havia maldade em nada. Com uma calma respiração profunda, forcei-me a sair do isolamento do meu quarto e socializar.
"Vamos, Emmett! Estou com fome!" Seu lamento foi acentuado com um forte tapa na nuca de Emmett e eu encontrei-me sorrindo, apesar de mim mesmo.
"O trabalho abriu seu apetite, pois não?" Revirei os olhos quando Emmett balançou as sobrancelhas para ela.
Limpando minha garganta para anunciar a minha presença, decidi que ambos precisavam ser zoados um pouco pela noite passada. "Você dois já não profanaram este apartamento o bastante?"
O silêncio ensurdecedor que se seguiu foi quase assustador. Rosalie e Emmett trocaram um olhar, provavelmente tentando verificar se eu estava brincando ou não. Claro que me ocorreu um pouco tarde demais que eu realmente não conhecia Rosalie muito bem e ela poderia se ofender. "Desculpe, eu não quis dizer-"
A risada barulhenta de Emmett me cortou.
"É ciúme isso que eu detecto?" Minha cabeça disparou sobre Rosalie, que tinha levantado uma sobrancelha perfeitamente cuidada em minha direção com seu próprio golpezinho.
Até agora Emmett estava dobrado rindo e eu tinha que admitir que fiquei chocado além das palavras. Eu estava com ciúmes? Eu não achava isso. Minhas necessidades nessa área eram a última coisa na minha cabeça nos últimos tempos. Era quase irônico que o meu sonho, poucas horas atrás, destacou uma das muitas indiscrições da minha vida passada. Eu não invejava o golpe de Rosalie, afinal, fui eu quem começou. Mas eu tinha que admitir para mim mesmo que ela atingiu um nervo e eu teria que apenas me resignar a pensar mais nisso mais tarde.
Quando a risada de Emmett acalmou, todos nós ficamos cientes da estranha tensão que se instalou em torno de nós. Acho que todos nós estávamos ainda tentando perceber um ao outro.
"Rosie e eu estávamos prestes a sair para comer alguma coisa." Emmett ofereceu timidamente, "Embora eu tenho certeza que já sei a resposta, você está convidado a vir conosco se quiser".
Deus, eu realmente sou um idiota.
"Na verdade, Em, estou meio com fome e com vontade de um verdadeiro café da manhã pela primeira vez. Isto é, se você não se importar." Meu estômago roncou quando olhei para a reação de Rosalie. A última coisa que eu queria era colocar Emmett na casa do cachorro.
A expressão de Rosalie deu em nada quando ela encolheu os ombros. Emmett bateu suas palmas juntas, apressando-nos para fora do apartamento com um pouco de entusiasmo demais. À medida que saltamos do jeep de Emmett, eu disse a mim mesmo que esta seria uma boa prática para mim. Se eu tinha alguma esperança de apresentar uma melhor impressão de mim em Bella, eu tinha que trabalhar em minhas habilidades sociais.
Tanto da minha sobrevivência até agora tinha dependido da dormência que eu usava como armadura de aço. Minha sanidade era dependente do fato de que eu não conseguia me abrir para sentir alguma coisa, por medo de sentir tudo de uma vez. Tinha levado meses para construir a armadura e anos para aperfeiçoá-la. E agora, agora a armadura estava me segurando, fazendo o meu progresso artificial e estranho. Pior, no entanto, foi o conhecimento de que se eu tinha alguma esperança de redimir-me, eu tinha que começar despindo-me da armadura.
Eu precisava encontrar uma maneira de sentir algo diferente além da constante dormência construída sobre a autoaversão e culpa que me atravessavam nos meus dias. Não havia nada que eu poderia fazer sobre a dormência, no entanto. Já não era algo que eu carregava comigo, mas, sim, tinha se tornado uma parte de quem eu era. Era o ar que eu respirava e o ritmo ao qual o meu coração batia.
Mas simplesmente se virar sem sentimento não era bom o suficiente mais. Eu tinha cavado um buraco em mim e eu simplesmente não podia rastejar para fora dele com a minha armadura de aço pesando para baixo. Eu precisava encontrar a força para descascar uma camada, para ir além do conforto da minha dormência e sentir algo que não era amargo e cansado. Eu só não sabia se eu poderia. Mas eu tinha que tentar.
Se houve conversa durante a viagem, eu estava alheio a isso, perdido demais em meus próprios pensamentos. Mas uma vez que estávamos sentados, eu notei que Rosalie e Emmett pareciam estar tão silenciosos como eu estava. Eu disse a mim mesmo que não era a arrogância que me fez supor que o silêncio deles era relacionado ao meu, mas, novamente, eu há muito tempo perdi a perspectiva quando se tratava de avaliar o meu comportamento.
