- PARANÓIA -

PARTE II: O COMEÇO DO FINAL

Capítulo 17


"Bom dia, Srta. Weasley", uma jovem de cabelos louros e curtos a cumprimentou.

"Bom dia, Verity" respondeu, caminhando entre o amontoado de produtos da loja de seus irmãos.

"A que devemos essa visita tão inesperada?", a cabeça de um dos gêmeos apareceu pela fresta da porta dos fundos.

"Acho que minha visão e audição estão comprometidas, George", foi a vez de Fred aparecer.

"Não façam tanto alvoroço por minha causa".

"Não é todo dia que uma jogadora famosa entra em nosso humilde estabelecimento", George fez uma reverência exageradamente cômica.

"Pare de agir como um elfo doméstico", Ginny recriminou. "Eu não sou uma jogadora famosa, eu sou a irmã de vocês", falou se aproximando e dando um abraço em cada um.

"Certo, mas não esqueça que precisa autografar a nova remessa de Chapéus-Escudo. Eles dobraram de preço, só por conter a sua assinatura", Fred comentou. "Acredite, eles não param na prateleira".

Ela sorriu. Fazia tempo que não conversava com os dois, pois sua vida cheia de problemas ultimamente se resumia a treinos, reuniões da Ordem, jogos e encontros furtivos com Draco Malfoy em algum corredor vazio da sede da Ordem ou qualquer lugar pouco freqüentado na Londres trouxa.

A guerra ainda estava longe de terminar e tudo indicava que o final não seria bom, independente do lado que vencesse. Acreditou que Draco e ela estavam do mesmo lado, por quase dois anos, mas depois que a Ordem passou a investigá-lo, e os indícios de que ele era um espião cresceram, os dois retornaram ao velho clichê de estarem em lados opostos e nenhum dos dois iria ceder ou mudar de idéia. Ele seria sempre um Comensal da Morte e ela, depois que se tornou maior de idade, uma integrante da Ordem da Fênix.

"A celebridade tem tempo para um café?", Fred perguntou, trazendo Ginny de volta dos seus devaneios.

"Na verdade não, sinto muito", ela falou colocando os cabelos para trás da orelha, nervosa.

"O que está acontecendo?", George perguntou desconfiado.

"Problemas no time", mentiu.

"Não quer que eu acredite nisso, não é mesmo?", Fred questionou, com uma sobrancelha levantada.

"Não é mentira. Mataram a Alice, e toda a sua família, ontem".

"Alicia? Alicia Spinnet? Não pode estar falando sério, Ginny", Fred deixou morrer o sorriso que tinha nos lábios tão rápido quanto um piscar de olhos e sua expressão de choque era idêntica a de George.

"Sim", isso não era mentira. Na verdade, aquele era o motivo pelo qual a briga com Draco começara e onde ele acabara confessando, de uma vez por todas, que havia passado informações para Voldemort através de Snape. Em contrapartida, também argumentou que não sabia que Voldemort recebia essas informações e alegou que apenas dava a Snape notícias de como estava, e nada mais.

"Isso é terrível, Ginny. Meu Deus, ela jogou conosco, estudou conosco... Tem a nossa idade!", George baixou o tom de voz para sussurros, evitando que os clientes ouvissem.

"Fale a verdade, como você está?", Fred perguntou, colocando as mãos nos ombros da irmã.

"Melhor do que eu deveria", respondeu com sinceridade. Queria verdadeiramente sentir pela colega de time, que estivera em Hogwarts na mesma época que ela, mas seus pensamentos em Malfoy e nas complicações que ele levara para Ordem um par de semanas antes não deixavam. "Eu sou tão egoísta que-"

"O que esse filhote de basilisco está fazendo aqui?" George perguntou, interrompendo Ginny e esquecendo momentaneamente o choque pela morte da ex-companheira de time.

Ele olhava com fúria para a vitrine e Fred tinha a mesma expressão estampada no rosto.

Ela se virou e pôde contemplar o corpo magro e o rosto pálido de Draco Malfoy, assim como seus cabelos platinados, do lado de fora da loja. O rapaz estava ligeiramente disfarçado, pois sabia exatamente o que aconteceria se ele saísse andando pelas ruas sem qualquer cuidado, mas os Weasley conheciam todos os disfarces após mais de dois anos de convivência, supostamente vivenciando a guerra do mesmo lado. Draco lançou um sorriso debochado aos irmãos Weasley e entrou na loja, cutucando os produtos com a varinha, tentando se manter a uma distância segura.

