- PARANÓIA -
PARTE I: TRATOS E TRUQUES
Capítulo 1
[Duas semanas depois]
"Isso é tudo?", Moody perguntou e Draco balançou a cabeça, confirmando.
"Eu já disse tudo o que eu sei", respondeu cansado. "Quando esse interrogatório vai acabar?"
"Quando você resolver entregar aqueles assassinos, simples", respondeu o Auror, com aspereza.
Draco não sabia onde estava, mas supunha que era na sede da Ordem da Fênix. Duas semanas antes, tivera que fazer uma das escolhas mais difíceis de sua vida e, até então, acreditava que tinha feito o correto – mesmo que em alguns momentos fosse tentado a pensar que havia cometido um dos maiores equívocos da sua vida. Deixou Dumbledore viver, escapou da torre antes que os comensais chegassem, soube depois que Snape havia completado o seu serviço e – odiava admitir – conseguira sair do castelo escondido e escoltado pela Ordem no dia seguinte graças a Harry Potter.
Algum feitiço para confundir fora colocado nele, pois de fato não conseguia lembrar o caminho que havia feito e nem como era a aparência de qualquer coisa naquele lugar que não fosse dentro das quatro paredes do quarto pequeno em que havia passado todos os seus dias, desde então.
"Eu não posso falar sobre o que eu não sei", repetiu o que já havia dito centenas de outras vezes. "Eu tinha uma missão, que era matar Dumbledore, mas fora isso eu realmente não sei. Os nomes que eu poderia fornecer eu já dei, mas além isso-"
Draco foi interrompido por batidas na porta e Moody desviou a sua atenção para atender. Era lobisomem Lupin falando alguma coisa sobre estarem em cima da hora, todos já terem chegado, e tudo estar pronto para resolverem. Moody saiu sem se falar mais nada e Draco bufou, irritado. Não que estivesse reclamando por estar vivo, mas já estava a ponto de enlouquecer preso dentro daquele quarto.
Pela milésima vez repassou em sua mente os momentos em que ficara escondido no castelo, esperando o perigo passar. Harry foi quem o encontrou algumas horas depois, sentado ao lado de uma estátua, apoiando a cabeça nos joelhos. Lembrava perfeitamente da varinha apontada e da expressão cheia de fúria, contida por algo que não sabia exatamente dizer o que era... Pena, talvez. E Draco odiava que tivessem pena dele.
"Venha", foi tudo o que Harry disse, levando-o para a enfermaria, onde mais um punhado de membros da Ordem o aguardava.
Muitos choravam, tinham acabado de receber a notícia, outros estavam com a o rosto coberto por uma sombra de tristeza. A enfermaria estava cheia daqueles que eram considerados os bons moços, os heróis. Alguns extremamente machucados, como o rapaz que julgou ter sido morto por Greyback; era um Weasley. Só assim para explicar o motivo de tantos cabelos vermelhos e roupas de segunda mão ao redor de uma mesma cama.
Um punhado de varinhas foi apontado diretamente para Draco, mas Harry se colocou entre o slytherin e os que pretendiam executá-lo.
"Dumbledore ofereceu uma chance para ele, Malfoy aceitou. No final das contas não foi ele que o matou", foi o que Harry disse.
Draco se lembrava de estar em uma das macas, vigiado de perto por Tonks e Lupin, ouvindo pedaços entrecortados de conversas sobre o seu próprio destino.
"Naquele momento, nada mais estava em minhas mãos", pensou, encarando o teto do quarto escuro.
Mas desde quando alguma coisa realmente esteve?
Tudo o que se lembrava com clareza após aquela noite era de ter sido colocado naquele quarto, onde era interrogado quase que diariamente, por pessoas diferentes. As perguntas eram quase sempre as mesmas e algumas vezes era atualizado sobre os avanços da Ordem, das baixas do lado dos comensais ou muitas reclamações e explicações exigidas quando alguma informação que dava os levava a um beco sem saída ou armadilha.
Fechou os olhos e tentou dormir, pois provavelmente ainda teria que encarar Moody mais uma vez durante aquele dia, só que não obteve muito sucesso: a porta se abriu dois minutos depois.
"Querem você lá embaixo, Malfoy", era Ron Weasley.
"Certo", respondeu sem muito ânimo.