O constrangimento estava de volta depois que tínhamos feito nossos pedidos, já que nos sentamos em silêncio evitando os olhares uns dos outros. Ocorreu-me que eu teria que ser aquele a quebrar o gelo, já que eu era aquele invadindo sobre a manhã deles. Minha mente correu para chegar a algo inteligente para dizer, algo leve e descontraído, como Emmett faria normalmente. Eu mentalmente sacudi todos os comentários espertinhos sobre a vida sexual deles e enquanto continuei a buscar em minha mente por algo para dizer, eu estava percebendo mais uma vez o quão pouco eu sabia sobre as pessoas que eu considerava meus amigos. Adicione à auto-aversão.
"Bom jogo na noite passada, Em. Rosalie, você teve a chance de vê-lo?" Eu percebi um pouco tarde demais que a minha pergunta poderia ter sido interpretada como um golpe, especialmente considerando o fato de que eu não necessariamente desprendi uma boa primeira impressão.
A expressão de Rosalie suavizou tão levemente quando ela se inclinou para o lado de Emmett, envolvendo o braço em torno dele. "Sim, eu tive a sorte de assistir ao jogo todo. Fiquei um pouco preocupada quando Emmett tentou fazer sua defesa ir de homem-para-homem. Mas, felizmente, ele mudou para uma zona de defesa e isso pareceu manter-se bem".
Eu pisquei, surpreso com sua observação antes de lembrar que Rosalie não era exatamente a típica mulher loira e linda. Meu olhar mudou para Emmett a tempo suficiente para ser aquecido pelo olhar boquiaberto em seu rosto. Ele estava impressionando.
"Eu teria que concordar com você pelo que eu vi. Tive que sair em um ponto, mas consegui pegar os últimos minutos. Emmett, eu tenho que dizer que fiquei realmente impressionado com a sua linha defensiva. Eles completamente fecharam a corrida do jogo." Rosalie sorriu verdadeiramente em resposta, acenando sua concordâmcia.
"Sim, cara, eu não posso te dizer como é bom ganhar esse jogo. É uma coisa saber que o seu pessoal é capaz de trabalhar e é completamente outra coisa assisti-los completamente para vê-los tão bem e ganhar. Foi ina-fodidamente-creditável!" Emmett se inclinou para trás na cadeira, seu braço descansando atrás de Rosalie enquanto ele continuou a dividir o jogo para nós.
Eu assisti Rosalie e Emmett interagir, observando como eles se tornavam cada vez mais confortáveis um com o outro. Fiquei aliviado ao descobrir que Rosalie era uma mulher com conteúdo, alguém que poderia manter Emmett em seus dedos e cuidar dele como ele merecia. Ainda assim, eu poderia dizer que era mais para ela do que encontrei em seus olhos. Talvez tenha sido por causa do meu próprio terno de armadura, mas eu poderia jurar que Rosalie usava uma armadura também.
Nós três viemos a uma espécie de trégua e, em algum ponto, tornou-se seguro provocá-los sobre os ruídos vindos do apartamento na noite passada. Felizmente, Rosalie não se intimidou pelo nosso humor negro e, novamente, eu me perguntava o que tinha acontecido em sua vida para fazê-la quem ela era agora. Fiquei ligeiramente surpreso comigo mesmo quando tudo foi dito e feito, tendo feito isso através de uma refeição sem chatear ninguém.
Eu me senti estranhamente... leve, agora de volta ao meu quarto. Senti como se tivesse feito algo. E eu sabia exatamente o que eu queria fazer. Considerei cair para falar com ela pessoalmente, mas optei por um telefonema em vez disso, não querendo fazer um negócio muito grande de algo tão pequeno. Senti minha bolha desinflar levemente quando percebi que era só porque eu era um monstro que eu me encontrava nesta posição, para começar. Felizmente, porém, ela atendeu no segundo toque, impedindo a minha auto-aversão de bater-me por completo.
"Olá, Esme. Espero que eu não esteja pegando você em um momento ruim?"
"Edward! Claro que não!" Apreciei o fato de ela não me perguntar imediatamente se algo estava errado. Ela e eu sabíamos que eu nunca simplesmente telefonava.
E simplesmente assim, a leveza fora substituída pela ansiedade. "Uh, sim, como você está hoje, Esme?"
Claro que não me ocorreu até agora o quão estranho seria trazer à tona a razão do meu telefonema. Eu também percebi alguns minutos tarde demais que eu não tinha idéia se Emmett tinha falado com Esme sobre Rosalie. A última coisa que eu queria fazer era dedurá-lo à sua mãe.