"Não é bem vindo aqui", Ginny se adiantou.

"Oras, eu não perguntei a você, Weasley".

"Quer morrer? Está se expondo!", argumentou com urgência, baixando o tom de voz.

"Pensei que ninguém da Ordem iria se preocupar com a minha segurança, principalmente você, traidora", replicou.

"Lave a boca quando for falar com a minha irmã!", George se irritou.

"Calma, vim aqui em paz, tudo bem? Será que eu não posso comprar nenhuma de suas... Como é que é o nome mesmo?", perguntou desdenhando.

Ginny revirou os olhos. Ela sabia exatamente que aquela pose era a única forma de defesa que ele possuía; que Draco apenas queria manter as aparências, mas isso só o tornava mais imprudente.

"Não queremos Comensais da Morte em nosso estabelecimento", ela sentenciou.

"Ela está certa, Malfoy. Nosso trato com você se desfez", Fred se meteu, falando baixo e rápido.

"Ótimo! Sorte a minha que eu não sou um, não é mesmo? O que significa que eu posso entrar aqui", ele falava sem olhar para os Weasley, enquanto ainda fuçava as prateleiras. Fingindo estar calmo. "Hum... Acho que vou levar um desses", falou pegando um produto embalado em uma caixa rosa berrante.

"Quem é o rapaz que está querendo conquistar, Malfoy?", Fred caçoou. "Não sabia que você era usuário de Poções do Amor".

"Funciona com mulheres?", interrompeu.

"Claro que sim".

"Ótimo, porque eu vou usar com a sua irmã", falou sorrindo torto. "E então? Quanto custa?"

"Um soco nesse seu queixo branquelo e pontudo deve servir", Fred já se adiantava, quando George o segurou.

"Um galeão e três sicles, Malfoy. Agora, dê o fora! Não vamos cair na sua de novo".

Draco pegou a caixinha rosa, jogou duas moedas de ouro no balcão e virou as costas.

"Podem ficar com o troco. Comprem roupas novas para essa maltrapilha".

Ele saiu do estabelecimento com o nariz empinado e cantarolando alguma coisa. Fred e George pareciam igualmente furiosos e tudo o que Ginny queria naquele momento era matá-lo.

"O que ele está tramando? Não viria aqui por nada, viria?", Fred perguntou.

"Principalmente com essa história de retirarem a proteção dele e da família. Será que aconteceu alguma coisa com os Malfoy?", George perguntou.

"Ele me pareceu tranqüilo demais e eu sei que ele não estaria desse jeito se estivesse tramando. Não... Acho que a família dele está bem, ao menos é o que a gente pode deduzir pelas informações que Tonks nos passou ontem", Fred lembrou. "É outra coisa... Mas o que ele quer?"

"Eu não faço idéia, mesmo convivendo tanto tempo com ele não consigo pensar no que poderia ser. Ginny, você esteve com ele todos os dias praticamente, consegue pensar em algo?"

"Não sei mais do que vocês", mentiu. Estava angustiada, mas suas palavras soaram verdadeiras.

Os irmãos deram de ombros.

"Se você diz... De qualquer forma não podemos nos dar ao luxo de ficar pensando nisso agora", George indicou a porta da loja com um aceno de cabeça.

"Sorte a nossa que eles não chegaram um minuto antes, não quero assustar nossos fregueses", Fred falou baixo, antes de se aproximar dos jovens sorridentes que acabavam de entrar.

"Verity, pegue o que sobrou do estoque de Penas Automáticas, eles têm cara de que vão prestar N.O.M.s esse ano", George sussurrou à funcionária, que de imediato obedeceu.

"Ginny", Fred segurou o braço da irmã e sussurrou: "Nos mantenha informado sobre o funeral de Alicia. Tentarei entrar em contato com o time... Muitos estão foragidos, creio que Katie e Angelina ainda não devem saber..."