Ao menos Draco respirou aliviado quando passou pela porta e respirou o ar do corredor, pois qualquer coisa era melhor do que o quarto pequeno e escuro ao qual jamais iria se acostumar, por mais tempo que passasse ali.
Desceu dois lances de escadas tortas e se deparou com uma sala atulhada de gente gryffindor, provavelmente prontos para fazer um interrogatório coletivo. Era, claramente, uma reunião de cúpula da Ordem... E estava difícil respirar.
"Sente-se, Malfoy", Kingsley pediu, com sua voz forte e Draco não precisou pensar duas vezes para decidir que deveria obedecer. Há muito ele já tinha decidido dançar conforme a música.
"O que isso significa?", perguntou, querendo que falassem logo, que tudo terminasse rápido.
"Vamos atualizar você sobre algumas coisas, principalmente com relação a sua família", o homem continuou.
"Minha mãe? Aconteceu alguma coisa com ela? Eles-"
"Os Comensais estão cogitando a possibilidade de você estar morto, ao menos por enquanto. Sua mãe está bem, está conosco, bem protegida, e sabe que você está sob nossa proteção também".
"Onde ela está?", Draco perguntou, ansioso. "Posso vê-la?"
"Claro que não", Moody ralhou.
"Draco, fique tranqüilo em saber que ela está bem", uma voz feminina substituiu a de Moody.
O tom era gentil e ligeiramente conhecido. As feições daquela mulher eram conhecidas, embora ligeiramente diferentes. Nunca tinha visto aquela senhora, mas a forma como ela lembrava sua tia Bellatrix era quase indecente.
"Como posso ter certeza?", perguntou desconfiado.
"Ela está escondida em minha casa e eles me chamaram aqui hoje para tranqüilizá-lo. Cissy me pediu para falar para você que está bem e que está muito orgulhosa de você".
Draco desviou o olhar e não respondeu, pois tinha certeza de que sua voz não sairia tão firme quanto pretendia.
"Malfoy, chamamos você aqui para a reunião para informar que você não é um prisioneiro", Kingsley recomeçou.
"Claro, eu já estava começando a achar que era", comentou com sarcasmo.
"Entenda que precisávamos ser cautelosos", Lupin começou a explicar. "E, agora, mesmo que não precise ficar trancado no quarto, você ainda não poderá sair dos limites da proteção deste lugar, e precisamos de sua palavra".
"Eu não vou sair", respondeu imediatamente. "Eu não tenho para onde ir, esqueceu?"
Não. Ninguém tinha esquecido. Por mais desconfiados que todos estivessem, sabiam do que ele tinha deixado para trás ao aceitar a oportunidade de Dumbledore. Harry havia contado a todos como Draco havia vacilado e fugido antes que Snape liquidasse Dumbledore, bem como tinha contado em detalhes sua busca por Malfoy pelo castelo logo após contar a todos o que havia ocorrido na torre. Fora Harry Potter que o inocentara e explicara que ele não queria realmente matar e a sua preocupação com a sua família.
"Para situar você, essa é a casa dos Weasley. Não podemos voltar para a antiga sede, pois Snape sabe o local, então até termos outro lugar para-"
"Eu estou na casa deles?", apontou para Molly e Arthur. "Por que não posso ficar com a minha tia e minha mãe?"
"Draco, não é seguro manter vocês dois juntos", Andromeda argumentou.
"Por enquanto será assim", Arthur tomou a palavra. "Manteremos esse plano, pretendemos realocar a sua mãe e talvez você, se tivermos sucesso. Mas enquanto ainda avançarmos lentamente em nosso trabalho-"
"Certo, Weasley, o que eu tenho que fazer?", questionou.
"Nada", Lupin respondeu. "Não queremos que lute para nós ou que se arrisque se não quiser. Apenas queremos conselhos, informação. Precisamos saber como eles pensam em alguns momentos, então ficaremos grato se em troca de proteção você estiver disposto a cooperar".
"Já não estou cooperando?", Draco questionou com raiva.
Não podia reclamar, sabia disso. Estava vivo, sua mãe estava bem e seu pai também – até onde Azkaban permitia a alguém estar bem.
"Outra notícia que tivemos é que houve uma fuga em massa de Azkaban..."
"Meu pai-"
"Não, ele não escapou", Lupin interrompeu. "Conseguimos alertá-lo antes, falamos que você estava bem e que Narcissa também estava segura. Aconselhamos que ficasse onde estava e que não fugisse, ele aceitou e nós forjamos uma captura dele forçando os demais a deixarem seu pai para trás".