"Oh, você sabe, Edward, apenas o de sempre. Eu acho que poderia ter finalmente falado para Carlisle cortar algumas de suas horas no hospital. Alice tem passado muito tempo com Jasper e eu sinto falta dela estar em torno de nós o tempo todo. Eu não tenho ouvido falar muito de Emmett também, o que eu estou supondo que significa que ele está gastando o tempo com alguém também".
Senti-me infinitamente relaxando quanto mais ela falava, ganhando também a coragem no caminho. "Então, me diga, Edward, como você está?" Seu tom era leve, de conversação, pelo que eu estava grato.
"Estou bem, obrigado." Eu fiz uma leve careta com o tom estranho da minha voz, mas continuei. "Na verdade, eu acabei de ter um bom café da manhã com Emmett e Rosalie. E parece que Rosalie é a razão pela qual você não ouviu falar de Emmett por tanto tempo".
"Oh, sério?" Eu poderia facilmente imaginar a diversão no rosto dela, tando pela confirmação de suas suspeitas, como pelo fato de que eu tinha acabado de admitir ser social e ainda insinuando que eu gostei.
Depois disso, foi quase fácil contar a Esme sobre a manhã e, mesmo que eu possa pagar por isso mais tarde, eu gostei da idéia de que eu simplesmente dei a Esme algumas munições contra Emmett. E mesmo que ela nunca viesse e dissesse as palavras, eu sabia que ela estava orgulhosa de mim. Inferno, eu estava orgulhoso de mim.
Dei um suspiro pesado quando desliguei, prometendo a Esme eu iria até lá no meu próximo dia de folga. Eu caí para trás em minha cama, fechando meus olhos contra uma súbita onda de exaustão. Minha mente começou a corrida, pensando sobre o quão difícil esta manhã tinha sido para mim e quão difícil seria continuar a ser para quem sabe por quanto tempo. Eu podia sentir o pânico crescendo com o meu ritmo cardíaco, minha respiração tornando-se superficial e apressada. Eu tinha que sair.
Rapidamente, eu troquei para minha roupa de corrida, tentando que o meu corpo se acalmasse. Levou algumas milhas, mas algo em torno da milha número dois, eu finalmente senti como se estivesse de volta ao controle do meu próprio corpo. Decidi levar isso fácil, no entanto. Eu não queria fazer algo estúpido e acabar vomitando e fazendo papel de bobo novamente. Mantive um ritmo rápido, confiando na familiar queimação em meus músculos para manter-me aterrado. Focalizando o meu ritmo e os mecanismos de corrida ajudou a clarear minha mente, então no momento em que voltei para o apartamento, meu pânico anterior foi quase esquecido.
Tomei meu tempo no chuveiro e perambulei por todo o apartamento, saboreando o silêncio e a solidão. Descobri que eu me sentia estranhamente revigorado e com muita, muita fome. Verificando que não havia nada de substancial na cozinha para comer, eu resolvi encomendar para mim alguma comida pronta. Alcançando meu telefone, fiquei surpreso ao descobrir que eu tinha uma mensagem de texto.
Era um número de telefone que eu não reconhecia e o texto era de Alice. Não havia mais nada, no entanto. Nada indicando a quem o número pertencia, ou por que ela o tinha enviado para mim. Eu estava pronto para descartá-lo completamente, supondo que ela havia enviado para mim por engano, quando meu telefone tocou silenciosamente indicando outra mensagem.
Achei que você ia querer isso.
Sentei-me confuso, tentando descobrir o que Alice poderia estar jogando. Mas quando comecei a passar por tudo o que tinha acontecido nas últimas 24 horas, eu tive que me sentar quando eu finalmente juntei as peças. Bella. Era o número de Bella. Balancei minha cabeça, não disposto a tentar descobrir como e por que Alice saberia que eu tinha falado com Bella ontem.
No início eu senti o reflexo da raiva quando pensei em como Alice estava se intrometendo na minha vida novamente. Mas a raiva rapidamente esfriou quando eu percebi que estava realmente feliz por ter o número de Bella agora. Eu tinha um monte de explicações a dar e eu aprendi minha lição depois da noite passada, eu apenas não podia simplesmente caminhar e bater em sua porta. Ela tinha uma vida, uma vida que eu deveria ficar de fora, mas eu não podia evitá-la como eu tinha feito antes. Ter o seu número tornaria as coisas muito mais fáceis. Dessa forma eu poderia minimizar o contato com ela sem evitá-la completamente. Isso seria bom.