Fred desviou o olhar e colocou um sorriso nos lábios, para receber os clientes e Ginny só podia imaginar o quanto deveria ser doloroso para ele precisar fingir sorrisos, justo ele que sempre teve no ato de sorrir a sua expressão mais sincera. Sentiu as lágrimas marejarem os olhos, mas engoliu o choro. Se até eles conseguiam fingir sorrisos, ela também o faria sem reclamar.

"Tudo bem", murmurou e logo teve a sua atenção desviada por uma movimentação anormal na entrada da loja:

"Por minha Ravenclaw, é Ginny Weasley!", gritou uma das garotas que estava acompanhada por outros colegas.

"Mentira! Não acredito!", um garoto mais alto se adiantou, com os olhos brilhando. "Meu Merlin... É ela de verdade. Ginny, eu sou seu fã!", ele segurou a mão da jogadora e apertou firmemente. "Também sou artilheiro e jogo no time da Ravenclaw em Hogwarts..."

"Acho que vou passar mal", outra menina anunciou.

"É muito mais bonita assim de pertinho", um menino franzino, provavelmente calouro, também se aproximou.

"Pode me dar um autógrafo?", outra garota perguntou aos berros.

"Eu também quero!"

"Er... Calma, eu assinarei todos".

"Precisa vir aqui mais vezes", Fred sussurrou.

"Vou matar vocês, porque isso é exploração", ela devolveu o sussurro, com um sorriso maroto, mas ao mesmo tempo cansado.

"Bem, sabemos que você está apressada, por isso nós vamos salvar sua vida, ok?", George também sussurrou.

"Agradeceria muito, porque já estou em cima da hora para o encontro com as meninas do time, vamos decidir algumas coisas do velório e-"

"Pessoal!", berrou Fred. "Temos Capas Protetoras da linha Ginevra Weasley, assinadas pela famosa Artilheira. Temos nas cores rosa, vermelha, azul e amarelo-catarro".

"Além de se vestir com classe, estará protegido de azarações e feitiços que podem pegá-los desprevenidos. Últimas peças, quem vai querer?", George perguntou, elevando algumas amostras acima de sua cabeça.

"Eu quero!"

"Eu quero duas", gritou outra garota que entrou no exato momento que o produto fora anunciado.

Houve um verdadeiro ataque aos gêmeos e Ginny teve o espaço que precisava para sair da loja sem ser notada, tomando o cuidado de levantar a gola de sua capa para não ser reconhecida tão facilmente, mas não funcionou. Antes que desse os três primeiros passos do lado de fora do estabelecimento alguém lhe segurou pela manga das vestes.

"Com esse cabelo chamativo não tem como se esconder. Pensei que os membros da Ordem da Fênix soubessem usar um disfarce decente".

"Poderia não agir como um trasgo pelo menos uma vez na vida?", questionou, tentando se livrar das mãos de Draco.

"Você parecia gostar bastante desse trasgo".

"Isso foi antes de você me confirmar que ainda trabalha para-"

"Se você quer mesmo tocar nesse assunto, é melhor sairmos daqui!", sussurrou, ainda segurando-a pelo braço e arrastando-a para uma entrada apertada entre uma loja e outra, longe dos olhares curiosos que caíram sobre os dois. "É melhor ficar quieta sobre esse pequeno tópico, porque se eu quisesse que as pessoas soubessem o que eu sou eu exibiria isso", ele levantou a manga esquerda de suas vestes.

Ginny desviou o olhar.

"Olhe para mim!", ele ordenou, mas ela não obedeceu. "Ginny, eu já disse que não espionei vocês durante esse tempo, as informações que passei não foram-"

"Não quero falar sobre esse assunto, Malfoy".

"Eu não fiquei plantado na frente da loja dos seus irmãos escutando toda aquela conversa inútil por nada. Você precisa me ouvir", insistiu.

"Não quero ouvir tudo de novo. Também não quero ver você de novo", falou com raiva.

"Isso é uma grande mentira, mas tudo bem, eu vou fingir que acreditei... Oh, Ginny, por que não quer me ver de novo?", falou em tom de falsete. Sua voz soou fina e irritante.

Ela mordeu os lábios e voltou a encará-lo. Ele, ao vislumbrar os expressivos e grandes olhos castanhos, pôde ver claramente a resposta que ela daria estampada neles.

"Eu tenho medo, Draco. E eu me sinto idiota quando fico assim".