"Ele está bem, não é?"
"Sim, está".
"Ótimo".
Draco não podia esconder que estava aliviado, também não queria que pensassem que estava completamente nas mãos deles, mesmo que estivesse. Talvez isso explicasse o motivo pelo qual estava agindo de forma aparentemente tão ingrata.
"Sobre a sua permanência aqui, temos algumas regras", Moody voltou a falar.
"Claro que têm", resmungou.
"Não poderá usar a rede de flu para se comunicar com ninguém que não seja a sua mãe, ainda assim, será em horários pré-determinados e monitorados por alguém da Ordem; não deve sair dos limites dentro da barreira de proteção; não tem permissão para usar a sua varinha; só sairá da Toca quando escoltado por, no mínimo, dois membros da Ordem; deverá colaborar com as investigações; não tem permissão para preparar poções; não poderá fazer uso de uma vassoura; não-"
"Eu poderei respirar, sem pedir permissão?"
"Só até considerarmos que sua respiração nos atrapalha", Fred respondeu a pergunta retórica com uma pitada de sarcasmo.
"Muito engraçado".
"Imaginei que fosse".
"Certo, Malfoy, eu deixarei a lista de restrições com você, assim não terá desculpas se propositalmente esquecer alguma coisa", Moody entregou o pergaminho.
"Normalmente a casa não fica tão cheia e faremos o possível para que fique a vontade", Molly se adiantou.
"Eu passo o dia inteiro no Ministério, Fred, George e Charlie não moram aqui, então restam apenas Bill – que está passando uma temporada conosco antes do casamento –, Ginny e o Ron".
"Claro que depois que buscarmos Harry e Hermione as coisas podem ficar um pouco mais desconfortáveis para você e nós podemos fazer visitas ocasionais", George lembrou.
"Siga as regras que o Moody lhe passou e você não corre tanto o risco de acordar azarado", Fred completou.
Ele tinha esquecido... Ainda havia Potter e Granger. Sem contar o tal do casamento do Weasley mais velho. Draco supunha que em menos de um mês estaria vivendo no inferno, mas gostava de pensar que poderia ser pior. Muito pior.
"Molly, Arthur, precisamos ir", Tonks e Lupin informaram.
Draco os viu saindo juntos e se lembrou da cena protagonizada pelos dois na enfermaria de Hogwarts na noite da invasão. Suspeitava que já houvesse ocorrido o casamento, pois a mulher ostentava um anel no dedo de sua mão esquerda.
Logo depois dos dois, Moody se despediu, bem como Kingsley, dois homens que não conhecia, Hagrid e sua tia Andromeda. Os gêmeos permaneceram na casa, bem como os demais Weasleys.
"Você vai continuar no mesmo quarto, Malfoy", Molly avisou. "Mas vamos retirar os feitiços das janelas, assim a luz do sol pode entrar, vai ficar mais agradável".
"Certo".
"Você deve estar com fome, quer se juntar a nós no jantar? Sei que pode parecer estranho, mas-"
"Não", cortou, mas logo tentou remendar a rispidez. Teria que se esforçar para conseguir conviver decentemente com aquela família, se quisesse continuar sob proteção da Ordem. "Não tenho fome e estou cansado, gostaria de aproveitar essa noite sem mais interrogatórios apenas descansando".
"Tudo bem", Arthur acatou. "De qualquer forma vou até o quarto com você, retirar os feitiços".
"Certo", ele apenas concordou.
Arthur seguiu na frente e subiu as escadas, com Draco acompanhando os seus passos com lentidão. Estava com fome, mas não estava preparado para sentar à mesa com todos aqueles Weasleys. Talvez quando estivesse mais desesperado...
Sentou-se na cama enquanto Arthur agitava a varinha e desfazia uma dúzia de feitiços que tinham colocado naquele quarto e tinha quase certeza de que ainda havia outra dúzia que não seria retirada. Viver no meio daqueles que tanto desprezava era o preço a pagar por sua limitada liberdade e pela vida dos seus pais. Pensara que ao se tornar um comensal e ter uma missão oficial, mesmo que suicida, estaria deixando seus pais orgulhosos, estaria se provando capaz, digno, até. Mas tudo o que conseguiu foi colocar seu próprio pescoço em uma guilhotina, levando junto sua mãe e o seu já condenado pai. Uma família em desgraça e separada pela impossibilidade de viver em paz.