Enquanto eu continuava sentando e pensando sobre os prós e os contras de ter o número do telefone de Bella, eu também percebi uma ansiedade crescendo em meu peito. Era quase como se uma parte de mim estivesse gritando para eu ligar para ela agora, mas eu não tinha idéia por que. Logicamente, eu sabia que tinha deixado um bilhete dizendo que eu estaria em contato e que eu gostaria da oportunidade de pedir desculpas mais profundamente, mas eu não entendia por que tinha que ser agora.
Levantei-me, caminhando até a cozinha para vasculhar os muitos menus de comida pronta anexados ao lado da geladeira, resolvendo empurrar o assunto de lado para outro dia. Olhei para o relógio e, mais uma vez, tive o impulso irresistível de ligar para Bella e ver se talvez ela também tinha fome. Certamente eu não seria o único com fome a esta hora. Eu estava tão ocupado me convencendo de que eu não era a única pessoa com fome em Forks, que eu mal tinha consciência de que eu tinha discado o número de Bella e agora eu estava ouvindo o telefone tocar.
A voz que atendeu o telefone era tão tranqüila, eu não tinha certeza depois de tudo que eu tinha interpretado corretamente as mensagens enigmáticas de Alice. "Olá, Bella?"
"Sim?" Sua voz foi mais alta desta vez, mas ainda tímida.
"Aqui é Edward." Ocorreu-me que ela não tinha sido aquela a me dar seu número de telefone e que eu realmente precisava me explicar. "Eu espero que você não se importe que Alice tenha me dado o seu número." Embora, eu não sei exatamente por que Alice deu-me o seu número.
Houve uma pausa desconfortável antes que ela meio que murmurou, "Um, não, tudo bem".
Eu não poderia dizer o que foi que a fez soar tão hesitante. Talvez ela estivesse no meio de alguma coisa e o que eu tomei como hesitação fosse realmente uma simples distração.
"Espero que eu não tenha pegado você em um momento ruim." As palavras simplesmente jorraram da minha boca enquanto eu recuava, novamente lamentando a minha decisão impulsiva de me impor sobre ela.
"O quê? Não. Não mesmo." Eu respirava mais fácil, aliviado com a sinceridade em sua voz.
Eu podia sentir meu controle começando a se desgastar nas bordas, "Você achou meu bilhete?" Pela minha vida, eu não conseguia descobrir por que eu tinha escolhido perguntar sobre o maldito bilhete agora.
"Sim, eu achei. Obrigada. Espero que você tenha tido uma noite de sono decente".
Eu empalideci levemente com a pergunta, perguntando-me se ela sabia sobre a minha insônia, se Alice havia contado a ela. "Eu tive. Obrigado." Foi a minha resposta distraída enquanto eu racionalizava que ela provavelmente estava apenas sendo educada. Alice não violaria a minha confiança nela assim. Tive que chacoalhar para longe essa linha de pensamento, sabendo que esse tipo de pensamento seria rapidamente minha queda.
Limpei a garganta, silenciosamente resolvendo-me a falar o motivo pelo qual eu liguei para ela em primeiro lugar. "Você tem planos para esta noite?" Fechei os olhos, estremecendo, me preparando para a reação dela. Uma grande parte de mim ainda estava convencida de que ela me diria para ir para o inferno depois da maneira como eu a tratei.
"Não, não tenho planos. Por quê?"
Decidi que eu teria preferido que ela gritasse comigo. Isso, pelo menos, teria sido uma reação que eu entendia. Talvez tenha sido por isso que eu tinha realmente ligado para ela, eu estava tão convencido de que eu não chegaria sequer tão longe em uma conversa com ela. E agora eu estava preso.
"Eu pensei que uma oferta de paz seria boa e eu estava esperando que você me permitisse levar o jantar. Ou seja, se você ainda não tiver comido, e se você estiver disposta." Curiosamente, as palavras simplesmente começaram a cair da minha boca e eu tive sorte porque fui capaz de parar sem fazer-me um grande idiota.
E então eu não conseguia decidir se eu estava aliviado ou mais ansioso em como ela parecia indiferente quando ela confessou que simplesmente esteve considerando o que fazer sobre o jantar. Ao mencionar pizza, meu estômago revirou e rosnou alto e, aparentemente, a decisão já foi feita para mim pelo meu estômago. Rapidamente trabalhamos nos detalhes e parecia apenas momentos depois que eu estava em pé na frente de sua porta com a pizza.
Respirei fundo quando ouvi seus passos se aproximando, lembrando-me para ser agradável. Mas quando ela abriu a porta e me convidou a entrar, eu achei que não poderia encontrar seus olhos. Fiz o meu melhor para oferecer um sorriso educado quando entrei passando por ela e em direção à cozinha. Quando me virei, porém, ela estava do outro lado da mesa com o dinheiro em sua mão.
"O que é isso?"