"Onde está a coragem dos gryffindors? Se bem que eu sempre achei que isso era conversa para se mostrarem superiores", ela arqueou as sobrancelhas, se mostrando ofendida. Draco revirou os olhos. "Oras, diga-me onde é que Longbottom é corajoso, Weasley? Convenhamos aquele Chapéu já deixou de ser sábio há muito tempo".

"Pare de falar besteiras".

"Não é besteira, veja bem... É besteira, confesso. Você sabe que falo besteiras quando fico nervoso, mas pense bem: quem além de mim deveria ter mais medo de tudo isso? Eles estão atrás de mim! Sou eu que vou morrer sem a proteção de vocês, sou eu que estou com meu pescoço por um fio se descobrirem algo, e não você. O Lord me acusou de traição, por acreditar que me aliei a vocês – o que não é uma mentira total, na verdade, já que prestei juramento de fidelidade para Ordem. Eu já fiz muita besteira, Ginny, mas não vou cometer mais uma. Não vou desistir, eu já falei. Por que você tem tanto medo?"

"Medo de morrer é o de menos, Malfoy. Que vida nós vamos levar?"

"A mesma que levamos agora!", respondeu como se fosse óbvio. "Pensei que você gostasse do que existe entre a gente, e estava tudo bem até retirarem a proteção que eu tinha".

"Viver se escondendo até que um de nós seja morto pelo lado rival? Quero dizer, no seu caso por qualquer um dos lados, visto que você ainda não decidiu a quem será leal..."

"Eu prestei juramento, Ginny! Eu sou leal a vocês! Eu não menti, se algo aconteceu não foi minha intenção", ele suspirou, e falou cansado: "Há três semanas eu não durmo, Weasley; há dias não consigo ficar dez minutos em algum lugar sem achar que estou sendo vigiado..."

"Malfoy, eu não vou conseguir viver assim por muito tempo. E você mentiu para mim! Depois que você tentou matar Dumbledore, e se tornou foragido, você prometeu para todos que iria deixar tudo de lado. Que estava ficando perigoso demais e que não queria mais ser comensal, Malfoy".

"Quer parar de ficar me chamando pelo sobrenome? Que mania chata".

"Você também me chama pelo sobrenome, Malfoy, não mude de assunto".

"Só quando estou irritado com você, Weasley. E onde está a sua coragem?", retomou o assunto. "Eu não me importo nem um pouco de morrer na semana que vem, se você estiver comigo", confessou. Os olhos dela de arregalaram em surpresa e, então, ele parou e olhou para cima, pensativo. "Juro como eu não acredito no que eu acabei de falar. Retiro o que eu disse".

"Você é mesmo imprudente, não é? Se você morrer, como acha que eu vou ficar? Justo você, que exterminou todos os meus sonhos e nem ao menos teve a decência de pôr uma ilusão no lugar", ela o encarava, tentando não parecer emotiva demais.

Ele a fitou seriamente, fechou os olhos e respirou profundamente. Ginny prendeu a respiração, esperando alguma palavra de conforto. Draco abriu os olhos e voltou a encarar os dela, falando baixinho.

"Isso é tão clichê que me dói os nervos", ele falou por fim, fingindo irritação.

"Eu odeio você, Malfoy".

"Claro que me odeia. Como não percebi antes?" perguntou irônico, abanando a mão em um gesto displicente, depois se inclinou e completou ao ouvido dela: "Gryffindors mentem tão mal que chega a ser patético. Ginny, se você quiser mentir, faça como eu. Minta com classe".

"Se eles não te matarem, eu mesma farei isso", falou em tom de ameaça.

"Melhorou", ele se afastou um pouco, sorrindo, debochando, enquanto brincava com uma mecha dos cabelos da jovem. "Mas, se isso é uma mentira, você não me quer morto... E se é verdade então você pode ficar comigo, porque eu vou morrer mesmo... Sou um homem condenado".

"Nunca escutei algo tão estúpido".

"Pois eu já, e não faz muito tempo. Lembra quando você disse que estava tudo terminado? Não só meu trato com a Ordem, mas que o nós estava acabado? Para mim isso soou bem estúpido".

"Não foi estúpido, apenas foi verdade", argumentou.