Deitou-se e fechou os olhos. Não estava com sono, queria dormir apenas para passar o tempo, mas também não estava ansioso para a chegada dos pesadelos que lhe atormentaram durante todo o tempo em que esteve em Hogwarts no seu sexto ano. Só que com o passar dos dias a sua realidade dentro do castelo havia se tornado pior que os pesadelos e agora ele já não sabia se era melhor quando estava dormindo ou acordado.
E só queria descansar.
Queria descansar.
Queria descansar.
Queria descansar.
Abriu os olhos.
O sol batia em seu rosto, mas não foi isso que o acordou. Não estava sozinho. Alguém se debruçava sobre ele, tapando o sol parcialmente, e o cutucava de forma irritante.
"Ah, finalmente acordou", ela resmungou, entediada. "Já está tarde, sabe? Eles me mandaram vir aqui para ver se você ainda estava vivo", completou, desnecessariamente.
"Certo".
"Também me obrigaram a trazer alguma coisa para comer", informou apontando para uma bandeja com um prato com salsichas, ovos fritos e torradas. "Se quiser tomar um banho, é só ir até o final do corredor".
"Tudo bem".
"E quando descer, ao menos tente não parecer tão mal humorado".
"Vou precisar sorrir também, Weasley?"
Ela apenas riu e virou as costas, balançando a cabeça, e saindo do quarto. Draco podia jurar que tinha ouvido-a murmurar algo como "babaca" antes da porta se fechar.
"Talvez eu seja mesmo", pensou alto, relembrando as besteiras que tinha feito no último ano.
Levantou-se e se aproximou da bandeja. Estava com fome e o cheiro não era nem de longe ruim. Já estava se habituando àquele tipo de refeição, e aquela parecia realmente convidativa, visto que não comia desde o almoço no dia anterior. Ao menos tiveram a idéia de levar a comida novamente para o quarto, pois ele sabia que ainda iria demorar a se acostumar com a idéia de se juntar a eles para comer.
Também precisava de um banho. Olhou para a muda de vestes limpas em cima de uma cômoda e torceu o nariz: não sabia quanto tempo teria que agüentar usar roupas emprestadas. Nem mesmo a roupa intima que usara desde que chegara ali era sua de verdade... Ao menos elas eram novas, disso ele não podia reclamar.
Foi ao banheiro, carregando as vestes e uma toalha e tomou um banho rápido. Quando voltou ao quarto abandeja já havia sumido e ele até ensaiou se sentar na cama para deitar novamente, mas preferiu observar um pouco o lado de fora, através da janela. Depois de um tempo, ficou entediado e tentou dormir. E foi assim por quase uma semana: comia no quarto, olhava a paisagem, pensava na própria vida, falava sozinho, escrevia para si mesmo, imaginava futuros alternativos, passados alternativos e presentes alternativos. Nada em sua vida real parecia realmente agradável.
Foi na semana seguinte que a sua rotina finalmente sofreu alteração e se tornou diferente ao escutar um barulho do lado de fora, quando voltava do banho. Havia certa alegria e felicitações, pois alguém tinha chegado. Olhou pela janela e revirou os olhos, se jogando na cama, perguntando se a sua sorte ainda poderia ficar pior: era Hermione Granger.
Alguns minutos depois a barulheira e risadinhas que tinha saído do jardim para a sala, agora chegavam mais perto, até que ouviu movimentação no corredor e, curioso, se aproximou da porta, para escutar sobre o que falavam:
"Eles não se lembram de mim, mas ao menos estão seguros", a voz de Hermione soou triste aos ouvidos de Draco e ele se sentiu bem com isso.
"Quando isso tudo terminar, Mione, as coisas voltarão aos seus devidos lugares", era a voz da caçula Weasley, parecia bem menos arisca do que quando se dirigia a ele quando vinha trazer alguma refeição. Não era sempre ela que fazia isso, mas todos na casa pareciam concordar que era mais sensato do que mandarem Ron Weasley. E Molly parecia sempre muito ocupada.
"E ele? Ainda está aí?", perguntou, baixando o tom de voz. Draco imediatamente supôs que o "ele" era exatamente ele.
"Infelizmente", era Ron. "Mas na maior parte do tempo é como se não existisse".