Ela contornou a mesa para que não estivesse mais entre nós e levantou sua mão de forma significativa. "É minha metade. Eu disse que iria dar-lhe o dinheiro".
Eu podia sentir o lado da minha boca se contorcer, lembrando a nossa conversa ao telefone e como eu ostensivamente ignorei sua oferta de pagar pela pizza. Esta era, afinal, a minha oferta de paz.
"Eu nunca disse que aceitaria isso".
Suas bochechas coraram levemente enquanto seus olhos se estreitaram, e eu estava fascinado pela reação imediata e forte. "Mas você vai".
Eu estava em perigo de sorrir quando registrei sua frustração crescente, aturdido com o que desencadearia uma resposta tão forte.
"Por que você é tão insistente?
"Por que você tem que ser um idiota?"
Finalmente! A reação que eu entendo!
Com os olhos arregalados e uma mão sobre sua boca, eu não pude evitar rir de sua expressão. Ela estava certa, afinal. Eu era, no mínimo, um idiota.
"Tudo bem, eu desisto - você venceu." No espírito de tentar acalmar as coisas com ela, eu decidi que ela poderia ganhar desta vez. Mesmo que eu estivesse bem divertido com seu temperamento, provocá-lo não seria do meu interesse.
Cheguei para a frente para pegar o dinheiro oferecido, vendo como ela ainda estava boquiaberta para mim por trás da segurança de sua mão. "Você parece... surpresa." Mesmo que isso fosse errado, eu simplesmente não conseguia parar de provocá-la um pouco. "Pensou que eu não desistiria tão facilmente, não é?"
Ela balançou sua cabeça, não mais olhando para mim com seus grandes e expressivos olhos. Mas depois ela pediu desculpas e eu senti o preocupante peso da realidade estabelecendo sobre meus ombros. "Edward, me desculpe. Eu não sei por que eu disse isso".
Eu não gostei que ela sentiu a necessidade de pedir desculpas para mim de todas as pessoas. "Eu sei por que você disse isso e não há nada que se desculpar. Eu estava sendo um idiota." Frustrado com a minha auto-aversão e minha incapacidade de prever como ela reagiria às coisas fez-me me esforçar para mudar de assunto. "Mas em minha defesa, você é inteiramente teimosa demais para o seu próprio bem." Eu podia sentir um sorriso triste puxando meus lábios quando percebi que a melhor defesa nesse caso era um bom ataque enquanto eu a provocava novamente.
Novamente, a reação dela me surpreendeu quando ela recuou, resmungando algo que não consegui decifrar. Eu, por outro lado, tentei novamente retornar o foco da coisa de volta para a pizza, abrindo a caixa para ver o que ela tinha encomendado. Mas parei abruptamente quando abri a caixa, vendo pela primeira vez o que ela colocaria na pizza.
"Abacaxi"? Eu arrisquei uma fungada da pizza, perguntando-me como eu não consegui perceber a escolha estranha até agora. Ao longe, como se ela estivesse em um cômodo diferente, eu a ouvi confirmando o fato de que eu estava olhando para uma pizza com pepperoni e abacaxi sobre ela, uma das combinações mais estranhas que eu já vi.
"Só prove isso. Você disse que comeria qualquer coisa que eu colocasse nela." Eu poderia dizer pelo tom da sua voz o quão satisfeita ela estava consigo mesma, mas ela tinha um ponto muito válido. Eu acho que na minha arrogância sem fim eu tinha assumido que Bella gostava das coberturas habituais que a maioria das pessoas gosta. Mais uma vez, eu deveria ter sabido que Bella seria qualquer coisa além de previsível, ou mediana.
Servindo pedaços tanto para Bella como para mim, eu relutantemente dei minha primeira mordida. No início fui surpreendido pelo sabor doce e suculento do abacaxi, mas enquanto eu mastigava e o resto dos sabores começava a se fundir, encontrei que eu realmente... gostei disso.
"Bom, não é?"
Minha cabeça atirou para cima, assustado com o som suave da sua voz. A julgar pelo sorriso em seus lábios carnudos, ela percebeu minha apreensão e agora estava muito contente com ela mesma, dada a minha reação.
"Eu não sei o que dizer. Eu nunca pensei que eu gostaria de abacaxi na pizza. Isso é muito bom." Minha fome me pegou então e eu ansiosamente mordi outro grande pedaço.
Eu sinceramente tentei me lembrar dos meus costumes e não inalar a pizza como eu queria. Nenhum de nós disse muito enquanto comíamos e eu encontrei o silêncio sendo estranhamente confortável. Logo, porém, eu poderia dizer que ela tinha terminado o seu jantar e, enquanto eu provavelmente poderia ter terminado o resto da pizza, eu decidi que não era provavelmente a coisa mais educada a fazer.