"Certo. Tem algo mais idiota do que se afastar de quem você gosta só porque a pessoa não é exatamente aquilo que você desejava que fosse?"

"Eu não gosto de você!"

"Claro que não gosta. Você gosta de Potter Cicatriz", rebateu, irritado. "Ginny, o medroso e que não enfrenta as coisas sou eu! Eu sou o slytherin, ambicioso, traiçoeiro, Comensal da Morte, lembra? A mocinha corajosa e que enfrenta tudo é você, portanto faça alguma coisa! Já cansei de bancar o herói gryffindor! Eu não sou Harry Potter!"

"Eu...", titubeou. "Malfoy, eu não tenho mais argumentos", confessou.

"Graças a Deus", sussurrou.

Ele segurou o rosto dela entre as suas mãos e a beijou sem aviso, imprensando-a contra a parede, mas ainda assim Ginny conseguiu se esquivar.

"Isso não está certo, Draco".

"E daí?", perguntou em tom desesperado. "Desde quando isso foi certo? Ora, Ginny, não se faça de boazinha comigo agora..."

"Eu não estou-"

"É isso?", ele se afastou, abrindo os braços, desapontado. "Você realmente não vai se convencer do contrário? Quer terminar tudo por causa de um engano? Por eu ser como eu sou? Ou simplesmente porque a sua família e seus amigos desistiram de mim?"

"Você sabe que não é tão simples assim. Tem muito mais coisa em jogo além das nossas vidas, Draco".

"O quê? Sua reputação? Faça-me o favor de ir embora se você tem certeza de que o que você quer não está bem diante de você, porque eu já não posso fazer mais nada. O que eu podia fazer para tentar convencer você a não fazer a besteira de-"

Ela o empurrou contra a parede, fazendo-o bater as costas com força, em seguida ficou na ponta dos pés e o beijou com vontade. Ela poderia estar com medo e o mundo devia estar ao avesso, mas ela tinha que admitir que o poder de persuasão de Draco se encontrava no grau mais elevado da raça humana.

"Você é um baita filho de uma mãe persistente", falou com raiva, enquanto o segurava pela nuca, puxando os cabelos loiros com mais força que o necessário.

"E você está vermelha", caçoou.

"Você sempre estraga o clima".

"Quem estragou foi você! Precisava me chamar de filho de-"

"E agora?"

"Agora o quê?"

"O que a gente faz?"

"Você está brincando, não é mesmo?", ele perguntou entre sorrisos, para em seguida lhe morder a orelha com delicadeza. "Se bem que eu adoro quando você se faz de boba".

"Não estou falando disso, Draco. Quero saber o que vamos fazer sobre toda essa confusão, estou falando do nosso futuro!"

"Que se dane, eu não vivo no futuro. Aprendi isso quando estava confinado com vocês naquela casa, vivendo o inferno diariamente, sem esperança nenhuma de dias melhores, mas ficaria grato em continuar vivo por um bom tempo".

"E isso significa..."

"Que eu não posso deixar meus pais sozinhos, que eu ainda preciso de você e da sua ajuda, porque não quero morrer na semana que vem e não quero que os dois paguem pelo que eu fiz. Eu quase fui pego três vezes só nesta semana, estou desesperado... Olha, Ginny, eu conviverei bem com essa nossa situação e, a julgar pelo que estamos prestes a fazer, você também não se importa muito. Se ainda me quiser tem que ser com o pacote completo, e isso inclui a marca no meu braço, minha família fugitiva e todos os traços da minha personalidade que você julga impróprio".

Ela sorriu sem querer.

"Você ainda vai me levar para o mau caminho".

"Depende... Já perdi as esperanças de conseguir te convencer a tatuar uma dessas, mas garanto que consigo te levar para um daqueles quartos no Caldeirão Furado", ela sorriu involuntariamente de novo e, dessa vez, corou furiosamente.

"Vem!", falou segurando-o pelo braço, rodopiando e desaparecendo em um estalo, que foi completamente ignorado por qualquer bruxo que estivesse passando por ali.


N/A.: COMENTEM, por favor. Uma fic escrita na correria, para cumprir prazos. Ainda não está fazendo sentido, não é? Aos poucos vai se encaixar. Falem de suas teorias, está ficando bom? Como está o texto? Tem algum erro?

Obrigada pela ajuda!