"Até semana passada estava trancado no quarto, mas mesmo depois que permitimos o Malfoy não parece disposto a sair", Ginny Weasley explicou. "Até tentei conversar com ele, das vezes que fui levar comida, fazê-lo usar a voz, sei lá, mas você conhece Malfoy".
Não, você não me conhecem. Pensou emburrado, mas não desistiu de escutar o resto.
"Eu perguntei ao papai se poderia colocar ele junto com o vampiro no sótão, mas ele se recusou a responder", Ron lamentou.
"Mas isso era esperado, não?", Granger perguntou.
"Só se para você, Hermione. Esperava que no mínimo ele fosse um pouco menos mal agradecido", a caçula Weasley reclamou.
"O que eu quero dizer é que ele nunca vai ficar à vontade, até porque Malfoy não está aqui porque quer, mas porque precisa".
"A porta está aberta para ele ir embora e nunca mais voltar", foi a vez de Ron reclamar.
"Mas ele estaria pondo a vida em risco, talvez a da sua família também, ele sabe disso, mas não podemos exigir muito dele", argumentou.
"Mione", Ron recomeçou e Draco escutou uma porta sendo aberta. "Por que você sempre toma partido das minorias?".
Draco não escutou mais nada depois daquilo, apenas algumas risadas e uma porta sendo fechada. Encostou-se na parede e sentou no chão, apoiando a cabeça nos joelhos. Estava cansado. Iria enlouquecer.
Queria ir para casa.
Queria ir para casa.
Queria ir para casa.
Mas provavelmente a mansão estava cheia de comensais e, como sua sorte estava em um nível mais baixo do que a conta bancária dos Weasley, era quase certo de que o próprio Lord das Trevas estivesse lá, sentado em sua mesa de jantar, cercado por seus fiéis seguidores.
"Toc, toc, toc, Malfoy", escutou alguém falar imitando batidas do lado de fora, quase uma hora depois da chegada de Hermione. "Malfoy, quer, por favor, abrir a porta? Estou com as mãos ocupadas".
Era a menina Weasley.
Ele se levantou, abriu a porta e deixou que ela entrasse. Estava explicado o motivo pelo qual ela não tinha realmente batido na porta: estava segurando uma bandeja com o almoço. Eram sanduíches.
"Você tem sorte por eu estar disposta a trazer isso, sabe? Ron não seria tão amável e simpático", arriscou um diálogo, mesmo que provavelmente fosse continuar falando sozinha. "As coisas estão meio confusas e, agora que Mione chegou, os dois vão ficar tagarelando sozinhos. É nessa hora que eu fico de lado... Não vai comer, não?", questionou, sentando na cama, deixando bem claro que não iria sair dali tão rápido.
"Você não precisa fazer isso, Weasley", ele comentou, se aproximando da bandeja.
"Isso o quê?"
"Tentando fingir que eu faço parte do grupo, me fazer ficar à vontade... Isso não vai acontecer", falou, pegando um sanduíche e dando uma mordida pequena.
"Não custa tentar", respondeu encolhendo os ombros e desviando o olhar. "Além do mais, se você realmente vai ficar por aqui durante esse período, não é muito saudável ficar trancado aqui o tempo todo. A tendência é piorar, sabe? Ao menos para você".
"Muito tranqüilizador".
"Só depende de você tornar seus dias menos difíceis", ela lembrou-lhe, se levantando da cama. "Não custa nada tentar tomar um pouco de sol".
Aconselhou, atravessando o quarto e abrindo a porta. Sem acrescentar mais nada, Ginny saiu fechando a porta atrás de si. Draco olhou pela janela, viu o céu azul, quase sem nuvens, e pensou que talvez não fosse tão ruim assim caminhar pelos jardins e respirar um pouco do ar fora daquele quarto.
N/A: Demorou, mas consegui postar depois de ficar perdida nas possibilidades dessa história. Espero que gostem. O ritmo da fic é mais lento agora, afinal estamos no "começo" de verdade da história. Comente!
N/A2: Essa fic faz parte do projeto Like Always da sessão Draco/Ginny do Fórum 6V, então recomendo que leia também Dançando no Escuro (Scila) e Dragões do Império (Mialle Lemos). No próximo capítulo faço mais indicações. Além de longs o projeto também tem shortfics de várias autoras. Dê uma olhada também \o/
Por favor, diga o que achou desse capítulo.