Observei-a pegar nas extremidades de sua borda descartada, sua testa franzida no que parecia ser uma profunda reflexão e, novamente, eu encontrei a minha boca se movendo sem a minha permissão.
"O que você está pensando tão seriamente assim?"
Ela recuou, puxada abruptamente de seus pensamentos, e tentou escovar minha observação de lado, mas eu não estava disposto a deixar ir. Quando nossos olhos se encontraram, os dela estreitaram-se ligeiramente enquanto ela ergueu o queixo.
"Tudo bem, eu estava tentando pensar em um assunto seguro para falar." A julgar pela careta que se seguiu, entendi que ela não tinha a intenção de ser tão abrupta comigo.
Eu esperava sua raiva, eu estava esperando por isso. "Eu entendo. Alguma sorte?" Isso era o que eu tinha previsto quando eu considerei voltar aqui para falar com ela novamente. Sua raiva era justificada e eu estava resignado a lidar com isso, razão pela qual sua bondade era tão confusa. Ainda assim, eu estava confuso com a gangorra em que suas emoções pareciam oscilar constantemente.
E com esse pensamento, eu assisti sua postura relaxar um pouco, suas feições suavizando enquanto sua raiva diminuía. "Não realmente. Você não gostaria de me ajudar com isso, gostaria?"
Eu me senti como se alguém tivesse acabado de puxar a cadeira debaixo de mim. Ela tinha feito isso de novo, completamente me jogando fora de equilíbrio com a simples honestidade em suas palavras. Agora eu era aquele na defensiva e demorou mais tempo do que eu queria admitir para conseguir os meus pés de volta debaixo de mim.
A única coisa que eu conseguia pensar que manteria as coisas neutras era falar de nossos conhecimentos mútuos. Sabendo o quão próximas ela e Alice tinham se tornado, eu sugeri o tema da relação de Alice com Jasper. O sorriso fácil que iluminou seu rosto quando eu os mencionei era algo pelo qual eu não estava preparado.
"Eu acho que eles são quase tão perfeitos um para o outro como duas pessoas podem ser." Sua voz era quase melancólica e, novamente, fui deixado para imaginar sobre o que ela estava pensando naquele momento. Parecia haver muito mais abaixo da superfície. Imaginando se isso tinha algo a ver com a forma como Alice conheceu Jasper e que talvez a minha hipótese anterior de que Bella estava interessada em Jasper primeiro fez-me perguntar sobre aquele dia. Mas então ela deu de ombros e tentou mais uma vez varrer de lado o tema.
"Tecnicamente, foi tudo Alice." Sua mão veio até deitar na sua nuca, minha cabeça fervilhando com a dica de uma memória.
"O que você quer dizer com isso? Ela me disse que você os apresentou." Na verdade, eu sabia que era um pouco mais complicado, mas eu encontrei a minha memória da história de Alice faltando.
Quando ela recontou a história, a familiaridade puxou as bordas de minha mente para quando Alice tinha dito também o seu lado das coisas. Tenho certeza de que eu nunca teria acreditado no absurdo disso se eu já não tivesse ouvido de Alice. Seu riso era leve e fácil, auto-depreciativo de uma forma fácil e confortável.
Mas então eu cometi o erro de insinuar minha pouca familiaridade com ela além de um relacionamento amigável com gravidade. Questionando-me com seus olhos, eu admiti que Charlie, seu pai, tinha uma tendência a falar sobre seu passado.
"Ele gosta de falar sobre você... muito".
Desta vez, quando ela corou e curvou para a frente, eu entendi o constrangimento e os motivos subjacentes à sua reação. "Eu tinha medo disso." Mas enquanto eu a observava, ela fez uma careta e isso provocou algo dentro de mim.
"Não se pode culpá-lo. Ele ama você, você sabe".
"Eu sei." Ela fez beicinho, seus lábios franzindo com qualquer emoção que havia que fez seus olhos parecerem tão tristes. "Não me entenda mal, eu amo Charlie também. Eu poderia estar ensinando em qualquer lugar, mas voltei para cá para estar com ele. Somos só nós dois há muito tempo..."
Ela pareceu engasgar com suas palavras, seu corpo quase dobrando sobre si mesma e eu não consegui me parar. Eu tinha que saber.
"Bella, o que aconteceu com sua mãe?"
O silêncio que se seguiu foi carregado de algo que eu não acho que alguma vez senti antes. Seus olhos ficaram distantes e eu mentalmente castiguei-me por ter tão pouco controle sobre meus atos e palavras. Eu sabia que não tinha direito de pedir a ela para revelar nada para mim, mas... eu tinha que saber. Eu não entendia a atração que sentia, aquela dor vaga que parecia crescer mais forte quanto mais tempo eu estava ao seu redor. Eu não queria sentir nada disso, eu não queria sentir nada, mas eu não consegui me parar. O pior de tudo, eu não tinha idéia do que ela sentia, o que ela pensava, ou como ela reagiria. Ela nunca fazia ou dizia o que eu esperava.
Observei de perto como ela pareceu suspirar e acenar com a cabeça. "Se nós vamos ter essa conversa, acho que uma xícara de chá é necessária".
Eu observei, pasmo, quando ela se levantou e levou os pratos para a pia. Pisquei algumas vezes, percebendo que talvez a única coisa que eu poderia contar com Bella é que ela sempre me faz tentar adivinhar. Eu segui atrás dela, ajudando a limpar depois de mim enquanto ela estabelecia a chaleira sobre o fogão, quando avistei algo na minha visão periférica.
"Ei, você deixou isso aqui." Isso realmente não deve ter significado nada, mas senti aquela pontada novamente e eu não podia ignorá-la. Quando ela se virou ao som da minha voz, seus olhos encontraram o bilhete que eu tinha deixado para ela ontem, antes de ela corar e virar-se enquanto eu a agradecia por me deixar vir.
"Não é realmente grande coisa." Sua voz era tão baixa e isso me puxou para mais perto.
Eu não sei por que, mas eu não gostei da maneira como ela rejeitou a minha gratidão tão rapidamente, quase como se ela pensasse que eu não era sincero. E então eu estava muito perto dela e senti meu braço estendendo de modo que minha mão repousasse sobre seu ombro.
"É uma grande coisa para mim." Algo dentro de mim, algo que eu pensei que havia perdido o contato anos atrás, precisava que ela entendesse que ela merecia a gratidão. Isso era compaixão?
Mas antes que eu pudesse controlar meus pensamentos o suficiente para dar sentido a eles, a chaleira começou a gritar, encerrando o momento. Depois que ela se afastou e minha mão já não estava descansando no ombro dela, senti-me puxado pela torrente de emoções que ela desencadeou em mim. De repente, senti-me claustrofóbico em sua pequena cozinha, meu instinto de sobrevivência dirigindo-me para a familiar sala de estar.
Deixei-me cair no sofá, o mesmo de ontem à noite, e deixei minha cabeça cair em minhas mãos. As saliências das palmas das minhas mãos em minhas têmporas, eu me forcei a respirar profundamente e uniformemente, não querendo entrar em pânico e desintegrar-me na frente dela. Sabendo muito bem o que era guardar segredos, eu poderia reconhecer um grande quando o via. Eu sabia que isso não seria fácil para nenhum de nós.
Com um último suspiro, eu determinei minhas mãos a relaxarem e puxei-as para longe da minha cabeça. Meus olhos desfocados, mas olhando na direção geral da mesa na minha frente, eu escutei seus passos quando ela passou do meu lado e colocou uma xícara de chá na minha frente. Senti o sofá se deslocar um pouco quando ela se sentou e eu podia sentir o fino véu da minha sanidade sendo testado. Desesperadamente, eu ofereci a ela outra chance para voltar atrás, perguntando-me se ela percebeu que eu tinha mais medo por mim do que por ela. Mas, novamente, ela varreu de lado a minha preocupação, em vez disso pedindo-me para manter seu segredo, algo que eu teria feito de qualquer maneira.
Mas quando me sentei ereto e ouvi, eu soube que nada, nada, poderia ter me preparado para isso. A história que ela me contou, a tristeza fria em seus olhos, a dor e a solidão foram me sufocando. Bella tinha sofrido muito pior do que eu jamais poderia ter imaginado e ainda assim a sua bondade e compaixão pareciam não conhecer limites. A dor incômoda que eu sentia mais cedo queimava enquanto comecei a juntar as peças e Bella confirmou que sua mãe tinha problemas mentais, que ela sofria de transtorno bipolar.
O pior, porém, foi ouvir Bella confessar que ela tinha sido abusada fisicamente pela mãe. Senti algo dentro de mim romper com esse pensamento. O horror de ter crescido em uma casa com um pai ausente e uma mãe que era mentalmente instável e abusiva... eu não poderia imaginar o quão horrível sua vida tinha sido. E então eu me lembrei. Lembrei-me como a escola tinha sido para ela, o que pessoas como eu tinham dito sobre ela, como ela foi provocada, e finalmente fez sentido para mim por que ela tinha uma ligação forte com o povo de La Push. Eles a salvaram e essa realização mexeu com algo dentro de mim.
"Aproximadamente um ano depois, ela havia entrado em um estado depressivo por uns dias, mas ela ficava melhor quando tomava seus remédios e todos nós pensamos que ela estava ficando melhor." Eu podia ouvir as lágrimas na forma como sua voz vacilou. Eu forcei meus olhos para olhar para ela, para empurrar os meus problemas de lado apenas o suficiente para ajudá-la e a visão dela destruiu-me completamente.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto e um instinto desconhecido fez-me puxar a caneca das mãos dela. Ela parecia tão frágil quando eu a vi trazer seus joelhos até o peito, seus braços envolvendo em torno de suas pernas. Sua dor era palpável, e o impulso de estender a mão e abraçá-la era quase impossível de ignorar, mas eu não podia me deixar fazer isso com ela. Eu não tinha direito e eu imagino que eu era a última pessoa na qual ela procuraria conforto.
"Eu vim para casa e encontrei-a desmaiada no sofá. Não era incomum e por isso eu não achei nada estranho. Depois que fiz o jantar para todos, eu voltei para acordá-la... mas ela não estava respirando".
Eu não poderia colocar um nome para a forma como eu me sentia. Eu reconhecia a impotência que eu sentia enquanto ficava sentado lá silenciosamente, vendo-a se desintegrar. Ela fungou e, vendo a caixa de lenços em cima da mesa ao lado da minha xícara, eu a segurei na frente dela. Isso era estúpido. Eu era estúpido. Ela acabou de explicar em detalhes os horrores da sua infância e como ela encontrou sua mãe morta em sua casa quando ela ainda era tão jovem, e tudo que eu podia fazer era estender para ela a porra de uma caixa de lenços.
Ela confirmou o fato de que Jacob e seus amigos tinham sido os únicos a fazer amizade com ela e se importar com ela em um momento em sua vida quando ela provavelmente sentiu como se ninguém jamais cuidaria dela novamente. A bondade deles foi a única coisa que manteve a minha raiva em cheque. Mas, quando a raiva desapareceu, a culpa esmagadora e auto-aversão puxaram o ar dos meus pulmões e apertaram o meu peito.
"Bella, eu não tinha idéia." Eu podia sentir minha respiração tornar-se superficial e forçada enquanto eu me lembrava muito claramente do que pensava dela. Fiquei com nojo de mim mesmo. Senti-me fisicamente enjoado.
Eu podia ouvir o som suave e baixo de sua voz, mas eu não conseguia me concentrar nas palavras. Eu estava perdido, puxado sob a superfície, me afogando em tudo o que eu lutei e agora não conseguia reprimir.
Marrom.
Os olhos dela.
Senti um calafrio atirar na minha espinha quando seus olhos fecharam nos meus, sua voz cortando a loucura. "Isso vai ficar melhor".
Minha visão pareceu borrar enquanto meus olhos arregalaram desfocados. Suas palavras ecoaram em minha mente, uma e outra vez, prometendo-me algo que eu não tinha o direito de pedir - esperança. E então sua mão timidamente veio descansar sobre a minha e eu não queria sentir isso. Eu não queria sentir mais nada. Mas eu não tinha forças para movê-la, para afastá-la. Eu simplesmente não podia. Minha pele parecia crepitar e queimar em seu toque e eu ainda não podia me afastar.
"Edward, você não precisa dizer nada. Apenas saiba que quando você estiver pronto para conversar, eu estarei aqui para você. Eu quero ser sua amiga".
Como?
Por quê?
Eu tenho que sair daqui.
Eu não chamaria isso de força, mas o que quer que fosse, fez-me desligar-me desse sofá e para fora do seu apartamento antes que eu estivesse plenamente consciente das minhas ações.
Flashes do necrotério, dos meses que se seguiram, do colégio, atacaram-me enquanto eu dirigia até a casa dos Cullen. Eu não deveria sequer estar dirigindo. Mas eu sabia o que estava vindo.
Eu mal estava na porta da frente antes de colapsar, ofegando por ar.
Eu não podia parar isso.
Eu não conseguia parar.
Uma voz selvagem e feroz gritava e ecoava em minha mente. A voz era minha.
Eu senti como se tivesse falhado com eles tudo de novo e eu me desfiz completamente com esse pensamento.
A última coisa que eu vi antes de desmaiar foi a expressão horrorizada no rosto de Carlisle enquanto ele pairava sobre mim.
O que eu fiz?
Nota da Tradutora:
Chegamos ao ponto onde Bella conta sobre sua mãe para Edward... agora é esperar pra ver o que ele fará depois disso...
Para quem quer ler simultaneamente, isso acontece no cap. 9 de Lost and Found.
Até a próxima segunda!
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Bjs,
Ju
